02/03/2023 - UNA-SUS

https://www.unasus.gov.br/noticia/matriculas-abertas-para-nova-oferta-do-curso-prevencao-da-transmissao-vertical-do-hiv-aids-hepatites-virais-e-sifilis

Matrículas abertas para nova oferta do curso Prevenção da Transmissão Vertical do HIV/AIDS, Hepatites Virais e Sífilis

O conteúdo é apresentado de forma interativa, por meio de vídeos, podcast e casos complexos contextualizados em cidade virtual.

A Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) está com matrículas abertas para a nova oferta do curso online Prevenção da Transmissão Vertical do HIV/AIDS, Hepatites Virais e Sífilis, produzido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), instituição integrante da Rede UNA-SUS.

A capacitação é aberta a estudantes e todas as categorias profissionais da saúde, gratuita e tem início imediato. As matrículas podem ser realizadas até o dia 31 de janeiro de 2024, pelo link.

Com carga horária de 70h, divididas em quatro módulos, a capacitação oferece as ferramentas necessárias para que profissionais de saúde dos diferentes níveis de atenção atuem na identificação, rastreio, manejo e prevenção desses agravos. Além disso, estarão alinhados com os processos, protocolos e as linhas de cuidado.

O conteúdo é apresentado de forma interativa, por meio de vídeos, podcast e casos complexos contextualizados em cidade virtual.

Para a coordenadora da UNA-SUS/UFCSPA Aline Soares, com a realização do curso, os profissionais estarão preparados para atuarem localmente, de acordo com a sua realidade e realizando o planejamento das ações de saúde com o objetivo de prevenir a transmissão vertical dessas enfermidades.

A unidade introdutória tem carga horária de 10h e aborda Políticas Públicas, Rede de Atenção e Processo de Trabalho; as demais, focam respectivamente na prevenção da transmissão vertical da Sífilis (20h), Hepatites Virais (15h) e HIV/AIDS (25h).

Para saber mais sobre este e outros cursos UNA-SUS, acesse www.unasus.gov.br/cursos.

 

02/03/2023 - Portal da Saúde Piauí

http://www.saude.pi.gov.br/noticias/2023-03-02/11642/teresina-recebe-mutirao-para-pesquisa-de-sobre-o-impacto-da-vacinacao-contra-o-hpv.html

Teresina recebe mutirão para pesquisa de sobre o impacto da vacinação contra o HPV

O objetivo do estudo é avaliar o impacto da vacinação contra o HPV em todas as capitais do país.

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), em parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), realiza neste sábado (4) um mutirão para coleta de dados e exames para detecção do HPV em adolescentes de 16 a 25 anos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Santa Isabel, localizada no bairro Morada do Sol, na zona Leste de Teresina

O Estudo de Prevalência do Papilomavírus no Brasil (POP Brasil) é uma iniciativa do Ministério da Saúde, do Hospital Moinhos de Vento (RS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em parceria com as secretarias municipais de saúde das capitais brasileiras e secretarias estaduais de saúde.

O objetivo do estudo é avaliar o impacto da vacinação contra o HPV em todas as capitais do país. Para participar da pesquisa, a pessoa responde a um questionário sobre suas características pessoais e seu estado de saúde e realiza um exame para detecção da doença. Todos os dados fornecidos serão mantidos em sigilo.

A coleta de dados na capital piauiense acontece até o mês de abril, nas UBS dos bairros Angelim, Esplanada, Santa Isabel, Renascença e na comunidade rural Boquinha. Depois desse período as informações serão consolidadas e enviadas para análise dos pesquisadores do Ministério da Saúde e da UFCSPA.

Disponibilizada gratuitamente em toda a rede de atenção básica, a vacina HPV é eficaz e protege homens e mulheres contra várias doenças, como a redução em 70% para o risco de cancer de colo de útero, 90% câncer anal, 63% do câncer de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres de orofaringe e 90% das verrugas genitais.

28/02/2023 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2023/02/destinada-ao-diagnostico-e-a-pesquisa-de-doencas-raras-casa-dos-raros-inicia-oficialmente-suas-atividades-cleont62800al017lmp5mqexb.html

Destinada ao diagnóstico e à pesquisa de doenças raras, Casa dos Raros inicia oficialmente suas atividades

Espaço idealizado pelo médico geneticista e professor Roberto Giugliani começa a operar nesta quarta-feira (1°) com registro de interesse de pacientes

Sonho do médico geneticista e professor Roberto Giugliani, a Casa dos Raros materializou-se em um prédio de quatro andares no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, que inicia oficialmente suas atividades a partir desta quarta-feira (1°), quando começa a receber registro de interesse de pacientes. O propósito é grande: ser o primeiro centro exclusivo para diagnóstico e pesquisa de doenças raras da América Latina, além de treinamento de profissionais.

Referência no assunto, Giugliani, que é docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e médico do Hospital de Clínicas, idealizou o projeto ainda em 2017, mas precisou aguardar o período mais severo da pandemia de covid-19 para finalizar o espaço de 2.200 metros quadrados inteiramente destinado a esse tipo de enfermidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em torno de 6% da população mundial é acometida por alguma doença rara. No Brasil, são 13 milhões de pessoas e no Rio Grande do Sul, cerca de 700 mil, estima o professor.

Como a identificação de uma doença rara e seu respectivo tratamento são de difícil acesso tanto pelo sistema público de saúde quanto privado, a Casa dos Raros promete dar agilidade a pacientes SUS e convênios. Por ora, o espaço não irá funcionar de portas abertas, mas pessoas com suspeita ou até mesmo já diagnosticadas podem manifestar interesse no site crd.org.br. Uma equipe irá avaliar cada caso e retornar o contato agendando uma consulta ou oferecendo orientações.

— Pacientes com doenças raras ficam perdidos no sistema de saúde, peregrinando em busca de atendimento, e costumam esperar até dois anos para conseguirem uma consulta. Depois, mais um ano para realizar um exame. Queremos fazer a diferença, dando um diagnóstico e traçando um plano de tratamento que pode ser conduzido em outras unidades de saúde — diz Giugliani, que é cofundador da Casa dos Raros.

Como não há tratamento para a maioria das doenças raras - o percentual de casos tratáveis varia de 5% a 10%, sendo que o restante requer apenas manejo e cuidados -, o espaço também funcionará para dar acolhimento e orientações a pacientes e familiares. Uma das grandes propostas é capacitar estudantes e profissionais da saúde para lidar com essas enfermidades e até mesmo para fazer pesquisas na área.

O prédio conta com sete consultórios e três laboratórios, sendo que um pertence à Dasa Genômica, especializada em exames genéticos e genômicos. O outro é de biossegurança, reservado ao manejo de materiais perigosos como vírus, e o terceiro destinado não só ao diagnóstico de doenças, mas também a estudos feitos em parceria com alunos de universidades como UFRGS, Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e instituições integrantes do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung).

Um tratamento inicial a quem chegar à Casa dos Raros será realizado em uma enfermaria equipada com cinco leitos, sem opção de internação. Posteriormente, a terapia poderá ser levada adiante pelas equipes de saúde das unidades de referência dos pacientes - profissionais que podem até mesmo receber capacitação no espaço, se houver necessidade.

— A ideia é que nessa enfermaria a gente antecipe o início do tratamento e o faça o mais rápido possível, até que o local de origem do paciente esteja preparado para seguir com a terapia — explica Larissa Pozzebon, enfermeira da Casa dos Raros.

Há 50 anos empenhado em desvendar as doenças raras, Giugliani acredita que a Casa dos Raros pode até mesmo aumentar o índice de pacientes tratáveis.

— Somos o primeiro centro da América Latina destinado exclusivamente para atendimento e educação em doenças raras. Queremos aumentar de 10% a 20% o percentual de pacientes com chances de tratamento — reforça.

O prédio é inovador por ser um modelo arquitetônico sustentável, com iluminação natural, reutilização de água da chuva, telhado verde, energia limpa, bicicletário e tomada para carros elétricos. O investimento foi de cerca de R$ 20 milhões, valor oriundo de doações físicas e de empresas. Para funcionar, a Casa dos Raros, terá convênios com o Sistema Único de Saúde (SUS) e seguradoras de saúde. Mas o projeto segue recebendo doações da comunidade, que pode destinar recursos pelo site cdr.org.br.

27/02/2023 – Portal da Câmara Municipal de Porto Alegre

Link: https://www.camarapoa.rs.gov.br/noticias/camara-concede-comenda-porto-do-sol-a-lucia-campos-pellanda

Câmara concede Comenda Porto do Sol à Lucia Campos Pellanda

Na tarde desta segunda-feira (27/02), a Câmara Municipal de Porto Alegre entregou a Comenda Porto do Sol à reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Campos Pellanda. A homenagem foi de autoria do vereador Giovani Culau e Coletivo (PCdoB).

Culau destacou os esforços realizados pela UFCSPA durante a pandemia de Covid-19, como a ampliação da testagem, a distribuição de álcool em gel e o atendimento à demanda crescente. Conforme o vereador, em um momento marcado pelo obscurantismo, a reitora foi voz importante na defesa da vacina como a solução efetiva e eficaz no enfrentamento à pandemia. “Hoje, nós prestamos um agradecimento e um reconhecimento que é coletivo. Um agradecimento da luta em defesa da educação, num momento em que a educação foi tratada como balbúrdia. E também pela defesa da vida diante de um projeto de morte”, salientou o parlamentar.

A homenageada agradeceu e falou sobre o trabalho da Universidade durante a pandemia. Segundo Lucia, foi um período de desafios, dúvidas e tristeza, mas também de descoberta de recursos, de resiliência e força. De trabalho intenso e de reafirmação do compromisso com a saúde e com a educação.

Para a reitora, as universidades são fundamentais ao desenvolvimento do país, à produção de ciência e diálogo com a sociedade. “Quanto maior o desenvolvimento humano e tecnológico do país, mais soluções para os nossos principais desafios. Mais qualidade de vida, mais atração de investimentos, é um círculo vicioso. Educação não é gasto, educação é investimento”, enfatizou.

26/02/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/cidades/c%C3%A2mara-concede-comenda-porto-do-sol-%C3%A0-lucia-campos-pellanda-1.993137

Câmara concede Comenda Porto do Sol à Lucia Campos Pellanda

Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) recebeu homenagem proposta pelo vereador Giovani Culau e Coletivo (PCdoB)

A Câmara Municipal de Porto Alegre entregou, nesta segunda-feira, a Comenda Porto do Sol à reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Campos Pellanda. A homenagem foi de autoria do vereador Giovani Culau e Coletivo (PCdoB). O parlamentar destacou os esforços realizados pela UFCSPA durante a pandemia de Covid-19, como a ampliação da testagem, a distribuição de álcool em gel e o atendimento à demanda crescente.

Conforme o vereador, em um momento marcado pelo obscurantismo, a reitora foi voz importante na defesa da vacina como a solução efetiva e eficaz no enfrentamento à pandemia. “Hoje, nós prestamos um agradecimento e um reconhecimento que é coletivo. Um agradecimento da luta em defesa da educação, num momento em que a educação foi tratada como balbúrdia. E também pela defesa da vida diante de um projeto de morte”, salientou o parlamentar.

A homenageada agradeceu e falou sobre o trabalho da Universidade durante a pandemia. Segundo Lucia, foi um período de desafios, dúvidas e tristeza, mas também de descoberta de recursos, de resiliência e força. De trabalho intenso e de reafirmação do compromisso com a saúde e com a educação.

Para a reitora, as universidades são fundamentais ao desenvolvimento do país, à produção de ciência e diálogo com a sociedade. “Quanto maior o desenvolvimento humano e tecnológico do país, mais soluções para os nossos principais desafios. Mais qualidade de vida, mais atração de investimentos, é um círculo vicioso. Educação não é gasto, educação é investimento”, enfatizou. Lucia Campos Pellanda é médica, doutora em Ciências da Saúde (Cardiologia), professora de Epidemiologia da UFCSPA. Está cumprindo seu segundo mandato como reitora.

A UFCSPA foi transformada em universidade em 2008, através de um decreto do Ministério da Educação. Antes atuava como Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (FFFCMPA), desde sua federalização em 1980. Foi originalmente criada pela Santa Casa como Faculdade Católica de Medicina.

26/02/2023 – Rádio Guaíba

Link: https://guaiba.com.br/2023/02/26/rs-tem-580-vagas-abertas-em-concursos-publicos/

RS tem 580 vagas abertas em concursos públicos

Salário chegam até R$ 20 mil

Os concursos públicos no Rio Grande do Sul têm 580 vagas em todo o Estado. São, ao menos, 20 processos em aberto, com diferentes prazos de inscrição. O concurso com maior número de postos disponíveis no RS é o da Prefeitura de Casca: 149. Os salários chegam a R$ 15.773,84 e as inscrições devem ser feitas até 3 de março, pelo site da Fundatec, com taxas entre R$ 49,90 e 109,90.

Os maiores salários estão previstos no edital do concurso para a Prefeitura de Candelária. São rendimentos que ultrapassam os R$ 20 mil, para o preenchimento de cadastro reserva. No concurso para a Prefeitura de Pinhal os salários também estão entre os mais altos, chegando a mais de R$ 17 mil. Também é um dos certames que ofertam o maior número de vagas, com 74 em aberto.

Confira outros concursos abertos no RS:

(...)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Número de vagas: 2

Remuneração: até R$ 9.616,18

Situação: inscrições até 3 de março

Informações: Cargos – vagas no Magistério de Ensino Superior para lotação no Departamento de Educação e Humanidades e no Departamento de Clínica Médica: disciplinas de Pedagogia (1) e Medicina interna (1). Inscrições, com taxas variam entre R$ 130 e R$ 175.

(...)

26/02/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/economia/rs-tem-580-vagas-abertas-em-concursos-p%C3%BAblicos-1.991984

RS tem 580 vagas abertas em concursos públicos

Salário chegam até R$ 20 mil

Os concursos públicos no Rio Grande do Sul têm 580 vagas em todo o Estado. São, ao menos, 20 processos em aberto, com diferentes prazos de inscrição. O concurso com maior número de postos disponíveis no RS é o da Prefeitura de Casca: 149. Os salários chegam a R$ 15.773,84 e as inscrições devem ser feitas até 3 de março, pelo site da Fundatec, com taxas entre R$ 49,90 e 109,90.

Os maiores salários estão previstos no edital do concurso para a Prefeitura de Candelária. São rendimentos que ultrapassam os R$ 20 mil, para o preenchimento de cadastro reserva. No concurso para a Prefeitura de Pinhal os salários também estão entre os mais altos, chegando a mais de R$ 17 mil. Também é um dos certames que ofertam o maior número de vagas, com 74 em aberto.

Confira outros concursos abertos no RS:

(...)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Número de vagas: 2

Remuneração: até R$ 9.616,18

Situação: inscrições até 3 de março

Informações: Cargos – vagas no Magistério de Ensino Superior para lotação no Departamento de Educação e Humanidades e no Departamento de Clínica Médica: disciplinas de Pedagogia (1) e Medicina interna (1). Inscrições neste link, clicando no link indicado para público externo e realizando cadastro no sistema em até 48 horas antes de findar o prazo de inscrições. As taxas variam entre R$ 130 e R$ 175.

(...)

24/02/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/acad%C3%AAmicos-iniciam-novo-semestre-letivo-no-rs-1.992041

Acadêmicos iniciam novo semestre letivo no RS

Tradicionais atividades de recepção, que incluem shows e oficinas, marcam o momento de reencontros e novos aprendizados de jovens

Após o retorno dos ensinos Infantil, Fundamental e Médio, agora é a vez dos acadêmicos gaúchos voltarem às universidades e faculdades. A retomada dos calendários letivos de 2023 acontece neste mês, em especial na próxima semana, garantindo as tradicionais atividades de recepção, que incluem shows, oficinas, ações culturais e de integração. Nesta semana, Ulbra, Unisc e Feevale já receberam novamente seus alunos, cheios de expectativas para o semestre.

Na segunda-feira (27), será a vez da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), em Porto Alegre, darem início ao ano letivo.

No ano em que celebra seus 75 anos, a PUCRS receberá os graduandos e pós-graduandos com atividades especiais, que seguirão até 30 de março. Haverá um espetáculo idealizado pela atriz Denise Fraga, peças teatrais, curso de violão e aconselhamento de carreira. Programação completa neste link.

Na Universidade do Vale do Taquari (Univates), em Lajeado, que retornou quarta-feira (22), as ações seguem até 28 de fevereiro. A programação é gratuita, e está disponível neste link. Na Universidade de Caxias do Sul (UCS), o semestre começará na próxima  quarta-feira (1º), e será celebrado com o Festival Vem pra UCS. No campus sede, em Caxias, haverá show da banda Maskavo e atrações gratuitas no dia 5 de março, das 15h às 22h. O evento também ocorrerá no Campus Universitário da Região dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, no dia 4 de março, às 16h30min.

No dia 1º de março haverá o evento de volta às aulas para os alunos da UPF no Campus Passo Fundo, que retornaram em 14 de fevereiro. Também iniciam na próxima quarta, as aulas de mestrado e doutorado da instituição.

A Universidade La Salle, em Canoas, terá recepção na quarta-feira (1º), dia que marca o retorno dos cursos presenciais e à distância (EAD). Às 18h30min vão acontecer atividades musicais e, após, encontro de boas-vindas no Salão de Atos. Alunos de EAD contarão, dia 6 de março, com encontro de boas-vindas on-line.

Na Universidade Estadual do RS (Uergs), com sede em Porto Alegre, o retorno ao 1º semestre letivo do ano será em 6 de março. Duas semanas depois, no dia 20 de março, será a vez dos alunos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Bagé; e de veteranos da Universidade Federal das Ciências da Saúde (UFCSPA), em Porto Alegre. Os calouros da UFCSPA vão iniciar os estudos no dia 3 de abril.

No Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter), o retorno da graduação foi em 23 de fevereiro, enquanto o da pós-graduação será na próxima segunda-feira (27). Nas Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), o início será em 1º de março. Na Unijuí, os campi estão organizando diferentes atividades de recepção, que iniciaram em 22 de fevereiro, em Ijuí e Santa Rosa, que voltam a ter programação especial em 28. No dia 27, será a vez de Três Passos. Para encerrar, em 2 de março, a movimentação será em Panambi.

24/02/2023 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2023/02/semestre-letivo-recomeca-nas-universidades-privadas-da-regiao-metropolitana-de-porto-alegre-cleizkg8a0011017lebl8guqc.html

Semestre letivo recomeça nas universidades privadas da região metropolitana de Porto Alegre

Instituições federais da Capital seguem com cronogramas alterados devido a atrasos causados pela pandemia

É tempo de retornar aos estudos também no Ensino Superior. As universidades privadas da região metropolitana de Porto Alegre já retornaram às aulas ou devem iniciar o novo semestre letivo na próxima semana. Confira o calendário de retorno das principais instituições:

A Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) retomam as atividades na segunda-feira (27). A Atitus Educação retoma suas aulas na terça-feira (28), enquanto o calendário acadêmico da Unilasalle tem seu início marcado para quarta-feira (1°).

Outras instituições particulares já iniciaram o semestre letivo. É o caso da Universidade Feevale, na qual as atividades ocorrem desde quarta-feira (22). Já a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), o Centro Universitário Fadergs e a Uniritter têm aulas desde a quinta-feira (23). A retomada dos estudos nas instituições particulares de Ensino Superior inclui aulas presenciais e a distância.

Universidades federais seguem cronogramas ajustados pela pandemia

Por conta dos atrasos causados pela pandemia, as universidades federais com campus na Capital seguem calendários ainda com ajustes. O semestre 2022/2 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) iniciou em novembro do ano passado e segue até abril de 2023. No fim do ano passado, a universidade divulgou que o semestre 2023/1 da instituição iniciaria apenas em maio.

Já a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) encerrou suas aulas para 2022/2 no fim de janeiro. O próximo semestre iniciará apenas no fim de março para veteranos e em abril para calouros.

23/02/2023 – Agência GBC

Link: https://agenciagbc.com/2023/02/23/incendio-atinge-complexo-hospitalar-santa-casa/

Incêndio atinge Complexo Hospitalar Santa Casa

A casa de máquinas, a lavanderia e uma cozinha foram atingidas

Um incêndio atingiu uma casa de máquinas no Complexo Hospitalar Santa Casa de Misericórdia, no centro de Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira (23). A estrutura fica entre o Hospital Santa Rita e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Além da casa de máquinas, a lavanderia e uma cozinha também foram atingidas.

O Corpo de Bombeiros utiliza três caminhões para combater às chamas, mas o fogo já está controlado. Ninguém se feriu e não há alteração no funcionamento do hospital.

23/02/2023 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2023/02/incendio-atinge-casa-de-maquinas-no-complexo-hospitalar-santa-casa-em-porto-alegre-cleh70o9k0033016m9t87b940.html

Incêndio atinge casa de máquinas no Complexo Hospitalar Santa Casa, em Porto Alegre

Estrutura fica junto ao Hospital Santa Rita; situação está controlada e não prejudica funcionamento da instituição

Correção: o incêndio começou em uma casa de máquinas, que fica sobre uma lavanderia, e não na lavanderia, como publicado entre 11h22min e 11h55min de 23 de fevereiro. O texto está corrigido.

Um incêndio atingiu uma casa de máquinas no Complexo Hospitalar Santa Casa de Misericórdia, no centro de Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira (23). O fogo teria iniciado por volta das 10h30min. A estrutura fica entre o Hospital Santa Rita e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Uma lavanderia e uma cozinha, próximas à casa de máquinas, também foram atingidas.

O Corpo de Bombeiros foi ao local com três caminhões, além de uma ambulância e um ônibus. Por volta das 11h, segundo a corporação e a assessoria do complexo hospitalar, o fogo estava controlado.

Ninguém se feriu e não há alteração no funcionamento nem do hospital, nem da universidade. Não houve ordem para evacuação, mas pessoas que estavam nos dois primeiros andares do Santa Rita deixaram o local, de forma espontânea, segundo os bombeiros, mas às 11h30min o retorno à normalidade já era possível.

— A parte da casa de máquinas, da lavanderia e da cozinha seguem interditadas — disse o oficial dos bombeiros Felipe Backes, que atuou na ocorrência.

Os espaços vão passar por perícia.

Brigada Militar e EPTC também estiveram no local. O atendimento da ocorrência chegou a complicar bastante o trânsito no entorno, mas às 11h30min havia somente bloqueio de uma faixa na Rua Sarmento Leite, junto ao hospital.

23/02/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/cidades/princ%C3%ADpio-de-inc%C3%AAndio-%C3%A9-controlado-na-santa-casa-em-porto-alegre-1.991199

Princípio de incêndio é controlado na Santa Casa, em Porto Alegre

Fogo originou-se na casa de máquinas da lavanderia

O 1º Batalhão de Bombeiros Militar (1º BBM) mobilizou três viaturas na manhã desta quinta-feira para combater um princípio de incêndio registrado no Complexo Hospitalar da Santa Casa, no Centro Histórico de Porto Alegre. O sinistro ocorreu por volta da 10h30min na rua Sarmento Leite, entre o Hospital Santa Rita e a sede da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Uma densa fumaça escura gerada pelo fogo, que espalhou-se pelos dutos, chamava a atenção até externamente.

“As guarnições conseguiram rapidamente apagar os focos”, resumiu o oficial de serviço do 1º BBM, capitão Felipe Backes. Ele disse que os pacientes e funcionários do 1º e do 2º pavimento do Hospital Santa Rita afastaram-se por precaução de onde estavam por se encontrarem mais próximos do prédio da lavanderia. Conforme o Complexo Hospitalar da Santa Casa, não houve o acionamento de nenhum protocolo de evacuação.

Policiais militares do 9º BPM prestaram apoio no entorno, além dos agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que bloquearam parcialmente o trecho da rua Sarmento Leite. Houve congestionamento nas imediações durante o atendimento da ocorrência.

Conforme a direção do Complexo Hospitalar da Santa Casa em nota oficial, o fogo foi registrado na casa de máquinas da lavanderia e foi “prontamente controlado”. “Felizmente, não há registro de feridos e não foi necessária a evacuação de pacientes de qualquer uma das unidades da Santa Casa. Os danos materiais são de pequeno porte e as causas ainda serão apuradas”, informou.

Inaugurada no ano passado, a lavanderia fica em um prédio próprio de dois andares. O setor é responsável por lavar e higienizar por dia aproximadamente 15 toneladas entre roupas, lençóis, fronhas, cobertores e toalhas hospitalares.

Os prejuízos estão sendo avaliados pela direção do Complexo Hospitalar da Santa Casa. A equipe de engenharia elétrica da instituição deve agora apurar as causas do princípio de incêndio. 

o dia 2 deste mês, um outro susto havia sido registrado na área hospitalar da Capital. No Hospital Nossa Senhora da Conceição (HCC), na rua Francisco Trein, no bairro Cristo Redentor, um princípio de incêndio que atingiu a sala de quadros elétricos, no 1º andar do prédio. Houve necessidade de evacuação de duas enfermarias e do setor de emergência, sendo retirados pacientes e funcionários. Três viaturas do 1º BBM foram mobilizadas.

Na ocasião, cerca de 30 pessoas internadas foram transferidas para outras instituições de saúde, como o Hospital de Pronto Socorro, Hospital Cristo Redentor, Hospital de Clínicas, Hospital Vila Nova e Hospital Moinhos de Vento. Já os pacientes da UTI do Hospital Criança Conceição foram levados para a Emergência do Hospital Cristo Redentor.

23/02/2023 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2023/02/saude-mental-dos-alunos-preocupa-universidades-que-oferecem-servicos-gratuitos-com-ajuda-profissional-cled6e85i0072017lf9uuorvi.html

Saúde mental dos alunos preocupa universidades, que oferecem serviços gratuitos com ajuda profissional

Ansiedade, depressão e sentimento de impotência estão entre os sintomas mais comuns, dizem os coordenadores das iniciativas de apoio das instituições

Os quase três anos de pandemia impactaram a saúde mental de muitos alunos do Ensino Superior. Estudantes de universidades, que já são naturalmente afetados pelas incertezas, dúvidas sobre permanência no curso escolhido, acompanhamento da aulas, provas e pressões pessoais e profissionais passam, por vezes, a experimentar exaustão e ansiedade.

Os impactos da pandemia na saúde mental já foram tema de várias pesquisas, não só no Brasil. Uma delas, realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) com 2,6 mil pessoas, revelou cenários elevados de insuficiência de atividade física (67,2%), depressão (19%), ansiedade (30%), insegurança alimentar (33,3%) e persistência de sintomas pós-infecção (75%), a covid longa. Os resultados foram divulgados em outubro de 2022, dentro da quarta etapa do estudo. Novos levantamentos devem ser feitos em 2023 e 2024. 

Não é à toa que as instituições estão mais atentas ao cenário e buscando ampliar os serviços gratuitos de ajuda profissional dentro dos campi para os estudantes.

A reportagem de GZH procurou as quatro maiores universidades da Capital: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Unisinos e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) — apenas esta última não respondeu. Os serviços oferecidos pelas três primeiras mudam conforme a entidade, mas, em linhas gerais, os objetivos são os mesmos: identificar, acolher e atender, de forma gratuita, quem precisa de apoio. Na teoria, parece simples. Na prática, é um pouco diferente, começando por um ponto crucial: muitas vezes, há resistência em pedir e aceitar ajuda.

O alerta é da assistente social Angélica da Costa, responsável pelo Núcleo de Atenção ao Estudante (NAE) da Unisinos, que existe desde 2010 e está à disposição de todos os alunos da graduação e pós-graduação dos campi de São Leopoldo e Porto Alegre.

— Nós observamos que é mais fácil oferecer do que pedir ajuda. A maioria dos nossos estudantes chega por encaminhamento de outro colega, que já foi atendido e nos indica. Ou por algum professor que identificou algo — relata Angélica.

Segundo ela, a procura pelo serviço aumenta quando começa o período de provas. O mesmo também ocorre no final do curso, quando há mais cobrança e maior sobrecarga:

—Os sintomas mais comuns são ansiedade, sentimentos de tristeza, impotência e solidão. Há uma pressão, que pode vir de fora, da família, ou dos estudantes mesmos, para dar conta de tudo e ter bons resultados. Também percebemos questões pessoais e familiares. Muitas vezes, o aluno é o primeiro da família a fazer um curso superior. Alguns relatam que os pais não entendem, que encaram como perda de tempo ficar tanto tempo escrevendo o trabalho de conclusão de curso, por exemplo.

Percepção parecida é relatada pela pedagoga Simone Martins da Silva, coordenadora do Centro de Apoio Discente da PUCRS. Na instituição, são três núcleos, que atuam de forma integrada desde 2019: de apoio psicossocial (onde há psicólogos e psiquiatras, por exemplo), de apoio à educação inclusiva e de apoio à aprendizagem. De acordo com ela, a demanda também aumenta no fim do semestre e no fim do curso.

— Nesses períodos, em especial, a gente identifica ansiedade, depressão, desmotivação, adiamento das atividades acadêmicas e até ideias suicidas. O aluno chega de diversas maneiras, mas tem sido bem comum familiares, colegas e professores nos avisarem sobre alguma situação que consideram estranha, diferente ou delicada. São serviços que atuam na dimensão do cuidado com a vida e incidem diretamente na permanência, aprendizagem e participação nas diferentes atividades do campus e, principalmente, nos propósitos dos alunos ao acessarem a universidade  — relata Simone.

Uma vez acionados, os núcleos realizam escuta e acolhimento, com um ou dois profissionais, dependendo do caso. Eles analisam a situação e realizam os encaminhamentos necessários.

— O ponto de partida é a necessidade de cada estudante. A equipe vai analisar se ele segue no centro, é encaminhado para outro setor da universidade ou até para algum profissional de fora — diz Simone.

Na UFRGS, há diversas iniciativas relacionadas à saúde mental para todos os alunos de graduação e pós-graduação (leia mais abaixo). Uma delas é o Programa Saber Viver, lançado em dezembro de 2022 e em fase de implementação, que integra diferentes políticas, serviços e ações, como foco na promoção da saúde e bem-estar estudantil.

— O objetivo é promover um ambiente saudável para que o estudante possa desenvolver suas atividades e concluir sua formação. Como são diferentes ações, os atendimentos também são variados. Existem atividades individuais, outras em grupo, online e presencial. Cada ação possui profissionais específicos: algumas são com psicólogos, outras são profissionais capacitados por psiquiatras e psicólogos, outras são estudantes orientados por professores de psicologia — destaca Ludymila Barroso Mallmann, pró-reitora de Assuntos Estudantis.

Procura aumentou na pandemia

Angélica afirma que a pandemia foi um período muito específico, com mais procura. Em um primeiro momento, o desafio era ajudar os alunos a lidar com o isolamento. Depois, eles tiveram que enfrentar situações de morte e luto.

— Tudo isso agravou aquela ansiedade já natural dos universitários, porque eles vivem dois momentos de transição: a entrada na faculdade, depois de toda a jornada do vestibular, e, depois, a entrada no mercado de trabalho, com aquela expectativa de conseguir emprego. Em torno de 70% do nosso público são mulheres, porque elas culturalmente buscam mais ajuda — completa Angélica.

Os serviços da PUCRS e da UFRGS também foram mais procurados conforme aumentava a duração da pandemia.

— No primeiro ano (2020), houve primeiro uma queda na busca de acolhimento realizado pela universidade. Talvez, em virtude da pouca familiaridade com os atendimentos online. Mas, desde 2021, a procura vem aumentando muito. Todos fomos afetados — explica a pró-reitora da Ufrgs, Ludymila Barroso Mallmann.

Como funcionam e onde encontrar

Os serviços das três universidades ouvidas são gratuitos para os alunos da graduação e pós-graduação. Os atendimentos podem ser presenciais ou online, individuais ou coletivos. Por isso, seguem os canais de comunicação para os alunos buscarem mais informações e até já fazer o agendamento, se quiser.

Unisinos - Núcleo de Atenção ao Estudante (NAE)

O Núcleo de Atenção ao Estudante (NAE) é um espaço físico dentro da universidade, com salas de atendimento presencial ou online. De preferência, com agendamento pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. . Também é possível conhecer o serviço pelo Instagram @naeunisinos. É formado por uma equipe multiprofissional, com  de Psicologia, Pedagogia, Serviço Social e Educação Inclusiva e Especial. Quando o aluno chega, os profissionais fazem um trabalho de acolhimento, escuta e atendimento psicológico. Em média, são cinco encontros para fazer a análise e dar um encaminhamento a uma rede externa de profissionais. No entanto, dependendo da situação, o aluno pode ser atendido por mais tempo na universidade. 

PUCRS - O Centro de Apoio Discente 

O Centro está disponível para todos os alunos a todos os alunos, nos turnos manhã, tarde e noite, de 2ª a 6ª feira. O atendimento pode ser presencial, no prédio Living 360º, no terceiro andar, sala 302. Também é possível entrar em contato pelo telefone (51 3353-6036) ou por e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O objetivo é fazer a escuta, o acolhimento e o atendimento dos alunos. 

UFRGS- diferentes iniciativas

A universidade conta com diferentes ações voltadas para a saúde mental. Algumas delas são: o Projeto Pega Leve, que trabalha com a prevenção e promoção da saúde mental dentro do ambiente universitário; o Programa Medusa, com espaços de escuta, acolhimento e intervenções com estudantes sobre questões de saúde mental e vivências na universidade; e o Programa Saber Viver, lançado em dezembro de 2022 e em fase de implementação, que integra diferentes políticas, serviços e ações desenvolvidas pela universidade, como foco na promoção da saúde e bem-estar estudantil. Os atendimentos também variam. Existem atividades individuais, outras em grupo, online e presenciais. Para saber mais, é possível entrar em contato com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, pelo telefone (51) 3308-3240 ou pelos e-mails Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

22/02/2023 – GAZ

Link: https://www.gaz.com.br/casa-do-estudante-santa-cruzense-em-porto-alegre-seleciona-moradores/
Casa do Estudante Santa-cruzense em Porto Alegre seleciona moradores

Espaço é destinado para jovens que procuram moradia durante a jornada acadêmica na capital; veja como participar

A Casa do Estudante Santa-Cruzense, localizada no Bom Fim, em Porto Alegre, realizará uma nova seleção de moradores no próximo mês. Acadêmicos interessados em ter moradia acessível em valores e próxima dos campus Centro e Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) enquanto estudam na Capital, podem participar da seletiva que ocorre de forma presencial no dia 18 de março, a partir das 14h.

A estadia oferece acesso a lavanderia, cozinha, sala de estudos, sala de estar, pátio, banheiros, incluindo também água, luz e internet. O valor mensal é de R$ 200 - para estudantes de Santa Cruz - ou R$ 300 - para pessoas de outras cidades. Mais informações podem ser obtidas clicando aqui ou no email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

13/02/2023 – Portal Simers

Link: https://www.simers.org.br/noticia?name=simers-lanca-edital-para-selecionar-comissoes-organizadoras-do-trote-solidario-2023/1

Simers lança edital para selecionar comissões organizadoras do Trote Solidário 2023/1

O Núcleo Acadêmico do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (NAS) está realizando chamamento público para constituição das comissões organizadoras da edição do primeiro semestre de 2023 da ação Trote Solidário. O foco da publicação, que pode ser conferida na íntegra no site do Simers (aqui), visa a seleção de grupos organizadores vinculados à instituições gaúchas de Ensino Superior, a fim de dar seguimento, organização e visibilidade regional da ação solidária, por meio dos diretores dos Núcleos Acadêmicos de cada Faculdade de Medicina.

As inscrições das comissões serão recepcionadas de 13 a 19/02, e a seleção dos grupos ocorre a partir de 20/02 com encerramento no dia 24/02, sendo essa a data da divulgação dos selecionados.

De acordo com Vinícius de Souza, diretor de Políticas Estratégicas do Simers, em 2023, o Trote Solidário completa 15 anos, uma história que mudou a realidade da recepção aos calouros de Medicina, em todo o Estado. “Trata-se de um projeto que substituiu as ações violentas por atividades de cidadania e respeito ao próximo, como a doação de alimentos, produtos de higiene, livros, tampinhas plásticas, além da doação de sangue. Desde o início, já foram arrecadadas mais de 360 toneladas de produtos”, salientou o diretor.

O impacto social da ação já repercute em mais de 720 mil vidas, em uma parceria com a Fundação Gaúcha de Bancos Sociais. Além disso, já são mais de 31 mil livros doados, três toneladas de tampinhas e 28 mil vidas beneficiadas com a doação de sangue, envolvendo a participação de 15 mil estudantes.

Na edição 2022/1, o Trote Solidário teve 2.224 futuros médicos de 19 universidades participando da ação, em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Santa Maria, Pelotas, Erechim, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo, Uruguaiana, Lajeado, Caxias do Sul e Ijuí. Sem falar na parceria com a Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, os hemocentros do Estado, o Instituto da Criança com Câncer e o curso Fleming.

 Na Capital os alunos de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) saíram na frente e alcançaram o primeiro lugar, seguida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Já no interior, a campeã foi a Universidade Franciscana (UFN), de Santa Maria. Em segundo ficou a Universidade do Vale do Taquari (Univates) e a Universidade de Passo Fundo (UPF) em terceiro.

12/02/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/economia/concursos-com-inscri%C3%A7%C3%B5es-abertas-t%C3%AAm-mais-de-800-vagas-no-rs-1.985579

Concursos com inscrições abertas têm mais de 800 vagas no RS

São 23 processos seletivos com cargos de nível fundamental a superior, com salários que chegam a R$ 15 mil

O Rio Grande do Sul tem 859 vagas em aberto, distribuídas em 23 concursos. Alguns dos certames também contam com formação de cadastro reserva. O maior número de vagas divulgado no Estado é de 149, para a Prefeitura de Casca, com oportunidades de nível fundamental, médio, técnico e superior. O concurso para o município da Serra também registra os maiores salários, de até R$ 15.773,84. As inscrições ficam abertas até 3 de março, pelo site www.fundatec.org.br, com taxas entre R$ 49,90 e 109,90, conforme o nível de escolaridade da vaga.

Em nível nacional, o concurso do Banco do Brasil é o que disponibiliza mais oportunidades. No total, são 6 mil novas vagas, sendo 4 mil imediatas para os cargos de Agente de Tecnologia e Agente Comercial (Escriturário Nível Médio), além de 2 mil vagas para cadastro reserva. A remuneração inicial é de R$ 3.622,23 para uma jornada de 30 horas semanais, além de benefícios, como plano de saúde, auxílio-alimentação e refeição, plano odontológico e possibilidade de ascensão de carreira, entre outros. As inscrições vão até 24 de fevereiro de 2023, exclusivamente no site www.cesgranrio.org.br. A taxa de inscrição é de R$ 50 e as provas objetivas serão em 23 de abril de 2023.

Confira outros concursos abertos no RS:

(...)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Número de vagas: 2

Remuneração: até R$ 9.616,18

Situação: inscrições até 3 de março

Informações: Cargos – vagas no Magistério de Ensino Superior para lotação no Departamento de Educação e Humanidades e no Departamento de Clínica Médica: disciplinas de Pedagogia (1) e Medicina interna (1). Inscrições pelo site do SEI UFCSPA, clicando no link indicado para público externo e realizando cadastro no sistema em até 48 horas antes de findar o prazo de inscrições. As taxas variam entre R$ 130 e R$ 175.

(...)

09/02/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/porto-alegre-tem-aluna-nota-mil-na-reda%C3%A7%C3%A3o-do-enem-2022-1.985024

Porto Alegre tem aluna nota mil na Redação do Enem 2022

Jovem de 21 anos deseja utilizar a nota para ingressar em uma universidade federal

Com a antecipação da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2022, os candidatos já podem conferir seus desempenhos e se preparar para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que acontecerá entre 16 e 24 de fevereiro.

As notas do Enem, formadas por provas objetivas e de Redação, permitem ao candidato disputar vagas públicas em Instituições de Ensino Superior no país e no exterior. As redações são avaliadas com base em cinco competências, podendo atingir até mil pontos; e com fatores que levam à nota zero. Maria Fernanda Simionato de Lemes, 21 anos, está entre os poucos participantes do Enem 2022 que tiraram nota máxima da Redação. Moradora de Porto Alegre, ela já fez a prova cerca de sete vezes, algumas delas como treineira, saindo de uma nota 520, nas primeiras tentativas, para a nota máxima nesta edição.

Natural de Maravilha (SC), ela mora há seis anos no Rio Grande do Sul. Cursou o Ensino Médio em Passo Fundo, no Centro de Ensino Médio Integrado da Universidade de Passo Fundo (UPF). E, em 2019, mudou-se para Porto Alegre para iniciar o pré-vestibular Fleming Medicina, em busca da tão sonhada aprovação no curso mais concorrido da área da saúde. “Sempre tive interesse em cursar Medicina, mas também gostava de Biologia. Quando entrei no cursinho, vi que era mesmo o que queria. Minha mãe é dentista, já da área da saúde, e meu pai é advogado, mas sempre me incentivou na busca da Medicina. Meu padrinho é médico, em Porto Alegre, e é meu maior exemplo. No último ano, comecei a me enxergar na profissão e acho muito bacana poder ajudar as pessoas. Sempre a vi como uma questão mais humana”, relata.

Quando foi conferir o resultado, ainda no fim da noite de quarta-feira, a jovem desacreditou do que viu. “Eu nunca acreditei que eu poderia tirar mil na Redação do Enem. Eu fui olhar a nota, sem muita expectativa. Já esperava que fosse boa, mas não esperava nota máxima. Na hora, não caiu a ficha.” O momento de alegria e emoção foi celebrado junto com a mãe.

Após se preparar para a prova, no Fleming, a jovem deseja utilizar sua média geral de 795 pontos para garantir vaga em uma universidade federal, por meio do Sisu. “Meu objetivo é continuar em Porto Alegre, e estudar na Ufrgs (Universidade Federal do RS) ou na UFCSPA (Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre). De qualquer forma, já estou matriculada na PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do RS), onde passei em novembro. Ela ainda é uma opção, assim como outras universidades que fiz vestibular. Mas estou na expectativa para ficar aqui”, destaca.

Para quem for fazer o Enem 2023, Maria Fernanda recomenda muita prática, aliada à repetição de exercícios nas matérias em que houver maior dificuldade. “Algo que sempre me ajudou foi fazer exercícios e práticas de prova, que permitem reconhecer falhas para rever conteúdos”. Já para a Redação, o mais útil foi a prática. Durante os quatro anos que permaneceu no cursinho, realizava, no mínimo, um texto por semana. “Para Redação, eu acredito que leitura é muito importante, além de praticar semanalmente. Eu sempre li muitos artigos de opinião, de jornais nacionais e internacionais. E também conversar com os professores, para saber o que pode ser melhorado”, orienta.

08/02/2023 – Jornal Digital UOL

Link: https://jc.ne10.uol.com.br/colunas/enem-e-educacao/2023/02/15175987-nota-do-enem-2022-veja-resultado-do-enem-2022-na-pagina-do-participante-e-quando-abre-o-sisu-2023.html

NOTA DO ENEM 2022: Veja resultado do Enem 2022 na Página do Participante e quando abre o Sisu 2023

A divulgação do resultado do Enem 2022 foi antecipada para esta quinta-feira (9)

A divulgação do resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022 foi antecipada da segunda (13) para esta quinta-feira (9).

As notas do Enem 2022 podem ser usadas para acesso ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Programa Universidade para Todos (ProUni). Além disso, os participantes do Enem 2022 podem pleitear financiamento estudantil em programas como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Quando abre o Sisu 2023?

O período de inscrições no Sisu 2023 é de 16 a 24 de fevereiro de 2023.

O resultado será divulgado no dia 28 de fevereiro.

A inscrição é gratuita e feita pela internet, no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

A primeira edição do Sisu 2023 oferece 226.399 mil vagas em 128 instituições públicas participantes, sendo 63 universidades federais. Ao todo, são 6.402 cursos de graduação.

SISU 2023: veja todas as universidades participantes

(...)

Rio Grande do Sul - RS
FURG - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE
IFSUL - INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SUL-RIO-GRANDENSE
UERGS - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL
UFCSPA - FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE
UFPEL - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
UFRGS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
UFSM - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
UNIPAMPA - FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA - UNIPAMPA

08/02/2023 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2023/02/como-planejar-uma-formatura-e-evitar-problemas-como-no-caso-da-usp-cldumhdmt002o0157bq6otd8r.html

Como planejar uma formatura e evitar problemas como no caso da USP

Confira dicas para ajudar nos cuidados na gestão de recursos

A investigação sobre desvio de quase R$ 1 milhão do fundo de comissão de formatura de uma turma de Medicina na Universidade de São Paulo (USP) acendeu um alerta entre estudantes que sonham com festas para celebrar a conquista de seus diplomas. Só em 2020, cerca de 1,2 milhão de brasileiros concluíram a graduação, de acordo com o Censo do Ensino Superior do Ministério da Educação.

A arrecadação de altos valores para grandes bailes por comissões de formandos, como no caso da USP, não é comum no Rio Grande do Sul, mas trata-se de um mercado que tem crescido nos últimos anos, principalmente em cursos de Medicina, de acordo com empresários do setor de formaturas ouvidos por GZH. Segundo eles, há boas práticas que podem ser adotadas por formandos para evitar que as turmas sejam vítimas de fraudes.

— É sempre importante que haja ao menos duas pessoas responsáveis por aprovar as movimentações financeiras do fundo de formatura, e não uma pessoa só — diz o produtor de eventos Michel Brucce, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Formatura (Abeform).

Na avaliação dele, é importante que as turmas fiscalizem suas comissões e cobrem  relatórios mensais sobre pagamentos, rendimentos e recebimentos, para evitar a má gestão.

Em eventos como o planejado pela turma de Medicina paulista, estudantes costumam abrir um CNPJ com um estatuto social e representantes nomeados para cuidar do dinheiro.

— O que a turma da USP poderia ter implementado: a regra de que nenhum aluno poderia mexer sozinho naquele recurso. O segundo erro foi permitir a movimentação de valores para as contas de pessoas físicas da própria comissão — diz o cientista da computação Diogo Nemésio, sócio do aplicativo alagoano Sua Formatura, criado para auxiliar comissões de formandos na gestão de seus recursos.

Hoje, o mercado de formaturas ainda se recupera da crise causada pela covid-19. A estimativa é de que o setor retome índices pré-pandemia a partir de 2024, com um faturamento de R$ 7 bilhões ao ano, segundo o presidente da Abeform.

Quando o barato sai caro

De modo geral, estudantes gaúchos não fazem bailes conjuntos e preferem investir individualmente na cerimônia de colação de grau e fotografias. Depois, cada formando faz a sua própria festa, segundo o relações públicas Pedro Moreira, proprietário da Applause Formaturas, produtora de Porto Alegre. Esses casos também exigem cuidados e a contratação de produtoras confiáveis.

— Poucos levantam a documentação da empresa, mas é importante entender quem ela é no papel, se a sede existe e quem são os sócios, ou ver se há entidades relacionadas a eles, como a Abeform. Também vale ver o histórico dela e outras formaturas realizadas — aconselha Moreira, que ressalta ser preciso desconfiar de cotações abaixo da média do mercado.

Segundo os empresários consultados por GZH, há empresas que oferecem preços menores para “alavancagem” e usam o dinheiro pago por uma festa futura para cobrir custos de outra que está sendo feita no presente, prática arriscada que pode fazer com que os eventos não saiam do papel. Por isso, recomenda Brucce, formandos podem consultar a Abeform para averiguar a confiabilidade das companhias do setor. A ÁS Formaturas, envolvida no caso da USP, por exemplo, não é associada da entidade.

No fim de janeiro, o programa Fantástico, da TV Globo, revelou que uma empresa sediada em Florianópolis aplicou golpes em formandos após ofertar pacotes tentadores, com viagens e decorações luxuosas a preços baixos. Logo após, uma turma de medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS) tentou cancelar no Procon caxiense um contrato que firmou com essa empresa, que chegou a aplicar um golpe de R$ 3 milhões em futuros médicos de Maringá, no Paraná.

— Um dos principais erros que mapeamos e enfrentamos hoje é que estudantes se deslumbram muito com brindes e eventos que fogem da capacidade financeira da turma. Não existe almoço grátis. A empresa precisa ganhar. Foi um problema para nós desenvolvermos um projeto de marketing porque trabalhávamos muito com racional e turmas agem de modo emocional — diz Nemésio, sócio do aplicativo Sua Formatura.

Como algumas universidades gaúchas acompanham formandos

De acordo com Brucce, instituições de Ensino Superior não costumam intermediar os contatos entre formandos e produtoras. Números do Mapa do Ensino Superior, mantido pelo Instituto Simesp, apontam que cerca de 70,9 mil estudantes concluíram suas graduações no Rio Grande do Sul em 2020, cerca de 60% deles alunos da modalidade presencial. No total, são 554 instituições de Ensino Superior no Estado.

GZH contatou a Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), a Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para questionar como as instituições mediam a interlocução entre formandos e empresas de formatura.

A PUCRS disse manter um banco de empresas cadastradas que serve para informar os estudantes de companhias “legalmente estáveis” e que “possuem experiência na área de formaturas em instituições de Ensino Superior”. Os contratos são feitos pelos alunos, mas a universidade afirmou participar dos encontros com essas empresas e realizar feedbacks com os estudantes.

Já a Unisinos informou ter um setor responsável por manter contato com alunos, comissões de formatura, fornecedores e produtoras para evitar episódios como o ocorrido na USP. A instituição disse ter um banco com 10 produtoras cadastradas e afirmou que revisa os contratos firmados pelas comissões de formatura para certificar que ele atende aos protocolos da universidade.

A UFRGS afirmou que não credencia produtoras e que “os formandos têm liberdade na escolha”. As regras da instituição se aplicam à cerimônia de formatura e ao uso de espaços da universidade. Existe uma normativa que estabelece como comissões de formatura devem ser formadas, mas, na prática, elas “são organizadas pelos formandos de maneira bastante autônoma”, segundo a nota enviada a GZH.

A UFCSPA disse que mantém um banco de produtoras credenciadas que precisam atender às normas da instituição. Os formandos têm autonomia para contratar uma das empresas listadas, mas também devem seguir as regras estipuladas pela universidade para a realização da colação de grau, de acordo com a instituição.

Festeje a formatura sem medo de sofrer um golpe

Especialistas ouvidos nesta reportagem dão as dicas:

Em formaturas que envolvem altos valores, a turma deve criar um CNPJ de uma associação sem fins lucrativos para a gestão dos fundos com um estatuto que exija a autorização de, no mínimo, dois formandos para movimentações financeiras.

Faça relatórios mensais de rendimentos, arrecadações ou pagamentos para que toda a turma acompanhe a situação dos fundos, ou utilize aplicativos que permitam aos estudantes acompanharem e aprovarem o uso dos recursos.

Antes de contratar uma empresa de eventos e formaturas, faça uma pesquisa de mercado e desconfie de preços com descontos superiores a 15% da média no mercado ou de grandes brindes e promessas.

Antes de firmar contrato com uma empresa, verifique a documentação dela, a sede, existência de sócios, histórico de eventos realizados e se está associada a entidades, como a Abeform, que também pode ser consultada por formandos. Faça o mesmo na hora de escolher aplicativos.

02/02/2023 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2023/02/tratamento-para-metastases-cerebrais-de-gloria-maria-deixou-de-fazer-efeito-informa-globo-cldn6oqo900420157jhoxnmfh.html

Tratamento para metástases cerebrais de Gloria Maria deixou de fazer efeito, informa Globo

Jornalista recebeu diagnóstico inicial de câncer no pulmão e no cérebro em 2019

O setor de Comunicação da Globo divulgou uma nota oficial (veja íntegra abaixo) sobre a morte da jornalista Gloria Maria, ocorrida nesta quinta-feira (2), no Rio de Janeiro. De acordo com o texto, o tratamento para metástases cerebrais deixou de fazer efeito nos últimos dias.

Metástase é quando o câncer inicial acaba atingindo outras partes do organismo. Gloria recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão e metástase no cérebro em 2019. Para o pulmão, foi submetida a imunoterapia (o sistema de defesas do paciente é fortalecido para ele próprio atacar a enfermidade), iniciativa que obteve sucesso. A metástase cerebral foi removida cirurgicamente, em procedimento que foi considerado, a princípio, também exitoso.

Segundo a emissora, nova fase do enfrentamento da doença começou no ano passado, quando foram descobertas novas metástases cerebrais. A conduta nesta etapa, conforme o texto, “deixou de fazer efeito nos últimos dias”.

Coordenador do Serviço de Oncologia da Santa Casa, o oncologista Rafael Vargas detalha o que são metástases. 

— O tumor é uma colônia de células. Essa colônia tem várias subpopulações (células diferentes), e algumas dessas subpopulações, que podemos chamar de clones ou sementes, têm a capacidade de se desgrudar da colônia, cair na corrente sanguínea e se alocar em qualquer órgão, como ossos, fígado, cérebro. A segunda fase é se adaptar no novo ambiente — explica Vargas, professor de Oncologia do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). 

Além da corrente sanguínea, a disseminação do câncer pode se dar pelos vasos linfáticos ou por contiguidade (proximidade). Cerca de 90% das mortes por câncer são decorrentes de complicações dessas metástases. 

— Todo tumor maligno tem potencial de gerar metástase. Uns têm potencial maior, como o de pulmão, e outros menor, como o de pele não melanoma — completa o médico. 

Íntegra da nota divulgada pela Comunicação da Globo:

“A jornalista Gloria Maria morreu essa manhã. Em 2019, Gloria foi diagnosticada com um câncer de pulmão, tratado com sucesso com imunoterapia, e metástase no cérebro, tratada cirurgicamente, inicialmente também com êxito. Em meados do ano passado, a jornalista iniciou uma nova fase do tratamento para combater novas metástases cerebrais que, infelizmente, deixou de fazer efeito nos últimos dias. 

Glória marcou a sua carreira como uma das mais talentosas profissionais do jornalismo brasileiro, deixando um legado de realizações, exemplos e pioneirismos para a Globo e seus profissionais. Glória deixa duas filhas, Laura e Maria.”

02/02/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/universidades-ga%C3%BAchas-divulgam-vagas-no-sisu-confira-a-lista-1.981544

Universidades gaúchas divulgam vagas no Sisu; confira a lista

Oito instituições no Rio Grande do Sul oferecem oportunidades por meio do sistema do MEC. UFSM lidera, com mais de 3 mil vagas

Mais de 226 mil vagas em instituições públicas de Ensino Superior estarão abertas para a primeira edição de 2023 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC). As oportunidades oferecidas estão distribuídas em 6.402 cursos de graduação em 128 estabelecimentos de ensino (federais, estaduais ou municipais), sendo 63 universidades federais, no país. Parte delas, já disponíveis para consulta, está em oito instituições federais com sedes no Rio Grande do Sul, que oferecem vagas nesta modalidade.

Quem deseja cursar o Ensino Superior no Estado pode buscar vagas na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense (Ifsul), na Universidade Estadual do RS (Uergs), na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), na Universidade Federal De Pelotas (UFPel), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e na Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

Na Furg, em Rio Grande, são 2.425 vagas distribuídas em 63 cursos. No IFSul, com sede em Pelotas, são 446 vagas em 27 graduações. Com reitoria na Capital, a Uergs oferece oportunidades para 40 cursos, em um total de 1.370 vagas. Na UFCSPA, também em Porto Alegre, são 660 vagas para 16 graduações. Na UFPel, em Pelotas, 2.773 oportunidades são destinadas a 82 cursos. Na Ufrgs, com sede na Capital, as 1.703 vagas são para 97 cursos. Na UFSM, em Santa Maria, 3.431 vagas são distribuídas em 89 cursos. Na Unipampa, sede em Bagé, são oferecidas 2.208 vagas em 72 cursos.

A Universidade Federal Fronteira do Sul (UFFS) também está presente no Rio Grande do Sul (com campus nos municípios de Erechim, Passo Fundo e Cerro Largo) e também oferta vagas via Sisu. São ofertadas 247 vagas para os campi Erechim e Cerro Largo.

As inscrições para o Sisu ocorrem de 16 a 24 de fevereiro. No entanto, a visualização das oportunidades já está disponível, no site do Sisu, onde é possível fazer a consulta por modalidade de concorrência, curso, turno, instituição ou localização. No mesmo endereço na internet, o interessado pode acessar também a íntegra do documento de adesão de cada um dos estabelecimentos de ensino participantes. Ou ainda conferir as vagas em cada curso acessando os links no final da matéria.

Para participar da seleção, o interessado precisa ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio 2022 e não ter zerado a nota da prova de Redação. No ato da inscrição, o candidato deve indicar as opções de curso desejadas. O resultado deve ser divulgado no dia 28 de fevereiro.

Número de vagas

Furg: 2.425

IFSul: 446

Uergs: 1.370

UFCSPA: 640

UFPel: 2.773

Ufrgs: 1.703

UFSM: 3.431

Unipampa: 2.208

UFFS: 247

 

23/01/2023 – Portal Impacto Mais

Link: https://impactomais.com.br/geral/ministerio-da-saude-oferece-50-mil-vagas-para-curso-sobre-hepatites-virais/

Ministério da Saúde oferece 50 mil vagas para curso sobre hepatites virais

Capacitação é direcionada aos profissionais de enfermagem, mas aberta ao público geral

A UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), instituição integrante da Rede UNA-SUS, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, está oferecendo vagas para o curso online “A Enfermagem no Contexto das Hepatites Virais”.

São 40 horas-aula voltadas a profissionais de enfermagem, mas também aberto a demais interessados no tema. As inscrições seguem até 29 de novembro de 2023. Após a matrícula, o início do curso é imediato. No total, estão disponíveis 50 mil vagas.

Os enfermeiros serão apresentados aos conceitos de políticas de saúde para ampliar o acesso à prevenção, rastreio, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de grupos sociais vulneráveis, além de elementos sobre o enfrentamento das hepatites virais, considerando o processo saúde-doença nos grupos sociais de seus territórios de atuação.

Metas

Uma das metas do Ministério da Saúde é eliminar as hepatites virais até 2030 e para isso, a enfermagem é uma área estratégica, com atuação direta na elaboração, implementação, ampliação e gestão das políticas públicas no SUS (Sistema Único de Saúde), em virtude do seu potencial multiplicador e articulador junto às equipes, em todos os níveis de atenção, principalmente na APS (Atenção Primária à Saúde).

O Brasil é signatário da proposta da Organização Mundial de Saúde para eliminar as hepatites virais como problema de saúde e o objetivo é reduzir em 90% as novas infecções e 65% a mortalidade por esses agravos. Nesse contexto, a capacitação da enfermagem para o cuidado às pessoas com hepatites virais é uma das estratégias. (Com informações do Ministério da Saúde).

23/01/2023 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/educacao/2023/01/adufrgs-e-proifes-realizam-atividade-autogestionada-no-forum-social-mundial/

ADUFRGS e PROIFES realizam atividade autogestionada no Fórum Social Mundial

Encontro que ocorrerá nesta terça-feira (24) debaterá o papel dos professores da educação pública na reconstrução do Brasil

Dentro da programação do Fórum Social Mundial de Porto Alegre 2023, a ADUFRGS-Sindical – Sindicato Intermunicipal dos Professores de Instituições Federais de Ensino Superior do Rio Grande do Sul, junto ao PROIFES-Federação, realiza nesta terça-feira (24), às 9 horas, o debate “O papel dos professores da educação pública na reconstrução do Brasil”, no auditório do Sindicato.

O FSM POA acontece de 23 a 28 de janeiro com atividades autogestionadas presenciais, híbridas ou virtuais.

Para debater o tema foram convidados o reitor eleito e não nomeado da Universidade Federal do RS (UFRGS), Rui Oppermann, o pró-reitor de Ensino no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Lucas Coradini, a coordenadora do Núcleo de Inclusão e Diversidade (NID) da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Luiza Maria de Oliveira Braga Silveira, o professor titular da Faculdade de Educação da UFRGS, Fernando Seffner, o professor titular de História no IFCH-UFRGS, Francisco Marshall, e a professora de Artes Visuais no IFSul Campus Sapucaia do Sul, Carla Giane Fonseca do Amaral.

As vagas são limitadas, conforme a capacidade do auditório, que é de 120 lugares. O Auditório da ADUFRGS-Sindical  está localizado na rua Barão do Amazonas, 1581, Bairro Jardim Botânico)

21/01/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/blogs/di%C3%A1logos/diagn%C3%B3stico-com-mais-precis%C3%A3o-1.975543

Diagnóstico com mais precisão

Um estudo tem deixado um grupo de médicos otimista em relação ao diagnóstico e à prevenção do Câncer de Colo de Útero. Chamado de “Colposcopia móvel de baixo custo e geração de imagens confocais para a prevenção global de câncer de colo uterino”, o projeto é patrocinado pelo Instituto de Saúde dos Estados Unidos, sendo executado na Santa Casa de Porto Alegre e também no Hospital do Câncer de Barretos, em São Paulo, com a colaboração da Universidade Rice e MD Anderson Câncer Center. Na Santa Casa, quatro médicos participam da pesquisa. Entre eles, o especialista em Ginecologia e Obstetrícia, professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e doutor em Ciências da Saúde pela Ufrgs Regis Kreitchmann. Docente investigador principal do estudo na Santa Casa, ele afirma que o estudo é inédito ao não usar de PCR do HPV, método seguido pela maioria dos estudos que existem na área da prevenção do câncer do colo. A pesquisa teve início na Santa Casa em 2021 e até agora já incluiu 340 pacientes entre 25 e 64 anos.

Como se chama o projeto? Quais entidades/universidades o estão desenvolvendo? Há quanto tempo?

Estamos realizando, desde abril de 2022, o projeto de pesquisa intitulado “Colposcopia móvel de baixo custo e geração de imagens confocais para a prevenção global de câncer de colo uterino”. O projeto é patrocinado pelo Instituto de Saúde dos Estados Unidos, sendo executado na Santa Casa de Porto Alegre e também no Hospital do Câncer de Barretos, em São Paulo, com a colaboração da Universidade Rice e MD Anderson Câncer Center. Além de mim, os médicos que também estão envolvidos neste estudo na Santa Casa são as doutoras Fernanda Uratani e Giovana Cabreira e o doutor Felipe Luzzatto.

Qual é o diferencial em relação aos estudos anteriores e já existentes?

Trata-se de um estudo completamente inovador na área, que aplica a tecnologia para qualificar e agilizar o processo diagnóstico das lesões pré-malignas do colo uterino. O computador vai sendo alimentado com imagens de lesões e com informações obtidas por uma sonda, que detecta a concentração de células em diversos pontos do colo uterino obtidos por meio dos dados de biópsias realizadas nas áreas suspeitas. Durante o estudo, ele aprende a identificar as imagens geradas e ajuda a localizar as áreas com maiores graus de alterações, sendo capaz de auxiliar na indicação de onde as biópsias devem ser realizadas. Esperamos que, por meio do uso dessa tecnologia de baixo custo, consigamos aumentar o grau de precisão dos diagnósticos e assim auxiliar no manejo médico. A maioria dos estudos que existem na área da prevenção do câncer do colo são relacionados ao uso de PCR do HPV, o que torna o nosso estudo ainda mais importante pelo seu ineditismo.

