30/06/2022 – G1 RS

Link: Neto atende desejo da avó falecida e consegue na Justiça doar corpo para estudos em universidade do RS | Rio Grande do Sul | G1 (globo.com)

Neto atende desejo da avó falecida e consegue na Justiça doar corpo para estudos em universidade do RS

No Brasil, há 36 programas de doação em cursos de medicina. Tendência no mundo inteiro, uso de cadáveres proporciona aos alunos uma experiência mais próxima da real para treinar procedimentos cirúrgicos e outras pesquisas. Saiba como funciona o processo.

Leandro Severino, de 42 anos, conseguiu atender ao desejo de sua avó, Delma Ribeiro, falecida aos 75 anos em Porto Alegre: que seu corpo fosse doado a uma universidade para ser usado em pesquisas e na formação de futuros médicos.

Em 2015, um entrave burocrático impediu que fosse feita a doação para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), razão pela qual ele precisou apelar para a Justiça. A decisão favorável veio em segunda instância, após intervenção da Defensoria Pública do estado.

Uma lei federal de 2002 regulamenta a possibilidade de a pessoa doadora manifestar o desejo em vida, por meio de um termo de doação – qualquer pessoa maior de idade pode fazê-lo. Mas Severino só tinha uma cópia da manifestação da avó, que havia sido feita em 1992.

Com isso, um cartório se negou a emitir a certidão de óbito. Sem o documento, a UFRGS não pôde aceitar a doação.

"O sistema registral não aceita nem cópias autenticadas. Precisa ser a manifestação original. Leandro procurou, mas não achou. A decisão de primeiro grau foi formalista, então, houve a necessidade de recorrer a uma instância superior. Pessoas próximas testemunharam em favor do Leandro e o desembargador foi mais flexível", conta o defensor público Jonas Scain Farenzena.

De acordo com a professora do Programa de Doação de Corpos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Andrea Oxley, é possível que a recusa inicial tenha ocorrido porque Leandro não era o responsável direto pela avó.

"A lei não tem detalhes que descrevam ela melhor, que caracterizem ela melhor. Aqui, um parecer da procuradoria jurídica faz recomendações que tem a lei de doações de órgãos como referência. A ideia é facilitar o processo", diz Andrea.

Severino perdeu o pai quando ainda era criança. Morou com os avós maternos até os 13 anos, quando passou a viver com Delma, sua avó paterna.

Foram 22 anos de convivência, nos quais Severino disse ter aprendido com uma mulher que sempre demonstrou alegria e disposição de ajudar os outros. Por isso, o neto lutou até o fim para garantir a doação do corpo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Anatomia, as universidades brasileiras contam com 353 cursos de Medicina. Em 2022, há 36 programas de doação. Em 2008, havia só dois. Um deles era o da UFCSPA, que foi criado nesse mesmo ano.

Inicialmente, a maioria dos cadáveres usados no ensino, na pesquisa e na extensão eram "corpos não reclamados", ou seja, de pessoas que não tinham parentes identificados que eram encaminhados principalmente pelo Instituto Médico Legal (IML).

Atualmente, o cenário mudou. Ao contrário do que se supõe, quase não são usados esse tipo de corpos.

Os dados a respeito do assunto no Brasil não são centralizados, razão pela qual é difícil apontar números absolutos de doação no país. No entanto, utilizando a UFSCPA como exemplo, é possível ter ideia da evolução da doação em território brasileiro.

Os dados mais recentes, de 2008 até 2019, indicam que o número de pessoas que manifestaram interesse em doar aumentou 12 vezes. Nesse mesmo período, a universidade recebeu 112 doações.

Número de cadastrados como doadores de corpos na UFCSPA

2008    12

2009    51

2018    155

2019    148

Fonte: UFCSPA

*O recebimento de doações foi suspenso devido à pandemia de Covid-19 no final de 2019. Por isso, não há dados de 2020 e 2021. Com a melhora do cenário pandêmico no Brasil, elas puderam ser retomadas.

O Rio Grande do Sul é um dos estados que mais conta com universidades que têm programas de doação. Há instituições de ensino em diferentes regiões, como a UFRGS (Porto Alegre), a Pontifícia Universidade Católica (Porto Alegre), a Feevale (Novo Hamburgo), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo), a Universidade de Santa Cruz do Sul (Santa Cruz), a Universidade Federal de Pelotas (Pelotas) e a Universidade Federal de Santa Maria (Santa Maria). No entanto, essa não é a realidade brasileira.

"Tocantins, por exemplo, tem um programa. Minas Gerais tem três. Universidades podem enfrentar problemas e ter uma carência enorme. Há casos daquelas que ainda dependem de corpos não reclamados, o que cria um desafio para a demanda", conta Andrea.

A destinação de corpos desse tipo para as universidades ocorre por meio de três centrais. Elas recebem os corpos e encaminham para as universidades.

"Não funciona [esse sistema]. Não é o melhor mecanismo. Porque nós somos os fiéis depositários. A família quer saber para onde vai o corpo", afirma Andrea.

Como doar: qual é o melhor mecanismo?

Uma lei federal de 2002 regulamenta esse tipo de doação para atividades de ensino, pesquisa e extensão. No entanto, ela não detalha processos, razão pela qual pareceres de procuradorias jurídicas tentam orientar as universidades e a população da melhor forma.

Em geral, no Brasil, basta que a pessoa interessada na doação manifeste em vida o interesse em fazer isso, o que pode ser feito para a família ou para a própria universidade.

É importante que o assunto seja discutido com a família – no caso de divergência entre familiares quanto à doação, a universidade opta por não receber o corpo.

Como a lei não traz mais detalhes, as universidades geralmente pedem que a pessoa responsável pelo falecido vá até um cartório quando houver a morte e, no atestado de óbito, coloque o nome da universidade para qual o corpo pode ser destinado. Uma via do documento deve ficar com a própria pessoa e a outra fica com a instituição de ensino.

A importância dos corpos para a ciência

A Sociedade Brasileira de Anatomia é categórica: os benefícios são exponenciais. Um corpo que seja usado para o ensino de 50 alunos pode beneficiar 500 pessoas. Como um corpo pode ser utilizado por anos, o número de alunos treinados e, consequentemente, de pessoas beneficiadas é maior.

O entendimento da categoria médica é que o uso de corpos é o que proporciona a experiência mais próxima da real, sendo uma tendência no mundo inteiro. Assim, os alunos podem treinar procedimentos cirúrgicos, por exemplo, e conduzir pesquisas.

Usar corpos é melhor do que usar bonecos ou simuladores justamente por colocar o aluno em uma situação próxima da real. O estudante será levado a ter um cuidado maior, por exemplo, afinal, é uma pessoa de fato que está sobre a maca.

Estudos na área apontam, inclusive, que a falta de treinamento com corpos de verdade traz prejuízos para a formação médica e está associada a menor aprendizado. Erros também já foram relacionados a isso.

Respeito com os corpos

A UFCSPA faz, ao final de todos os anos, uma cerimônia em homenagem aos doadores. Os familiares são convidados e os alunos ficam responsáveis por explicar a importância da doação que foi feita e que uso o corpo está tendo.

"A pessoa escolheu estar ali deitada, dar aquele corpo para que ele fosse utilizado, acreditando que aquilo ia melhorar a formação profissional. Como é que tu não estás comprometido com isso? Quanto respeito tu tens que ter para utilizar esse corpo. Isso é uma coisa fantástica, porque a gente consegue trabalhar essa reflexão e essa empatia para se colocar no lugar da pessoa, que o médico e todos os que trabalham na área da saúde tem que ter", assevera Andrea.

29/06/2022 – Portal Medicina S/A

Link: Novas tecnologias facilitam monitoramento de cardíacos - Medicina S/A (medicinasa.com.br)

Novas tecnologias facilitam monitoramento de cardíacos

As doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de mortes no mundo. Entre os principais fatores, está a falta de engajamento nos exercícios de reabilitação prescritos pelos profissionais da saúde, que costumam melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Para aumentar a adesão desse público, um grupo de pesquisadores – oriundos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e Universidade Federal do Pará (UFPA) – criou o Projeto Maya para desenvolver novas tecnologias de baixo custo, visando aumentar a adesão aos exercícios prescritos e monitorar os pacientes.

“Hoje temos diversos avanços recentes que podem representar uma melhoria no monitoramento e prescrição de atividade física como sensores vestíveis, aplicações de realidade virtual e aumentada e a gamificação, utilização de elementos de jogos, que criam desafios e recompensas para aumentar a motivação dos participantes”, revela Jéferson Nobre, membro do Instituto dos Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE), maior organização técnico-profissional do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, e pesquisador da UFRGS.

Segundo Nobre, essas tecnologias podem ser integradas para promover “biofeedbacks” sobre as atividades físicas prescritas, podendo ser acessadas por aplicativos e smartphones ou sites. “Por serem produzidos dados sensíveis com essas tecnologias, são necessários mecanismos de segurança da informação que restrinjam o acesso a tais dados. Tais mecanismos devem ser amigáveis e não intrusivos ao usuário.”

Entre essas novas tecnologias para garantir a proteção das informações do usuário estão a biometria cardíaca, blockchain e a Inteligência Artificial. “O uso dessas tecnologias deve ser flexível para utilizarem tanto em ambientes hospitalares como em outros espaços de saúde (como, por exemplo, nas Unidades Básicas de Saúde – (UBSs)”.

25/06/2022 – Jornal do Comércio

Link: Corte de verba impede manutenção das Universidades Federais no RS (jornaldocomercio.com)

Corte de verba impede manutenção das Universidades Federais no RS

Ensino público, gratuito e de qualidade, esta é a bandeira levantada por educadores brasileiros e órgãos federais, como consta na Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. No entanto, em menos de um mês, quatro mudanças orçamentárias feitas pelo Ministério da Educação (MEC) nas universidades federais mostram um cenário distinto: a instabilidade para manter o ensino no Brasil. No Rio Grande do Sul, além de dificultar o planejamento financeiro, o bloqueio de verbas atinge diretamente o setor terceirizado e pode inclusive afetar o auxílio estudantil, as bolsas de pesquisa e os projetos acadêmicos.

“Tivemos que mexer em uma série de questões e agora teremos que fazer isso de novo, tiramos recursos das obras para devolver ao governo porque iríamos ficar com saldo negativo. Dois dias depois, o governo mandou novamente. Essa instabilidade é tão prejudicial quanto a falta do recurso”, relata o superintendente de Orçamento e Gestão de Recursos da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), Denis Franco.

Em 27 de maio, o MEC notificou às universidades federais um bloqueio de 14,5% no orçamento da pasta. Uma semana depois, em 3 de junho, o valor bloqueado foi reduzido pela metade, 7,2%, após ações da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em conjunto com as universidades.

Na semana seguinte, no dia 9 de junho, o MEC informou que metade dos 7,2% ainda bloqueados, o equivalente a 3,2%, será remanejado para outros órgãos públicos, ou seja, não será devolvido para as instituições de ensino. Já na última sexta-feira, 24 de junho, 3,6% dos orçamentos discricionários aprovados pela Lei Orçamentária Anual LOA/2022 que ainda estavam destinados para as universidades federais, foram redirecionados para o Programa de Garantia de Atividade Agropecuária (Proagro).

“A situação que já era bastante preocupante, agora se torna insustentável. A Andifes trabalha para a reversão total do bloqueio, e vai agora redobrar esforços para obter a recomposição do valor cortado e o desbloqueio do valor ainda bloqueado, sem os quais fica inviável para as universidades manterem seus compromissos e atividades neste ano”, manifestou, em nota, o presidente da associação, Marcus Vinicius David. De acordo com ele, o remanejamento de 3,2% das verbas representa uma perda de pelo menos R$ 220 milhões no orçamento.

Ufpel opera com déficit de R$ 5 milhões de 2021

Devido ao corte orçamentário do ano passado, a Ufpel já iniciou o ano de 2022 com déficit de R$ 5 milhões. O primeiro bloqueio (14,5%) intensificou o cenário em cerca de R$ 9 milhões. Ao todo, antes do desbloqueio de metade do percentual (7,2%), a perda orçamentária acumulada pela instituição era de aproximadamente R$ 16 milhões, levando em consideração os reajustes e a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE).

“No momento em que nos cortam, 14,5% do orçamento é uma parte do ano que vai ficar sem cobertura orçamentária. Esse valor corresponde a dois meses das despesas da instituição”, explica Franco. De acordo com ele, o orçamento da Ufpel para custeio, incluindo os gastos de manutenção dos serviços, é de R$ 74 milhões divididos em parcelas. “Dos R$ 74 milhões, nos tiraram 10 e agora devolveram 5”, complementa.

O direcionamento do recurso faz parte do processo de escolha da universidade, que embora limitado, leva em consideração as prioridades como, por exemplo, a rede elétrica e o Restaurante Universitário (RU). “Procuramos manter o auxílio aos estudantes em situação de vulnerabilidade social, com pagamentos em dia, e nunca cogitamos cortar. O mesmo acontece com as bolsas de pesquisa.”

Os projetos de pesquisa na Ufpel recebem recursos específicos através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), também do Ministério da Educação. No entanto, a relação da instituição com o orçamento das pesquisas ocorre por meio das bolsas, metade delas são custeadas com orçamento próprio - impactado pelo ir e vir dos cortes de verbas. Já o Centro de Pesquisas Epidemiológicas (Epidemio) é um caso à parte, já que recebe financiamento de frentes de governo, incluindo internacionais, embora a estrutura seja mantida com verbas da universidade.

A manutenção da infraestrutura é a maior despesa da instituição. Segundo Franco, aproximadamente 650 servidores terceirizados, em um total de 10 contratos, foram impactados com o corte de 14,5% das verbas.

Funcionários terceirizados da Furg são afetados desde 2015

Com R$ 37 milhões destinados pelo Congresso Nacional, por meio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), a Universidade Federal de Rio Grande (Furg) já atuava com o orçamento no limite. Antes das mudanças do início de junho, a Furg já estava prevendo para este ano um déficit de R$ 5 milhões.

Do valor total para custeio, R$ 8,4 milhões foram bloqueados no primeiro momento. “Com o desbloqueio da metade, temos pouco mais de R$ 4 milhões, o que nos deixa em uma situação difícil e estamos batalhando para a devolução total”, comenta o reitor Danilo Giroldo. Mais uma vez, o principal impacto do corte de verbas é no quadro de funcionários terceirizados, que está pressionado desde 2015.

Além disso, os projetos de pesquisa das universidades enfrentam outro problema: o corte de verbas no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Nos dados do segundo bimestre publicados no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, da Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento, o MCTI apresenta o maior bloqueio de verbas, com R$ 2,5 bilhões contingenciados.

Na Furg, as pesquisas de extensão possuem somente os recursos do MCTI e, consequentemente, foram afetadas. Já na assistência estudantil, a universidade recebe do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), R$ 8,5 milhões e complementa R$ 5 milhões com recursos próprios. Dos quase 10 mil estudantes da universidade, 2.800 são assistidos por algum programa de assistência estudantil. “Estamos estudando e não queremos promover nenhum impacto nesta área. No cenário socioeconômico que estamos vivendo, isso significa evasão”, alerta Giroldo.

