Estudo tem como objetivo produzir conhecimento e promover uma ponte entre as agências de saúde e coletivos indígenas.

Uma plataforma de pesquisa voltada para compreender o alcance e as respostas indígenas à Covid-19 no Brasil. Esta é a proposta da PARI-c (http://www.pari-c.org), desenvolvida através de um projeto de pesquisa liderado pela docente de antropologia da UFCSPA Maria Paula Prates. Na página, serão divulgados periodicamente os dados coletados por 60 pesquisadores, de todo o país, dentre eles, 30 indígenas.

O estudo tem como objetivo produzir conhecimento e promover uma ponte entre as agências de saúde e coletivos indígenas, com os participantes atuando "como potenciais consultores científicos no auxílio à compreensão dos modos de existência dos povos indígenas e das implicações para a prevenção da doença, morte e outras formas de perda nesta pandemia", conforme aponta o projeto de pesquisa. A proposta da PARI-c é publicar, mensalmente, notas de pesquisa, além de estudos de caso, que serão divulgados a partir do segundo semestre de 2021, estruturados a partir de três eixos de análise: 1. Saúde, Cuidado e Morte; 2. Mobilidade e Circulação; 3. Gênero.

Sob supervisão da Maria Paula, seis bolsistas de iniciação científica da UFCSPA irão atuar na Equipe Brasil Meridional, que engloba toda a região sul e parte das regiões sudeste e centro oeste do país. Dentre os povos que serão estudados, estão Guarani e Kaingang, Terena e Xokleng. A pesquisa abrange todo o território nacional será realizada através de entrevistas, narrativas e testemunhos indígenas sobre a pandemia de Covid-19.

De acordo com a professora, é fundamental prestar atenção às diversidades de respostas dos povos indígenas em relação à pandemia, pois além da dificuldade de acesso a hospitais, estes povos possuem suas próprias formas de lidar com a situação e a ideia do projeto é fortalecer tais iniciativas. "Colocar em evidência saberes e decisões que promovam saúde e bem estar em acordo com entendimentos indígenas sobre o que seja doença e vida são um dos nossos objetivos de pesquisa", esclarece.

O projeto conta com o financiamento do Conselho Médico de Pesquisa (MRC) da agência de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI), sendo resultado de um acordo de cooperação internacional entre a Universidade de Londres (City University), no Reino Unido, a Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Integram também o acordo a Universidade do Sul da Bahia (UFSB) e a Universidade de São Paulo (USP).