Quantas pacientes participaram dos testes e qual o perfil delas? Quais foram os resultados?

Na Santa Casa, foram incluídas, até o momento, 340 mulheres entre 25 e 64 anos que precisam ser avaliadas pela presença de alguma alteração na citologia do colo uterino e que consentiram participar do estudo. Elas são submetidas aos exames de imagem e, em alguns casos, à biópsia do colo uterino. A previsão do estudo é de durar mais três anos com a inclusão de um total de 1 mil mulheres. Na Santa Casa de Porto Alegre, todas as pacientes elegíveis que chegam ao ambulatório de Ginecologia pelas Unidades de Saúde são convidadas a participar da pesquisa. Os resultados obtidos ainda são preliminares, mas muito encorajadores.

O que falta para ser de fato comprovado e efetivado na medicina? Qual é a previsão de tempo para que seja aplicado no Brasil?

O estudo precisa ser concluído e seus resultados precisarão ser publicados e discutidos pelos especialistas na área para definir mais claramente o papel que poderá ser ocupado por essa nova tecnologia e em que situações ela poderá ser aplicada. É difícil definir quando estará disponível para às pacientes na prática clínica, mas esperamos que, dentro dos próximos três anos, possamos, na posse dos resultados finais do estudo, discutir seu uso potencial na prevenção do câncer do colo uterino.

Como está a incidência de câncer de colo de útero no Brasil e no mundo? Houve aumento nos últimos anos? Qual perfil mais afetado?

O câncer do colo do útero é o terceiro em incidência entre os tipos de câncer que acometem mulheres, perde apenas para câncer de mama e o colorretal no Brasil. São identificados 17 mil novos casos por ano no país. Ele é a terceira causa de morte por câncer em mulheres e isso se deve aos diagnósticos tardios e as perdas do seguimento das pacientes durante os passos necessários ao seu diagnóstico, tratamento e acompanhamento até a plena recuperação.

Tivemos um período longo durante a pandemia da Covid-19 em que muitos pacientes deixaram de realizar exames preventivos para o câncer de colo, o chamado exame citopatológico, causando agora um acúmulo de diagnósticos dos casos novos e uma sobrecarga nos serviços para os procedimentos cirúrgicos. Os dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 20% das mulheres entre 25 e 64 anos não realizaram exame citopatológico nos últimos três anos e que a cobertura vacinal para o HPV entre meninas de 11 a 14 anos foi de apenas 55%. Essas estratégias são fundamentais para prevenir o câncer de colo uterino. É importante destacar que as lesões pré-malignas do colo uterino não causam sintomas e só podem ser detectadas com a realização do exame citopatológico.

21/01/2023 – Portal da Prefeitura de Porto Alegre

Link: https://prefeitura.poa.br/sms/noticias/saude-tera-programacao-voltada-ao-dia-nacional-da-visibilidade-trans

Saúde terá programação voltada ao Dia Nacional da Visibilidade Trans

O Dia Nacional da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, tem o significado da luta por direitos, debates e reflexão, levando em consideração que essa é uma população vulnerável. Para debater assuntos relacionados ao tema, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) irá realizar seminário nos dias 26 e 27, na Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA). As inscrições podem ser feitas até o dia 27 neste link. A programação é voltada a profissionais da saúde e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). As vagas são limitadas à capacidade do auditório.

Para Gabriela Tizianel, coordenadora do Ambulatório T, localizado no Centro de Saúde Santa Marta, é importante estabelecer um momento para se pensar em visibilidade trans. "Estamos falando de uma população que é constantemente invisível e excluída, tanto no cotidiano quanto nos espaços públicos". A invisibilização, nesse sentido, faz com que essas pessoas tenham dificuldade de acessar direitos básicos como saúde, educação, segurança e o mercado de trabalho. “O ambulatório é o início de uma tentativa de reduzir a desigualdade na saúde”, explica Gabriela.

Jordana Machado Lange, 18, é paciente do ambulatório há seis meses e em breve começará sua hormonização, oferecida no local. Para além de acompanhamento em saúde, ela conta que, no espaço, encontrou uma família, onde se pode compartilhar e trocar experiências de vida que, muitas vezes, não é possível em outros ambientes. A família a qual ela se refere está no grupo de apoio realizado uma vez por semana, quando os assuntos são trazidos de forma livre, não somente sobre questões voltadas a gênero e sexualidade.

Em 2018, durante lançamento da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 11), a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a transexualidade do capítulo de doenças mentais. A classificação aconteceu 28 anos depois da decisão de retirar o termo homossexualidade da lista de doenças, no dia 17 de maio de 1990.

O 1º Seminário pela Visibilidade Trans: Avanços e Desafios para a Rede Equitativa em Saúde é realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Programação:

26/01 - 8h30 às 12h - 13h às 17h30

- Retrospecto e análise do contexto atual

- O atendimento ambulatorial e hospitalar às pessoas trans e travestis: repensando a assistência e o acesso além do modelo do processo transexualizador

- Saúde mental e violências: a transfobia institucional e a invisibilidade como instrumentos de adoecimento psíquico

27/01- 8h30 às 12h - 13h às 17h30

- Infâncias trans e intersexo: como estamos cuidando de nossas crianças que fogem a cisheteronormatividade?

- Particularidades e especificidades no atendimento de pessoas trans e travestis

Vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, os dois Ambulatórios Trans disponibilizam atendimento integral para homens e mulheres trans e travestis e pessoas não-binárias residentes em Porto Alegre – consultas, exames, hormonização, grupo de convivência, acolhimento e encaminhamentos.

Ambulatório Trans Centro:

Centro de Saúde Santa Marta (rua Capitão Montanha, 27, 1º andar – Centro Histórico)

Atendimento de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h

WhatsApp (51) 9506-9632

Ambulatório Trans Zona Sul:

Clínica da Família Álvaro Difini (rua Álvaro Difini, 520 – Restinga)

Atendimento sextas-feiras, das 8h30 às 12h30

20/01/2023 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/geral-1/2023/01/reitores-gauchos-destacam-simbolismo-de-encontro-com-lula-a-ciencia-voltou-ao-planalto/

Reitores gaúchos destacam simbolismo de encontro com Lula: ‘a ciência voltou ao Planalto’

Segundo a Andifes, último encontro de reitores com um presidente ocorreu em 2016, ainda na gestão de Dilma Rousseff

Reitores e representantes de todas as universidades e institutos federais se reuniram nesta quinta-feira (19), em Brasília, com o presidente Lula e com os ministros da Educação, Camilo Santana, e de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Em conversa com o Sul21, reitores de universidades gaúchas que estiveram no encontro destacaram que o evento foi uma sinalização positiva de que o governo federal está retomando o diálogo, quase inexistente durante a gestão de Jair Bolsonaro, e de que ampliará investimentos na educação superior.

Para o reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Luciano Schuch, a realização do encontro já teve um “simbolismo muito forte” para os reitores. De acordo com a Andifes, entidade que reúne os dirigentes de instituições federais de ensino superior, a última reunião do conjunto de reitores com um presidente da República ocorreu em 2016, ainda na gestão de Dilma Rousseff.

“O presidente na segunda semana do seu governo chama os reitores para conversar, para escutar, dá a palavra para ter cobrança e para ter discussão, isso é muito forte, porque a gente não era mais escutado. A ciência não estava mais no Planalto, a discussão sobre as universidades não fazia mais parte e isso traz um retorno do diálogo. Não o respeito pelo reitor, mas o respeito pelo papel das universidades, do seu papel no desenvolvimento econômico e social do nosso País”, diz Luciano.

O reitor da UFSM pontua que, no encontro, as universidades foram convocadas a auxiliar no desenvolvimento do ensino fundamental e ensino básico. “Volta a ter ciência no Palácio do Planalto. Ou seja, o presidente e o ministro perguntando às universidades o que deve ser feito para melhorar o sistema educacional, a ciência e a academia colaborando. Para mim, essa é a maior sinalização dessa reunião”, complementa.

Na mesma linha, a reitora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Isabela Fernandes Andrade, também destaca o “simbolismo” do encontro, especialmente pela indicação de retomada do diálogo entre governo federal e instituições de ensino. Ela avalia que a sinalização ao diálogo já havia sido dada com a nomeação de Denise Carvalho, que era reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para o comando da Secretaria de Educação Superior (Sesu).

“É uma pessoa que atravessou toda a pandemia liderando uma instituição federal de ensino, atravessou todo esse momento difícil de cortes orçamentários, de bloqueios, como reitora de universidade e que sabe exatamente a situação que nós todos estamos”, diz.

Encaminhamento de prioridades

Vice-reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Jenifer Saffi destaca que o primeiro compromisso assumido pelo governo foi o de retomar as obras inacabadas e os investimentos retirados das instituições com a sequência de cortes e bloqueios orçamentários. “Por exemplo, a Clínica da Família que estava prevista, a gente ainda não conseguiu executar porque teve muito pouco investimento”, diz.

Luciano Schuch, da UFSM, pontua que esta sinalização de conclusão das obras possibilitará, por exemplo, a conclusão do campus de Cachoeira do Sul da instituição. “O compromisso do MEC é de concluir os projetos dos campi fora da sede. Isso também é muito bom para nós, porque em vez de nós colocarmos recursos próprios da universidade para manter o campus de Cachoeira do Sul, esse recurso vem direto do MEC e o outro recurso a gente consegue reinvestir na própria universidade”, diz.

Jenifer diz que Lula também sinalizou para a expansão das universidades federais e, principalmente, para a ampliação da relação das instituições federais de ensino com a população. “É o que nós queremos também, para que a gente possa diminuir cada vez mais a desigualdade. Nós somos um País muito desigual em vários sentidos, e o que esse governo também acredita é que a universidade vai ter esse papel de ser um dos grandes pilares para essa transformação e para que a gente se torne um País menos desigual, mas inclusivo, mais justo”, diz.

A respeito da expansão das vagas, ela afirma que o governo indicou que ela será feita de forma estratégica, aliando as preferências dos estudantes com as necessidades do País. “Ele falou muito em expansão dos cursos de Medicina e das engenharias, que ele vê como necessidades, mas principalmente no interior do Brasil, que é onde a gente precisa muito dessas profissões com bastante qualificação”, diz.

Luciano Schuch, da UFSM, pontua que outra sinalização importante do governo foi o compromisso de que não haverá interferência na escolha de reitores, com as escolhas das comunidades acadêmicas sendo respeitadas. “São coisas que têm um simbolismo muito forte para nós, porque dá tranquilidade para trabalhar”.

Outra preocupação do MEC evidenciada no encontro foi o enfrentamento á evasão escolar. Durante a reunião, o ministro Camilo Santana informou que a evasão em universidades privadas está na casa dos 60% e que, nas públicas, é de 50%.

“Eles vão investir para reduzir isso. E como se faz isso? Nós vamos ter que investir mais para que o aluno que entra na universidade tenha condições de permanecer na cidade, que tenha a sua bolsa, que tenha alimentação, que tenha acesso à cultura para ele poder continuar. Essa caminhada em busca do conhecimento acaba sendo difícil. Se não tiverem apoio, alunos de baixa renda muitas vezes não conseguem se manter na universidade”, diz Luciano.

O reitor também diz que foi sinalizado que o Ministério da Educação terá R$ 2 bilhões de recursos a mais do que o previsto no orçamento de custeio de 2023, hoje na casa dos R$ 5 bilhões, para serem disponibilizados para as instituições federais de ensino. Isso seria possível em razão das mudanças nas regras para distribuição das emendas do chamado “orçamento secreto”. “Agora o MEC chama os nossos representantes para discutir a forma de distribuição”, destaca.

No caso da UFSM, o orçamento de custeio para 2023 é R$ 3 milhões inferior ao de 2022, quando já havia sido insuficiente e fez com que a instituição fechasse o ano no vermelho em R$ 8 milhões.

A respeito do aporte extraordinário de R$ 2 bilhões, a reitora Isabela Andrade, da UFPel, prefere adotar uma postura cautelosa e esperar a confirmação dos recursos. “Acho que é importante a gente ter expectativa por um momento melhor, que de fato certamente a gente está num momento muito melhor para educação. Mas ainda não temos alguma alteração, até porque acredito que estejam sendo feitas análises, reconhecimento dos espaços e das contas do governo”, diz.

Isabela afirma que necessidade mais imediata da UFPel, e das demais universidades, é de recomposição do orçamento, pois a federal de Pelotas também fechou 2022 com déficit orçamentário. “Para nós, é super importante a recomposição ao orçamento no mínimo de 2019, porque a lei orçamentária anual que foi aprovada para esse ano de 2023 apresenta um valor menor. Se a gente for fazer uma análise simples e rápida, tudo tem aumentado e o orçamento reduziu. Então, o que a gente espera é uma recomposição pelo menos ao que era em 2019”, diz.

Em 2019, o orçamento de custeio da UFPel foi de R$ 74,2 milhões (em valores não reajustados pela inflação). Em 2023, foi de R$ 67,2 milhões. Para que a UFPel recupere o mesmo nível de operação de 2019, o orçamento atual deveria ser de aproximadamente R$ 94 milhões.

Procurado, o MEC não confirmou até o fechamento desta matéria a informação sobre o montante de recursos extraordinários que serão disponibilizados para as universidades.

19/01/2023 – Brasil de Fato / Rede TV / Correio Braziliense / Jornal CGN / Diário de Pernambuco

Link Brasil de Fato: https://www.brasildefato.com.br/2023/01/19/lula-recebe-reitores-e-diz-que-universidades-e-institutos-federais-vao-sair-das-trevas
Link Rede TV: https://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/politica/lula-tem-reuniao-com-reitores-de-universidades-e-institutos-federais
Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2023/01/5067284-lula-se-reune-com-reitores-saindo-das-trevas-para-voltar-a-luminosidade.html
Jornal CGN: https://jornalggn.com.br/politica/lula-encontro-reitores-universidades-intuicoes-federais/
Diário de Pernambuco: https://www.diariodepernambuco.com.br/ultimas/2023/01/lula-se-reune-com-reitores-saindo-das-trevas-para-voltar-a-luminosid.html

Lula recebe reitores e diz que universidades e institutos federais vão "sair das trevas"

"Eu sei do obscurantismo que vocês viveram nesses últimos quatro anos", disse presidente da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, durante reunião na manhã desta quinta-feira (19) com reitores de universidades e de institutos federais no Palácio do Planalto, que as instituições de ensino conviveram com o "obscurantismo" durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Não existe na história da humanidade nenhum país que conseguiu se desenvolver sem que antes tivesse resolvido o problema da formação do seu povo. Nós estamos começando um novo momento", afirmou o presidente.

"Eu sei do obscurantismo que vocês viveram nesses últimos quatro anos e eu quero dizer que estamos saindo das trevas para voltar à luminosidade de um novo tempo", disse Lula aos reitores.

Além de convite diretamente encaminhado a cada reitor, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), presidida pelo reitor Ricardo Marcelo Fonseca, e representantes do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) também participaram do encontro.

O ministro da Educação, Camilo Santana, também participou do encontro. A principal pauta debatida foi a questão financeira das instituições de ensino, que têm convivido com restrições orçamentárias graves.

Lula e Camilo reforçaram a intenção de engrossar os investimentos na educação superior. Cortes no orçamento já prejudicaram diversas instituições, que atrasaram desde o pagamentos básicos como água e energia elétrica até bolsas de estudos.

O governo anterior, chefiado por Bolsonaro, foi marcado por atritos, críticas e redução de verbas nas universidades. No fim de novembro, a gestão Bolsonaro congelou R$ 344 milhões destinados para as instituições de ensino superior, segundo cálculos do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Planejamento e de Administração das Instituições Federais de Ensino Superior (Forplad). Dias depois, o Ministério da Educação (MEC) recuou e desbloqueou o montante.

Leia as instituições que estavam representadas no encontro com Lula:

BAHIA

Instituto Federal Baiano - IFBA

Instituto Federal da Bahia - IFBA

Universidade Federal da Bahia - UFBA

Universidade Federal do Oeste da Bahia - UFOB

Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB

Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB

RIO DE JANEIRO

Colégio Pedro II - CP II

Instituto Federal do Fluminense - IFF

Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO

Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Universidade Federal Fluminense - UFF

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ

Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca CEFET

MARANHÃO

Universidade Federal do Maranhão – UFMA

PARÁ

Instituto Federal do Pará - IFPA (CONIF)

Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA

Universidade Federal do Pará - UFPA

Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – UNIFESSPA

PERNAMBUCO

Instituto Federal de Pernambuco - IFPE

Instituto Federal do Sertão Pernambucano IFSERTAO

Universidade Federal do Agreste de Pernambuco - UFAPE

Universidade Federal do Rural de Pernambuco - UFRPE

Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF

SÃO PAULO

Instituto Federal de São Paulo - IFSP

Universidade Federal de São Carlos - UFSCar

Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP

Universidade Federal do ABC – UFABC

MINAS GERAIS

Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - CEFET-MG

Instituto Federal de Minas Gerais - IFMG

Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - IFNMG

Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais - IFSUDESTE MG

Instituto Federal do Sul de Minas - IFSULDEMINAS

Instituto Federal do Triângulo Mineiro IFTM

Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL-MG

Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI

Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF

Universidade Federal de Lavras - UFLA

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP

Universidade Federal de São João Del-Rei - UFSJ

Universidade Federal de Uberlândia - UFU

Universidade Federal de Vicosa - UFV

GOIÁS

Instituto Federal de Goiás - IFG

Instituto Federal Goiano - IF Goiano

Universidade Federal de Catalão - UFCAT

Universidade Federal de Goiás - UFG

Universidade Federal de Jataí – UFJ

MATO GROSSO

Fundação Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT

Instituto Federal de Mato Grosso - IF-MT

Universidade Federal de Rondonópolis – UFR

RIO GRANDE DO SUL

Instituto Federal do Rio Grande do Sul - IFRS

Instituto Federal Farroupilha - IFFar

Instituto Federal Sul-Rio-Grandense - IFSUL

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA

Universidade Federal de Pelotas - UFPel

Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA

Universidade Federal do Rio Grande - FURG

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

CEARÁ

Instituto Federal Catarinense do Ceará - IFCE

Universidade da Integração Internacional da Lusofonia AfroBrasileira - UNILAB

Universidade Federal do Cariri - UFCA

Universidade Federal do Ceará - UFC

PARAÍBA

Instituto Federal da Paraíba - IFPB

Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Universidade Federal de Campina Grande – UFCG

ESPÍRITO SANTO

Instituto Federal do Espírito Santo - IFES

Universidade Federal do Espírito Santo – UFES

PIAUÍ

Instituto Federal do Piauí - IFPI

Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPAR

Universidade Federal do Piauí – UFPI

RIO GRANDE DO NORTE

Instituto Federal do Rio Grande do Norte - IFRN

Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA

SANTA CATARINA

Instituto Federal Catarinense - IFC

Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC

Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS

Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

ALAGOAS

Instituto Federal de Alagoas - IFAL

Universidade Federal de Alagoas – UFAL

SERGIPE

Instituto Federal de Sergipe - IFS

Universidade Federal de Sergipe – UFS

AMAZONAS

Instituto Federal do Amazonas - IFAM

Universidade Federal do Amazonas - UFAM

Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA

PARANÁ

Universidade Federal da Integração Latino-Americana - UNILA

Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR

Instituto Federal do Paraná

ACRE

Instituto Federal do Acre - IFAC

Universidade Federal do Acre – UFAC

DISTRITO FEDERAL

Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior - ANDIFES

Instituto Federal de Brasília - IFB

Universidade de Brasília – UnB

MATO GROSSO DO SUL

Instituto Federal de Mato Grasso do Sul - IFMS

Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS

RONDÔNIA

Instituto Federal de Rondônia - IFRO

Universidade Federal de Rondônia - UNIR

TOCANTINS

Instituto Federal do Tocantins - IFTO

Universidade Federal do Norte do Tocantins - UFNT

Universidade Federal do Tocantins – UFT

AMAPÁ

Instituto Federal do Amapá - IFAP

Universidade Federal do Amapá – UNIFAP

RORAIMA

Instituto Federal de Roraima - IFRR

Universidade Federal de Roraima

17/01/2023 – ZH

Artigo de opinião da reitora Lucia Pellanda no ZH – versão impressa e digital

A federal da saúde faz 15 anos

No dia 11 de janeiro, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) completou 15 anos como universidade, embora tenha mais de 61 anos de história como Faculdade Católica de Medicina e Fundação Faculdade de Ciências Médicas, formando eminentes profissionais de saúde do nosso meio.

A UFCSPA tem nota máxima na avaliação do Ministério da Educação (nota 5) e é a segunda melhor no quesito graduação do país, entre mais de 2 mil instituições avaliadas. É a única universidade federal especializada em saúde e fica aqui no Rio Grande do Sul.

A visão da universidade é de ser uma instituição inovadora e inclusiva, referência no ensino da saúde, produzindo conhecimento de nível internacional com impacto na sociedade.

A comunidade universitária trabalhou intensamente para tornar esta visão realidade. A UFCSPA ingressou nos principais rankings internacionais, como o Times Higher Education e o QS ranking, aumentou sua produção científica e sua visibilidade.

Inovadora, a UFCSPA tem um moderno centro de simulação realística e um centro de inovação em saúde, juntamente com a Santa Casa, e investe em inovação pedagógica para dar conta das mudanças no mundo, que exigem profissionais com habilidades e atitudes reflexivas e de trabalho em rede.

O impacto social ficou muito evidente durante a pandemia, com mais de 4,5 toneladas de álcool gel produzidas no laboratório de farmácia, mais de 200 mil testes e 100 mil atendimentos em saúde, além de projetos de pesquisa, atividades educativas e participação nas campanhas de vacinação, em parceria com a Santa Casa, as secretarias estadual e municipal de Saúde e a UFRGS, entre outras.

Este ano, a universidade recebeu o prêmio Capes-Elsevier de produção científica voltada para políticas públicas, o que também mostra a importância do conhecimento produzido para a sociedade.

A UFCSPA pode ser uma adolescente de 15 anos, mas ao mesmo tempo tem uma sólida história, que une tradição e inovação, excelência e respeito, ética e cuidado.

17/01/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/editais-cursos-e-concursos-no-setor-cultural-1.973567

Editais, cursos e concursos no setor cultural

Há inscrições para encontro sobre Lei de Incentivo à Cultura e as seleções do Música na UFCSPA, do Movimento Coral Feevale, de Residência artística, do Prêmio Sesc de Literatura, além de concurso fotográfico

Uma seleção de editais, cursos e concursos na área cultural. Há inscrições para Música na UFCSPA, Movimento Coral Feevale, Residência artística promovida pelo Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, o renomado Prêmio Sesc de Literatura, além de encontro sobre Lei de Incentivo à Cultura, concurso fotográfico e oficinas.

Lei de Incentivo à Cultura

A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) realiza nesta quarta-feira, dia 18, das 9h às 12h, uma Audiência Pública para discutir a Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS), um mecanismo de fomento indireto que integra o Sistema Estadual Unificado de Apoio e Fomento às Atividades Culturais – Pró-cultura RS. Serão abordados também os critérios de avaliação previstos em resoluções específicas do Conselho Estadual de Cultura (CEC-RS).  A audiência será realizada em formato virtual. O público poderá participar por meio deste link (acessar na hora da reunião).

Drink and Draw

O Instituto Ling, em parceria com a Cervejaria Fil, receberá duas edições da experiência Drink and Draw, um misto de oficina com happy hour que une o prazer e a diversão do desenho com o espírito de uma confraternização entre amigos. Os encontros acontecem nos dias 18 de janeiro e 8 de fevereiro, quartas-feiras, das 19h às 21h30. Entre uma cerveja e outra, os participantes irão desenhar sob a tutela de um artista convidado, dentro da temática “Memórias de um verão”. Na primeira edição, a convidada será a artista e ilustradora Carla Barth. Já no próximo mês, quem conduz a atividade é o artista visual Gustavo Assarian. As inscrições, com vagas limitadas, podem ser feitas separadamente, no valor de R$ 140 para cada experiência, no site Instituto Ling.

Seleção de show e recitais

O Núcleo Cultural da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) está com edital para seleção de propostas de apresentações musicais para integrar a série de concertos Música na UFCSPA 2023. Serão selecionados projetos de shows, recitais e espetáculos musicais de diferentes estilos e gêneros encaminhados até o dia 29 de janeiro, para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. As apresentações serão realizadas nas quartas-feiras, às 20h, no Teatro Moacyr Scliar, localizado no Prédio 2 da UFCSPA. Conferir edital aqui.

Residência artística

A Sociedade de Amigos do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (SAMALG), através do projeto “Trânsitos Excêntricos — programa de residências no MALG”, abriu edital para seleção de artistas individuais ou coletivos de arte participarem de residências com tema “migrações”. Os selecionados participarão de residências híbridas, com ações presenciais e virtuais, com o acompanhamento dos curadores, da equipe do MALG e do educativo do programa a fim de estreitar a conexão e proporcionar novos diálogos com o acervo do Museu. Através do edital, serão escolhidas duas pessoas candidatas: uma na categoria de artista local (domiciliada em Pelotas-RS) e uma na categoria de artista regional (domiciliada no RS, exceto em Pelotas). Serão concedidas, a cada selecionado, (artista ou coletivo), uma bolsa-auxílio no valor de R$ 2,5 mil. As inscrições estão abertas até o dia 31 de janeiro. Ver edital no site do Museu.

[ver mais informações pelo link]

17/01/2023 – Diário de Santa Maria

Link: https://diariosm.com.br/hepatites-virais-ministerio-da-saude-abre-vagas-para-curso-voltado-a-capacitacao-de-profissionais-da-enfermagem/

Brasil segue proposta da OMS e projeta eliminação de hepatites virais até 2030

Com foco na proposta da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil busca eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. O objetivo é reduzir em 90% as novas infecções e 65% a mortalidade por esses agravos.

Nesse contexto, a capacitação da Enfermagem para o cuidado às pessoas com hepatites virais é uma das estratégias, por conta da atuação direta destes profissionais na elaboração, implementação, ampliação e gestão das políticas públicas no Sistema Único de Saúde (SUS), assim como na articulação das equipes, em todos os níveis de atenção, principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS).

Capacitação

As inscrições para o curso online “A Enfermagem no Contexto das Hepatites Virais” estão abertas. No total, estão disponíveis 50 mil vagas. A capacitação é destinada a profissionais de Enfermagem e demais interessados no tema. As inscrições seguem até 29 de novembro deste ano. Após a matrícula, o início do curso é imediato.

O curso possui 40 horas-aula. Os enfermeiros serão apresentados aos conceitos de políticas de saúde para ampliar o acesso à prevenção, rastreio, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de grupos sociais vulneráveis, além de elementos sobre o enfrentamento das hepatites virais, considerando o processo saúde-doença nos grupos sociais de seus territórios de atuação.

A capacitação é ofertada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – instituição integrante da Rede UNA-SUS, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (SVSA/MS).

*com informações do Ministério da Saúde

12/01/2023 – Rádio Guaíba

Link: https://guaiba.com.br/2023/01/12/ufcspa-reitora-associa-gastos-maiores-com-viagens-a-alta-do-dolar-e-compromissos-acumulados-na-pandemia/

UFCSPA: reitora associa gastos maiores com viagens à alta do dólar e compromissos acumulados na pandemia

Reportagem questionou Lúcia Campos Pellanda sobre despesas da universidade com viagens e diárias de servidores, proporcionalmente maiores que as da Ufrgs em 2022

A Reitoria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) apontou, em resposta a um questionamento da Rádio Guaíba, que os valores gastos pela instituição com viagens e diárias, em 2022, decorrem de compromissos acumulados durante a pandemia e da alta do dólar. A manifestação ocorre após a reportagem pedir explicações sobre a quantia de R$ 822.052,52 usada para custear roteiros nacionais e internacionais de servidores no ano passado.

No início de dezembro, a universidade havia denunciado que ‘instituições federais de ensino superior vêm sofrendo com progressivas reduções do orçamento’, conforme nota assinada por reitorias gaúchas. As instituições declaravam estar sem recursos para pagamentos de ‘assistência estudantil, bolsas e contas básicas’, e foram relatados prejuízos ‘de mais de 45 milhões’ por conta de repasses que ainda não haviam sido realizados pelo governo federal.

Segundo a reitora da UFCSPA, Lúcia Campos Pellanda, a devolução dessa verba acabou sendo feita antes do fim do ano. No entanto, segundo ela, não foram restituídos valores referentes à redução de 7,2% no orçamento do Ministério da Educação (MEC). “Ficamos em uma situação bastante crítica mas, antes de finalizar o ano, o recurso financeiro foi devolvido. Ficou um corte de 7,2%, feito em junho. O restante do valor cortado, em novembro, foi devolvido”, destacou.

Os mais de R$ 822 mil gastos em itinerários da UFCSPA, conforme a reitora, são proporcionais a valores economizados na pandemia. Com a impossibilidade de realizar os roteiros, segundo ela, as despesas com viagens de funcionários estiveram na casa dos R$ 68 mil, em 2020, e R$ 81 mil, em 2021.

“Como não foram feitas as visitas técnicas e cursos previstos, por causa da pandemia, economizamos este valor e, em 2022, foram realizadas mais viagens. Este valor não é o usual, por dois motivos: compromissos acumulados e alta do dólar. Também houve um aumento do valor das diárias pelo governo, em julho. Então, realmente não é o que tínhamos planejado quando firmamos os convênios. Mesmo assim, ainda tivemos a possibilidade de executar, sabendo que era uma situação bastante particular”, declarou a reitora.

Lúcia Pellanda também citou esforços para poupar recursos, como o cancelamento de um contrato de uso de um carro pela Reitoria. Conforme a docente, só essa medida resultou, em cinco anos, em uma economia de R$ 800 mil.

“É claro que nesse ano foi um gasto maior, pois já tínhamos feito uma programação. Só com o [cancelamento do] contrato de carro e outros gastos pessoais, como celulares, a gente conseguiu pagar todo o processo de internacionalização da faculdade”, enfatizou.

Internacionalização

Os roteiros internacionais, de acordo com a reitora, foram planejados entre 2018 e 2020, antes dos bloqueios e desbloqueios orçamentários dos últimos anos, baseando-se em um objetivo estratégico de inovação pedagógica.

A internacionalização, segundo a docente, é um dos pilares das universidades em geral. Ela destaca que, nos últimos cinco anos, o programa permitiu a entrada da UFCSPA em rankings internacionais que colocaram a instituição em 76º entre as universidades da América Latina e entre as 550 melhores da área de Medicina.

“Pode olhar, na Ufrgs e em todas as universidades, esse valor [de viagens e diárias] é muito importante para a internacionalização”, completa a docente.

Conforme o Portal da Transparência, no ano passado, o orçamento executado pela UFCSPA chegou a R$ 161.570.287,81. Já o da Ufrgs, mais de 11 vezes maior, atingiu R$ 1.807.501.927,97. No mesmo período, os gastos com viagens da segunda foram de R$ 2.314.814,42.

Comparados os orçamentos, o executado da UFSCPA representa 9% do da Ufrgs. Já o custo de viagens da primeira corresponde a 36% do da segunda.

Proporcionalmente, a UFCSPA gastou cerca de quatro vezes mais com os itinerários do que a Universidade Federal do RS em 2022.

Passagens e diárias da reitora 

No ano passado, dos R$ 129.107.52 utilizados em viagens pela reitora Lúcia Campos Pellanda, R$ 67.253,42 foram gastos entre o dias 15 de setembro e 3 de outubro. Os custos correspondem a um Programa de Formação em Pedagogia da Inovação, na Finlândia, e ao 4º Simpósio de Intercâmbio em Medicina da Rede de Cooperação das Escolas Médicas de Língua Portuguesa, em Portugal.

“A viagem para a Finlândia foi um convênio que fizemos com a Universidade de Turco. É um projeto que envolve toda a universidade e, inclusive, os professores finlandeses vem para cá em março. É um projeto de inovação pedagógica que está dentro da visão do programa de desenvolvimento institucional da UFCSPA, de ser uma instituição referência em inovação no ensino da saúde. Temos 30 servidores fazendo esse curso”, declarou a reitora.

Questionada pela reportagem sobre um registro de voos entre a Finlândia e Holanda, em 24 de setembro, com desembarque em Porto Alegre, no dia seguinte, a educadora disse se tratar de um erro no Portal da Transparência. Segundo ela, a informação é referente a um trecho que acabou sendo cancelado. As passagens, conforme o site, custaram mais de R$ 10 mil.

“Este trecho foi cancelado. Era do bilhete original. Vou verificar por que consta o valor como gasto, porque este foi modificado”, declarou a reitora.

De acordo com a professora, a viagem seguiu da capital finlandesa para Portugal, já que as datas entre os eventos eram próximas e não valia a pena retornar ao Brasil. O convite da Universidade do Porto, segundo ela, ocorreu após a compra das passagens.

08/01/2023 – Jornal do Comercio

Link: \https://www.jornaldocomercio.com/cultura/2023/01/880111-nucleo-cultural-da-ufcspa-oferta-cinco-cursos-de-formacao-musical-em-janeiro.html

O ano de 2023 inicia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) com uma grande variedade de ofertas de atividades de formação musical. Serão realizados cinco cursos presenciais, gratuitos e abertos à população: Por que ouvir os clássicos (2ª Ed.); A música e as américas (2ª Ed.); O Tratado de Harmonia (1722) de Rameau: contexto, princípios e perspectivas; Uma abordagem cultural da taxonomia musical: gêneros, estilos e genealogias; e Uma introdução à leitura da partitura musical (3ª Ed.). As inscrições devem ser feitas pelo SIUR - Sistema Único de Registros da UFCSPA. O curso dá direito a certificados.

08/01/2023 – Notícias ao Minuto

Link: https://www.noticiasaominuto.com.br/brasil/1979880/invictos-para-covid-e-pessoas-com-varias-reinfeccoes-intrigam-cientistas

Invictos para Covid e pessoas com várias reinfecções intrigam cientistas

Veja o que dizem os especialistas sobre os casos adversos de covid-19

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 7 de abril de 2020, o médico Marcelo Sapienza, 55, começou a sentir febre. Dois dias depois, não sentia cheiro de nada. O quadro lembrava o da Covid-19, doença descoberta meses antes e que, naquele momento, já era uma pandemia.

Marcelo fez um exame em 10 de abril, e o resultado foi positivo. A febre continuou, além de dores musculares e no quadril. "Perto do sétimo dia do quadro, fiquei mais ansioso por saber que poderia haver um agravamento por quadro inflamatório exacerbado, mas felizmente os sintomas foram progressivamente melhorando", conta.

O médico morava com sua esposa, Maria Tereza Sapienza, 57, e o filho do casal. Marcelo isolou-se dentro da sua casa a partir do dia em que perdeu o olfato. Mesmo assim, eles sabiam que tinham uma chance da transmissão ter ocorrido antes, até porque nenhuma vacina estava disponível naquele momento.

aAA realidade, no entanto, foi outra: tanto Maria Tereza quanto o filho apresentaram testes negativos para a doença.

O cenário se repetiu, agora em 2022. Já vacinados, Marcelo novamente teve Covid, mas nada de Maria Tereza apresentar a doença. "Novamente ficamos um pouco surpresos por ela não ter adoecido", diz o médico.

O casal faz parte de um estudo do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-tronco, também conhecido como Genoma USP. Pesquisadores da instituição identificaram outros casais que passaram pela mesma experiência e buscaram entender as razões pelas quais um dos parceiros ficou doente e o outro não.

Em paralelo a essa investigação, outra ocorria com uma finalidade parecida. Nesse segundo estudo, o objetivo era entender a razão de alguns idosos com mais de 90 anos apresentarem quadros leves para Covid-19 quando estavam doentes. Até o final de 2020, já eram mais de cem pessoas acompanhadas pela pesquisa, alguns até centenários.

"Se você pensar num idoso com 100 anos que passou pela Covid antes da vacina com a cepa que veio da China e se espalhou pelo mundo, os dados mostravam que a chance de essa pessoa ter complicações eram muito altas", afirma Mateus Vidigal, pesquisador do Genoma.

A explicação, tanto para os idosos sem complicações quanto para os casais em que um dos companheiros não se infectou, pode ser genética.

No caso dos mais velhos, análises dos genomas foram performadas, e alguns genes associados com o sistema imune foram encontrados com maior frequência. Um desses é o gene MUC-22. Ele é responsável pela produção de mucina, uma proteína associada ao muco. Este, por sua vez, desempenha um papel importante no combate à Covid.

Os pesquisadores ainda compararam os genomas dos idosos com os de adultos de até 50 anos que tinham morrido pela Covid-19. Nesses adultos, as alterações não foram observadas.

Nos casais, sequenciamentos dos genomas também foram realizados, com resultados parecidos daqueles vistos nos mais velhos. "A gente também identificou esses genes de resistência", afirma Vidigal.

A resposta, no entanto, ainda não é definitiva. A próxima etapa da pesquisa envolve ensaios celulares para concluir se, na prática, esses genes realmente fornecem uma resposta diferenciada frente à Covid-19.

Outro ponto diz respeito aos inúmeros fatores envolvidos no sistema imunológico de uma pessoa. Um exemplo é outra investigação, igualmente do Genoma, sobre gêmeos. Vidigal relata o caso de duas gêmeas idênticas que tiveram Covid no começo da pandemia. Depois disso, uma delas voltou a se infectar pela doença, tendo um quadro mais grave, enquanto a irmã não passou por isso.

"Na teoria, elas compartilham o mesmo DNA, então a gente esperaria uma apresentação da doença parecida, só que essa menina acabou se reinfectando e a irmã gêmea idêntica não", explica.

O caso demonstra como, muito além da genética, diversos fatores podem influenciar a resposta imune de alguém. Tabagismo, prática de atividades físicas e alimentação são só alguns exemplos que afetam o sistema de defesa do organismo de uma pessoa. "Tudo isso acaba modulando a resposta imunológica, que é única para cada indivíduo", explica Vidigal.

REINFECÇÕES TAMBÉM GERAM DÚVIDAS

Em novembro, a consultora Ana Carolina Oyafuço, 27, fez uma viagem de férias na Espanha. Ainda no país europeu, ela começou a sentir sintomas gripais, como dor de garganta e febre. Já de volta ao Brasil, Ana fez dois autotestes para Covid-19 -ambos com resultados positivos.

Ela não tem certeza se a infecção aconteceu na Espanha, mas suspeita que sim. "Eu cheguei numa segunda, e na terça já testei positivo", afirma.

Ana conta que ficou ansiosa e com medo. Seu avô morreu pela doença em julho, e sequelas a preocupavam. Mas não era bem uma novidade um teste positivo de Covid -na realidade, essa era a terceira vez que a consultora tinha resultados confirmando a infecção.

Assim como com pessoas que nunca pegaram a doença, exemplos de reinfecções como de Ana intrigam cientistas, mas algumas hipóteses já indicam por que isso ocorre.

Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), afirma que uma explicação envolve o polimorfismo, concepção de que os indivíduos apresentam respostas imunes diferentes. Pessoas com reinfecção, por exemplo, podem ter um padrão de resposta imunológica que possibilita os repetidos casos da doença.

Outra razão se relaciona à capacidade do vírus de passar por mutações. Ao ocorrer isso, o patógeno desenvolve mecanismos que podem burlar os mecanismos de defesa já adquiridos em infecções anteriores ou mesmo com a vacinação. Sendo assim, casos de reinfecção seriam mais prováveis de acontecer.

Essas duas explicações, no entanto, ainda carecem de maiores evidências. Bonorino afirma que há escassez de estudos sobre reinfecções, tanto para Covid quanto para outras doenças.

"Em geral, não fazemos esses estudos para nenhum vírus, e talvez fosse uma boa ideia programar pesquisas para todos esses vírus alvo de vacinação a fim de instrumentar políticas de saúde pública", diz.

06/01/2023 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/verao/noticia/2023/01/clima-de-amizade-a-rotina-dos-aposentados-que-jogam-bocha-em-tramandai-clcl3tzaz00fa01813l12npes.html

Clima de amizade: a rotina dos aposentados que jogam bocha em Tramandaí

Atividade aumenta a capacidade cardiovascular e faz com que os idosos se mantenham socialmente ativos

O som de uma bocha batendo contra a outra logo é abafado por risadas ou reclamações — neste caso, do time que teve a sua tirada de perto do bolim (a bola pequena que determina quem marca ponto). Entre muitas brincadeiras, conversas e discussões por pontos e jogadas, o clima de amizade predomina na cancha de bocha Dr. Darci Ribeiro Pinto, localizada no centro de Tramandaí, no Litoral Norte. É lá que, todas as tardes, de segunda a sexta-feira, um grupo de idosos se reúne para a prática do tradicional esporte de origem italiana.

Natural de Rio do Sul, em Santa Catarina, o aposentado Vitorino Pedroso, 78 anos, se mudou de Novo Hamburgo para Tramandaí com a esposa há mais de duas décadas. Desde então, passou a jogar bocha na cancha que já existia antes mesmo de sua chegada ao litoral gaúcho. 

— Estava passando por aqui com a minha mulher e um senhor me perguntou se eu jogava bocha. Daí eu vim e, a partir daquilo, estou aqui até hoje. Não tinha como não me dar bem com pessoas que brincavam comigo sem nem me conhecer, daí simpatizei com eles (os frequentadores da época) — relembra o catarinense, que jogava bocha quando era criança e, hoje, é presidente do local.

De acordo com Vitorino, os encontros na cancha ocorrem a partir das 14h30min. No inverno, o grupo costuma jogar até as 17h — horário que é estendido nos meses de verão, quando o número de frequentadores aumenta. Nesta época do ano, cerca de 12 idosos se reúnem diariamente no local, que conta inclusive com uma arquibancada para quem quiser acompanhar as partidas. 

A movimentação na cancha começou a aumentar perto das 15h na última quinta-feira (5). Em alguns minutos, dois times de quatro jogadores já estavam formados para iniciar uma partida. O presidente conta que o grupo se conhece há muitos anos e que todos os frequentadores são amigos:

— Esse tempo todo que estou aqui, não tenho inimizade com ninguém. É interessante. Lógico que se eu disser que não dá nenhuma discussãozinha, vou estar mentindo, isso é no jogo de carta, sinuca, qualquer espécie de jogo tem a discórdia. Claro que acontece, mas tudo dentro do padrão, ninguém se ofende. Discorda, mas não fica ofendido.

Os aposentados não sabem afirmar com exatidão a data em que a cancha foi inaugurada, mas Azor Tesser, 89 anos, esclarece que a tradição das partidas de bocha começou no pátio de uma residência, em outra rua de Tramandaí. Um dos jogadores mais antigos, o capitão reformado conta que um amigo, já falecido, conseguiu autorização com a prefeitura para construir o espaço no canteiro da Rua Dr. Darci Ribeiro Pinto.

— Foi feito no chão. Depois, com outras pessoas, foi feita a cobertura, banheiro e melhorou. Não perdemos a tradição, é um prazer, uma alegria pelo movimento e entretimento — relata Azor, que mora em Porto Alegre, mas costuma passar os meses de verão no Litoral Norte.

A manutenção da cancha é por conta dos associados, que pagam uma taxa anual de R$ 200 para arcar com despesas como luz, água e pequenas reformas do espaço. Segundo Vitorino, atualmente a cancha tem cerca de 30 associados — a pandemia diminuiu o número, afirma, já que alguns morreram em decorrência do coronavírus. A compra das bochas e outros itens também é de responsabilidade do grupo, mas esses itens costumam durar muitos anos.

— Nesse tempo que eu estou aqui, o único que quebrou uma bocha fui eu, sem querer. Dei um tiro, quebrei e entrei para a história como o único que quebrou uma bocha — diverte-se o presidente.

Benefícios para a saúde física e mental

Vitorino garante que a bocha é um esporte tranquilo de praticar e que a atividade melhora sua saúde, por isso, é sagrada em sua rotina. Ele afirma que, enquanto puder, vai continuar rolando bochas pela cancha:

— É uma coisa que tu exercita o corpo inteiro para jogar, para agachar. Quem atira, faz força também. É muito interessante e, para quem é idoso, é muito bom. A gente se movimenta, não quer dizer que vamos durar para sempre, mas o exercício ajuda muito o físico da pessoa e a cabeça também. Quando tu está aqui, tu se distrai, conversa com um e com outro, esquece as preocupações, se diverte.

— É um esporte de origem italiana que é justamente para se mexer. Eu aprendi desde pequeno e a gente gosta, porque é movimento. Eu gosto de ler também, mas para ler tem que ficar sentadinho, aqui é exercício — acrescenta Azor.

O chefe do serviço de geriatria da Santa Casa de Misericórdia e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Virgilio Olsen, afirma que a prática da atividade física traz muitos benefícios para a saúde dos idosos, como o aumento da capacidade cardiovascular, cardiopulmonar, aeróbica e da força muscular. Também destaca que a bocha, especialmente, tem outro aspecto importante, já que é um esporte feito em grupo.

— Quando a gente fala de envelhecimento bem-sucedido, um dos pilares é a saúde e, para manter a saúde, a atividade física é extremamente importante. Mas existem outros pilares, de aprendizagem ao longo da vida, de segurança e de interação social. E a bocha tem um poder incrível de manter esses idosos engajados na sociedade, convivendo com amigos, tendo opiniões e compartilhando de opiniões e conversas — ressalta. 

Conforme o especialista, a rotina de movimento e o fortalecimento da musculatura e das articulações também ajudam no controle da dor causada por doenças que são mais comuns no envelhecimento, como a artrose. No entanto, aponta que o ideal é que os idosos continuem fazendo exercícios durante todo o ano, não apenas na época de veraneio. Olsen também indica a necessidade de fazer alongamentos antes e depois da prática do esporte.

Além disso, é preciso ficar atento aos sinais de alerta: 

— Se tem alguma dor que esteja incapacitando a atividade, dor no peito, falta de ar ou um cansaço além do usual, merece uma avaliação médica. Mas, fora isso, é ótimo que eles façam esse exercício, que sigam fazendo e que levem cada vez mais amigos para compartilhar desses momentos.

05/01/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/cursos-gratuitos-de-forma%C3%A7%C3%A3o-musical-em-janeiro-1.968091

Cursos gratuitos de formação musical em janeiro

Promovido pelo Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, os cursos são presenciais, gratuitos, abertos à população e com direito a certificados

O ano de 2023 inicia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) com a oferta de atividades de formação musical. Serão realizados cinco cursos presenciais, gratuitos e abertos à população. As inscrições devem ser feitas pelo SIUR - Sistema Único de Registros (SIUR/UFCSPA). Veja Eventos de Extensão.: https://siur.ufcspa.edu.br/.  O curso dá direito a certificados.

Os quatro primeiros cursos citados serão realizados, presencialmente, no campus da UFCSPA, na Av. Sarmento Leite, 245, no Anfiteatro Heitor Masson Cirne Lima, no Prédio 2 da universidade e o de “Leitura de partitura” ocorrerá, presencialmente, no Zona Norte, no Bairro Rubem Berta, na sede da Alvo Associação Cultural, localizada no Vida Centro Humanístico, na Av. Baltazar de Oliveira Garcia, 2132.

Conheça os cursos e a programação:

Por que ouvir os clássicos (2ª Ed.)  - O curso objetiva incentivar o hábito da escuta musical ativa e criativa, questionar e aprofundar o conceito de “clássico musical”, a partir de paralelismos com a literatura e outras artes.Quando: 10 de janeiro, terça-feira, 15h às 17h. Na UFCSPA (Sarmento Leite 245). Com Marcelo Rabello dos Santos.

 A música e as américas (2ª Ed.) - O curso objetiva oferecer uma visão geral das músicas das américas, considerada como território de intersecção cultural entre os fazeres musicais de matriz ameríndia, europeia e africana. A partir de uma abordagem que reconhece e valoriza as contribuições de diferentes culturas, “A Música e as Américas” justifica-se por questionar o etnocentrismo e preconceitos arraigados do campo musical. Quando: 17 de janeiro, terça-feira, 15h às 17h. Na UFCSPA. Ministrado por Marcelo Rabello dos Santos.

O Tratado de Harmonia (1722) de Rameau: contexto, princípios e perspectivas – O curso objetiva elucidar aspectos do Tratado de Harmonia de Rameau de forma a permitir uma apreciação das perspectivas que a obra legou para a experiência musical contemporânea.Quando: 24 de janeiro, terça-feira, 15h às 17h. Na UFCSPA. Palestrante: Danton Oestreich.

Uma abordagem cultural da taxonomia musical: gêneros, estilos e genealogias - O curso objetiva apresentar os conceitos de gênero e estilo em música em sua acepção tradicional, discutir a limitações destes conceitos, a partir da compreensão da ideia de genealogia musical, abordar visões contemporâneas do problema da taxonomia musical. Quando: 31 de janeiro, terça-feira, 15h às 17h. Com Marcelo Rabello dos Santos. Na UFCSPA.

Uma introdução à leitura da partitura musical (3ª Ed.) - O curso objetiva oferecer, em três encontros, uma introdução à leitura de partitura e tópicos de teoria musical, informando a respeito do sistema de notação musical empregado no contexto da tradição cultural do ocidente.Formato: três encontros de 90 minutos às sextas-feiras pela manhã.Quando: 13, 20 e 27 de janeiro, das 9h30 às 11h. Na  Associação Cultural – Vida Centro Humanístico: Baltazar de Oliveira Garcia, 2132. Com Marcelo Rabello dos Santos.

01/01/2023 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/economia/ga%C3%BAchos-podem-se-inscrever-em-30-concursos-abertos-em-janeiro-de-2023-1.944735

Gaúchos podem se inscrever em 30 concursos abertos em janeiro de 2023

Há vagas em âmbitos municipal, estadual e federal, com salários que chegam a R$ 21 mil

Para quem pensa em começar uma nova carreira neste ano que se inicia, há cerca de 30 concursos e processos seletivos com inscrições abertas e vagas tanto para início imediato, quanto para formação de cadastro reserva (CR). A maior remuneração é para as 300 vagas nos cargos para a Advocacia-Geral da União (AGU) de advogado da União, procurador federal e procurador da Fazenda Nacional, de R$ 21.014,49. Inscrições no site https://www.cebraspe.org.br, até 7 de fevereiro, com taxa de R$ 180.

O concurso do Banco do Brasil é o que disponibiliza mais oportunidades no Brasil. No total, são 6 mil novas vagas, sendo 4 mil imediatas para os cargos de Agente de Tecnologia e Agente Comercial (Escriturário Nível Médio), além de 2 mil vagas para cadastro de reserva. A remuneração inicial é de R$ 3.622,23 para uma jornada de 30h semanais, além de benefícios, como plano de saúde, auxílio-alimentação e refeição, plano odontológico e possibilidade de ascensão de carreira, entre outros.

Há vagas para todos os estados brasileiros. O período de inscrições vai até 24 de fevereiro de 2023, exclusivamente no site da Fundação Cesgranrio (www.cesgranrio.org.br). A taxa de inscrição é de R$ 50 e as provas objetivas serão em 23 de abril de 2023.

[...]

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre-RS (UFCSPA-RS)

Número de vagas: 11

Remuneração: até R$ 9.616,18

Situação: inscrições até dia 20 de janeiro

Informações: Cargos para Professor Adjunto nas áreas: Enfermagem Pediátrica (1), Nutrição e Saúde Coletiva (1), Alimentação Coletiva/UAN (1), Psicologia Social (1), Radiologia-Diagnóstico por Imagem (1), Nefrologia e Semiologia (1), Gastroenterologia (1), Farmácia Clínica (1), Imunologia Clínica, Líquidos Corporais e Citologia Clínica, Uroanálise e Parasitologia Clínica (1), Cirurgia Torácica (1) e Coloproctologia (1). Inscrições no site https://sei.ufcspa.edu.br/externo/. O valor da taxa de inscrição vai de R$ 160 a R$ 175.

12/12/2022 – Brasil de Fato RS

Link: https://www.brasildefators.com.br/2022/12/12/no-rs-cortes-na-educacao-deixam-bolsistas-sem-dinheiro-para-alimentacao-moradia-e-transporte

No RS, cortes na educação deixam bolsistas sem dinheiro para alimentação, moradia e transporte

Bolsas e auxílios de assistência são a única fonte de renda dos estudantes de cursos em período integral

Bolsistas de universidades e institutos federais de todo o país têm sentido os impactos dos cortes de verbas no Ministério da Educação (MEC) decretado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) nos últimos dias. Com as incertezas quanto ao pagamento das bolsas de graduação, pós-graduação e extensão, os estudantes relatam preocupação com o futuro e temem não ter dinheiro para arcar com contas básicas: alimentação, moradia e transporte.

De acordo com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o bloqueio realizado no início de dezembro é de R$ 431 milhões. Além das bolsas estudantis, esse cenário compromete salários de funcionários terceirizados e outras despesas essenciais, como água e luz.

No Rio Grande do Sul, seis universidades federais informaram que somam, juntas, um corte de R$ 24,8 milhões: UFSM (R$ 12 milhões), UFCSPA (R$ 4 milhões), UFFS (R$ 3 milhões), Unipampa (R$ 2,4 milhões), Furg (R$ 1,7 milhão) e UFPel (R$ 1,7 milhão). A UFRGS, a maior Universidade do estado, não divulgou déficit. Já o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul teve uma perda de R$ 12,88 milhões.

“Essa medida de corte das bolsas afeta grupos muito específicos”

Natural de São Paulo, o estudante Giorgio Pereira veio para a capital gaúcha para realizar um sonho. Atualmente, ele está cursando o 4º semestre de Medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Cotista de escola pública e renda, Giorgio vive exclusivamente do dinheiro que recebe do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes).

“Eu fui pego de surpresa com a notícia de que os institutos federais estavam sem dinheiro. Foi aí que o pesadelo de fato começou. Eu dependo exclusivamente desses auxílios concedidos pelo governo federal por meio da bolsa de permanência, bolsa alimentação e a da bolsa de extensão no Núcleo de Inclusão e Diversidade (NID) da UFCSPA.”

Ele conta que, apesar da renda da Universidade ajudar, não é o suficiente: “Eu preciso fazer trabalho por fora, trabalho em bar para complementar essa renda”.

Na última quinta-feira (8), o governo anunciou a liberação para cobrir de forma integral bolsas e auxílios Pnaes. No entanto, de acordo com Giorgio, o pagamento de suas bolsas não foi realizado até o fechamento desta matéria. “As ações afirmativas garantiram que eu pudesse estar realizando o meu sonho de cursar Medicina em uma universidade pública de qualidade, mas agora isso está sendo colocado em risco”, relata.

Para o estudante, cortes de recursos da educação fazem parte de uma conjuntura necropolítica. “Essa medida de corte das bolsas afeta grupos muito específicos que são estudantes de baixa renda, sobretudo pessoas negras. Pois, assim como eu, outros estudantes negros são frutos das ações afirmativas”, enfatiza Giorgio.

“É por esses cortes que é fomentada a pobreza de estudantes, a subalternidade, a falta de acessos. Não tem como negar que o curso de Medicina é um fator de ascensão de vida pra mim e para os meus familiares porque o acesso ao ensino superior garante que eu tenha uma condição de vida melhor.”

Sem dinheiro para chegar ao campus

Hayra Kohler Schleicher, estudante do último ano do Curso Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), conta não ter previsão de receber o valor da sua bolsa no Núcleo de Memória do IFRS (NuMem/IFRS), oferecida pelo Programa Institucional de Bolsas de Extensão (Pibex). Após os cortes, ela relata medo de ficar sem dinheiro para passagens.

“Moro em Nova Petrópolis e estudo em Caxias do Sul, passo quatro horas por dia no transporte ou na rodoviária. Não consigo trabalhar em algum lugar físico, por isso, as bolsas são muito importantes pra mim. Estudar no IFRS sempre foi meu sonho, mas não é fácil”, conta.

Além dos custos com as passagens de ônibus, Hayra também precisa pagar van. “Por mês, é como se eu pagasse a mensalidade de uma escola particular. O valor da bolsa, apesar de não ser muito, ajuda bastante a ter o mínimo de ‘independência financeira’. Mas no momento, não temos previsão de quando vamos receber.”

“Mesmo sem investimento, conquistamos coisas incríveis, prêmios nacionais e mundiais no âmbito da pesquisa, ensino e extensão. Imagina o que poderia ser feito com incentivo e recurso?”, questiona a estudante.

A bolsa como única fonte de renda

Doutorando em Ciências Farmacêuticas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Cesar Hoffmann é pesquisador da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Sem o repasse da bolsa, ele diz não ter como pagar alimentação, aluguel e demais gastos pessoais. “A sorte é que eu divido o apartamento com um pessoal e eles sabem dos cortes, então eu consigo negociar”, conta.

“É a minha única fonte de renda, a gente não consegue ‘trabalhar’ pela Capes porque ela exige dedicação exclusiva”, destaca Cesar. Pelas próprias regras da Capes, os beneficiários não podem manter vínculo empregatício CLT durante o período que exercem atividades de pesquisa.

A Capes informou na última sexta-feira (9) ter efetuado o pagamento de todas as bolsas de pós-graduação. Os depósitos deveriam ter sido feitos até o quinto dia útil do mês, mas, por causa dos bloqueios de verba anunciados pelo Ministério da Educação (MEC), a instituição havia declarado que todos os bolsistas ficariam sem salário.

Ao Brasil de Fato RS, o doutorando confirmou ter recebido o pagamento. No entanto, o valor é referente ao mês de novembro. “A gente recebe retroativo, agora é esperar alguma novidade até o fim do ano, pois a bolsa de dezembro [a que deve ser efetivada no início de janeiro] está comprometida e não tem previsão”, explica.

Com dez anos de formado, o doutorando comenta nunca ter presenciado um cenário tão grave. “É bem complicado ser bolsista no Brasil, mas eu nunca tinha visto uma situação como essa de afetar todos os bolsistas.”

Linha do tempo dos cortes nas verbas destinadas ao MEC

Em junho, o MEC já havia sofrido um corte de R$ 1,6 bilhão. No entanto, a primeira ameaça ao funcionamento das instituições públicas de ensino superior aconteceu ainda em janeiro, quando Jair Bolsonaro (PL) sancionou o Orçamento de 2022. A pasta da Educação perdeu R$ 739,9 milhões do total de R$ 113,4 bilhões aprovados pelo Congresso em dezembro.

O valor retirado de universidades e institutos federais em junho foi de R$ 438 milhões. Em outubro, houve um bloqueio temporário de R$ 328,5 milhões nas instituições; a verba foi liberada posteriormente. Em novembro, o corte foi de R$ 366 milhões, que chegou a ser "cancelado" e retomado no mesmo dia. O bloqueio mais recente é de R$ 431 milhões.

Caso a verba não seja liberada, as instituições públicas de ensino superior temem pelo funcionamento em 2023.

09/12/2022 – Portal da UFPEL

Link: https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2022/12/09/reitores-gauchos-se-encontram-com-governador-eleito-do-rs/

Reitores gaúchos se encontram com governador eleito do RS

A reitora da Universidade Federal de Pelotas, Isabela Andrade, mediou, na manhã desta sexta-feira (9), reunião de diversos reitores de instituições federais de ensino com o governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Durante a reunião virtual, os dirigentes apresentaram a Leite a problemática das instituições a partir do último bloqueio orçamentário.

Participaram, além de Isabela, os reitores dos Institutos Federais do Rio Grande do Sul (IFRS), Júlio Heck, Farroupilha (IFFar), Nídia Heringer, e Sul-Rio-Grandense (IFSul), Flávio Nunes, o reitor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Roberlaine Jorge, e da vice-reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Jenifer Saffi.

Isabela iniciou a reunião trazendo o cenário do atual corte, que diferente dos demais ocorridos no ano, impediram o empenho de compromissos financeiros já assumidos pelas instituições, pois este deixou o caixa zerado. Além disso, houve a suspensão dos repasses destinados à assistência estudantil.

O governador eleito manifestou sua posição sobre o ocorrido, descrevendo a ação do Ministério da Economia como um desincentivo à ciência; também destacou o impacto dos cortes especialmente para uma camada tão necessitada dos recursos, que são os estudantes em vulnerabilidade socioeconômica. Colocando-se à disposição dos reitores gaúchos, Leite disse considerar importante o envolvimento da bancada do estado no Congresso Nacional, à qual se comprometeu a contatar.

08/12/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/educacao/2022/12/sob-pressao-mec-libera-parte-do-orcamento-bloqueado-para-pagar-assistencia-estudantil/

Sob pressão, MEC libera orçamento bloqueado para pagar assistência estudantil e bolsas

Entre quarta e esta quinta-feira, Victor Godoy anunciou duas liberações de recursos para o Ministério

Depois de dias de tensão, com universidades federais pelo País todo anunciando que não tinham dinheiro para contas básicas e de estudantes apavorados com o bloqueio de recursos destinados a bolsas, a situação começou a ser resolvida. Na terça-feira (6), o governo federal publicou uma portaria liberando R$ 300 milhões do orçamento bloqueado pelo Ministério da Economia para o Ministério da Educação (MEC). Na noite de quarta (7), o MEC garantiu às universidades a utilização desse dinheiro para o pagamento de bolsas e auxílios do Programa Nacional de Assistência Estudantil, que estava inviabilizado pela suspensão de repasses. Após uma reunião com representantes de instituições, o Ministério Público Federal (MPF) enviou, nesta quinta (8), uma recomendação aos ministérios para a suspensão dos bloqueios e a recomposição do orçamento.

Ao final da tarde, o ministro Victor Godoy anunciou em suas redes sociais a liberação de R$ 460 milhões para a educação, dinheiro a ser usado para as despesas discricionárias das instituições. Godoy também garantiu que os R$ 300 milhões liberados anteriormente serão usados para bolsas PET, Prouni e outras, além da assistência estudantil. As bolsas da Capes devem ser pagas até a terça-feira (13).

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) divulgou que, até segunda-feira (12), deve realizar todos os pagamentos de auxílios previstos no mês para quase 4 mil estudantes. “A liberação de recursos financeiros ocorreu nesta quinta-feira, 08 de dezembro de 2022, e é específica para a assistência estudantil. Dessa forma, outros gastos cotidianos, como energia elétrica, água e contratos terceirizados, a exemplo de limpeza e vigilância, seguirão em aberto”, diz o texto, publicado no site do Instituto.

Diversas universidades e institutos federais haviam emitido comunicados informando sobre a dificuldade para as instituições e, principalmente, para seus estudantes. Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), demonstrou preocupação com a situação dos estudantes, mesmo após a liberação da assistência estudantil. “Está sendo muito difícil, os alunos estão desesperados porque as pessoas precisam disso pra comer, pra pagar aluguel, pra vir pra universidade”, disse.