Antes dos bloqueios de junho, 90 funcionários da UFSM foram demitidos

Neste ano, foram direcionados R$ 125 milhões para a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio da Ploa, valor inferior ao destinado em 2019: R$ 136 milhões. O bloqueio de 14,5% gerou um impacto de R$ 18,7 milhões na UFSM, que foi reduzido pela metade a partir do desbloqueio pelo Ministério da Educação em 3 de junho.

“Quando o governo bloqueia (os recursos) temos que reduzir serviço terceirizado, desde limpeza, transporte até a segurança. O governo informa o bloqueio e depois muda de ideia, como organizar a gestão?”, questiona o reitor, Luciano Schuch.

Há dois meses, antes do bloqueio atual, a universidade já sentia o impacto do reajuste de investimentos em comparação com 2019 - o que resultou na demissão de 90 pessoas. Ao todo, 15 portarias foram reduzidas. Porém, a redução de terceirizados não foi o suficiente e a instituição ainda enfrenta dificuldades para manter o funcionamento do restaurante universitário.

Para atendimento diário de entre 8 e 9 mil alunos, o RU recebe R$ 18 milhões. Aos alunos de baixa renda, a refeição é gratuita através de recursos destinados pelo Pnaes. O restante dos alunos paga R$ 2,50 por refeição, enquanto para a empresa alimentícia terceirizada, segundo Schuch, o custo é de R$ 12,00. A diferença, no entanto, é paga pela universidade com recursos próprios.

Dos R$ 30 milhões de custeio para assistência estudantil, a universidade recebe do Pnaes apenas R$ 21 milhões. Dessa forma, R$ 9 milhões são subsidiados pela UFSM.

A frequente instabilidade orçamentária, além de dificultar o processo de organização, também atinge projetos voltados para pesquisa e profissionalização. “Uma equipe de estudantes de Engenharia Mecânica iria participar de uma competição de carros de Fórmula 1. Nossos alunos ficaram entre os três melhores nacionais e ganharam o direito de competir nos Estados Unidos no mundial, mas não conseguimos mandar pela falta de recursos”, conta Schuch.

UFCSPA atua com 200 servidores técnicos e administrativos

Voltada especialmente para cuidados, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) recebe o valor de custeio com base em coeficientes. Cursos com complexidade maior em tecnologia como, por exemplo, Medicina e Fisioterapia necessitam que mais recursos sejam destinados. Porém, a maior carência observada a partir do corte de verbas está nos recursos humanos. Ao todo, a universidade conta com apenas 200 servidores técnicos e administrativos.

“Em técnicos, pelo número que temos, precisamos de praticamente o dobro. Todos esses cursos precisam de muito recurso, mas não temos na mesma proporção”, comenta a reitora Lucia Campos Pellanda. De acordo com ela, o recurso destinado para custeio neste ano é de R$ 26 milhões. No primeiro momento, com o corte de 14,5%, foram bloqueados R$ 4,6 milhões, que agora estão em aproximadamente R$ 2,3 milhões.

No começo de 2022, a UFCSPA conseguiu empenhar os contratos principais de segurança, limpeza, luz e água. Mas, ao menos duas reformas previstas foram impactadas: um prédio para projetos de extensão, que inclui áreas administrativas, e a Clínica da Família UFCSPA, localizada na Rua da Conceição. Esta última, devido ao primeiro bloqueio de verbas foi descartada. Agora, com a liberação de 7,2% dos 14,5%, será possível realizar a obra.

“A educação, não só do ponto de vista intangível de mudar histórias de vida e de ser a principal forma de mudança social, é muito importante para a economia. É o que os economistas chamam de capital humano. Quanto mais educado for um povo, mais investimentos vai se atrair”, diz Lucia.

Docentes e estudantes da Ufrgs denunciam cortes de verbas

Com a volta às aulas presenciais no dia 13 de junho, os docentes e estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) aproveitaram para denunciar as consequências dos cortes de verbas. Restrições no acesso ao RU, demissões de trabalhadores terceirizados e a falta de recursos para os programas de Pós-Graduação foram os principais pontos abordados durante coletiva no Campus Centro, em Porto Alegre.

De acordo com o coordenador-geral do Sindicato dos Técnico-administrativos da Ufrgs (Assufrgs), Gabriel de Freitas Focking, recentemente a universidade anunciou um corte de 14% nas verbas. Para a Ufrgs, o corte do governo federal em R$ 1,5 bilhão em verbas para Instituições Federais de Ensino representa R$ 13 milhões a menos até o final do ano.

“Quando cortes são realizados, eles afetam primeiramente nos lugares que são mais invisíveis, nas questões estruturais que percebemos a longo prazo, como na redução das manutenções. Começa reduzindo manutenções simples e depois elas se tornam emergenciais. Redução de funcionários terceirizados também, mas dizer exatamente qual será o local do corte é muito difícil, porque o reitor não revela os dados e faz tudo a portas fechadas em seu gabinete", afirmou Focking, em nota.

Procurada pelo Jornal do Comércio, em ao menos duas oportunidades, a reitoria da Ufrgs alegou não ter disponibilidade de agenda para entrevista.

24/06/2022 – Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia

Link: Conheça os 29 azeites que receberam o Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS - Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia

Conheça os 29 azeites que receberam o Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS

Cerimônia de divulgação ocorreu nesta quinta-feira, com a presença da equipe da SICT

Produtores de azeite do Rio Grande do Sul receberam o Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS na tarde desta quinta-feira, em evento realizado no Centro Administrativo do Estado, em Porto Alegre. Obtiveram a distinção 29 marcas, que apresentarão os selos em 300 mil garrafas do produto vendidas dentro e fora do Estado.

O reconhecimento foi entregue pelo Ibraoliva, instituto que representa os olivicultores locais, em parceria com o programa Produtos Premium, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SICT). A distinção foi proposta pelos próprios empreendedores do setor no RS, que registaram crescimento recorde no último ano e enxergaram a oportunidade de expandir mercado e assegurar a qualidade dos produtos. Das 81 amostras recebidas, mais de 90% alcançaram os critérios de alta qualidade do regulamento.

As marcas contempladas foram Alto dos Olivos, Amoliva, Batalha, Bem Te Vi, Biome Pampa, Capela de Santana, Capolivo, Casa Albornoz, Casa Alfaro, Casa Gabriel Rodrigues, Casa Marchio, Costa Doce, Don José, Estancia das Oliveiras, Estância do Forte, Estanzuela, Gaita, Milonga, Nina, Olivae, Olivas da Lua, Olivas do Sul, Recanto Maestro, Sabiá, Sol das Olivas, Pecora Nera, Território 63, Torrinhas e Verde Louro.

“Este é um projeto que leva a todo país o modelo de excelência de produção de azeite, estimulando sensações e engajamento por parte dos consumidores ao produto nacional”, afirmou o presidente do Ibraoliva, Renato Fernandes.

De acordo com o secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, Alsones Balestrin, a entrega do selo e a alta qualidade verificada nos azeites reforça o perfil inovador da agricultura do Estado: “A alta qualidade no produto representa a reinvenção e a capacidade de empreendedorismo do produtor gaúcho, que apurou suas técnicas e hoje produz alguns dos melhores azeites do mundo”, disse Balestrin.

Como foi realizada a seleção

Para estabelecer os critérios do regulamento, atestar a origem e avaliar a qualidade do azeite produzido, foi formado um grupo de trabalho e um comitê avaliador formado por profissionais indicados pelo Ibraoliva e membros da SICT; Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural; Secretaria de Desenvolvimento Econômico; Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura; Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Laboratório Federal do Desenvolvimento Agrário.

Cada amostra passou por uma análise laboratorial, que requisitou acidez livre menor ou igual a 0,3% entre outros parâmetros de seleção. Além disso, os produtos enfrentaram uma minuciosa prova sensorial realizada por azeitólogos de diferentes partes do país, em uma mesa coordenada pelos renomados Marcelo Scofano (RJ) e Sandro Marques (SP), que adotou padrões de qualidade estabelecidos pelo Conselho Oleícola Internacional, entidade situada na Espanha.

22/06/2022 – FM Nova Aliança

Link: https://www.fmnovaalianca.com.br/site/noticias/veja-possiveis-efeitos-colaterais-com-quarta-dose-de-vacina-contra-covid

Veja possíveis efeitos colaterais com quarta dose de vacina contra covid

Com a recomendação da quarta dose de vacina contra Covid-19 para os maiores de 40 anos, podem surgir dúvidas acerca de efeitos colaterais dos imunizantes.

Afinal, quais são as reações esperadas para esses produtos? A quarta dose -ou segundo reforço- pode trazer alguma reação específica? Por que os efeitos colaterais ocorrem?

A Folha de S.Paulo conversou com especialistas para responder a essas e a outras perguntas comuns.

Quais reações são esperadas quando alguém se vacina contra a Covid?

Os principais efeitos das quatro vacinas utilizadas no Brasil-Coronavac, Janssen, Pfizer e Astrazeneca- são dor no local da aplicação, sensação febril, mal-estar, dor no corpo e quadro gripal. Normalmente, esses sintomas desaparecem em até 24 horas, no máximo podendo durar dois dias.

Reações como essas já são conhecidas para outros imunizantes e remédios. "Sugiro ler a bula de alguns antitérmicos para ver as reações que alguns deles podem causar", afirma Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

Além disso, não são todas as pessoas que apresentam esses sintomas. De acordo com a bula dos imunizantes, a maior parte desses sintomas mais leves pode ser sentida em torno de 10% daqueles que utilizam os medicamentos.

"A maioria das pessoas não têm nada, e são reações absolutamente normais e significam simplesmente que o sistema imune está reagindo com a vacina", diz Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

Algumas reações mais incomuns podem ocorrer. Consta da bula da vacina da Pfizer, por exemplo, que de 0,1% a 1% de pessoas que utilizaram o imunizante apresentaram insônia, cansaço físico intenso, suor noturno ou urticária (alergia da pele com forte coceira).

Assim como a Pfizer, as outras três vacinas podem ter reações adversas muito incomuns. "Nenhuma delas causa problemas importantes", afirma Marcos Boulos, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

A quarta dose de uma vacina pode trazer algum efeito colateral diferente de outras aplicações?

Não existem evidências de que uma quarta dose resulte em efeitos diferentes dos que já foram vistos anteriormente. Dessa forma, mantém-se o que já se sabe e é documentado nas bulas dos produtos.

"Normalmente, a cada dose de vacina, não só da Covid, a chance de evento adverso é menor. A primeira dose normalmente é a mais reatogênica", diz Ballallai.

Casos em que esses efeitos podem acontecer em doses adicionais, como na quarta aplicação, são normalmente quando se utiliza uma vacina diferente das outras já aplicadas -esquema chamado de heterólogo.

"O esquema heterólogo pode ter mais eventos adversos, mas são reações leves", acrescenta Ballallai.

Por que as vacinas podem causar efeitos colaterais?

Muitas vezes, entende-se que sentir alguma reação após a vacinação significa que o imunizante está funcionando. A realidade, no entanto, não é tão simples assim.

"O fato de ter um efeito adverso em geral é um indicativo de que a vacina está funcionando, mas, se não sentir isso, não significa que a vacina não funciona", afirma Bonorino.

Ela explica que cada pessoa tem a chamada resposta inata, "que é uma inflamação inicial que precede toda a resposta que vai gerar memória imunológica". Acontece que algumas pessoas podem ter maior sensibilidade a sentir os sintomas e outras nem tanto.

Outro fator que influencia o surgimento de reações é a tecnologia utilizada em cada vacina. Boulos afirma que aquelas com a plataforma de adenovírus -em que se utiliza um vírus que transporta o código genético do Sars-CoV-2, patógeno que causa a Covid-19- são as que podem causar maiores efeitos adversos.

"As pessoas que mais reclamam provavelmente tomaram as vacinas de adenovírus. Elas são aquelas que se injeta um vírus específico, que apesar de ele não causar quase nada, pode ter alguns efeitos colaterais pequenos", afirma o infectologista, reiterando que os efeitos, quando sentidos, ainda são bem leves.

No Brasil, as vacinas da Janssen e da Astrazeneca são produzidas com essa tecnologia. Além da plataforma de adenovírus, existe a tecnologia de RNA mensageiro (Pfizer) e de vírus inativado (Coronavac). Elas também podem apresentar efeitos adversos, mas mesmo assim ainda são muito leves e em grande parte dos casos desaparecem logo.

Existem efeitos colaterais mais graves?

De uma maneira geral, as vacinas utilizadas em doses de reforço têm perfil parecido em causar efeitos adversos comuns e que não duram mais de dois dias. A vacina da Janssen tem um histórico de causar uma rara síndrome relacionada a coágulos sanguíneos potencialmente mortais. Situação parecida já foi documentada para a Astrazeneca.

As ocorrências fizeram com que o FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) limitasse o uso da vacina da Janssen no país, mas ela ainda continua disponível para aplicação. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) avaliou que os benefícios do imunizante superam os riscos, que são muito raros.

Na bula da vacina, a Janssen diz que os casos são raramente documentados, mas é importante procurar atendimento médico e informar ao profissional de saúde que tomou a vacina ao sentir sintomas como dores de cabeça fortes ou persistentes, convulsões, alterações do estado mental, visão turva, hematomas inexplicáveis fora do local da vacinação que aparecem em alguns dias, pequenas manchas arredondadas na pele fora do local da vacinação, falta de ar, dor no peito, dor ou inchaço nas pernas ou dor abdominal persistente.

Na bula também é dito que é possível reportar a presença de efeitos colaterais por meio do sistema nacional de notificação.

Para Ballallai, a síndrome é muito rara e a vacina, assim como as outras aprovadas, tem um alto perfil de segurança documentado por meio dos estudos clínicos e também pelas muitas doses que já foram aplicadas.

"Até agora, para todas essas vacinas, o perfil de segurança é excelente com raríssimos casos de eventos adversos que consideramos graves. Não há motivo nenhum para considerar que as vacinas contra a Covid são perigosas", afirma.

Ela também diz que nem todos os efeitos adversos, principalmente os mais graves, têm relação causal com as vacinas. Nestes casos, é importante a realização de investigações a fim de averiguar se tem alguma associação do imunizante com a reação.Os efeitos colaterais indicam que as vacinas não são seguras?

Como explicado acima, existem algumas razões para o aparecimento de eventos adversos. Uma delas é a tecnologia utilizada pela vacina e outra é a indicação de que o sistema imunológico está reagindo ao imunizante.

Nenhum evento adverso, no entanto, indica que as vacinas não são seguras. Um indício disso são os estudos clínicos feitos que medem a segurança dos imunizantes.

Outro grande indicativo da segurança desses produtos utilizados atualmente contra a Covid-19 é que eles já tiveram uma alta dose de aplicação, mas com pouquíssimos relatos de reações graves.

21/06/2022 – Revista Globo Rural

Link: https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Empresas-e-Negocios/noticia/2022/06/azeite-tem-selo-de-qualidade-no-rio-grande-do-su.html

Azeite tem selo de qualidade no Rio Grande do Sul

Certificação foi concedida a 29 produtores do Estado

Vinte e nove produtores de azeite do Rio Grande do Sul recebem nesta quinta (23/6) um selo que atesta a qualidade de seus produtos. O Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS foi criado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (SICT) do Estado em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Cerca de 300 mil garrafas produzidas neste ano devem receber a distinção.

