Coordenador do Serviço de Fisioterapia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o professor Rodrigo Della Méa Plentz levou sua experiência docente para o enfrentamento à pandemia de Covid-19. Em nova entrevista da série UFCSPA contra o Coronavírus, Plentz reafirma a admiração pelos profissionais envolvidos no atendimento aos pacientes e detalha os impactos do novo coronavírus em níveis profissional e acadêmico. Confira:


A UFCSPA vem atuando em diversas frentes de combate à Covid-19. Qual a sua atuação desde o início da pandemia?

Atuo como coordenador do Serviço de Fisioterapia da Irmandade Santa Casa de Misericórdia, que é o maior serviço de fisioterapia do Rio Grande do Sul. Desde o início da pandemia atuei como o responsável pela organização dos serviços desta área da Santa Casa, das unidades de terapia intensiva, das unidades de internações e dos ambulatórios. Ao todo 140 fisioterapeutas foram treinados e estiveram diretamente envolvidos na atenção aos pacientes com Covid-19.

Na sua experiência como docente e profissional da saúde, que dimensão você atribui ao desafio imposto pelo novo coronavírus?

Durante os vinte e sete anos de docência já vividos, entendo que esse foi o momento de maior significado e de responsabilidades. A experiência como docente e pesquisador foi fundamental para poder atuar durante toda a pandemia de forma a estabelecer práticas baseadas em evidências e de manter a segurança de todos os envolvidos. O trabalho em equipe foi fundamental e tive a felicidade de ter ao meu lado profissionais altamente qualificados e comprometidos com a saúde das pessoas.

Lembra de situações pelas quais passou que possam ser comparadas a essa crise de saúde pública?

Não tive outra experiencia na dimensão que foi a pandemia da Covid-19, e tenho certeza que as marcas serão profundas para todos que estiveram na linha de frente no tratamento.

Que impactos você sentiu em sua vida pessoal ao decidir atuar de forma direta no combate à Covid-19?

Foram muitos os impactos, mas o que mais me marcou foi a necessidade de fazer o distanciamento social da família - minha mãe, irmãos e principalmente filhas. Outro aspecto que me marcou muito foi a coragem dos profissionais de saúde que estiveram à frente da pandemia nos momentos de maior incerteza e dificuldades. Tenho um apreço especial pelos colegas que foram extremamente corajosos e fiéis à missão profissional.

Como avalia o papel das universidades no combate à pandemia? Acredita que as mudanças provocadas pelo novo coronavírus permanecerão após o fim da crise?

As universidades foram e estão sendo protagonistas na produção de conhecimentos que serviram de base e norte para o enfrentamento da pandemia. Para as pessoas que souberem ressignificar o que aconteceu, acredito que muitas mudanças ocorrerão. Porém, para grande parcela da população, talvez a maioria, não perceberemos muitas mudanças.

Sobre as vacinas que estão em estudo para prevenir o vírus, você acredita que elas serão eficazes para conter a pandemia a curto prazo? Além disso, que marcas esta situação deixará na formação dos novos profissionais de saúde?

Acredito e rezo que para que sim, pois só as vacinas poderão efetivamente tratar a pandemia. Será necessário que as universidades revejam muitas questões. O ensino à distância se tornou uma prática que veio para ficar e os modelos pedagógicos precisam ser revistos rapidamente pois mudanças curriculares precisam ser realizadas. O novo "normal" requer novos currículos e novas práticas.

Gostaria de deixar uma mensagem para a comunidade universitária?

A vida é a maior dádiva que possuímos e cada minuto vale muito a pena ser vivido! Como profissionais da saúde, salvamos vidas e essa missão é a mais nobre que pode existir. Cuidem-se e cuidem dos próximos. Essa pandemia vai passar, mas provavelmente outras doenças virão e temos que ser melhores como seres humanos para poder enfrentar essas situações. Um grande abraço (virtual) a todos!