Esse é o caso de Paulo Cesar de Santana Filho, estudante de Biomedicina e pesquisador da UFCSPA. Ele entrou na universidade com cota de escola pública e de renda, e, desde 2018, recebe R$ 400 de auxílio moradia e R$ 300 de auxílio alimentação. “Eu sou do interior de São Paulo, São José dos Campos, e meus pais moram de aluguel lá também. Então, o dinheiro do auxílio é fundamental pra eu conseguir me virar aqui em Porto Alegre. Não receber o auxílio da faculdade faz com que as minhas contas aqui fiquem difíceis e meus pais precisariam mandar dinheiro para mim.”

Luíza Faustino de Souza, estudante de nutrição, explica que se torna inviável complementar a renda trabalhando por não ser possível conciliar com os horários da graduação, e por isso se torna necessário o auxílio permanência. “Muitos não conseguem trabalhar, não conseguem estagiar por conta dos horários de turno integral, a maioria do pessoal estuda de manhã e de tarde, então muitos dependem somente dos auxílios para se manter em Porto Alegre. Um mês de bloqueio é o suficiente para causar uma tragédia.”

Os estudantes de pós-graduação enfrentavam situação semelhante. Júlia Klein Caldas, bolsista de doutorado em Linguística Aplicada na Unisinos, temia não receber os recursos devidos. “Minha bolsa é integral e exige dedicação exclusiva, o que torna a pesquisa o meu trabalho. Além de desenvolver a tese, temos que publicar em revistas científicas, participar de eventos e nos envolvemos com cursos e atividades de extensão. Com esse calote do governo, não receber significa trabalhar de graça e não saber como pagar as contas do mês. A bolsa é minha única fonte de renda”, relata.

Mellanie Fontes-Dutra, biomédica, neurocientista e pesquisadora, vê um ataque constante à ciência a partir dos diversos contingenciamentos na pós-graduação. “A gente precisa que a ciência tenha prioridade de investimento e não prioridade de contingenciamento, até porque muitas pesquisas precisam desse financiamento”, observa. Ela reforça, ainda, que o valor das bolsas não sofre reajuste e é abaixo do valor necessário para cobrir despesas básicas. “Eu fico me colocando na posição desses vários estudantes de pós-graduação que têm aluguel para pagar que precisam da bolsa para transporte, para comida, não receber a bolsa coloca toda essa subsistência em risco. A gente não tá falando só da pesquisa. A gente tá falando das pessoas também.”

Entidades de estudantes e profissionais da UFCSPA convocaram um ato de mobilização na segunda-feira (12):

“Devido aos graves bloqueios sofridos pelas Instituições Federais de Ensino, incluindo a UFCSPA, os Conselheiros Discentes, DCE, APG, CA’s, ASSUFRGS, ADUFRGS, em diálogo com a reitoria e demais membros da comunidade acadêmica da UFCSPA, organizaram proposta de mobilização da nossa comunidade para um ATO UNIFICADO neste dia 12/12. A proposta inclui uma Sessão Conjunta Pública CONSUN/CONSEPE às 15:30, direcionada a toda comunidade interna e externa à UFCSPA e Ato de Rua após ao término da sessão, às 17:00 na Sarmento Leite, onde estaremos lutando contra o bloqueio de verbas e a falta de dinheiro para o pagamento de bolsas, auxílios e despesas universitárias básicas como luz e água. Cada aluno, técnico, terceirizado e professor é fundamental para a sobrevivência da UFCSPA, de nossas atividades e de nossos acadêmicos neste momento. Contamos com a sua ajuda na mobilização! Defendemos uma Educação Pública de qualidade, defendemos o respeito às Instituições Federais e aos nossos pesquisadores. A UFCSPA RESISTE, e juntos iremos mobilizar o maior número de pessoas contra o desmonte na Ciência e Educação no nosso país!”

08/12/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/12/meu-cartao-de-credito-vence-amanha-e-nao-vou-pagar-minhas-contas-diz-pesquisadora-apos-cortes-no-mec-clbfn5mjp005r014u571wkfsg.html

“Meu cartão de crédito vence amanhã e não vou pagar minhas contas”, diz pesquisadora após cortes no MEC

Mais de 200 mil bolsistas de mestrado e doutorado da Capes não receberam salário; ministro da Educação anuncia que pagamento ocorrerá na semana que vem

Nesta sexta-feira (9) que marcará nove dias após o Ministério da Economia cortar R$ 5,72 bilhões no orçamento do governo federal, a estudante de doutorado em Fisiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Vanise Pereira de Medeiros, 36 anos, lidará com um amargo problema: a fatura do cartão de crédito vence, mas ela não terá como pagar.

A bióloga é uma entre 200 mil pesquisadores de mestrado e doutorado que não receberam o salário na quarta-feira (7) devido aos bloqueios orçamentários no governo federal para cumprir o teto de gastos, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência de fomento à ciência. A instituição não informou o número de afetados no Rio Grande do Sul.

— O valor que a gente recebe por mês da bolsa no doutorado é de R$ 2,2 mil. Com esse valor, pago aluguel e todas as despesas de alimentação, condução, remédio, sobrevivência. Não temos fim de semana, não temos feriado, não temos férias remuneradas, não temos 13º, não temos FGTS, não temos INSS, não temos passagem de ônibus. Meu cartão de crédito vence amanhã, não vou conseguir pagar. Não tenho outra fonte de renda, nós assinamos um contrato de exclusividade, não podemos ter outro tipo de trabalho, nem vender brigadeiro na esquina. Na minha vida, eu não pagarei as contas neste mês. É triste — diz a pesquisadora.

A situação deverá ser revertida: após ampla repercussão negativa, o ministro da Educação, Victor Godoy, anunciou na tarde desta quinta-feira (8) que obteve, do Ministério da Economia, liberação de R$ 460 milhões. O valor será usado para assistência em moradia, transporte e alimentação de alunos de baixa renda, bolsas de permanência do Programa Universidade para Todos (ProUni), bolsas PET, bolsistas de pós-graduação da Capes, entre outros.

Vanise estuda as variantes da covid-19 em Porto Alegre e foi responsável, com colegas, por identificar o primeiro caso de Ômicron na capital gaúcha. Com a incerteza de pagamento, sente-se desvalorizada.

— Tudo que a gente se empenha, a gente não vê valorização por parte do governo. Com a defasagem do valor, está bem complicado sobreviver. As pessoas perguntam por que estou nessa área. É a única forma de fazer pesquisa no Brasil, precisamos passar por mestrado e doutorado. Mas sinto vontade de desistir - diz Vanise.

O corte de R$ 5,72 bilhões foi definido pelo Ministério da Economia, mas cada pasta decide onde a redução será feita. Pressionado, o governo publicará nesta semana portaria liberando R$ 3,3 bilhões para despesas não obrigatórias em várias áreas. Desses valores, R$ 300 milhões foram para o MEC — nesta quinta, o valor liberado subiu para R$ 460 milhões.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) também sofreram cortes, de R$ 35,4 milhões. Um protesto de residentes na manhã desta quinta-feira (8) manifestou indignação contra a medida, uma vez que ficarão sem salário. Um dos afetados é o farmacêutico Gabriel Chiomento da Motta, 27 anos, que recebe bolsa de R$ 4,1 por mês.

— Não tendo dinheiro, não tem como pagar aluguel, internet, telefone e gastos do dia a dia. Nenhuma pessoa quer trabalhar para não receber salário. Não tenho quem pague o aluguel por mim. Tenho família, mas ela não consegue pagar aluguel e custo de alimentação. É chocante: num dia tá tudo certo, mas no próximo tu pode não receber nada — afirma Motta.

A Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) convocou todos os bolsistas de pesquisa do país a paralisar as atividades nesta quinta-feira. “São milhares de jovens pesquisadores que têm sua sobrevivência ameaçada concretamente pela quebra de contrato ao não serem pagos por seu trabalho produzindo ciência no país. Estamos falando de milhares de jovens, o qual possuem como única renda as bolsas de estudos”, diz a entidade, em nota.

É o caso da doutoranda em Biociências na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Helena de Castro e Glória, 32 anos, que estuda células cancerígenas desde o primeiro ano da graduação em Biomedicina.

Neste ano, foi selecionada pela Capes para um período de estudos na França. Em novembro, deveria ter recebido cerca de R$ 5 mil para pagamento das passagens aéreas e custos de instalação, mas ainda não viu o dinheiro pingar na conta. Tampouco recebeu o salário de novembro, que deveria ter caído nesta semana.

Sob risco de perder a vaga no Exterior, ela recebeu dinheiro emprestado de sua orientadora para passagens, seguro-saúde e primeiro mês de aluguel. Nesta quinta-feira, Helena embarcou a Toulouse para assegurar a continuidade da pesquisa. Levará na mala 140 amostras a serem analisadas e dinheiro para sobreviver, no máximo, um mês e meio. Aguarda apreensiva que o dinheiro seja depositado.

— Não recebi a bolsa para ir para lá e deixei de receber a bolsa do que trabalhei em novembro aqui no Brasil. É uma situação assustadora, não sei quanto tempo levará para o dinheiro liberar. Ser pesquisador no Brasil é difícil, estamos há nove anos sem reajuste nos valores das bolsas, a gente faz muito com pouco dinheiro, mas o problema é que tiraram o pouco que a gente tinha — desabafa.

Orientadora de Helena há quase uma década, a professora de Bioquímica Jenifer Saffi, coordenadora do Laboratório de Genética Toxicológica, diz que a situação é frustrante, mas que quis ajudar a aluna porque, anos atrás, recebeu bolsas do governo para ser pesquisadora.

— A Helena está há 10 anos no meu grupo de pesquisa. Assim como fui ajudada quando era estudante, porque na época o governo honrava com as bolsas que se comprometia, eu também quis ajudar. Essa pesquisa pode de fato trazer resultados no tratamento contra o câncer. Vejo um descaso com a ciência e a educação que nunca vivenciei. Jamais vou deixar ela na mão, é a minha “filha científica”. O brasileiro acaba dando um jeito e cria uma rede de solidariedade, mas precisamos de investimento. Não dá para tirar a esperança, os jovens são nosso futuro. Vamos segurar essa onda — afirma a professora.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) não informou a GZH quantos alunos foram afetados, mas diz que “está em contato permanente com o Ministério da Educação e associações que representam as universidades, acompanhando assim todas as evoluções das questões do financiamento pública da educação”. Na UFCSPA, mais de 400 estudantes tiveram bolsas cortadas. A reitora Lucia Pellanda diz que alunos de pós-graduação são os grandes responsáveis pela produção de ciência brasileira.

— Esses bolsistas são as pessoas que, quando veio a pandemia, trabalharam de segunda a segunda, enfrentando um vírus desconhecido com muita coragem e dedicação para fazer pesquisa, campanha de conscientização e produzir álcool em gel. Chegar perto do Natal e retirar os recursos é muito cruel: eles têm dedicação exclusiva, não podem se dedicar a outras atividades que não seja ao projeto de pesquisa deles. Países que investem em educação e ciência têm a possibilidade de ter uma economia mais baseada em conhecimento e menos em produtos básicos — afirma.

A possível liberação de recursos fora antecipada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que representa reitores. A entidade se reuniu na quarta-feira com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI).

Segundo a Andifes, Nogueira afirmou que “surgiu uma luz no fim do túnel com a possibilidade de obtenção de recursos, após uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) autorizando a abertura de crédito extraordinário ao governo para cobrir o pagamento do Benefício de Prestação Continuada, do seguro-desemprego e de despesas judiciais”.

A Andifes ainda diz que há a possibilidade de universidades receberem verba oriunda da PEC da Transição, aprovada no Senado e que será apreciada pela Câmara dos Deputados na semana que vem.

O que diz o governo

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) não retornou à reportagem. O MEC foi contatado, mas repassou questionamentos à Capes. A Capes informa que, após sofrer dois cortes do Ministério da Economia, foi surpreendida com a medida que “zerou por completo a autorização para desembolsos financeiros durante dezembro” para o pagamento dos mais de 200 mil bolsistas brasileiros pelos quais é responsável.

Na nota enviada à reportagem, a Capes ainda afirma que cobrou das autoridades competentes a imediata desobstrução dos recursos financeiros essenciais para o desempenho regular de suas funções, "sem o que a entidade e seus bolsistas já começam a sofrer severa asfixia”. Os pedidos ocorreram principalmente “para conferir tratamento digno à ciência e a seus pesquisadores”.

Na tarde de quinta-feira, a Capes afirmara que obteve R$ 50 milhões do MEC para pagamento de 100 mil bolsas dos Programas de Formação de Professores da Educação Básica referentes a dezembro.

Em nota divulgada à imprensa na segunda-feira (5), o Ministério da Economia afirma que precisou impor corte de R$ 5,72 bilhões nos gastos do governo federal para cumprir o teto de gastos neste fim de ano, uma vez que as despesas do governo cresceram além do esperado em 2022, em especial da Previdência Social.

Em novo posicionamento na quarta-feira (7), a pasta diz que “diante da execução orçamentária e financeira desafiadora já relatada neste fim de ano, segue acompanhando de perto as demandas dos diversos órgãos do Poder Executivo e trabalha para o atendimento desses pleitos, sempre respeitando o arcabouço fiscal. O Ministério da Economia reforça também que estão assegurados os pagamentos de todas as despesas obrigatórias que serão de fato executadas até o fim do exercício”.

08/12/2022 – Portal Camaquã

Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/56720/defensoria-publica-da-uniao-une-se-a-mobilizacao-contra-os-cortes-orcamentarios.html

Defensoria Pública da União une-se à mobilização contra os cortes orçamentários

Também participou o assessor do Gabinete da Reitoria Marco Fernandes

A reitora da Universidade Federal de Pelotas, Isabela Andrade, juntamente com os reitores dos Institutos Federais Sul-Rio-Grandense, Flávio Nunes, e do Rio Grande do Sul, Júlio Heck, e o pró-reitor de Administração da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Leandro Souza, reuniu-se no início da tarde da quarta-feira, dia 7, com o defensor regional de Direitos Humanos, da Defensoria Pública da União, Daniel Cogoy. Também participou o assessor do Gabinete da Reitoria Marco Fernandes.

O encontro serviu para apresentar a situação crítica em que se encontram as instituições federais de ensino após o último corte orçamentário, que incluiu a suspensão das verbas voltadas para assistência estudantil, ou seja, para os recursos que permitem a subsistência de estudantes em vulnerabilidade socioeconômica. Segundo Isabela, o momento é para estudar as possibilidades de judicialização da questão, de forma a forçar o governo federal a liberar o montante. A situação é tão esdrúxula, conforme colocado pelos gestores das instituições, que ainda não se encontrou um consenso na situação.

A insegurança alimentar dos estudantes é, de acordo com Cogoy, a principal bandeira a ser levantada estando ao alcance da Defensoria Pública da União, pelo fato de haver um entendimento de violação de Direitos Humanos. Para isso, será necessário um contato por meio de oficio com o Ministério da Economia para que sejam pedidos esclarecimentos, antes de se ingressar com algum tipo de ação. Cogoy salientou ainda que não é possível que se garanta algum tipo de resultado com a ação, mas sim a participação da DPU na mobilização em torno dessa pauta.

 07/12/2022 – Jornal do Comércio

Link: https://www.jornaldocomercio.com/cultura/2022/12/875977-coral-ufcspa-comemora-10-anos-com-concerto-especial.html

Coral UFCSPA comemora 10 anos com concerto especial

Em comemoração a uma década de contribuição musical e cultural, o Coral da UFCSPA apresenta, na próxima quinta-feira (8), às 20h, um concerto que reunirá cerca de 80 vozes e terá como convidada especial a Banda Comunitária da UFCSPA. O espetáculo acontece no Salão Nobre da Universidade (rua Sarmento Leite, 245) e tem entrada franca.

 

07/12/2022 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/12/07/bloqueio-de-verbas-federais-torna-incerta-permanencia-de-alunos-em-universidade-do-rs-nao-tenho-como-pagar-meu-aluguel.ghtml

Bloqueio de verbas federais torna incerta permanência de alunos em universidade do RS: 'não tenho como pagar meu aluguel'

Auxílios para assistência e bolsas de extensão são a única fonte de renda dos estudantes de cursos em período integral. Universitários de instituição de Porto Alegre relatam preocupação com o futuro.

O bloqueio de verbas que seriam repassadas pelo Ministério da Educação (MEC) a instituições de ensino superior da rede federal tem deixado universitários de Porto Alegre em alerta. Os valores, destinados a auxílios para assistência e bolsas de extensão, são a única fonte de renda dos alunos dos cursos em período integral.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) afirma estar sem recursos financeiros para realizar pagamentos de rotina, incluindo fornecedores (terceirizados, água, luz, internet, manutenção), programas de apoio à pesquisa e auxílios estudantis. A Universidade alega que se o não repasse persistir poderá haver prejuízo da folha de pagamento de dezembro.

Diante do contingenciamento, estudantes da UFCSPA relatam preocupação com o futuro e temem ter que trancar o curso.

Ramiro Machado da Luz Neto, de 25 anos, é um deles. O estudante do 6º semestre do curso de Farmácia recebe, mensalmente, R$ 1.100. São R$ 400 do Auxílio-Moradia, R$ 300 do Auxílio-Alimentação e R$ 400 da bolsa de extensão pela participação em um podcast sobre ciência.

Natural de Camaquã, na Região Sul do RS, Ramiro conta que se mudou para Porto Alegre em 2020 para estudar. Segundo ele, sem o repasse do valor será inviável arcar com as despesas e se manter na Capital.

Carlos Daniel Vieira estuda Medicina na UFCSPA. O universitário de 22 anos é cotista de renda. Ele ingressou na universidade em 2020 pela chamada Cota L2, reservada para candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, com renda familiar igual ou inferior a um salário mínimo e meio e que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escolas públicas.

O estudante recebe R$ 400 mensais de subsídio desde abril de 2020. Ele diz que foi bolsista em um podcast e depois criou um projeto de extensão com uma professora. A iniciativa vai completar dois anos em abril. Segundo ele, foi a forma que encontrou de "conseguir manter os gastos durante a faculdade".

Nota das Instituições Federais

As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) signatárias desse documento foram surpreendidas, na segunda feira 29/11, por um bloqueio dos limites de empenho das universidades e institutos federais, sem prévia comunicação do ministério da economia.

No dia 01/12, após intensa mobilização da sociedade, o MEC anunciou a devolução dos limites de empenho. No entanto, algumas horas depois, ocorreu novo bloqueio, conforme decreto Decreto nº 11.269 de 30/11/2022.

Os prejuízos, de mais de 45 milhões em repasse não realizados, são gravíssimos e afetam diretamente a autonomia das instituições, representando prejuízo do direito à educação dos estudantes de todas as instituições, além de risco judicial para as instituições.

As IFES estão, no momento, sem recursos financeiros para honrar pagamentos já previstos no orçamento, como a assistência estudantil, bolsas e contas básicas para o funcionamento das universidades, como água, luz, trabalhadores terceirizados e outras obrigações imediatas. Caso a situação persista, poderá afetar também a despesa obrigatória da folha de pagamento.

Considerando que a Educação é o futuro da nação, a sociedade tem o direito de contar com instituições federais de ensino fortes, que formem cidadãos, produzam pesquisa, extensão, cultura e dialoguem com as comunidades. Todo o planejamento orçamentário do ano é realizado no ano anterior e aprovado pelo Congresso Nacional.

As instituições federais de ensino superior já vêm sofrendo com progressivas reduções do orçamento discricionário. No entanto, este derradeiro bloqueio, com seu caráter inesperado e extremamente prejudicial, nos coloca em uma posição crítica perante os compromissos assumidos e afeta diretamente o cumprimento de nossa missão institucional.

07/12/2022 – Portal Extra

Link: https://extra.globo.com/noticias/educacao/nao-consigo-ir-para-faculdade-sem-bolsa-bloqueios-no-mec-impedem-universitarios-vulneraveis-de-frequentarem-curso-25623111.html

'Não consigo ir para faculdade sem bolsa': bloqueios no MEC impedem universitários vulneráveis de frequentarem o curso

Mateus Santos, de 24 anos, vive no limite. Os R$ 880 de duas bolsas e um auxílio que recebe por mês da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), dão para pagar uma república que divide com 17 pessoas e itens de necessidades básicas. A alimentação é garantida pelo bandejão, onde ele faz todas as refeições do dia. Neste mês, no entanto, ele não sabe o que fará. Isso porque, após um bloqueio de R$ 431 milhões determinado pelo Ministério da Educação, diversas instituições federais anunciaram que não poderão pagar qualquer conta em dezembro, inclusive as bolsas e auxílios que mantêm os estudantes mais pobres no ensino superior.

— Ainda estou devendo o empréstimo de quase R$ 4 mil que peguei quando vim para Minas Gerais para me manter até começar a receber as bolsas. Pedi para pagar o aluguel só no dia 16. Mas, sinceramente, não sei o que fazer — conta o estudante do 2º período de serviço social.

As universidades federais tiveram, neste ano, dois grandes bloqueios de orçamento que, juntos, somam R$ 869 milhões — um de R$ 437 milhões em junho e o outro de R$ 432 milhões na última sexta-feira — de desfalques nos cofres das instituições e que, na prática, deixou elas sem dinheiro para pagamentos básicos em dezembro.

Dados do Censo de Educação Superior apontam que o país teve em 2021, último ano disponível, 257 mil universitários da rede federal recebendo algum tipo de apoio social. Esse número era 26% maior em 2019.

A verba havia sido bloqueada, inicialmente, em 28 de novembro. Três dias depois, o MEC voltou atrás, anunciando um desbloqueio do valor. Após intervalo de algumas horas, voltou a bloquear.

Além da UFU, pelo menos outras 23 instituições informaram que não conseguirão pagar esses auxílios no último mês do ano. Estão nessa lista, por exemplo, as universidades federais de Minas Gerais (UFMG); de Mato Grosso (UFMT); de Mato Grosso do Sul (UFMS); de Rondônia (Unir); do Oeste da Bahia (Ufob), do Sul da Bahia (UFSB); e de Pelotas (Ufpel), que pagaria as bolsas ontem. Gigantes como a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade de Brasília (UnB) passam pela mesma situação. Segundo a reitoria da UnB, "parar, não vai", mas não se sabe em quais condições os estudantes terão aulas.

— A Universidade de Brasília sofreu mais um golpe. Foram retirados R$ 17 milhões de tudo o que nós temos para gastar em 2022 ainda. Não temos mais dinheiro para pagar nada — afirmou a reitora da UnB, Márcia Abrahão.

Já a universidade do Norte de Tocantins (UFNT) e a de São João del-Rei (UFSJ) afirmaram que, mais do que não conseguir pagar nenhuma bolsa ou auxílio, estão com o caixa completamente zerados a 24 dias do fim do ano. Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), há R$ 5,8 milhões a pagar em dezembro com bolsas e contas de custeio que não serão pagas por conta dos bloqueios.

— A situação é gravíssima. Não vamos pagar os auxílios emergenciais e nem a compensação pelo fechamento do restaurante universitário, que é a única segurança alimentar de alguns discentes em vulnerabilidade socioeconômica. Vamos deixar de pagar serviços para priorizar o que dá e não deixar as bolsas. Mesmo assim, acho que não poderemos pagar todas. Nunca vivemos tantos desmandos e desrespeito. Não há planejamento que se sustente. Esperamos dias melhores — afirmou Luciana Elias, a pró-reitora de Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Jataí, no Sudoeste Goiano.

Já a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) informou que até os salários dos servidores — despesa que é paga com recursos diferentes dos que bancam os auxílios e são considerados gastos obrigatórios — podem ser afetados pela falta de recursos.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também está nessa lista. Lá, Jéssica Pinheiro, de 20 anos, conta com três auxílios para se manter no curso de ciências sociais. Por morar em São João do Meriti, na Baixada Fluminense, a 40km do campus, a jovem depende do auxílio transporte e da bolsa permanência, que juntas somam R$ 830 reais. Segundo ela, quase todo o valor é gasto na locomoção. Além destas, ela recebe R$ 250 para ajudar nos materiais didáticos. Sem esses valores, ela teme não conseguir frequentar as aulas presencialmente em dezembro.

— Minha mãe é auxiliar de cozinha e meu pai autônomo. Eu não recebo ajuda deles porque eles não têm como. Comecei um emprego agora, mas para este mês não tenho dinheiro. A UFRJ é a única forma de eu permanecer na faculdade — afirma a estudante, que é cotista e está no quarto período da graduação.

A jovem ainda iniciaria um projeto de iniciação científica, que além de ajudá-la financeiramente, traria experiências na área da pesquisa acadêmica, que deseja se aprofundar. Esses tipos de bolsas também não serão pagas em diversas universidades. Ontem, o ministro da Educação, Victor Godoy, informou que 14 mil residentes de hospitais federais e 100 mil bolsistas da Capes, alunos de mestrado e doutorado, também não devem receber por falta de recursos.

— Meu primeiro contato na faculdade foi com manifestações contra cortes de verbas. Mas nos anteriores houve um recuo. Eu espero que desta vez haja também, porque muitos alunos dependem desse dinheiro para sobreviver e conseguir estudar dignamente — diz Jéssica.

Em nota nesta terça-feira, a Capes afirmou que foi surpreendida pelo bloqueio de recursos feito pelo governo e que a medida impedirá o pagamento de cerca de 200 mil bolsas.

"Isso retirou da CAPES a capacidade de desembolso de todo e qualquer valor - ainda que previamente empenhado - o que a impedirá de honrar os compromissos por ela assumidos, desde a manutenção administrativa da entidade até o pagamento das mais de 200 mil bolsas, cujo depósito deveria ocorrer até amanhã, dia 7 de dezembro", diz o comunicado.

A entidade afirma ainda que a falta de recursos faz com que " entidade e seus bolsistas já começam a sofrer severa asfixia" e pede que o governo reverta a medida.

Em nota, a UFRJ disse ter adotado "suspensão de pagamentos das concessionárias de água e luz" após as subtrações do Ministério. “A situação de “limite zero” que nos foi imposta, associada à falta de previsões de liberações até o final do ano, nos impede de continuar, pois nosso orçamento definido em lei tornou-se inacessível e isso coloca em risco a continuidade do funcionamento se os cortes não forem revertidos em poucos dias”, emenda nota.

Ontem, integrantes da transição acenderam o alerta em relação à possibilidade de riscos ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no próximo ano. No caso do Enem, Paim afirmou que o exame para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL), que ocorre em janeiro, está garantido, já que os contratos já estão vigentes. Mas há preocupação em relação ao Enem do ano que vem, cuja licitação ainda será feita pelo atual governo.

— Temos preocupação com o Enem 2023 porque tem um processo licitatório em curso. A gente sabe que o estudante não vai esperar, o Sisu tem que estar funcionando, o Prouni, todos os sistemas têm que estar funcionando para que não prejudique os calendários das instituições de ensino superior — disse o ex-ministro da Educação e um dos coordenadores do grupo de transição, Henrique Paim.

Nesta semana, a equipe de transição tem uma reunião com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, para aprofundar o tema.

Paim explicou ainda que há recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-geral da União (CGU) para que contratos da área de tecnologia de informação sejam revistos, o que poderia afetar a operação de sistemas informatizados no próximo ano, como o Sisu e o SisProuni. Ambos os sistemas atuam na seleção de estudantes para o ensino superior.

Luiz Cláudio Costa, ex-presidente do Inep e membro da transição, afirma que qualquer mínimo atraso no cronograma prejudicará o acesso dos estudantes ao ensino superior. Ele criticou o fato de no próximo ano as inscrições do Sisu serem abertas somente em 28 de fevereiro, próximo do início do ano letivo.

— Além de ter o calendário que já não é adequado, o ideal é sempre fazer com antecedência, se der qualquer problema no sistema é gravíssimo, porque o estudante não consegue entrar nas universidades e institutos — disse.

07/12/2022 – Portal O Outro Lado da Notícia

Link: https://outroladodanoticia.com.br/2022/12/07/no-rs-bolsistas-e-tercerizados-sao-os-principais-afetados-pelo-bloqueio-bolsonarista-as-universidades/

No RS, bolsistas e tercerizados são os principais afetados pelo bloqueio bolsonarista às universidades

Os cortes realizados por Bolsonaro atingiram em cheio as universidades no RS visto que o valor seria utilizado por parte delas no pagamento de despesas para funcionamento das instituições de ensino, bolsas de estudo e de salários de trabalhadores terceirizados. É necessário desde já preparar a mobilização para barrar esse ataque do Bolsonaro, sem nenhuma ilusão no novo governo, que desde o Governo de Transição já aponta favorecer os barões da educação privada.

Há 1 mês para terminar o mandato, o Ministério da Educação (MEC), sob comando do bolsonarista Victor Godoy, realizou mais uma série de cortes no orçamento do Ministério na semana passada, trata-se de um deliberado calote em milhares de terceirizados e bolsistas.

Na UFRGS, depois de dias do silencio ensurdecedor da reitoria interventora, foi declarado que o corte atinge em cheio a assistência estudantil, pagamento de bolsas e os salários dos trabalhadores terceirizados, além de contas básicas de luz e água, afirmando que caso a situação persista, poderá afetar também a folha de pagamento. Trazemos aqui o impacto em cada universidade do estado:

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM): R$ 12 milhões;

Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA): R$ 4 milhões;

Universidade Federal de Pelotas (UFPel): 1.6 milhão;

Universidade Federal do Pampa (Unipampa): R$ 2,4 milhões;

Universidade Federal do Rio Grande (Furg): R $1,7 milhão;

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS): R$ 3 milhões.

Algumas destas, como a FURG, já anunciaram que não terão condições de funcionamento após o final do mês.

Sentimos há pelo menos 8 anos consecutivos os cortes na educação, e como reflexo destes estão a falta de assistência estudantil, infraestrutura, demissão de terceirizados e calote aos terceirizados e bolsistas.

É frente a essa situação que todos os DCEs e CAs pelo país deveriam estar pondo de pé uma forte mobilização contra o bloqueio, com assembleias para organizar os estudantes contra os seguidos cortes à educação que estão a serviço do pagamento da dívida pública e que correspondem ao Teto de Gastos e outras reformas que o novo governo Lula e Alckmin já se comprometem que não vão revogar de conjunto.

Diferente disso, o DCE da UFRGS, dirigido pela UJC, não falou uma palavra sobre os bloqueios, mostrando sua adaptação à política de apassivamento do movimento estudantil levada à frente pela UNE, que não mobilizou os estudantes em nenhuma universidade e ainda comemorou como uma “vitória dos estudantes” um recuo momentâneo dos bloqueios. Isso porque a UNE, dirigida pelo PT e PCdoB, busca se localizar no governo de transição ao lado de Alckmin e dos articuladores da desastrosa reforma do ensino médio, localização esta que inclui UP e PSOL também.

É preciso que o DCE da UFRGS dê exemplo de auto-organização estudantil, convocando assembleias para mobilizar os estudantes contra os cortes e a UNE precisam organizar a luta pela base, com assembleias em cada local de estudo e trabalho, para organizar os estudantes e trabalhadores da educação pela reversão dos cortes orçamentários e contra as manifestações reacionárias dos bolsonaristas. É necessário confiar na nossa força e mobilização, de forma independente do governo eleito, pois somente com a unidade de estudantes e trabalhadores será possível enfrentar os cortes à educação, as reformas e o bolsonarismo. (Esquerda Diário)

07/12/2022 – Portal Camaquã

Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/56688/ufpel-e-ifsul-participam-de-reuniao-com-ministerio-publico-sobre-a-crise-orcamentaria.html

UFPel e IFSul participam de reunião com Ministério Público sobre a crise orçamentária

Os representantes levaram ao procurador regional dos Direitos do Cidadão no RS, um levantamento sobre os valores bloqueados

O caixa zerado das instituições federais de ensino superior com novo bloqueio de recursos orçamentários e financeiros motivou uma reunião entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) gaúchos e o Ministério Público Federal (MPF).

A reitora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Isabela Andrade, e o reitor do Instituto Federal Sul-Rio-Grande (IFSul), Flávio Nunes, estiveram no encontro, que ocorreu virtualmente na terça-feira, dia 6, à tarde.

Os representantes das IFES do estado levaram ao procurador regional dos Direitos do Cidadão no RS, Enrico Rodrigues de Freitas, um levantamento sobre os valores bloqueados em cada instituição e explanaram acerca dos impactos da medida.

Enquanto ocorre a continuidade da pressão sobre o governo federal para a reversão do bloqueio - por meio das universidades, Associação Nacional dos Dirigentes

das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e Conselho Nacional das Instituiçoes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), o Ministério Público irá acionar os Ministérios da Educação e da Economia para explicações. Depois disso, o órgão ponderará sobre a possibilidade de ajuizar uma ação - que poderá ser concentrada no Distrito Federal ou pulverizada entre todos os estados.

As IFES irão enviar ofício ao MP com informações para subsidiar a análise, mencionando o inquérito civil já instaurado em função dos cortes orçamentários anteriores e detalhando o efeito concreto do decreto, em especial o prejuízo aos estudantes.

A respeito de uma possível responsabilização dos reitores por improbidade administrativa por não conseguirem honrar seus compromissos financeiros, o procurador salientou que a procura pelo MP para tratar da pauta já demonstra a boa-fé dos gestores.

Participaram do encontro, também, o reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Júlio Xandro Heck, e o pró-reitor de Administração da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Leandro Souza.

Articulação

Também na tarde desta terça-feira, 6, as reitorias da UFPel e do IFSul estiveram reunidas com a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas e apresentaram uma coletiva de imprensa para trazer informações à comunidade sobre o assunto.

06/12/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/12/mpf-instaura-procedimento-sobre-bloqueio-do-governo-federal-de-verbas-de-universidades-e-institutos-clbcpzhpv007x0170ozqql80b.html

MPF instaura procedimento sobre bloqueio do governo federal de verbas de universidades e institutos

Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão analisará medidas possíveis

Buscado por representantes de universidades e institutos federais do RS, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento para acompanhar o cenário envolvendo bloqueio de recursos e falta de repasses por parte do governo federal. Atualmente, as instituições de ensino não têm dinheiro sequer para o pagamento de bolsas estudantis e de contas como luz e água.

O caso está sendo acompanhado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão no RS, Enrico Rodrigues de Freitas. Nesta terça-feira (6), reitores de universidades e institutos federais apresentaram ao procurador, em reunião, dados sobre o assunto e as dificuldades causadas pela falta dos recursos. Agora, Freitas analisará as informações e as medidas possíveis de serem implementadas.

A audiência teve a participação dos reitores Júlio Xandro Heck, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Flávio Nunes, do Instituto Federal Sul-riograndense (IFSul) e Isabela Fernandes Andrade, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), além de Leandro Souza, pró-reitor de Administração da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A comitiva falou em nome de todos os reitores de instituições federais de ensino localizadas no Estado.

— Formalizamos o tamanho do problema, as questões atuais, que são latentes e graves, e explicamos as limitações trazidas por esses movimentos do governo federal. Contamos com o Ministério Público Federal como um grande parceiro e como uma instituição de Estado, que sempre defende os mais vulneráveis, que nesse caso, sem dúvida, são os nossos estudantes — pontuou o reitor do IFRS.

O novo corte feito pelo governo federal foi repleto de idas e vindas. O bloqueio inicial ocorreu no dia 28 de novembro, mas foi revogado na última quinta-feira (1º) de manhã pelo Ministério da Educação (MEC). No final da tarde, porém, um decreto do Ministério da Economia bloqueou o orçamento recém liberado. A Setorial Financeira do MEC enviou um comunicado às instituições informando que as unidades vinculadas à pasta só poderão efetuar pagamentos com recursos que já possuem e que não será possível obter novas liberações de verba ao longo de dezembro, uma vez que o governo zerou o limite de pagamento das despesas discricionárias.

Após esses movimentos, a segunda-feira (5) foi dia de muitas contas nas universidades e institutos federais na tentativa de entender o que conseguiriam ou não pagar. O cenário é descrito como caótico pelos reitores e pelas instituições, que, via de regra, priorizam o pagamento de bolsas e outras assistências estudantis, mas, desta vez, não poderão fazer esse repasse, que costuma ocorrer nos primeiros dias de cada mês.

A Adufrgs-Sindical, sindicato que representa professores de instituições federais de Ensino Superior no Rio Grande do Sul, apresentou ainda na segunda-feira um pedido de providências ao MPF contra o bloqueio de verbas. No texto, a entidade destaca que o corte foi feito por meio de uma deliberação da Junta de Execução Orçamentária criada pelo governo de Jair Bolsonaro, que tem “caráter apenas de assessoramento do presidente da República”, e não na forma usual de decretos presidenciais de contingenciamento. A entidade defende que, por isso, houve “flagrante ofensa à autonomia de gestão financeira” das universidades e institutos federais.

06/12/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/educacao/2022/12/bloqueio-no-orcamento-de-instituicoes-federais-de-ensino-impede-pagamentos-de-auxilios-e-servicos/

Bloqueio no orçamento de instituições federais de ensino impede pagamentos de auxílios e serviços

Após corte na metade do ano, governo Bolsonaro volta a congelar verbas da Educação

Na quinta-feira (1º), após liberar verba congelada anteriormente, o Ministério da Economia voltou atrás e bloqueou outra vez R$ 344 milhões no orçamento das universidades e institutos federais. Ao todo, o orçamento do Ministério da Educação teve cerca R$ 1,4 bilhão bloqueado em 2022. A justificativa é de que os cortes orçamentários seriam necessários para garantir que não se ultrapasse o teto de gastos.

No dia 5, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) divulgou uma nota das Instituições Federais de Educação Superior (IFES) do Rio Grande do Sul: “Os prejuízos, de mais de R$ 45 milhões em repasses não realizados, são gravíssimos e afetam diretamente a autonomia das instituições, representando prejuízo do direito à educação dos estudantes de todas as instituições, além de risco judicial para as instituições.”

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) também publicou uma nota à comunidade alegando não ter recursos para o pagamento de bolsas e de despesas após o bloqueio na Lei Orçamentária Anual (LOA). “A principal consequência disso é a impossibilidade de pagamento de bolsas estudantis, auxílios, entre outros benefícios. Somente em bolsas mantidas pela UFSM, trata-se de mais de R$ 600 mil, além de outras bolsas mantidas pela CAPES, como residência multiprofissional e de mestrado/doutorado, para as quais não há garantia de pagamento no momento.”

Nas contas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), o corte de verbas em junho, de R$ 4,53 milhões, somado ao bloqueio recente, de R$ 8,35 milhões, resultou em um orçamento 20,4% menor do que o previsto em lei para o ano. Em nota, nesta terça-feira (6), o IFRS informou que não tem recursos para pagamentos durante o mês de dezembro, afetando bolsas de assistência estudantil, ensino, pesquisa e extensão.

“O governo federal zerou o limite para pagamentos de despesas discricionárias do IFRS, que são todos os gastos cotidianos, como energia elétrica, água, bolsas aos estudantes, contratos terceirizados como limpeza e vigilância, entre outros, à exceção de salários de servidores efetivos e aposentadorias”, diz o comunicado da instituição.

Para reitor do IFRS, Júlio Xandro Heck, a situação é desesperadora e uma crise sem precedentes. “A gente teve um bloqueio de crédito orçamentário que é o que a gente poderia executar até o dia 13, a gente tinha um monte de processos em andamento, de licitações de obras e de contratações que seriam feitas. Ainda era o saldo do ano que a gente faria uso para uma série de coisas.”

lém disso, o que preocupa ainda mais as instituições são os programas de assistência estudantil, que não poderão ser pagos sem a liberação do orçamento. “A gente não tem o dinheiro de fato, o financeiro para pagar o que já foi executado no mês de novembro. São aproximadamente R$ 5 milhões em pagamentos que eram para ser feitos até o dia 8. Assim, a gente já se torna devedor para o nosso estudante, para os credores que executaram algum serviço, não temos como pagá-los”, explica.

Outro agravante é o bloqueio acontecer no final do ano. “Nós nunca tínhamos passado por isso, de termos, ao mesmo tempo, um bloqueio de crédito e a falta do financeiro. Para agravar mais ainda, isso acontece em dezembro, quando não há margem para qualquer tipo de reprogramação. Bloqueio sempre é péssimo, mas quando ele acontece em maio, em junho, a instituição tenta se reorganizar, reagir. Quando ele acontece em dezembro fica absolutamente impossível fazer qualquer reorganização, então ele tem impactos muito mais severos.”

Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), concorda com a análise de Heck. “Esse corte nos pegou muito de surpresa porque ele veio no fim do ano e zerou totalmente nossas contas. Antes, a gente conseguia priorizar a assistência estudantil, quem é mais vulnerável, só que agora não temos nada e já tínhamos assumido compromissos. Temos contas para pagar, é como se a gente tivesse um cheque sem fundo. Está sendo muito difícil, os alunos estão desesperados porque as pessoas precisam disso pra comer, pra pagar aluguel, pra vir pra universidade”, relata.

Uma possibilidade de reversão desse estado é a aprovação da PEC da Transição na Câmara dos Deputados e no Senado, onde o texto foi aprovado nesta terça pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e segue para o plenário. A proposta expande o limite do teto de gastos em R$ 145 bilhões e liberaria algum valor de crédito para as instituições ainda no ano de 2022.

Para Lucia, o bloqueio atual pode impor complicações para o novo governo federal. “Vai ser bem complexo ter que dar conta de todos esses atrasos de pagamentos e do problema orçamentário, para depois poder propor coisas novas. O orçamento de 2023 é feito em 2022 e enviado para o Congresso, esse orçamento já está 20% menor do que o previsto. Se isso não for revertido na votação, tem mais esse desafio.”

Segundo o reitor do IFRS, representantes de IFES participaram, nesta terça, de uma reunião com o Ministério Público Federal para buscar soluções. “A gente fala desse assunto com profunda tristeza, porque implica a vida de centenas de milhares de pessoas, não só no IFRS mas em todas as instituições públicas, a gente atende basicamente um estudante que tem um perfil de vulnerabilidade. A gente sabe o quanto isso é importante, esse dinheiro todo mês, e nos sentimos absolutamente impotentes. O que conseguimos fazer é reclamar, é denunciar, é apontar o que deveria e o que pode ser feito.”

“A gente quer manifestar a solidariedade e dizer que é um assunto muito grave e que nós estamos dedicando todo o nosso tempo na busca de uma solução, não é por falta de esforço dos reitores e das instituições, infelizmente a solução não passa por nós. Literalmente, as instituições federais de ensino pedem socorro, esse é o nosso recado”, conclui.

Nota das Instituições Federais de Educação Superior do RS

As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), signatárias desse documento, foram surpreendidas, na segunda feira 29/11, por um bloqueio dos limites de empenho das universidades e institutos federais, sem prévia comunicação do Ministério da Economia. No dia 01/12, após intensa mobilização da sociedade, o MEC anunciou a devolução dos limites de empenho. No entanto, algumas horas depois, ocorreu novo bloqueio, conforme Decreto nº 11.269 de 30/11/2022.

Os prejuízos, de mais de R$ 45 milhões em repasse não realizados, são gravíssimos e afetam diretamente a autonomia das instituições, representando prejuízo do direito à educação dos estudantes de todas as instituições, além de risco judicial para as instituições. As IFES estão, no momento, sem recursos financeiros para honrar pagamentos já previstos no orçamento, como a assistência estudantil, bolsas e contas básicas para o funcionamento das universidades, como água, luz, trabalhadores terceirizados e outras obrigações imediatas. Caso a situação persista, poderá afetar também a despesa obrigatória da folha de pagamento.

Considerando que a Educação é o futuro da nação, a sociedade tem o direito de contar com instituições federais de ensino fortes, que formem cidadãos, produzam pesquisa, extensão, cultura e dialoguem com as comunidades. Todo o planejamento orçamentário do ano é realizado no ano anterior e aprovado pelo Congresso Nacional.

As instituições federais de ensino superior já vêm sofrendo com progressivas reduções do orçamento discricionário. No entanto, este derradeiro bloqueio, com seu caráter inesperado e extremamente prejudicial, nos coloca em uma posição crítica perante os compromissos assumidos e afeta diretamente o cumprimento de nossa missão institucional.

Reitor Roberlaine Ribeiro Jorge – Unipampa;

Reitora Lúcia Campos Pellanda – UFCSPA;

Reitora Isabela Fernandes Andrade – UFPel;

Reitor Danilo Giroldo – FURG;

Reitor Júlio Xandro Heck – IFRS;

Reitor Flávio Luis B. Nunes – IFSul;

Reitora Nídia Heringer – IF Farroupilha;

Reitor Luciano Schuch – UFSM;

Reitor Carlos André Bulhões – UFRGS.

06/12/2022 – Portal Esquerda Diário

Link: https://www.esquerdadiario.com.br/No-RS-bolsistas-e-tercerizados-sao-os-principais-afetados-pelo-bloqueio-bolsonarista-as

Urgente! | No RS, bolsistas e tercerizados são os principais afetados pelo bloqueio bolsonarista às universidades

Os cortes realizados por Bolsonaro atingiram em cheio as universidades no RS visto que o valor seria utilizado por parte delas no pagamento de despesas para funcionamento das instituições de ensino, bolsas de estudo e de salários de trabalhadores terceirizados. É necessário desde já preparar a mobilização para barrar esse ataque do Bolsonaro, sem nenhuma ilusão no novo governo, que desde o Governo de Transição já aponta favorecer os barões da educação privada.

Há 1 mês para terminar o mandato, o Ministério da Educação (MEC), sob comando do bolsonarista Victor Godoy, realizou mais uma série de cortes no orçamento do Ministério na semana passada, trata-se de um deliberado calote em milhares de terceirizados e bolsistas.

Na UFRGS, depois de dias do silencio ensurdecedor da reitoria interventora, foi declarado que o corte atinge em cheio a assistência estudantil, pagamento de bolsas e os salários dos trabalhadores terceirizados, além de contas básicas de luz e água, afirmando que caso a situação persista, poderá afetar também a folha de pagamento. Trazemos aqui o impacto em cada universidade do estado:

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM): R$ 12 milhões;

Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA): R$ 4 milhões;

Universidade Federal de Pelotas (UFPel): 1.6 milhão;

Universidade Federal do Pampa (Unipampa): R$ 2,4 milhões;

Universidade Federal do Rio Grande (Furg): R $1,7 milhão;

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS): R$ 3 milhões.

Algumas destas, como a FURG, já anunciaram que não terão condições de funcionamento após o final do mês.

Sentimos há pelo menos 8 anos consecutivos os cortes na educação, e como reflexo destes estão a falta de assistência estudantil, infraestrutura, demissão de terceirizados e calote aos terceirizados e bolsistas.

É frente a essa situação que todos os DCEs e CAs pelo país deveriam estar pondo de pé uma forte mobilização contra o bloqueio, com assembleias para organizar os estudantes contra os seguidos cortes à educação que estão a serviço do pagamento da dívida pública e que correspondem ao Teto de Gastos e outras reformas que o novo governo Lula e Alckmin já se comprometem que não vão revogar de conjunto.

Diferente disso, o DCE da UFRGS, dirigido pela UJC, não falou uma palavra sobre os bloqueios, mostrando sua adaptação à política de apassivamento do movimento estudantil levada à frente pela UNE, que não mobilizou os estudantes em nenhuma universidade e ainda comemorou como uma "vitória dos estudantes" um recuo momentâneo dos bloqueios. Isso porque a UNE, dirigida pelo PT e PCdoB, busca se localizar no governo de transição ao lado de Alckmin e dos articuladores da desastrosa reforma do ensino médio, localização esta que inclui UP e PSOL também.

É preciso que o DCE da UFRGS dê exemplo de auto-organização estudantil, convocando assembleias para mobilizar os estudantes contra os cortes e a UNE precisam organizar a luta pela base, com assembleias em cada local de estudo e trabalho, para organizar os estudantes e trabalhadores da educação pela reversão dos cortes orçamentários e contra as manifestações reacionárias dos bolsonaristas. É necessário confiar na nossa força e mobilização, de forma independente do governo eleito, pois somente com a unidade de estudantes e trabalhadores será possível enfrentar os cortes à educação, as reformas e o bolsonarismo.

07/12/2022 – Serra Litoral

Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/56688/ufpel-e-ifsul-participam-de-reuniao-com-ministerio-publico-sobre-a-crise-orcamentaria.html

UFPel e IFSul participam de reunião com Ministério Público sobre a crise orçamentária

Os representantes levaram ao procurador regional dos Direitos do Cidadão no RS, um levantamento sobre os valores bloqueados

O caixa zerado das instituições federais de ensino superior com novo bloqueio de recursos orçamentários e financeiros motivou uma reunião entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) gaúchos e o Ministério Público Federal (MPF).

A reitora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Isabela Andrade, e o reitor do Instituto Federal Sul-Rio-Grande (IFSul), Flávio Nunes, estiveram no encontro, que ocorreu virtualmente na terça-feira, dia 6, à tarde.

Os representantes das IFES do estado levaram ao procurador regional dos Direitos do Cidadão no RS, Enrico Rodrigues de Freitas, um levantamento sobre os valores bloqueados em cada instituição e explanaram acerca dos impactos da medida.

Enquanto ocorre a continuidade da pressão sobre o governo federal para a reversão do bloqueio - por meio das universidades, Associação Nacional dos Dirigentes

das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e Conselho Nacional das Instituiçoes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), o Ministério Público

irá acionar os Ministérios da Educação e da Economia para explicações. Depois disso, o órgão ponderará sobre a possibilidade de ajuizar uma ação - que poderá ser concentrada no Distrito Federal ou pulverizada entre todos os estados.

As IFES irão enviar ofício ao MP com informações para subsidiar a análise, mencionando o inquérito civil já instaurado em função dos cortes

orçamentários anteriores e detalhando o efeito concreto do decreto, em especial o prejuízo aos estudantes.

A respeito de uma possível responsabilização dos reitores por improbidade administrativa por não conseguirem honrar seus compromissos financeiros, o procurador salientou que a procura pelo MP para tratar da pauta já demonstra a boa-fé dos gestores.

Participaram do encontro, também, o reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Júlio Xandro Heck, e o pró-reitor de Administração da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Leandro Souza.

Articulação

Também na tarde desta terça-feira, 6, as reitorias da UFPel e do IFSul estiveram reunidas com a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas e apresentaram uma coletiva de imprensa para trazer informações à comunidade sobre o assunto.

05/12/2022 – Serra Litoral

Link: https://serraelitoral.com.br/noticia/9807/universidades-federais-gauchas-nao-tem-dinheiro-para-pagar-bolsas-estudantis-e-contas-de-luz-e-agua.html

Universidades federais gaúchas não têm dinheiro para pagar bolsas estudantis e contas de luz e água

Instituições como Furg e UFCSPA anunciaram que, com o novo bloqueio, até mesmo o pagamento dos servidores pode ficar comprometido

As universidades federais gaúchas não estão mais no limite – com o novo bloqueio orçamentário realizado na quinta-feira (1º), muitas já não têm mais recursos sequer para pagar bolsas e outros auxílios estudantis e contas básicas, como luz e água.

No caso de manutenção do corte, nem mesmo a folha de pagamento dos servidores poderia ser honrada em instituições como a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Nos institutos federais gaúchos, o corte deve comprometer bolsas e até alimentação estudantil.

Outros bloqueios já foram feitos e desfeitos pelo governo federal no orçamento do Ministério da Educação (MEC) ao longo dos últimos anos. Este, no entanto, preocupa especialmente os reitores – foi feito após decreto assinado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e gerou um comunicado da Setorial Financeira do MEC que informa às instituições de ensino que as unidades vinculadas à pasta só poderão efetuar pagamentos com recursos que já possuem e que não será possível realizar novas liberações de verba ao longo de dezembro, uma vez que o governo zerou o limite de pagamento das despesas discricionárias.

O bloqueio foi de R$ 344 milhões entre as universidades federais e aconteceu seis horas após o MEC liberar o uso dessa mesma verba, que dias antes já tinha sido bloqueada. A pasta condicionou que o recurso fosse utilizado para o pagamento de compromissos já assumidos, como contas de água, luz, segurança e contratos terceirizados. No entanto, não houve tempo de as instituições quitarem as dívidas.

— De um lado, o Ministério da Educação restituiu os limites dos nossos gastos, de outro, o Ministério da Economia simplesmente retirou os recursos. É uma situação absolutamente inédita, e nos deixa sem recursos e sem possibilidade de honrar os gastos das universidades, inclusive bolsas, conta de luz e água, coleta de lixo e nossos terceirizados — destaca o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Ricardo Marcelo Fonseca.

As universidades federais gaúchas estão analisando seus orçamentos para definir o que poderão ou não pagar. Até o fechamento desta reportagem, das sete existentes no RS, cinco já tinham se manifestado publicamente ou respondido a perguntas da repórter sobre o assunto. Todas as cinco – Furg, Unipampa, UFCSPA, UFSM e UFPel – informaram que não têm recurso, no presente momento, para pagar bolsas estudantis, auxílios para estudantes de baixa renda e contas básicas, como o pagamento de terceirizados, luz, água, manutenção e internet. Procuradas, a UFFS e a UFRGS não retornaram os questionamentos até o momento.

No Twitter, a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, fez um resumo da situação e pontuou que o bloqueio se soma à redução progressiva do orçamento nos últimos cinco anos, a um bloqueio ocorrido em maio que não foi devolvido e a uma previsão para o ano que vem de 20% menos recursos do que em 2022. "Isto atrasa obras importantes e dá uma impressão de que nunca conseguimos realizar nada novo, só sobreviver. E agora, talvez nem isso. É impossível organizar o caos orçamentário", destacou.

05/12/2022 – GZH

Link: Universidades federais gaúchas não têm dinheiro para pagar bolsas estudantis e contas de luz e água | GZH (clicrbs.com.br)

Universidades federais gaúchas não têm dinheiro para pagar bolsas estudantis e contas de luz e água

Instituições como Furg e UFCSPA anunciaram que, com o novo bloqueio, até mesmo o pagamento dos servidores pode ficar comprometido

As universidades federais gaúchas não estão mais no limite – com o novo bloqueio orçamentário realizado na quinta-feira (1º), muitas já não têm mais recursos sequer para pagar bolsas e outros auxílios estudantis e contas básicas, como luz e água. No caso de manutenção do corte, nem mesmo a folha de pagamento dos servidores poderia ser honrada em instituições como a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Nos institutos federais gaúchos, o corte deve comprometer bolsas e até alimentação estudantil.

Outros bloqueios já foram feitos e desfeitos pelo governo federal no orçamento do Ministério da Educação (MEC) ao longo dos últimos anos. Este, no entanto, preocupa especialmente os reitores – foi feito após decreto assinado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e gerou um comunicado da Setorial Financeira do MEC que informa às instituições de ensino que as unidades vinculadas à pasta só poderão efetuar pagamentos com recursos que já possuem e que não será possível realizar novas liberações de verba ao longo de dezembro, uma vez que o governo zerou o limite de pagamento das despesas discricionárias.

O bloqueio foi de R$ 344 milhões entre as universidades federais e aconteceu seis horas após o MEC liberar o uso dessa mesma verba, que dias antes já tinha sido bloqueada. A pasta condicionou que o recurso fosse utilizado para o pagamento de compromissos já assumidos, como contas de água, luz, segurança e contratos terceirizados. No entanto, não houve tempo de as instituições quitarem as dívidas.

— De um lado, o Ministério da Educação restituiu os limites dos nossos gastos, de outro, o Ministério da Economia simplesmente retirou os recursos. É uma situação absolutamente inédita, e nos deixa sem recursos e sem possibilidade de honrar os gastos das universidades, inclusive bolsas, conta de luz e água, coleta de lixo e nossos terceirizados — destaca o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Ricardo Marcelo Fonseca.

As universidades federais gaúchas estão analisando seus orçamentos para definir o que poderão ou não pagar. Até o fechamento desta reportagem, das sete existentes no RS, cinco já tinham se manifestado publicamente ou respondido a perguntas da repórter sobre o assunto. Todas as cinco – Furg, Unipampa, UFCSPA, UFSM e UFPel – informaram que não têm recurso, no presente momento, para pagar bolsas estudantis, auxílios para estudantes de baixa renda e contas básicas, como o pagamento de terceirizados, luz, água, manutenção e internet. Procuradas, a UFFS e a UFRGS não retornaram os questionamentos até o momento.

No início da noite desta segunda-feira (5), a Unipampa divulgou pelas redes sociais uma nota conjunta, assinada por nove instituições federais do Estado, entre elas a UFRGS, a respeito dos cortes. Na nota (leia abaixo na íntegra) é citado que "os prejuízos, de mais de R$ 45 milhões em repasses não realizados, são gravíssimos e afetam diretamente a autonomia das instituições, representando prejuízo do direito à educação dos estudantes de todas as instituições, além de risco judicial para as instituições". Destaca, ainda, que o "caráter inesperado e extremamente prejudicial" do mais recente bloqueio coloca as universidades em uma "posição crítica perante os compromissos assumidos".

No Twitter, a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, fez um resumo da situação e pontuou que o bloqueio se soma à redução progressiva do orçamento nos últimos cinco anos, a um bloqueio ocorrido em maio que não foi devolvido e a uma previsão para o ano que vem de 20% menos recursos do que em 2022. “Isto atrasa obras importantes e dá uma impressão de que nunca conseguimos realizar nada novo, só sobreviver. E agora, talvez nem isso. É impossível organizar o caos orçamentário”, destacou.

Leia na íntegra a nota das Instituições Federais de Educação Superior do RS

As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), signatárias desse documento, foram surpreendidas, na segunda-feira (29/11), por um bloqueio dos limites de empenho das universidades e institutos federais, sem prévia comunicação do Ministério da Economia. No dia (1º/12), após intensa mobilização da sociedade, o MEC anunciou a devolução dos limites de empenho. No entanto, algumas horas depois, ocorreu novo bloqueio, conforme Decreto nº 11.269 de 30/11/2022.

Os prejuízos, de mais de R$ 45 milhões em repasse não realizados, são gravíssimos e afetam diretamente a autonomia das instituições, representando prejuízo do direito à educação dos estudantes de todas as instituições, além de risco judicial para as instituições. As IFES estão, no momento, sem recursos financeiros para honrar pagamentos já previstos no orçamento, como a assistência estudantil, bolsas e contas básicas para o funcionamento das universidades, como água, luz, trabalhadores terceirizados e outras obrigações imediatas. Caso a situação persista, poderá afetar também a despesa obrigatória da folha de pagamento.

Considerando que a Educação é o futuro da nação, a sociedade tem o direito de contar com instituições federais de ensino fortes, que formem cidadãos, produzam pesquisa, extensão, cultura e dialoguem com as comunidades. Todo o planejamento orçamentário do ano é realizado no ano anterior e aprovado pelo Congresso Nacional.

As instituições federais de ensino superior já vêm sofrendo com progressivas reduções do orçamento discricionário. No entanto, este derradeiro bloqueio, com seu caráter inesperado e extremamente prejudicial, nos coloca em uma posição crítica perante os compromissos assumidos e afeta diretamente o cumprimento de nossa missão institucional.

Rio Grande do Sul, 5 de dezembro de 2022.

Reitor Roberlaine Ribeiro Jorge – Unipampa;

Reitora Lúcia Campos Pellanda – UFCSPA;

Reitora Isabela Fernandes Andrade – UFPel;

Reitor Danilo Giroldo – FURG;

Reitor Júlio Xandro Heck – IFRS;

Reitor Flávio Luis B. Nunes – IFSul;

Reitora Nídia Heringer – IF Farroupilha;

Reitor Luciano Schuch – UFSM;

Reitor Carlos André Bulhões - UFRGS.

05/12/2022 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/bloqueio-de-verbas-do-mec-j%C3%A1-afeta-dia-a-dia-das-institui%C3%A7%C3%B5es-federais-no-rio-grande-do-sul-1.933133

Bloqueio de verbas do MEC já afeta dia a dia das instituições federais no Rio Grande do Sul

Pagamentos de rotina, como bolsas, auxílios e salários de fornecedores podem ser afetados pela falta de repasse financeiro

Após o último bloqueio dos limites de empenho das universidades e institutos federais, pelo Ministério da Educação (MEC), na última semana (em 1º/12), as instituições no Rio Grande do Sul já sentem no seu dia a dia o impacto da medida. A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) divulgou nota, na tarde desta segunda-feira, explicando que está sem recursos para realizar pagamentos de rotina, como fornecedores, auxílios estudantis (Pnaes) para alunos em vulnerabilidade e bolsas pagas com verbas institucionais. Também disse que caso o não repasse de financeiro persista, poderá haver prejuízo da folha de dezembro com pagamento em janeiro.

A Reitoria da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com sede em Bagé, informou que, devido aos cortes e bloqueios orçamentários, não há previsão para pagamento das bolsas de ensino, extensão e assistência estudantil. Já a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) informou que ainda não ocorreu repasse de financeiro e que aguarda liberação para arcar com compromissos. A instituição disse que está parada em relação à execução orçamentária e a ameaça de descontinuidade de alguns serviços fica mais iminente.

A  Adufrgs/Sindical apresentou ao Ministério Público Federal pedido de providências contra o bloqueio das verbas. Para a entidade, “houve flagrante ofensa à autonomia de gestão financeira das IFES [Instituições Federais de Ensino Superior]”. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), os cortes estão estimados em R$ 431 milhões.

No dia 28 de novembro, o MEC anunciou bloqueio dos limites de empenho das universidades e institutos federais. Após repercussão,  a pasta anunciou em 1º de dezembro que os limites seriam devolvidos. Algumas horas depois, no entanto, ocorreu novo bloqueio, desta vez pelo Ministério da Economia que é ainda maior do que o anterior.

05/12/2022 – Rádio Guaíba

Link: https://guaiba.com.br/2022/12/05/bloqueio-de-verbas-do-mec-ja-afeta-dia-a-dia-das-instituicoes-federais-no-rs/

Bloqueio de verbas do MEC já afeta dia a dia das instituições federais no RS

Pagamentos de rotina, como bolsas, auxílios e salários de fornecedores podem ser afetados pela falta de repasse financeiro

Após o último bloqueio dos limites de empenho das universidades e institutos federais, pelo Ministério da Educação (MEC), na última semana (em 1º/12), as instituições no Rio Grande do Sul já sentem no dia a dia o impacto da medida.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) divulgou nota, na tarde desta segunda-feira, explicando que está sem recursos para realizar pagamentos de rotina, como fornecedores, auxílios estudantis (Pnaes) para alunos em vulnerabilidade e bolsas pagas com verba institucional. Também disse que caso o não repasse de financeiro persista, pode haver prejuízo da folha de dezembro com pagamento em janeiro.

A Reitoria da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com sede em Bagé, informou que, devido aos cortes e bloqueios orçamentários, não há previsão para pagamento das bolsas de ensino, extensão e assistência estudantil.

Já a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) informou que ainda não ocorreu repasse de financeiro e que, para arcar com compromissos, aguarda a liberação. A instituição disse que está parada em relação à execução orçamentária e a ameaça de descontinuidade de alguns serviços fica mais iminente.

A Adufrgs/Sindical apresentou ao Ministério Público Federal pedido de providências contra o bloqueio da verba. Para a entidade, “houve flagrante ofensa à autonomia de gestão financeira das IFES [Instituições Federais de Ensino Superior]”. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), os cortes foram estimados em R$ 431 milhões.