“Buscamos identificar azeitonas produzidas e colhidas no Rio Grande do Sul, processadas em lagares licenciados no Estado, com o objetivo de combater marcas colhidas e processadas indevidamente. Além disso, estabelecemos critérios mais rígidos de definição para o azeite de oliva extravirgem do que os propostos pelas normas vigentes”, explica em nota Sílvia Regina Schumacher, coordenadora do Setor Oliva do Programa Produtos Premium da SICT.

Para o presidente do Ibraoliva, Renato Fernandes, este é um passo muito importante na consolidação do azeite produzido no Estado, garantindo a segurança dos consumidores. “Vamos trabalhar para criar selos semelhantes também em outros Estados, reconhecendo os olivicultores brasileiros que se preocupam com a consolidação na qualidade do azeite extravirgem brasileiro.”

O cultivo das oliveiras no país, especialmente no Rio Grande do Sul e na região da Serra da Mantiqueira (MG), cresce de 10% a 15% por ano, segundo Fernandes, que também é produtor. A área plantada no Brasil fica próxima de 10 mil hectares, sendo quase 7.000 hectares no RS e o restante na região da Serra da Mantiqueira, mas deve dobrar até 2025, nas projeções do instituto.

Na safra colhida neste ano, apesar da escassez hídrica que atingiu o RS, a produção alcançou o recorde de 448.580 litros, segundo o Pró-Oliva, programa ligado à Secretaria de Agricultura do Estado, um aumento de 122% em relação aos 202 mil litros de 2021. O coordenador do Programa Pró-Oliva, Paulo Lipp, diz que o Estado tem 321 produtores distribuídos por 108 municípios, 17 lagares (indústrias) e 70 marcas de azeite.

Critérios de seleção

Para estabelecer os critérios do regulamento, atestar a origem e avaliar a qualidade do azeite produzido, um grupo de trabalho e um comitê avaliador  foram formados com profissionais indicados pelo  Ibraoliva e pela secretaria. Estão no comitê membros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, do Laboratório Federal do Desenvolvimento Agrário e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, entre outros.

Os produtores que se candidataram a receber o selo enviaram ao comitê documentos e amostras da sua produção. Cada amostra passou por uma análise laboratorial, que requisitou acidez livre menor ou igual a 0,3%, entre outros parâmetros de seleção. Além disso, os azeites passaram por prova sensorial realizada por azeitólogos de diferentes partes do país, em uma mesa coordenada pelos especialistas Marcelo Scofano, do Rio de Janeiro, e Sandro Marques, de São Paulo, que adotou padrões de qualidade estabelecidos pelo Conselho Oleícola Internacional, da Espanha.

Das 81 amostras recebidas, mais de 90% alcançaram os critérios de alta qualidade do regulamento, mas todas estavam dentro dos padrões exigidos para o produto extravirgem. “De todos os processos nas várias partes do mundo que tenho participado, o percentual de aprovados fica em torno de 70%. Este resultado comprova a excelência do azeite produzido no Rio Grande do Sul”, destaca Scofano.

As análises laboratoriais e as autorizações para o uso do Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS deverão ser renovadas a cada safra.

21/06/2022 – Folha de São Paulo

Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/06/veja-possiveis-efeitos-colaterais-com-quarta-dose-de-vacina-contra-covid.shtml

Veja possíveis efeitos colaterais com quarta dose de vacina contra Covid

Bulas indicam que reações leves podem ocorrer em cerca de 10% dos imunizados

Com a recomendação da quarta dose de vacina contra Covid-19 para os maiores de 40 anos, podem surgir dúvidas acerca de efeitos colaterais dos imunizantes.

Afinal, quais são as reações esperadas para esses produtos? A quarta dose —ou segundo reforço— pode trazer alguma reação específica? Por que os efeitos colaterais ocorrem?

A Folha conversou com especialistas para responder a essas e a outras perguntas comuns.

Os principais efeitos das quatro vacinas utilizadas no Brasil –Coronavac, Janssen, Pfizer e Astrazeneca– são dor no local da aplicação, sensação febril, mal-estar, dor no corpo e quadro gripal. Normalmente, esses sintomas desaparecem em até 24 horas, no máximo podendo durar dois dias.

Além disso, não são todas as pessoas que apresentam esses sintomas. De acordo com a bula dos imunizantes, a maior parte desses sintomas mais leves pode ser sentida em torno de 10% daqueles que utilizam os medicamentos.

"A maioria das pessoas não têm nada, e são reações absolutamente normais e significam simplesmente que o sistema imune está reagindo com a vacina", diz Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

Algumas reações mais incomuns podem ocorrer. Consta da bula da vacina da Pfizer, por exemplo, que de 0,1% a 1% de pessoas que utilizaram o imunizante apresentaram insônia, cansaço físico intenso, suor noturno ou urticária (alergia da pele com forte coceira).

Assim como a Pfizer, as outras três vacinas podem ter reações adversas muito incomuns. "Nenhuma delas causa problemas importantes", afirma Marcos Boulos, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Também já foi visto que efeitos colaterais mais raros e graves são conhecidos em outros imunizantes e remédios. "Sugiro ler a bula de alguns antitérmicos para ver as reações que alguns deles podem causar", afirma Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

A quarta dose de uma vacina pode trazer algum efeito colateral diferente de outras aplicações?

Não existem evidências de que uma quarta dose resulte em efeitos diferentes dos que já foram vistos anteriormente. Dessa forma, mantém-se o que já se sabe e é documentado nas bulas dos produtos.

"Normalmente, a cada dose de vacina, não só da Covid, a chance de evento adverso é menor. A primeira dose normalmente é a mais reatogênica", diz Ballallai.

Casos em que esses efeitos podem acontecer em doses adicionais, como na quarta aplicação, são normalmente quando se utiliza uma vacina diferente das outras já aplicadas —esquema chamado de heterólogo.

"O esquema heterólogo pode ter mais eventos adversos, mas são reações leves", acrescenta Ballallai.

Por que as vacinas podem causar efeitos colaterais?

Muitas vezes, entende-se que sentir alguma reação após a vacinação significa que o imunizante está funcionando. A realidade, no entanto, não é tão simples assim.

"O fato de ter um efeito adverso em geral é um indicativo de que a vacina está funcionando, mas, se não sentir isso, não significa que a vacina não funciona", afirma Bonorino.

Ela explica que cada pessoa tem a chamada resposta inata, "que é uma inflamação inicial que precede toda a resposta que vai gerar memória imunológica". Acontece que algumas pessoas podem ter maior sensibilidade a sentir os sintomas e outras nem tanto.

Outro fator que influencia o surgimento de reações é a tecnologia utilizada em cada vacina. Boulos afirma que aquelas com a plataforma de adenovírus –em que se utiliza um vírus que transporta o código genético do Sars-CoV-2, patógeno que causa a Covid-19– são as que podem causar maiores efeitos adversos.

"As pessoas que mais reclamam provavelmente tomaram as vacinas de adenovírus. Elas são aquelas que se injeta um vírus específico, que apesar de ele não causar quase nada, pode ter alguns efeitos colaterais pequenos", afirma o infectologista, reiterando que os efeitos, quando sentidos, ainda são bem leves.

No Brasil, as vacinas da Janssen e da Astrazeneca são produzidas com essa tecnologia. Além da plataforma de adenovírus, existe a tecnologia de RNA mensageiro (Pfizer) e de vírus inativado (Coronavac). Elas também podem apresentar efeitos adversos, mas mesmo assim ainda são muito leves e em grande parte dos casos desaparecem logo.

Existem efeitos colaterais mais graves?

De uma maneira geral, as vacinas utilizadas em doses de reforço têm perfil parecido em causar efeitos adversos comuns e que não duram mais de dois dias. A vacina da Janssen tem um histórico de causar uma rara síndrome relacionada a coágulos sanguíneos potencialmente mortais. Situação parecida já foi documentada para a Astrazeneca.

As ocorrências fizeram com que o FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) limitasse o uso da vacina da Janssen no país, mas ela ainda continua disponível para aplicação. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) avaliou que os benefícios do imunizante superam os riscos, que são muito raros.

Na bula da vacina, a Janssen diz que os casos são raramente documentados, mas é importante procurar atendimento médico e informar ao profissional de saúde que tomou a vacina ao sentir sintomas como dores de cabeça fortes ou persistentes, convulsões, alterações do estado mental, visão turva, hematomas inexplicáveis fora do local da vacinação que aparecem em alguns dias, pequenas manchas arredondadas na pele fora do local da vacinação, falta de ar, dor no peito, dor ou inchaço nas pernas ou dor abdominal persistente.

Na bula também é dito que é possível reportar a presença de efeitos colaterais por meio do sistema nacional de notificação.

Para Ballallai, a síndrome é muito rara e a vacina, assim como as outras aprovadas, tem um alto perfil de segurança documentado por meio dos estudos clínicos e também pelas muitas doses que já foram aplicadas.

"Até agora, para todas essas vacinas, o perfil de segurança é excelente com raríssimos casos de eventos adversos que consideramos graves. Não há motivo nenhum para considerar que as vacinas contra a Covid são perigosas", afirma.

Ela também diz que nem todos os efeitos adversos, principalmente os mais graves, têm relação causal com as vacinas. Nestes casos, é importante a realização de investigações a fim de averiguar se tem alguma associação do imunizante com a reação.

Os efeitos colaterais indicam que as vacinas não são seguras?

Como explicado acima, existem algumas razões para o aparecimento de eventos adversos. Uma delas é a tecnologia utilizada pela vacina e outra é a indicação de que o sistema imunológico está reagindo ao imunizante.

Nenhum evento adverso, no entanto, indica que as vacinas não são seguras. Um indício disso são os estudos clínicos feitos que medem a segurança dos imunizantes.

Outro grande indicativo da segurança desses produtos utilizados atualmente contra a Covid-19 é que eles já tiveram uma alta dose de aplicação, mas com pouquíssimos relatos de reações graves.

20/06/2022 – SBPC Portal

Link: http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/participe-do-dia-nacional-de-nao-aos-cortes-em-educacao-e-ciencia-nesta-terca-feira/

Participe do Dia Nacional de “Não aos cortes em Educação e Ciência” nesta terça-feira

Mobilização contará com atividades contra cortes previamente anunciados nas áreas decisivas para o futuro do Brasil, como ciência, educação, cultura, saúde, meio ambiente e inclusão social. Confira a programação e manifeste-se conosco!

Cerca de 20 universidades e entidades científicas e acadêmicas realizam nesta terça-feira (21) o Dia Nacional de “Não aos cortes em Educação e Ciência”. Com um dia de manifestações virtuais, o foco central das atividades são os cortes anunciados pelo governo para ciência, educação, cultura, saúde, meio ambiente e inclusão social, áreas decisivas para o futuro do Brasil.

Os atos contra os cortes orçamentários começam logo pela manhã. Entre elas está a live promovida pela Rede Lepel e Gepec “Não aos Cortes em Educação e Ciência”, das 8h às 10h. Coordenado por Joelma Albuquerque, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o evento contará com a participação de Cassia Hack, da Universidade Federal do Amapá (Unifap), e Celi Taffarel, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Às 8h30, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) promove a palestra “Contexto do financiamento da educação e da ciência no Brasil”, que será proferida por Gregório Grisa, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). O mediador será Guillermo Vega Sanabria, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Às 10h serão três atividades, dentre elas, o painel “Não aos cortes em Educação e Ciência”. Com mediação de Dinara Moura, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a atividade contará com a participação de Odir Dellagostin, diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), Soraya Smaili, professora titular do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Tiago Oliveira, da UFCSPA.

Entre 14h e 16h, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza o ato central “A responsabilidade da Economia nos cortes em Ciência e Educação: A meta é desenvolver ou subdesenvolver?”. Coordenado pelo presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, o evento contará com a participação de Clélio Campolina Diniz, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (2014), e Nelson Henrique Barbosa Filho, ex-ministro do Planejamento (2015) e da Fazenda (2016). A atividade contará também com depoimentos em vídeos de Fernanda Haddad, ex-ministro da Educação (2005-2012), Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda (1987), Administração Federal e Reforma do Estado (1995-98) e da Ciência e Tecnologia (1999), e Sergio Machado Rezende, ex-ministro da Ciência e Tecnologia (2005-2010).

Logo em seguida, às 16h, o Dia Nacional de “Não aos cortes em Educação e Ciência” contará com outras três atividades, dentre elas, a mesa-redonda “Ciência e Universidade na Atual Conjuntura Sociopolítica Nacional: Desafios e Estratégias Em Tempos de Bloqueios Orçamentários e Sucateamento das Instituições Federais”. O evento contará com a participação de Inácio Arruda, diretor regional do Nordeste do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), Fabio Guedes Gomes, secretário-executivo da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br), Antonio Gomes Souza Filho, da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fernando Peregrino, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), Clovis Ricardo Montenegro de Lima, pesquisador titular do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Entre os debatedores estão Enio Pontes, da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de

Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (PROIFES Federação), e Barbara Coelho, professora adjunto da Universidade Federal da Bahia (UFBA)  e do GT de C&T da APUB.

O dia será finalizado às 19h com a atividade “NÃO aos cortes em Educação e Ciência em Minas Gerais” (APUBH/CNDE/MG/FEPEMG/FOMEJA/IFMG).

A programação completa está disponibilizada no site da SBPC e será divulgada ao longo do dia nas redes sociais da entidade (@SBPCnet).

Confira e faça parte desta mobilização!

Confira a programação:

SBF na mobilização pela Ciência e pela Educação. Assista aqui. Card de divulgação

MutaGen-Brasil na mobilização pela Ciência e pela Educação. Assista aqui.

08h às 10h – Live da Rede Lepel e Gepec “Não aos Cortes em Educação e Ciência”. Coordenação: Joelma Albuquerque (UFAL), Cassia Hack (UNIFAP) e Celi Taffarel (UFAL/UFBA). Assista aqui.

08h30 – “Contexto do financiamento da educação e da ciência no Brasil” (ABA). Palestrante: Gregório Grisa (IFRS). Mediador: Guillermo Vega Sanabria (UFBA). Assista aqui.

10h –  “ANPOLL na mobilização pela Ciência e pela Educação”. Coordenação: Ana Crélia Dias (UFRJ/ANPOLL). Participantes: Alice Casimiro Lopes (UERJ/FAPERJ), Dani Balbi (SEE-RJ/ALERJ). Assista aqui.

10h – Painel “Não aos cortes em Educação e Ciência” (UFCSPA). Mediação: Dinara Moura (UFCSPA). Participantes: Odir Dellagostin (Fapergs), Soraya Smaili (UNIFESP) e Tiago Oliveira (UFCSPA). Assista aqui. Card de divulgação.

10h – Comunicação, inclusão e políticas públicas (ABRAPCORP). Moderação: Mônica Fort (UTP). Participantes: Palestrantes: Anderson Lopes (USP) e Aline Ferreira Lira (UFAM). Assista aqui.