No dia 28 de novembro, o MEC anunciou bloqueio dos limites de empenho dos institutos federais e universidades. Após a repercussão, a pasta anunciou em 1º de dezembro a devolução dos valores. Algumas horas depois, no entanto, ocorreu novo bloqueio, dessa vez pelo Ministério da Economia.

01/12/2022 – Portal Brasil de Fato

Link: https://www.brasildefators.com.br/2022/12/01/governo-bolsonaro-volta-atras-em-corte-de-verba-de-universidades-e-institutos-federais

Governo Bolsonaro volta atrás em corte de verba de universidades e institutos federais

Bloqueio estimado era de R$ 366 milhões, instituições do Rio Grande do Sul temiam pelo funcionamento

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) afirmou nesta quinta-feira (1º) que o Ministério da Educação (MEC) desbloqueou os R$ 366 milhões do orçamento das universidades e institutos federais que haviam sido congelados três dias atrás. Segundo a entidade, o corte inviabilizaria o orçamento para o pagamento de despesas básicas, como contas de luz, bolsas de estudo e salários de funcionários terceirizados.

Enquanto o país inteiro estava com as atenções voltadas para o jogo do Brasil contra a Suíça, ocorrido na última segunda-feira (28) na Copa do Mundo do Catar, o governo federal fazia novo corte de R$ 366 milhões no orçamento do Ministério da Educação (MEC). Um ofício enviado aos reitores de instituições públicas de ensino superior informava o bloqueio de R$ 244 milhões das universidades e R$ 122 milhões dos institutos federais.

"O governo parece 'puxar o tapete' das suas próprias unidades com essa retirada de recursos, ofendendo suas próprias normas e inviabilizando planejamentos de despesas em andamento. Esperamos que essa inusitada medida de retirada de recursos, neste momento do ano, seja o mais brevemente revista, sob pena de se instalar o caos nas contas das universidades", criticou a Andifes em nota. O presidente da associação, Ricardo Marcelo Fonseca, chegou a estimar que o impacto total no MEC seria de R$ 1,68 bilhão.

No RS, instituições temiam pelo funcionamento

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) emitiram notas se posicionando sobre o assunto.

Segundo a UFSM, o bloqueio de repasses impactaria a instituição em R$ 978 mil. O déficit da Universidade para o ano fiscal de 2022 poderia ser milionário. Isso porque, considerando o corte já realizado em junho, de R$ 9,3 milhões, o valor total representaria R$ 10,3 milhões.

"Não há recurso para honrar os pagamentos de novembro e dezembro, o que prejudica seriamente o funcionamento da instituição. O valor total do corte de orçamento no ano de 2022 representa, por exemplo, um semestre inteiro de funcionamento do Restaurante Universitário. Também é superior aos contratos de vigilância ou de limpeza", dizia a nota.

A UFPel afirmou que o MEC zeraria "os limites de empenho das instituições federais de ensino, como uma forma de bloqueio adicional do orçamento das instituições". Com o corte, a instituição do Sul do estado deixaria de receber R$ 1,67 milhão.

"A maioria das instituições utiliza o período final de execução orçamentária para agrupar e recolher os saldos não executados de suas diversas despesas, destinando-os para as despesas de execução prioritária. Ao zerar o limite de empenho neste momento, o MEC compromete todo o (re)planejamento", dizia a nota da UFPel.

A Unipampa afirmou em nota que teria tido bloqueio de cerca de R$ 2,4 milhões, o que inviabilizaria "várias ações e pagamento de despesas previstas até 31 de dezembro". A Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) informaram que, juntas, somariam um bloqueio orçamentário de mais de R$ 8 milhões.

No IFRS, o impedimento de empenho seria de mais de R$ 2,72 milhões. Em junho, a instituição já havia sofrido um corte de R$ 4,5 milhões em seu orçamento anual, o que adiaria a realização de melhorias nas unidades.

A UFRGS, a maior Universidade do estado, foi procurada pelo Brasil de Fato RS, mas não se manifestou sobre a decisão federal. O atual reitor, Carlos Bulhões, foi nomeado para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em setembro de 2020. Desde então, a comunidade acadêmica da instituição tem alegado que a reitoria se encontra sob intervenção.

Comunicado via Siafi

A União Nacional dos Estudantes (UNE) divulgou em suas redes sociais uma imagem do comunicado que havia sido enviado do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), do Tesouro Nacional. No texto foi informado que a Junta de Execução Orçamentária (JEO) aprovou um bloqueio de verbas e citava unidades vinculadas ao MEC. O comunicado não apontava valores.

Linha do tempo dos cortes nas verbas destinadas ao MEC

Em junho, o MEC já havia sofrido um corte de R$ 1,6 bilhão. No entanto, a primeira ameaça ao funcionamento das instituições públicas de ensino superior aconteceu ainda em janeiro, quando Jair Bolsonaro (PL) sancionou o Orçamento de 2022. A pasta da Educação perdeu R$ 739,9 milhões do total de R$ 113,4 bilhões aprovados pelo Congresso em dezembro.

O valor retirado de universidades e institutos federais em junho foi de R$ 438 milhões. Em outubro, houve um bloqueio temporário de R$ 328,5 milhões nas instituições; a verba foi liberada posteriormente. O bloqueio mais recente chegava a R$ 366 milhões.

Caso a verba das universidades federais não fosse liberada, as instituições públicas de ensino superior poderiam começar 2023 no vermelho.

30/11/2022 - GZH

Link: UFSM propõe processo seletivo que inclui vestibular e provas seriadas; veja como funciona em outras instituições | GZH (clicrbs.com.br)

UFSM propõe processo seletivo que inclui vestibular e provas seriadas; veja como funciona em outras instituições

Hoje, a universidade utiliza o Sisu para preencher quase 100% de suas vagas

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) apresentou para a comunidade acadêmica nesta quarta-feira (30) uma proposta de mudança nas formas de ingresso nas graduações da instituição. Atualmente, com exceção de editais específicos para refugiados e indígenas, o acesso à universidade acontece por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

A proposta, que ainda precisa ser aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), prevê que 30% do ingresso aconteça pelo Sisu, outros 30% por um vestibular feito pela UFSM e 40% ocorra por meio de um processo seletivo seriado (PSS) – este último envolve a aplicação de provas parciais entre estudantes ao final de cada um dos três anos do Ensino Médio.

Caso aprovada, a mudança acontecerá de forma gradual até 2026. Será iniciada no segundo semestre de 2023, com a retomada do vestibular para o preenchimento de 30% das vagas e o Sisu para as 70% restantes. Como o PSS prevê a realização de provas parciais ao longo de três anos, esse percentual será mantido até 2025 – a partir do ano seguinte, os três exames já terão sido realizados entre os alunos de Ensino Médio e será possível destinar 30% das vagas para essa forma de seleção. O mesmo candidato poderá concorrer nas três formas de ingresso. Funcionaria da seguinte forma:

Primeiro semestre de 2023: 100% Sisu 

Segundo semestre de 2023: em julho de 2023, realização de prova vestibular. Ingresso 70% por Sisu e 30% por vestibular

2024: realização das provas PSS1 e vestibular. Ingresso 70% por Sisu e 30% por vestibular

2025: realização das provas PSS1 e PSS2 e do vestibular. Ingresso 70% por Sisu e 30% por vestibular

2026: realização das provas PSS1, PSS2 e PSS3 e do vestibular. Ingresso 40% por PPS, 30% por Sisu e 30% por vestibular

Na proposta apresentada pela universidade, também está prevista a oferta de até 5% de vagas extras para quilombolas, até 5% para pessoas trans e até 5% para pessoas com deficiência. A instituição propôs, ainda, que sejam destinadas vagas para medalhistas de Olimpíadas de Conhecimento, para idosos e para atletas de alto rendimento. Editais específicos para refugiados e imigrantes em situação de vulnerabilidade e para indígenas, já existentes, serão mantidos.

Todas essas mudanças só serão postas em prática caso sejam aprovadas pelo Cepe. A expectativa da reitoria é de que a análise aconteça até fevereiro de 2023, para que a aprovação esteja vigente já em março.

O uso do PSS não é novidade na UFSM, que utilizou essa forma de ingresso, entre outras, como o vestibular, antes de 2014, quando aderiu à seleção pelo Sisu. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) também conta com o Programa de Avaliação da Vida Escolar (Pave) que, na prática, funciona nos mesmos moldes do PSS. Na instituição pelotense, 20% das vagas são preenchidas a partir do desempenho em provas aplicadas durante o Ensino Médio.

Durante o evento de apresentação da proposta, o reitor da UFSM, Luciano Schuch, destacou que julga ser importante a revisão constante da forma de ingresso na universidade e que, com o Sisu, as instituições têm enfrentado altas taxas de evasão de estudantes.

— Por mais que permita um acesso democrático para alunos de qualquer lugar do país, sempre enxergamos que o Sisu gerava uma falta de identidade do estudante com a instituição. Essa discussão já existe há alguns anos especialmente nos campi fora da sede: quanto mais se vai para o Interior, mais difícil o aluno do Sisu se identificar com aquela cidade e permanecer — relata o reitor, que verificou a mesma situação nos campi de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul.

Schuch observou que, diferentemente de 15 anos atrás, hoje dificilmente os estudantes precisam se deslocar mais de 200 quilômetros para chegar a um campus de uma instituição de Ensino Superior pública, devido à criação de universidades e institutos federais no Interior. Por isso, entende que o aluno que sai de outro Estado para estudar em Santa Maria o faz por opção, e que esse cenário precisa ser levado em conta na hora de se definir o processo seletivo.

— Queremos mais o sentimento de pertencimento, e que o aluno esteja vocacionado para aquele curso. Queremos que ele escolha o curso que deseja e vá atrás da nota, e não o contrário — explica o reitor.

Formas de ingresso variadas

A forma de ingresso varia muito em cada uma das instituições federais gaúchas. Das sete universidades, quatro utilizam, atualmente, apenas o Sisu como forma de ingresso regular, com exceção para processos específicos de ações afirmativas: a UFSM, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Nenhuma das três últimas tem discussões em andamento, hoje, para mudar seus processos de seleção.

Nas outras três universidades, duas utilizam parcialmente o Sisu para preencher suas vagas – a Universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que adota o sistema para ocupar 30% das posições, e a UFPel, que o utiliza para 80% das vagas, enquanto os outros 20% são definidos por meio do Pave. Há, ainda, vestibulares específicos na instituição para quilombolas e indígenas. Também não há debates acontecendo para modificar a forma de ingresso nessas instituições.

Já na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), realiza-se uma Chamada por Nota do Ensino Médio, específica da instituição. Uma comissão permanente foi criada para se debater a adesão ao Pave, adotado pela UFPel. Não há prazo para essa definição.

Nos institutos federais, a escolha de formas de ingresso também é diversa. No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), a depender do campus, a seleção acontece com prova própria, por sorteio ou por uso da nota no Enem. Também há uma seleção para cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) a partir de informações sobre a situação escolar e de vida dos candidatos.

No Instituto Federal Sul-riograndense (IFSul), a seleção, até então, se dá com 50% das vagas preenchidas a partir de um vestibular de redação e 50% pelo Sisu. Se as vagas não são preenchidas, é feita uma seleção pelas notas do Ensino Médio. Para o ano que vem, a tendência é de que o processo seja modificado e seja feita uma prova normal por áreas de conhecimento.

No Instituto Federal Farroupilha (IFFar), a seleção acontece a partir da nota no Enem. Os candidatos podem escolher o resultado de qualquer prova entre 2009 e 2022.

29/11/2022 - Jornal do Comércio

Link: Coral Viva La Vida encerra temporada 2022 do Música na UFCSPA (jornaldocomercio.com)

Coral Viva La Vida encerra temporada 2022 do Música na UFCSPA

Apresentação desta quarta (30) terá entrada franca

O espetáculo Canções de Amor, do Coral Viva La Vida, é atração desta quarta-feira (30), às 20h, no Teatro Moacyr Scliar da UFCSPA (rua Sarmento Leite, 245). O grupo encerra a temporada de 2022 do projeto Música na UFCSPA, com entrada franca.

29/11/2022 - G1 RS

Link: Universidades do RS projetam impacto com novo bloqueio de verbas federais | Rio Grande do Sul | G1 (globo.com)

Universidades do RS projetam impacto com novo bloqueio de verbas federais

UFCSPA, UFPel, UFSM e Unipampa afirmam que bloqueio irá afetar serviços até o fim do ano. MEC diz buscar soluções, sem detalhar impacto da medida.

Instituições de ensino superior da rede federal relatam ter recebido informes de novos bloqueios de verbas por parte do Ministério da Educação (MEC). No Rio Grande do Sul, algumas universidades e institutos federais (IFs) já projetam impactos para o fim do ano. Veja abaixo.

O MEC divulgou nota na qual diz que busca "soluções", mas não detalha o impacto da medida. "O Ministério da Educação (MEC) informa que recebeu a notificação do Ministério da Economia a respeito dos bloqueios orçamentários realizados. É importante destacar que o MEC mantém a comunicação aberta com todos e mantém as tratativas junto ao Ministério da Economia e à Casa Civil para avaliar alternativas e buscar soluções para enfrentar a situação", afirma.

Além das universidades listadas abaixo, o g1 contatou UFRGS, FURG, IFSul, IFRS e IFFarroupilha. Essas instituições não haviam respondido até a atualização mais recente desta reportagem.

O Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) diz que o governo "retirou todos os limites de empenho distribuídos e não utilizados pelas instituições". O valor bloqueado não é citado, mas a entidade alerta para o risco de o bloqueio virar um corte definitivo no orçamento deste ano.

O limite de empenho é uma especie de contingenciamento de despesas que ocorre quando a receita prevista não se realiza. O empenho é a reserva do dinheiro que será pago a um determinado bem ou serviço.

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre afirma que o bloqueio não afetará o funcionamento da instituição e prestação de serviços terceirizados. No entanto, as ações de contratações em andamento ou que estão aguardando liberação de recursos serão severamente afetadas.

Entre elas, a UFCSPA cita os programas de manutenção SIE, Projeto Clínica da Família, impermeabilização de lajes do campus, equipamentos, aquisição de EPIs, contratações para o restaurante universitário e uma licitação.

Nas redes sociais, a reitora Lucia Pellanda protestou contra os bloqueios. "Todo o planejamento por água abaixo! Obras urgentes, contratos com a licitação em andamento, contas a pagar. Desesperador!", escreveu.

[...]

24/11/2022 - GZH

Link: Universidades gaúchas reforçam recomendação do uso de máscaras contra a covid-19 | GZH (clicrbs.com.br)

Universidades gaúchas reforçam recomendação do uso de máscaras contra a covid-19

Pedidos ocorrem em um cenário de aumento de casos e de circulação de novas subvariantes no Estado

O aumento de casos de covid-19 e a circulação de novas subvariantes motivou novas manifestações de universidades do Estado quanto ao uso de máscaras de proteção facial. Na semana passada, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recomendou “fortemente” a utilização do equipamento em ambientes fechados e em locais com grande número de pessoas.

Apenas neste mês, o Estado registrou a presença de duas novas subvariantes da Ômicron. A primeira identificação, da BQ.1, ocorreu no dia 6, em uma amostra coletada de um morador da Região Metropolitana. A segunda, chamada BE.9, foi encontrada no exame de um paciente de Gramado, na Serra, na terça-feira (22).

Nesta semana, GZH questionou oito das principais instituições de Ensino Superior do Estado sobre o uso de máscaras de proteção facial no ambiente acadêmico. A exemplo da UFRGS, três delas recomendaram “fortemente” o dispositivo. Ainda que recomendada pelas instituições, a utilização de máscaras não é obrigatória em nenhuma delas no momento.

Veja o posicionamento de cada universidade:

[...]

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) também orienta “fortemente” o uso de máscaras "bem ajustadas" nas áreas internas da universidade, frente ao cenário epidemiológico atual da covid-19 no país. Também reforça a importância da vacinação em dia, automonitoramento dos sintomas e higienização constante das mãos para mitigar o risco de contágio, entre outras medidas sanitárias.

22/11/2022 - Viva Bem UOL

Link: Covid-19: sem vacina, criança se reinfecta mais e isso ameaça o seu futuro - 22/11/2022 - UOL VivaBem

Covid-19: sem vacina, criança se reinfecta mais e isso ameaça o seu futuro

Enquanto, no Brasil, a vacinação das crianças contra a covid-19 mal e mal engatinha, com falta de abastecimento da CoronaVac para os pequenos entre 3 e 4 anos e autorização do governo para vacinar com Pfizer somente os bebês de 6 meses a 2 anos e 11 meses que tenham alguma comorbidade, um estudo recém-publicado na prestigiada Frontiers in Immunology merece destaque. Ele é brasileiro e pode ampliar o nosso olhar para a necessidade de vacinar a criançada.

Não que já não existissem bons motivos para os pais levarem seus filhos ao posto a fim de protegê-los do Sars-CoV-2. Mas os argumentos eram, até então, basicamente os dois de sempre — que continuam válidos, fique bem entendido.

Um deles seria evitar que meninos e meninas infectados, em grande parte das vezes assintomáticos, acabem levando uma enorme carga do coronavírus naquela visita à casa dos avós e de outras pessoas ou mais velhas ou com o organismo vulnerável por qualquer motivo de saúde. Não resta dúvida de que crianças espalham viroses tanto quanto brinquedos pelo chão.

Outro é prevenir casos graves. Diga-se que esse argumento é forte à beça. Fraca é a ideia de que a covid-19 não mata quem está curtindo a infância. No nosso país, de acordo com a Fiocruz, a cada dois dias uma criança com menos de 5 anos morre por causa dela.

Mas, agora, os pesquisadores brasileiros chegam com um terceiro motivo para dar a vacina, que é cortar a oportunidade de as reinfecções na meninada fazerem maiores estragos, comprometendo o seu amanhã.

Escarafunchando a intimidade do sistema imunológico, os autores desse estudo multicêntrico, envolvendo diversas instituições de respeito, entenderam ainda mais por que as crianças dificilmente adoecem pra valer quando são infectadas pelo Sars-CoV-2. De fato, a maioria apresenta sintomas leves, quando muito.

No entanto, nelas, os mecanismos de defesa que conseguem a proeza de barrar a manifestação da doença não fazem muita coisa além disso. Em outras palavras, não conferem imunidade ao organismo por muito tempo. Ou seja, as crianças que testam positivo para a covid-19 logo ficam à mercê do Sars-CoV-2 outra vez.

Riscos futuros "Ninguém sabe o que sucessivas infecções por esse vírus poderão causar lá adiante", alerta a imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e líder do trabalho.

Mesmo sem pensar muito em futuro, há evidências de que reinfecções podem resultar em quadros mais graves do que os anteriores. "Não dá para dizer, 'o que o meu filho teve parecia um resfriadinho comum e tudo bem', achando que, por isso, ele está imune", afirma a pesquisadora. "Sem contar que crianças também são capazes de apresentar covid longa, com sintomas principalmente neurológicos."

Passados uns anos, porém, a coisa toda pode se tornar bem mais complicada, para não dizer preocupante. "Ninguém consegue dizer se o Sars-CoV-2 não poderá causar danos que só aparecerão quando essa criança crescer", afirma a professora.

Não seria algo inédito, nem exclusivo do coronavírus. Ora, uma lesão provocada pelo HPV na adolescência, o papilomavírus humano, às vezes se transforma em um câncer de útero décadas depois.

"Assim como a infecção pelo vírus de Epstein-Barr, ao causar mononucleose na infância, está associada a um maior risco de esse indivíduo ter esclerose múltipla na vida adulta", comenta a imunologista, acrescentando mais um exemplo.

Daí que, para ela e seus colegas, deixar as crianças sem vacina e sendo reinfectadas pelo Sars-CoV-2 é arriscar a saúde de toda uma geração, que talvez pague um preço alto mais para frente.

Por que a criança raramente adoece? Essa foi a primeira pergunta que o time de cientistas se fez — e que time! Entre os 26 autores do estudo estão pediatras do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, gente da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) que ficou de olho nos anticorpos neutralizantes, especialistas em estatística da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e de sistemas computacionais do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, além de brasileiros que hoje estão em universidades americanas, como a da Califórnia e Harvard, só para eu citar alguns.

Para encontrar respostas, eles observaram como se comportavam as defesas de 33 crianças a partir do momento em que foram infectadas pelo Sars-CoV-2 em outubro de 2020, quando não havia vacinas nem sequer para os adultos. Todas tinham no máximo sintomas leves.

Na sequência, os cientistas foram ver o que acontecia com o sistema imunológico de gente mais velha que tinha sido infectada pelo vírus da covid-19 na mesma época. Detalhe: foram 33 adultos que só tinham sintomas leves e outros 33 que, infelizmente, desenvolveram quadros severos da doença.

"A primeira análise foi na fase aguda da infecção e, ali, notamos uma grande diferença", explica a professora Cristina Bonorino. O organismo infantil recepcionava o Sars-CoV-2 com batalhões de linfócitos T, que são citotóxicos, isto é, capazes de destruir as células do corpo invadidas por vírus. De prontidão, esses linfócitos não davam muita margem para o causador da covid-19 avançar e provocar sintomas mais importantes.

Já nos adultos os linfócitos T demoraram muito mais para surgir, dando prazo generoso para o vírus da covid-19 se replicar. E não era só isso: o sistema imune dos adultos respondia muito mais à proteína "S", aquela porção usada para invadir as nossas células e que é mais típica do Sars-CoV-2.

"Os linfócitos T das crianças, por sua vez, respondiam bem mais à proteína 'N' do núcleo capsídeo", revela a professora, referindo-se a uma espécie de invólucro do material genético do vírus. Eis a hipótese para explicar por que esses linfócitos não perdem tempo para dar as caras: essa proteína "N" é igual àquela encontrada em diversos coronavírus que dão muito resfriado em crianças. Elas, com certeza, já entraram em contato com esses outros vírus algumas vezes e seu sistema imune, portanto, consegue ser mais ágil diante do Sars-CoV-2.

Depois da fase aguda Os pesquisadores examinaram amostras de sangue de todos os participantes mais duas vezes — três e seis meses depois do diagnóstico. No fundo, havia a expectativa de que as crianças, por receberem o vírus da covid-19 a pauladas, desenvolveriam uma boa imunidade depois do primeiro contato com ele, blindando-se por um bom período contra reinfecções. Mas que nada!

Quando os pesquisadores olharam para os festejados anticorpos neutralizantes em janeiro e em abril de 2021, já não encontraram diferenças entre crianças e adultos com quadros leves da doença. A derrocada dessas moléculas capazes de reduzir as reinfecções era evidente nos dois grupos que, vale repetir, até então não tinham sido vacinados.

Apenas os adultos que tiveram quadros graves, com necessidade de hospitalização e tudo mais, tinham adquirido alguma imunidade. Bem, diria que ela lhes custou caro.

Mas vacina evitaria reinfecção?! As vacinas — em crianças ou em adultos — evitam principalmente quadros graves de covid-19. Mas, de fato, não impedem ninguém de pegar uma nova subvariante de ômicron, por exemplo. Ainda mais aqui, já que ainda não temos disponíveis aquelas que são bivalentes e contemplam versões mais recentes do coronavírus.

"Mas, não importando a idade, quando a pessoa não está vacinada o Sars-CoV-2 se mantém ativo e se replica em seu organismo por cerca de dez dias", informa Cristina Bonorino. "Com uma dose da vacina, porém, esse tempo cai para sete dias. E, com duas doses ou mais, para no máximo quatro dias."

Ora, o período mais curto não só reduz a chance de o coronavírus passar para mais gente, como limita o período em que pode causar baderna nos diversos órgãos. "Logo, em tese, isso diminui a probabilidade de complicações futuras", resume a professora.

Além de permanecer por pouco tempo antes de ser derrotado pelos anticorpos induzidos pela vacinação, o vírus se replica menos porque encontra um ambiente que definitivamente não facilita a sua sobrevivência. "Isso também corta o risco de sequelas", assegura a imunologista. Portanto, não hesite: só a vacinação dá essa garantia de futuro aos pequenos. E aos graúdos também.

21/11/2022 - Matinal Jornalismo

Link: Érico Moura apresenta show “Fluxo” no projeto Música na UFCSPA - Matinal Jornalismo

Érico Moura apresenta show “Fluxo” no projeto Música na UFCSPA

O cantor, compositor e instrumentista Érico Moura sobe ao palco do Teatro Moacyr Scliar, na UFCSPA, para apresentar Fluxo, seu mais recente show. Integrando o projeto Música na UFCSPA, o espetáculo ocorre na noite de quarta-feira (23/11), às 20h, com entrada gratuita.  O músico apresentará canções do pop à MPB, passando pelo rock e o folk. Neste espetáculo, o artista se debruça, de forma intimista e minimalista, sobre seu repertório autoral, pinçando canções dos seus três álbuns e apresentando novos singles. Uma das novidades é Rosa, lançada em setembro de 2022, além de algumas canções inéditas.  Acompanhado pelo multi-instrumentista Gian Becker ao piano, trompete e backing vocal, Érico traz seu violão preparado com afinações inusitadas, criando uma atmosfera pampeana. O projeto Música na UFCSPA seleciona, anualmente, por edital público, apresentações musicais que serão realizadas no teatro da universidade.

21/11/2022 - Folha de São Paulo

Link: Covid: gasto com campanha infantil foi de R$ 8 milhões - 21/11/2022 - Equilíbrio e Saúde - Folha (uol.com.br)

Saúde gastou R$ 8 milhões com campanha de vacinação infantil da Covid

Campanha de imunização teve baixo alcance, avaliam especialistas; pasta investiu cerca de R$ 143 mi com campanha para adultos

O governo federal gastou R$7,87 milhões com a campanha de vacinação infantil contra Covid em 2022. O valor destoa dos investimentos feitos no passado em outras fases da pandemia, incluindo o gasto de cerca de R$ 23 milhões para incentivar o tratamento precoce, que não tem comprovação cinetífica.

Em 2021, o Ministério da Saúde gastou aproximadamente R$142,16 milhões e, em 2022, R$1,67 milhões para divulgar a vacinação de adultos, incluindo gastos para a campanha de reforço - um total de R$ 143,83 milhões, portanto.

Os dados foram obtidos pela Folha via LAI (Lei de Acesso à Informação) e compreendem o período dejaniero de 2021 até julho de 2022. Procurada, a Saúde afirmou que atuou desde o início da pandemia para informar a população sobre a imunização.

Para especialistas, o baixo investimento da pasta na imunização infantil explica ao menos em parte porque a campanha de vacinação para essa faixa etária está estagnada, conforme mostrou reportagem da Folha.

De acordo com o IBGE, as crianças representam cerca de 17% da população brasileira, o equivalente hoje a 36,5 milhões dos 215,4 milhões de habitantes do país.

Até o último dia 7, no país, 13,9% das crianças de 3 a 4 anos receberam a primeira dose do imunizante contra Covid, e só 4,2% receberam as duas doses, segundo dados do DataSUS. Na faixa etária de 3 a 11 anos, até o último domingo (20), 52,88% receberam a primeira dose, e 36,18% as duas doses do imunizante, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa.

Já a população adulta atingiu 84,67% da população com pelo menos uma dose e 80% com esquema primário vacinal completo (duas doses ou dose única), segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a demora em iniciar a vacinação de crianças e a falta de ampliação do público-alvo podem estar relacionados a um menor interesse do governo na imunização desse grupo.

Governo federal gastou 18 vezes menos com campanha de imunização infantil

[Veja o gráfico pelo link acima]

Para o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda, o governo federal ainda não enxerga essa população como prioritária. "Quando olhamos todos os dados que foram gerados no Brasil, podemos dizer que as crianças são o grupo etário que apresenta maior risco de hospitalização e de óbitos", diz.

Segundo ele, o alcance da campanha pode ser considerado limitado. "É um número bem restrito, que vai gerar puco impacto. O ideal seria adquirir em torno de 21 milhões de doses para ofertarmos essa vacina para todas as crianças entre 6 meses e 5 anos."

Croda destaca que não houve alocação de recursos para realizar aquisição de vacinas para 2023. "O que podemos prever para o próximo ano é um apagão de doses de vacinas; os contratos estão vencendo e não temos renovação, em termos de oferta adequada de acordo com o quantitativo por estados", afirma.

Para o pediatra e diretor de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBO), Renato Kfouri, a chegada de vacinas para os mais novos ocorrem um momento em que o cenário epidemiológico já não preocupa mais tanto a população, apesar da alta recente de casos no país.

"Criou-se a falsa percepção de que as crianças não precisam ser vacinadas porque os sintomas não são intensos quanto nos mais idosos, mas a Covid sozinha causou mais mortes em crianças do que a soma de todas as outras doenças para as quais já existem vacinas", explica.

Segundo ele, houve um boicote do governo à vacinação infantil. "Não conseguiram com os idosos, com grávidas, com os adolescentes, mas no público infantil, o receio dos pais foi muito grande. Pela primeira vez, a situação se inverteu: os pais e responsáveis, que tomaram a vacina, não querem vacinar seus filhos", lamenta.

A imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Cristina Bonorino, classifica a ação de não proteger as crianças omo um ato criminoso. "Nós sabemos que o vírus pode causar sequelas neurológicas e que a [incidência] de Covid longa em crianças aumenta a cada dia. Não sabemos o que vai acontecer com essas crianças, e isso é responsabilidade do governo federal", afirma.

Procurado, o Ministério da Saúde informou por meio de nota que trabalha desde o início da pandemia para "divulgar amplamente todas as medidas de prevenção contra a doença, incluindo a importância de completar o ciclo vacinal com todas as doses recomendadas para conter o avanço da doença e atingir a máxima proteção contra os vírus".

 

Disse, ainda, que a pasta realizou, de março de 2022 até agora, 39 campanhas de comunicação sobre a Covid, incluindo "medidas preventivas e reforço da importância da campanha de vacinação e da dose de reforço", com investimento de mais de R$ 400 milhões, incluindo 25 mil inserções em TVs, 400 mil inserções em rádios, 965 milhões de impressões e mais de 837 milhões de inserções em mídia exterior segundo a nota.

Em relação à vacinação infantil, a pasta esclarece que "não houve atraso na aquisição e incorporação das vacinas pediátricas" e que "solicitou reserva dos imunizantes ainda em 16 de dezembro [de 2021], logo após a autorização da agência reguladora [Anvisa]". "O primeiro lote chegou em 13 de janeiro, considerando o menor tempo de produção e logística necessárias para sua chegada. A vacinação de crianças de 3 a 5 anos teve início em julho de 2022".

21/11/2022 - Rádio Itatiaia

Link: Os desafios para a alimentação das crianças - Rádio Itatiaia | A Rádio de Minas

Os desafios para a alimentação das crianças

Especialistas apontam quais são os aliados da alimentação saudável para crianças e quais são os principais desafios enfrentados pela família quando o assunto é comida de verdade

Como se alimentar de maneira saudável é um desafio constante na rotina de todas as famílias. Mas, na prática, não é tão fácil reproduzir o que tanto se sabe na teoria. Tratando-se de crianças então, o desafio é ainda maior. Especialistas ouvidas pelo Ministério da Saúde apontam desafios da alimentação infantil e dão dicas de como melhorar a relação com a comida.

O leite materno é o primeiro alimento da criança. Ele é o alimento ideal, pois é totalmente adaptado às necessidades do bebê nos primeiros anos de vida. Um dos primeiros desafios é iniciar a amamentação exclusiva e mantê-la mesmo quando a mãe retornar ao trabalho ou até mesmo quando a criança for para a creche. O Ministério da Saúde recomenda que a criança seja amamentada já na primeira hora de vida e por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. A dica é contar com uma rede de apoio dentro de casa, no trabalho e na creche para manter esse vínculo.

Planejamento da alimentação

“A chegada da criança é uma oportunidade para a família se conectar mais com a alimentação saudável”, explica a professora associada do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Inês Rugani. Por isso, o planejamento da alimentação deve fazer parte da rotina da casa, pois facilita na hora de oferecer alimentos à criança e à toda família. “A habilidade culinária doméstica não é só saber cozinhar e temperar, é todo esse planejamento, é simplificar, deixar adiantado algumas preparações para que se possa ter um dia a dia tranquilo neste aspecto. Para que a alimentação não seja um problema, mas um espaço de cuidado e de exercício do afeto”, reforça a professora Rugani.

Alimentação complementar

Outro desafio passa pela introdução alimentar. Para a nutricionista e professora da pós-graduação da Pediatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Márcia Vitolo, no primeiro ano de vida é importante garantir que a criança receba uma alimentação adequada, pois ela não tem autonomia e depende totalmente da família. A dica é oferecer alimentos naturais, da época e manter a regra de não oferecer açúcar antes dos dois anos de idade. “Não dar açúcar nos primeiros anos de vida retarda o prazer pelo açúcar, a criança não vai dar preferência a esse tipo de alimento”, informa Vitolo.

Elsa Giugliani, Professora titular de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reforça a importância de começar a alimentação complementar de forma favorável. “Na fase dos dois primeiros anos de vida está se construindo os hábitos alimentares da criança”, destaca. Por isso é importante oferecer alimentos saudáveis para as crianças e evitar a oferta dos não saudáveis.

Não substituir as refeições principais por lanche é mais um desafio da alimentação infantil. O recomendado é ofertar comida e garantir que a criança pequena esteja com fome na hora de se alimentar. “Isso quer dizer que a criança não deve ter comido nada antes da refeição e nem ter tomado suco. O suco tira o apetite da criança e recupera a glicose sem muito esforço”, frisa Márcia Vitolo. A família e os cuidadores devem estar atentos aos sinais de fome e de saciedade da criança.

Fique ligado

Outros desafios também merecem destaque: evitar a exposição a telas durante a alimentação; evitar a exposição à publicidade que estimule o consumo de alimentos ultraprocessados (formulações industriais que normalmente tem pouca comida de verdade na sua composição); ter acesso às informações adequadas sobre alimentação saudável; mudar hábitos familiares que desfavoreçam a alimentação saudável.

Qual o exemplo você quer deixar para seus filhos?

Há mais uma série de dicas do que podem ajudar a família e a criança a se alimentarem melhor: ofertar bons alimentos às crianças pequenas; tornar a hora da comida um momento prazeroso; estipular uma rotina alimentar; preparar os próprios alimentos e envolver a criança na escolha e preparação (quando possível); deixar a criança se alimentar no tempo dela; não focar na quantidade, mas na qualidade do alimento ofertado.

Todas as especialistas entrevistadas pelo Ministério da Saúde destacaram que o ambiente familiar impacta na forma como a criança vai se relacionar com a comida. Por isso, a dica final é investir na oportunidade de toda família poder se alimentar melhor.

17/11/2022 – Viva Bem UOL

Link: Covid-19: reinfecção pode ter efeito cumulativo e causar mais complicações - 17/11/2022 - UOL VivaBem

Covid-19: reinfecção pode ter efeito cumulativo e causar mais complicações

Para quem um dia já testou positivo para covid-19, nestes tempos de subvariantes de ômicron se espalhando feito poeira ao vento, talvez seja necessário rever aquela história de que menos mal se por acaso pegar o vírus de novo. Afinal — uns podem pensar —, o organismo já estaria imunizado ou, quem sabe, uma nova infecção teria poucos sintomas, como a de outra vez.

entanto, um estudo publicado na semana passada na revista científica Nature avisa: se eu fosse você, não botava tanta fé nisso e me cuidaria bem mais. Pois um bis do Sars-Cov-2 pode ser pior do que o primeiro contato que teve com esse vírus, provocando mais estragos da cabeça aos pés, como se eles fossem capazes de se acumular.

Os autores, que são da Universidade de Washington e da Veterans Research and Education Foundation, nos Estados Unidos, afirmam que, se você compara quem só teve covid-19 uma única vez com quem se reinfectou com o coronavírus, o risco de problemas cardíacos e pulmonares, diabetes, doença renal, disfunções neurológicas e outras encrencas passa a ser muito maior na turma que testou positivo mais de uma vez. E, atenção, isso foi notado mesmo quando os cientistas colocaram lado a lado pessoas que tomaram a vacina.

A ameaça de ir parar no hospital e morrer de covid-19 ou por causa de uma dessas complicações até seis meses depois também aumenta em quem se reinfecta. Será que dá para acreditar nisso e ficar com medo sem fazer ressalvas? Não, claro que não. O trabalho tem vários aspectos que fazem a gente questionar se o que ele achou de fato aconteceria da mesma forma com qualquer pessoa. Mas também não é para dar de ombros. Seus resultados são um pedido para todo mundo ter mais cautela.

Como foi o estudo Os pesquisadores se debruçaram sobre os dados de mais de 5 milhões de pessoas atendidas pela rede que cuida da saúde dos veteranos americanos. Delas, 443 mil foram diagnosticadas com covid-19 uma vez. Já outras 40,9 mil pegaram o Sars-CoV-2 duas ou mais vezes. "O trabalho tem uma força estatística poderosa devido ao tamanho da população estudada", nota André Báfica, que é professor associado de imunologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Para ele, a pergunta levantada pelos colegas americanos é importantíssima. Isso porque, até hoje, apesar de oficialmente mais de meio bilhão de pessoas terem contraído o coronavírus desde o início da pandemia, mal e mal se conhece o impacto das reinfecções no organismo. 

"A informação alarmante que eles apresentam é a seguinte: a quantidade de infecções pelo Sars-CoV-2 de um indivíduo está associado ao risco de patologias em diversos órgãos a longo prazo. Ou seja, esse perigo aumenta conforme o número de reinfecções", comenta o imunologista, um dos pesquisadores mais respeitados do país na busca de soluções para a covid-19.

"Isso significa", continua ele, "que existiria um efeito cumulativo. Portanto, ter uma segunda infecção é mais grave para a saúde do que só ter uma e, pior ainda do que pegar a covid-19 duas vezes, é ficar com o vírus três vezes ou mais."

Mesmo depois da vacina As pessoas analisadas no estudo foram divididas em três grandes grupos. Um deles era o de quem conseguiu passar ileso pela pandemia e não tinha sido diagnosticado com covid-19 até aquele momento. O segundo era de quem pegou a doença uma única vez e, finalmente, havia o grupo de quem se reinfectou mais tarde. Neste último, os pesquisadores ainda diferenciaram quem teve a infecção duas, três ou — credo! — quatro vezes ou mais.

Então, cruzaram com os registros dos problemas que toda essa gente experimentou ao longo de seis meses a partir do instante em que testou positivo no serviço de saúde pela primeira vez ou na reinfecção, mas sempre usando como grupo controle, ou parâmetro, aqueles sortudos que nunca souberam o que era estar com um Sars-CoV-2 no corpo. As comparações do trabalho eram sempre feitas depois de apontarem quantos em cada mil indivíduos de cada um desses grupos foram flagrados com diabetes, problemas de coagulação e outras questões hematológicas, doença do coração e muito mais.

Os gráficos do artigo científico deixam claro que o risco para qualquer um dos males listados, sem contar a ameaça de morrer, sempre aumenta entre quem contraiu o coronavírus em relação a quem escapou da covid-19. E ele vai crescendo na medida em que sobe o número de reinfecções. Com as pessoas vacinadas, esse padrão não foi diferente. Será que isso, então, quer dizer que a vacina não funcionaria? Já imagino a nuvem dessa pergunta passando sobre a sua cabeça e respondo: nada disso!.

Isso quer dizer que, se você compara quem se vacinou com quem não se vacinou, o risco de quadros graves é invariavelmente bem menor na primeira turma. No entanto, se você compara pessoas vacinadas entre si, verá que o perigo de ter algum problema é sempre maior entre aqueles que, muitas vezes por excesso de confiança, de algum modo se descuidaram e contraíram o vírus múltiplas vezes. Aliás, se duvidar, como estamos vendo agora, com o povo sem máscara em lugares fechados e deixando o álcool em gel para as mãos esquecido em algum canto.

Qualquer pessoa corre maior perigo ao se reinfectar? Por mais que o trabalho tenha sido bem conduzido, ele não é perfeito. "A maioria dos dados usados é referente a uma população de homens brancos", repara o professor André Báfica. "Esse é um ponto de cautela. Precisamos de novos estudos com populações com uma diversidade maior."

Sim, em tese os resultados poderiam ser diferentes dependendo da etnia, da idade — lembrando que os reservistas analisados são mais velhos — e até do sexo. Infelizmente, a pesquisa não incluiu mulheres. Logo, por enquanto não dá para saber se as reinfecções são igualmente ameaçadoras para uma senhora da mesma idade dos reservistas ou para um rapaz jovem, por exemplo.

"Independentemente disso, como esse é o primeiro estudo que mostra de uma maneira sistematizada que as reinfecções são capazes de elevar o risco de problemas médicos, seus achados já servem para sugerir que ações de saúde pública sejam implantadas o mais rápido possível para evitar as reinfecções causadas pelas novas subvariantes circulando por aí."

De infecção em infecção A imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), no Rio Grande do Sul, conta: "Noutro dia, observei com colegas que a gente quase nunca fica examinando o que acontece quando uma pessoa tem uma reinfecção por qualquer vírus, presumindo que ela ficaria protegida mais tarde, principalmente por conta de vacinas".

Segundo ela, no fundo o que o trabalho americano revela é que, a cada vez que o Sars-CoV-2 nos reinfecta, há uma diminuição da expectativa de vida. "Talvez seja uma característica dele. Mas talvez a mesma coisa aconteça com outros vírus, despertando em nós a curiosidade de realizar mais estudos levantando quantas vezes alguém teve infecções virais, como bronquiolite na infância, sarampo e tantas outras."

Será que, de infecção em infecção aparentemente curada, nosso corpo acumularia problemas capazes de atrapalhar a vida? Mais um enigma que a pandemia traz para a ciência resolver.

11/11/2022 – GZH

Link: RS apresenta sinal de aumento nos casos de covid entre pessoas acima de 60 anos  | GZH (clicrbs.com.br)

RS apresenta sinal de aumento nos casos de covid entre pessoas acima de 60 anos

Especialistas afirmam que população deve completar o esquema vacinal e reforçar outros cuidados

O mais recente boletim InfoGripe Fiocruz, divulgado na quinta-feira (10), sinaliza para um aumento nos casos de covid-19 na população adulta do Rio Grande do Sul e outros três Estados brasileiros: Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo, que têm elevação mais clara nas faixas etárias a partir de 18 anos. No território gaúcho, entretanto, a tendência de crescimento é observada apenas na população acima dos 60 anos, conforme a Agência Fiocruz de Notícias. Para especialistas, é preciso que principalmente as pessoas mais velhas e com comorbidades busquem completar seu esquema vacinal contra a doença.

O InfoGripe reúne dados inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) até 7 de novembro. De acordo com o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, ainda não é possível afirmar que esse crescimento nos quatro Estados esteja relacionado especificamente com as novas sublinhagens recentemente identificadas em alguns locais do país. O pesquisador destaca ainda que, como os dados laboratoriais demoram a entrar no sistema, “é esperado que os números de casos das semanas recentes sejam maiores do que o observado nesta atualização, podendo inclusive aumentar os  Estados em tal situação”. 

Segundo o boletim, no Rio Grande do Sul, ainda não se observa tendência de aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O mesmo pode ser dito de Porto Alegre,  diferentemente das capitais do Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo, que registram essa tendência na população adulta.

Ana Gorini da Veiga, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pesquisadora de infecções virais, aponta que uma significativa porcentagem da população gaúcha apresenta doenças cardiovasculares e crônicas, que são fatores de risco para desenvolver um quadro mais grave de covid-19. Essas enfermidades também são mais comuns na população idosa, o que poderia ser uma das explicações para que gaúchos com faixa etária acima de 60 anos apresentem mais positividade do que em outras regiões do país. Há, ainda, a questão da maior longevidade no Sul, que pode contribuir. 

Ela também destaca que, mesmo que esses casos possam estar relacionados à nova variante e que ocorra o chamado escape vacinal (quando alterações do vírus não são reconhecidas pelos anticorpos que a gente produz após tomar o imunizante), é importante manter as vacinas atualizadas, porque, de qualquer forma, elas conferem uma certa proteção. 

A importância da cobertura vacinal

De acordo com a última atualização do painel da Secretaria Estadual de Saúde (SES), nesta sexta-feira (11), 82% das pessoas entre 60 e 69 anos estão com esquema vacinal completo, enquanto 90% dos idosos de 70 a 79 tomaram todas as doses disponíveis para sua faixa etária. Já em relação ao grupo de 80 anos ou mais, somente 80% completou o esquema de imunização. A pasta considera a população residente do RS na casa dos 11,4 milhões e o esquema vacinal é reconhecido como completo apenas quando o indivíduo recebeu todas as doses previstas para sua idade.  

O infectologista do Hospital Moinhos de Vento e coordenador-médico das unidades externas da instituição Paulo Ernesto Gewehr Filho enfatiza a importância das vacinas e das doses de reforço, comentando que outros Estados brasileiros já implementaram inclusive a quinta dose. Ele ressalta que não se vacinar de forma adequada expõe as pessoas à nova variante e a uma chance maior de desenvolver um quadro grave da doença: 

— Acho que a quinta dose tem que ser implementada de uma forma mais rápida neste momento e para populações selecionadas primeiro, como os imunodeprimidos, idosos, pacientes que estão fazendo tratamento com quimioterapia, doentes crônicos. Vemos desde o início da pandemia que o vírus vai se tornando mais transmissível e escapando da proteção das vacinas, mas elas continuam protegendo contra as doenças mais graves, então, o importante é manter a vacinação atualizada e encaminharmos para a quinta dose. 

Gewehr Filho comenta ainda que a grande maioria dos pacientes que internam com quadros graves são aqueles com doses atrasadas ou não vacinados. Neste grupo, aqueles com fatores de risco e idade avançada são os que mais adoecem. Por isso, os especialistas reafirmam a necessidade de que essa população com comorbidades mantenha os cuidados, como uso de máscara em situações de risco e higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool gel.  

— A pandemia ainda não terminou, embora o impacto dela tenha diminuído bastante. Então para pessoas de grupos de risco, em situações com ambientes fechados, mal ventilados, com pessoas não vacinadas ou que apresentem sintomas respiratórios, recomendamos que essas situações sejam evitadas ou que se utilize máscara cirúrgica, no mínimo, ou uma N95 — diz Gewehr Filho.

Questionada sobre a necessidade de reduzir saídas, a professora da UFCSPA considera não ser necessário e ressalta que é preciso pensar também na saúde mental das pessoas, que foi muito afetada durante os períodos mais críticos da pandemia: 

— Mantendo os cuidados, utilizando a máscara de forma adequada, o risco é extremamente reduzido e dá para manter a alegria deles. 

04/11/2022 – Portal Prefeitura de Porto Alegre

Link: Abertas as inscrições para o Congresso Porto Alegre Cidade Educadora | Prefeitura de Porto Alegre

Abertas as inscrições para o Congresso Porto Alegre Cidade Educadora

As inscrições para o 1° Congresso Porto Alegre Cidade educadora: Cidade de Paz e Oportunidades estão abertas e podem ser realizadas aqui. O evento, que ocorre nos dias 29 e 30 de novembro, é promovido pela Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Transparência e Controladoria (SMTC).     

No dia 29, durante a manhã, o público poderá assistir gratuitamente palestras com a representante do Brasil no Grupo Arquitetura e Infância da União Internacional de Arquitetos, a professora Beatriz Goulart. Também ministram palestras a diretora da Delegação para América Latina da Associação Internacional de Cidades Educadoras (Rosário/Argentina), professora Laura Alfonso, e o professor Marcio Tasqueto, representando a Universidade de Passo Fundo e Universidade Franciscana. A ação será das 8h30 às 12h, na Universidade Federal de Ciências e Saúde de Porto Alegre (UFSCPA).

Durante o turno da tarde, ainda no primeiro dia de congresso, os participantes terão a oportunidade de vivenciar nove percursos, em seis rotas programadas na atração Experiências Educadoras: Rota dos Museus, Rota da Inovação, Rota das Comunidades, Rota Territórios Negros, Rota das Escolas e Rota Mobilidade Humana. “Os participantes terão a oportunidade de vivenciar diferentes práticas educativas, por meio do contato com a cultura, com ecossistemas de inovação, arte e comunidade local”, destaca Ferenci

Já em 30 de novembro, Dia Internacional das Cidades Educadoras, a Unisinos de Porto Alegre será a sede do Congresso. Durante a manhã, serão realizados debates sobre a decisão de ser uma cidade educadora, percursos e possibilidades, e novos caminhos para Porto Alegre. No turno da tarde, a temática permeia as interações digitais e os relatos do 1° Congresso Popular de Educação para a Cidadania. 

Programação completa

Inscrições aqui.

29/11 - 8h30 às 12h (UFSCPA - rua Sarmento Leite, 245- Centro Histórico)

9h - abertura do evento- cerimonial

10h - Mesa de Abertura: Cidade Educadora: Cidade de Paz e Oportunidades

(Participantes: professora Beatriz Goulart (representante do Brasil no Grupo Arquitetura e Infância da União Internacional de Arquitetos), professora Laura Alfonso (diretora da Delegação para América Latina da Associação Internacional de Cidades Educadoras - Rosário/Argentina) e professor Marcio Tasqueto (Universidade de Passo Fundo/Universidade Franciscana)

11h - Atração Cultural: Orquestra Rosariense

12h - Encerramento

29/11 - 14h às 17h30 - Rotas de Experiências Educadoras

Todas as rotas têm vagas limitadas e, quando necessário, fornecem transporte.

Cada participante poderá participar de apenas uma.

Conheça abaixo as rotas disponíveis:

Rota 1 – Rota dos Museus 

Rota 2 – Rota da Inovação 

Rota 3 – Rotas das Comunidades 

Rota 4 – Rota Territórios Negros 

Rota 5 – Rota das Escolas 

Rota 6 – Rota Mobilidade Humana 

30/11 - 9h às 17h30 - (Unisinos Porto Alegre - av. Dr. Nilo Peçanha, 1600 - Boa Vista)

9h - credenciamento

9h30 às 10h - Coffee + Atração Cultural: Banda Terminal 470

10h às 11h30 - Mesas Redondas (simultâneas):

Mesa Redonda: A decisão de ser uma Cidade Educadora, percursos e possibilidades.

(Participantes: professores Valter Morigi (Porto Alegre/RS), Rodrigo D. Smolareck (Alegrete/RS, a confirmar) e Anita Carneiro (Porto Alegre/RS)).

Mesa Redonda: Novos caminhos para Porto Alegre, uma Cidade Educadora.(Participantes: coordenadores dos Grupos de Trabalho Porto Alegre Cidade Educadora)

12h às 13h – Almoço.

13h – Credenciamento

13h30 às 14h30 - Palestras Temáticas (simultâneas):

Palestra: A cidade que emerge das interações digitais

(Participante: professor Daniel de Andrade Bittencourt – Porto Alegre/RS)

Palestra: Relatos do 1° Congresso Popular de Educação para a Cidadania

(Participantes: Sociedade Civil Organizada que promoveu o 1° Congresso Popular de Educação para a Cidadania)

14h30 às 16h30 - Sessões Técnicas - Apresentação de Trabalhos/Relatos de Experiências

16h30 às 17h30 - Momento Network com café + Exposição Faces Educadoras + Atração Cultural: Rapper Gangster

17h30 - Encerramento

01/11/2022 – Portal Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do RS

Link: Autismo é tema de encontro do Comitê da Saúde do CNJ/RS - Tribunal de Justiça - RS (tjrs.jus.br)

Autismo é tema de encontro do Comitê da Saúde do CNJ/RS

O Comitê Executivo Estadual da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) debateu na tarde desta terça-feira (1º/11) sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Conduzido pelo Coordenador do Comitê, Desembargador Ney Wiedemann Neto, o encontro híbrido foi realizado no Labee9 do TJRS com transmissão online.

Primeiro a abordar o tema, o pediatra Renato Santos Coelho, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), apresentou dados sobre o que é o transtorno, como é feito o diagnóstico e quais as metodologias utilizadas. Embora trabalhe na área há mais de 30 anos, o médico pontua que há muitas questões a serem respondidas pela neurociência. Relacionado a um transtorno do neurodesenvolvimento, o Autismo, segundo o pediatra, é de difícil diagnóstico, especialmente os casos leves. Destacou que o diagnóstico é baseado no comportamento, no déficit de interação social, falta de habilidades de comunicação e nos comportamentos repetitivos e restritos.

Segundo o pediatra, com a evolução da neurociência, o diagnóstico que era dado por volta dos 4 e 5 anos de idade, reduziu para 2 anos e meio.

“Não se pode perder tempo de intervir. Trabalhos científicos mostram que o resultado é melhor quando temos intervenções mais cedo. Isso para aproveitar a neuroplasticidade (capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura e função em decorrência dos padrões de experiência). Além de melhorar a funcionalidade da criança, a adaptação social, interação, traz qualidade de vida para ela e para a família”, afirma.

Publicado no final do ano passado, o relatório do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC), órgão norte-americano de pesquisas, apontou que a cada 44 crianças nascidas nos Estados Unidos uma tem autismo. Conforme o médico, estima-se que 1% da população mundial tenha TEA e no Brasil seriam mais de 2 milhões de pessoas. O pediatra observa que metade das pessoas com TEA possui algum grau de deficiência intelectual.

A estratégia de intervenção a ser adotada, segundo o médico, depende de cada criança. E que o tratamento, em termos de frequência e intensidade, deve ser individualizado de acordo com a idade da criança, as condições da família, para auxiliar no processo, e da região onde mora. Ressaltou que o tratamento exige a participação de diferentes profissionais como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e, muitas vezes, medicação. O médico afirma que atualmente há mais de 50 métodos comportamentais.

Finalizou a apresentação com relatos sobre a experiência no Projeto Acolher, da Unimed Federação. Médico consultor do Programa, o pediatra disse que a iniciativa acompanha mais de 200 famílias que necessitam de atendimento em TEA, além de qualificar profissionais para atuação na área.

Presentes ao evento, a Secretária Adjunta de Saúde do Estado, Ana Lúcia Pires Afonso da Costa e a Enfermeira na área de Saúde Mental da Secretaria, Fernanda Barreto Mielke, falaram sobre a política pública que vem sendo adotada, especialmente sobre o TEAcolher, programa de atendimento a pessoas com TEA.

“As pessoas não sabem o que fazer com o meu filho. É uma fala frequente que reforça a necessidade de uma política pública para trabalhar a pauta”, diz Ana Lúcia, informando que a partir de 2019 os serviços começaram a ser reunidos em rede.

Fernanda detalhou como foram pensados os 28 Centros Regionais de Referência em TEA e os sete Centros Macrorregionais que funcionam em instituições dos municípios com APAES. Com a política sendo desenhada, uma das iniciativas já colocadas em prática, em atenção à recente lei federal, é a identificação das pessoas com TEA.

“A Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CIPTEA) além de ser um documento importante para estatísticas e execução de políticas públicas, permite que haja um atendimento em caso de crise na rua, por exemplo. O QR code da carteira possui dados do médico que assiste a pessoa, além de informar onde ela mora”, observa a Enfermeira.

Estiveram presentes e são membros do Comitê a Assessora Jurídica da Secretaria Estadual da Saúde, Maria Cláudia Mulinari, Procuradoras do Estado Alessandra Flores Wagner e Lucia Wazen de Freitas, o Diretor de Auditoria do SUS na SES/RS, Bruno Naundorf, o Diretor Operacional, de Intercâmbio e Regulação da Unimed Federação/RS, Paulo Roberto de Oliveira Webster, a Diretora do Departamento Médico Judiciário, Ana Maria Simões Ribeiro e o representante do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus), Felipe Bauer Pinto da Costa, além de demais integrantes do comitê e participantes através da plataforma Zoom.

Mais informações sobre a CIPTEA podem ser obtidas clicando aqui.

A próxima reunião do Comitê da Saúde CNJ/RS está prevista para o dia 6/12/22.

01/11/2022 – Revista Amazônia Latitude

Link: Amazônia pode virar berço de novas epidemias, alerta pesquisa (amazonialatitude.com)

Destruição da Amazônia pode transformá-la em berço de novas epidemias, revela pesquisa

Segundo autor do estudo publicado na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, a luta contra a crise climática é, também, uma luta pela saúde da humanidade

Ações humanas como o desmatamento na Amazônia podem fazer com que novas doenças, epidemias e pandemias surjam a partir da floresta, segundo o estudo “Synthesizing the connections between environmental disturbances and zoonotic spillover” (“Sintetizando as conexões entre distúrbios ambientais e transbordamento zoonótico”, em tradução livre), publicado em setembro nos Anais da Academia Brasileira de Ciências.

O estudo foi feito por 19 pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), na França, entre outras instituições. Trata-se de uma revisão narrativa que discute o conceito de spillover – salto de agentes causadores de doenças de uma espécie para outra – com base na literatura científica selecionada pelos autores em bases de dados internacionais.

“Spillover pode ser traduzido como ‘salto de patógenos’ entre diferentes hospedeiros”, explica Joel Henrique Ellwanger, biólogo, doutor em Genética e Biologia Molecular e um dos autores do estudo. “O termo é usado para abordar um patógeno que foi transmitido de uma espécie selvagem para a população humana.”

No estudo, os autores explicam o conceito de salto de patógenos, os agentes causadores de doenças, com base em exemplos e modelos de diferentes regiões do mundo. Ao final, pela afinidade dos autores, se aprofundam na temática sobre a Amazônia.

O salto dos agentes causadores de doenças de uma espécie para outra é algo que acontece espontaneamente na natureza, por diversos fatores, que envolvem desde o estresse das espécies até o compartilhamento de habitat. Mas algumas ações humanas – chamadas de distúrbios antropogênicos – podem intensificar esse processo e colocar a espécie humana em contato direto com animais hospedeiros de diferentes patógenos. Em humanos, esses agentes podem se transformar em doenças e originar novas epidemias e pandemias.

Entre as ações humanas que podem gerar eventos de spillover estão o desmatamento, a caça e comercialização de animais selvagens, a mineração e o avanço da área de cidades para regiões onde há vida selvagem.

“Os distúrbios antropogênicos facilitam os eventos de spillover porque aproximam os humanos das populações de animais silvestres e seus patógenos, além de atrapalharem o funcionamento de serviços ecossistêmicos e mecanismos ecológicos que regulam e mantêm a circulação normal de patógenos entre as populações de animais silvestres”, diz Ellwanger.

Ou seja, distúrbios antropogênicos podem, por exemplo, reduzir populações de predadores e, consequentemente, aumentar populações de espécies transmissoras. Os autores citam como exemplo a proximidade entre humanos e morcegos – que podem ser vetores de diferentes patógenos – em inúmeras partes do mundo, e a grande quantidade de cães – que podem transmitir a leishmaniose – em centros urbanos na América Latina.

Em relação à Amazônia, a principal preocupação dos pesquisadores são os mosquitos. Já existem espécies transmissoras de várias doenças, como o mosquito Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi, que é um vetor da malária. As ações que promovem o desmatamento da floresta podem resultar no aumento dessas populações de mosquitos e em uma maior proximidade do ser humano com elas, o que pode aumentar as chances de infecção dos humanos.

De acordo com o biólogo Ellwanger, as principais atividades humanas que acontecem na Amazônia e podem transformá-la em berço de novas doenças são a mineração, o plantio de monoculturas e a criação de gado.

“Essas atividades estão relacionadas de forma direta com o desmatamento. Por esse motivo, podemos dizer que o principal fator antropogênico a ser monitorado e controlado na Amazônia é o desmatamento, pois ele é um reflexo das atividades de exploração e degradação que ocorrem na floresta”, afirma.

O estudo destaca, ainda, que os custos de lidar com uma pandemia são maiores que os custos de prevenção, lidando com as atividades que podem originá-la.

“Os custos para mitigar uma pandemia como a de COVID-19 são muito maiores (estimados entre US$8,1 trilhões e US$15,8 trilhões) do que o montante necessário para evitar os principais fatores que provocam eventos de doenças infecciosas emergentes, estimado entre US$17,7 bilhões e US$26,9 bilhões por ano”, escrevem os autores.

“Em outras palavras, as ações de conservação protegem o meio ambiente, limitam a propagação de doenças infecciosas e são mais baratas do que suportar o fardo de eventos de doenças infecciosas emergentes”, diz a pesquisa.

As medidas de prevenção sugeridas pelos pesquisadores envolvem a proteção e criação de mais terras indígenas (TIs), visto que a preservação florestal nas TIs é maior, e o controle do desmatamento. Os autores alertam para o perigo da proposta de lei 191/2020, que abre as terras indígenas à mineração e outras atividades de exploração de recursos naturais.

Segundo o estudo, o desmatamento na região amazônica diminuiu cerca de 70% entre 2005 e 2012, em parte devido a políticas governamentais que terminaram sob o governo que tomou posse em janeiro de 2019. “Mas o potencial para controlar o desmatamento através de políticas governamentais continua sendo uma lição essencial”, afirma o estudo.

Uma lição essencial, inclusive, para o combate à crise climática. Ellwanger salienta que as atividades antropogênicas conectadas aos eventos de spillover estão ligadas, também, à crise climática. Afinal, o desmatamento e o crescimento desenfreado de cidades, sem a devida preocupação ambiental, são responsáveis pelo aumento na liberação de gás carbônico, um gás de efeito estufa, na atmosfera.

Um dos exemplos mais práticos utilizados por Ellwanger é o de que o aumento da temperatura do planeta e de chuvas pode favorecer a proliferação de mosquitos e de patógenos transmitidos pela água.

Florestas como a Amazônia têm um papel fundamental na regulação do clima regional e global. Por isso, explica o biólogo, o combate ao desmatamento no Brasil é uma estratégia fundamental para o controle das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, para reduzir os riscos relacionados às doenças infecciosas emergentes.

“O controle do desmatamento na Amazônia e das mudanças climáticas é uma questão de saúde pública urgente”, diz.

Para Ellwanger, o estudo é um alerta para os riscos de saúde pública associados com a devastação da Amazônia. E o controle do desmatamento na Amazônia e das mudanças climáticas é, além de um tema ambiental, uma questão de saúde pública urgente.

01/11/2022 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/11/tecnologia-utilizada-nas-vacinas-contra-a-covid-19-representa-esperanca-para-pacientes-com-cancer-cl9rfv4y700720170ufa8z7ug.html

Tecnologia utilizada nas vacinas contra a covid-19 representa esperança para pacientes com câncer

Especialistas discutem viabilidade de imunizantes que poderão ajudar a tratar diversos tipos de tumores

Uma tecnologia estudada há décadas se tornou amplamente conhecida com o advento das vacinas contra a covid-19 e agora está entre as protagonistas no esforço global de vencer o câncer, principal causa de morte no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O casal de pesquisadores que fundou a empresa de biotecnologia alemã BioNTech em 2008 — e firmou parceria com a gigante farmacêutica americana Pfizer para produzir um dos imunizantes mais aplicados durante a pandemia — prevê para 2030 a disponibilidade de vacinas para tratar diversos tipos de tumores.  