11h30 – Manifestação presencial contra os cortes na Educação e Ciência em Minas Gerais (APUBH/SINDIFES/APG/OAP) – Local: Gramado da Reitoria da UFMG

14h às 16h – Ato central “A responsabilidade da Economia nos cortes em Ciência e Educação: A meta é desenvolver ou subdesenvolver?”. Assista aqui.

16h – Debates REMIR-ABET “Não aos cortes em Educação e Ciência” – Mediação: Paula Freitas (UNICAMP). Participantes: João Carlos Salles (UFBA), Graça Druck (UFBA) e Marcos Ferraz (UFPR). Assista aqui.

16h – Mesa-redonda “Ciência e Universidade na Atual Conjuntura Sociopolítica Nacional: Desafios e Estratégias Em Tempos de Bloqueios Orçamentários e Sucateamento das Instituições Federais”. Participantes: Inácio Arruda (Consecti), Fabio Guedes Gomes (ICTP.br), Antonio Gomes Souza Filho (UFC), Fernando Peregrino (Confies), Clovis Ricardo Montenegro de Lima (Ibict). Debatedores: Enio Pontes (PROIFES Federação) e Barbara Coelho (UFBA/GT de C&T da APUB). Assista aqui.

16h – Painel “Sem presente, sem Futuro: Educação e Ciência em Risco” (UFMG). Abertura: Apresentação de vídeo do Cedecom com pronunciamento da Reitora. Mediador: Fernando Reis (pró-reitor de Pesquisa da UFMG). Participantes: Natacha Rena (Escola de Arquitetura da UFMG), Lívia Pancrácio de Errico (Escola de Enfermagem da UFMG), Maria Fernanda Salcedo Repolês (Faculdade de Direito da UFMG), Francisco de Paula Antunes Lima (Escola de Engenharia da UFMG) e Marina de Lima Tavares (Faculdade de Educação da UFMG). Assista aqui. Card de divulgação

17h30 – Mesa-redonda “Não aos cortes em Educação e Ciência” (UFRN). Mediação: Maralice Freitas (jornalista). Participantes: José Daniel Diniz Melo (UFRN), representantes do Diretório Central do Estudantes (DCE), Sindicato dos Docentes da UFRN (Adurn), Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação de Ensino Superior (Sintest) e Associação dos Técnicos de Nível Superior (Atens). Assista aqui.

18h – “Não aos Cortes na Educação e Ciência: Mobilização da Marcha pela Ciência em São Paulo 2022″ (SBPC-SPI, Cientistas Engajados, APqC, Via Saber)

18h – “Não aos cortes em Educação e Ciência e Cultura” (ABEM/ABET/ANPPOM). Assista aqui.

18h – “Impactos dos cortes no financiamento em pesquisa para a produção científica na Bahia” (LAC-FMB-UFBA). Assista aqui.

18h – Ato conjunto: UFABC CONTRA CORTES. Presencial: Campus Santo André, piso vermelho. Card de divulgação

18h – Painel “Educação e Ciência em Risco:  Essencialidade da Ciência para a Educação Básica” (UFMG). Abertura: Apresentação de vídeo do Cedecom com pronunciamento da Reitora. Mediadora: Viviane S. Alves (PROEX – UFMG). Participantes: Ana Cristina Ribeiro Vaz (Programa UFMG Jovem Conhecimento para todos), Cleida Aparecida de Oliveira (PROFBIO), Nilma Soares da Silva (COMFIC), Rúbia Santos Fonseca (Rede de Museus e Espaços de Ciências e Cultura da UFMG) e Santer Alvares de Matos (Febrat). Assista aqui. Card de divulgação

19h – “NÃO aos cortes em Educação e Ciência em Minas Gerais” (APUBH/CNDE/MG/FEPEMG/FOMEJA/IFMG). Assista aqui.

Via Jornal da Ciência

18/06/2022 – CBN

Link: https://m.cbn.globoradio.globo.com/media/audio/378709/brasileiros-vacinados-no-exterior-com-reforco-cont.htm

Brasileiros vacinados no exterior com reforço contra Covid enfrentam dificuldades para validar aplicação

São pessoas que tomaram doses de farmacêuticas que não tem aval da Anvisa, como a Moderna. O Ministério da Saúde alega que ainda vai divulgar uma data para que esses imunizantes possam entrar na carteirinha do SUS. Enquanto o prazo não sai, a CBN ouviu especialistas para entender se o ideal é tomar o reforço lá fora e se há risco em receber a dose novamente por aqui.

A publicitária Luana Cristina, de 24 anos, tomou a dose de reforço da vacina contra a Covid durante um intercâmbio de trabalho nos Estados Unidos. Lá, ela foi vacinada com o imunizante da farmacêutica Moderna, que não é aplicado no Brasil. Quando voltou para cá, foi num posto de saúde de São Paulo para tentar validar a dose, mas não teve sucesso. E até agora a Luana não sabe o que fazer...

A publicitária representa uma parcela de brasileiros que tomaram o reforço da vacina lá fora, mas estão com dificuldades pra validar a dose por aqui. Quem também tem tido dúvidas é a tradutora Sara Amorim, que fez o esquema vacinal completo no exterior com a dose da Moderna e volta ao Brasil em setembro.

Uma nota técnica do Ministério da Saúde diz que, por enquanto, o SUS está integrando na carteira de vacinação apenas os imunizantes aplicados fora do país que foram autorizados pela Anvisa. Segundo a pasta, basta se dirigir à unidade de saúde mais próxima para registrar a dose. Mas, em relação às vacinas que ainda não foram autorizadas por aqui, como a da Moderna, o Ministério alega que elas serão validadas num momento posterior, desde que tenham o aval da Organização Mundial da Saúde.

Sem a data definida, o que brasileiros que estão nessa situação, como a Luana, devem fazer? A imunologista Viviane Boaventura, professora da Universidade federal da Bahia, recomenda que, em caso de viagens longas, o reforço seja feito, sim, no país de destino, desde que o imunizante seja reconhecido pela OMS. Para ela, é importante respeitar o número de doses e o intervalo de vacinação indicados pela autoridade sanitária.

a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, lembra que, até pouco tempo atrás, quando os pais não lembravam se os filhos tinham sido imunizados contra a poliomielite, a criança era vacinada de novo. E, para ela, não há contraindicação pra tomar o reforço da Covid mais uma vez.

Mas Cristina reforça que ainda não é possível afirmar se quem vai tomar mais doses da vacina vai ter uma imunidade maior ao vírus. A geógrafa Camilla Bandeira decidiu evitar a bola dividida. Ela também fez um intercâmbio de trabalho fora do país e optou por tomar a dose de reforço só quando estivesse em solo brasileiro.

Atualmente, o Brasil tem quatro vacinas contra a Covid-19 autorizadas pela Anvisa. Outras dez tiveram os estudos aprovados e nove estão em fase de análise. Algumas farmacêuticas, como a Moderna, nunca chegaram a pedir registro no Brasil, por não terem uma capacidade de produção que suporte a demanda do país.

13/06/2022 – Correio do Povo

Link: Longas filas marcam 1º dia da volta às aulas 100% presencial na Ufrgs (correiodopovo.com.br)

Longas filas marcam 1º dia da volta às aulas 100% presencial na Ufrgs

Por conta da alta demanda, estudantes tiveram dificuldade para acessar restaurantes universitários nesta segunda-feira

A segunda-feira foi marcada pelo retorno presencial de milhares de estudantes nos campi da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Porto Alegre e Tramandaí. Com 100% de aulas, setor administrativo e serviços de volta à presencialidade, esse primeiro dia ainda foi de ajustes. Nos seis Restaurantes Universitários (RUs), os alunos enfrentaram longas filas; e houve grande demora para fazer o cartão universitário.

Na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) ocorreram atividades de recepção aos calouros. Já os veteranos voltaram às salas ainda sob alguns impactos da pandemia, como a falta de profissional técnico para o estúdio de fotografia. Mesmo com solicitação dos professores, a direção da unidade ainda não deu retorno sobre o atendimento de um profissional, e não há previsão de aulas no estúdio, até a contratação.

No Campus Centro, onde fica a Faculdade de Educação, os alunos enfrentaram longas filas e demoraram cerca de uma hora e meia para fazer o cartão de estudante. A direção da Ufrgs informou que todos que estavam na fila até as 16h foram atendidos, mas que a demanda foi alta, como o esperado, para o início de semestre. Nos RUs, além da dificuldade para conseguir almoçar, muitos alunos tiveram problemas com agendamento das refeições, longas filas e lista de espera, fazendo com que muitos desistissem da refeição.

A Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) da Ufrgs afirmou que foram mais de 4 mil estudantes almoçando hoje nos seis RUs da Capital, sendo que 10% deles tiveram acesso liberado, em razão do não agendamento ou da fila de espera. Segundo a Prae, são disponibilizados 12.600 almoços por dia. “Quantidade esta que não era atingida nem antes da pandemia, portanto não deve haver problemas no agendamento dos estudantes.”

O 1º semestre letivo de 2022 na Ufrgs ocorre entre 13 de junho e 20 de outubro. Assim como as demais universidades federais gaúchas, encontra-se com o calendário atrasado, em função da paralisação que houve nas instituições federais no início da pandemia de Covid-19. No Extremo-Sul, na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), por exemplo, as atividades presenciais já retornaram, como na Ufrgs, com funcionamento escalonado e gradativo, desde o ano passado.

Já a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é a única instituição federal gaúcha que ainda não iniciou o 1º semestre letivo deste ano. Mesmo após a pressão da comunidade acadêmica, o retorno presencial foi mantido apenas para 1 de agosto. Em abril, a universidade emitiu nota confirmando o retorno de todos os cursos para a data, com exceção do curso de Direito, que tem calendário acadêmico diferenciado e retornou ao presencial em maio.

Calendários

Os calendários letivos das universidades federais gaúchas, prejudicados no início da pandemia, atualmente encontram-se ainda bastante desencontrados, com o 1osemestre acadêmico de 2022 ocorrendo em:

  • Ufrgs: 13/6 a 20/10
  • UFCSPA: 25/4 a 20/8
  • UFSM: 11/4 a 20/8
  • UFPel: 1/8 a 2/12
  • Furg: 25/4 a 20/8
  • Unipampa: 25/4 a 20/8

10/06/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/06/aulas-da-graduacao-da-ufrgs-serao-100-presenciais-a-partir-da-proxima-segunda-feira-confira-a-situacao-das-demais-federais-cl48qga890060016759413fdn.html

Aulas da graduação da UFRGS serão 100% presenciais a partir da próxima segunda-feira; confira a situação das demais federais

Instituição também dará início ao primeiro semestre letivo de 2022, que se encerra em 20 de outubro

As aulas dos cursos de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) vão retornar à presencialidade de forma total na próxima segunda-feira (13). É um marco na instituição, que paralisou as atividades em março de 2020, no início da pandemia, e deu início ao ensino remoto em agosto daquele ano.

De lá para cá, algumas aulas voltaram aos poucos de forma presencial, começando pelas disciplinas práticas dos cursos da área da saúde. De acordo com a universidade, o que ainda seguirá de forma remota são as disciplinas ofertadas na modalidade a distância (EAD). As atividades do setor administrativo também já atuam de forma 100% presencial.

Na próxima segunda, a UFRGS também dá início ao primeiro semestre letivo de 2022, que se encerra em 20 de outubro. Já o segundo semestre letivo começa em 17 de novembro e finaliza em 19 de abril de 2023. O recesso escolar acontece entre 26 de dezembro e 15 de janeiro do ano que vem.

Veja, abaixo, como acontecem as aulas das outras seis universidades federais do Estado:

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

As aulas práticas da graduação já são 100% presenciais. As disciplinas teóricas começaram a ser retomadas de forma presencial em abril deste ano - a previsão é de que até julho haja 100% do retorno. Todos os setores administrativos já atuam de forma presencial. A UFCSPA está no meio do primeiro semestre letivo de 2022. O segundo semestre letivo inicia em 19 de setembro.

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

As aulas da graduação retornaram ao presencial em abril deste ano. O setor administrativo começou a retornar ainda em outubro de 2021. Já funcionários acima dos 60 anos ou com comorbidades voltaram no dia 6 de junho. A UFSM está no primeiro semestre letivo de 2022, e o segundo semestre letivo deve iniciar em setembro.

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

As aulas práticas da graduação ocorrem de forma presencial e as teóricas são online. A previsão é de que as aulas voltem à presencialidade de forma integral na UFPEL no início do próximo semestre, em 1° de agosto. As atividades do setor administrativo já estão atuando de forma 100% presencial. A UFPel está no segundo semestre letivo de 2021. Em agosto, inicia o primeiro semestre letivo de 2022.

Universidade Federal do Rio Grande  (Furg)

As aulas da graduação foram retomadas de forma presencial em abril. As atividades do setor administrativo também ocorrem presencialmente de forma integral desde abril. Atualmente, a Furg está no primeiro semestre letivo de 2022. O segundo semestre letivo tem início em setembro.

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

As aulas da graduação retornaram de forma presencial em abril. No entanto, há algumas disciplinas que podem ser ofertadas a distância até o fim do primeiro semestre letivo de 2022, em 20 de agosto de 2022, se assim os estudantes matriculados desejarem. As atividades do setor administrativo estão 100% presenciais desde novembro do ano passado. O segundo semestre letivo da Unipampa inicia em 21 setembro.

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

As aulas da graduação dos campi de Erechim, no Norte, e em Cerro Largo, nas Missões, retornaram de forma presencial na sua integralidade ainda em fevereiro, assim como as atividades administrativas. No campus Passo Fundo, também no Norte, que oferece somente o curso de medicina, as aulas presenciais retornaram ainda em 2020. Os campi de Cerro Largo e Erechim iniciam o segundo semestre no dia 19 de setembro. Já o de Passo Fundo, no dia 8 de agosto.

10/06/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/06/corte-de-verbas-de-universidades-e-institutos-poe-em-risco-assistencia-estudantil-postos-de-trabalho-e-ate-a-continuidade-das-aulas-cl491l0jj004v01673kbei6mi.html

Corte de verbas de universidades e institutos põe em risco assistência estudantil, postos de trabalho e até a continuidade das aulas

Inicialmente, o Ministério da Educação havia anunciado bloqueios no orçamento, que agora viraram cortes

Depois de anúncios do Ministério da Educação (MEC) sobre bloqueios no orçamento deste ano de universidades e institutos federais, a pasta informou, na quinta-feira (9), que parte dessa verba será efetivamente cortada e remanejada para outros órgãos. Reitores das instituições gaúchas alertam que a redução nos valores, que representa perda de mais de R$ 220 milhões em todo o país, põe em risco bolsas de estudos, outras formas de assistência estudantil e postos de trabalho de profissionais terceirizados, além de gerar possibilidade real de paralisação das aulas.

Em nota enviada aos reitores, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) comunicou que apesar de o bloqueio de 14,5% ter sido reduzido para 7,2% na última sexta-feira (3), o MEC apontou que 3,6% já serão remanejados para o pagamento de despesas obrigatórias de outros órgãos. Na prática, significa que esse percentual será de fato cortado e retirado da conta – diferentemente dos recursos bloqueados, que ainda aparecem na conta das universidades, embora não possam ser utilizados naquele momento.

Nas instituições federais, o clima é de incerteza, diante da frequência das mudanças no orçamento. Muitos dos reitores resolveram aguardar até refazer seus planejamentos, uma vez que não sabem ao certo com quanto dinheiro poderão contar até o final do ano. Procurado, o MEC não retornou à reportagem até a publicação desta matéria.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Procurada, a UFRGS não retornou aos pedidos de entrevista e informações da reportagem até o final da tarde desta sexta-feira (10).

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Na UFPel, com o corte orçamentário realizado em 2021, o ano de 2022 já foi iniciado com um déficit de cerca de R$ 5 milhões, a serem pagos para empresas contratadas. Somados os valores cortados e bloqueados, hoje a instituição enfrenta um déficit de cerca de R$ 10 milhões. Neste cenário, não será possível honrar parte dos pagamentos previstos para os meses de outubro, novembro e dezembro.

— Há empresas que têm prevista em contrato uma flexibilidade que permite que a UFPel atrase o pagamento por alguns meses, mas outras não têm. Uma das maiores despesas é com energia elétrica, por exemplo, que, se não é paga, pode ser cortada imediatamente. Por isso, existe um risco real de não chegarmos até o fim do ano — destaca o superintendente de Orçamento e Gestão de Recursos da instituição, Denis Franco.

A prioridade é pagar as despesas com a assistência estudantil, como auxílios para moradia, alimentação e transporte. No entanto, o superintendente afirma que não é possível prever o que seria paralisado primeiro, uma vez que a falta de recursos gera efeito dominó – sem luz, por exemplo, não se tem aula, e, sem aula, não tem por que manter o funcionamento do restaurante universitário (RU), e assim por diante.

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

Por enquanto, a Unipampa não refez seu planejamento orçamentário, pois trabalha pela recomposição dos valores. Segundo o reitor Roberlaine Jorge, a situação financeira já era crítica e, com esses cortes, se agravou.

— A universidade teve um crescimento orgânico, o que gera aumento nos gastos, e as despesas também aumentaram. O custo com o RU, por exemplo, teve aumento de 130% na comparação com o período pré-pandemia. Por isso, estamos nos mobilizando com todas as entidades pela recomposição do orçamento — explica o reitor.

O gestor relata que a Unipampa já está no limite de cortes em setores como a prestação de serviços por terceirizados, que fazem a limpeza e a segurança dos campi, por exemplo. Por isso, um corte a esta altura do ano deixa a instituição “quase inadministrável”.

— A gente está trabalhando, mas a dificuldade é enorme. O risco que corremos é de pararmos as atividades. Como ficam as aulas práticas sem insumos, por exemplo? — questiona Jorge.

Com o bloqueio, a universidade fica impedida de usar R$ 3,6 milhões do orçamento anual. Entre as medidas transitórias/paliativas possíveis, está a anulação parcial de contratos terceirizados com profissionais da limpeza, motoristas, vigilantes e da manutenção.

Universidade Federal do Rio Grande (Furg)

Na Furg, o bloqueio de 7,2% no orçamento discricionário – ou seja, nas despesas obrigatórias – representa R$ 4,2 milhões. Antes mesmo do início do ano, as instituições de ensino já tinham sofrido corte de 5,6% nesses recursos.

Com a redução no orçamento, o impacto na Furg será tanto em ações de ensino, pesquisa, extensão, cultura e assistência estudantil quanto no pagamento de despesas fixas essenciais ao funcionamento da universidade, como água, energia elétrica e serviços terceirizados.

— Há um risco de descontinuidade de fluxo financeiro para os contratos firmados pela universidade, tendo em vista a ação orçamentária na qual o bloqueio incidiu. Estamos lutando para que esse bloqueio seja revertido. Entretanto, caso necessário, poderá haver renegociação de contratos em algumas áreas específicas — destaca Diego Rosa, pró-reitor de Planejamento e Administração da Furg.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

O principal impacto para a UFCSPA será na construção de dois novos prédios – um na Rua da Conceição, onde está prevista a instalação da Clínica da Família UFCSPA, e outro na Rua Sete de Setembro, onde um antigo prédio do Ministério Público do Trabalho (MPT) deverá comportar parte das atividades da instituição. No entanto, para além do investimento em infraestrutura, o corte deve prejudicar o dia a dia.

— Já tínhamos feito uma super revisão nos contratos. Estamos no limite. A partir de agora, o que resta é diminuir postos de terceirizados e investimentos em áreas que sempre tentamos priorizar, que é a assistência estudantil, como bolsas-permanência e de iniciação científica — pontua a reitora da universidade, Lucia Pellanda.

Como o orçamento para a pesquisa também já sofreu reduções, a UFCSPA havia destinado parte de seu orçamento para o pagamento de bolsas de mestrado e doutorado. Com os novos cortes, no entanto, essas áreas podem sofrer impacto. Entre bloqueio e corte, o orçamento será de R$ 2,3 milhões a menos.

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

A UFSM realizou audiência pública sobre a redução orçamentária na última quinta-feira (9), a fim de explicar à comunidade universitária quais serão os impactos da mudança. Foram citadas a possibilidade de demissão de funcionários terceirizados e alterações diretas em atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O cenário financeiro da universidade foi apresentado pelo reitor Luciano Schuch como um dos mais preocupantes da história da instituição. O bloqueio representa redução de R$ 9,3 milhões no orçamento previsto para o ano, o que, conforme o gestor, aprofunda a crise orçamentária vivida pelas universidades, que, mesmo sem os cortes, já têm um orçamento defasado.

Os recursos em assistência estudantil estão entre os que mais causam preocupação. De 2015 a 2022, o orçamento destinado via Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) cresceu 5,3%, enquanto, no mesmo período, o valor da cesta básica cresceu 124%, segundo o reitor.

— Enquanto isso, a nossa população está empobrecendo cada vez mais, com renda mais baixa e, em consequência, cada vez mais demandas na assistência estudantil para a permanência e formatura dos nossos estudantes — afirmou Schuch.

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

A UFFSressaltou que o bloqueio orçamentário não impacta os recursos destinados a auxílios, bolsas e funcionamento básico. Alguns contratos estão sendo reavaliados e alguns investimentos postergados, mas o planejamento, por enquanto, se mantém o mesmo."Foram tomadas ações no âmbito administrativo através da redução de despesas com diárias, passagens e transportes. Ainda, alguns contratos estão sendo reavaliados e alguns investimentos foram postergados. Todo o planejamento se mantém como o original, aguardando eventuais cortes ou desbloqueios para sua efetiva execução”, diz trecho da nota da instituição.

08/06/2022 – Diário do Comércio

Link: https://diariodocomercio.com.br/agronegocio/epamig-abre-inscricoes-para-azeitech-on-line/

Epamig abre inscrições para Azeitech on-line

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) divulgou a programação da edição virtual que dá sequência às atividades do segundo Azeitech. O evento, iniciado em 25/3 com a realização do 17º Dia de Campo de Olivicultura e da 7ª Mostra Tecnológica em formato presencial, no Campo Experimental de Maria da Fé, contará com painéis científicos on-line, entre os dias 21 a 23/6. As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas pelo site.

“Nessa segunda parte, a programação será repleta de diversos assuntos relacionados à olivicultura. No primeiro dia, o foco será a produção de azeitona em conserva. O segundo será dedicado às mulheres na olivicultura. Já o último, 23/6, será dedicado ao azeite de oliva e, entre outras atrações, haverá troca de experiências com o azeitólogo português Nuno Rodrigues, que além do trabalho em seu país falará sobre sua vivência nos olivais brasileiros”, adianta o coordenador-geral do evento, Luiz Fernando de Oliveira.

A programação de 21/6 está dividida em dois painéis. O primeiro, com o tema “Experiências na produção de azeitonas de mesa na Espanha”, tem como convidada Nuria Yánes Gonzáles, diretora técnica da Cooperativa Agrícola Espanhola Almazarras de la Subbética e a participação do consultor gastronômico Marcelo Scofano. O segundo painel “Experiências na produção artesanal de azeites e azeitonas de mesa na Serra da Mantiqueira”, terá a presença dos olivicultores Vanessa Bianco (Olivais Gamarra) e Ana Morita e João Ricardo (Olivas Vikas), de Baependi/ MG. A mediação será de Pedro Moura, integrante da Comissão Organizadora do Azeitech.

Assim como na primeira edição, em 2021, a programação da quarta-feira (22/6) será dedicada à participação das mulheres na cadeia produtiva da Olivicultura. A moderação será da doutora em Botânica Aplicada, Carolina Ruiz Zambon. Na oportunidade, a azeitóloga Ana Beloto vai lançar o livro “Azeite-se” e participar de um bate-papo com a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Isabel Casper Machado, e com a diretora da revista Azeites e Olivais, Luciane Gomes.

Além da programação ao vivo e da possibilidade de interação via chat com palestrantes e convidados, os visitantes virtuais do Azeitech 2022 terão acesso a vídeos de dicas técnicas no espaço Oliva Play e à Mostra Tecnológica com a presença das marcas patrocinadoras.

07/06/2022 – O Sul

Link: https://www.osul.com.br/unidade-movel-de-testagem-hiv-ist-pelo-sus-estara-em-viamao-nesta-quinta/

Unidade Móvel de testagem HIV/IST pelo SUS estará em Viamão nesta quinta

Nesta quinta-feira (9) a Unidade Móvel de Testagem do projeto “Vinculação e Retenção de pessoas com HIV em serviços públicos de saúde: demonstrativo na Região Metropolitana de Porto Alegre, RS, Brasil” inicia as atividades em Viamão, na região Metropolitana, das 14 h às 20 h, no Bairro Vila Santa Izabel.

Viamão foi a primeira cidade a realizar o agendamento. Para participar do projeto, gestores locais devem identificar a necessidade de testagem nos seus municípios. O objetivo é ampliar a acessibilidade, principalmente de populações-chave e prioritárias, visando, em especial, o diagnóstico do HIV e início o mais breve possível da terapia antirretroviral (TARV).

Quando a Unidade Móvel estacionar no local definido na agenda, uma equipe de saúde formada por dois agentes de testagem comunitária, um enfermeiro e mais uma pessoa que é o ponto focal do projeto fará acolhimento, testagem de HIV, sífilis e hepatites virais e encaminhamento dos casos positivos para tratamento.

A proposta é trabalhar no vínculo dos usuários os serviços locais do Sistema Único de Saúde (SUS). A equipe também presta aconselhamento e orientações sobre saúde sexual.

O projeto é desenvolvido por meio de uma parceria da Secretaria da Saúde (SES/RS) com a AIDS Healthcare Foundation (AHF Brasil) e Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos).

A médica da SES/RS, Leticia Ikeda, coordenadora geral do projeto, afirma que “se busca demonstrar que a ampliação e facilitação do acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), com testagem seguida da vinculação em cuidados de forma oportuna, deve impactar na redução da mortalidade por HIV no RS”.

Fabiana Ferreira dos Santos, responsável pela gestão da Unidade Móvel, relata que a organização das capacitações e dos processos de trabalho envolveram toda a equipe, durante seis meses, contribuindo para o entrosamento da mesma. “Todos estão preparados e aptos a realizar atividades educativas de prevenção do HIV, aconselhamento pré e pós teste e execução de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais”, destaca. Além da equipe da Unidade, acadêmicos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), integrantes da Liga de Infectologia e Medicina Tropical (LIMT) foram, igualmente, capacitados e serão colaboradores nas ações.

Contato para agendamento da Unidade Móvel:

Coordenadora da Unidade Móvel, Fabiana Ferreira dos Santos: whatsapp (51) 996321817, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

07/06/2022 – Estado de Minas

https://www.em.com.br/app/noticia/ciencia/2022/06/07/interna_ciencia,1371652/lula-com-covid-por-que-e-possivel-ter-a-doenca-mesmo-apos-quatro-doses-de.shtml

Lula com covid: por que é possível ter a doença mesmo após quatro doses de vacina e infecção prévia

O ex-presidente anunciou que ele e sua esposa Janja testaram positivo para o coronavírus. Entenda porque a imunidade contra esse patógeno não é infalível e não dura para sempre %u2014 e como ficar mais protegido.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi às redes sociais na noite de domingo (5/6) para anunciar que está de novo com covid-19. Sua esposa, Rosângela da Silva, a Janja, também testou positivo.

"Os dois estão bem, o ex-presidente [está] assintomático e Janja [tem] sintomas leves. [Eles] ficarão em isolamento e acompanhamento médico nos próximos dias", informa a postagem feita no Twitter.

No caso de Lula, chama a atenção o fato de ele ter recebido a quarta dose da vacina no início de abril. O pré-candidato à Presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT) também já foi diagnosticado com covid ainda no primeiro ano de pandemia, em dezembro de 2020.

Mas, afinal, como é possível ter a doença pela segunda vez, mesmo com o esquema de imunização em dia e um episódio prévio de infecção pelo coronavírus?

As evidências científicas apontam pelo menos três fatores que ajudam a responder a esta pergunta: queda da imunidade com o passar do tempo, aparecimento de novas variantes e alta circulação do vírus.

O ex-presidente @LulaOficial e sua esposa @JanjaLula foram diagnosticados hoje com Covid19. Os dois estão bem, o ex-presidente assintomático e Janja com sintomas leves. Ficarão em isolamento e acompanhamento médico nos próximos dias. #equipeLula pic.twitter.com/chuuig7gCn

Para que servem as vacinas

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, questiona o que significa "pegar covid" nos dias de hoje.

"O que é pegar covid? É ficar doente e ir para o hospital? Ter sintomas leves? Ou simplesmente testar positivo? Precisamos entender que testar positivo não significa estar com covid", diferencia.

"E as vacinas não impedem a infecção. Enquanto o vírus circular, as pessoas se infectarão", complementa a especialista.

Independentemente do tipo de tecnologia usada, as vacinas têm um objetivo principal: fazer com que nosso sistema imune seja exposto com segurança a um vírus ou a uma bactéria (ou pedacinhos específicos deles).

A partir desse primeiro contato, que não vai prejudicar a saúde, nossas células de defesa geram uma resposta, capaz de deixar o organismo preparado caso o agente infeccioso de verdade resolva aparecer.

Acontece que esse processo imunológico é extremamente complicado e envolve um enorme batalhão de células e anticorpos. A resposta imune, portanto, pode variar consideravelmente segundo o tipo de vírus, a capacidade de mutações que ele tem, a forma como é desenvolvida a vacina, as condições de saúde da pessoa…

No meio de todos esses processos, portanto, é muito difícil desenvolver um imunizante que seja capaz de evitar a infecção em si, ou seja, bloquear a entrada do causador da doença nas nossas células.

Mas aí vem um ponto muito importante: mesmo nos casos em que a vacina não consegue prevenir a infecção, muitas vezes a resposta imune criada a partir dali pode tornar os sintomas menos graves nas pessoas que foram imunizadas, prevenindo assim doenças mais severas e óbitos.

Isso ocorre, por exemplo, com as vacinas contra o rotavírus e a gripe: quem as toma pode até se infectar, mas o risco de desenvolver formas mais graves dessas doenças é reduzido consideravelmente.