O foco de estudos da BioNTech, idealizada pelos médicos Ugur Sahin e Ozlem Tureci, esteve, desde o princípio, na imunoterapia, que utiliza o potencial do sistema imunológico do corpo humano para combater o câncer, doenças infecciosas e outras enfermidades graves. A tecnologia de mRNA, o RNA mensageiro, muito comentada ao longo da crise sanitária do coronavírus, busca criar anticorpos ao agente que ameaça a saúde. Em vez de inserir o sars-cov-2 atenuado ou inativo no organismo (plataformas de outros imunizantes), a vacina de mRNA ensina as células a sintetizarem uma proteína que estimula a resposta imunológica do corpo.   

O caminho percorrido pela BioNTech nessa especialidade já era bem estruturado quando surgiu a necessidade urgente de vacinar bilhões de pessoas na pandemia. Esforços se voltaram para dar conta da emergência, daí uma das bases para a velocidade com que os imunizantes puderam ser ofertados à população. 

De volta à trilha do objetivo primordial, a empresa da Alemanha pretende continuar investindo em estudos em andamento para desenvolver vacinas que possibilitem novas abordagens para cânceres de pele (melanoma), colorretal e de cabeça e pescoço, entre outros. Uma vacina personalizada seria capaz de ensinar as defesas do paciente a atacar a doença. No caso da covid-19, o elemento-chave da dose era parte da proteína Spike do vírus. Para o câncer, deve ser um marcador presente nas células tumorais, a serem diferenciadas das sadias.  

Câncer é uma definição genérica para um grande grupo de males. Outros termos usados são tumores malignos e neoplasias. O câncer se caracteriza pela rápida multiplicação de células anormais que crescem para além dos limites e podem, eventualmente, invadir outros órgãos, causando o que se chama de metástase, o espalhamento da doença.  

— Cada passo, cada paciente que tratamos em nossos estudos sobre câncer nos ajudam a desvendar mais sobre o que combatemos e como fazer isso. Enquanto cientistas, sempre hesitamos em dizer que teremos uma cura para o câncer. Temos um número de descobertas e continuaremos a trabalhar nelas — disse Ozlem Tureci, que atua como chefe médica da BioNTech, em entrevista recente a um programa de TV da BBC.  

Segundo oncologistas consultados pela reportagem de GZH, as vacinas contra o câncer são um objetivo factível no horizonte de alternativas de tratamento, mas precisam ser aguardadas com paciência. Sérgio Roithmann, oncologista do Hospital Moinhos de Vento e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), destaca que vacinas para prevenção já existem: contra o HPV (câncer de colo de útero, para meninas, e, para ambos os sexos, orofaringe e canal anal) e a hepatite B (fígado).  

— Há muito tempo está se tentando vacina como forma de tratamento do câncer, não de prevenção. Tivemos experiências decepcionantes, mas existem agora tecnologias novas que mudam o jogo. Esse casal e a BioNTech já vêm estudando há muito tempo. Vacinas estão em fase experimental, mas já existem alguns pequenos estudos e indícios de que são capazes de desencadear reação do organismo contra a doença. Há testes em animais e poucos pacientes. Existem muitas dúvidas ainda, mas essa é uma área que vai crescer — comenta Roithmann. 

O oncologista ressalta vantagens das vacinas de mRNA em relação a produtos anteriores:

— São seguras e razoavelmente bem toleradas. Não mudam o DNA. Não envolvem infectar células com vírus. A tecnologia é rápida e relativamente pouco cara em contraste com outros tratamentos. Não é hipercara, portanto os produtos deverão ser mais acessíveis. Pode ativar todo o sistema imunológico, com dois tipos de resposta importantes: anticorpos e imunidade celular. Tem uma série de benefícios potenciais em relação a outros tratamentos.

Pedro Liedke, oncologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e da Oncoclínicas Porto Alegre, onde também atua como diretor técnico, explica que as pesquisas podem obter imunizantes para prevenir o retorno de tumores operados ou tratar pacientes. Um imunizante já aprovado pelo FDA, órgão que regula medicamentos nos Estados Unidos, tem sido aplicado em homens com câncer de próstata metastático, mas não para curá-los. O HCPA integra uma iniciativa internacional, em fase de recrutamento de voluntárias, para testar uma vacina para câncer de mama triplo negativo (tipo que corresponde a cerca de 15% dos cânceres nesse local). Depois da cirurgia e do tratamento convencional, algumas pacientes, atendendo a pré-requisitos do protocolo, receberão a vacina. Já há resultados preliminares, e agora é o momento de testar a fórmula.  

Quanto às investigações na linha do mRNA, Liedke espera resultados melhores do que os já observados até o momento. 

— Vacina para cura do câncer ainda me parece distante. Vamos levar alguns anos. Acho que é algo viável associado a outros métodos. As vacinas estimulando as células do corpo a reconhecer as células do câncer junto com remédios que impeçam que as células do câncer se escondam. Teremos que ter uma associação de técnicas — opina o especialista do HCPA e da Oncoclínicas. 

Há estudos com outras vacinas, não apenas de autoria da BioNTech — as farmacêuticas Moderna e MSD firmaram parceria, por exemplo. E existem, também, pesquisas que se baseiam em outras tecnologias, não só na da plataforma de mRNA.  

Um dos problemas atuais para pacientes oncológicos é enfrentar o retorno da doença após cirurgia que, à época, pareceu completa.  

— A vacina pode complementar o tratamento cirúrgico, antes de o câncer voltar. Imagine o cenário com cirurgia para melanoma, câncer de pâncreas ou intestino em que, depois, tenta-se sensibilizar o corpo da pessoa (com a vacina). Se sobrou alguma célula maligna, o corpo a destrói antes que a doença volte — exemplifica Roithmann. 

— Câncer disseminado não responde mais a tratamentos convencionais ou imunoterapia, e talvez essas vacinas possam contribuir — completa.  

De acordo com o docente da UFCSPA, as pesquisas traçam objetivos para muitos anos à frente porque falta muito a ser compreendido.  

— Não sabemos ainda se serão respostas duradouras, se serão para todos os tipos de câncer, se será preciso ter vacina específica para cada tumor, um produto para todos ou personalizado. Tecnologia já existe, mas agora teremos que selecionar o tipo de tumor que trataremos, em que fase da doença. Teremos que provar que isso é melhor do que as outras coisas que estão sendo desenvolvidas, então teremos que testar. Não sabemos qual será a forma mais eficaz, mas, independentemente disso, acho que o futuro será promissor. A pandemia, nesse sentido, vai ajudar os pacientes com câncer. Aprendemos a lidar com esse tipo de tecnologia e com velocidade. Estou razoavelmente otimista — afirma Roithmann. 

O câncer no mundo 

 O câncer é a principal causa de morte em todo o mundo. Em 2020, foram 10 milhões de óbitos — o equivalente a cerca de um óbito por câncer a cada seis mortes em geral.

Os tipos mais frequentes são de mama, pulmão, colorretal e próstata.

Em torno de um terço das mortes em decorrência de câncer estão relacionadas a tabagismo, obesidade, ingestão de álcool, baixo consumo de frutas e vegetais e falta de atividade física.

Infecções que podem provocar câncer, como HPV e hepatite, correspondem a aproximadamente 30% dos casos de câncer em países de renda baixa e média baixa.

Muitos casos da doença podem ser curados quando detectados precocemente e tratados de forma adequada.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS) 

Prevenção 

O risco de câncer pode ser reduzido com a adoção e manutenção de alguns hábitos: 

Não fumar.

Manter peso adequado de com dieta saudável, que inclua frutas e vegetais.

Praticar exercícios com regularidade.

Evitar ou reduzir o consumo de álcool. 

Tomar as vacinas contra o HPV e a hepatite B se você fizer parte dos grupos com essa indicação.

Evitar exposição prolongada à radiação ultravioleta (sol e bronzeamento artificial) e/ou aplicar protetor solar (além de outras forças de proteção contra o sol, como uso de roupas e acessórios).

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)

 

 

25/10/2022 – Portal Prefeitura de Porto Alegre

Link:https://prefeitura.poa.br/smtc/noticias/porto-alegre-sediara-congresso-sobre-cidade-educadora

Porto Alegre sediará congresso sobre cidade educadora

Com a intenção de promover o diálogo e compartilhar experiências educadoras, a capital gaúcha sediará o 1° Congresso Porto Alegre Cidade Educadora. O evento, que acontecerá em consonância com o Dia Internacional das Cidades Educadoras, está previsto para ocorrer entre os dias 29 e 30 de novembro na  Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). As inscrições e o agendamento para a atividade das Experiências Educadoras na Cidade estão previstos para começar em 31 de outubro.

Conforme o titular da Secretaria Municipal de Transparência e Controladoria (SMTC), Gustavo Ferenci, é importante unir cada vez mais forças e promover ações que possam reforçar a educação. “O governo precisa da ajuda de todos os cidadãos para que Porto Alegre seja referência no contexto das cidades educadoras", destaca.

Na programação, além de palestras, compartilhamento de ideias, mostra de trabalhos, apresentação cultural e exposição de ilustração, está prevista a atração Experiências Educadoras na Cidade, onde os participantes vão poder escolher uma das sete rotas - Museus, Inovação, Comunidades, Territórios Negros, Protagonismo Infantil e Mobilidade Urbana - e verificar de perto diferentes ações que tornam uma cidade mais educadora. 

A secretária municipal de Educação, Sônia Rosa, ressalta que uma cidade educadora é aquela que prospecta e realiza ações que vão além de um conceito tradicional e unilateral. Supera a ideia de que a escola é o único ator que ensina e educa. "Fazer parte da concepção de cidade educadora é pensar em território: como diferentes lugares se tornam espaços educativos e garantem a perenidade de várias políticas que se completam de forma intersetorial, com o objetivo de atingir cada cidadão. É um efeito de abraçar, de forma coletiva, a cidade. Afinal de contas, a gente vive, a gente cuida", acrescenta.

 Retorno - No dia 4 de março, Porto Alegre retornou oficialmente à Rede Internacional das Cidades Educadoras. Trata-se de um conjunto de municípios de diversos países que compartilham princípios básicos de educação, partindo da convicção de que o desenvolvimento dos seus habitantes não pode ser deixado ao acaso.

24/10/2022 – Rádio Pampa

Link:https://www.radiopampa.com.br/porto-alegre-sediara-congresso-sobre-cidade-educadora/

Porto Alegre sediará congresso sobre cidade educadora

Com a intenção de promover o diálogo e compartilhar experiências educadoras, a capital gaúcha sediará o 1° Congresso Porto Alegre Cidade Educadora.

O evento, que acontecerá em consonância com o Dia Internacional das Cidades Educadoras, está previsto para ocorrer entre os dias 29 e 30 de novembro na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Universidade do Vale do Rio dos Sinos. As inscrições e o agendamento para a atividade das Experiências Educadoras na Cidade estão previstos para começar em 31 de outubro.

Conforme o titular da Secretaria Municipal de Transparência e Controladoria, Gustavo Ferenci, é importante unir cada vez mais forças e promover ações que possam reforçar a educação. “O governo precisa da ajuda de todos os cidadãos para que Porto Alegre seja referência no contexto das cidades educadoras”, destaca.

Na programação, além de palestras, compartilhamento de ideias, mostra de trabalhos, apresentação cultural e exposição de ilustração, está prevista a atração Experiências Educadoras na Cidade, onde os participantes vão poder escolher uma das sete rotas – Museus, Inovação, Comunidades, Territórios Negros, Protagonismo Infantil e Mobilidade Urbana – e verificar de perto diferentes ações que tornam uma cidade mais educadora.

A secretária municipal de Educação, Sônia Rosa, ressalta que uma cidade educadora é aquela que prospecta e realiza ações que vão além de um conceito tradicional e unilateral. Supera a ideia de que a escola é o único ator que ensina e educa. “Fazer parte da concepção de cidade educadora é pensar em território: como diferentes lugares se tornam espaços educativos e garantem a perenidade de várias políticas que se completam de forma intersetorial, com o objetivo de atingir cada cidadão. É um efeito de abraçar, de forma coletiva, a cidade. Afinal de contas, a gente vive, a gente cuida”, acrescenta.

Retorno

No dia 4 de março, Porto Alegre retornou oficialmente à Rede Internacional das Cidades Educadoras. Trata-se de um conjunto de municípios de diversos países que compartilham princípios básicos de educação, partindo da convicção de que o desenvolvimento dos seus habitantes não pode ser deixado ao acaso.

19/10/2022 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/10/saiba-quais-sao-as-causas-sintomas-e-tratamento-da-endometriose-cl9d6dwrm00a8013pjobhchld.html

Saiba quais são as causas, sintomas e tratamento da endometriose

Estimativa do Ministério da Saúde é de que uma a cada 10 mulheres sofra da doença

A endometriose é uma doença benigna, relacionada com a menstruação, em que o corpo da mulher passa por um processo inflamatório sistêmico. Ela acontece quando o endométrio — camada uterina interna que descama durante o ciclo menstrual — começa a crescer fora do útero. Essa alteração pode causar sintomas como fortes dores abdominais, cólicas e problemas relacionados com a infertilidade feminina.  

Além disso, a endometriose é uma patologia hormônio-dependente, o que significa que os sintomas se manifestam geralmente depois que as mulheres começam a menstruar. Ainda na adolescência é possível perceber sinais da doença, como cólicas intensas. Por ser crônica, não há cura, apenas tratamento.

Existem três tipos de endometriose. O primeiro é o superficial, que acomete o peritônio, uma membrana presente na cavidade abdominal e que envolve os órgãos internos, como estômago, intestinos, fígado e baço. Existe ainda a endometriose ovariana, onde a doença se manifesta por cistos no ovário, conhecidos como endometriomas. Por fim, a endometriose profunda, que como o nome sugere, as lesões, por conta da inflamação, são mais acentuadas, superando a marca de cinco milímetros de infiltração no peritônio e pode acometer órgãos como bexiga e intestino, por exemplo  — geralmente, é um agravamento da forma superficial.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a estimativa é de que uma em cada 10 mulheres tenha endometriose no Brasil. Só em 2021, mais de 26,4 mil atendimentos foram feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 8 mil internações foram registradas na rede pública de saúde em razão da doença. 

Causas da endometriose 

Os estudos ainda não conseguiram definir qual é a causa da doença. Entretanto, já existem alguns fatores de predisposição identificados, como explica a médica ginecologista do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Raquel Dibi.

— Já existem comprovações de que tem causa genética, mas não isoladamente. Causas relacionadas ao meio ambiente, como lugares muito industrializados, podem interferir. Ou então disfunções imunológicas características de cada paciente, que são outro fator ainda pouco esclarecido, mas que podem propiciar o aparecimento da doença — detalha a ginecologista. 

Sintomas

O principal sintoma de alerta para a endometriose é a cólica menstrual, principalmente se ela piorar com o passar do tempo. Ou seja, a cada ciclo menstrual a paciente sente que a dor abdominal aumenta. Além disso, as mulheres podem ter outros sintomas associados, como por exemplo, dificuldade para engravidar, dor para evacuar e/ou urinar e dor durante as relações sexuais. 

Diagnóstico

De acordo com Raquel, não só no Brasil, mas no mundo, a descoberta da doença ainda acontece de forma tardia, com um atraso de sete a 10 anos. Um dos motivos apontados pela médica é a dificuldade da população de entender a cólica como um problema e não como "algo normal".

— Existe algo cultural em achar que dor é normal. Cada vez nós estamos evoluindo mais, e entendo a importância de escutar a queixa das pacientes. Se a dor é incômoda, tem que buscar atendimento — destaca a médica. 

Para solucionar este atraso, a ginecologista salienta que a informação é a melhor aposta. 

— No momento que a gente conversa sobre a doença, que a gente leva informação e que se incentiva a busca por uma consulta médica, de preferência especializada, nós contribuímos para o diagnóstico mais precoce — explica. 

Tratamento

Apesar de não ter cura, a ginecologista afirma que é possível controlar o avanço da endometriose e deixar a doença em estágio de remissão, o que proporciona mais qualidade de vida para a mulher. Segundo Raquel, existem dois tipos de tratamento para a endometriose, definidos a partir do que a paciente precisa tratar, se a dor ou a infertilidade.

No combate à dor, explica a ginecologista, o indicado é bloquear a menstruação e iniciar atividades como fisioterapia pélvica e acupuntura. Também é importante ter uma dieta rica em alimentos anti-inflamatórios como gengibre, brócolis, alho, frutas vermelhas e azeite de oliva. Em casos mais graves, é possível que uma cirurgia minimamente invasiva seja feita para a retirada dos focos de dor causados pelos tecidos que crescem fora do útero. Não são retirados nem o útero nem os ovários para tratar especificamente a endometriose. 

Quando o objetivo da paciente é tratar a infertilidade, as únicas alternativas são o procedimento cirúrgico ou a reprodução assistida. O tratamento hormonal não é indicado nestes casos, pois impossibilita a chance de gestar. 

— É importante destacar que ter endometriose não significa que a mulher não poderá ter filhos. Nem todas as mulheres diagnosticadas têm dificuldades para engravidar — destaca Raquel.

18/10/2022 – Portal da Assembleia Legislativa do Estado do RS

Link:http://www.al.rs.gov.br/agenciadenoticias/destaque/tabid/855/Default.aspx?IdMateria=329561

Presidente da Assembleia e GT do Teste do Pezinho cobram implementação de lei estadual

Em uma reunião de trabalho realizada nesta terça-feira (18), na sede do Parlamento gaúcho, entre o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Valdeci Oliveira (PT), e integrantes do Grupo de Trabalho (GT) do Teste do Pezinho, foram discutidas estratégias de ação para que o governo gaúcho efetivamente implemente a lei que aumenta de seis para mais de 30 o número de doenças a serem detectadas em recém-nascidos no Rio Grande do Sul. Considerada uma legislação com poder de redução da mortalidade infantil, a Lei 15.470/2020, de autoria de Valdeci, foi aprovada e sancionada no início de 2020, mas até o momento não foi colocada em prática na rede pública estadual.

Formado por profissionais da saúde, autoridades e representantes de entidades da área da triagem neonatal, o GT defende propostas como a implementação gradativa da medida e uma repactuação entre estado e municípios com vistas ao equilíbrio das responsabilidades e para a garantia da manutenção do serviço ao longo dos anos. Também integram a lista de ações necessárias, uma maior interlocução e diálogo entre o executivo gaúcho e as prefeituras e a revogação da Emenda Constitucional 95 (EC-95), que congelou por duas décadas todos os investimentos públicos em áreas como Saúde, Segurança, Educação, entre outras. "A parte mais complexa, que era a aprovação da nossa proposta, já foi vencida. Agora é necessário que se dê consequência a ela, mesmo que sua aplicação seja a curto, médio e longo prazos. O que não é aceitável é que esperemos pelo longo", avaliou Valdeci. "E quanto ao chamado Teto de Gastos , estamos falando de bilhões de reais por ano que o SUS vem perdendo por conta disso. E quem mais sofre é a população pobre", afirmou o parlamentar, que sugeriu ainda a ampliação de participantes no GT e a realização de novas audiências públicas para tratar do tema.

Durante o encontro, foram apresentados ao Grupo a proposta de emenda ao orçamento estadual no valor de R$ 15 milhões, que será encaminhada ao relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), deputado Mateus Wesp (PSDB). Apresentada pelo líder da bancada do PT no Legislativo estadual, deputado Pepe Vargas, a pedido de Valdeci (que como presidente da Assembleia não pode fazê-lo), os valores, caso a emenda seja acolhida, serão utilizados para garantir recursos para o Serviço de Referência em Triagem Neonatal do Rio Grande do Sul - SRTN, mais precisamente na montagem e equipagem de um laboratório para tal fim.

A triagem neonatal é um programa de rastreamento populacional e tem como objetivo geral identificar distúrbios e doenças no recém-nascido, em tempo oportuno, garantindo tratamento e acompanhamento precoce dos pacientes detectados. Por sugestão do chefe do Parlamento gaúcho, será buscado ainda a ampliação do número de integrantes junto ao GT e a realização de novas audiências públicas com a participação da sociedade civil, pesquisadores e gestores públicos.

Também participaram da reunião a biomédica e consultora em Doenças Raras Cristina Cagliari, a farmacêutica e ex-coordenadora do serviço de triagem do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), Simone Castro, a presidente do Instituto Atlas Biosocial Deise Zanin, a coordenadora do SRTN-RS Vivian Coutinho, Cristiane Kopacek, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Geanice Cardoso (Secretaria Estadual da Saúde), e Gabriele Pan (Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre).

18/10/2022 – Rádio Acústica FM

Link:https://www.acusticafm.com.br/rio-grande-do-sul-atinge-a-marca-de-245-infectado-pela-variola-dos-macacos.html

Rio Grande do Sul atinge a marca de 245 infectado pela Varíola dos Macacos

A Secretaria Estadual de Saúde monitora 202 indivíduos com suspeita de infecção

O Rio Grande do Sul confirma a ocorrência de 245 casos de Varíola dos Macacos em 38 municípios. Conforme boletim atualizado nesta segunda-feira (17), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), 202 casos estão em investigação.

Até o momento, o Estado contabiliza casos positivos de Varíola dos Macacos nos seguintes municípios:

Alvorada (3); Arroio do Meio (1), Bagé (1), Cachoeirinha (2); Campinas do Sul (1); Campo Bom (3); Canoas (20); Carlos Barbosa (1); Caxias do Sul (4); Eldorado do Sul (2); Estância Velha (4); Esteio (1); Farroupilha (1); Garibaldi (3); Gramado (3); Igrejinha (3); Ijuí (1); Ivoti (1); Lajeado (2); Marau (1); Monte Belo do Sul (1); Morro Reuter (1); Nova Petrópolis (1); Novo Hamburgo (14); Parobé (1); Passo Fundo (1); Pelotas (1); Portão (2); Porto Alegre (140); Rio Grande (1); Santa Maria (1); Santo Ângelo (1); São Leopoldo (3); São Marcos (1); Sapiranga (2); Sapucaia do Sul (1); Uruguaiana (2); Viamão (13).

Proliferação e sintomas da doença

 A transmissão ocorre por meio de contato direto ou indireto com gotículas respiratórias e principalmente através do contato com lesões de pele de pessoas contaminadas ou com objetos e superfícies contaminadas. O período de incubação do vírus (tempo entre o contágio e o aparecimento de sintomas) é geralmente de seis a 13 dias, mas pode chegar a 21.

 O infectado apresenta quadro de febre, dor de cabeça intensa, dor nas costas e inchaço nos linfonodos (pescoço, axila ou virilha). Lesões na pele costumam surgir mais frequentemente na face e extremidades. Os pacientes com confirmação para o vírus devem receber líquidos e alimentos para manter o estado nutricional adequado e manter as lesões cutâneas limpas e secas.

Contágio pele a pele?

Há uma estudo sobre a possível infecção de trabalhadoras da saúde por contato com superfícies infectadas pelo vírus da varíola do macaco. O tema deste artigo sinaliza sobre cuidados adicionais a serem adotados na prevenção da doença.

O texto, intitulado Possible Occupational Infection of Healthcare Workers with Monkeypox Vírus, Brazil, será publicado na edição de dezembro da revista científica Emerging Infectious Diseases, editada pelos CDC (Centers for Disease Control and Prevention).

A Fiocruz Pernambuco e do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (Cevs/SES-RS), participaram da pesquisa três universidades gaúchas (Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Universidade Feevale) e o Bernhard Nocht Institute for Tropical Medicine - National Reference Center for Tropical Infectious Diseases, de Hamburgo (Alemanha).

Este estudo relata o caso de duas enfermeiras que desenvolveram a doença, cinco dias após atender um paciente em casa para coleta de material e diagnóstico de varíola do macaco. “Os cuidados adotados nesse atendimento são detalhadamente descritos, mostrando que elas utilizaram todo equipamento de proteção - exceto as luvas - enquanto estavam no período inicial de entrevista, no quarto do paciente. Esse item de proteção só foi colocado no momento da coleta, após elas esterilizarem as mãos”, diz o texto.

Conforme a Fiocruz, o estudo pode ser utilizado como referência para a adoção de melhores práticas preventivas para lidar com pacientes infectados com o vírus monkeypox. Os pesquisadores recomendam medidas de prevenção e bloqueio dessa rota de transmissão, que envolvem treinamento específico para coleta e utilização correta de EPIs (equipamentos de proteção individual).

17/10/2022 – Portal Costa Norte

Link:https://diariosm.com.br/pesquisa-aponta-que-superficies-infectadas-podem-transmitir-a-variola-do-macaco/

Pesquisa aponta que superfícies infectadas podem transmitir a varíola do macaco

A possibilidade de transmissão da varíola do macaco, conhecida também como monkeypox, por meio de superfícies contaminadas foi apontada por um estudo recente. Até o momento, o evento era considerado raro no meio acadêmico.

A pesquisa, que deve ser publicada na edição de dezembro de uma revista científica editada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), foi desenvolvida pela Fiocruz Pernambuco e pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Estado (Cevs RS), com a participação de instituições gaúchas como a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e a Universidade Feevale, e internacionais como a Bernhard Nocht Institute for Tropical Medicine, na Alemanda.

Análise

Entre os pesquisadores, estão os especialistas da Secretaria Estadual da Saúde (SES) Richard Steiner Salvato, Regina Bones Barcellos e Letícia Ikeda. Segundo Salvato, a pesquisa tem como base o caso de duas enfermeiras que desenvolveram a doença cinco dias após atender a um paciente em casa para coleta de material e diagnóstico da doença. Os cuidados adotados no atendimento estavam seguiram as normas estabelecidas, que indicam inclusive o uso de luvas no momento da coleta da amostra.

Também foi feita uma entrevista epidemiológica com as profissionais, tentando reconstruir o trajeto delas desde a chegada na casa do paciente e à interação com ele. A conclusão apontada é que as enfermeiras podem ter se contaminado pelo contato com superfícies infectadas da casa desse paciente. Há também a possibilidade de terem se contaminado ao manusear a caixa de transporte das amostras, de início com as luvas (infectadas) e, posteriormente, sem luvas.

Para Regina, trata-se de um resultado de grande relevância.

– Nossos resultados levantam um alerta para essa via de transmissão e recomendam cuidados para minimizar esse risco – afirma a especialista.

Os autores recomendam medidas de prevenção e bloqueio dessa rota de transmissão, que envolvem treinamento específico para essa coleta, implementação de medidas de controle, higienização frequente das mãos e utilização correta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). O uso das luvas é recomendado durante todo o período de visita a pacientes, contato com pessoas suspeitas de estarem infectadas e com ambiente/objetos de uso pessoal.

A higienização das superfícies com desinfetante efetivo contra outros patógenos (como norovírus, rotavírus e adenovírus) e a vacinação dos grupos de alto risco, incluindo os profissionais de saúde que atuam na linha de frente dessa doença, são outras medidas apontadas pelo grupo.

Cenário

Conforme o boletim da SES, publicado nesta segunda-feira (17), 245 casos de varíola do macaco foram confirmados, em 38 municípios, e 202 seguem em investigação no laboratório. Apesar de receber notificações, Santa Maria só tem um caso confirmado da doença até o momento, divulgado no dia 27 de agosto.

*com informações da SES

17/10/2022 – Portal Costa Norte

Link:https://costanorte.com.br/variedades/variola-do-macaco-pode-ser-transmitida-por-superficies-infectadas-entenda-tudo-sobre-a-doenca-1.400988

Varíola do Macaco pode ser transmitida por superfícies infectadas? Entenda tudo sobre a doença

Artigo estuda possível contaminação de varíola do macaco por superfícies infectadas

Um artigo que estuda a transmissão de Monkeypox analisa a possível infecção de funcionárias da área da saúde através de superfíces infectadas pela doença, intitulado de ‘Possible Occupational Infection of Healthcare Workers with Monkeypox Vírus, Brazil,’  será publicado na edição de dezembro da revista científica Emerging Infectius Diseases, editada pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Universidades nacionais de renome participam das pesquisas, como: Fiocruz Pernambuco e do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (Cevs/SES-RS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e duas internacionais: Universidade Feevale e o Bernhard Nocht Institute for Tropical Medicine - National Reference Center for Tropical Infectious Diseases, de Hamburgo (Alemanha).

O que diz o estudo?

Duas enfermeiras foram infectadas pela Varíola do Macaco cinco dias após atender um paciente em casa, ao coletarem material para o diagnóstico da doença.

“Os cuidados adotados nesse atendimento são detalhadamente descritos, mostrando que elas utilizaram todo equipamento de proteção - exceto as luvas - enquanto estavam no período inicial de entrevista, no quarto do paciente. Esse item de proteção só foi colocado no momento da coleta, após elas esterilizarem as mãos”, diz o texto.

A possibilidade levantada é de que as mulheres contraíram a doença ao encostar em superfícies infectadas da casa desse paciente, que se encontrava no pico de transmissão viral. Ou ainda ao manusear a caixa de transporte das amostras, de início com as luvas infectadas e posteriormente sem luvas.

Varíola do macaco é fatal?

O vírus pode ser grave entre 1% e 10% dos casos, principalmente em crianças, e pode até levar à morte pessoas com saúde debilitada.

Quais os sintomas da Varíola do Macaco?

Os sintomas da varíola do macaco variam entre pacientes, mas a principal característica são as erupções cutâneas, febre, dor de cabeça, dor nas costas ou musculares, inflamações nos nódulos linfáticos, calafrio e exaustão. Após um tempo com o vírus, se inicia uma coceira dolorosa, que começa no rosto e se espalha por todo o corpo. A derme fica com diversas lesões que formam casquinhas. A infecção costuma passar por conta própria após 21 dias. Em alguns casos, médicos receitam tratamento com antivirais.

Quando surgiu a Varíola do Macaco?

A doença foi descoberta em 1958 na Dinamarca em macacos de laboratórios e por isso ganhou esse nome, mas o primeiro caso em humanos foi descoberto somente em 1970, na República Democrática do Congo.

16/10/2022 – Tribuna do Norte / Portal GMais Notícias / Jornal do Commercio, Recife

Link Tribuna do Norte: Estudo aborda transmissão de varíola dos macacos por superfície - 16/10/2022 - Notícia - Tribuna do Norte
Link Portal GMais Notícias: Estudo aborda transmissão de varíola dos macacos por superfície | G+ Notícias (gmaisnoticias.com)
Jornal do Commercio: VARÍOLA DOS MACACOS: estudo aborda transmissão por superfície (uol.com.br)

Estudo aborda transmissão de varíola dos macacos por superfície

A possível infecção de trabalhadoras da saúde por contato com superfícies infectadas pelo vírus da varíola dos macacos é tema de artigo que sinaliza os cuidados adicionais a serem adotados na prevenção da doença.

 O texto, intitulado Possible Occupational Infection of Healthcare Workers with Monkeypox Vírus, Brazil, será publicado na edição de dezembro da revista científica Emerging Infectius Diseases, editada pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Além da Fiocruz Pernambuco e do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (Cevs/SES-RS), participaram da pesquisa três universidades gaúchas (Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Universidade Feevale) e o Bernhard Nocht Institute for Tropical Medicine - National Reference Center for Tropical Infectious Diseases, de Hamburgo (Alemanha).

O estudo traz o caso de duas enfermeiras que desenvolveram a doença, cinco dias após atender um paciente em casa para coleta de material e diagnóstico de varíola dos macacos. “Os cuidados adotados nesse atendimento são detalhadamente descritos, mostrando que elas utilizaram todo equipamento de proteção - exceto as luvas - enquanto estavam no período inicial de entrevista, no quarto do paciente. Esse item de proteção só foi colocado no momento da coleta, após elas esterilizarem as mãos”, diz o texto.

Pesquisador da Fiocruz Pernambuco, Gabriel Wallau conduziu o estudo ao lado do especialista em saúde do Cevs Richard Steiner Salvato. A conclusão dos autores é que as enfermeiras podem ter se contaminado pelo contato com superfícies infectadas da casa desse paciente, que se encontrava no pico de transmissão viral. Ou ainda, ao manusear a caixa de transporte das amostras, de início com as luvas infectadas e posteriormente sem luvas.

Segundo a Fiocruz, o estudo pode ser utilizado como referência para a adoção de melhores práticas ao lidar com pacientes infectados com o vírus monkeypox. Os autores recomendam medidas de prevenção e bloqueio dessa rota de transmissão, que envolvem treinamento específico para essa coleta, implementação de medidas de controle, higienização frequente das mãos e utilização correta de equipamentos de proteção individual (EPIs).

De acordo com os pesquisadores, o uso das luvas é recomendado durante todo o período de visita a pacientes, contato com pessoas suspeitas de estarem infectadas e com seu ambiente/objetos de uso pessoal. A higienização das superfícies com desinfetante efetivo contra outros patógenos (como norovírus, rotavírus e adenovírus) - antes e depois da interação com casos suspeitos - e a vacinação dos grupos de alto risco, incluindo os profissionais de saúde que atuam na linha de frente dessa doença, são outras medidas apontadas pelo grupo da pesquisa.

“Trazer à luz o evento de transmissão por meio de superfície é importante para aprimorar as recomendações públicas voltadas para a proteção tanto dos profissionais de saúde que lidam diretamente com esses pacientes, como dos familiares e outras pessoas envolvidas nesse cuidado”, disse, em nota, o pesquisador Gabriel Wallau.

15/10/2022 – GZH

Link: Pesquisa aponta possível transmissão de varíola dos macacos por superfícies contaminadas | GZH (clicrbs.com.br)

Pesquisa aponta possível transmissão de varíola dos macacos por superfícies contaminadas

Estudo envolveu pesquisadores da Secretaria Estadual da Saúde, de três universidades do RS e de outras entidades

O caso de duas enfermeiras que desenvolveram varíola dos macacos cinco dias após atender um paciente em casa para coleta de material e diagnóstico é tema de um estudo que aponta para a transmissão do vírus monkeypox por meio de superfícies. Anteriormente, isso era considerado um evento raro pelo meio acadêmico.

A investigação desses casos faz parte de um artigo que será publicado na edição de dezembro da revista científica Emerging Infectius Diseases, editada pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), e envolveu pesquisadores da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Universidade Feevale, da Fiocruz Pernambuco e do Bernhard Nocht Institute for Tropical Medicine - National Reference Center for Tropical Infectious Diseases, de Hamburgo, na Alemanha.

No estudo, foram detalhadamente descritos os cuidados adotados no atendimento do paciente, mostrando que as enfermeiras utilizaram todo equipamento de proteção — exceto as luvas  — enquanto estavam no período inicial de entrevista, no quarto do paciente. Esse item de proteção só foi colocado no momento da coleta, após elas esterilizarem as mãos.

Segundo Richard Steiner Salvato, especialista em saúde da Secretaria Estadual da Saúde (SES), que participou do estudo, os cuidados adotados no atendimento estavam de acordo com normas estabelecidas, que indica uso de luvas no momento da coleta da amostra.

 — Assim que elas tiveram o diagnóstico de monkeypox confirmado, nós realizamos o sequenciamento genético do vírus presente tanto em uma das enfermeiras quanto no paciente e constatamos que se tratava do mesmo material genético — afirma.

Conforme Salvato, também foi feita uma entrevista epidemiológica com as profissionais, tentando reconstruir o trajeto delas desde a chegada na casa do paciente e como foi a interação com ele.

A conclusão dos autores do texto é que as enfermeiras podem ter se contaminado pelo contato com superfícies infectadas da casa desse paciente, que se encontrava no pico de transmissão viral. Ou ainda, ao manusear a caixa de transporte das amostras, de início com as luvas (infectadas) e posteriormente sem luvas.

Na terça-feira (11), o grupo apresentou o trabalho em um seminário online realizado pelo European Center for Disease Prevention and Control (ECDC), na Suécia, que contou com a participação de diversos pesquisadores e profissionais da saúde de todo o mundo.

— Nosso trabalho virou referência para o tema e está fornecendo informações para ações em tempo real no decorrer deste evento de circulação da monkeypox — destaca a especialista em saúde da SES, Regina Bones Barcellos que também faz parte da equipe de estudos.

Os autores recomendam medidas de prevenção e bloqueio dessa rota de transmissão, que envolvem treinamento específico para essa coleta, implementação de medidas de controle, higienização frequente das mãos e utilização correta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

O uso das luvas é recomendado durante todo o período de visita a pacientes, contato com pessoas suspeitas de estarem infectadas e com seu ambiente/objetos de uso pessoal. A higienização das superfícies com desinfetante efetivo contra outros patógenos (como norovírus, rotavírus e adenovírus) — antes e depois da interação com casos suspeitos — e a vacinação dos grupos de alto risco, incluindo os profissionais de saúde que atuam na linha de frente dessa doença, são outras medidas apontadas pelo grupo da pesquisa.

13/10/2022 – R7

Link: Brasil tem 62 universidades entre as melhores do mundo; saiba quais - Notícias - R7 Educação

Brasil tem 62 universidades entre as melhores do mundo; saiba quais

Instituições de ensino são referência global para estudantes, gestores e professores; cerca de 1.800 faculdades foram avaliadas

A consultoria britânica THE (Times Higher Education) divulgou nesta semana o ranking anual com as melhores universidades do mundo, com base em indicadores de ensino, pesquisa, transferência de conhecimento e reputação internacional. Ao todo 62 instituições brasileiras estão na lista, referência global para estudantes, gestores e professores.

A USP (Universidade de São Paulo) se manteve como a mais bem colocada em toda a América Latina, na faixa entre as 201-250 melhores. As instituições que estão abaixo do top 200 são organizadas em grupos. No total, cerca de 1.800 universidades foram avaliadas.

Este é o terceiro ano consecutivo em que a USP conquista essa colocação. A Universidade de Oxford (Reino Unido) segue pela sétima edição como a melhor instituição de ensino superior do mundo, seguida pela Universidade Harvard (EUA) e, em terceiro, as Universidades de Cambridge (Reino Unido) e Stanford (EUA), empatadas.

Entre as brasileiras, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) foi a segunda mais bem colocada e se manteve entre o 401º e o 500º lugar. Em seguida, estão a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que permanece entre as posições 601 e 800, o mesmo grupo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que subiu de posição em relação ao ranking do ano passado, quando estava no grupo de 801 a 1000.

A melhor estreia do ranking foi da Universidade Humanitas, da Itália, que aparece pela primeira vez na lista e já entre o grupo de 201 a 250. Os Estados Unidos têm o maior número de instituições listadas na classificação geral, com 177 universidades, e no top 200, com 58. A THE incluiu cinco nações africanas nesta edição: Zâmbia, Namíbia, Moçambique, Zimbábue e Ilhas Maurício.

Confira a lista com as dez melhores universidades do mundo, segundo a THE:

  1. Universidade de Oxford (Reino Unido)
  2. Universidade Harvard (EUA)
  3. Universidade de Cambridge (Reino Unido)
  4. Universidade Stanford (EUA)
  5. Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA)
  6. Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA)
  7. Universidade de Princeton (EUA)
  8. Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA)
  9. Universidade de Yale (EUA)
  10. Faculdade Imperial de Londres (Reino Unido)

Confira a posição das universidades brasileiras no ranking da THE:

Posições 201 a 250:

Universidade de São Paulo

Posições 401 a 500:

Universidade Estadual de Campinas

Posições 601 a 800:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Universidade Federal de São Paulo

Posições 801 a 1000:

Universidade Federal de Minas Gerais

Universidade Federal de Sergipe

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Posições 1001 a 1200:

Universidade Estadual Paulista

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Universidade Federal de Santa Catarina

Universidade de Fortaleza

Posições 1201 a 1500:

Universidade de Brasília

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Universidade Federal do ABC

Universidade Federal da Bahia

Universidade Federal do Espírito Santo

Universidade Federal de Goiás

Universidade Federal de Lavras

Universidade Federal do Paraná

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Universidade Federal de Santa Maria

Universidade Federal de São Carlos

Universidade Federal de Uberlândia

Universidade Federal de Viçosa

Universidade Estadual de Londrina

Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Unisinos

Posições acima de 1501:

Universidade Católica de Brasília

Universidade de Caxias do Sul

Universidade Estadual do Ceará

Universidade do Estado de Santa Catarina

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Universidade Estadual de Maringá

Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Universidade Federal do Vale do São Francisco

Universidade Federal de Itajubá

Universidade Federal de Juiz de Fora

Universidade Federal do Maranhão

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Universidade Federal de Ouro Preto

Universidade Federal do Pará

Universidade Federal da Paraíba

Universidade Federal de Pelotas

Universidade Federal de Pernambuco

Universidade Federal do Piauí

Universidade Federal Rural de Pernambuco

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

Universidade Federal Fluminense

Universidade Presbiteriana Mackenzie

Universidade Nove de Julho

Universidade de Passo Fundo

Universidade de Pernambuco

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Universidade Estadual de Santa Cruz

Universidade Tecnológica Federal do Paraná

12/10/2022 – GZH

Link: UFRGS é a 3ª melhor universidade do Brasil, aponta ranking global | GZH (clicrbs.com.br)

UFRGS é a 3ª melhor universidade do Brasil, aponta ranking global

Brasil tem 62 instituições destacadas pela consultoria britânica Times Higher Education

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aparece na terceira posição entre as instituições brasileiras no ranking anual das melhores universidades do mundo, divulgado nesta semana pela consultoria britânica Times Higher Education (THE). A listagem é feita com base  em indicadores de ensino, pesquisa, transferência de conhecimento e reputação internacional.

A UFRGS permanece em colocação semelhante à anunciada nos últimos anos, entre as posições 601 e 800 no mundo (as instituições que estão abaixo do top 200 são organizadas em grupos, sem uma posição mundial específica), mesmo grupo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em julho, a UFRGS já tinha sido citada na oitava posição no ranking da THE entre as melhores universidades da América Latina.

Ao todo, 62 instituições brasileiras estão na lista, referência global para estudantes, gestores e professores. No total, cerca de 1,8 mil universidades foram avaliadas. Além da UFRGS, outras sete universidades gaúchas são citadas no estudo: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Unisinos, Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade de Passo Fundo (UPF). Confira a posição de cada uma delas na listagem abaixo.

A Universidade de São Paulo (USP) se manteve como a melhor colocada em toda a América Latina, na faixa entre a 201-250 melhores. Esse é o terceiro ano consecutivo em que a USP conquista essa colocação. Dentre as brasileiras, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi a segunda melhor colocada e se manteve entre o 401º e o 500º lugar.

A Universidade de Oxford (Reino Unido) segue pela sétima edição como a melhor instituição de Ensino Superior do mundo, seguida pela Universidade Harvard (EUA) e, em terceiro, as Universidades de Cambridge (Reino Unido) e Stanford (EUA), empatadas.

A melhor estreia do ranking foi da Universidade Humanitas, da Itália, que aparece pela primeira vez na lista e já entre o grupo de 201 a 250. Os Estados Unidos têm o maior número de instituições listadas na classificação geral, com 177 universidades, e no top 200, com 58. A THE incluiu nesta edição cinco nações africanas: Zâmbia, Namíbia, Moçambique, Zimbábue e Ilhas Maurício.

Confira a lista com as 10 melhores universidades do mundo, segundo a THE:

Primeiro - Universidade de Oxford (Reino Unido)

Segundo - Universidade Harvard (EUA)

= Terceiro - Universidade de Cambridge (Reino Unido)

= Terceiro - Universidade Stanford (EUA)

Quinto - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA)

Sexto - Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA)

Sétimo - Universidade de Princeton (EUA)

Oitavo - Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA)

Nono - Universidade de Yale (EUA)

10º - Faculdade Imperial de Londres (Reino Unido)

Confira a posição das universidades brasileiras no ranking da THE:

Posições 201 a 250:

Universidade de São Paulo (USP)

Posições 401 a 500:

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Posições 601 a 800:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Posições 801 a 1000:

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

Posições 1001 a 1200:

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Universidade de Fortaleza (Unifor)

Posições 1201 a 1500:

Universidade de Brasília (UnB)

Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Universidade Federal do ABC (UFABC)

Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Universidade Federal de Goiás (UFG)

Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)

Unisinos

Posições acima de 1501:

Universidade Católica de Brasília

Universidade de Caxias do Sul (UCS)

Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Universidade do Estado de Santa Catarina (UESC)

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)

Universidade Federal do Ceará (UFC)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)

Universidade Federal do Vale do São Francisco

Universidade Federal de Itajubá

Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)

Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Universidade Federal do Pará (UFPA)

Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)

Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)

Universidade Federal Fluminense (UFF)

Universidade Presbiteriana Mackenzie

Universidade Nove de Julho (Uninove)

Universidade de Passo Fundo (UPF)

Universidade de Pernambuco (UP)

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG)

Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

07/10/2022 – Portal Governo do Estado do RS

Link: Seminário aborda prevenção ao suicídio na infância e adolescência com foco em instituições de ensino - Portal do Estado do Rio Grande do Sul

Seminário aborda prevenção ao suicídio na infância e adolescência com foco em instituições de ensino

Com foco nas instituições de ensino, foi realizado, nesta semana, em Porto Alegre, o Seminário Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio na Infância e Adolescência. O evento foi promovido pelo Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, que é presidido pela Secretaria da Saúde e formado pelas secretarias da Educação, Segurança Pública, Justiça e Sistema Penal e Socioeducativo, entre outras entidades governamentais e não governamentais.

“Promover a vida de uma criança, de um adolescente, de um adulto jovem é algo tão significativo e tão grande que precisamos realmente estar juntos, porque não é uma tarefa simples e fácil", afirmou a secretária adjunta da Saúde, Ana Costa. Segundo ela, historicamente há um aumento da violência autoprovocada e do suicídio nesta faixa etária. Essa situação preocupa, disse, ainda mais no contexto pandêmico. “Não podemos desconsiderar, também, que o contexto da pandemia traz um acréscimo de desafios de saúde mental a todos, inclusive às crianças e aos adolescentes, acrescentou no evento realizado no Salão Nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), apoiadora do seminário.

O painel de abertura foi conduzido por Kelly Graziani Giacchero Vedana, doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP). Trazendo para o debate a prevenção da violência autoprovocada em instituições de ensino, Kelly explicou características fundamentais do que são autolesões não suicidas. “Não se trata de uma falsa tentativa, não são apenas cortes. Precisamos olhar para esses episódios como mecanismos de gerenciamento e regulação de emoções, como métodos encontrados para lidar com dificuldades e sofrimento, principalmente em adolescentes”, disse. A palestrante descreveu que a autolesão pode coexistir junto com comportamento suicida, iniciando por volta dos 11 a 13 anos de idade, tendo maior incidência em adolescentes e mulheres. “O aspecto pejorativo de ‘chamar a atenção’ é um dos estigmas de não compreensão que impedem esses jovens de pedir ajuda. É necessário qualificar a oferta de ajuda efetiva nas famílias e nos ambientes em que eles circulam”, ponderou.

Autolesão não suicida – o que fazer:

  • Definir estratégias para redução de danos
  • Acolhimento e psicoeducação (como lidar sobre o tema)
  • Comunicação sobre emoções e necessidades
  • Rede de apoio: adultos que saibam o que está acontecendo e possam agir

Nos casos de comportamento suicida, a característica diferencial é a intencionalidade das ações auto-inflingidas. “O suicídio é um fenômeno complexo e inquietante, multifatorial, de difícil previsibilidade e limitado poder preditivo dentro da clínica”, explicou Kelly. De acordo com ela, em posturas suicidas de fato, a raiva de si mesmo, a impulsividade, a dor emocional, a desesperança, o estresse, a agitação e a falta de sentido formam uma bola de neve, levando a criança, o adolescente ou o jovem adulto a um limiar de atitudes extremas com desejo de parar tal sofrimento. “É necessário buscar compreender a gama de fatores que envolve, mas sem uma perspectiva acusatória. Explicações reducionistas sobre o suicídio ou relacionar que alguém tenha alguma culpa tornam a busca improdutiva”, ressalta.

Fatores de risco e sinais de sofrimento na adolescência:

  • Transtornos mentais
  • Violências
  • Alteração do comportamento no desempenho escolar
  • Desinteresse pelo próprio bem-estar
  • Acessibilidade a meios letais
  • Estigma, discriminação
  • Desafios/conflitos

Sobre o papel das instituições de ensino, Kelly destaca ainda a responsabilidade fundamental de abordagens complementares, tanto para risco imediato quanto para posvenção. “A escuta sem julgamento, a promoção da segurança, o suporte profissional, o entendimento de relações interpessoais, contexto social e cultura organizacional são maneiras de acolher, compreender e reduzir danos”, esclareceu.

Baseada na experiência em Ribeirão Preto, a palestrante evidenciou o quanto olhar para a realidade brasileira, e não para a literatura acadêmica de outros países, trouxe mudanças significativas. “O mapeamento da comunidade nos mostra exatamente onde estão as falhas. É essencial reconhecer o quanto instituições de ensino seguem perpetrando violências, especialmente em públicos mais vulneráveis, como LGBTQIAPN+. Ainda precisamos avançar muito, olhar de verdade para demandas como banheiro por gênero, nome social, exclusão dentro de ambientes de ensino”, destacou.

O que a instituições de ensino podem fazer:

  • Proporcionar abordagens com medidas não guiadas pelo desespero – alternativas para alívio da dor e do sofrimento
  • Cursos, disciplinas, consultorias e supervisão, oficinas que abordem inclusão e pertencimento de forma ampla
  • Reconhecer violências institucionais e repensar os impactos na sociedade
  • Formação de gatekeepers para identificação precoce e apoio à situação de crise
  • Ações multiníveis e longitudinais
  • Ações não restritas a campanhas pontuais ou quando algum evento indesejável acontece
  • Postura acolhedora não só com estudantes: olhar também para professores
  • Interface com famílias, colaborando para o aprimoramento de habilidades de comunicação, expressão assertiva e manejo de conflitos
  • Interface com unidades de saúde que estão no mesmo território da instituição de ensino

O seminário também contou com a mesa redonda “Interfaces no trabalho de prevenção do comportamento suicida em crianças e adolescentes”, que teve as seguintes participações: Maria Luisa Braga Giacobbo, coordenadora Estadual do CIPAVE; Ana Luiza Tonietto Lovato, coordenadora da Política da Saúde do Adolescente da SES e do Programa Saúde na Escola; Maria Rosa Kramer Iorra Camargo, psiquiatra especialista em infância e adolescência de Lajeado; e Fernanda Barreto Mielke, da coordenação da Política Estadual de Saúde Mental/DAPPS/SES.

07/10/2022 – Sul 21

Link: Universidades gaúchas alegam falta de recursos para pagar luz e despesas básicas; UFRGS minimiza bloqueio - Sul 21

Universidades gaúchas alegam falta de recursos para pagar luz e despesas básicas; UFRGS minimiza bloqueio

UFRGS informou inicialmente que não iria se manifestar, mas reitor divulgou nota minimizando o bloqueio orçamentário

No último dia 30, o governo publicou um decreto bloqueando de forma imediata R$ 2,4 bilhões de recursos do Ministério da Educação (MEC), sendo R$ 328,5 milhões do orçamento das universidades federais. A decisão veio à tona nesta semana e gerou a indignação dos dirigentes das instituições, assim como a convocação de protestos por parte de estudantes. Nos últimos dias, o Sul21 procurou as seis universidades federais sediadas no Rio Grande do Sul para entender como elas serão impactadas.

Na quinta-feira (7), o ministro da Educação, Victor Godoy, publicou um vídeo em que afirma que não há cortes no orçamento do MEC e que o bloqueio seria, na verdade, um “ajuste operacional”, afirmando que ele será revertido em dezembro. Além disso, afirmou que universidades que precisarem de “apoio do governo” poderiam procurar o MEC, que “conversaria” com o ministério da Economia. Godoy ainda criticou o “uso político” do bloqueio.

Contudo, cinco das seis universidades federais sediadas no Rio Grande do Sul manifestaram preocupação com o bloqueio. A única exceção foi a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cujo reitor é alinhado a aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Procurada pela reportagem, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) informou em nota que sofreu uma redução no seu limite de empenho de despesas em um montante de R$ 2,583 milhões. “O corte inviabiliza o término do semestre letivo. Os reflexos no não pagamento das despesas serão sentidos ainda no mês de outubro. A capacidade de atendimento às despesas está comprometida e a instituição deverá escolher quais das despesas serão atendidas prioritariamente”, diz a nota.

Segundo a UFPel, os recursos atuais garantem o funcionamento da instituição apenas até o final de outubro e, posteriormente, não há caixa para despesas como energia elétrica e combustível da frota de apoio. “A impossibilidade de atendimento a todas as despesas exigirá uma priorização dos empenhos para as despesas com assistência estudantil, bolsas e restaurante universitário. As demais despesas, como energia elétrica, água e combustível não poderão ser atendidas”, afirma a nota.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) destacou que, em junho, a instituição já tinha sofrido um corte de R$ 9 milhões e que o novo bloqueio representa um contingenciamento de mais R$ 5,8 milhões. Considerando que a UFSM já iniciou o ano com uma previsão orçamentária de R$ 129 milhões, o que é R$ 27 milhões a menos do que em 2020, a instituição deve encerrar 2022 com uma dívida de R$ 18 milhões com fornecedores.

A UFSM já havia anunciado o fim do contrato com 115 profissionais terceirizados e a suspensão de obras e reformas. Com o novo corte, será suspensa a concessão de novas bolsas estudantis, as contas de luz não serão pagas, eventos serão cancelados, a jardinagem e arborização da instituição será suspensa, bem como o pagamento de passagens e diárias a servidores. O restaurante universitário não será aberto durante o período eleitoral, conforme orientação da Procuradoria Jurídica da instituição.

Procurada, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) informou que o novo bloqueio é grave, mas não inviabiliza o funcionamento da universidade. A UFCSPA ainda manifestou alinhamento à posição tomada pela direção da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) na quinta-feira (6).

Em sua nota, a Andifes destacou que, no ano, já foram retirados R$ 763 milhões dos orçamentos aprovados para 2022 e lembra que, ao todo, o MEC já sofreu um contingenciamento R$ 2,4 bilhões.

“A diretoria da Andifes, que já buscava reverter os bloqueios anteriores para o restabelecimento do orçamento aprovado para 2022, sem os quais o funcionamento das universidades já estava comprometido, aduziu que este novo contingenciamento coloca em risco todo o sistema das universidades. Falou ainda da surpresa com esse critério de limitação de empenhos no mês de outubro, quase ao final do exercício, que afetará despesas já comprometidas, e que, em muitos casos, deverão ser revertidas, com gravíssimas consequências e desdobramentos jurídicos para as universidades federais. Esta limitação estabelecida pelo Decreto, que praticamente esgota as possibilidades de pagamentos a partir de agora, é insustentável. Pediu-se, por fim, que, dada a gravíssima situação, fosse considerada a hipótese de o MEC absorver essa restrição de gastos das universidades com outras rubricas da pasta, tal como ocorreu no bloqueio anterior”, diz a posição tomada pela diretoria da Andifes na quinta.

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) informou que teve R$ 2.306.435,41 contingenciados a partir do último decreto e que, em junho, já havia sofrido um corte de R$ 3,5 milhões, o que resulta na falta de recursos para o pagamento de despesas básicas como água, luz, internet, telefone e aluguéis das dez unidades da Instituição. Além disso, informa que o bloqueio impacta o pagamento de contratos de postos terceirizados de limpeza, vigilância, portaria, motoristas, auxiliares agropecuários, auxiliares do Hospital Universitário Veterinário, intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), entre outros.

“Embora haja esforços para que os programas que envolvem assistência estudantil não sejam atingidos, os programas e ações de ensino, pesquisa, extensão e inovação serão afetados com reduções de atividades e editais. Novas licitações e contratos também estão suspensos”, diz nota divulgada pela Unipampa.

Também por meio de nota, a Universidade Federal de Rio Grande (FURG) informou que foram contingenciados R$ 2.687.619,00 do limite de movimentação de empenho da instituição. A posição da universidade é que, caso o contingenciamento não seja revertido, não será mais possível realizar compras ou contratações.

O reitor da FURG, Danilo Giroldo, pontuou também o texto do decreto do governo, ao contrário do que o ministro Godoy disse, não garante a liberação do montante bloqueado. Ele reconhece que abre a possibilidade, mas pontua que o cenário é de incerteza. “Sendo assim, para os meses de outubro e novembro não existe a chance de fazermos nenhum outro movimento nos empenhos que não aqueles já realizados previamente”, adicionou o reitor.

Giroldo afirma que, apesar do contingenciamento, as atividades estão garantidas para o segundo semestre letivo de 2022. No entanto, ele projeta que, sem uma recomposição do orçamento para 2023, o início do ano letivo em março próximo será “complexo e inviável”, uma vez que o orçamento de 2022 já foi 12% inferior ao de 2021.

“Ainda que se discuta sobre ser um corte ou não, um bloqueio ou qualquer outro termo, não se pode deixar de registrar a gravidade da situação, já que a nomenclatura não torna o cenário prático menos impactante. As universidades tiveram, mesmo que indiretamente, seus recursos retirados, já que a impossibilidade de usar o dinheiro não deixa de ser uma forma de cortar a verba. Este cenário fica ainda mais claro quando, por determinação de um decreto vigente sobre execução orçamentária, toda administração federal pode executar seu orçamento apenas até o dia 9 de dezembro. Então, mesmo que esses valores sejam disponibilizados para uso em dezembro, não há tempo hábil para de fato utilizar a verba”, afirma.

Já a UFRGS inicialmente informou que não iria se manifestar. Contudo, no início da tarde desta sexta (7), o reitor Carlos André Bulhões Mendes divulgou um posicionamento em que afirma que o contingenciamento de recursos afetará apenas um “percentual reduzido” das despesas de custeio da instituição e não trará prejuízo ao funcionamento geral.

“Estão garantidos os valores para o pagamento de salários, bolsas, assistência estudantil, contas compulsórias (energia, água e telefonia), contratos de terceirizados e orçamento das Unidades Acadêmicas. Igualmente, registramos que, em contato com a União e lideranças do Congresso Nacional, foi sinalizado que, antes do final do ano, os recursos poderão ser liberados para utilização pela Universidade”, diz a nota assinada pelo reitor.

06/10/2022 – GZH

Link:Bloqueio no orçamento do MEC: universidades federais afirmam que não terão como pagar água, luz e vigilância até fim do ano | GZH (clicrbs.com.br)

Bloqueio no orçamento do MEC: universidades federais afirmam que não terão como pagar água, luz e vigilância até fim do ano

Na UFPel, atividades precisarão ser paralisadas em outubro se contingenciamento não for revertido. Ministério afirma que o bloqueio é temporário e que o valor será repassado em dezembro

Com o bloqueio de R$ 763 milhões no orçamento das universidades, institutos, centros de educação tecnológica e colégios federais imposto pelo Ministério da Economia para cumprir o teto de gastos, universidade gaúchas não terão dinheiro para pagar contas de água, luz, limpeza e segurança e nem para terminar aulas do semestre, apurou GZH nesta quinta-feira (6).

No fim de setembro, a pasta efetuou bloqueio de R$ 2,63 bilhões no orçamento da União, levando o montante congelado desde o início do ano para R$ 10,5 bilhões. No Ministério da Educação, R$ 1,3 bilhão estão indisponíveis para serem utilizados em despesas discricionárias (que não são obrigatórias).

Deste valor, R$ 763 milhões iriam para universidades e escolas federais, calculou a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que classificou o contingenciamento (bloqueio) como gravíssimo.

As instituições foram informadas pelo governo federal de que o valor poderá voltar ao caixa em dezembro. No entanto, o bloqueio se soma a um corte de 20% já sofrido no orçamento deste ano, a despeito dos maiores gastos gerados pela pandemia de coronavírus.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (6), o presidente da Andifes, Ricardo Fonseca, também reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), citou que o orçamento discricionário das federais, o que exclui gastos com pessoal, caiu cerca de 50% de 2016 a 2022. Ele sublinhou que universidades federais ficarão sem dinheiro para pagar despesas básicas de água, luz, eletricidade, vigilância e limpeza.

Outros impactos dependem do caixa de cada instituição, mas muitas já anunciaram corte de bolsas de auxílio-financeiro para alunos de baixa renda e em pesquisas e projetos de extensão. Algumas instituições brasileiras prenunciam impacto no restaurante universitário e em hospitais, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que pode interromper serviços neste ano.

— Contingenciamentos existem todos anos, mas não é comum nesta fase do ano. Muitas universidades que não tinham dinheiro ficam sem nada, e aquelas que assumiram compromisso (financeiro) ficam em situação complicada. Podemos ter problemas jurídicos ao descumprir pagamentos. Não existe mais gordura nem carne pra queimar. Agora, é cortar no osso, o que pode significar corte de bolsas, paralisar atividades da universidade, cortar trabalhadores terceirizados e até subsídios a estudantes — disse.

À Rádio Gaúcha, Fonseca acrescentou que ficar sem acesso a esses recursos neste período do ano, considerado reta final da execução orçamentária, significa limpar o caixa das universidades.

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) sofrerá um dos maiores baques em solo gaúcho. O bloqueio será de R$ 2,58 milhões, o que inviabiliza o término das aulas deste semestre, segundo a instituição. Não haverá dinheiro para pagar água, luz e combustível da frota já neste mês de outubro e será necessário escolher quais gastos serão pagos e quais não.

“A previsão de funcionamento é até o final do mês de outubro, quando não haverá recursos para atendimento de despesas como energia elétrica e combustível da frota de apoio. A impossibilidade de atendimento a todas as despesas exigirá uma priorização dos empenhos para as despesas com assistência estudantil, bolsas e restaurante universitário”, diz a UFPel.

Superintendente de Orçamento e Gestão de Recursos da UFPel, Denis Franco enfatiza que mesmo que a decisão não represente perda de orçamento, o contingenciamento significa que as instituições de ensino federais não poderão utilizar esses recursos para quitar contas atuais:

— Nenhuma dessas despesas está a salvo desse novo bloqueio, então uma situação que já era ruim, ficou pior ainda agora. As universidades estão tendo que reavaliar todo seu planejamento, mais uma vez, e vão ter que decidir o que vão pagar. Estamos no meio de um semestre letivo, o objetivo é tentar manter as atividades de ensino funcionando pelo maior prazo possível, mas com o novo corte não existe nenhuma garantia de que nós vamos conseguir manter o serviço funcionando.

A reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, disse à reportagem que a instituição será afetada em relação às despesas gerais. O bloqueio de agora foi de R$ 1,6 milhão, somado ao corte de R$ 2,2 milhões ainda deste ano. Não haverá impacto no auxílio-estudantil a alunos carentes.

— Possivelmente teremos que cortar compras programadas de equipamentos de laboratório. Isso afeta diretamente projetos de pesquisa e aulas — observa Pellanda, pontuando que não é possível realizar a aquisição em dezembro.

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) informa que sofreu bloqueio de R$ 2,3 milhões e que não terá dinheiro para pagar água, luz, internet, telefone e aluguéis das 10 unidades da instituição. O contingenciamento também impacta o “pagamento de contratos de postos terceirizados de limpeza, vigilância, portaria, motoristas, auxiliares agropecuários, auxiliares do Hospital Universitário Veterinário, intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), entre outros”.