E é exatamente esse mesmo fenômeno que observamos agora com a covid-19: ainda que os imunizantes disponíveis não sejam capazes de barrar novas ondas de casos, eles estão funcionando muito bem para impedir o agravamento da maioria das infecções.

Prova disso são as ondas mais recentes que ocorreram entre o final de 2021 e o início de 2022, relacionadas com o espalhamento da variante ômicron: embora muitos países tenham batido recordes absolutos de casos, a taxa de internações e mortes nesses lugares foi significativamente menor em relação a momentos anteriores da pandemia.

Um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicado em março calculou o tamanho dessa proteção. Os dados revelam que adultos que tomaram três doses de vacina contra a covid tem um risco 94% menor de precisar de internação, ventilação mecânica ou morrer, quando comparados àqueles que não se imunizaram.

Resumindo: as vacinas contra a covid aprimoram e modificam alguns aspectos do sistema imune que não chegam a bloquear a entrada do vírus no organismo, mas ao menos impedem que ele se replique numa velocidade muito alta e cause estragos que afetam a saúde de forma preocupante.

E isso é bom para o indivíduo, que não desenvolve esses problemas, e para o sistema de saúde como um todo, que não fica abarrotado de pacientes e pode entrar em colapso.

Defesas que se esvaem

Agora que você já entendeu qual o principal objetivo das vacinas atuais contra a covid-19, vamos explorar uma segunda questão: nesse contexto, por que são necessárias doses de reforço para alguns grupos?

No Brasil, o Ministério da Saúde já recomenda a aplicação de uma quarta dose do imunizante para quem tem mais de 50 anos e para indivíduos com problemas que afetam o sistema imunológico.

Ao longo dos últimos meses, a atualização das campanhas de vacinação, com a adoção das doses extras, se provou necessária por uma série de fatores. O mais importante deles está relacionado à queda da imunidade com o passar dos meses.

De forma simplificada, as nossas células imunes que estão na linha de frente "se esquecem" de como combater o coronavírus se elas não forem expostas ao patógeno depois de algum tempo.

"Essa queda dos anticorpos é normal. A gente não pode ficar com nível alto de anticorpos o tempo inteiro", esclarece Bonorino, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia.

A aplicação das doses de reforço, portanto, serviria como uma espécie de "lembrete" para atualizar o nosso sistema antivírus. Essa estratégia é ainda mais importante, do ponto de vista de saúde pública, quando consideramos pessoas de idades específicas (como os mais velhos), ou portadores de determinadas enfermidades, em que a imunidade costuma não funcionar tão bem assim.

Nesse sentido, um estudo feito pelo Instituto Weizmann de Ciências de Israel acompanhou 1,2 milhão de idosos com mais de 60 anos e observou que a frequência de casos graves de covid era 3,5 vezes menor no grupo de participantes que havia recebido a quarta dose, em comparação com aqueles que só tomaram até a terceira dose da vacina.

Esse e outros dados só reforçam a noção de que manter o esquema vacinal em dia, de acordo com o que é preconizado pelas autoridades de saúde, pode até não evitar a infecção pelo coronavírus, mas diminui bastante o risco de desenvolver as complicações da doença — como parece ser o caso de Lula, que não apresenta muitos sintomas, pelas poucas informações disponíveis no momento.

Metamorfose ambulante

Não dá pra se esquecer também do fato de que o coronavírus está em constante mudança. E as mutações que ocorrem no código genético dele a cada nova replicação abrem alas para o surgimento das variantes.

Algumas dessas novas linhagens, aliás, causaram um estrago considerável desde o final de 2020: alfa, beta, gama, delta e ômicron carregam alterações importantes, especialmente numa parte do vírus chamada espícula, que se conecta aos receptores na superfície de nossas células para dar início à infecção.

Em termos práticos, mudanças significativas no material genético do vírus dificultam ainda mais o trabalho do sistema imunológico, que não consegue identificar muito bem o agente invasor e lançar uma resposta adequada para contê-lo.

Ou seja: mesmo que as células de defesa tenham conseguido montar um bom contra-ataque contra o coronavírus original (ou uma das variantes mais "antigas", como a alfa ou a gama), isso pode não ser o suficiente para barrar a entrada da ômicron no nosso corpo, já que falamos de uma versão modificada do patógeno.

Esse é mais um dos fatores que ajuda a explicar porque mesmo pessoas que foram diagnosticadas com covid-19 no passado — como o próprio ex-presidente Lula — correm o risco de pegar a doença de novo alguns meses depois.

"E o surgimento de novas variantes vai continuar a acontecer enquanto tivermos uma parte da população que não foi adequadamente vacinada", alerta Bonorino.

E aqui você pode estar se perguntando: e as vacinas? Será que não é hora de atualizar os imunizantes para que eles funcionem ainda melhor contra as variantes que surgiram nesses últimos tempos?

Diversos grupos de cientistas e farmacêuticas estão pesquisando isso neste exato momento. Mas os resultados obtidos até agora não justificam o lançamento de novos produtos.

Apesar de perderem em parte sua eficácia, as vacinas disponíveis desde o início do ano passado continuam a funcionar suficientemente bem para aquilo que foram criadas: diminuir o risco de desenvolver as formas mais graves da covid-19.

Alta circulação

Para completar, os fatores comportamentais também têm um papel a cumprir nesse cenário em que as reinfecções se tornam mais comuns.

Vivemos um momento em que as políticas públicas que tentavam conter os casos de covid — como o uso de máscaras em lugares fechados e a prevenção de aglomerações — foram praticamente abandonadas mundo afora. Sem essas barreiras, o vírus consegue circular com mais facilidade.

A temporada de outono e inverno no Hemisfério Sul, em que as pessoas tendem a ficar mais próximas umas das outras e em locais com pouca circulação de ar, também contribui para o aumento de casos no país.

Na situação específica do ex-presidente Lula, a participação frequente em eventos presenciais, como comícios, debates e reuniões da campanha, também explica a reinfecção: num cenário de alta circulação viral, é praticamente improvável que uma pessoa que se expõe tanto no dia a dia não tenha contato próximo com alguém infectado com o coronavírus.

Essa alta circulação viral, aliás, pode ser observada na realidade brasileira. De acordo com as informações do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), o país está atualmente com uma média móvel de 29 mil novos casos de covid por dia. Há pouco mais de um mês, no final de abril, essa taxa estava em 12 mil.

Podemos, então, resumir toda a situação com uma fórmula relativamente simples. Queda relativa de anticorpos + surgimento de novas variantes + alta circulação do vírus = aumento do risco de infecção, mesmo entre vacinados ou quem já teve covid no passado.

Felizmente, esses indivíduos estão mais protegidos, pois ainda guardam uma memória imunológica suficientemente boa para impedir, na maioria das vezes, as complicações da covid, relacionadas à internação, intubação e morte.

Para lidar com essa nova onda e diminuir o risco de problemas tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, os especialistas fazem cinco recomendações principais: estar com o esquema vacinal em dia, usar máscaras em ambientes fechados se possível, ficar atento aos sintomas da covid, fazer o teste caso apresente algum sinal da infecção e, se realmente estiver com a doença, ficar em isolamento.

06/06/2022 – BBC

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-61709732

Lula com covid: por que é possível ter a doença mesmo após quatro doses de vacina e infecção prévia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi às redes sociais na noite de domingo (5/6) para anunciar que está de novo com covid-19. Sua esposa, Rosângela da Silva, a Janja, também testou positivo.

"Os dois estão bem, o ex-presidente [está] assintomático e Janja [tem] sintomas leves. [Eles] ficarão em isolamento e acompanhamento médico nos próximos dias", informa a postagem feita no Twitter.

No caso de Lula, chama a atenção o fato de ele ter recebido a quarta dose da vacina no início de abril. O pré-candidato à Presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT) também já foi diagnosticado com covid ainda no primeiro ano de pandemia, em dezembro de 2020.

Mas, afinal, como é possível ter a doença pela segunda vez, mesmo com o esquema de imunização em dia e um episódio prévio de infecção pelo coronavírus?

As evidências científicas apontam pelo menos três fatores que ajudam a responder a esta pergunta: queda da imunidade com o passar do tempo, aparecimento de novas variantes e alta circulação do vírus.

Para que servem as vacinas

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, questiona o que significa "pegar covid" nos dias de hoje.

"O que é pegar covid? É ficar doente e ir para o hospital? Ter sintomas leves? Ou simplesmente testar positivo? Precisamos entender que testar positivo não significa estar com covid", diferencia.

"E as vacinas não impedem a infecção. Enquanto o vírus circular, as pessoas se infectarão", complementa a especialista.

Independentemente do tipo de tecnologia usada, as vacinas têm um objetivo principal: fazer com que nosso sistema imune seja exposto com segurança a um vírus ou a uma bactéria (ou pedacinhos específicos deles).

A partir desse primeiro contato, que não vai prejudicar a saúde, nossas células de defesa geram uma resposta, capaz de deixar o organismo preparado caso o agente infeccioso de verdade resolva aparecer.

Acontece que esse processo imunológico é extremamente complicado e envolve um enorme batalhão de células e anticorpos. A resposta imune, portanto, pode variar consideravelmente segundo o tipo de vírus, a capacidade de mutações que ele tem, a forma como é desenvolvida a vacina, as condições de saúde da pessoa…

No meio de todos esses processos, portanto, é muito difícil desenvolver um imunizante que seja capaz de evitar a infecção em si, ou seja, bloquear a entrada do causador da doença nas nossas células.

Mas aí vem um ponto muito importante: mesmo nos casos em que a vacina não consegue prevenir a infecção, muitas vezes a resposta imune criada a partir dali pode tornar os sintomas menos graves nas pessoas que foram imunizadas, prevenindo assim doenças mais severas e óbitos.

Isso ocorre, por exemplo, com as vacinas contra o rotavírus e a gripe: quem as toma pode até se infectar, mas o risco de desenvolver formas mais graves dessas doenças é reduzido consideravelmente.

E é exatamente esse mesmo fenômeno que observamos agora com a covid-19: ainda que os imunizantes disponíveis não sejam capazes de barrar novas ondas de casos, eles estão funcionando muito bem para impedir o agravamento da maioria das infecções.

Prova disso são as ondas mais recentes que ocorreram entre o final de 2021 e o início de 2022, relacionadas com o espalhamento da variante ômicron: embora muitos países tenham batido recordes absolutos de casos, a taxa de internações e mortes nesses lugares foi significativamente menor em relação a momentos anteriores da pandemia.

Um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicado em março calculou o tamanho dessa proteção. Os dados revelam que adultos que tomaram três doses de vacina contra a covid tem um risco 94% menor de precisar de internação, ventilação mecânica ou morrer, quando comparados àqueles que não se imunizaram.

Resumindo: as vacinas contra a covid aprimoram e modificam alguns aspectos do sistema imune que não chegam a bloquear a entrada do vírus no organismo, mas ao menos impedem que ele se replique numa velocidade muito alta e cause estragos que afetam a saúde de forma preocupante.

E isso é bom para o indivíduo, que não desenvolve esses problemas, e para o sistema de saúde como um todo, que não fica abarrotado de pacientes e pode entrar em colapso.

Defesas que se esvaem

Agora que você já entendeu qual o principal objetivo das vacinas atuais contra a covid-19, vamos explorar uma segunda questão: nesse contexto, por que são necessárias doses de reforço para alguns grupos?

No Brasil, o Ministério da Saúde já recomenda a aplicação de uma quarta dose do imunizante para quem tem mais de 50 anos e para indivíduos com problemas que afetam o sistema imunológico.

Ao longo dos últimos meses, a atualização das campanhas de vacinação, com a adoção das doses extras, se provou necessária por uma série de fatores. O mais importante deles está relacionado à queda da imunidade com o passar dos meses.

De forma simplificada, as nossas células imunes que estão na linha de frente "se esquecem" de como combater o coronavírus se elas não forem expostas ao patógeno depois de algum tempo.

"Essa queda dos anticorpos é normal. A gente não pode ficar com nível alto de anticorpos o tempo inteiro", esclarece Bonorino, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia.

A aplicação das doses de reforço, portanto, serviria como uma espécie de "lembrete" para atualizar o nosso sistema antivírus. Essa estratégia é ainda mais importante, do ponto de vista de saúde pública, quando consideramos pessoas de idades específicas (como os mais velhos), ou portadores de determinadas enfermidades, em que a imunidade costuma não funcionar tão bem assim.

Nesse sentido, um estudo feito pelo Instituto Weizmann de Ciências de Israel acompanhou 1,2 milhão de idosos com mais de 60 anos e observou que a frequência de casos graves de covid era 3,5 vezes menor no grupo de participantes que havia recebido a quarta dose, em comparação com aqueles que só tomaram até a terceira dose da vacina.

Esse e outros dados só reforçam a noção de que manter o esquema vacinal em dia, de acordo com o que é preconizado pelas autoridades de saúde, pode até não evitar a infecção pelo coronavírus, mas diminui bastante o risco de desenvolver as complicações da doença — como parece ser o caso de Lula, que não apresenta muitos sintomas, pelas poucas informações disponíveis no momento.

Metamorfose ambulante

Não dá pra se esquecer também do fato de que o coronavírus está em constante mudança. E as mutações que ocorrem no código genético dele a cada nova replicação abrem alas para o surgimento das variantes.

Algumas dessas novas linhagens, aliás, causaram um estrago considerável desde o final de 2020: alfa, beta, gama, delta e ômicron carregam alterações importantes, especialmente numa parte do vírus chamada espícula, que se conecta aos receptores na superfície de nossas células para dar início à infecção.

Em termos práticos, mudanças significativas no material genético do vírus dificultam ainda mais o trabalho do sistema imunológico, que não consegue identificar muito bem o agente invasor e lançar uma resposta adequada para contê-lo.

Ou seja: mesmo que as células de defesa tenham conseguido montar um bom contra-ataque contra o coronavírus original (ou uma das variantes mais "antigas", como a alfa ou a gama), isso pode não ser o suficiente para barrar a entrada da ômicron no nosso corpo, já que falamos de uma versão modificada do patógeno.

Esse é mais um dos fatores que ajuda a explicar porque mesmo pessoas que foram diagnosticadas com covid-19 no passado — como o próprio ex-presidente Lula — correm o risco de pegar a doença de novo alguns meses depois.

"E o surgimento de novas variantes vai continuar a acontecer enquanto tivermos uma parte da população que não foi adequadamente vacinada", alerta Bonorino.

E aqui você pode estar se perguntando: e as vacinas? Será que não é hora de atualizar os imunizantes para que eles funcionem ainda melhor contra as variantes que surgiram nesses últimos tempos?

Diversos grupos de cientistas e farmacêuticas estão pesquisando isso neste exato momento. Mas os resultados obtidos até agora não justificam o lançamento de novos produtos.

Apesar de perderem em parte sua eficácia, as vacinas disponíveis desde o início do ano passado continuam a funcionar suficientemente bem para aquilo que foram criadas: diminuir o risco de desenvolver as formas mais graves da covid-19.

Alta circulação

Para completar, os fatores comportamentais também têm um papel a cumprir nesse cenário em que as reinfecções se tornam mais comuns.

Vivemos um momento em que as políticas públicas que tentavam conter os casos de covid — como o uso de máscaras em lugares fechados e a prevenção de aglomerações — foram praticamente abandonadas mundo afora. Sem essas barreiras, o vírus consegue circular com mais facilidade.

A temporada de outono e inverno no Hemisfério Sul, em que as pessoas tendem a ficar mais próximas umas das outras e em locais com pouca circulação de ar, também contribui para o aumento de casos no país.

Na situação específica do ex-presidente Lula, a participação frequente em eventos presenciais, como comícios, debates e reuniões da campanha, também explica a reinfecção: num cenário de alta circulação viral, é praticamente improvável que uma pessoa que se expõe tanto no dia a dia não tenha contato próximo com alguém infectado com o coronavírus.

Essa alta circulação viral, aliás, pode ser observada na realidade brasileira. De acordo com as informações do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), o país está atualmente com uma média móvel de 29 mil novos casos de covid por dia. Há pouco mais de um mês, no final de abril, essa taxa estava em 12 mil.

Podemos, então, resumir toda a situação com uma fórmula relativamente simples. Queda relativa de anticorpos + surgimento de novas variantes + alta circulação do vírus = aumento do risco de infecção, mesmo entre vacinados ou quem já teve covid no passado.

Felizmente, esses indivíduos estão mais protegidos, pois ainda guardam uma memória imunológica suficientemente boa para impedir, na maioria das vezes, as complicações da covid, relacionadas à internação, intubação e morte.

Para lidar com essa nova onda e diminuir o risco de problemas tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, os especialistas fazem cinco recomendações principais: estar com o esquema vacinal em dia, usar máscaras em ambientes fechados se possível, ficar atento aos sintomas da covid, fazer o teste caso apresente algum sinal da infecção e, se realmente estiver com a doença, ficar em isolamento.

05/06/2022 – Folha de São Paulo

Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/06/tire-suas-duvidas-sobre-a-variola-dos-macacos.shtml

Tire suas dúvidas sobre a varíola dos macacos

Testagem, rastreamento de contatos e vacinação são medidas para barrar a doença

Com sintomas como febre, dores no corpo e feridas pelo corpo, a varíola dos macacos preocupa médicos e cientistas pela rápida disseminação. Desde o início deste surto, no mês passado, já são mais de mil casos confirmados, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em países onde a doença não é endêmica.

No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em 8 de junho. O paciente é um homem de 41 anos que esteve na Espanha recentemente. Ele é mantido em isolamento no hospital Emílio Ribas, na zona oeste de São Paulo. Outros sete casos foram confirmados até esta segunda (20), em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.

Um dos pontos ainda em aberto é como o vírus se propagou tão rápido em diferentes países –fora da África, esse é o maior surto já visto. A pouca capacidade de produção da vacina para barrar a transmissão do vírus é outro aspecto que preocupa especialistas.

O que causa a varíola dos macacos?

A doença é causada pelo monkeypox, um vírus do gênero orthopoxvirus. Outro patógeno que também é desse gênero é o que acarreta a varíola, doença erradicada em 1980.

Embora tenham suas semelhanças, existem diferenças entre as duas doenças. Uma delas é a letalidade: a varíola matava cerca de 30% dos infectados. Já a varíola dos macacos conta com uma taxa de mortalidade entre 3% a 6%, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Então a varíola dos macacos não significa um risco por ter menor letalidade?

Os riscos menores não indicam que a doença não é grave. Crianças, grávidas e imunossuprimidos são pessoas que podem desenvolver quadros mais graves, por exemplo.

"Não deixa de ser preocupante porque toda doença infectocontagiosa não é para correr solta. É preciso conter esses surtos", afirma Clarissa Damaso, virologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e assessora do comitê da OMS para pesquisa com vírus da varíola.

Ela é uma das pesquisadoras que compõem o grupo de trabalho para enfrentamento da varíola de macacos organizado na UFRJ. A iniciativa realiza testes em pessoas suspeitas da doença e também deve acompanhar os pacientes para observar a evolução do quadro clínico e evitar a disseminação do patógeno.

Além do grupo da UFRJ, outros dois centros realizam testes para diagnosticar a doença no Brasil: o Instituto Adolf Lutz, em São Paulo, e a Funed (Fundação Ezequiel Dias), em Minas Gerais.

Outro caminho para diagnosticar a doença é um teste da empresa Roche. Carlos Martins, presidente da Roche Diagnóstica no Brasil, afirma que o produto é um exame PCR parecido com testes para Covid.

Segundo ele, os resultados dos exames ficam prontos entre 4 e 8 horas e o produto deve chegar ao Brasil em algumas semanas.

Como conter a disseminação do vírus?

Diminuir a transmissão envolve principalmente isolamento dos casos suspeitos e confirmados, além de imunizar pessoas que tiveram contato próximo com alguém infectado. Grupos de maiores riscos, como profissionais de saúde da linha de frente, também podem ser imunizados.

Segundo a OMS, a vacina contra a varíola tem uma taxa de eficácia de aproximadamente 85% para a doença causada pelo monkeypox. No entanto, ela não se encontra disponível para o público em geral. Em 2019, outro imunizante foi desenvolvido e tem eficácia na prevenção da varíola dos macacos, mas tem produção em pequena escala.

Atualmente, o Brasil não conta com as vacinas. Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, afirmou que a pasta está em contato com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) para avaliar compras de doses, mas ainda em avaliação.

O que explica a nova onda de casos?

A varíola dos macacos já era conhecida, mas era registrada principalmente em países africanos. O que deixou a comunidade científica em alerta foi a disseminação rápida do vírus para outros países fora da África.

Apesar da referência aos macacos, os hospedeiros naturais do monkeypox provavelmente são roedores, como ratos. A partir deles, o vírus pode ser transmitido aos humanos por meio do contato com fluidos ou lesões dos animais infectados.

De pessoa para pessoa, a transmissão acontece por meio de contato próximo. A infecção pode ser por vias respiratórias, mas é preciso contato face a face perto por tempo prolongado. Em comparação, o Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, também se transmite por vias respiratórias, mas não precisa de um contato tão próximo e nem prolongado.

Outra forma de infecção é por meio das feridas, parecidas com bolhas, que a varíola dos macacos causa na pele. Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), explica que o líquido dentro dessas bolhas contém o vírus. Sendo assim, o contato direto com essas secreções também causa a propagação do patógeno.

Por justamente ter uma transmissão que precisa de contato muito próximo, os novos casos ainda carecem de explicações. "Nós não estamos entendendo exatamente como está acontecendo essa transmissão", afirma Damaso.

A hipótese mais relatada é que uma pessoa pode ter sido infectada na África e transmitido para outros indivíduos fora do continente africano em aglomerações.

Isso pode ter acontecido principalmente porque o início da doença tem sintomas comuns e pode gerar confusões. "Pode acontecer da pessoa estar no início da sintomatologia, se sentindo um pouco mal, mas confundir com uma gripe, por exemplo, e passar adiante", diz Damaso.

Outra hipótese que pode ser investigada são casos assintomáticos, diz Bonorino. "Uma pergunta é: será que existe uma forma que não causa bolhas e por isso se espalhou mais rapidamente? Não sabemos."

Uma terceira suposição é de mutações no patógeno. Vírus de DNA como o monkeypox têm uma chance muito menor de sofrer alterações. Mesmo assim, essa possibilidade não deve ser descartada, diz Raquel Stucchi, infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

"Realmente o vírus não costuma ter mudanças, mas alguma coisa aconteceu nele para explicarmos essa explosão tão grande de casos."

E como é o tratamento?

O tecovirimat é um medicamento que pode ser usado no tratamento. Recentemente, um estudo publicado na The Lancet investigou o remédio em casos de monkeypox e viu um efeito positivo.

Outro medicamento é o brincidofovir, antiviral que já tem aprovação do FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) para tratamento da varíola.

No entanto, nenhum dos remédios está disponível no Brasil. "Até o momento, a Anvisa não recebeu solicitação de autorização para vacina ou medicamentos contra a varíola ou varíola do macaco", informa a agência em nota.

A Anvisa também afirma que é responsabilidade das farmacêuticas fazerem o pedido e ainda indica que é "possível autorizar a importação [...] em situações de emergência de saúde pública".

O que fazer a partir de agora?

Embora a situação seja atípica, as chances da varíola dos macacos se tornar uma pandemia são pequenas pela baixa capacidade de transmissão do vírus.

Mesmo assim, medidas precisam ser tomadas. Elas envolvem principalmente testar casos suspeitos da doença, isolamento nos positivados ou até o resultado do exame e aplicação de vacinas naqueles que tiveram contatos.

"É importante a população não ter pânico. Não é uma doença nova. Sabemos que existe há muito tempo e temos armas para combater", afirma Damaso. Ela também explica que os antivirais podem ser úteis para tratar casos mais graves da doença no país.

Além disso, as especialistas afirmam que o novo surto só chamou atenção quando a doença se espalhou para regiões mais ricas do mundo, como Estados Unidos e Europa, mas quando era endêmica somente na África não tinha tanto apelo.

O fato abre alerta para as chamadas doenças negligenciadas, aquelas sem tanto investimento para pesquisas científicas. "Nós nunca damos importância ao que acontece na África até que chegue ao mundo todo", conclui Stucchi.

04/06/2022 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/blogs/di%C3%A1logos/cuidado-com-quem-cuida-1.832724

Cuidado com quem cuida

O médico geriatra Leandro Minozzo, 38 anos, professor da Universidade Feevale, que tem mais de duas décadas de dedicação ao estudo de doenças que acometem a terceira idade, lança seu oitavo livro, “Como cuidar de um familiar com Alzheimer e não adoecer”, o quarto sobre o tema. Na obra, o foco central do autor não são especificamente os pacientes mas, sim, as pessoas que os acompanham e as suas jornadas, que também passam por sofrimento e pela necessidade de resiliência para enfrentar a situação. O especialista dá dicas como é possível diminuir o estresse do cuidador, seja familiar ou profissional, durante todo o processo, desde o diagnóstico até o cotidiano do tratamento.

O que o motivou a trabalhar e, posteriormente, se especializar nas pessoas com Alzheimer?

Sempre gostei dos “médicos de antigamente”, daqueles que faziam atendimentos demorados. Acabei me encantando pela Psiquiatria, mas foi na Geriatria que me identifiquei com aquelas consultas que prolongam o vínculo com os pacientes.

Depois de escrever livros sobre a doença, como surgiu a ideia de se centrar nos cuidadores?

As estatísticas são horríveis, dois terços dessas pessoas têm o chamado “estresse do cuidador”, mais de 60%, o que é muito prejudicial. A qualidade de vida fica ruim e os sintomas psicológicos e físicos que aparecem já são o da fase do esgotamento do estresse. Sendo assim, os indicadores de cuidado pioram: o paciente fica mais agitado, vai para o hospital, precisa de mais remédios. E esse estresse de cuidador é a porta de entrada para doenças sérias como depressão, insônia, ganho de peso, hipertensão arterial. No livro, mostro caminhos para prevenir este estresse, que conta com um luto mal resolvido.

O que é preciso fazer para tentar fugir do estresse do cuidador?

Um caminho que protege o familiar cuidador é a resiliência. Ele vai ficar chateado e, eventualmente, passar por crises, até porque a situação é difícil. Mas é possível obter uma capacidade de colocar um sentido na vida. O Alzheimer vem para as famílias como algo imprevisto e como um promotor de mudanças. Não tem como escapar, a mudança vai acontecer. O quanto antes o familiar conseguir ressignificar esse desafio, adaptar planos, sonhos e rotina, melhor. Buscar terapias, hobbies, se permitir ter diversão. E outro ponto importante é reduzir a sobrecarga. Muitas pessoas não estão aposentadas ou somente cuidando do familiar paciente, muitos têm que trabalhar, cuidar do relacionamento conjugal e dos filhos e, ainda, olhar pelo pai ou a mãe.

E aquelas famílias com uma rede menor de apoio, às vezes o idoso tem apenas um filho ou filha para cuidar dele.

Quando a família é pequena e/ou tem poucos recursos, o conhecimento sobre o Alzheimer e uma qualificação se tornam primordiais, além de ter um médico ou profissional de saúde que tenha uma resposta rápida. Assim como ocorre com outras doenças, já sabemos o que vai acontecer: as fases pré-clínica, inicial, moderada e, assim por diante. Se o familiar estiver preparado, pode evitar crises e responder com mais agilidade. Há modelos de assistência ao Alzheimer testados no mundo todo. Um deles, por exemplo, é o reativo, muito centrado na figura de ir ao médico somente após acontecer um surto, um esquecimento do nome de alguém importante na família ou uma queda. Porém, o cuidado de alta qualidade, reconhecido internacionalmente, é o proativo. É saber que pode acontecer, preparar o familiar, que tipo de resposta ele tem que dar. É a dica para uma família ter estratégias para que evitem, ao máximo, o sofrimento.

Como o Brasil se situa no contexto do Alzheimer?

Temos muita dificuldade com diagnósticos. Segundo os mais recentes estudos, temos 700 mil idosos com quadro demencial, mas que ainda não foram diagnosticados. A América Latina é o lugar do mundo onde ocorre o maior número de casos de demência, geograficamente não estamos em uma região favorável. Este dado tende a aumentar. Da população desta faixa etária, 8% tem quadro demencial e 14% tem o quadro de transtorno neurocognitivo leve. Temos uma cultura no país de que o idoso ficar “esquecido” é normal. Até alguns profissionais de saúde têm essa visão. O ponto interessante é quebrar esse mito. Geralmente, em média, a família brasileira demora dois anos para buscar ajuda. Na pandemia, este tempo reduziu pelo maior convívio com os pais dentro de casa.

E como estão os profissionais de saúde? Preparados para lidar com a doença no dia de hoje? Temos estrutura suficiente para a demanda?

Agora está tramitando no Senado a Lei Nacional do Alzheimer, a partir de uma mobilização que fizemos após o lançamento do meu livro “Como enfrentar o Alzheimer e outras demências”, em 2019. Lei estadual foi aprovada em março, justamente com este enfoque. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a demência e o Alzheimer como problemas de saúde pública urgente. Temos metas para cumprir, uma delas é capacitar médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros, para tratar destes pacientes. No RS, somos privilegiados em ter o Instituto do Cérebro da PUC (InsCer), um dos poucos lugares no país que faz o mais novo exame para avaliar as placas. Temos bons especialistas no Hospital de Clínicas, Santa Casa, Conceição ou São Lucas da PUC, são lugares de referência, em comparação com outros lugares. Mas, em geral, no Brasil, temos dificuldades, não só em relação à demência, mas também com outras doenças comuns a idosos. Por exemplo, para tratar a depressão deles, os dois medicamentos disponíveis no SUS, nós da Geriatria não recomendamos que sejam utilizados, a fluoxetina e amitriptilina, porque podem dar problemas em idosos e há remédios melhores. Somos pouquíssimos geriatras no Brasil, menos de 1,5 mil, faltariam outros 2 ou 3 mil para dar conta. No RS são menos de 150. E, nas faculdades, foi de um tempo para cá que a Geriatria é disciplina obrigatória. Me formei na UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) em 2007 e não tive nenhuma aula de Geriatria.

Como a pandemia influenciou na assistência a pessoas com Alzheimer?