A Unipampa acrescenta que há esforços para não cortar a assistência estudantil para alunos carentes, mas que “programas e ações de ensino, pesquisa, extensão e inovação serão afetados com reduções de atividades e editais” e que novas licitações e contratos também estão suspensos.

A Universidade Federal de Rio Grande (Furg) está levantando o impacto do bloqueio, mas disse que “a situação já era grave antes", pois havia um déficit previsto na casa dos R$ 9,5 milhões. A instituição pontua que a dívida aumentará.

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) afirma que sofreu bloqueio de R$ 2,86 milhões de reais, o equivalente a cerca de 6% do orçamento anual. Questionada, a instituição não informou onde o corte respingará e disse que “está avaliando os procedimentos a serem adotados, minimizando o impacto na execução orçamentária”.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sofrerá perda de mais de R$ 5,8 milhões, e calcula fechar o ano com dívida de R$ 18 milhões para 2023. Para fazer frente à perda, todas as bolsas estudantis de dezembro, pagas em janeiro, oriundas de recursos da UFSM estão suspensas até novo limite orçamentário. Contas de energia não serão pagas nos próximos meses, apenas em 2023.

— Ações que já tomamos de imediato: suspendemos a Jornada Acadêmica Integrada (JAI), o maior evento científico da nossa cidade e região, com mais de 5 mil trabalhos submetidos. O Descubra UFSM, evento em que toda comunidade da região, com mais de 30 mil alunos, visita nossa universidade para conhecer nossos cursos, também está suspenso. E o Viva Campus, que é sobre a universidade (também está suspenso) — desta o reitor da UFSM, Luciano Schuch, em entrevista à Rádio Gaúcha.

A UFSM ainda informa também que, a partir de agora, estão suspensos os serviços de jardinagem, corte de grama e poda de árvores. Pagamento de diárias e passagens só ocorrerão com extrema necessidade, e as obras de reforma e manutenção de prédios e salas ficam paralisadas.

— E estamos esperando passar o período eleitoral para poder submeter um reajuste no restaurante universitário — acrescenta Schuch.

Contatada na manhã de quinta-feira (6), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) manifestou-se somente nesta sexta, quando a reportagem já estava publicada. Por volta do meio-dia, em nota assinada pelo reitor Carlos André Bulhões, a universidade, ao contrário do citado pelas outras instituições federais gaúchas, diz que não haverá "qualquer prejuízo às verbas necessárias ao funcionamento geral da UFRGS", citando que o valor bloqueado é pequeno frente ao total das despesas de custeio. O montante, no entanto, não foi informado.

O reitor da UFRGS acrescenta ainda que "estão garantidos os valores para o pagamento de salários, bolsas, assistência estudantil, contas compulsórias (energia, água e telefonia)". Bulhões também endossa a afirmação do ministro da Educação, Victor Godoy, de que os recursos poderão ser liberados no fim do ano.

Corte e bloqueios também no orçamento dos IFs

O Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) diz que a rede federal de Educação Básica sofreu bloqueio de R$ 147 milhões e que estudantes serão afetados.

“Recursos da assistência estudantil são fundamentais para a a permanência na instituição. Transporte, alimentação, internet, chip de celular, bolsas de estudo, dentre outros tantos elementos essenciais para o aluno não poderão mais ser custeados pelos Institutos Federais, pelos Cefets e Colégio Pedro II”, diz a entidade, em nota.

O Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) citou que muito provavelmente não terá dinheiro para pagar as contas de dezembro, “o que inclui água, energia, limpeza e vigilância, além de benefícios de assistência ao estudante de baixa renda no mês de dezembro”. A vice-presidente de Relações Parlamentares do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e reitora do Instituto Federal Farroupilha, Nídia Heringer, relembra que os institutos federais estão na metade do último trimestre do ano letivo de 2022 e que a retirada desse recurso irá prejudicar o andamento das atividades previstas para o ano.

— É importante referir que o decreto diz que a gente terá perspectiva de ter a devolutiva desse valor em dezembro. Mas quem trabalha com orçamento público sabe que, dependendo do momento em que isso for devolvido às instituições no mês de dezembro, nós já não teremos uma série de atividades que repercutem fundamentalmente nas ações estudantis — explica Nídia.

“Outro ponto importante é que houve um esforço institucional para possibilitar algumas obras para atendimento ao Planos de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI) e finalização de salas de aula e quadras esportivas, cujos processos licitatórios estão em andamento, e que também serão comprometidos”, acrescenta o IFRS.

Para reverter o quadro, a Andifes terá reunião com o MEC, fará articulação política e levantará com professores das faculdades de Direito se é possível reverter o bloqueio juridicamente. A UFSM também informa que, na sexta-feira (7), haverá reunião com o Ministério Público, em Porto Alegre, para analisar a situação e viabilizar uma ação suspendendo o decreto do Ministério da Economia.

O que diz o governo federal

O Ministério da Educação (MEC) afirma que o bloqueio é temporário e que o valor será devolvido em dezembro, o que reitores temem que não ocorra. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o titular da pasta,  Victor Godoy, disse que as universidades federais fazem queixa com motivação política e que não há risco de paralisação de atividades.

— Quero deixar claro que não há corte do ministério, não há redução do orçamento das universidades federais, não há por que dizer que faltará recurso ou paralisação nos institutos federais. Nós tivemos uma limitação na movimentação financeira baseada na Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa limitação de empenho faz um ajuste da execução do recurso até dezembro — disse o ministro em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (6).

05/10/2022 – Portal SMS POA

Link: Projeto propõe novo formato para avaliação do desenvolvimento infantil | Prefeitura de Porto Alegre

Projeto propõe novo formato para avaliação do desenvolvimento infantil

Facilitar o diagnóstico de alterações no desenvolvimento infantil está entre as linhas de cuidado do projeto de extensão Arena, com enfoque na avaliação multiprofissional simultânea de crianças com suspeita de transtorno ou atraso para a faixa etária. Inovadora no Sistema Único de Saúde da Capital, a proposta de atendimento está em fase de implantação no Ambulatório de Pediatria de Distúrbio do Desenvolvimento do Centro de Saúde IAPI, no bairro Passo d’Areia.

No modelo proposto pelo projeto, crianças de zero a 12 serão avaliadas ao mesmo tempo por profissionais das áreas de psicologia, pediatria, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem, neuropediatria, fonoaudiologia e fisioterapia. Dessa forma, elas não precisarão repetir várias vezes a mesma informação em diferentes momentos do acompanhamento de saúde. “O olhar de vários profissionais facilita o diagnóstico e posterior encaminhamento ao tratamento mais indicado em cada caso”, diz a médica Cláudia Reck, coordenadora da Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Inspirada em atendimentos bem-sucedidos realizados na Inglaterra, a iniciativa é supervisionada em Porto Alegre pelos pediatras Ricardo Sukiennik e Renato Santos Coelho, da Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre, parceira da SMS. “Estou muito feliz, pois parcerias com a saúde pública possibilitam que a universidade esteja a serviço da população, essa é a nossa missão”, afirma Sukiennik.

No projeto Arena, o atendimento das crianças é acompanhado de pais ou responsáveis. O encaminhamento é feito pelas unidades de saúde, muitas vezes por solicitação das escolas e instituições de educação infantil. “Esta é uma abordagem mais qualificada aplicada em prol da infância, permitindo obtermos várias visões ao mesmo tempo, uma economia de tempo e dinheiro, com a possibilidade de discutirmos a melhor estratégia para cada criança”, avalia o pediatra. Após a fase inicial, a ideia é aumentar a frequência dos atendimentos e replicar em outros setores do SUS em Porto Alegre.

04/10/2022 – Portal Governo do Estado do RS e Rio Grande Tem

Link: Outubro Rosa tem programação com lives sobre câncer de mama e prevenção ao HPV - Portal do Estado do Rio Grande do Sul
Link Rio Grande TEM: Outubro Rosa tem programação com lives sobre câncer de mama e prevenção ao HPV - RIO GRANDE TEM

Outubro Rosa tem programação com lives sobre câncer de mama e prevenção ao HPV

Começa na sexta-feira (7/10), o ciclo de lives da programação do Outubro Rosa promovido pela Secretaria da Saúde em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).

  • Serão quatro lives, sempre às 13h30, no canal da Unisc n, que fazem parte da programação da Educação em Saúde-Oncologia.

Veja a seguir o calendário de lives:

 7/10 - Situação do Câncer de Mama no RS

14/10 - Estratégias de Qualificação de profissionais sensíveis ao combate do câncer no RS

19/10 - A vacinação contra o HPV como estratégia de prevenção precoce

26/10 - Fatores de proteção e prevenção do câncer de mama

03/10/2022 – Portal UFRGS

Link: Evento aproxima startups e instituições de saúde — UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Evento aproxima startups e instituições de saúde

Na manhã desta segunda-feira, 3, iniciou, no Parque Científico e Tecnológico Tecnopuc, o Health Meeting: Encontro de Startups, que tem como propósito promover conexões entre as instituições de saúde e o universo de healthtechs e também preparar a feira Health Meeting: Business Innovation, que acontecerá nos dias 2, 3 e 4 de outubro de 2023 no Campus da PUCRS.

Contando com o apoio da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais (Proir) da UFRGS, o evento está organizado em dois momentos: na parte da manhã, foram apresentados os pitches das 20 startups inscritas; enquanto à tarde acontecem as rodadas de negócios, em que representantes de instituições de saúde conversam com os membros das startups, vislumbrando possíveis parcerias.

O Health Meeting está organizado em três áreas temáticas:

- Segurança e experiência do paciente – promovendo o cuidado centrado no paciente e em suas necessidades

- Logística e eficiência operacional – automatizando processos e otimizando os custos

- Coordenação de cuidado dos pacientes – atuando proativamente na prevenção e promoção da saúde.

Estiveram presentes na cerimônia de abertura: o secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul Alsones Balestrin, o secretário da Saúde de Porto Alegre Mauro Sparta, o pró-reitor de Inovação e Relações Institucionais da UFRGS Geraldo Pereira Jotz, o presidente do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa) Henri Siegert Chazan, o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS Jorge Audy, e o diretor da empresa HM Brasil Feiras e Eventos Gilmar Dalla Roza.

O Health Meeting: Encontro de Startups é uma realização da HM Brasil Feiras & Eventos com o apoio da Aliança para Inovação (UFRGS, PUCRS e Unisinos), das aceleradoras Grow, Ventiur e Wow, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Sict/RS), do Sebrae/RS, do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa) e da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (Fehosul).

 

30/09/2022 – Portal Plural

Em trote solidário, crianças com câncer cortam cabelos de calouros da área da saúde – Portal Plural

Em trote solidário, crianças com câncer cortam cabelos de calouros da área da saúde

Aos sete anos, Helena Souza Gomes ainda não decidiu o que quer ser: cabeleireira, maquiadora ou policial. Na manhã desta sexta-feira (30), pôde testar suas habilidades com um desses sonhos, manuseando tesoura e cabelos de verdade, durante o Trote Solidário promovido pelo Hospital da Criança Santo Antônio e pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A menina, diagnosticada com um tumor renal em fevereiro, perdeu o cabelo em função do tratamento. Ela foi a primeira a se aventurar pelas cabeças dos voluntários — universitários que estão no primeiro semestre de cursos da área da saúde. Orientada pelo barbeiro Cael Cristian Dias Albrecht, Helena empunhou a máquina e tosou os cachos de Laura Teixeira, 18 anos, caloura de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Voluntários da ONG Doutorzinhos animaram o salão de beleza improvisado no ambulatório, com música e gritos de incentivo.

— Acho que é um momento legal para as crianças — disse Laura, que aprovou a mudança radical numa rápida espiada na câmera de um celular.

Camila Voos Soares, oncologista pediátrica do hospital, explica que o tratamento contra câncer costuma ser prolongado e, infelizmente, inclui procedimentos invasivos. Atividades lúdicas como o Trote Solidário representam um alívio na rotina tão limitada pela doença.

— São interações sociais que melhoram a autoestima, o aspecto psicológico. E o evento desmistifica um pouquinho as carecas — comenta Camila.

A dona de casa Catiane da Silveira Souza, 45 anos, mãe de Helena, recorda como a mudança na fisionomia abalou a filha. O processo foi conduzido em etapas.

— Olha só que legal essa boneca diferente! — anunciou Catiane ao presentear Helena com uma Barbie careca.

30/09/2022 – Correio do Povo

Link: Após dois anos, ação Careca Amiga volta a emocionar no Hospital Santo Antônio (correiodopovo.com.br)

Após dois anos, ação Careca Amiga volta a emocionar no Hospital Santo Antônio

Crianças cortaram cabelos de alunos da UFCSPA durante trote solidário em Porto Alegre

O ambulatório de Oncologia do Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre, foi local de festa na manhã desta sexta-feira. Duas pequenas pacientes, Isadora, de 10 anos, e Helena, 7, auxiliadas por barbeiros profissionais, cortaram os cabelos de alunos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em uma nova edição do trote solidário Careca Amiga, promovido em parceria entre as instituições e a ONG Cabelaço. O ato, realizado depois de dois anos, em razão da pandemia, encheu o local de emoção, alento e afeto.

As mãos das meninas manuseavam com cuidado as máquinas. Cada corte dos 18 participantes representava um novo sopro de esperança, já que as mechas compridas serão reaproveitadas como perucas para novos pacientes de câncer. “Os pacientes passam por um tratamento prolongado e internações longas. Isto faz com que a interação social diminua. Eventos como este fazem com que haja melhora da autoestima, tanto para eles, quanto para os pais e para nós, profissionais”, afirma a médica oncologista pediátrica do Santo Antônio, Camila Voss Soares.

“Esta é uma forma de eles se sentirem confiantes e se identificarem com a pessoa que cortou o cabelo”, acrescenta. A mãe de Isadora, a esteticista Daniela Roliano, moradora do bairro Belém Velho, na Capital, assistiu a filha realizar os cortes. “Ela ficou muito contente com o convite feito pela doutora Camila no começo da semana. É possível ver na expressão dela que ela está muito bem, tranquila, sem dores. Ela está superanimada, bem disposta, brincando com o pessoal. E para mim, é um momento muito feliz, em que saímos da nossa realidade”, conta Daniela, ao comentar que tanto ela quanto o marido têm com frequência os cabelos cortados pela filha.

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre organizou os inscritos em grupos de cinco, para evitar maiores aglomerações e pela própria limitação do espaço. A presidente da Liga do Câncer da UFCSPA, Nathália Oliveira, conta que este retorno da atividade trouxe uma diferença na realização do trote solidário. Antes, ele era restrito apenas aos calouros dos cursos, mas, nesta edição, foi aberto aos demais estudantes.

“É um evento que fazemos com muito amor, porque vemos que todos gostam de participar. Há um propósito muito grande envolvido. Como estudantes da saúde, temos um pouco desta noção do que os pacientes passam. Então, é muito bom termos este lado humano no evento”, diz Nathália. O aluno Rodrigo Santos, do 6º semestre de Biomedicina, foi um dos que raspou a cabeça na ação Careca Amiga.

“Tenho muito interesse nesta área de Oncologia Pediátrica, portanto bastante contato com estes pacientes. No primeiro ano da faculdade, queria muito participar, mas não pude por causa da Covid-19. É um momento de descontração, então é legal que possamos passar uma imagem mais divertida e conversar. Passa mesmo uma emoção muito grande e gratidão por conseguirmos fazer algo tão bom para estas crianças que estão em situação muito delicada”, diz ele.

30/09/2022 – GZH

Link: Em trote solidário, crianças com câncer cortam cabelos de calouros da área da saúde | GZH (clicrbs.com.br)

Em trote solidário, crianças com câncer cortam cabelos de calouros da área da saúde

Mechas coletadas durante o evento serão encaminhadas à ONG Cabelaço, que confecciona perucas para pacientes oncológicos

Aos sete anos, Helena Souza Gomes ainda não decidiu o que quer ser: cabeleireira, maquiadora ou policial. Na manhã desta sexta-feira (30), pôde testar suas habilidades com um desses sonhos, manuseando tesoura e cabelos de verdade, durante o Trote Solidário promovido pelo Hospital da Criança Santo Antônio e pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A menina, diagnosticada com um tumor renal em fevereiro, perdeu o cabelo em função do tratamento. Ela foi a primeira a se aventurar pelas cabeças dos voluntários — universitários que estão no primeiro semestre de cursos da área da saúde. Orientada pelo barbeiro Cael Cristian Dias Albrecht, Helena empunhou a máquina e tosou os cachos de Laura Teixeira, 18 anos, caloura de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Voluntários da ONG Doutorzinhos animaram o salão de beleza improvisado no ambulatório, com música e gritos de incentivo.

— Acho que é um momento legal para as crianças — disse Laura, que aprovou a mudança radical numa rápida espiada na câmera de um celular.

Camila Voos Soares, oncologista pediátrica do hospital, explica que o tratamento contra câncer costuma ser prolongado e, infelizmente, inclui procedimentos invasivos. Atividades lúdicas como o Trote Solidário representam um alívio na rotina tão limitada pela doença.

— São interações sociais que melhoram a autoestima, o aspecto psicológico. E o evento desmistifica um pouquinho as carecas — comenta Camila.

A dona de casa Catiane da Silveira Souza, 45 anos, mãe de Helena, recorda como a mudança na fisionomia abalou a filha. O processo foi conduzido em etapas.

— Olha só que legal essa boneca diferente! — anunciou Catiane ao presentear Helena com uma Barbie careca.

Quando os cachos louros começaram a cair, optou-se por um corte na altura dos ombros. Helena questionou a mãe:

— Foi por isso que tu me deu a Barbie, né?

Isadora Roliano Miranda da Silva, 10 anos, trata um osteossarcoma (tumor ósseo) desde novembro do ano passado. Chegou ao Trote Solidário exibindo experiência: costuma cortar o cabelo da mãe, a dona de casa Daniela Roliano Faleiro, 40 anos. Quando a família foi abalada pela notícia da doença, todos rasparam a cabeça.

— Enquanto tu não tiver cabelinho, eu também não vou ter — disse Daniela à caçula, encorajando-a nas saídas em público, quando a garota pensa que todos a estão observando.

As mechas coletadas durante o evento serão encaminhadas à ONG Cabelaço, que confecciona perucas para crianças e jovens com câncer. O Trote Solidário, interrompido durante a pandemia e retomado agora, também contou com o apoio da Liga Feminina de Combate ao Câncer.

29/09/2022 – GZH

Link: Aos 51 anos, morre o infectologista Cláudio Stadnik | GZH (clicrbs.com.br)

Aos 51 anos, morre o infectologista Cláudio Stadnik

O médico estava tratando problemas cardíacos

O médico infectologista e professor universitário Cláudio Marcel Berdun Stadnik, 51 anos, faleceu na quarta-feira (28), em decorrência de problemas cardíacos. O velório foi nesta quinta-feira (29), no Cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre.

Nascido no Uruguai, em janeiro de 1971, Stadnik  se mudou ainda jovem, com sete anos, com a família para Porto Alegre. Ele se formou em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em 1993. 

— Eu tive a honra de entregar o diploma para ele, quando tinha cinco anos —, conta a filha Marjorie Stadnik. Ele entrou na faculdade aos 16 anos e, quando tinha 17 e ainda era o mais novo da turma de Medicina, Marjorie nasceu. Depois, aos 24, quando já estava mais estabelecido, teve a segunda filha, Raissa.

Cláudio Stadnik recebeu o título de especialista com residência médica em Clínica Médica pela PUCRS, se tornou mestre em Epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2011 e concluiu o doutorado em Patologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA). 

Desde o início da pandemia de covid-19, Stadnik foi referência nacional no trabalho de pesquisa e prevenção contra a nova doença, estava sempre atualizado nos estudos da área e, constantemente, era fonte para matérias de GZH sobre o assunto. Como fonte e profissional, era sempre solícito, didático e divertido. 

Foi presidente da Associação Gaúcha dos Profissionais em Controle de Infecção Hospitalar (AGIH), de 2003 a 2005, era professor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) há 14 anos, lecionando na área de Infectologia. A filha, Marjorie, conta que está cursando Medicina na Ulbra e, neste semestre, estava tendo aulas com o pai. Em sala de aula, não a chamava nem de filha e nem de Marjorie, mas sim de Margot, como ele sempre a tratou. A filha mais nova, Raissa, era chamada de princesa.

Atualmente, era médico do Serviço de Controle de Infecção do Complexo Hospitalar Santa Casa, atuando na área de infecções em transplantes e imunossuprimidos, além de coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa da Santa Casa.

Um apaixonado pela medicina, como resume a filha, Stadnik também gostava de aproveitar o tempo livre, quando costumava ler e jogar videogames. Marjorie conta que o pai adorava discutir assuntos como filosofia e ética.

— Ele sabia tudo sobre tudo e adorava aprender e ensinar. Não tinha nada que ele fizesse que não desse a explicação. Ele era curioso para tudo — lembra.

Aos sábados, era de lei reunir a família na casa dos pais. Os pratos dos almoços eram sempre da culinária uruguaia, visto que a família era de lá. Além disso, Marjorie conta que nhoque era dos pratos comuns nos almoços na casa dos avós paternos.

Stadnik deixa os pais, duas filhas, Marjorie e Raissa, e dois filhos de coração, Bernardo e Rafaela, enteados de relacionamentos antigos com quem Cláudio ainda mantinha contato e por quem tinha muito carinho.

28/09/2022 –  Blog Políbio Braga

Link: https://polibiobraga.blogspot.com/2022/09/dica-do-editor-dia-3-governo-estadual.html

Dia 3, governo estadual fará seminário para saber por que a cada 6 horas um gaúcho se mata

Irão até o dia 3 de outubro, semana que vem, as inscrições para o seminário de Promoção da Vida e Prevenção do Comportamento Suicida na Infância e Adolescência, que será realizado no Salão Nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, dia 5, das 13h às 17h.

O Rio Grande do Sul é o estado com maior índice de suicídios no país. Conforme os últimos dados fechados, em 2020, o Estado apresentou uma média de quatro dessas ocorrências por dia. 80% são do sexo masculino.

27/09/2022 – Correio do Povo

Link: Cerimônia emocionante marca o Dia Nacional da Doação de Órgãos no Palácio Piratini (correiodopovo.com.br)

Cerimônia emocionante marca o Dia Nacional da Doação de Órgãos no Palácio Piratini

Profissionais foram homenageados durante evento em Porto Alegre

O Rio Grande do Sul ainda tem um baixo índice na doação de órgãos. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o “não” da família faz com que, em 40% das notificações por morte encefálica no Estado, um órgão não possa ser aproveitado. Nesta terça-feira, durante a celebração do Dia Nacional da Doação de Órgãos, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, o governo do Estado recordou a difícil missão de fazer com que haja mais adesão da sociedade à prática, e ainda lembrou os esforços de diversos profissionais que trabalham para salvar outras vidas.

A cerimônia emocionante reuniu profissionais da saúde, que foram condecorados por seu esforço, e autoridades, como o governador Ranolfo Vieira Júnior, a primeira-dama, Sônia Vieira, e a secretária da SES, Arita Bergmann. Entre os depoimentos, estiveram o do servidor público James Cassiano da Silva, transplantado em 2020 após um diagnóstico de insuficiência cardíaca. “Doar órgãos salva vidas. É o maior ato de amor que você pode ter. Ela pode ser a resposta da partida de seu ente querido. Ele vai continuar vivo em outras pessoas e em sua memória”, disse ele.

O diretor médico do Centro de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia, José de Jesus Peixoto Camargo, agradeceu o convite. “Para a memória dos que nos antecederam e como estímulos aos que nos sucederão, temos que assumir hoje aqui entre amigos nosso compromisso de retomarmos os transplantes com a energia que vivemos antes da pandemia. Nossa única redenção possível depende da reabilitação da nossa capacidade de cuidar e proteger as pessoas que dependem de ajuda”, discursou.

Outro momento de emoção foi uma homenagem póstuma ao cirurgião cardiovascular Ivo Abrahão Nesralla, falecido em 2020, em Porto Alegre. O médico foi responsável por realizar a primeira cirurgia robótica da América Latina, bem como a primeira de ponte de safena no Rio Grande do Sul. “Mais do que um notável, o mestre da cirurgia foi um grande parceiro. Na busca da excelência ele era incansável na captação dos recursos que permitissem a contínua qualificação dos serviços”, disse Camargo.

A secretária Arita afirmou que há o desafio de recolocar o Rio Grande do Sul “no lugar em que já esteve na captação de órgãos e realização de transplantes”. “Certamente este ano de 2022 está mostrando uma leve tendência de aumento dos números de notificações e transplantes, graças principalmente a esse trabalho incansável dos nossos hospitais hoje aqui destacados. Temos esperança de que é possível salvarmos mais vidas”, afirmou. Conforme a SES, a fila de pessoas aptas a receber órgãos no Estado alcança 2.544 pessoas.

UFCSPA

Também hoje, uma placa foi descerrada na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para relembrar os jovens André Augusto Barrionuevo, Cláudio Ataíde Lança, Jackson Luis Ávila, Jean Carlo Kohmann e Marcos Stédile. Os médicos foram vítimas fatais de um acidente aéreo enquanto viajavam para retirar órgãos de um paciente em Chapecó/SC, para transplantes em Porto Alegre. O acidente foi em 1º de outubro de 1997, e a placa foi iniciativa da universidade, da Associação dos Doutorandos de 1990 da UFCSPA e da Santa Casa.

26/09/2022 – Portal Grupo Independente

Link: Jumed reúne mais de 2 mil estudantes de Medicina na Univates (independente.com.br)

Jumed reúne mais de 2 mil estudantes de Medicina na Univates

Delegações disputaram jogos de futsal, basquete, vôlei, handebol e provas de atletismo

Mais de 2 mil pessoas participaram da terceira edição dos Jogos Universitários de Medicina do Rio Grande do Sul (Jumed-RS), realizada entre sexta-feira (23) e domingo (25), no campus da Univates, em Lajeado.

O evento, organizado pela Associação Atlética Acadêmica de Medicina Univates (AAAMU), com apoio de diversos setores da universidade, contou com a presença de 21 delegações representando cursos de Medicina de todo o Estado. A maior parte dos visitantes ficou hospedada no campus, onde foi preparada uma estrutura especial com alojamentos, alimentação e espaços de integração para o público.

Durante o final de semana, os estudantes participaram de disputas de futsal, basquete, vôlei, handebol e provas de atletismo. Algumas atividades foram realizadas no Complexo Esportivo Univates e outras no Parque do Imigrante e no Centro Esportivo Municipal Mário Lampert. A atlética da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) conquistou o primeiro lugar geral nos jogos.

Confira a classificação final do Jumed-RS 2022

1º – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

2º – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs)

3º – Universidade Católica de Pelotas (UCPel)

4º – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

5º – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs)

6º – Feevale

7º – Universidade de Passo Fundo (UPF)

8º – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

9º – Universidade do Vale do Taquari (Univates)

10º – Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc)

11º – Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)

12º – Universidade Franciscana (Unifra)

13º – Universidade de Caxias do Sul (UCS)

14º – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí)

15º – Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

16º – Unisinos

17º – Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI Erechim)

26/09/2022 – Portal ANAHP

Link: Hospital Ernesto Dornelles inaugura centro de Neurologia e Neurocirurgia (anahp.com.br)

Hospital Ernesto Dornelles inaugura centro de Neurologia e Neurocirurgia

Espaço oferece um novo conceito em atendimento especializado de patologias complexas da base do crânio e coluna vertebral

Aconteceu no dia 9 de setembro a inauguração do Centro de Neurologia e Neurocirurgia (CNNc) do Hospital Ernesto Dornelles (HED). O CNNc é um serviço integrado de atendimento, que oferece acompanhamento neurológico completo e é especializado em patologias complexas da base do crânio e coluna vertebral.

Com área de 200m2, localizado no 10o andar do Centro Clínico do HED, o espaço conta com infraestrutura completa para o atendimento qualificado do paciente, realização de análise diagnóstica e integração das técnicas mais modernas de tratamento e reabilitação. O CNNc possui 04 consultórios, sala de reuniões e telemedicina, contando com a estrutura hospitalar do HED, sala cirúrgica exclusiva, microscópio cirúrgico, endoscopia, ultrassom transoperatório e sala endovascular. Entre os procedimentos e exames que serão oferecidos estão: neurocirurgia de crânio e coluna vertebral, cirurgia da base do crânio, neuroreabilitação e tratamentos neurológicos. Doenças como tumores cerebrais, acidente vascular cerebral e demências serão atendidas no local, com a ferramenta diagnóstica pioneira no RS, conhecida como brain4care, utilizada em consultório médico, que possibilita o diagnóstico não invasivo da pressão intracraniana, complacência cerebral e dinâmica vascular encefálica.

O CNNc é constituído por uma equipe multidisciplinar formada por 15 profissionais (neurocirurgiões, neurologistas, anestesistas, oncologistas, cardiologistas, radioterapeutas e intensivistas) liderados pelo Dr. Carlos Eduardo da Silva, neurocirurgião e cirurgião da base do crânio, reconhecido no Brasil e no exterior. O médico é professor adjunto de Anatomia Humana na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA, Supervisor e chefe do Programa de Residência Médica em Neurocirurgia SBN/MEC do HED. O Serviço de Neurocirurgia e Cirurgia da Base do Crânio do hospital também é referência no tratamento dos tumores complexos que comprometem as estruturas nervosas e vasculares da base do crânio, em especial os meningiomas, onde o serviço é o pioneiro do estudo citogenético no estado, contando com um grupo de consultoria integrada nestes tumores.

26/09/2022 – Portal Prefeitura Porto Alegre

Link: Seminário sobre suicídio na infância e adolescência tem inscrições abertas até 3 de outubro - Portal do Estado do Rio Grande do Sul

Seminário sobre suicídio na infância e adolescência tem inscrições abertas até 3 de outubro

Estão abertas, até 3/10, as inscrições para o seminário de Promoção da Vida e Prevenção do Comportamento Suicida na Infância e Adolescência, que será realizado no Salão Nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no dia 5/10, das 13h às 17h. As inscrições podem ser realizadas pelo link https://forms.gle/FMZnXDrbLrw9UCjt5

O evento é promovido pelo Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção ao Suicídio, presidido pela Secretaria da Saúde e formado pelas secretarias da Educação, Segurança Pública, Justiça e Sistema Penal e Socioeducativo, entre outras entidades governamentais e não governamentais e conta com apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A programação inclui temas como prevenção da violência autoprovocada em instituições de ensino e as interfaces no trabalho de prevenção do comportamento suicida em crianças e adolescentes.

  • As vagas são limitadas. Para a entrada no evento, os participantes devem apresentar comprovante de vacinação e usar máscaras. A UFCSPA fica localizada na Rua Sarmento Leite, 245, Porto Alegre/RS.

Cenário epidemiológico

O Rio Grande do Sul é o estado com maior índice de suicídios no país. Conforme os últimos dados fechados, em 2020, o Estado apresentou uma média de quase quatro dessas ocorrências por dia. O cenário epidemiológico mostra uma frequência maior de óbitos na população masculina, chegando a 80% com 1132 casos. Suicídios femininos foram na ordem de 20%, com 287 casos. Por faixa-etária, o maior índice é entre 70 a 79 anos e em maiores de 80 anos, com uma taxa de 21,5 do número de habitantes.

Lesões autoprovocadas

Em 2020, a cada dia ainda foi notificada uma média de mais de 22 casos de lesões autoprovocadas, que englobam situações de tentativas de suicídios e autolesões, entre outras formas.

Esta frequência, no entanto, teve uma redução de 12.251 registros em 2019, para 8.058, em 2020, sendo 68% entre meninas de 15 a 19 anos. Do total destes casos, 46,2% já haviam ocorrido anteriormente.

23/09/2022 – Diário Campanário

Link: IPBeja: Bolsas-Viagem mudam a vida de estudantes e impactam relações entre Países de língua Portuguesa! - Rádio Campanário (radiocampanario.com)

IPBeja: Bolsas-Viagem mudam a vida de estudantes e impactam relações entre Países de língua Portuguesa

Realizou-se esta quinta-feira um encontro online entre os mais recentes bolseiros beneficiários da Bolsa-Viagem da Organização de Estados Ibero-americanos e da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), para uma sessão de partilha sobre os impactos da mobilidade na sua vida profissional e para o fortalecimento de relações entre os países de língua portuguesa.

Este apoio decorre do Protocolo de Cooperação assinado a 27 de maio de 2015 entre a OEI e a AULP, e apoia mobilidades académicas para a internacionalização do conhecimento, para a melhoria da qualidade da aprendizagem e das competências dos estudantes.

No total e neste quadro, a OEI já atribuiu 17 bolsas, das quais estão em curso três para este ano letivo: uma estudante brasileira de Biotecnologia na Universidade do Algarve; e de dois moçambicanos, um em Medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde, em Porto Alegre e outro de Engenharia Hidráulica Agrícola e Água Rural no Instituto Politécnico de Beja.

Participaram nesta reflexão, que testemunha na primeira pessoa as oportunidades que este programa proporciona aos estudantes, quatro bolseiros do segundo semestre do ano letivo 2021/2022.

Pedro Augusto Oliveira da Universidade Federal de Uberlândia em Minas Gerais, no Brasil, do curso de Ciências Biológicas, efetuou mobilidade para Universidade de Aveiro e refere que acredita “ser de extrema importância a missão do Programa em estreitar as relações dos países de língua oficial portuguesa. Pude ter contato com diversos estudantes e professores falantes da língua, desenvolver amizades e discutir diferentes realidades. Foi um bom intercâmbio cultural”.

Luiza Demiquei Gonzatti da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Brasil, do curso de Psicologia, esteve no Instituto Universitário da Maia e relata que “A oportunidade de estudar em outro país é, sem dúvida, uma das experiências mais ricas, desafiadoras e gratificantes. Contribuiu de forma imensurável para ficar uma profissional mais empática, com maior conhecimento de mundo.”

Keneth José Inácio oriundo da Universidade Joaquim Chissano, em Moçambique, do curso de Administração Pública, esteve no Instituto Politécnico de Leiria e refere que “participar no Programa Mobilidade AULP foi uma experiência inesquecível e com grande impacto para a minha vida pessoal, académica e profissional. Olhando para as minhas condições financeiras, sem o apoio da Bolsa de Viagem OEI-AULP não seria possível deslocar-me para Portugal.”

Lucas Neto Gonçalves da Silva da Universidade Federal Fluminense, também no Brasil, do curso de Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente, esteve em mobilidade no Instituto Politécnico de Santarém e testemunha que “foi uma experiência única na minha formação. Através do programa da AULP e Bolsa de Viagem OEI-AULP pude conhecer um novo país, diversas culturas, crescer profissionalmente, ampliar a minha visão de mundo, encontrar velhos e novos amigos, e interagir com pessoas de todo o mundo”.

Este apoio decorre do Protocolo de Cooperação assinado a 27 de maio de 2015 entre a OEI e a AULP, e apoia mobilidades académicas para a internacionalização do conhecimento, para a melhoria da qualidade da aprendizagem e das competências dos estudantes, na perspetiva da sua preparação para o mundo laboral, bem como para o reforço das relações entre instituições de ensino superior de todo o mundo. São elegíveis estudantes universitários de 1.º e 2.º graus, equivalente a licenciatura e mestrado dos países da CPLP que queiram frequentar uma universidade no Brasil ou em Portugal. A atribuição destas bolsas visa facilitar o processo de deslocação dos estudantes para os países onde ficarão a estudar em mobilidade.

No total e neste quadro, a OEI já atribuiu 17 bolsas, das quais estão em curso três para este ano letivo: uma estudante brasileira de Biotecnologia na Universidade do Algarve; e de dois moçambicanos, um em Medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde, em Porto Alegre e outro de Engenharia Hidráulica Agrícola e Água Rural no Instituto Politécnico de Beja. Foram atribuídas em anos anteriores outras 10 Bolsas, destas, cinco em 2020-21 outras cinco em 2021-22.

23/09/2022 – GZH

Link: Máscaras não são mais obrigatórias na maioria das universidades públicas do RS | GZH (clicrbs.com.br)

Máscaras não são mais obrigatórias na maioria das universidades públicas do RS

Razão está no avanço da vacinação e na flexibilização das medidas de controle do coronavírus em todo o Rio Grande do Sul

Com o avanço da vacinação e a flexibilização das medidas de controle do coronavírus em todo o Rio Grande do Sul, a maioria das universidades públicas do Estado já deixou de cobrar o uso das máscaras. A exceção é a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que segue exigindo o acessório em alguns espaços.

Segundo a reitora da UFSCPA, Lucia Pellanda, como a instituição tem contato direto com um dos maiores hospitais de Porto Alegre, a Santa Casa de Misericórdia, manter a máscara ainda é importante para a segurança da comunidade acadêmica. Mas informou que flexibilizará o uso quando for adequado.

Outras duas grandes instituições do Ensino Superior, a Unisinos e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, que são particulares, também deixaram de cobrar o acessório.

Veja, abaixo, como estão as regras para o uso da máscara nas seguintes universidades do Estado:

UFRGS - O uso de máscaras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul deixou de ser obrigatório no dia 6 de setembro, passando a ser facultativo. A universidade mantém a recomendação para uso do acessório em todos os espaços, principalmente em ambientes com pouca ventilação, salas de aula com muitos alunos e para integrantes do grupo de risco.

UFSCPA - O uso de máscaras ainda é obrigatório nos laboratórios, salas de aula e nos serviços de saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. A universidade informou que, por se tratar de uma instituição voltada à saúde, o acessório ainda é importante.

Unisinos - O uso de máscaras na Unisinos não é obrigatório. A instituição informou que segue os protocolos vigentes dos municípios em que atua, São Leopoldo e Porto Alegre. Mas reforçou que há um comitê que age pela segurança e conscientização no cuidado em relação à covid-19.

PUCRS - A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul deixou de obrigar o uso de máscaras no dia 18 de março, quando a prefeitura de Porto Alegre flexibilizou a medida. A universidade reforçou que segue incentivando o acessório como forma de autocuidado.

Uniritter -A Uniritter informou que, em conformidade com o município de Porto Alegre, não obriga mais as máscaras. Mas segue recomendando o uso do acessório.

UFSM - Desde o dia 5 de maio o uso de máscaras não é mais obrigatório nos quatro campi da Universidade Federal de Santa Maria (Santa Maria, Cachoeira do Sul, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões). No entanto, a universidade ainda recomenda que o acessório seja utilizado ambientes fechados e, principalmente, em casos de sintomas respiratórios.

UFPel - Foi no dia 29 de agosto que a Universidade Federal de Pelotas tirou a obrigatoriedade do uso das máscaras, mas seguiu recomendando o acessório em ambientes externos e internos.

FURG - É recente a decisão da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) de flexibilizar o uso das máscaras. Foi nesta segunda-feira (19) que a instituição tirou a obrigatoriedade do acessório, tornando-o facultativo. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, foi uma medida cautelar da própria instituição manter a obrigatoriedade por mais tempo. A regra é válida para os cinco campi (dois em Rio Grande, um em São Lourenço do Sul, um em Santo Antônio da Patrulha e outro em Santa Vitória do Palmar).

Unipampa - A Unipampa tirou a obrigatoriedade do uso da máscara no dia 20 de maio e passou apenas a recomendar que o acessório seja usado em ambientes internos e externos nos 10 campi espalhados pela campanha, fronteira oeste e sul do Estado.

UFFS - A Universidade Federal da Fronteira Sul informou que as máscaras já não são obrigatórias nos três campi do Rio Grande do Sul - Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo. Porém, sempre orienta o uso para quem estiver com sintomas gripais.

22/09/2022 – Portal Coletiva.Net

Link: Instituições de educação e MP divulgam campanha sobre a varíola do macaco - Coletiva.net - Tá todo mundo aqui.

Instituições de educação e MP divulgam campanha sobre a varíola do macaco

Ação foi criada pela Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde, formada por universidades, institutos federais e Ministério Público

A desinformação pode aumentar a transmissão, o adoecimento e até a mortalidade causada por doenças infecciosas. É para disseminar os dados verdadeiros que foi criada a Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde (Redes). Composto por quatro universidades federais, dois institutos federais de educação com sede no Rio Grande do Sul e três unidades do Ministério Público brasileiro, o grupo lançou, em setembro, a primeira campanha. A ação esclarece sobre a varíola do macaco.

Com uma página on-line dedicada ao tema, a iniciativa tem ainda um documento em pdf com informações detalhadas sobre o que é a Monkeypox, formas de contágio, transmissão, sintomas e dados sobre o surto no Brasil. Entre as explicações está a de que os macacos não são transmissores, e sim hospedeiros eventuais, como o ser humano e que o contágio ocorre de pessoa para pessoa. "Então, lembre-se: não agrida os animaizinhos nem repasse esse engano adiante. As formas de evitar a doença são outras", destaca um dos slides.

Redes

Criada em abril de 2022, a Rede Interinstitucional de Enfrentamento da Desinformação em Saúde (Redes) tem o intuito de ampliar o diálogo a respeito de doenças infecciosas que, por meio da disseminação de informações falsas, podem ser mais transmitidas, levando a um maior número de pessoas adoecendo e morrendo.

Jornalistas, cientistas, médicos e pesquisadores de diversas áreas compõem a equipe, que elabora materiais informativos para as redes sociais das instituições, realiza oficinas explicativas para crianças em escolas e para profissionais da saúde. A intenção é ainda ministrar minicursos sobre as doenças infecciosas para que radialistas do interior transmitam corretamente notícias acerca do tema.

Integram a iniciativa as seguintes instituições: Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFFRS), Instituto Federal Farroupilha (IFFar), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Universidade Federal de santa Maria (UFSM), Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (MPF/PRRS), Procuradoria Regional da República na 4ª Região (MPF/PRR4).

22/09/2022 – Portal Prefeitura Porto Alegre

Link: Próximas ações do programa Cidade Educadora são apresentadas a secretários | Prefeitura de Porto Alegre

Próximas ações do programa Cidade Educadora são apresentadas a secretários

Com a intenção de compartilhar a estrutura do programa Porto Alegre Cidade Educadora e divulgar as ações do último trimestre de 2022, a Secretaria de Transparência e Controladoria (SMTC) promoveu uma reunião com secretários e representantes das pastas envolvidas no projeto. O encontro aconteceu na manhã desta quinta-feira, 22, no auditório do Departamento Municipal de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Porto Alegre (Previmpa). 

De acordo com titular da SMTC, Gustavo Ferenci, é fundamental que os gestores dos órgãos municipais compreendam a extensão do Cidade Educadora. “Essa iniciativa articula poder público, as principais universidades locais, sociedade civil organizada e empresas em prol da mudança cidadã”, destaca Ferenci.

Na oportunidade foram apresentadas as atividades elaboradas pelos integrantes dos nove Grupos de Trabalho (GT): Mobilidade Humana, Culturas e Identidades, InComunidades, Pedagogias da Cidade, Educação e Saúde, Movimenta POA, Educação Fora da Caixa, Infraestrutura e Primeiros Passos. Quatro dos noves GTs são coordenados pela sociedade civil. “No total são cerca de 500 pessoas trabalhando para transformar Porto Alegre em um modelo de educação que vá além dos muros da escola”, acrescenta Ferenci.

Durante o encontro foi divulgado o 1º Congresso Internacional Porto Alegre Cidade Educadora, que acontecerá  entre os dias 29 e 30 de novembro, na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA), na Unisinos Porto Alegre e em diferentes pontos da cidade. “A ideia é criar uma oportunidade de trocas e estudos e uma agenda de experiências educadoras”, esclarece Kátia Beppler Macagnan, da equipe do GT Pedagogias da Cidade. 

Também estiveram presentes o secretário municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), Léo Voigt; o secretário da Inovação, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho; secretário adjunto da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Richard dos Santos Dias; secretária municipal de Educação (Smed), Sônia Maria Oliveira da Rosa,  secretária municipal de Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ), Débora Rios Garcia; secretário municipal de Cultura, Gunter Axt;  diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Paulo Ramires; a coordenadora de projetos da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) Fabiana Kruse; o chefe de gabinete do prefeito Sebastião Melo, Thyago Duarte; e representantes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

  Cidades Educadoras - No dia 4 de março, a Capital reingressou oficialmente na Rede Internacional das Cidades Educadoras, conjunto de municípios de diversos países que compartilham princípios básicos de educação. Desde o ano passado, a prefeitura, através da SMTC, vem articulando o retorno de Porto Alegre ao programa.

22/09/2022 – GZH

Link: Excesso de peso e obesidade na infância desafiam famílias a mudarem de hábitos após a pandemia | GZH (clicrbs.com.br)

Excesso de peso e obesidade na infância desafiam famílias a mudarem de hábitos após a pandemia

Ainda que faltem dados atualizados sobre a situação no Brasil, médicos alertam para as péssimas consequências do aumento de peso das crianças

Meses ou anos de rotina forçosamente modificada imprimiram marcas preocupantes na rotina das crianças. Ainda que o cenário pós-pandemia careça, e muito, de números que mostrem com precisão o aumento da dimensão do problema do excesso de peso e da obesidade, pode-se inferir que a situação que já era preocupante antes de 2020, quando tiveram início a crise sanitária do coronavírus e as restrições de circulação, piorou. Neste mês, entidades e especialistas promovem o Setembro Laranja, com o objetivo de chamar a atenção para o problema.

Médicos, mães, pais e professores percebem como a brusca redução da atividade física — ou até mesmo a passagem para o completo sedentarismo — transformou a rotina e o corpo dos pequenos. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2020, entre os acompanhamentos realizados na atenção primária da rede pública, 15,9% dos menores de cinco anos e 31,7% do grupo de cinco a nove anos tinham excesso de peso — nessas duas parcelas, 7,4% e 15,8%, respectivamente, apresentavam obesidade. Considerando-se todos os indivíduos menores de 10 anos, estima-se que cerca de 6,4 milhões tenham excesso de peso, e 3,1 milhões, obesidade. 

O cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), utilizado para adultos, também norteia a avaliação do peso infantil, mas especialistas consideram outros fatores relativos ao desenvolvimento, segundo Carolina Leães Rech, chefe do Serviço de Endocrinologia da Santa Casa e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Do começo da era da covid-19 para cá, o panorama se agravou, principalmente, de duas maneiras: crianças que não tinham sobrepeso passaram a ter, e aquelas que já estavam acima do peso ou obesas ganharam quilos a mais.

— O maior tempo de tela foi uma regra na pandemia. Muita inatividade, muita dificuldade para retomar (a prática de) uma hora de atividade física por dia — resume Carolina. 

É muito mais do que uma questão estética. O excesso de peso e a obesidade na infância significam piora da saúde e risco de diagnósticos cada vez mais precoces de diabetes tipo 2, hipertensão e esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), antes doenças associadas a fases posteriores da vida. O alerta é do endocrinologista pediátrico Fabiano Sandrini, da Comissão de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM).

— A grande maioria das crianças com excesso de peso serão adultos com excesso de peso. É muito difícil fazer essa redução quando criança, mas pior ainda na vida adulta. A infância é uma janela de oportunidade para que a gente consiga deixar uma herança mais saudável aos nossos filhos. Claro que há exceções, mas o aspecto com o qual você entrou na adolescência deve se manter na vida adulta. Este será um adulto jovem com gordura no fígado mais grave, diabetes tipo 2, hipertensão. Câncer é mais comum em pessoas obesas — ressalta Sandrini, também professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

Carolina reforça esse discurso com uma estimativa assustadora: 85% das crianças hoje obesas serão obesas quando adultas. Quando classificada em estágio grave, a obesidade reduz a expectativa de vida em 10 anos. Para evitar, conter e reverter os danos, tudo começa pela adoção e manutenção de bons hábitos — movimento que deve envolver toda a família. Valorizar o momento das refeições é fundamental. 

— Já havia a falta de uma rotina mais estruturada antes da pandemia. Abandonar o uso de telas é uma das coisas mais importantes. Fazer refeições em família, ter refeições mais naturais. O nosso combustível é a alimentação. É mais fácil abrir um pacotinho e botar no micro do que ir à feira e cozinhar. Não dá para colocar tanta porcaria para dentro — comenta a médica da Santa Casa.

Desemprego, queda no orçamento doméstico, inflação. São inúmeros os fatores que podem dificultar a implementação de cardápios melhores. A população de classe média-alta é a que tem mais chance de se recuperar, aponta a pediatra Fabíola Isabel Suano, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Preste atenção ao que tem sido oferecido à mesa e no lanche escolar. Dar preferência a alimentos in natura e minimamente processados é essencial. 

— Se é possível fazer esse investimento, faça. Comprar alimentos da estação ajuda na balança econômica. Prefira a compra em feiras, onde sempre haverá mais variedade. No supermercado, tem a rivalização com os produtos em pacotes — diz Fabíola, que também destaca que a iniciativa deve ser abraçada por todos em casa. — Tem que dar modelos positivos para os filhos. A criança vai entrar no hábito da família. Não existe criança obesa sem família que come mal.

Outro pilar essencial da transformação é a atividade física. Não é preciso matricular o filho em uma escolinha ou clube para a prática de esportes, ainda que as aulas programadas sejam uma boa escolha para quem deseja. Criança precisa de movimento, e o dia a dia oferece uma série de oportunidades: brincadeiras ao ar livre, jogos com bola, andar de bicicleta, passear com o cachorro, acompanhar os pais, a pé, na ida à padaria, ao supermercado, à feira, à farmácia. 

— A pandemia fez com que as crianças ficassem paradas em casa. Elas não só ganharam peso como se adaptaram a uma realidade que é “não vou brincar na rua”. A principal atividade da criança é a brincadeira, encontrar amigos para fazer isso — orienta Sandrini.

Mesmo com a melhora da situação epidemiológica da covid-19, alguns hábitos mudaram a longo prazo ou até mesmo em definitivo, como mães e pais que passaram a trabalhar de casa e suprimiram parte dos deslocamentos. É preciso readaptar as rotinas, frisa o professor da Unioeste.

— Antes íamos ao parque passear, pedalar, e de repente se criou um hábito de ficarmos reclusos. Compramos tudo para deixar em casa — observa Sandrini. 

Reconhecer o problema é o primeiro passo. A família precisa admitir que precisa de ajuda. O papel do pediatra é fundamental na condução desse processo. Se necessário, o médico pode indicar o acompanhamento por outros especialistas. 

A percepção do excesso de peso e as restrições

Fabiano Sandrini, endocrinologista pediátrico da SBEM, salienta que a análise visual da criança é um indicativo importante, além do cálculo da massa corporal adequada e de outros fatores considerados pelo pediatra. Considerando-se uma criança e um adulto, em termos de composição corporal, ela deveria ser, em geral, mais magra.

— Uma criança de seis ou sete anos com aspecto do que seria normal em um adulto, encorpada, já tem um peso alto. Muitas vezes, os pais a enxergam como uma criança normal fortinha. Tem-se a ideia de que a criança doente é a magrinha. Até algumas décadas atrás, uma forma de demonstrar amor e carinho era dar uma comida extra. Acho que isso ainda persiste. É comum, no consultório, pais comentando: “Mas como não vou dar um bolo, um chocolate, uma bala para o meu filho quando ele pede?” O excesso de peso tem essa característica que as famílias não percebem, e os pediatras precisam interferir — fala Sandrini.  

A conversa entre médico e familiares do paciente, relata o endocrinologista, pode enfrentar percalços:

— É muito comum os pais chegarem ao consultório por uma queixa ou outra, serem avisados do excesso de peso e dizerem que nunca haviam falado disso para eles. Também se cria um pouco de receio. Há dificuldade para falar a eles que a criança tem excesso de peso, alguém pode se sentir depreciado. Mas é muito importante pesar, medir. Nosso objetivo é prevenir a doença no adulto. 

Sandrini afirma que estudos demonstram que o ganho excessivo de peso se inicia por volta dos quatro ou cinco anos. Isso não significa uma eternidade de privações — o sucesso está na moderação. 

— Deixem salgadinhos e refrigerantes para datas comemorativas, festas de aniversário. Tomar um sorvete no final de semana é gostoso. Vamos a pé ou de bicicleta? Comer um bolo: vamos à padaria caminhando? — exemplifica o especialista. — Refeição é refeição: vamos sentar à mesa, desligar as telas. Tendemos a comer melhor — complementa. 

Bons hábitos para toda a família

Para prevenir ou tratar o excesso de peso e a obesidade na infância, toda a família precisa manter hábitos alimentares saudáveis. Crianças seguem o exemplo dos pais — os bons e os ruins. É pouco efetivo dizer para seu filho comer verduras e legumes se você não coloca essas opções no próprio prato. Faça um esforço, busque variedades, adapte-se. 

Adote horários regulares para alimentação e sono. 

Valorize o momento do café da manhã, do almoço e do jantar. O foco em de ser a refeição em família, à mesa. Desligue a televisão, deixe o celular de lado. 

Prefira alimentos naturais e reduza o consumo do que é comprado em embalagens. Evite bolachas, refrigerantes, bebidas açucaradas. 

É importante saber interpretar as informações dos rótulos dos produtos. Busque informações a esse respeito. 

Inclua frutas no lanche da escola. Se quiser mandar um suco de caixinha, compre a melhor opção possível. Há desde produtos com 100% de fruta na composição até aqueles que são, basicamente, puro açúcar. 

Não utilize comida como se fosse conforto ou prêmio. A comida saudável está mais cara, mas analise se não há excessos na compra de itens que não são essenciais. 

Habitua-se a oferecer água. 

Se tiver dificuldade para iniciar a implementar mudanças, procure ajuda. O pediatra que acompanha a criança pode dar boas orientações e, se necessário, encaminhar a outros especialistas. 

Criança precisa de movimento

O ideal é que a criança tenha, pelo menos, uma hora de atividade física por dia. A intensidade deve ser entre moderada e intensa.

Não é preciso matricular seu filho em um clube ou academia para ter aulas formais. Para compor uma hora de movimento, vale correr, brincar na rua, pedalar, caminhar, andar de patins ou skate, jogar futebol ou praticar outro esporte com os amigos. 

Se, por algum motivo, a criança não pode brincar na rua ou no pátio, proporcione outras situações em que ela consiga encontrar seus pares para se divertir, como passeios ao parque ou à pracinha.

Planeje programas em família em lugares que permitam e convidem ao movimento: praças, parques, ciclovias, quadras esportivas.

O engajamento do pai e da mãe é necessário e sempre bem-vindo, mas se permita aliar atividades de seu gosto ao programa em família: enquanto as crianças brincam no parque, você pode ficar lendo em um banco próximo.

22/09/2022 – GZH

Link: UFRGS é a única gaúcha entre as 50 melhores universidades da América Latina, aponta ranking | GZH (clicrbs.com.br)

RS tem 14 universidades entre as melhores da América Latina

Levantamento foi divulgado hoje pela QS Quacquarelli Symonds analista internacional de Educação Superior

O Rio Grande do Sul tem 14 instituições em uma lista das melhores universidades da América Latina. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (22) no QS Latin America Ranking 2023, levantamento feito pela QS Quacquarelli Symonds, analista internacional de Educação Superior. A lista traz a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na 17ª colocação geral e na sexta no Brasil.

Entre as 14 universidades incluídas no estudo, sete são públicas e sete são privadas ou comunitárias. Quatro universidades melhoraram posições no último levantamento: UFRGS, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade do Vale do Rio Dos Sinos (Unisinos) e Universidade de Passo Fundo (UPF).

A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) caiu seis posições, mas manteve o posto de segunda melhor instituição privada do Brasil, atrás apenas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). No Estado, a PUC é a melhor entres as privadas/comunitárias.

A UFSM se destaca nesse contexto: saiu da 93ª no ranking 2022 para a 81ª no último levantamento. Quatro instituições gaúchas mantiveram a mesma colocação nas duas listas e seis perderam postos.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) não figura na lista, após ter ficado na posição 136 no estudo anterior. À reportagem de GZH, a reitoria da instituição informou que isso ocorreu devido à mudança dos critérios da avaliação. Para participar, é necessário que a universidade atenda pelo menos duas áreas do conhecimento, e a UFCSPA atua apenas na saúde. Por isso, a federal não foi incluída na lista deste ano.

Assim, no ranking 2023, o Estado perdeu um representante, porque nenhuma nova instituição ingressou no levantamento mais recente.

O ranking faz referência a 2023 porque o trabalho pretende ser um guia para quem busca escolher onde estudar no próximo ano. Conforme a Quacquarelli Symonds, o ranking latino-americano deste ano é o maior já publicado, com 428 instituições em 20 países, acima das 418 de 2021. A Pontifícia Universidad Católica de Chile manteve o primeiro lugar geral, com a Universidade de São Paulo (USP) em segundo e a Universidad de Chile em terceiro.

O trabalho indica que o Brasil é o país latino-americano mais representado no ranking deste ano. Das 98 universidades brasileiras classificadas, 23 melhoraram posições, 24 caíram e 47 permanecem estáveis no último ano. Quatro universidades brasileiras entraram pela primeira vez no ranking este ano.

Melhor universidade gaúcha da lista, a UFRGS passou do 19º para o 17º lugar entre todas as instituições, a melhor colocação no ranking.

— A universidade não trabalha para os rankings. Eles são ferramentas de diagnóstico, mas fazem um recorte da realidade, porque cada um trabalha com um grupo específico de indicadores. O QS é um ranking que usa bases científicas internacionais muito boas — diz Soraya Tanure, Secretária de Avaliação Institucional da UFRGS.

A metodologia do levantamento usa oito indicadores, que tratam desde o impacto da universidade na internet até a qualificação acadêmica do corpo docente. Em cada item a instituição pode receber nota máxima cem. Os quesitos têm pesos distintos e compõem a nota final, que, no caso da UFRGS, foi 76.3. Em três avaliações, a instituição gaúcha se aproximou do cenário perfeito: nos indicadores de rede de pesquisa internacional (99.6), professores com doutorado (99.8) e produção científica (97.1).

— Esses são indicadores que a UFRGS sempre pontua muito bem, porque ela é uma universidade de excelência em pesquisa e, por consequência, tem parcerias fortes com pesquisadores e universidade de fora do país — comenta Soraya.

Posição das universidades gaúchas no ranking 2023 (a partir da posição 150, o ranking deixa de informar a colocação individual e passa a incluir as instituições apenas em grupos).

  1. Universidade Federal do Rio Grande Do Sul (UFRGS)
  2. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)
  3. Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
  4. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
  5. Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
  6. Universidade do Vale do Rio Dos Sinos (Unisinos)

190-201. Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

251-300. Universidade de Caxias do Sul (UCS)

251-300. Universidade de Passo Fundo (UPF)

301-350. Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)

301-350. Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc)

351-400. Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS)

351-400. Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí)

 401+. Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter)

14/09/2022 – TV Brasil / Repórter Brasil Tarde

Link: Pesquisa no RS vai desenvolver medicamentos para tratamento de câncer | Repórter Brasil Tarde | TV Brasil | Notícias (ebc.com.br)

Pesquisa no RS vai desenvolver medicamentos para tratamento de câncer

Uma pesquisa conduzida por especialistas da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) vai desenvolver imunoterápicos para tratamento de câncer. É a primeira vez que esses medicamentos vão ser desenvolvidos com tecnologia nacional.

O objetivo é patentear remédios para o setor produtivo, tornando o tratamento mais acessível para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Assista a matéria no link acima.

12/09/2022 – Matinal Jornalismo

Link: Núcleo Cultural da UFCSPA promove debate sobre dança nos espaços públicos e privados - Matinal Jornalismo

Núcleo Cultural da UFCSPA promove debate sobre dança nos espaços públicos e privados

Exclusivo para assinantes.

12/09/2022 – Portal UFRGS

Link: Health Meeting – Encontro de Startups recebe inscrições – SEDETEC (ufrgs.br)

Health Meeting – Encontro de Startups recebe inscrições

Evento Health Meeting – Encontro de Startups, que conta com apoio da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais da UFRGS, nasce como evento preparatório para a feira Health Meeting Business & Innovation que ocorrerá em 2023 e tem como propósito

Sobre o Health Meeting – Encontro de Startups

O Health Meeting – Encontro de Startups busca atender algumas das principais “dores” das instituições do setor da saúde.

O evento está dividido em três áreas temáticas:

Segurança e experiência do paciente – promovendo o cuidado centrado no paciente e em suas necessidades;

Logística e eficiência operacional – automatizando processos e otimizando os custos;

Coordenação de cuidado dos pacientes – atuando proativamente na prevenção e promoção da saúde.

A programação é composta por pitches de startups, em fase de tração com produtos e soluções já estabelecidos no mercado, focadas nas temáticas propostas, seguida por rodadas de negócios que têm como objetivos:

  • Proporcionar aos profissionais/gestores de saúde o acesso às inovações cientificas e tecnológicas do setor;
  • Conectar o mercado e aproximar compradores e fornecedores do setor, promovendo relacionamento e negócios;
  • Apresentar soluções inovadoras para minimizar as dores das instituições de saúde;
  • Apresentar a feira Health Meeting 2023;
  • Estabelecer pontes entre os atores do ecossistema de saúde.

Como participar

Membros de startups e profissionais da área da saúde podem realizar suas inscrições gratuitas diretamente na página do evento: hmbrasilfeiras.com.br/healthmeeting

Health Meeting – Encontro de STARTUPS (Evento Híbrido)

Data: 03 de outubro de 2022 das 8h às 18h

Local: PUCRS

O Health Meeting – Encontro de Startups é uma realização da HM Brasil Feiras & Eventos com apoio da Aliança para Inovação (UFRGS, PUCRS e UNISINOS), das aceleradoras GROW, VENTIUR, a WOW, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – SICT/RS, do SEBRAE/RS e do Sindicato dos Hospitais e Clinicas de Porto Alegre – SINDIHOSPA.

 

09/09/2022 – GHZ

Link: Popularmente chamada de infecção generalizada, sepse é uma das causas de morte mais frequentes nos hospitais | GZH (clicrbs.com.br)

Popularmente chamada de infecção generalizada, sepse é uma das causas de morte mais frequentes nos hospitais

Síndrome é a resposta do organismo a uma agressão provocada por um agente infeccioso — bactéria, vírus ou fungo. 13 de setembro é a data mundial de alerta

data de 13 de setembro marca a preocupação de profissionais de saúde e a necessidade de informar a população sobre uma das causas mais frequentes de morte nos hospitais. O Dia Mundial da Sepse, que motiva campanhas internacionais, chama a atenção para as infecções que configuram emergências médicas e requerem atendimento imediato — cada hora é importante e essencial para que se inicie o tratamento adequado, impedindo a progressão para situações de maior gravidade.

Mais conhecida do grande público como infecção generalizada, a sepse é a resposta do organismo a uma agressão provocada por um agente infeccioso — bactéria, vírus ou fungo. Essa reação se dá de forma desorganizada, segundo o médico intensivista Fernando Suparregui Dias, coordenador médico do Serviço de Terapia Intensiva do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Sepse não é doença, mas uma síndrome. Pneumonia pode piorar e virar sepse. Infecção urinária também. Os sinais específicos, como escarro purulento ou urina de cheiro forte, dependem de onde está o foco da infecção. 

— Em termos gerais, além dos sintomas locais, o paciente pode ter febre, dificuldade para respirar, aumento da frequência dos batimentos cardíacos. A inflamação em decorrência da infecção causa alterações em funções de órgãos — explica Dias.

Números no mundo

  • Estima-se a ocorrência de 47 milhões a 50 milhões de casos de sepse por ano
  • 40% dos casos são de crianças menores de cinco anos
  • Pelo menos 11 milhões de pacientes não sobrevivem
  • Uma a cada cinco mortes está associada à sepse
  • Até 50% dos sobreviventes de sepse sofrem com complicações físicas e/ou psicológicas de longo prazo
  • 80% dos casos de sepse ocorrem fora do hospital

Fonte: Global Sepsis Alliance

Para que se caracterize a sepse, deve haver alteração em pelo menos um de seis sistemas orgânicos: neurológico, cardiovascular, respiratório, renal, hematológico e hepático. A avaliação especializada considera diversas variáveis do estado do doente.

— Quando a resposta é intensa o suficiente para comprometer de maneira significativa o sistema cardiovascular, a pressão baixa. E quando baixa e não conseguimos fazer com que volte, precisando de medicamentos para que suba, aí temos o choque séptico. O ideal é que o paciente vá para a UTI antes da queda da pressão — acrescenta o intensivista do São Lucas. 

O encaminhamento tardio para a terapia intensiva é um aspecto preocupante no Brasil, mas não só aqui. 

— Pacientes acabam indo para a UTI quando a pressão já baixou. Muitas vezes, eles já vão entubados e com medicamentos para a pressão. Precisamos melhorar em processos. Além do reconhecimento do quadro, tem a questão de recursos. Nossas emergências vivem lotadas — observa Dias.

Ferimentos podem precisar de cuidados especializados

Roselaine Pinheiro de Oliveira, médica intensivista e coordenadora médica da UTI do Hospital Dom Vicente Scherer da Santa Casa de Porto Alegre, constata que há confusão sobre sepse e choque séptico inclusive entre colegas de profissão. 

— O choque séptico é quando esse processo evolui com hipotensão (pressão baixa). Quanto mais rápido se identificar (o quadro) e se iniciar o tratamento, menos chance tem de evoluir para choque séptico — ressalta Roselaine, também professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— Muita gente pensa que "tudo bem" ter uma infecção. As pessoas costumam ter medo do coração, do cérebro, mas precisam entender que infecção é algo sério — completa.

De acordo com a Global Sepsis Alliance, são registrados entre 47 milhões e 50 milhões de casos de sepse por ano no mundo, o que resulta em, pelo menos, 11 milhões de óbitos. Não se trata de um problema apenas para pacientes já hospitalizados. O objetivo não é alarmar a comunidade, sugerindo que a pessoa corra para o hospital ao menor indicativo de problema, destaca Dias. Há uma série de sinais e sintomas que podem sugerir que um ferimento, por exemplo, precisa de cuidado especializado, como um corte no pé que começa a expelir secreção e provoca inchaço, vermelhidão e calor local. A pandemia deixou ainda mais evidente a importância da higienização das mãos, que podem levar sujeira para dentro da ferida.

— Já atendi um menino que, jogando bola, chutou um botijão de gás e se infectou a partir da unha. Foi piorando e teve uma infecção grave. Às vezes, a pessoa banaliza ou acha que pode resolver se automedicando — diz o intensivista. 

Integrantes de grupos de risco (diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca) ficam mais vulneráveis a complicações quando têm infecção e são os que devem buscar atendimento logo. Outras pessoas, se apresentarem manifestações muito intensas (febre alta, problemas para urinar), também. 

— A sepse ou o choque séptico podem atingir qualquer um. As faixas mais suscetíveis são os extremos de idade: recém-nascidos, crianças e idosos — salienta Dias. 

Entre os focos mais frequentes de sepse estão o sistema respiratório, seguido do intra-abdominal (apendicite que rompe, período pós-cirúrgico de um tumor no aparelho digestivo) e, em terceiro lugar, o trato urinário. 

— Quem tem condição de risco precisa manter higiene corporal adequada, evitar situações que possam provocar agravamento, seguir as orientações médicas, corrigir hábitos como tabagismo ou álcool em excesso. Tudo isso minimiza infecções mais graves em quem já tem outros problemas — diz o intensivista do Hospital São Lucas.

— Se o paciente não urinou nas últimas oito ou 10 horas ou se o volume da urina caiu muito, está com odor forte, se há prostração, coração batendo mais rápido, todas essas são alterações que precisam ser levadas em conta — acrescenta Dias.

Sobre a febre (acima de 38ºC), Roselaine pontua: 

— É um sinal de alerta. Quando tem febre, alguma coisa está acontecendo. Não se tem febre "do nada". Pode não ser nada de mais, mas alguma coisa está acontecendo. 

Após a alta, pacientes que enfrentaram infecções graves, principalmente aqueles que se submeteram a tratamento intensivo com terapias de suporte (ventilação mecânica, diálise), podem ter algum tipo de comprometimento em decorrência dessas significativas alterações no funcionamento do corpo. A recuperação das funções cognitivas, da autonomia e da massa muscular pode demandar tempo e apoio de equipe multidisciplinar. 

O que é sepse

Resposta do organismo a uma agressão provocada por agente infeccioso (bactéria, vírus, fungo). Qualquer pessoa pode desenvolver sepse, mas há grupos mais vulneráveis.

Pacientes sob maior risco

Prematuros, bebês de até um ano, idosos a partir de 65 anos, pacientes com câncer, HIV ou que se submetem a tratamentos que enfraquecem o sistema de defesa do organismo, doentes crônicos (insuficiência cardíaca, insuficiência renal, diabetes), doentes internados usando antibióticos, cateteres ou sondas.

Diagnóstico

Não há sintomas específicos, mas deve procurar serviço médico com urgência quem estiver com uma infecção e apresentar febre (acima de 38ºC), aceleração dos batimentos cardíacos, respiração mais rápida, fraqueza intensa, tremores e tontura, além de pelo menos um sinal de gravidade, como pressão baixa, diminuição da quantidade de urina (passar muito tempo sem urinar), falta de ar, sonolência excessiva, confusão mental e fala arrastada (principalmente em idosos). Na pele, equimoses (extravasamento de sangue que forma manchas roxas), manchas escuras ou palidez também são sinais que demandam atenção

Quadros que podem evoluir para sepse

Pneumonia, infecções abdominais e infecção urinária, em apresentações leves ou graves. Quanto menor o tempo passado com a infecção, menor o risco de que se estabeleça a sepse.

Tratamento

As primeiras horas são fundamentais. Devem ser administrados os antibióticos adequados, conforme avaliação médica e resultados de exames.

Fonte: Global Sepsis Alliance e Ministério da Saúde

Cuidados dos sobreviventes

Pacientes que passaram por um quadro de sepse e cuidadores devem observar determinados sinais e sintomas, entre eles:

  • Problemas no coração
  • Fraqueza muscular
  • Novas infecções
  • Dificuldade para engolir
  • Depressão, tristeza e dificuldade de atenção
  • Dificuldade para realizar tarefas do dia a dia (vestir-se, tomar banho)
  • Piora do funcionamento dos rins e dos pulmões (diminuição da urina, dificuldade para respirar)

Pacientes a partir de 65 anos têm mais risco de desenvolver complicações após a sepse, precisando de nova internação.

Fonte: Instituto Latino-Americano de Sepse

09/09/2022 – Sul 21

Link: Manifesto: professores federais se mobilizam em defesa da ciência e da educação pública - Sul 21

Manifesto: professores federais se mobilizam em defesa da ciência e da educação pública

Movimento lançado pela Adufrgs-Sindical defende o voto em candidatos que se comprometam com a pauta

O Sindicato Intermunicipal dos Professores de Instituições Federais de Ensino Superior do Rio Grande do Sul (Adufrgs-Sindical), que engloba professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Fundação Universidade das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), do Colégio de Aplicação e de institutos federais do Estado, lançou um manifesto em que defende o voto nas eleições presidenciais em candidatos que se comprometam com a defesa da ciência e da educação pública gratuita laica e de qualidade.

O documento, integrado à uma articulação que inclui também as 12 entidades que compõem a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação), critica os cortes orçamentários feitos pelo governo federal em áreas estratégicas para o desenvolvimento, como ciência, educação e saúde. “Não podemos nos abster. Temos de ir às urnas. Vamos trabalhar para eleger candidatos que valorizam a educação pública e a ciência”, diz o texto. Segundo o documento, o corte total chega a R$ 7,4 bilhões para 2023.

As supressões são fruto de duas medidas provisórias (MPs) editadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no final de agosto. A expectativa no governo é de que as duas medidas abram caminho a um desbloqueio de verbas na avaliação bimestral do Orçamento, programada para 22 de setembro – a pouco mais de uma semana da eleição de outubro.

Os maiores cortes atingem o Ministério da Saúde: os R$ 2,7 bilhões perdidos pela pasta afetam mais severamente o programa Farmácia Popular. O programa, que distribui remédios gratuitamente a famílias em vulnerabilidade social, perdeu 59% do orçamento previsto para 2023. O Farmácia Popular terá apenas R$ 842 milhões para gastar no fornecimento de remédios contra hipertensão, diabetes e asma para cerca de 21 milhões de brasileiros.

No Ministério da Educação os cortes contabilizam R$ 1,7 bilhão; em Ciência, Tecnologia e Inovações, R$ 3 bilhões – incluindo verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para o financiamento da pesquisa científica. Um dos fatores que contribui para a redução no orçamento da educação e da saúde é a Emenda Constitucional 95/2016, sancionada ainda no governo de Michel Temer (MDB), que estabelece um teto de gastos federais.

“Recomendamos que nossos filiados prestem muita atenção na hora de votar. Nós lutamos cotidianamente em defesa da educação pública e da ciência, mas muitas vezes as nossas lutam são barradas pelos representantes da sociedade. Nesse período eleitoral, por exemplo, não há candidato que não defenda a educação. Só que existe uma grande diferença em relação à qual educação estão falando. Por isso estamos focados em chamar a atenção dos eleitores, neste momento, que para avançar precisamos ter um Parlamento mais comprometido do que o atual, ter governos mais comprometidos com ciência e educação pública do que o atual”, disse o presidente da Adufrgs-Sindical, Jairo Bolter.

A Proifes, junto às entidades que constituem a Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.Br), também criticou a MP que submete a pesquisa e a inovação no Brasil a uma severa limitação de recursos. A medida altera uma lei aprovada no ano passado pelo Congresso que havia vetado a possibilidade de contingenciamento dos recursos do fundo. A MP estipula que, dos R$ 9 bilhões previstos na lei orçamentária de 2022 para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal fonte de financiamento à inovação do país, o governo ficará autorizado a usar R$ 5,5 bilhões para outros fins – leia-se “emendas de relator”. Ou orçamento secreto.

“Desde 2021 assistimos à essa insistência do governo federal em retirar recursos das universidades, institutos e dos centros de pesquisa através de manobras para contingenciar os recursos do FNDCT. É mais uma tentativa de começar outra vez o contingenciamento do fundo, o que certamente, se aprovada no Congresso, resultará no colapso na pesquisa cientifica nas nossas universidades e institutos”, alertou o diretor de Ciência e Tecnologia do Proifes-Federação, Enio Pontes.

A medida provisória estabelece que, a partir do ano que vem, o fundo venha a ser recuperado de forma escalonada, só chegando aos 100% do orçamento previsto em 2027. Em 2023, por exemplo, o limite de gastos do FNDCT será de 58% da receita anual prevista. Em 2024, 68%; em 2025, 78%; e em 2026, 88%.

Em nota, o ICTP.Br alertou que a medida provisória representará grandes prejuízos na liberação de orçamento necessário para desenvolvimento e projetos de pesquisa e de desenvolvimento importantes, sendo um “desastre” para a economia do país. “As entidades que compõem o ICTP.Br solicitam ao presidente do Senado [Rodrigo Pacheco, do PSD] para que seja devolvida a MP à Presidência da Republica, pois esta ameaça gravemente colapsar o sistema brasileiro de fomento à produção do conhecimento científico”, conclui a nota.

08/09/2022 – Portal TRT 15

Link: “Liderança em tempo de mudanças” é tema de encontro de gestores do TRT-15 | Justiça do Trabalho - TRT da 15ª Região - Campinas (trt15.jus.br)

“Liderança em tempo de mudanças” é tema de encontro de gestores do TRT-15

A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região promove mais um encontro de seus gestores, neste ano inspirado no tema “Desenvolvimento gerencial: liderança em tempo de mudanças”. Ao todo são 130 gestores que ocupam cargo de assistente-chefe, coordenador(a), assessor(a), secretário(a) e diretor-geral, e que se dividem para o encontro, realizado ainda no formato telepresencial (aulas ao vivo e por meio do Zoom) em duas turmas, a primeira nos dias 8, 9, 12, 14 e 15 de setembro e a segunda nos dias 17, 18, 21, 22 e 24 de novembro.

Entre os docentes, o escritor, palestrante e arquiteto de aprendizagem autodirigida Alex Bretas, a juíza Patrícia Maeda, membro da Comissão de Prevenção de Enfretamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual do TRT-15, e a professora e atual pró-reitora de Gestão com Pessoas da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Ana Cláudia Souza Vazquez.

O encontro de gestores é uma atividade de capacitação obrigatória para titulares de funções de natureza gerencial. Neste ano, o tema  “liderança em tempos de mudança” vai abordar aspectos da “cultura de aprendizagem”, com objetivo de promover a reflexão de uma relação com o aprendizado na vida e no trabalho de forma mais prazerosa e proativa, o “assédio moral”, com vista a permitir o reconhecimento de situações de assédio nos termos da Resolução 351/2020 do CNJ, bem como a atuação dos gestores para a  prevenção e enfrentamento do problema. Por fim, no aspecto da “liderança engajadora”, os participantes deverão ser capazes de reconhecer e valorizar os pontos positivos da equipe, incentivar o trabalho saudável e aplicar técnicas de engajamento.

Na abertura do primeiro dia do curso, na quinta-feira (8/9), a presidente da Corte, desembargadora Ana Amarylis Vivacqua de Oliveira Gulla, saudou os participantes com uma mensagem gravada em vídeo e elogiou a escolha do tema “liderança em tempo de mudanças” feita pela Escola Judicial, sempre “atenta ao novo cenário”, especialmente nessa retomada dos trabalhos presenciais depois do período de pandemia, que “exigiu equilíbrio emocional de todos nós para lidar com tantas adversidades e  transformações”. A magistrada destacou o time de especialistas que abordarão os três eixos temáticos do curso, cujo principal objetivo é de capacitar os gestores para “o desenvolvimento de uma nova relação com o aprendizado, não só no trabalho, como também na vida!”.

O diretor da Escola, desembargador João Batista Martins César, em sua mensagem aos gestores, ressaltou a importância do aprendizado nos tempos modernos, e fez um paralelo com a história recente do país, em que quase 700 mil mortos vítimas da pandemia “escreveram” uma lição que “o Brasil vai precisar aprender a passar a limpo, aprendendo com os erros para não cometer novos erros no futuro”. O magistrado encerrou sua mensagem com o pensamento do filósofo e educador brasileiro Paulo Freire, de que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”, e também do pensador Samuel Lima, de que “a educação gera conhecimento, conhecimento gera sabedoria, e só um povo sábio pode mudar seu destino”.

07/09/2022 – DOL / Portal Diário do Pará

Link: Estudo comprova que corpos se mexem um ano após a morte (dol.com.br)

Estudo comprova que corpos se mexem um ano após a morte

O estudo científico foi publicado recentemente no jornal Forensic Science International: Synergy

[Foto da notícia do Museu de Anatomia da UFCSPA]

Parece que o tal sono eterno não é tão tranquilo assim. Uma recente pesquisa australiana comprovou que os corpos humanos continuam a se mover por mais de um ano após a morte. De acordo com os pesquisadores, esse fenômeno se deve ao processo de decomposição. O estudo científico foi publicado recentemente no jornal Forensic Science International: Synergy

A experiência foi feita em uma "fazenda de corpos" criada com o objetivo de investigar a fundo o processo de decomposição. Para o estudo, foi utilizado corpos doados voluntariamente para a ciência e os pesquisadores replicaram condições de cenas de crimes. A ideia é aprimorar as técnicas forenses aplicadas em investigações policiais.

Usando câmeras de vídeo, a cientista Alyson Wilson observou todo o processo de decomposição de um corpo em intervalos de 30 minutos durante 17 meses. Ela esperava observar certo movimento nos primeiros dias após a morte, mas as imagens mostraram que o cadáver se mexeu por mais de um ano e meio. A pesquisa ainda indicou que os movimentos podem ser o resultado da secagem dos ligamentos.

"Descobrimos que os braços se moveram significativamente, de forma que os membros que estavam esticados para baixo, ao lado do corpo, foram parar voltados para fora", disse Wilson à ABC News da Austrália.

"Esta pesquisa é muito importante para ajudar a polícia a resolver crimes, além de auxiliar nas investigações de desastres".

Ao todo, mais de 70 corpos foram doados para o projeto, chamado Australian Facility for Taphonomic Experimental Research (AFTER - Estação Australiana de Pesquisa Experimental Tafonômica).

01/09/2022 – Prefeitura de Porto Alegre

Link: Profissionais da Saúde recebem capacitação para exames referentes à hanseníase | Prefeitura de Porto Alegre

Profissionais da Saúde recebem capacitação para exames referentes à hanseníase

Profissionais que atuam no atendimento a pacientes com hanseníase na Capital e no Rio Grande do Sul receberam orientações práticas nesta quinta-feira, 1º, sobre exame para detecção da doença. Participaram da qualificação médicos, biomédicos, enfermeiras, auxiliar de enfermagem, farmacêuticos e técnicos de laboratório. A Baciloscopia de Raspado Intradérmico na Hanseníase, que incluiu coleta, coloração e microscopia, é complementar à hipótese clínica para confirmação da doença. Com consultoria do Ministério da Saúde, a iniciativa integra uma semana de capacitação sobre este exame. O curso conta com apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

De acordo com Alexandre Casimiro de Macedo, consultor técnico da Coordenação-Geral de Vigilância de Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, o curso integra as ações previstas no plano nacional de enfrentamento da hanseníase em áreas com baixa incidência. “A metodologia mostra-se muito valiosa, pois mesmo que cada profissional tenha uma área específica de atuação, todos recebem as mesmas orientações teórico-práticas, permitindo conhecimento de todas as etapas do processo e visando diminuir a incidência de erros”, enfatiza.

Da Secretaria Municipal de Saúde participam do curso, que tem aulas previstas também nesta sexta-feira, 2, profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) e da Coordenação da Assistência Laboratorial (CAL).

O Laboratório Central de Saúde Pública Municipal (LabCen) fará as baciloscopias de hanseníase. No LabCen já são realizadas análises com técnica muito similar de coloração para as baciloscopias de tuberculose. “O objetivo é ampliar o atendimento com exames para as necessidades das políticas públicas. A capacitação permitirá ao laboratório a conexão com a rede dos locais que irão realizar esse exame”, destaca a biomédica Gabriele Brehm, que coordena a CAL.

Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a doença atinge, de forma majoritária, a pele e nervos periféricos, fazendo com que o paciente perca, por exemplo, a sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. Entre 2017 e 2021, foram confirmados 38 casos na cidade, a maior parte em pacientes na faixa etária dos 50 aos 79 anos (61%), seguido de 20 a 49 anos, com 34%. O sexo feminino foi o mais atingido com 58% dos casos e 42% no sexo masculino. A população branca é a mais atingida, com 71% do diagnóstico e 29% na população negra de Porto Alegre. Em 2022, não houve notificação de casos novos de hanseníase no estágio inicial.

O diagnóstico precoce da hanseníase e o seu tratamento adequado evitam a evolução da doença e, consequentemente, impedem a instalação das incapacidades físicas por ela provocadas.

Sinais e sintomas -  Merecem atenção manchas no corpo, com alteração de sensibilidade; dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas; caroços e inchaços pelo corpo, podendo, em alguns casos, ser avermelhados ou doloridos. Em caso de identificação de alguns dos sintomas, a recomendação é a avaliação clínica em atendimento de saúde. Quanto mais precoce é o diagnóstico, maior a chance de prevenir sequelas físicas. A transmissão ocorre pelo contato próximo e prolongado com pessoas doentes sem tratamento.

30/08/2022 – Matinal Jornalismo

Agenda (Cultura)

Disputa se acirra pela Câmara e ameniza para a Assembleia - Matinal Jornalismo

A dança e suas vertentes serão abordadas no ciclo de debates virtuaisCorpo em Movimento – A Dança Como Ferramenta de Transformação Social, promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, sempre às terças-feiras, às 19h30, em quatro encontros mensais, de hoje a novembro.

30/08/2022 – GHZ

Link: Negro, indígena, de baixa renda e com deficiência: as histórias de pessoas contempladas pela Lei de Cotas | GZH (clicrbs.com.br)

Negro, indígena, de baixa renda e com deficiência: as histórias de pessoas contempladas pela Lei de Cotas

Estudantes oriundos de escolas públicas relatam sua trajetória no Ensino Superior e a importância da política pública para suas vidas

Ano após ano, a Lei de Cotas foi dando outro perfil ao Ensino Superior brasileiro. São mais estudantes de baixa renda, negros, indígenas e pessoas com deficiência circulando pelos corredores das universidades federais. Além do histórico parecido — todos são oriundos de escolas públicas —, eles têm, em comum, uma trajetória de poucas oportunidades e muitas limitações. Leia, abaixo, histórias de quatro pessoas que foram contempladas pela lei 12.711, que completa 10 anos.

"O ensino é elitizado"

Lucas da Silva Barcelos Pinto, 27 anos, cotista de baixa renda da UFRGS

Lucas da Silva Barcelos Pinto sofreu um baque quando foi demitido de uma loja de informática. Ele tinha 23 anos e seu currículo só exibia o Ensino Médio completo em uma escola pública de Porto Alegre. Bateu o medo de que, com aquele nível de escolaridade, não fosse conseguir nada melhor do que o emprego que havia perdido. Se quisesse prosperar, concluiu ele, precisaria de mais um diploma.

Conseguiu um bico de garçom e usou o dinheiro da rescisão para pagar um cursinho preparatório para o vestibular. Dedicado, foi aprovado no curso de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Filho de um chapeador de carros aposentado e de uma balconista de farmácia, ambos com Ensino Fundamental incompleto, Lucas entrou na vaga de cotista de baixa renda, destinada a quem pertence a famílias cujos proventos não passam de um salário mínimo e meio por pessoa.

Na busca pela identidade profissional, acabou mudando de rota — hoje cursa Publicidade e Propaganda na UFRGS —, mas já teve algumas conquistas. Aos 27 anos, Lucas trabalha a distância para uma agência de conteúdo de São Paulo. Saiu da casa da mãe, no bairro Belém Novo, zona sul da Capital, para morar sozinho em um apartamento de 18 metros quadrados no Centro Histórico, com aluguel pago com o próprio salário.

O imóvel fica próximo ao restaurante universitário (RU) da universidade, onde almoça e janta de graça todos os dias, benefício concedido a cotistas de baixa renda. Apesar da satisfação em estudar em uma instituição reconhecida como a UFRGS, sente um choque de realidade toda vez que fala com os colegas sobre a vida pessoal.

— Tenho colegas com dinheiro, gente que vai com carrão para a aula, que mora sozinho porque os pais pagam o aluguel. Chega o final de semana e alguns colegas falam: “Vamos para a festa tal, a balada tal, com ingresso de R$ 60”. Com R$ 60, eu compro comida para o final de semana inteiro — reflete.

Tem grande afinidade com o irmão, Guilherme, de quem é colega de curso na UFRGS. Aos 25 anos, o caçula também é cotista de baixa renda, mas ainda está lutando pela própria independência — ganha dinheiro vendendo doces nos corredores da universidade. Quando formados, serão os primeiros, pela parte da família da mãe, a ostentar um diploma de Ensino Superior.

Pelo desejo de Guilherme, as universidades teriam mais pessoas como eles, jovens que tiveram nas cotas uma oportunidade:

— As universidades públicas deveriam ser compostas por pessoas que precisam, que não têm condições de pagar por uma universidade privada. Mesmo com as cotas, o ensino, no meu ponto de vista, é elitizado.

"Tu te sente um intruso”

 Antônio Augusto Firmo Tietböhl, 19 anos, cotista negro da UFCSPA

Os versos da música Um Dia de Injúria, do cantor Amiri, foram lembrados com frequência pelo estudante Antônio Augusto Firmo Tietböhl, 19 anos, nos primeiros dias na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Prestes a iniciar o segundo semestre do curso de Gastronomia, o jovem conta que ele e o irmão foram os primeiros da família a ingressarem no Ensino Superior. A conquista veio pelo desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que possibilitou entrar na reserva de quase 5% das vagas a candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que, independentemente da renda, tenham feito integralmente o Ensino Médio em escolas públicas.

Augusto sempre foi incentivado pela família a estudar. O pai não completou o Ensino Fundamental e é dono de um bar. Já a mãe é empregada doméstica e concluiu o Ensino Médio. Morando nas proximidades da Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, o estudante explica que sua trajetória ainda é uma exceção dentro da comunidade. 

— Eu tinha quatro amigos quando era criança. Com 12 anos, tive uma escolha. Meus pais sempre me falaram que eu tinha que fazer o correto (...). Dá para ver que o caminho que alguns se deixaram levar foi bem ruim. Tive um amigo que faleceu, outro que está preso, outro que é viciado. Eu sei que houve um livramento para mim.

Augusto diz que seu círculo social é formado, em maioria, por pessoas negras, mas que na faculdade o contexto é outro. Ele desabafa que a falta de representatividade dentro da universidade é desanimadora, porque há poucos colegas e professores negros. 

— Tu te sente um intruso, basicamente. A gente anda por aqui e as únicas pessoas negras que vê são funcionários. Aqui predomina a elite, ninguém é favelado (...). O que recorri foi conversar com uma professora (que é negra) e me firmar nas minhas raízes. Saber onde eu estou. Querendo ou não, é uma oportunidade — relata. 

A presença pouca expressiva de negros no setor gastronômico também motivou o jovem a querer mudar o futuro. Augusto diz que percebe poucos chefs pretos no Rio Grande do Sul e sonha em seguir os passos do pai abrindo um estabelecimento e ajudando a mãe a reformar a casa. 

— Precisamos ter informação para que as outras pessoas saibam que não estão sozinhas.

A professora Monica de Oliveira, que coordena a Comissão de Heteroidentificação e está no grupo de nove docentes negros da UFCSPA, reconhece que há um desafio na inclusão de alunos negros e pardos, principalmente com o distanciamento social que houve na pandemia. No entanto, ela salienta que estão programadas novas ações para os próximos meses, como a atuação do coletivo negro da universidade e de grupos de estudo que se reúnem para debater essas questões.

"Medicina sempre foi um sonho, mas não era uma realidade"

Laura Feliciana Paulo, 29 anos, cotista indígena, a primeira a se formar em Medicina na UFSM

A família Paulo foi transformada pela Lei de Cotas. Filhas de uma professora e de um pastor de origem indígena, da etnia Terena, as irmãs Laura Feliciana Paulo, 29 anos, e Larissa Emile Paulo, 27, foram as primeiras formadas na universidade. Elas deixaram as raízes no Mato Grosso do Sul para cursar Medicina na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Hoje, são médicas e atuam em Campo Grande.

Graduada em dezembro de 2016, Laura foi a primeira indígena a se formar em Medicina pela UFSM. Depois disso, voltou para seu Estado, onde fez especialização em cirurgia geral. Desde abril, atua em um hospital do Exército como militar temporária. Mais do que realizar o sonho de ser médica, as cotas abriram uma porta que até então era inédita para seus familiares: o acesso ao Ensino Superior.

— Medicina sempre foi um sonho, mas não era uma realidade. Não tinha condições de pagar um cursinho. Fui - de ambos lados da família, do meu pai, que veio da aldeia, e da minha mãe, da favela de São Paulo - a primeira a entrar na faculdade. Graças ao sistema de cotas — frisa Laura.

Larissa formou-se dois anos depois, em 2018. Assim como a irmã mais velha, voltou para o Mato Grosso do Sul após a conclusão do curso. Atualmente, faz residência em clínica médica em Campo Grande.

"Não consigo competir de igual para igual com todo mundo"

Patrick Schnvendler, 24 anos, cotista com deficiência da Furg

Patrick Schnvendler ingressou na Universidade Federal do Rio Grande (Furg) em 2017 por dois motivos: recomendação da irmã, que já estudava na instituição, e pelo fato da Furg ser uma das poucas instituições que já ofereciam a cota para pessoas com deficiência. Patrick tem uma limitação que afeta a coordenação motora e dificulta a leitura e a escrita.

— A política das cotas faz toda a diferença. Algumas pessoas não entendem isso. Nem todas as pessoas têm as mesmas oportunidades, os mesmos privilégios, as mesmas circunstâncias de estudo, de capacitação — afirma o estudante do curso de bacharelado em Química.

Com 24 anos, Patrick, que é paulista, encarou o desafio de viajar até o sul do Rio Grande do Sul em busca do sonho. Na universidade, ele encontrou condições favoráveis à permanência. Ele conta com apoio de um bolsista da instituição para auxiliar nos estudos.

— Meu ritmo de estudo é mais lento do que as pessoas que não têm a mesma deficiência. Eu não consigo competir de igual para igual com todo mundo. A política das cotas é algo necessário — complementa.

Patrick planeja conquistar o diploma no ano que vem. A ideia é seguir na área acadêmica e cursar mestrado e doutorado. Embora os planos ainda sejam incertos, o estudante pensa na possibilidade de ser professor.

30/08/2022 – GHZ

Link: Os avanços e desafios após 10 anos da Lei de Cotas | GZH (clicrbs.com.br)

Os avanços e desafios após 10 anos da Lei de Cotas

Lei federal de 2012 ampliou o acesso à universidade, mas ainda tem obstáculos a superar

A Lei de Cotas completa 10 anos como um marco no acesso ao Ensino Superior, garantindo metade das vagas nas universidades e institutos federais para quem estudou em escolas públicas, com reserva para pessoas de baixa renda, negros, indígenas e pessoas com deficiência. Conforme seu texto original, deveria sofrer uma revisão até o final de agosto deste ano, mas ela ficou para depois.

Sem o cumprimento deste prazo legal, nada mudará no programa de ações afirmativas, conforme especialistas ouvidos por GZH. No Congresso Nacional, tramitam mais de 70 propostas sugerindo modificações na lei, sendo que 31 preveem a restrição das cotas. A expectativa é de que o tema seja retomado somente após as eleições de outubro.

Um dos diretores da Associação Brasileira de Pesquisadores e Pesquisadoras Negros (ABNP), Delton Aparecido Felipe critica o fato de que metade das propostas dos parlamentares busca limitar as cotas a estudantes de escolas públicas, sem o recorte racial.

— O problema de uma revisão da Lei de Cotas é o contexto em que vivemos, em que o governo federal e parte dos congressistas entende que as cotas não deveriam ser aplicadas à população negra. Temos de lembrar que, entre os objetivos da lei, está o combate ao racismo e, consequentemente, alcançar a redução das desigualdades sociais — pondera Felipe, que é professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Coordenadora do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais da Defensoria Pública da União (DPU), Rita Cristina de Oliveira lembra que o Brasil é signatário da Convenção Interamericana Contra o Racismo, que estabelece a aplicação de políticas afirmativas em caráter temporário. No entanto, segundo ela, os indicadores mostram que há um longo caminho a percorrer até que as cotas não sejam mais necessárias.

— Tivemos um aumento expressivo de estudantes cotistas nesses 10 anos. Não temos, no entanto, um aumento suficiente para dizer que a desigualdade de acesso foi superada — reforça.

O que mudou em 10 anos

Em 2010, quando ainda não havia a Lei de Cotas no Brasil e algumas universidades federais tinham seus próprios programas de reserva de vagas, 90% dos estudantes entravam por ampla concorrência e apenas 10% pelas ações afirmativas. Em 2019, com a vigência da lei, o ingresso por ampla concorrência caiu para 61% e, pela reserva de vagas, subiu para 39%.

Os dados são da pesquisa Avaliação das políticas de ação afirmativa no Ensino Superior no Brasil: resultados e desafios futuros, realizada pela ONG Ação Afirmativa em parceria com o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação Superior da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que se baseou no Censo da Educação Superior.

Na avaliação da educadora Denise Carreira, coordenadora institucional da ONG e uma das responsáveis pela coordenação da pesquisa, o principal benefício da lei foi implementar a reserva de vagas com o recorte racial:

— Antes de 2010, havia pouca reserva de vagas para negros. A maioria das ações afirmativas das universidades era destinada a alunos de escolas públicas. Somente em 2012, com a Lei de Cotas, começamos a observar maior entrada de estudantes pretos e pardos.

Considerando o período entre 2013 e 2019, a pesquisa mostra que houve um aumento de 205% no ingresso do tipo de estudante tido como mais vulnerável: aquele que, além de ser egresso de escola pública, é negro ou indígena e pertencente a família de baixa renda. Já a participação dos egressos de escolas públicas e integrantes de famílias de baixa renda, sem recorte racial, aumentou 105%. As taxas de evasão têm pouca diferença: 10% dos não cotistas abandonaram os estudos superiores nos anos iniciais, enquanto o índice de desistência dos cotistas é de 9%.

Desempenho acadêmico 

O desempenho acadêmico dos cotistas é um argumento da parte dos opositores da lei que alega que os estudantes não teriam o conhecimento necessário para acompanhar as aulas das universidades federais. Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Adriano Senkevics, essa hipótese não se confirmou.

— De fato, os cotistas entram com uma nota um pouco mais baixa, o que é natural, porque o objetivo da cota é possibilitar que aquela pessoa ingresse. Ao longo do curso, as trajetórias convergem e cotistas e não cotistas vão terminar o curso com notas similares — salienta Senkevics. 

O desafio de permanecer na universidade

Além de dar acesso ao Ensino Superior, é importante que a lei, se for revista, garanta que o cotista tenha como custear a alimentação, o transporte e o material para conseguir dar sequência aos estudos, observa Wilson Mesquita de Almeida, professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC e especialista em Ensino Superior no Brasil.

— A política de acesso deve ser pensada junto com a de permanência. Não se pode deixar o aluno de baixa renda que entrou em Medicina na UFRGS ir embora, porque ele vai mudar a família dele, a irmãzinha vai querer estudar. Ao mesmo tempo, é um prejuízo financeiro e de geração, porque ele não vai trabalhar, não vai ter produtividade para o país — explica.

A pandemia e a redução de recursos destinados ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que oferece assistência a estudantes de baixa renda, como moradia, transporte e alimentação, são fatores que impactam na permanência dos cotistas, lamenta a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz:

— Há muita dificuldade em fazer com que esses estudantes permaneçam no Ensino Superior porque os subsídios que eram dados estão sendo cortados e eliminados do orçamento, e isso nos preocupa bastante.

A Lei de Cotas nas Universidades Federais do Rio Grande do Sul

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Nos 10 anos da Lei de Cotas, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) formou 3.601 cotistas. Destes, 1.118 se identificavam como pretos, pardos e indígenas (31%). Atualmente, 7.475 alunos com matrícula ativa na instituição são cotistas, sendo que 2.428 se identificam como pretos, pardos e indígenas (32,4%).

Desde 2008, a UFRGS tem, por iniciativa própria, reserva de vagas para egressos de escolas públicas e autodeclarados negros. Em 2018, foi criada uma comissão para entrevistar os candidatos para essas vagas, uma medida que busca evitar fraudes.

Na avaliação do coordenador da Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas (CAF) da UFRGS, o sociólogo Edilson Nabarro, o receio de especialistas em educação é que a revisão da lei encerre a oferta de vagas destinadas a negros e indígenas, pauta de quem defende que as cotas sejam somente para estudantes de escolas públicas, sem o recorte racial.

— Aí teríamos um retrocesso da presença de pretos e pardos nas universidades públicas. Não há dúvida de que o perfil das universidades mudou. A diversidade aumentou e é esse o objetivo da implantação de medidas compensatórias, reparadoras. Não podemos tratar como iguais os que vivem em desigualdade — pondera.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Após a Lei de Cotas, 326 alunos de ações afirmativas se formaram na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Atualmente, a faculdade conta com 988 estudantes cotistas matriculados.

O acolhimento destes acadêmicos é um desafio, de acordo com a professora Monica de Oliveira, que coordena, dentro da UFCSPA, a Comissão de Heteroidentificação para verificar os requisitos das cotas e promover formações a professores e funcionários.

Monica faz parte do grupo de nove docentes que se autodeclaram negros ou pardos no quadro de 387 professores da instituição. Um aluno negro, 34 anos, que é cotista e não quis se identificar, contou a GZH que ainda sente falta de representatividade:

— A universidade praticamente não tem professores negros, é difícil se enxergar como parte da UFCSPA dessa forma. Os negros são vistos como extraterrestres lá dentro. Eles falam em um projeto de acolhimento de alunos negros, fazem algumas palestras no início do semestre, porém, depois não é feita uma manutenção disso, sabe?  

A professora Monica reconhece que a pandemia foi um problema para seguir nesse trabalho de acolhimento porque as atividades presenciais só foram retomadas em maio deste ano. No entanto, ela salienta que estão programadas novas ações para os próximos meses, como a atuação do coletivo negro da universidade e de grupos de estudo que se reúnem para debater essas questões.

— Sabemos que existe um racismo estrutural, mas há um envolvimento para que ações sejam desencadeadas e se entenda que esse aluno seja respeitado. Cota não é esmola — enfatiza. 

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

Com três campi no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) formou 1.164 estudantes cotistas desde a implantação da lei, em 2013. Foram 550 no Campus Cerro Largo, 503 no de Erechim e 111 no de Passo Fundo. 

Conforme o diretor de registro da UFFS, Maiquel Tesser, a maioria dos estudantes da instituição já vem da escola pública, ocupando cerca de 85% a 90% das vagas. No Rio Grande do Sul, são 2.117 alunos cotistas e 976 não cotistas estudando nos 20 cursos disponíveis atualmente. 

— Temos dificuldades em conseguir preencher as vagas de autodeclarados, com exceção dos cursos mais procurados. A instituição também teve que passar por um processo de readaptação para receber pessoas com deficiência — avalia Tesser.

O diretor ainda destaca a comprovação de renda exigida pela legislação como uma dificuldade encontrada na hora da matrícula:

— A renda é complexa, por exemplo, para o servidor público é uma coisa, o agricultor é outra, o assalariado, o microempreendedor... as universidades tiveram que criar as suas normas internas para coibir fraudes. 

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

Aproximadamente 34% das matrículas ativas na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) são de cotistas. O dado pode variar para mais, já que apenas a partir de 2017 o sistema da universidade passou a oferecer o campo para registro da modalidade de ingresso no momento da matrícula. O problema também impede que se chegue ao número exato de cotistas graduados na universidade desde o início da sua fundação, em 2008. A estimativa é de que pelo menos 942 cotistas tenham se diplomado entre 2017 e 2021, o que representa 17,9% dos graduados nesse período.

Com 10 campi espalhados pela Campanha, Fronteira Oeste e sul do Estado, a Unipampa também criou, em 2019, via resolução própria, outras duas reservas de vagas para autodeclarados negros e pessoas com deficiência, independentemente de serem oriundos de escola pública. No mesmo ano, uma comissão foi formada para evitar fraudes entre os cotistas, realizando entrevistas e avaliações.

Segundo a assessora para Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão do Gabinete do Reitor da Unipampa, Marta Camargo, é importante que as instituições garantam que as cotas sejam destinadas a quem realmente precisa, para que a validade da política pública não seja posta em questionamento. 

— A comissão de verificação é importante porque checa se a pessoa de fato se enquadra. Infelizmente, temos estudos que mostram que parcela dos autodeclarados negros não era signatária das políticas de cotas — diz.

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Além de cumprir o seu papel, a Lei de Cotas provocou uma revolução nas universidades federais. É esse o entendimento da coordenadora de Diversidade e Inclusão da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Airi Sacco. Atualmente, dos 18.513 estudantes matriculados na instituição, 8.212 são cotistas. A universidade reserva 50% das vagas para as cotas, como determina a lei, e também promove processos seletivos específicos para indígenas e quilombolas. O percentual reservado é ainda maior pelo Programa de Avaliação da Vida Escolar (Pave). O candidato inscrito no programa realiza uma prova ao final de cada ano do Ensino Médio. Neste processo, a reserva de vagas chega a 90%.

— A universidade, se a gente pensar em termos históricos, sempre foi uma fotografia bastante fiel da desigualdade racial no nosso país. Temos uma maioria da população negra, mas quem ocupa os espaços de poder são as pessoas brancas. E conhecimento é poder. Quando a gente passa a ter a implementação da Lei de Cotas, abrimos a universidade para esses grupos — analisa Airi.

Desde a implantação da reserva de vagas, a UFPel formou 3.533 estudantes oriundos da ampla concorrência. No mesmo período, o número de cotistas formados foi de 2.593. Assim, como outras universidades, a instituição também enfrenta problemas de recursos.

— A situação das universidades para fechar o ano é dramática. A gente não tem dinheiro para terminar o ano. E quem mais sofre com isso, evidentemente, são as pessoas mais vulneráveis. As universidades precisam ter as condições necessárias para garantir a permanência dos estudantes — pontua.

Universidade Federal de Rio Grande (Furg)

Na Universidade Federal de Rio Grande (Furg), a discussão de reserva de vagas já existia antes mesmo da integralização da Lei de Cotas na instituição, em 2014. Em 2009, a Furg contava com um programa de ação inclusiva que destinava bônus para estudantes de escolas públicas. A avaliação da política de cotas é positiva, mas a universidade observa que pode avançar ainda mais.

— Precisamos de mais investimentos, principalmente para que a gente possa dar conta da permanência dos estudantes — avalia a pró-reitora de Graduação, Sibele da Rocha Martins.

Em 2021, a Furg formou 1.162 estudantes. A maior parte, 629, são da ampla concorrência. Os demais, que somam 533, são cotistas. Em 2022, a instituição ofertou 2.740 vagas para ingresso. Destas, 1.370 são vagas reservadas em cotas e distribuídas de forma igualitária nos cursos de graduação. A Furg também realiza um processo seletivo específico para estudantes indígenas e quilombolas.

Conforme a instituição, a média de nota é maior entre cotistas do que entre estudantes que ingressaram na ampla concorrência. A média de notas dos cotistas é de 5,6, enquanto que a da ampla concorrência é de 5,3.

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem 19,3 mil alunos regularmente matriculados. Destes, 8.079 são estudantes que ingressaram pelo sistema de cotas, o que representa 42% do total.

O pró-reitor de graduação da UFSM, Jerônimo Siqueira Tybusch, explica que 50% das vagas ofertadas na instituição são para cotistas. No entanto, nem sempre esse quantitativo é preenchido completamente por estes estudantes. Com isso, as vagas migram para a ampla concorrência.

A UFSM foi uma das pioneiras para o ingresso de indígenas no Ensino Superior. Desde que o vestibular deu lugar ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), os candidatos indígenas passam por uma seleção específica com uma prova aplicada pela pró-reitoria de graduação.

— Nós fomos uma das precursoras. Começamos a trabalhar com ações afirmativas a partir do ano de 2007. Esses processos já se desenvolviam na UFSM. Em 2012, implementada a Lei, antes do prazo, já implementamos os 50% de cotas por decisão do nosso Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão — explica Tybush.

25/08/2022 – Jornal da USP

Link: Atuação da perícia no caso Bruno e Dom abre evento de ciências forenses em Ribeirão Preto – Jornal da USP

Atuação da perícia no caso Bruno e Dom abre evento de ciências forenses em Ribeirão Preto

Encontro Nacional de Ciências Forenses e Encontro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses serão realizados, de 5 a 8 de setembro, em Ribeirão Preto

A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e a Sociedade Brasileira de Ciências Forenses promovem, de 5 a 8 de setembro, o oitavo Encontro Nacional de Ciências Forenses (ENQFor) e o quinto Encontro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses (SBCF), no Centro de Convenções de Ribeirão Preto.

O tema deste ano, Conectando Ciência e Justiça, pretende discutir as atualidades em química e ciências forenses e suas aplicações interdisciplinares. O objetivo do evento é promover a interação entre pesquisadores, profissionais e estudantes para construção de vínculos e apresentação dos avanços mais recentes na área.

Serão quatro dias com sessões temáticas, conferências plenárias, apresentações orais e de pôsteres, premiações, minicursos e uma cena de crime a ser elucidada. O intuito é proporcionar um ambiente de interação e futuras colaborações para que seja desenvolvida ciência de qualidade, que é fundamental e necessária para a área forense.

A conferência de abertura, Caso Bruno e Dom: a importância da atuação pericial multidisciplinar e tempestiva para compreensão da dinâmica do crime, vai ser apresentada pelo perito criminal federal Carlos Eduardo Palhares Machado, da Polícia Federal.

Outros palestrantes confirmados são o perito criminal federal Lehi Sudy dos Santos, que vai ministrar a palestra Sistema Nacional de Análise Balística; o professor Tiago Franco de Oliveira, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), com a palestra Novos materiais e tecnologias inovadoras para o preparo de amostras em toxicologia post-mortem.

Já o professor Rafael Linden, da Universidade Feevale, vai ministrar a palestra Epidemiologia baseada em águas residuais como uma ferramenta para avaliar o consumo populacional de drogas de abuso usando amostradores passivos; Paulo Soares Oliveira Filho, da Embraer, com a palestra Investigação de acidentes aeronáuticos; e a advogada Maria Eduarda Azambuja Amaral, pós-doutoranda na FFCLRP da USP, a palestra Os erros forenses e a sua importância no Processo Penal.

O professor Tales Giuliano Vieria, da Polícia Civil de Minas Gerais e do Centro Universitário de Lavras (Unilavras), vai apresentar a palestra Investigação forense como itinerário formativo para o novo ensino médio; Luiz Spricigo Jr., do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a palestra Os desafios de construção da Carteira Nacional de Identidade; Luciano Arantes, da Polícia Civil do Distrito Federal, a palestra Análise de substâncias termolábeis e de baixa voltatização por GC-MS de coluna curta; e o perito criminal federal Gustavo P. Vilar, da Polícia Federal da Paraíba, a palestra Conectando Ciência e Justiça: materialidade, autoria e dinâmica em crimes virtuais.

Profissionais, alunos de pós-graduação e alunos de graduação podem inscrever trabalhos. As inscrições podem ser realizadas neste link.

24/08/2022 – Portal do Ministério Público Federal

Link: Agroecologia e saúde foi tema de debate realizado pelo Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos — Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (mpf.mp.br)

Agroecologia e saúde foi tema de debate realizado pelo Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos

Evento ocorrido na capital teve transmissão pelo YouTube e cobrou políticas públicas de incentivo à produção agroecológica

Com o tema Cultivando Alimentos e Produzindo Saúde, o Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCIA) realizou o 2º Seminário Agroecologia e Saúde nessa terça-feira (23). O evento, que ocorreu no auditório do Ministério Público Federal (MPF), em Porto Alegre, teve transmissão ao vivo pelo canal do MPF no RS (MPF/RS) no YouTube. O primeiro ciclo de debates ocorreu em 2019, também na capital.

Fizeram parte da mesa de abertura do seminário o procurador-chefe da Procuradoria da República no Rio Grande do Sul (PR/RS), Felipe da Silva Müller; o procurador do Trabalho Noedi Rodrigues da Silva; e o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, integrante da Associação Brasileira de Agroecologia e representante da sociedade civil na coordenação do FGCIA.

Noedi falou sobre a criação do Fórum, em 2013, exaltando que o seu objetivo vai além do debate de questões relacionadas aos agrotóxicos. “É também fomentar ações concretas. Articular com órgãos governamentais, não governamentais, com a população em geral e a comunidade científica na busca de soluções, de ações de combate a esses impactos nocivos sobre a saúde, sobre o meio ambiente”, acrescentou.

Frequentador das feiras orgânicas ao lado da família, o procurador-chefe Felipe Müller destacou a importância dos temas do evento, especialmente por serem focos de atuação da instituição. “E essa troca de experiências, de ideias, é muito enriquecedora para membros, servidores e sociedade em geral”, afirmou. Para Melgarejo, o Fórum vem trabalhando de uma maneira decisiva no combate à desinformação relacionada aos agrotóxicos e à saúde pública. Disse ainda ver com satisfação a participação do grupo de entidades no FGCIA atraídos pela ação dos membros do Ministério Público. “Isso significa para a sociedade uma atitude de acolhida, de estímulo”, acrescentou o representante da sociedade civil na coordenação do Fórum.

Assista ao vídeo com a íntegra do seminário

O diálogo Políticas Públicas para a Agroecologia, na parte da manhã, foi apresentado por Domingos Antonio Velho Lopes, secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS, tendo como mediadora a procuradora da República Ana Paula de Medeiros, integrante do FGCIA. Ana Paula ponderou a necessidade de políticas públicas de incentivo à produção agroecológica e orgânica no estado – a partir da descontinuidade do Plano estadual de agroecologia e produção orgânica em 2019 –, avançando em direção a uma agricultura que promova a saúde dos trabalhadores, consumidores, bem como proteja a água, o solo e as espécies.

Nesse mesmo sentido, o secretário da Agricultura abordou algumas das ações realizadas no âmbito do governo estadual como estímulo à produção orgânica, destacando que “o Plano Plurianual (abrangendo o período de 2022 a 2023), que está sendo construído, terá, sim, um novo plano de agroecologia e produção orgânica”.

No seminário também foram discutidas outras temáticas. O painel Cultivando Alimentos e Produzindo Saúde teve a participação da engenheira agrônoma Maria José Guazzelli, do Centro Ecológico; de Nelson Angnes, presidente da Associação de Meliponicultores do Vale do Alto Taquari; e de Simone Dal Bosco, nutricionista, docente e pesquisadora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa). Já o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Clima Temperado) João Carlos Costa Gomes; o engenheiro agrônomo Adrik Richter, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag): e Andreia Araújo, superintendente da Unidade de Agronegócio do Banrisul, deram continuidade ao assunto Políticas Públicas para a Agroecologia.

Abordaram o tópico Experiências Exitosas na Agroecologia, a bióloga Simone Azambuja, vice-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan); a cacica Guarani e guardiã de sementes Talcira Gomes; o agricultor ecológico de Pelotas Nilo Schiavon; a nutricionista Samantha Desidério, que trabalha junto à Prefeitura Municipal de Itati; e Franciele Bellé, da Feira dos Agricultores Ecologistas. O evento foi uma realização do FGCIA, com apoio do MPF, MPT, Conselho Regional de Nutrição, UFRGS, Conselho Estadual de Saúde, Agapan, Fetag, Secretaria de Saúde de Porto Alegre e UFPel.

FGCIA – O Fórum Gaúcho de Combate ao Impacto dos Agrotóxicos é uma iniciativa multidisciplinar que reúne entidades como o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público Estadual (MPRS) para combater os efeitos danosos de produtos agrotóxicos para a população e os recursos naturais. Formado por 73 instituições, é coordenado pelo procurador do Trabalho Noedi Rodrigues da Silva (MPT/RS), tendo como adjuntos a procuradora da República Ana Paula Carvalho de Medeiros (MPF), a procuradora da República Suzete Bragagnolo (MPF), a conselheira do Conselho Regional de Química 5ª Região, Raquel Fiori (CRQ-V e União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública); e o representante da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) Leonardo Melgarejo.

24/08/2022 – UFRGS Notícias

Link: UFRGS participa de lançamento de eventos de inovação na área da saúde — UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul

UFRGS participa de lançamento de eventos de inovação na área da saúde

Nesta quinta-feira, 25, quinta-feira, ocorre em Porto Alegre, o lançamento dos eventos Health Meeting – Encontro de Startups, que acontecerá em outubro de 2022, e Business & Innovation, marcada para outubro de 2023. Entre os objetivos dos eventos, destacam-se a promoção do acesso aos profissionais e gestores da saúde das inovações científicas e tecnológicas do setor; a aproximação de compradores e fornecedores nesse segmento, e a apresentação de soluções inovadoras que atendam aos principais desafios das instituições de saúde.

A UFRGS participa das iniciativas como apoiadora, por meio da Aliança para Inovação (UFRGS-PUCRS-Unisinos) e da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais (PROIR), que participa da Comissão Organizadora e da curadoria dos eventos.

Também são apoiadores do Health Meeting – Encontro de Startups e do Business & Innovation a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul; o Gabinete de Inovação de Porto Alegre; a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); o Sindihospa; o Sebrae; o Tecnopuc; a Grow; a Ventiur; e a Wow.

A apresentação dos eventos será realizada no Hotel Plaza São Rafael para um grupo de convidados que reúne gestores, instituições e profissionais do setor de saúde.

24/08/2022 – Sul 21

Link: Toma posse a nova diretoria da ADUFRGS-Sindical - Sul 21

Toma posse a nova diretoria da ADUFRGS-Sindical

Jairo Bolter, ex-diretor de Relações Sindicais da entidade, assume a presidência para o próximo triênio

Nesta terça-feira (23), a nova diretoria da ADUFRGS-Sindical tomou posse em solenidade na sede da entidade, em Porto Alegre. Eleita em chapa única para o triênio 2022-2025, a diretoria tem como presidente Jairo Alfredo Genz Bolter, diretor de Relações Sindicais na última gestão e professor do Departamento Interdisciplinar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Campus Litoral Norte, e como vice-presidenta Ana Boff de Godoy, vice-presidenta do Conselho de Representantes na última gestão e chefe do Departamento de Educação e Humanidades da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A transmissão dos cargos foi feita durante uma Assembleia Geral, com a apresentação da prestação de contas do último período seguida da posse da nova diretoria e do Conselho de Representantes.

Ao tomar posse, Jairo Bolter afirmou que seguirá os passos da gestão anterior e destacou a importância da educação no contexto das eleições. “Nos próximos dias teremos que intensificar nosso trabalho dentro das nossas limitações para ajudarmos a reconstruir o estado e o país. Vamos trabalhar para eleger políticos que valorizam a educação e a ciência e que acreditam que o desenvolvimento da nossa nação se constrói com fortes investimentos na educação pública e na ciência, e não os que atacam as nossas instituições. Vamos atuar fortemente para convencer a nossa base que todos precisam votar neste momento, não podemos deixar de ir às urnas. O país precisa de nós, as nossas instituições de ensino precisam de nós e o povo precisa de nós.”

Amarildo Pedro Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Rio Grande do Sul, também esteve presente na cerimônia e reforçou a importância da luta sindical, desejando êxito para a diretoria empossada. “A gente precisa afirmar essa luta sindical, essa luta civilizatória, estando à frente, coordenando junto com os colegas que compõem essa direção, fortalecendo esse tecido social para que garanta as mudanças e as transformações que tanto nós precisamos para a sociedade e para o nosso país”, afirmou.

Também prestigiou o evento Airton Santos, presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) do Rio Grande do Sul, que renovou a parceria entre as entidades para assuntos que tangem as instituições públicas de ensino. “Nós temos uma boa relação com a ADUFRGS por tudo que travamos, contra os cortes, a favor da autonomia universitária. Esses são momentos em que a gente unifica as pautas. É a luta dos trabalhadores com os estudantes para conseguirmos avançar e ampliar nossa rede de influência.”

Novos diretores:

Presidente: Jairo Alfredo Genz Bolter/UFRGS – Campus Litoral Norte

Graduado, mestre e doutor em Desenvolvimento Rural. Professor do Departamento Interdisciplinar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS – Campus Litoral Norte. É coordenador da Especialização em Cooperativismo e professor do PGDREDES. Foi membro do Conselho Universitário – CONSUN (2017/2020). Foi diretor de Assuntos de Aposentadoria e Previdência da ADUFRGS-Sindical na gestão 2015/2018 e diretor de Relações Sindicais na gestão 2019/2022, e membro do Conselho Deliberativo – CD do PROIFES-Federação.

Vice-Presidenta: Ana Boff de Godoy/UFCSPA – Departamento de Educação e Humanidades

Licenciada, mestre e doutora em Letras. Atual chefe do Departamento de Educação e Humanidades da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA, em segundo mandato. Membro do CONSEPE e CPPD. Foi conselheira do Conselho Universitário – CONSUN por dois mandatos consecutivos. Vice-presidente do Conselho de Representantes – CR da ADUFRGS-Sindical na gestão 2019/2022.

1º Secretária: Regina Rigatto Witt/UFRGS – Escola de Enfermagem (Aposentada)

Graduada em Enfermagem, mestre em Saúde Pública, doutora em Enfermagem. Foi credenciada no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Exerceu a função de vice-diretora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS de 2013 a 2016. Foi membro da diretoria da ADUFRGS-Sindical em duas gestões.

2º Secretário e Diretor Social e Cultural: Adauto Locatelli Taufer/UFRGS – Colégio de Aplicação

Graduado, mestre e doutor em Letras. Docente do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS e integrante da equipe de coordenação no curso de especialização em Ensino de Língua Inglesa e Literatura (CAp/UFRGS). Membro do GT de Direitos Humanos da ADUFRGS-Sindical e do PROIFES-Federação.

1º Tesoureiro: Eduardo Rolim de Oliveira/UFRGS – Instituto de Química

Graduado e mestre em Química, doutor em Farmacoquímica pela Université Paris XI. Professor do Departamento de Química Orgânica. Foi presidente da ADUFRGS (2005-2009) e presidente do PROIFES (2012-2018). Tesoureiro da ADUFRGS-Sindical na gestão 2019/2022 e atual diretor de Relações Internacionais do PROIFES-Federação e diretor de Previdência Complementar da ANAPAR.

2º Tesoureiro e Diretor de Assuntos Jurídicos: Paulo Artur Konzen Xavier de Mello e Silva/IFRS

Licenciado e bacharel em Ciências Biológicas, mestre em Genética e Biologia Molecular e doutor em Fitotecnia. Professor titular do Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS – Campus Porto Alegre. Foi 1º Tesoureiro da ADUFRGS-Sindical na gestão 2009-2011. Presidiu a comissão fiscal da ADUFRGS por dois mandatos consecutivos (2016-2019 e 2020-2022). Membro da Comissão Executiva do Conselho Fiscal do PROIFES-Federação (2016-2022) e do Conselho de Representantes – CR da ADUFRGS-Sindical.

Diretor de Assuntos da Carreira do MS – Magistério Superior: Elizabeth de Carvalho Castro/UFCSPA – Departamento de Ciências Básicas da Saúde

Graduada em Ciências Biológicas e mestre em Genética e Biologia Molecular. Foi coordenadora do curso de Biomedicina noturno da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA e atualmente é chefe do Departamento de Ciências Básicas da Saúde da mesma universidade e membro do CONEPE. Integrou a diretoria da ADUFRGS-Sindical (2009-2011).

Diretor de Assuntos da Carreira do EBTT – Ensino Básico, Técnico e Tecnológico: Roger Sauandaj Elias/IFSUL – Campus Sapucaia do Sul

Mestre e licenciado em História, professor do Instituto Federal Sul-rio-grandense – IFSul – Campus Sapucaia do Sul. Responsável pelo Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) desse campus de 2015 a 2021. Atualmente coordena o curso FIC EJA/EPT de Monitoramento Individual. Membro do Conselho de Representantes – CR da ADUFRGS-Sindical, triênio 2019-2021.

Diretora de Comunicação: Ana Karin Nunes/UFRGS – Fabico

Graduada em Comunicação Social/Relações Públicas, especialista em Gestão Universitária, mestre em Comunicação Social, doutora em Educação. Professora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), pesquisadora e extensionista em temas relacionados ao planejamento estratégico de comunicação e relações públicas, comunicação para gestão de crise e gestão de riscos.

Diretor de Assuntos de Aposentadoria e Previdência: Mariliz Gutterres/UFRGS – Escola de Engenharia (Aposentada)

Graduada em Engenharia Química, mestre em Engenharia de Materiais, doutora em Química pela TU Bergakademie Freiberg, professora titular (aposentada) na Escola de Engenharia (EE) da UFRGS no Departamento de Engenharia e Química e Programa de Pós-graduação. Foi coordenadora do Programa de Pós-graduação e da Comissão de Pesquisa da EE. É docente convidada e bolsista de Produtividade do CNPq.

Diretor de Relações Sindicais: Maria Cristina Martins/UFRGS – Instituto de Letras

Graduada, mestre e doutora em Letras. É professora de latim do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Integra o Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da UFRJ. Membro titular da CPPD (2020-2022). Membro do CR e do Conselho Fiscal da ADUFRGS-Sindical (2019-2022). Participou da diretoria da ADUFRGS-Sindical (2009-2011).

22/08/2022 – Portal GHC – Grupo Hospitalar Conceição

Link: Grupo Hospitalar Conceição (ghc.com.br)

Profissionais do GHC participam do Curso de Comunicação Escrita em Ciências da Saúde: do Protocolo à Publicação

Na última semana, preceptores dos programas das residências médicas e multiprofissional, docentes da Escola GHC e pesquisadores do Grupo Hospitalar Conceição participaram do Curso de Comunicação Escrita em Ciências da Saúde: do Protocolo à Publicação, ministrado pelos docentes convidados da Santa Casa de Misericórdia e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Freddy Perez (OPAS/OMS) e Elizabeth Macias Rojo (University of Califórnia, San Francisco/USA).

22/08/2022 – O Tempo

Link: Universidades têm número insuficiente de corpos para estudos, em Minas | SUPER NOTICIA (otempo.com.br)

Universidades têm número insuficiente de corpos para estudos, em Minas

UFMG tem o programa de doação mais antigo do Brasil; desde 1999, recebeu 150 cadáveres

Auxiliar outras vidas mesmo após já ter dado seu último suspiro. Promover os sonhos de jovens estudantes e ajudar a encontrar a cura para diversas doenças até quando já não há força física, um coração batendo no peito e um cérebro coordenando as ações e pensamentos. É esse o destino dos corpos doados para estudos em universidades.

A atitude nobre, destacada por professores, é de suma importância para a formação na saúde e para o aprofundamento do conhecimento sobre as estruturas humanas e suas complexidades. Porém, a prática ainda não é comum no Brasil, já que muitos a relacionam à morte e não à vida que pode gerar. Por isso, universidades de Minas Gerais e de todo o país têm buscado conscientizar e sensibilizar as pessoas em relação à doação, já que o número de corpos disponíveis para estudos ainda é insuficiente.

Não há, atualmente, dados centralizados sobre quantas doações são feitas anualmente no Brasil. Cada local que os recebe faz seu próprio balanço. Segundo a Sociedade Brasileira de Anatomia, são 36 programas de doação no País. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tem o mais antigo, desde 1999, e foi batizado de “Vida Após a Vida”.

Professor e coordenador do programa, Kennedy Oliveira afirma que foram recebidos, desde o início do projeto, 150 corpos. O número, porém, não é ideal. O especialista lembra que vários cursos da área da saúde utilizam cadáveres, como medicina, odontologia, fisioterapia e nutrição. Além disso, o ideal seria que os alunos pudessem se dividir em grupos, de 5 ou no máximo 10 pessoas, para manipulá-los nas aulas - só o curso de medicina tem cerca de 160 alunos por semestre.