É um período de sofrimento para todo mundo. Os idosos perderam massa muscular, começaram a ter mais dores ortopédicas. Há exceções, daqueles que decidiram fazer exercícios em casa, mas grande parte deles teve prejuízo global, influenciando no humor, no propósito na vida. Muitos sobreviveram e tiveram que aprender de novo. Eles sofreram por eles e pelos outros. As perdas por quem se foi e as sequelas de quem ficou. As pessoas com Alzheimer que contraíram Covid-19 tiveram um impacto cerebral e ficaram com ansiedade, mais esquecimento e a brain fog (nuvem cerebral). Vamos ver o quanto será reversível ou não. Quem ficou muito em casa teve mais alterações de comportamento e insônia. Os cuidadores foram heróis, preocupados em cuidar dos pacientes e não transmitir Covid-19 a eles.

O que fazer quando surgem estes primeiros sinais de que uma pessoa possa estar com Alzheimer?

É quando erros graves começam a acontecer. Outras pessoas percebem e avisam a família. De uns anos para cá, o conhecimento sobre esta e outras demências. Há filhos e netos que chegam a ficar “neuróticos” e já levam os idosos para as consultas, o que é bom. Entre os sinais mais conhecidos está se perder na rua, guardar objetos e não lembrar onde, fazer perguntas de maneira repetitiva, esquecer de uma situação que ocorreu no dia anterior. Isso faz o familiar se assustar. Muita gente acha que a memória antiga não estar preservada é um traço de demência. É o contrário, é a memória recente, mesmo a lembrança mais remota estando intacta. Se houver casos anteriores na família, aumenta o risco de acontecer novamente, mas levamos mais em consideração quando são mais de dois e se são casos precoces, antes dos 65 anos. Aí é o perfil de Alzheimer mais familiar. Mas entre 90% e 95% das situações, não está no fator hereditário a explicação.

Idosos nesta condição podem dirigir? Tomam banho sozinhos? Qual o grau de independência que ainda podem ter?

Estas situações citadas, assim como cozinhar, tomar remédios ou morar sozinho, são questões que envolvem muitos desgastes ao cuidador e à família, que precisa buscar ajuda e aprender sobre a doença para aceitá-la. É preciso superar a negação sobre o Alzheimer, é um desafio que aparece muito no consultório. Poucos exames são confirmatórios, mas que já excluem outras doenças. Ao vencer a negação, o cuidador já descobre que precisa tomar conta do familiar doente. E, a partir daí, ter o equilíbrio para entender o que o paciente pode ou não fazer. Quando os riscos forem maiores à capacidade que o idoso apresentar, a família deve protegê-lo. Se um paciente tem Alzheimer e é diabético, por exemplo, não pode tomar insulina por conta própria. O seu cérebro não desliga de uma hora para outra. Ele preserva algumas memórias e traços da sua personalidade, mas não percebe.

Está correto dizer, então, que existe o termo ‘princípio de Alzheimer’, como muitas pessoas costumam falar?

Sim, é a doença em sua fase inicial. Inclusive, existe o Alzheimer em uma fase pré-doença. Em um exame, é possível que há uma quantidade maior das placas beta-amilóides (proteína que provocam a doença). Pessoas que têm um quadro de transtorno neurocognitivo leve, que é o quadro pré-demencial, até conseguem exercer muitas das suas atividades comuns. Muitas pessoas acima dos 60 anos, que ficam mais confusos e precisam utilizar agenda para não perderem compromissos, até ‘funcionam sozinhos’. Até podem morar sozinhos e dirigir. Mas, quando não perdem muito a atenção, memória, dificuldade de se localizar e faz com que tenha que parar de trabalhar, aí entra no quadro demencial. A partir da fase moderada, já demanda um cuidador.

02/06/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/06/impactos-do-bloqueio-de-145-no-orcamento-de-universidades-federais-vao-de-reformas-canceladas-a-nao-pagamento-de-luz-e-agua-cl3xjtn18003j0167t8jwyt30.html

Impactos do bloqueio de 14,5% no orçamento de universidades federais vão de reformas canceladas a não pagamento de luz e água

Reitores estimam consequências da decisão do governo federal, que pode, segundo eles, afetar o funcionamento diário das instituições de Ensino Superior do Estado

Um bloqueio de R$ 3,2 bilhões no orçamento do Ministério da Educação (MEC), anunciado na sexta-feira pelo governo federal, vai atingir em cheio o caixa das universidades e institutos federais do país. O corte, de 14,5%, será aplicado linearmente, ou seja, de maneira uniforme, a cada universidade, instituto ou entidade ligada ao MEC.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Marcus David, o valor bloqueado já deixou de aparecer na conta das instituições federais.

— O governo federal pode, a qualquer momento, pegar o orçamento bloqueado e transferir para outra despesa orçamentária. Estamos sensibilizando os deputados para, através de uma ação política no Congresso, reverter essa ação — diz David.

Se o valor de fato for retirado, ficará difícil cumprir com despesas básicas, alertam reitores de universidades do Rio Grande do Sul ouvidos pela reportagem. São contratos como serviços de limpeza, vigilância e motorista, além de contas de água e luz e até insumos para aulas em laboratórios, por exemplo.

— Geralmente, esses bloqueios e cortes acontecem no começo do ano, quando o governo vai prever o orçamento. Só que agora, na metade do ano, já havíamos contratado tudo. Teremos de rever os contratos — lamenta o reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Luciano Schuch.

O governo diz que o contingenciamento é necessário para cumprir o teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas públicas.

Veja a seguir como o bloqueio deve impactar cada uma das federais gaúchas, de acordo com seus reitores.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

A assessoria de imprensa da UFRGS informou que, em função de um compromisso, o reitor Carlos André Bulhões não poderia conceder entrevista falando sobre o bloqueio no orçamento da universidade. Também não informou o valor que deixará de constar para a instituição neste ano. Questionada se poderia indicar outra pessoa para falar no lugar do reitor, a assessoria não respondeu à solicitação.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

De acordo com a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, o bloqueio no orçamento da universidade será de R$ 4,69 milhões e vai impossibilitar reformas em dois prédios, que estavam previstas para este ano.

Um deles é onde funciona a Clínica da Família, localizada na Rua da Conceição, com foco no atendimento à população do Centro. O outro é na Rua Sete de Setembro, que seria destinado à realização de cursos de extensão.

Gastos com manutenção devem ser cumpridos, estima a reitora, ressaltando, contudo, que um bloqueio anunciado na metade do ano desorganiza qualquer planejamento.

Por enquanto, estamos conseguindo segurar as despesas com manutenções. O mais complicado é que a gente não consegue se planejar. Fazemos um orçamento certinho no ano anterior, o Congresso aprova, a gente faz as contratações, mas chega no meio do ano e nos dizem que não poderemos pagar os contratos. É muito complicado — lamenta Lucia.

(Confira sobre as demais universidades no link acima)

02/06/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/politica/2022/06/bolsonaro-bloqueia-r-5-bi-para-saude-ciencia-e-educacao-estamos-abrindo-mao-do-nosso-futuro/

Bolsonaro bloqueia R$ 5 bi para Saúde, Ciência e Educação: ‘Estamos abrindo mão do nosso futuro’

Dos R$ 8,2 bilhões que serão bloqueados do orçamento, 65,8% correspondem a essas três áreas

No fim de maio, um bloqueio de R$ 8,2 bilhões do orçamento federal de 2022 foi anunciado pelo Ministério da Economia. Segundo a Instituição Fiscal Independente, órgão do Senado, esse corte afeta, principalmente, os ministérios de Ciência e Tecnologia, Educação e Saúde, que respondem por R$ 5,4 bilhões do bloqueio, cerca de 65,8% do total.

Confira o corte para cada uma das pastas:

Educação: R$ 2 bilhões

Ciência: R$ 1,8 bilhão

Saúde: R$ 1,6 bilhão

O levantamento foi feito com base em um decreto publicado na terça-feira (31) no Diário Oficial da União. A justificativa é de que os cortes orçamentários seriam necessários para garantir que não se alcance o teto de gastos.

No dia 27, o governo já havia anunciado ao Ministério da Educação (MEC) que bloquearia R$ 3,2 bilhões da verba, ou 14,5% do orçamento previsto para a pasta em 2022, afetando universidades e institutos federais. Esse corte, ainda maior do que o anunciado no decreto, seria necessário para o reajuste nos salários dos servidores, que pode ser de 5%, mas não está confirmado pelo governo. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impõe o prazo de até o final deste mês para a definição do reajuste, por isso a equipe econômica pediu que ministérios bloqueassem um valor maior.

O bloqueio acontece no ano letivo em que a maioria das instituições de ensino federais retoma as atividades presenciais na sua plenitude. “A pandemia deixou sequelas importantes no processo de aprendizagem dos nossos estudantes, estamos cientes disso e estamos fazendo o nosso melhor para recuperar tudo que deixou de ser feito na pandemia, mas para isso precisamos do nosso orçamento na sua totalidade”, diz o reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Júlio Xandro Heck.

Heck relata, ainda, que as instituições já haviam passado por restrições e limitações há algum tempo. Os custos fixos aumentaram, mas o orçamento não foi proporcional, todos ajustes internos possíveis para otimização de processos já foram feitos, como a contratação mínima de terceirizados para limpeza e segurança.

Na prática, os Institutos Federais terão recursos para apenas dez meses de funcionamento. As bolsas que garantem a qualidade do tripé ensino, pesquisa e extensão ficarão comprometidas, e podem deixar de ser pagas em algum momento do ano. As políticas contra a evasão escolar também serão afetadas, uma vez que o pagamento da assistência estudantil é o que garante a permanência dos estudantes mais vulneráveis.

“O que pode ser feito é um desbloqueio do orçamento, nada diferente disso vai resolver. Não acho nada inteligente o país fazer economia com recursos da educação, ao fazê-lo, estamos abrindo mão do nosso futuro. Esperamos muito que isso possa ser revertido em breve”.

Lucia Campos Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que a maioria das universidades federais terá o funcionamento afetado, inclusive em questões básicas, como a manutenção, contas de água e luz. As atividades que envolvem atendimento à comunidade também serão comprometidas. “Vamos ter que reduzir bastante o andamento desses projetos, gerando um prejuízo muito grande, não só para os nossos estudantes, que têm esses locais de prática, como para a população de Porto Alegre”, explica.

Crise nos municípios

Pouco mais de dois anos depois do início da pandemia de covid-19 e de seus impactos no sistema de saúde, o setor também está entre os mais atingidos pelo bloqueio de verbas do governo federal. Uma reunião realizada na quarta-feira com 14 secretários de Saúde da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) expôs parte dos problemas que vêm sendo enfrentados pelos municípios no Estado. De forma unânime, eles relataram emergências lotadas, falta de insumos e de profissionais para contratação e orçamentos estourados.

Para Rodrigo Battistella, prefeito de Nova Santa Rita e presidente da Granpal, retirar verbas federais da saúde coloca em risco a vida e delega somente aos gestores municipais a responsabilidade de cuidar de suas populações com recursos próprios.

“Todos já estão operando com um orçamento de saúde muito maior do que aquilo que a Constituição cobra”, relata. A destinação de recursos em saúde nas contas municipais é de 15% do orçamento, segundo a Constituição Federal; muitos municípios já ultrapassaram esse índice, chegando a comprometer 42% do orçamento. Os motivos seriam justamente o congelamento do repasse federal e os cortes em razão da covid-19.

Atos pelo Brasil

Na próxima quinta-feira (9), estudantes e trabalhadores de todo o país realizam atos de protesto contra os cortes na educação pública. Em Porto Alegre, o ponto de encontro será a Faculdade de Educação da UFRGS, às 17h. O ato é liderado pela ASSUFRGS Sindicato, que convoca toda a comunidade da UFRGS, IFRS e UFCSPA para participar da mobilização.

02/06/2022 – Brasil de Fato

Link: https://www.brasildefato.com.br/2022/06/02/butantan-entrega-documentos-para-a-aprovacao-da-coronavac-em-criancas-de-3-a-6-anos

Butantan entrega documentos para a aprovação da Coronavac em crianças de 3 a 6 anos

Faixa etária ainda não foi vacinada; pedido é o terceiro feito à Anvisa

O Instituto Butantan de São Paulo entregou nesta quarta (1º) à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) os documentos solicitados em abril para a autorização da vacina Coronavac em crianças de 3 a 6 anos. À época, a Anvisa pediu ao Butantan esclarecimento de seis pontos sobre a proteção, efetividade, imunogenicidade, segurança e dados atualizados sobre a fase três de estudos clínicos em países que já aplicam o imunizante nessa população. A Anvisa vai realizar reunião com representantes de Sociedades Médicas na próxima quarta-feira (8) para discutir os documentos.

De acordo com o Instituto Butantan, não há mais pendências relativas aos estudos da Coronavac com a Anvisa. O primeiro pedido de aprovação da Coronavac para crianças e adolescentes foi realizado em julho de 2021, mas rejeitado em agosto. Na época, a Anvisa cobrou estudos de fase 3, que demonstram a eficácia da vacina. 

Em dezembro de 2021, o Instituto Butantan pediu novamente a aprovação da Coronavac para a população entre 3 e 11 anos, aprovado em janeiro de 2022, mas apenas para crianças de 6 a 11 anos. A agência considerou que não havia dados suficientes para a aprovação do imunizante em crianças menores.

Inação do Ministério da Saúde

A demora de quase um ano para a aprovação da Coronavac para crianças de 3 a 6 anos é um exemplo da inação do Ministério da Saúde, de acordo com Claudio Maierovitch, ex-presidente da Anvisa e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Ele explica que a agência precisa ter segurança para aprovar novas vacinas e medicamentos.

“A aprovação depende de dados confiáveis de segurança, eficácia, qualidade e monitoramento do fármaco”, explica Maierovitch. O grande ausente desse processo todo, desde o início, foi o Ministério da Saúde”, diz.

Maierovitch afirma que, historicamente, o Ministério da Saúde sempre atuou para facilitar a aprovação de fármacos importantes para a população. “Não se trata do interesse de uma empresa em vender vacina ou do interesse de uma agência em estabelecer seus quesitos regulatórios, mas de interesse público. Estamos em uma emergência de saúde pública de importância internacional”, afirma. “Poderia haver comitês regulatórios conjuntos, câmaras técnicas e até financiamento dos estudos necessários para a aprovação da vacina, mas o órgão se absteve”, completa.

Eficácia contra hospitalização

Um estudo publicado em maio pela revista Nature, realizado pelo Ministério da Saúde do Chile em parceria com 12 instituições do país, demonstrou que a eficácia da Coronavac para evitar hospitalizações de crianças de 3 a 5 anos é de 64,6%. Já a proteção contra a doença sintomática é de 38,2%.

"O objetivo principal de uma vacina é tirar as pessoas dos hospitais, e a Coronavac demonstrou ter esse efeito", diz Cristina Bonorino, bióloga, imunologista, professora titular da Universidade Federal de Ciencias da Saude de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). "O dado sobre proteção contra a infecção sintomática é mais difícil de ser avaliado, já que nessa faixa etária a covid costuma ter sintomas leves e as crianças nem sempre sabem relatar os sintomas", explica.