“O Brasil tem questões muito particulares em relação ao assunto. Há, por exemplo, em geral, bastante resistência para falar acerca da morte. Muitas pessoas têm medo de fazer a doação, apego ao corpo… Além disso, também tem a questão da desinformação”, diz Oliveira.

A questão da desinformação é mesmo um desafio. Muita gente não sabe, mas qualquer pessoa maior de 18 anos pode declarar sua vontade de doar o corpo para estudos. Os processos podem variar um pouco de universidade para universidade, mas são bem semelhantes. No caso da UFMG, por exemplo, é só ir até o local, passar por uma entrevista e receber a carteirinha de doador.

Com o documento em mãos, é preciso avisar a família sobre o desejo, para que ela comunique ao programa quando o doador morrer e, assim, todos os procedimentos sejam feitos. Não há praticamente nenhuma limitação: de jovens a idosos, todos podem doar. Há algumas exceções quando o falecimento ocorre por motivo violento ou por uma doença muito contagiosa, como a Covid-19.

Há também espaço para arrependimento. O artigo 14 da Lei 10,406/ 2002 do Código Civil brasileiro diz que: “É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo”. Porém, esse arrependimento não costuma acontecer.

A UFMG, ao longo dos anos, registrou apenas um caso, de uma idosa que, ao contar para a família que era doadora, não recebeu a concordância do netinho. Ela, então, preferiu voltar atrás.

A IMPORTÂNCIA DE UM CORPO REAL

Outro programa bem-sucedido de doação de corpos é o da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. À frente está Andrea Oxley, também vice-presidente da Sociedade Brasileira de Anatomia. Lançado em 2008, o programa já recebeu cerca de 130 corpos.

Andrea Oxley explica que, apesar de atualmente existirem recursos tecnológicos, com modelos de corpos em 3D de excelente qualidade, nada substitui os corpos reais. Algumas questões, explica ela, como a textura dos órgãos e as estruturas internas, não se consegue ver utilizando material artificial. Além disso, muitas cirurgias são feitas em cadáveres, inclusive para o treinamento de técnicas especiais.

“Há, também, o desenvolvimento da questão ético-humanística. Os alunos entram jovens na universidade e se confrontam com a morte, têm a percepção da finitude da vida. Eles aprendem a lidar com um corpo que não pode se defender, aprendem a lidar com a vulnerabilidade”, diz ela.

Andrea também lembra como é importante o gesto de quem doa o corpo para a ciência. “A pessoa que doa não recebe nada em troca; doa acreditando na formação dos profissionais, contribuindo para a qualificação”, salienta.

FUTURO A SER DESCOBERTO

Doar um corpo, muitas vezes, significa ser responsável, mesmo que indiretamente, por descobertas que vão ajudar muitas pessoas no futuro. A Universidade Federal de São João del-Rei iniciou o programa de doação em 2015. De lá para cá, três corpos foram recebidos, inclusive o de um bebê, doado pela família. A criança foi vítima de uma doença rara e, agora, o caso dela poderá ser estudado de maneira mais aprofundada.

“É muito importante a gente ter os corpos. É difícil ter uma representação fidedigna das estruturas do corpo humano com as peças sintéticas que são vendidas; é difícil ter peças que representem a realidade. Além disso, é muito importante o aluno conhecer as variações anatômicas”, afirma Laila Damázio, professora da Universidade Federal de São João del-Rei e do Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves.

Laila também destaca a importância da atitude dos doadores, de “fazer o bem mesmo após a morte”.

DESPEDIDA

Não há como saber por quanto tempo um corpo será utilizado para estudos. Segundo o professor e coordenador do programa “Vida Após a Vida”, da UFMG, Kennedy Oliveira, o prazo varia. Aqueles que são submetidos a cirurgias, em geral, são substituídos após 12 ou 13 anos, em média. Os demais costumam ser estudados por um período maior, em torno de 60 anos.

Quando o prazo “chega ao fim”, esses corpos são enterrados para continuarem descansando em paz, após terem feito o bem.

17/08/2022 – Portal InfoDIRETAS

Link: Cura do câncer? Primeiros imunoterápicos oncológicos brasileiros são pesquisados na Santa Casa (infodiretas.com)

Cura Do Câncer? Primeiros Imunoterápicos Oncológicos Brasileiros São Pesquisados Na Santa Casa

O projeto terá um financiamento de cerca de R$ 4,55 milhões do Ministério da Saúde/Pronon.

A pesquisa que pode representar um marco para a oncologia brasileira já deu o pontapé inicial na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Atualmente, o Brasil importa 100% dos imunoterápicos oncológicos consumidos no país, fazendo com que a pesquisa seja uma possível mudança de cenário para os próximos anos.

A realização do projeto de pesquisa “Desenvolvimento de imunoterápicos oncológicos e seus testes preditivos de resposta para o SUS” deve contar com o financiamento de algo em torno de R$ 4,55 milhões do Ministério da Saúde através do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).

A pesquisa, que teve apoio confirmado do Ministério da Saúde e representa um dos mais abrangentes estudos já realizados nesta área no país, será conduzida por pesquisadores da Santa Casa de Porto Alegre e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Os pesquisadores principais do projeto são: Antonio Nocchi Kalil, professor da UFCSPA e diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa, e Cristina Bonorino, imunologista e professora da UFCSPA.

O coordenador afirma: “este é um projeto de pesquisa muito bem estruturado que, embora ainda em fase inicial, abre uma importante perspectiva, uma vez que tem como principal objetivo o desenvolvimento de insumos fundamentais para o tratamento da maioria das doenças oncológicas, que hoje são encontrados somente no exterior. Num futuro não muito distante, esperamos poder comemorar resultados que trarão imensos benefícios para toda a oncologia e principalmente para o nosso Sistema Único de Saúde”.

17/08/2022 – Portal Pronatec

Link: Ministério da Saúde oferece mais de 100 cursos online e com CERTIFICADO: inscreva-se gratuitamente! (pronatec.pro.br)

Ministério da Saúde oferece mais de 100 cursos online e com CERTIFICADO: inscreva-se gratuitamente!

Interessados podem participar das formações até o ano de 2023.

Depois que uma pessoa termina o processo de estudo em uma universidade pode pensar que não será mais necessário voltar a aprender. Contudo, a grande questão é que um profissional nunca deixa de buscar novos conhecimentos.

Por esse motivo, é sempre muito importante buscar outras opções para integrar os conhecimentos que já possui. Esse processo pode ser realizado através de cursos oferecidos, muitas vezes, pela internet e de maneira gratuita.

Cursos abertos

Atualmente o Ministério da Saúde está oferecendo uma grande quantidade de oportunidades de cursos utilizando a plataforma do UNA-SUS. As modalidades são voltadas para a área da saúde e conseguem integrar diversos ramos de conhecimento.

Dentre as opções disponíveis é possível ver assuntos na área da geriatria, nutrição, enfermagem, medicina familiar, odontologia, neurologia, oftalmologia, obstetrícia, dentre outras opções.

No geral são 124 cursos que podem ser cursados de maneira online e possuem certificado desde que concluídos corretamente.

Vale lembrar também que as formações são desenvolvidas por diversas instituições renomadas. São elas:

  • Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz);
  • Universidade Federal de Pelotas (UFPEL);
  • Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC);
  • Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA);
  • Universidade Federal do Maranhão (UFMA);
  • Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP);
  • Universidade Federal de Goiás (UFG);
  • Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
  • Universidade Federal de São Paulo (Unifesp);
  • Universidade de Brasília (UNB);
  • Universidade Federal do Piauí (UFPI);
  • Universidade Ibirapuera (UNIB).

16/08/2022 – Portal dos Hospitais do Brasil

Link: Primeiros imunoterápicos oncológicos brasileiros para o SUS são objeto de pesquisa da Santa Casa e UFCSPA - HOSPITAIS BRASIL (portalhospitaisbrasil.com.br)

Primeiros imunoterápicos oncológicos brasileiros para o SUS são objeto de pesquisa da Santa Casa e UFCSPA

Uma importante pesquisa, que pode representar um marco para a oncologia brasileira, está dando os primeiros passos na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS). 

A realização do projeto de pesquisa “Desenvolvimento de imunoterápicos oncológicos e seus testes preditivos de resposta para o SUS” teve o apoio confirmado pelo Ministério da Saúde e deverá iniciar nos próximos dias, sendo um dos mais abrangentes estudos já realizados nesta área no país. Hoje o Brasil importa 100% dos imunoterápicos oncológicos consumidos no país, tornando a pesquisa uma esperança de mudança no cenário para os próximos anos.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Santa Casa de Porto Alegre e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), tem como pesquisadores principais Antonio Nocchi Kalil, professor da UFCSPA e diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa, e Cristina Bonorino, imunologista e professora da UFCSPA, e terá financiamento em torno de R$ 4,55 milhões do Ministério da Saúde (MS) através do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).

Para o coordenador, “este é um projeto de pesquisa muito bem estruturado que, embora ainda em fase inicial, abre uma importante perspectiva, uma vez que tem como principal objetivo o desenvolvimento de insumos fundamentais para o tratamento da maioria das doenças oncológicas, que hoje são encontrados somente no exterior. Num futuro não muito distante, esperamos poder comemorar resultados que trarão imensos benefícios para toda a oncologia e principalmente para o nosso Sistema Único de Saúde”, afirma.

Para a pesquisadora Cristina Bonorino, é importante salientar a importância do surgimento dos imunoterápicos. “Estas drogas, que começaram a ser utilizadas em larga escala apenas em 2010, valeram o prêmio Nobel em 2018 aos seus pesquisadores e representam uma revolução no tratamento dos cânceres, mas ainda são extremamente caras, movimentando em torno de 70 bilhões de dólares ao ano no mundo. Uma pesquisa como a nossa coloca a perspectiva de um grande avanço na utilização destes medicamentos, numa escala muito maior e com menores custos, para os pacientes do SUS”. 

De acordo com o protocolo aprovado, a pesquisa tem prazo de execução de 36 meses, com início imediato após a liberação dos recursos pelo MS.

16/08/2022 – GZH

Link: Órgão gaúcho de fomento à pesquisa não recebe recursos previstos na Constituição há pelo menos 27 anos | GZH (clicrbs.com.br)

Órgão gaúcho de fomento à pesquisa não recebe recursos previstos na Constituição há pelo menos 27 anos

Fapergs teria direito a 1,5% do valor arrecadado pelo Estado com impostos, mas não obteve nem um terço desse valor desde 1995

Celeiro de mestres e doutores, o Rio Grande do Sul não investe tudo o que deveria em seu órgão estadual de fomento à pesquisa. E não é de hoje – a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), que tem previsto na Constituição gaúcha um orçamento anual de 1,5% do valor arrecadado pelo governo com impostos, há pelo menos 27 anos não recebe esse percentual.

A não aplicação da taxa mínima tem sido alvo de recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em seus relatórios e pareceres prévios anuais sobre as contas dos governadores do RS, o órgão repete a proposição de que o Executivo tome providências para cumprir o que está previsto na Constituição. A proposta, no entanto, não foi seguida — o índice máximo já alcançado na série histórica, iniciada em 1995, foi em 2001, quando menos de um terço do 1,5% dos impostos originalmente previsto realmente chegou aos cofres da fundação, de acordo com dados apresentados pela própria Fapergs.

ORÇAMENTO DA FAPERGS X RECURSO PREVISTO NA CONSTITUIÇÃO

Repasses para o órgão não acompanharam o crescimento da receita arrecadada com impostos

(valores em milhões)

Ver no gráfico (link acima)

Em 2022, a fundação recebeu o maior orçamento da série histórica, de R$ 84 milhões, graças ao programa Avançar, que acrescentou R$ 54 milhões no que estava previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). Ainda assim, o valor representa menos de 20% do previsto na Constituição. A diretoria da Fapergs apresentou ao governo uma proposta de recomposição com um aumento de 15% ao ano, para, até 2040, o repasse constitucional ser alcançado.

— O Rio Grande do Sul tem uma robustez muito grande na área acadêmica. Se o Estado conseguir colocar mais recursos em pesquisas científicas, tecnologia e inovação, teremos um retorno muito expressivo. Temos conseguido sensibilizar o governo quanto a isso e temos a expectativa de um orçamento pelo menos no mesmo nível deste ano para 2023, talvez até mais — projeta o diretor-presidente da fundação, Odir Dellagostin.

Secretário estadual de Planejamento, Governança e Gestão, Claudio Gastal salienta que o descumprimento do percentual previsto na Constituição não é exclusividade do RS, ainda que haja outros Estados, como São Paulo, que conseguem cumprir. No entanto, aponta que o governo faz esforços para, no ano que vem, manter o valor repassado em 2022.

— O que procuramos neste governo é a manutenção desse valor, que já é bem acima do destinado em outros anos. Em paralelo, temos uma discussão interna de trabalhar na previsão do escalonamento do recurso, até chegar ao valor orçamentário previsto na Constituição. Mas isso tem que ser olhado pensando no regime de recuperação fiscal, no teto de gastos e na situação financeira do Estado — pontua o secretário.

Gastal ressalta, por outro lado, a capacidade de execução da Fapergs, que tem utilizado todo o recurso que recebe para abrir editais e financiar projetos de pesquisa de diferentes áreas. Entre eles, o mais recente é o programa Doutor Empreendedor, que visa estimular o empreendedorismo entre pesquisadores com título de doutorado. A fundação também aumentará, a partir de setembro, o valor das bolsas de Iniciação Científica e de Iniciação Tecnológica e Inovação, voltadas para graduandos, de R$ 400 para R$ 500. Já as bolsas de pós-doutorado empresarial receberão reajuste de R$ R$ 4,1 mil para R$ 5 mil.

Pior orçamento da região Sul

Considerando a média dos orçamentos obtidos entre 2018 e 2020 pelas fundações de amparo à pesquisa dos três Estados da região Sul, o Rio Grande do Sul, mesmo tendo uma população maior do que Santa Catarina e Paraná, recebeu os repasses mais baixos. Em média, a Fapergs ganhou R$ 29,5 milhões anuais no período, enquanto em SC o recurso foi de R$ 38,1 milhões e no PR foi de R$ 47,5 milhões. A liderança absoluta em termos de investimentos é de São Paulo, que repassou uma média de R$ 1,4 bilhão por ano à Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) – mais da metade dos R$ 2,6 bilhões registrados pelas fundações do Brasil inteiro.

— Há quem diga que a Fapesp é forte porque São Paulo é forte, mas eu acredito que é o contrário: São Paulo é forte e cresce cada vez mais porque tem uma Fapesp forte. O investimento em ciência, tecnologia e inovação dá muito retorno — defende Dellagostin.

O perfil das fundações de amparo é diferente em cada Estado. No RS, a decisão foi de não conceder bolsas da própria Fapergs para mestrandos e doutorandos, como é feito, por exemplo, em Santa Catarina e São Paulo. A razão disso, segundo o diretor-presidente da Fapergs, é que o sistema de pós-graduações gaúcho já é muito robusto e qualificado e, por isso, não há falta de bolsas para estudantes gaúchos dos principais órgãos de fomento, que são federais: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

— O percentual de alunos que recebem bolsas na pós-graduação aqui no RS está acima da média nacional. Em outros Estados, quando ainda há necessidade de formação de mestres e doutores, o governo investe muito em bolsas — explica, citando como exemplo o Amazonas e o Maranhão, onde as fundações de amparo tem uma participação significativa na concessão de bolsas.

Considerando-se os recursos recebidos por instituições e pesquisadores da fundação de amparo estadual, da Capes e do CNPq, o RS é a terceira unidade federativa com menos contribuição de verba estadual nesse setor, atrás apenas de Rio Grande do Norte e Roraima. O principal investimento da Fapergs é em programas de Iniciação Científica, como forma de incentivo a alunos de graduação que queiram seguir seus estudos no mestrado e no doutorado, e em projetos de pesquisa. Em abril deste ano, quase 1,3 mil projetos estavam sendo financiados pela agência gaúcha de fomento.

Áreas com mais pesquisas

A grande área de conhecimento com mais pesquisas sendo feitas no Rio Grande do Sul é a das Ciências da Saúde — de toda a produção científica realizada, conforme a plataforma SciVal, que reúne estudos feitos em 20 mil instituições de ensino do mundo, 24% são em Medicina. O segundo maior campo de pesquisas é o de Ciências Biológicas e Agrárias, com 19% da produção.

Especializada nessa área de conhecimento, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) é uma das que recebe suporte da Fapergs em suas pesquisas — no edital do programa Pesquisador Gaúcho mais recente, que concede verba para todos os campos de estudo, das 31 propostas submetidas pela instituição de ensino, 11 foram contempladas.

— É claro que, se o recurso fosse maior, teríamos demanda para competir, mas, com o governo federal no status que está, a Fapergs tem financiado grande parte das nossas pequisas — comenta a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFCSPA, Dinara Moura.

Entre os projetos não contemplados, estão uma pesquisa sobre o canabidiol, substância derivada da maconha, e um trabalho de avaliação da suplementação de zinco para pessoas obesas. Por outro lado, receberam verba, por exemplo, estudos sobre imunoterapia para o tratamento de doenças virais e oncológicas, o uso de nanotecnologia para prevenir e tratar o Herpes Simplex Vírus-2, o impacto da proteína de reparo do DNA no tratamento de glioblastoma, a relação entre o distúrbio comportamental do sono RBD e o desenvolvimento da doença de Parkinson e a influência dos mecanismos de reparo de DNA sobre a resposta à quimioterapia em linhagens de câncer colorretal.

Dinara ressalta outra qualidade da gestão da Fapergs: a organização. A pesquisadora relata que, algumas vezes, órgãos de fomento lançam editais que dificultam a submissão de trabalhos, como aqueles voltados para áreas muito específicas ou com prazo muito curto, o que não ocorre na Fapergs.

— Em termos de organização, para os pesquisadores, o prazo curto é um complicador. Já a Fapergs vem cumprindo seu calendário de editais com previsibilidade. Se tivéssemos um aporte maior de recursos seria excelente, até por essa organização que conseguimos enxergar — elogia a pró-reitora.

O mesmo foi dito pelo secretário Claudio Gastal, que destacou que a boa gestão faz com que a capacidade de execução da Fapergs chegue a quase 100% — ou seja: quase tudo o que recebe de orçamento, a fundação consegue reverter em investimentos em ciência, tecnologia e inovação.

16/08/2022 – Rádio Aratiba

Link: Psicólogas de Mariano Moro participam de Seminário Intersetorial em Porto Alegre - Rádio Aratiba Am 900 de Aratiba - RS - Brasil (radioaratiba.com.br)
Psicólogas de Mariano Moro participam de Seminário Intersetorial em Porto Alegre

Tendo em vista o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, Porto Alegre sediou o 6º Seminário Intersetorial de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio. O evento, realizado na última semana, contou com a presença de profissionais da área da psicologia de Mariano Moro e aconteceu no teatro Moacyr Scliar, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A programação começou com palestra da médica Marilise Fraga de Souza, da Secretaria Estadual da Saúde (SES), apresentando o Plano Estadual de Promoção da Vida e Prevenção ao Suicídio e compartilhando estratégicas para o enfrentamento do fenômeno. Na sequência, foram abordados assuntos como campanhas seguras de valorização da vida e ações da sociedade civil organizada, incluindo o Centro de Valorização da Vida, a Cruz Vermelha Brasileira e a Associação Médico Espírita do Rio Grande do Sul.

Dentre as principais pautas, foram apresentadas campanhas de prevenção alusivas ao Setembro Amarelo, o plano estadual como modelo proposto de referência na elaboração e implementação de um plano a nível municipal e estratégias de trabalho em rede intersetorial.

Participaram deste seminário as psicólogas Camila Benincá, Kelin Rosetti, Markelli Machry e a estagiária em Psicologia, Gabrieli Pinto.

16/08/2022 – Sul 21

Link: IBGE realiza nesta quarta (17) Dia de Mobilização do Censo Quilombola - Sul 21

IBGE realiza nesta quarta (17) Dia de Mobilização do Censo Quilombola

Haverá atividades em oito territórios quilombolas do país, incluindo o Quilombo dos Alpes, em Porto Alegre

O IBGE promove nesta quarta-feira (17) o Dia de Mobilização do Censo Quilombola. A ação pretende sensibilizar a população quilombola para responder ao censo que, pela primeira vez na história, terá a pergunta “você se considera quilombola?”, com a finalidade de produzir informações específicas sobre estas comunidades.

Haverá atividades em oito territórios quilombolas do país, incluindo o Quilombo dos Alpes, em Porto Alegre, onde a presidente da Associação Quilombo dos Alpes, Rosângela da Silva Ellias, vai receber o IBGE para marcar simbolicamente o início da coleta no território.

No dia 1º de agosto, o IBGE deu início à coleta domiciliar do Censo Demográfico 2022. No Rio Grande do Sul, a estimativa é de mais de 4 milhões de domicílios visitados por cerca de 11 mil recenseadores. Programado para ser realizado inicialmente em 2020, mas adiado devido à pandemia, e em 2021 por questões orçamentárias, o Censo 2022 marca 150 anos do primeiro recenseamento feito no país.

No Censo 2022, há dois tipos de questionário: o básico, com 26 quesitos, leva em torno de 5 minutos para ser respondido. Já o questionário ampliado, com 77 perguntas e respondido por cerca de 11% dos domicílios, leva cerca de 16 minutos. A seleção da amostra que irá responder o questionário ampliado é aleatória e feita automaticamente no Dispositivo Móvel de Coleta (DMC) do recenseador.

População quilombola no RS

A inserção de perguntas específicas sobre as populações quilombola e indígena no censo deste ano deve ajudar a produzir políticas públicas que atendam as necessidades desses cidadãos.

Em setembro de 2020, primeiro ano da pandemia de covid-19, uma pesquisa elaborada por estudantes da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e divulgada pela Frente Quilombola do Rio Grande do Sul (FQ/RS) indicou, por exemplo, as desigualdade de condições econômicas e sanitárias enfrentadas por famílias que vivem nos quilombos urbanos da Capital para manter o distanciamento social em comparação com outros moradores da cidade.

De acordo com a FQ/RS, 750 famílias viviam naquele momento nos oito quilombos urbanos de Porto Alegre: Silva (Três Figueiras), Alpes e Flores (Glória), Areal e Fidélix (Centro), Machado (Sarandi), Lemos (Morro Santana) e Família Ouro (Mapa/Lomba do Pinheiro). O estudo apontou que apenas 21,8% dos moradores dos territórios estavam conseguindo manter o isolamento durante a pandemia. Entre os motivos para saídas, 77% disseram que precisavam trabalhar fora. No mesmo levantamento, quase 80% disseram estar inscritos no Cadastro Único do governo federal.

16/08/2022 – Zero Hora

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Um sopro de esperança para o tratamento do câncer

Um dos mais abrangentes estudos já realizados para a criação de imunoterápicos contra o câncer no Brasil dá os primeiros passos no Rio Grande do Sul. Com financiamento de R$ 4,5 milhões do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), ligado ao Ministério da Saúde, pesquisadores da Santa Casa e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) irão desenvolver medicamentos que ainda não são produzidos no país. E o melhor: com foco voltado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Hoje, o Brasil importa 100% dos fármacos usados nos tratamentos de imunoterapia oncológica. Essa nova forma de combate à doença vem provocando uma revolução na área, basicamente por envolver a ativação do próprio sistema de defesa do paciente no combate às células tumorais. Se os cientistas gaúchos tiverem sucesso (e terão), será possível baratear custos e ampliar o acesso a esses remédios.

À frente do grupo, estão dois professores da UFCSPA: a imunologista Cristina Bonorino e o diretor médico de ensino e pesquisa da Santa Casa, Antônio Kalil.

- Estamos muito otimistas. Em um futuro não muito distante, esperamos poder comemorar resultados que trarão imensos benefícios à sociedade - diz Kalil.

Especialista no tema, Cristina explica que os imunoterápicos começaram a ser utilizados em larga escala em 2010 e renderam o prêmio Nobel de 2018 aos seus criadores. Apesar disso, ainda são drogas caríssimas.

- Hoje, uma dose custa R$20 mil, algo impensável para o SUS. Nossa pesquisa vai criar um biofármaco nacional e abrir novas perspectivas - destaca Cristina.

De onde vem o dinheiro

Com prazo de 36 meses, o estudo receberá recursos do que se pode chamar "Lei Rouanet" da oncologia. Sancionada em 2012, a legislação criou o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do imposto de renda a projetos na área. Ou seja: a pesquisa só está sendo possível, graças ao apoio de gente que compreendeu o seu papel.

Inteligência coletiva

Com apoio do projeto Porto Alegre: Cidade Educadora, que integra o Pacto alegre e busca tornar a Capital uma referência na área, cinco instituições de ensino da cidade preparam mais uma edição do evento Inteligência Coletiva, nos dias 24 e 27. Fruto de parceria entre os colégios Farroupilha (que sediará o encontro), Marista Rosário, Monteiro Lobato, Giordano Bruno e Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, a ação é voltada à formação de docentes em tempos de transformação.

A palestra de abertura será com Celso Vasconcellos, autor do livro Para Onde Vai o Professor. Mais detalhes em professoresinquietos.com.br.

12/08/2022 –  Grupo Hospitalar Conceição

Grupo Hospitalar Conceição (ghc.com.br)

GEP/GHC convida para a palestra “Humildade cultural para profissionais de saúde pública”

A Gerência de Ensino e Pesquisa do Grupo Hospitalar Conceição, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, promove a palestra “Cultural Humility for Public Helath Professionals” (Humildade cultural para profissionais de saúde pública), proferida por Elizabeth Rojo, M.A., da University of California (EUA). Será nesta quarta-feira, 17 de agosto, às 17h, no TeatroMoacyr Scliar, no prédio 2 da UFCSPA. A palestra será em inglês.

A humildade cultural é a pedra angular de todo o trabalho global de saúde e uma competência central crucial. Indivíduos que trabalham em diferentes culturas devem estar cientes das maneiras pelas quais suas próprias experiências vividas influenciam sua abordagem ao trabalho.

Todos nós chegamos com preconceitos explícitos e implícitos que podem resultar em impactos não intencionais de nossas palavras ou ações. Da mesma forma, nossa equipe e parceiros também vêm com suas experiências vividas.

A humildade cultural nos leva a ser eficazes em nossa comunicação e em nosso trabalho, manter parcerias bem-sucedidas e satisfatórias e alcançar resultados positivos mensuráveis. A humildade cultural foi cunhada pela primeira vez pelo Dr. Jann Murray-Garcia e pelo Dr. Melanie Tervalon.

Eles definem a humildade cultural como “um processo contínuo, ao longo da vida, onde o indivíduo examina suas próprias crenças, identidades culturais, preconceitos e valores, bem como as crenças e culturas dos outros”.

Três princípios fundamentais da humildade cultural incluem:

  • Responsabilidade institucional;
  • Reconhecer e desafiar os desequilíbrios de poder;
  • Aprendizagem ao longo da vida e auto-reflexão crítica.

Nesta palestra introdutória, serão revisados os Princípios de Humildade Cultural.

11/08/2022 –  Portal Profissão Biotec

Link: Como conquistei uma viagem aos EUA com meu projeto de mestrado - uma entrevista com primeira vencedora do Prêmio Jovem Pesquisador Promega - Profissão Biotec (profissaobiotec.com.br)

Como conquistei uma viagem aos EUA com meu projeto de mestrado – uma entrevista com primeira vencedora do Prêmio Jovem Pesquisador Promega

Quem já está há algum tempo na carreira científico-acadêmica sabe que a jornada profissional de um pesquisador raramente apresenta o formato de uma linha reta. Para ser mais realista, na maioria dos casos, nossas carreiras estão mais próximas mesmo de um emaranhado, repleto de idas e vindas, altos e baixos, períodos de frustração e momentos de sucesso.

O caso de Josiane Trevisol não é diferente: foi cerca de um ano e meio de muita dedicação e expectativa, desde que ela ficou sabendo do Prêmio Jovem Pesquisador Promega, até o momento de embarcar para os Estados Unidos.

Segundo a Promega, este prêmio foi criado para reconhecer e incentivar o trabalho dos pesquisadores brasileiros em início de carreira, através de uma imersão internacional de alto nível, com treinamentos práticos e networking. O objetivo é expandir os horizontes desses pesquisadores, possibilitando novos aprendizados, trocas, e um senso de otimismo – tanto a respeito suas trajetórias pessoais, quanto sobre o futuro de suas respectivas áreas.

A seguir, Josiane conta um pouco para a gente sobre como foi toda essa experiência, e oferece algumas orientações e recomendações para você que tem interesse em participar da segunda edição do Prêmio, que está com as inscrições abertas.

[Josiane Trevisol]: Olá! Tudo bem! Então, eu sou gaúcha, nascida em Porto Alegre. Em 2013 iniciei o curso de Biomedicina na Ulbra/Canoas, onde consegui conquistar uma bolsa Prouni. Em janeiro de 2018, me formei e em março deste mesmo ano já iniciei o Mestrado em Ciências da Saúde, com ênfase em Epidemiologia e Métodos Diagnósticos pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Foi no mestrado que iniciei o projeto vencedor do Prêmio Jovem Pesquisador. Estudei fatores de virulência de Streptococcus pneumoniae utilizando um modelo animal alternativo, larvas de Galleria mellonella, um invertebrado que é uma praga na apicultura. Atualmente, sou Doutoranda em Infectologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), fazendo parte da equipe do Laboratório ALERTA.

[PB]: Quando e como você ficou sabendo do Prêmio Jovem Pesquisador Promega?

[Josiane]: Eu estava no processo de me aprofundar no entendimento da técnica de PCR em tempo real, pois usaria no meu mestrado, e comecei a assistir videoaulas. Com isso, cheguei em um canal no Youtube chamado Universo da Biologia Molecular, administrado pelo professor Eduardo Castan. Em uma dessas videoaulas, ele divulgou sobre a edição aberta do Prêmio Jovem Pesquisador Promega. Como eu já utilizaria produtos da Promega e meu trabalho tinha cunho inovador, minhas colegas me incentivaram e eu me inscrevi (detalhe: submeti nos últimos minutos que faltavam para fechar a inscrição, porque eu achava que fecharia no outro dia, mas deu tudo certo!).

[PB]: Como foi o processo de escrever o resumo do projeto para a inscrição no prêmio?

[Josiane]: Sempre é muito difícil explicar em poucas palavras um trabalho científico. Então, comecei a pensar em como eu conseguiria chamar atenção e divulgar meu trabalho de uma forma que fosse atrativa. Por isso, primeiro eu trouxe a problemática que temos com a bactéria S. pneumoniae: porque devemos estudar ela; o que ela causa; porque temos falha na vacinação. Depois eu linkei tudo isso com a importância de termos um modelo animal alternativo, como as larvas, em estudos intermediários, e o quanto isso pode reduzir o número de animais mamíferos utilizados na pesquisa científica, de forma fácil e promissora. E, por fim, eu descrevi todos os materiais que eu utilizaria da Promega para chegar ao meu objetivo.

[PB]: Como você preparou o seu vídeo de divulgação?

[Josiane]: Primeiro, estruturei o que eu precisava falar, depois pensei em como eu iria falar tudo aquilo em 3 minutos e reduzi de uma forma que ficasse de fácil acesso não só para cientistas, mas também para o público em geral. Eu iniciei o vídeo já com uma frase de impacto, tentando de alguma forma atrair meu público até o final.  Também utilizei de uma didática que tivesse bastante imagens, montei as figuras e animações no próprio PowerPoint. Outra coisa muito importante que inseri no vídeo foi o charme do meu gato para chamar a atenção, porque afinal ninguém resiste a um gatinho fofo! (Eu juro que paguei ele com sachê e trouxe biscoitinhos dos EUA) (Risos) Mais um segredo sobre o meu vídeo: o fundo preto do vídeo é o fundo da minha cama! (Risos)

O vídeo de divulgação do projeto de Josiane (https://youtu.be/mv3oO8JiPC4)

[PB]: Como você se sentiu quando ficou sabendo do resultado?

[Josiane]: Surpresa! Apesar de eu ter me dedicado muito para divulgar e angariar votos, eu tinha plena consciência de que eu estava concorrendo com gente grande, gente com trabalho tão bom e importante quanto o meu, eu sabia que seria uma disputa acirrada.

[PB]: O que mais te marcou na viagem aos EUA?

[Josiane]: Difícil escolher essa viu?! A viagem foi tão intensa, que costumávamos dizer que cada dia que passava equivalia a 5 anos de vida, de tanto que vivemos e aprendemos.

Mas, acho que entre tudo o que mais marcou é ter descoberto que existem lugares para ser ocupados por nós também, nós pesquisadores brasileiros… Sabe aqueles laboratórios impressionantes de filmes? Pois é, eles existem na vida real e tem cientistas felizes trabalhando lá, dá para acreditar? (Risos)

A Promega proporcionou trazer isso para a nossa realidade, abrir nossa mente, tirou um pouco daquela nossa frustração de pesquisador brasileiro que nunca sabe para onde vai depois que terminar um mestrado, doutorado ou pós-doutorado… Existem alvos que podemos mirar, e que são alcançáveis.

Finalistas da 1ª Edição do Prêmio em visita à sede da Promega nos EUA, em Junho de 2022

[PB]: Gostaria de deixar algum recado para os colegas da biotecnologia que estão pensando em participar desse Prêmio?

[Josiane]: O primeiro e mais importante: Façam com amor e sejam vocês mesmos! Não tem como dar errado quando é com amor. Se dediquem para deixar o resumo de vocês o mais chamativo possível, não subestimem a pesquisa de vocês, mostrem o diferencial, tragam frases de impacto e sejam sempre transparentes. E independente de ganhar o prêmio ou não, invistam no inglês, a possibilidade de conversar e trocar ideias com pessoas de fora é um presente que vocês não devem menosprezar. E se você ainda não sabe inglês e por isso está com receio de submeter, submete com medo mesmo, mas não perde essa oportunidade! Eu também não falava praticamente nada de inglês até uns meses atrás, e foi ter ganhado o prêmio que me impulsionou a querer aprender mais e me ajudou a expandir esse idioma que muitas vezes parece nosso inimigo, mas não é.

Como participar do Prêmio Jovem Pesquisador Promega

Para se inscrever na 2ª Edição do Prêmio Jovem Pesquisador Promega, basta preencher o formulário e enviar o resumo, através deste link. Podem se inscrever alunos/pesquisadores nos níveis de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, e o vencedor ganhará uma viagem com tudo pago aos EUA para conhecer a sede da Promega em Madison, Wisconsin e participar de um congresso científico à sua escolha.  As inscrições vão até o dia 14 de Agosto de 2022. Boa sorte!

09/08/2022 –  Mídia Ninja

Link: Assim como outras 16 instituições, UFPA corre risco de fechar até o fim do ano (midianinja.org)

Assim como outras 16 instituições, UFPA corre risco de fechar até o fim do ano

A Universidade do Pará (UFPA), que sediou a 10ª edição do Fórum Social Pan-Amazônico se mantem na resistência, assim como outras 16 instituições que foram apontadas por recente levantamento do Globo. Por cortes do orçamento em 2022, correm o risco de interromper suas atividades até o fim do ano. Assim como na Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Juiz de Fora (UFJF), na universidade amazônica falta dinheiro para pagar contas básicas como água e luz.

“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA à reportagem. Outra universidade paraense, a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, afirmou que “já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.

As universidades recebem recursos discricionários e obrigatórios. Neste ano, mais de R$ 400 milhões foram cortados em recursos discricionários. Se antes poderiam ser usados em outras áreas, hoje só têm sido direcionados para que as instituições não fechem, pagando contas básicas como água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além das bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos. Já os obrigatórios, entre outras necessidades, pagam salários.

Sobre acolher um evento da envergadura do Fospa em meio a tantas dificuldades de manter as atividades, o reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho disse à Mídia Ninja que “as universidades públicas brasileiras têm estado empenhadas em interagir com os setores da sociedade que trabalham pelas transformações que são necessárias para fazer do Brasil um lugar com justiça e cidadania para todas as pessoas”.

E avalia que a disposição em resistir incomoda também.

“Por isso temos sido muito perseguidos, inclusive com os cortes orçamentários que tentam inviabilizar o nosso trabalho cotidiano, mas as universidades perseveram resistem e acolhem as populações, os movimentos sociais”.

E afirmou ainda que as universidades inseridas no bioma, são importantes para garantir que a floresta fique de pé, assim como os povos e suas culturas.

“O que nós vemos hoje é um projeto de nação sem ciência, sem conhecimento sem educação, sem cidadania para todas as pessoas e as universidades trabalham num projeto completamente diferente disso, as universidades são parte de um projeto civilizatório com inclusão, respeito aos direitos de todas as pessoas, com apropriação do conhecimento na educação e na ciência para criar condições de vida para toda a população”, desabafou.

“Somos instituições que hoje resistem à cultura da barbárie”, arrematou.

Situação crítica em várias regiões do país

Para realizar o levantamento sobre os impactos dos cortes orçamentários no ensino superior do Brasil, o Globo procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês e destas, 54 responderam aos questionamentos.

A reportagem destaca que as universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. E que o orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões.

Os efeitos não vinham sendo sentidos de maneira mais intensa, pois afinal, todas as universidades estavam atuando no sistema remoto e por consequência, as despesas tinham diminuído.

Mas com a retomada das aulas presenciais, o investimento – ou a falta dele – continuou o mesmo. “A volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões. Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários”, alerta a reportagem.

Algumas universidades acumulam dívidas. Em entrevista ao Globo, o pró-reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás, disse que a situação ainda pode piorar. “Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver”.

Questionado, o Ministério da Educação não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.

Confira mais detalhes sobre a situação dessas universidades na reportagem de O Globo.

Esta é a lista completa de instituições que passam por dificuldades:

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro

UFPA – Universidade Federal do Pará

UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora

UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina

Unifessp – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

Unifal – Universidade Federal de Alfenas

UFLA – Universidade Federal de Lavras

UFGD – Universidade Federal da Grande Dourados

UFS – Universidade Federal de Sergipe

UNB – Universidade de Brasília

UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

UFAL – A Universidade Federal de Alagoas

Unila – Universidade Federal para a Integração Latino-Americana

UFCSPA – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

FURG – Universidade Federal do Rio Grande

UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte

UFJ – Universidade Federal de Jataí

09/08/2022 –  AFP Checamos

Link: Checamos as principais alegações de Bolsonaro sobre a covid-19 em entrevista ao podcast Flow | Checamos (afp.com)

Checamos as principais alegações de Bolsonaro sobre a covid-19 em entrevista ao podcast Flow

Em entrevista concedida ao podcast Flow em 8 de agosto de 2022, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a repetir desinformações sobre a pandemia de covid-19 e os imunizantes criados para combater a doença. Dentre outras alegações, o mandatário disse que as vacinas são experimentais e que “você não vê criança internada por covid”. Confira a seguir a verificação das principais falas do governante sobre o tema.

“Tiraram de mim o poder de conduzir essas medidas da pandemia”: Enganoso

Na fala, o presidente se referia a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) tomadas em 2020. Na ocasião, a corte entendeu que tanto o governo federal quanto estados, municípios e o Distrito Federal tinham responsabilidade de adotarem medidas relacionadas à pandemia de covid-19.

Em uma decisão de março de 2020, por exemplo, o então ministro Marco Aurélio Mello deixou explícita a competência concorrente de estados e municípios com relação às medidas de enfrentamento, como de isolamento e quarentena. A decisão foi posteriormente acatada em plenário pela corte.

O STF já rebateu em mais de uma ocasião a afirmação de que isso teria impedido a atuação do governo federal na pandemia (1, 2). “Conforme as decisões, é responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia”, resumiu a corte.

"Essa agora é uma vacina experimental”: Enganoso

Em verificações anteriores (1, 2), especialistas já explicaram à AFP que não é correto dizer que as vacinas contra covid-19 são experimentais, já que passaram por todas as fases de desenvolvimento para imunizantes, além de diversas etapas de controle.

Dada a emergência sanitária, essas fases foram desenvolvidas simultaneamente e as tecnologias utilizadas foram baseadas em estudos anteriores para o desenvolvimento de vacinas contra a SARS e a MERS, por exemplo.

Por ser um processo rigoroso, e por já haver dados confiáveis coletados sobre os imunizantes em uso no Brasil, “colocar que as vacinas [atualmente aplicadas] são experimentais é uma grande falácia” disse o imunologista e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Eduardo Silveira, à AFP em julho de 2021.

“O Agnaldo Timóteo não tava vacinado? Morreu do quê? Tarcísio Meira tava vacinado? Morreu do que?”: Enganoso

Embora seja verdade que indivíduos vacinados possam vir a óbito por conta da covid-19, especialistas e estudos já mostraram que os vacinados têm muito menos probabilidade de morrerem. A possibilidade de desenvolver um quadro grave também pode ser influenciada por fatores como idade e imunossupressão. Saiba mais nesta verificação da AFP.

"Agora respeitem quem não quer tomar a vacina. Se você tá vacinado, você não vai ser contaminado”: Falso

Além de nenhuma vacina ser 100% eficaz para evitar a contaminação, a vacinação é uma estratégia de proteção coletiva, e não somente individual. Isso significa que a recusa à vacinação por parte de grupos de indivíduos pode levar a surtos da doença e é uma ameaça ao controle epidemiológico.

“Pode ser que uma vacina não funcione tão bem em ti. Mas o fato é que, se todo mundo ao seu redor estiver vacinado, (...) a chance do patógeno circular ao seu redor é menor”, explicou Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), à AFP em setembro de 2020.

"Eu sempre falei que não podíamos fechar escolas. [...] Porque a criança, ela é assintomática, você não vê criança internada por covid": Falso

Embora os riscos da covid-19 sejam menores em crianças do que adultos, especialistas e organizações de saúde reforçam que a doença representa, sim, um perigo a esse grupo. Dados analisados pela Fiocruz revelaram que 1.439 crianças de até 5 anos morreram pela covid-19 em 2020 e 2021 no Brasil.

Um painel interativo da Unicef com dados de 102 países, consultado pela AFP em 9 de agosto de 2022, estima que 4.876 crianças de 0 a 4 anos de idade morreram devido à doença.

"Tem um estudo israelense que a Pfizer tem proteção de 4 semanas": Enganoso

Uma busca por palavras-chave em português e em inglês não localizou um estudo feito em Israel com a conclusão citada.

No entanto, a pesquisa trouxe como resultados notícias a respeito de um estudo israelense que concluiu que a proteção da vacina Pfizer contra infecção da variante ômicron cai após 4 semanas. A pesquisa, porém, destaca que a proteção contra casos graves não diminuiu após esse período.

“Falar sobre 'proteção' sem especificar sobre qual parâmetro pode trazer confusões. (...) A proteção contra a doença permanece por muitos meses após o recebimento da dose, por exemplo, enquanto que a proteção contra a infecção reduz de forma mais significativa”, disse à AFP a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, em 9 de agosto de 2022.

“Quem se contaminou está melhor imunizado do que quem tomou a vacina. Por que o que é a vacina? É um vírus inativo”: Enganoso

“Infelizmente, isso não é uma realidade para todos os casos. Recuperados não-vacinados podem não ter uma proteção abrangente para as sub-linhagens da omicron, diferente do que se observa em recuperados que foram vacinados, que têm uma proteção mais abrangente para as variantes”, explicou Fontes-Dutra, citando esta pesquisa.

A OMS destaca também que as vacinas protegem contra a doença sem oferecer os riscos de uma infecção.

Esta verificação foi realizada com base em informações científicas e oficiais sobre o novo coronavírus disponíveis na data desta publicação.

05/08/2022 –  Jornal da USP

Link: Perda do olfato pós-covid? USP busca voluntários com sintoma há no máximo 6 meses – Jornal da USP

Perda do olfato pós-covid? USP busca voluntários com sintoma há no máximo 6 meses

Participantes devem ter entre 18 e 60 anos e disponibilidade para realização de testes e retornos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP buscam voluntários para estudo que vai avaliar o efeito de um medicamento anti-inflamatório corticoide em solução de lavagem nasal em casos de perda de olfato após a covid-19.

Para participar é preciso ter entre 18 e 60 anos, ter resultado de exame positivo para covid-19 nos últimos seis meses, ter perda de olfato após a infecção e ter disponibilidade de ir ao Hospital das Clínicas da FMRP para realização de testes e retornos uma vez ao mês durante dois meses.

A pesquisa Nasal irrigation with budesonide for the treatment of sudden anosmia by COVID-19: randomized, double-blind, controlled clinical trial é um projeto multicêntrico coordenado pela professora Wilma Terezinha Anselmo Lima, da FMRP.

Além de pesquisadores da FMRP, o estudo conta com participantes do Hospital Moriah, Faculdade de Medicina (FM) da USP, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Unicamp, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Hospital IPO, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Universidade Federal de Brasília, Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Fundação Instituto de Moléstias do Aparelho Digestivo e da Nutrição, Hospital das Clínicas da UFMG, Hospital Universitário Walter Cantídio (UFCE), Universidade Estadual de Londrina, Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Universidade de Fortaleza e Santa Casa de Misericórdia de Maceió.

Mais informações e pré-inscrição: (16) 98180-9990.

02/08/2022 – Portal do Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Link: Prevenção ao suicídio é tema de seminário intersetorial - Portal do Estado do Rio Grande do Sul

Prevenção ao suicídio é tema de seminário intersetorial

Estão abertas as inscrições para o 6º Seminário Intersetorial de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, na modalidade online. O evento será realizado em 9 de agosto no teatro Moacyr Scliar, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), das 8h30 às 17h. Na modalidade presencial as vagas já estão esgotadas.

A programação começa com a médica Marilise Fraga de Souza, da Secretaria da Saúde (SES), apresentando o Plano Estadual de Promoção da Vida e Prevenção ao Suicídio: compartilhando estratégicas para o enfrentamento do fenômeno.

Na continuação, serão abordados assuntos como campanhas seguras de valorização da vida e ações da sociedade civil organizada, incluindo o Centro de Valorização da Vida, a Cruz Vermelha Brasileira e a Associação Médico Espírita do Rio Grande do Sul.

Inscrições neste link.

Haverá transmissão simultânea no canal do CVV.

Durante o evento será disponibilizado um chat do YouTube para registro de participação e da mesma forma será enviado o certificado.

02/08/2022 – Mossoró Hoje

Link: 17 instituições federais podem paralisar atividades devido a novos cortes nos orçamentos | NACIONAL | Mossoró Hoje - O portal de notícias de Mossoró (mossorohoje.com.br)

17 instituições federais podem paralisar atividades devido a novos cortes nos orçamentos

O levantamento foi realizado pelo GLOBO. As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários. Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.

Um levantamento do GLOBO aponta que 17 instituições federais de ensino superior têm risco de interromper suas atividades até o fim do ano por falta de dinheiro para pagar contas básicas, como água e luz. Entre elas, estão as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), da Bahia (UFBA), do Pará (UFPA) e de Juiz de Fora (UFJF).

As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários.

Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.

A UFRJ só consegue pagar as contas até setembro. “A expectativa é de que as empresas ainda prestem serviço no mês de outubro. Mas se nada acontecer em termos de recomposição orçamentária, em novembro e dezembro podemos ter que suspender contratos e interromper as atividades em toda universidade”, informou a instituição.

A Universidade Federal de Santa Catarina projetou as despesas da universidade até o final do ano. Após os bloqueios, “estaria com o seu funcionamento comprometido até meados do mês de novembro”, informou a instituição.

PREJUÍZOS

“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA. “Já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.

A Universidade Federal de Alfenas vai precisar diminuir o número de bolsas acadêmicas, a compra de insumos para aulas práticas, obras em andamento e a quantidade de atendidos pela assistência estudantil.

Estudantes mais pobres poderão perder auxílios fundamentais para continuarem seus estudos. Mesmo assim, a instituição pode não conseguir chegar ao fim do ano com todos os seus serviços abertos.

A Universidade Federal de Lavras precisou demitir quase 150 funcionários terceirizados. Eles correspondiam a 25% dos que atuavam na limpeza, manutenção e segurança.

Sem dinheiro para combustível, a Universidade Federal da Grande Dourados informa que corre risco de não conseguir ofertar aulas a comunidades indígenas e camponeses que estudam na modalidade de alternância e precisam se deslocar de suas localidades.

A Universidade Federal de Sergipe proibiu o uso de ar-condicionado em todo o câmpus. A Universidade de Brasília cortou até em livros. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estuda diminuir o uso de recursos do portal de internet.

A situação dos prédios universitários também é prejudicada com os cortes, que atingem os orçamentos de manutenção. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ainda sofre com estragos de uma tempestade que atingiu Maceió em maio. Mas não há dinheiro para o conserto de telhados, infiltrações, paredes mofadas e salas interditadas.

A Universidade Federal para a Integração Latino-Americana (Unila), que está em fase de implantação, não vai conseguir avançar com as construções e licitações planejadas e continuará pagando aluguel.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre ganhou um prédio novo da União. Mas o imóvel só poderá ser usado após reformas, que não poderão ser feitas por conta da falta de dinheiro disponível.

Outra consequência dos cortes serão dívidas milionárias para 2023. A Universidade Federal do Rio Grande fechará o ano com um débito de R$ 9,6 milhões. A dívida da Ufal deve chegar a R$ 20 milhões.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) afirmou que, pela essencialidade do serviço, “essas instituições não podem considerar a interrupção de atividades como possibilidade”.

No entanto, afirmou que “após repetidos cortes orçamentários as universidades não têm como honrar com os compromissos assumidos para seu funcionamento”. Para piorar, o cenário que está sendo debatido no Congresso não é nada animador.

"Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver", afirmou Dyomar Toledo Lopes, Pró-Reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás.

O levantamento de O GLOBO procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês. Destas, 54 responderam aos questionamentos.

ROTINA DE APERTOS

As universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. O orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões.

Neste momento, todas as universidades estavam apenas no sistema remoto. Por isso, as despesas também diminuíram. Em 2022, porém, a volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões.

Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários.

Em nota, o MEC não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.

02/08/2022 – Portal Litorâneo

Link: Médica rio-grandina recebe reconhecimento internacional (olitoraneo.com.br)

Médica rio-grandina recebe reconhecimento internacional

A pneumologista Mara Rúbia André Alves de Lima entrou para a seleta lista do WIA Report, relatório que destaca mulheres de sucesso no mundo acadêmico

A médica rio-grandina Mara Rúbia André Alves de Lima entrou para a seleta lista do WIA Report, relatório que destaca mulheres de sucesso no mundo acadêmico. Formada na turma de 1981 pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), e estudante desde o jardim de infância da escola Juvenal Muller, Mara Rúbia especializou-se em pneumologia, com área de interesse em doenças que se manifestam com tosse crônica, e em Educação Médica.

Professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica segue colhendo frutos da temporada de imersão na Rutgers University, nos Estados Unidos. Entre agosto de 2021 e fevereiro de 2022, a pesquisadora rio-grandina atuou como professora visitante do Programa Fulbright, na disciplina de Saúde Global. A médica também realizou intercâmbio na Universidade de Toronto, no Canadá. Em 2020 e 2021, foi mentora de dois grupos de estudantes que tiveram a oportunidade de participar de projeto da Yale University, nos Estados Unidos.

Em 2021, recebeu o primeiro lugar no Prêmio de Melhores Práticas em Medicina da AMRIGS, na categoria universidade pública, com projeto desenvolvido com estudantes da UFCSPA, incluindo um Programa de Iniciação à Docência.O reconhecimento internacional foi motivo de alegria e orgulho para a médica: "Para uma apaixonada por educação em saúde como eu, isto faz meu coração bater mais feliz ou faz meus pulmões respirarem mais profundamente, já que sou pneumologista", brinca Mara Rúbia.

Além de professora da UFCSPA, a pesquisadora é coordenadora da Liga de Pneumologia, professora do Projeto de Extensão de Combate ao Tabagismo, professora voluntária do Projeto Rondon, além de membro do Comitê de Internacionalização e do Núcleo de Inclusão e Diversidade da Universidade.

01/08/2022 – Portal CREMERS

Link: Médica gaúcha recebe reconhecimento internacional - Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (cremers.org.br)

Médica gaúcha recebe reconhecimento internacional

A médica gaúcha Mara Rúbia André Alves de Lima entrou para a seleta lista do WIA Report, relatório que destaca mulheres de sucesso no mundo acadêmico.

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Mara Rúbia especializou-se em pneumologia, com área de interesse em doenças que se manifestam com tosse crônica, e em Educação Médica.

Professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica segue colhendo frutos da temporada de imersão na Rutgers University, nos Estados Unidos. Entre agosto de 2021 e fevereiro de 2022, a pesquisadora gaúcha atuou como professora visitante do Programa Fulbright, na disciplina de Saúde Global.

A médica também realizou intercâmbio na Universidade de Toronto, no Canadá. Em 2020 e 2021, foi mentora de dois grupos de estudantes que tiveram a oportunidade de participar de projeto da Yale University, nos Estados Unidos.

Em 2021, recebeu o primeiro lugar no Prêmio de Melhores Práticas em Medicina da AMRIGS, na categoria universidade pública, com projeto desenvolvido com estudantes da UFCSPA, incluindo um Programa de Iniciação à Docência.

O reconhecimento internacional foi motivo de alegria e orgulho para a médica: “Para uma apaixonada por educação em saúde como eu, isto faz meu coração bater mais feliz ou faz meus pulmões respirarem mais profundamente, já que sou pneumologista”, brinca Mara Rubia.

Além de professora da UFCSPA, a pesquisadora é coordenadora da Liga de Pneumologia, professora do Projeto de Extensão de Combate ao Tabagismo, professora voluntária do Projeto Rondon, além de membro do Comitê de Internacionalização e do Núcleo de Inclusão e Diversidade da Universidade.

O Cremers sente-se honrado em ter no seu quadro profissionais que se destacam mundialmente em prol da pesquisa e das boas práticas médicas.

01/08/2022 – O Globo

Link: Cortes deixam 17 universidades federais sob risco de parar em 2022 | Educação | O Globo

Cortes deixam 17 universidades federais sob risco de parar em 2022

UFRJ, por exemplo, afirma que tem verba para pagar servidores só até novembro

Um levantamento do GLOBO aponta que 17 instituições federais de ensino superior têm risco de interromper suas atividades até o fim do ano por falta de dinheiro para pagar contas básicas, como água e luz. Entre elas, estão as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), do Pará (UFPA) e de Juiz de Fora (UFJF).

As universidades federais tiveram, em 2022, mais de R$ 400 milhões cortados em recursos discricionários. Diferente dos gastos obrigatórios (que pagam os salários, por exemplo), estes podem ser remanejados para outras áreas. No entanto, pagam aspectos fundamentais para o funcionamento das instituições, como as contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial, além de bolsas, auxílio estudantil, equipamentos e insumos.

Prejuízos

“Não há mais o que cortar, o que reduzir de despesas”, informou a UFPA. “Já foram realizados todos os ajustes internos possíveis”, afirmou a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará , que trabalha em 2022 com o segundo menor orçamento de sua história.

A Universidade Federal de Alfenas vai precisar diminuir o número de bolsas acadêmicas, a compra de insumos para aulas práticas, obras em andamento e a quantidade de atendidos pela assistência estudantil. Estudantes mais pobres poderão perder auxílios fundamentais para continuarem seus estudos. Mesmo assim, a instituição pode não conseguir chegar ao fim do ano com todos os seus serviços abertos.

A Universidade Federal de Lavras precisou demitir quase 150 funcionários terceirizados. Eles correspondiam a 25% dos que atuavam na limpeza, manutenção e segurança.

Sem dinheiro para combustível, a Universidade Federal da Grande Dourados informa que corre risco de não conseguir ofertar aulas a comunidades indígenas e camponeses que estudam na modalidade de alternância e precisam se deslocar de suas localidades. A Universidade Federal de Sergipe proibiu o uso de ar-condicionado em todo o câmpus. A Universidade de Brasília cortou até em livros. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estuda diminuir o uso de recursos do portal de internet.

A situação dos prédios universitários também é prejudicada com os cortes, que atingem os orçamentos de manutenção. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ainda sofre com estragos de uma tempestade que atingiu Maceió em maio. Mas não há dinheiro para o conserto de telhados, infiltrações, paredes mofadas e salas interditadas.

A Universidade Federal para a Integração Latino-Americana (Unila), que está em fase de implantação, não vai conseguir conseguir avançar com as construções e licitações planejadas e continuará pagando aluguel.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre ganhou um prédio novo da União. Mas o imóvel só poderá ser usado após reformas, que não poderão ser feitas por conta da falta de dinheiro disponível.

Outra consequência dos cortes serão dívidas milionárias para 2023. A Universidade Federal do Rio Grande fechará o ano com um débito de R$ 9,6 milhões. A dívida da Ufal deve chegar a R$ 20 milhões. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) afirmou que, pela essencialidade do serviço, “essas instituições não podem considerar a interrupção de atividades como possibilidade”. No entanto, afirmou que “após repetidos cortes orçamentários as universidades não têm como honrar com os compromissos assumidos para seu funcionamento”. Para piorar, o cenário que está sendo debatido no Congresso não é nada animador.

"Fomos informados, por meio do Fórum de Pró-Reitores de Administração e Finanças e Planejamento, que haverá novo corte de 12% para o projeto de lei orçamentário de 2023. Dessa forma, não há universidade pública federal que consiga sobreviver", afirmou Dyomar Toledo Lopes, Pró-Reitor Pró Tempore de Administração e Finanças da Universidade Federal de Jataí, em Goiás.

O levantamento de O GLOBO procurou todas as 63 universidades federais do país, durante um mês. Destas, 54 responderam aos questionamentos.

Rotina de apertos

As universidades federais têm sido alvo constante dos contingenciamentos e cortes do governo Bolsonaro. O orçamento discricionário, que já foi R$ 12 bilhões em 2011, caiu até 2021, quando chegou a R$ 4,4 bilhões. Neste momento, todas as universidades estavam apenas no sistema remoto. Por isso, as despesas também diminuíram. Em 2022, porém, a volta presencial não garantiu uma recomposição adequada, apesar do crescimento para R$ 5,1 bilhões. Ao contrário do que prevê a projeto de lei orçamentária para o ano que vem, os reitores afirmam que o orçamento precisa subir, pelo menos a níveis de 2019, quando as instituições tiveram R$ 5,7 bilhões para gastos discricionários.

Em nota, o MEC não respondeu sobre os cortes já realizados, mas afirmou que os novos bloqueios previstos pelo Ministério da Economia não vão acarretar em impactos financeiros nas instituições federais de ensino.

01/08/2022 – Aos Fatos

Link: O que é varíola dos macacos: sintomas, vacina e transmissão | Aos Fatos

O que é varíola dos macacos e o que se sabe sobre a doença

O aumento do número de casos da popularmente chamada varíola dos macacos, que registrou a primeira morte no Brasil na sexta-feira (29), vem alimentando a estigmatização e o preconceito contra pacientes infectados pela doença. Atores de desinformação têm compartilhado teorias da conspiração para alegar que o atual surto é restrito à população LGBTQIA+ e que os imunizantes contra a Covid-19 seriam os principais responsáveis pela doença.

O Aos Fatos consultou especialistas para esclarecer dúvidas sobre a doença. Confira a seguir:

A varíola dos macacos foi recentemente declarada uma emergência de saúde global pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

1. O QUE É A VARÍOLA DOS MACACOS?

A varíola dos macacos é uma nomenclatura popular utilizada para se referir a uma doença infecciosa causada pelo vírus MPV (monkeypox virus), do gênero orthopoxvirus. No entanto, a doença não tem origem em macacos, como explicado pelo virologista Flávio Guimarães, presidente da SBV (Sociedade Brasileira de Virologia), ao Aos Fatos.

A doença é chamada assim, porque foi descrita originalmente na década de 1950 por afetar macacos, que são hospedeiros acidentais, como o ser humano. “É um vírus transmitido por roedor, que pode infectar macacos e seres humanos. Ele não é um vírus de macaco”, afirma Guimarães. Em julho, o Ministério da Saúde orientou o uso do nome em inglês da doença (Monkeypox), para evitar a estigmatização e possível discriminação contra macacos.

2. QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA DOENÇA?

A varíola dos macacos tem um período determinado de infecção com sintomas que duram de duas a quatro semanas. Casos mais graves ocorrem predominantemente entre crianças e também estão relacionados ao tempo de exposição ao vírus, estado de saúde do paciente e problemas imunológicos, segundo a OMS.

Há um período de incubação (intervalo entre o contato com o vírus até o início dos sintomas) que pode variar de 5 a 21 dias. Então, o paciente começa a sentir febre, dor de cabeça intensa, dor nas costas, dores musculares, inchaço dos gânglios linfáticos, além de fraqueza.

Manchas vermelhas lisas, que evoluem para feridas com bolhas repletas de líquidos e crostas, costumam aparecer entre um e três dias após o paciente apresentar febre, e se concentram na face e nas extremidades do corpo (palmas das mãos e plantas dos pés). Mucosas (oral, genital ou anal) e a região dos olhos também podem ser afetadas.

No surto atual, as feridas, estão mais restritas na região genital e perianal dos infectados. Além disso, as lesões podem doer, arder, coçar, e as regiões afetadas podem apresentar inchaço.

Ajuda médica. Em caso de suspeita, a infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Raquel Stucchi orienta que a pessoa procure ajuda médica. A especialista alerta que a varíola dos macacos pode ser concomitante, ou seja, infectar o corpo humano ao mesmo tempo que outras doenças com sintomas semelhantes. Portanto, ter um diagnóstico correto é fundamental.

3. COMO OCORRE A TRANSMISSÃO DO VÍRUS?

A varíola dos macacos é transmitida aos seres humanos por meio do contato próximo e prolongado com uma pessoa ou um animal infectado, ou por material contaminado com o vírus. A transmissão entre seres humanos ocorre por meio de secreções respiratórias, feridas na pele de uma pessoa infectada e objetos contaminados, como lençóis, roupas e toalhas utilizadas pelos infectados.

Distanciamento. A Covid-19 é transmitida por meio de aerossóis que podem viajar até 70 metros de distância. Já a varíola dos macacos é transmitida por partículas maiores (perdigotos), caso as lesões estejam na boca. “A distância é de 2 ou 3 metros, ou seja, é preciso um contato mais próximo com o infectado”, explica Guimarães.

Contato com feridas. A doença é transmitida até que a pele do paciente esteja completamente cicatrizada. Isso porque as crostas contêm material viral infeccioso, e contato com elas, ainda que estejam secas, transmite a doença.

 4. A VARÍOLA DOS MACACOS AFETA SOMENTE A POPULAÇÃO LGBTQIA+?

Não. Especialistas consultados pelo Aos Fatos enfatizaram que o vírus pode infectar qualquer pessoa, e que não se trata de uma doença exclusiva de uma determinada parcela da população.

Um estudo publicado em julho no NEJM (New England Journal of Medicine) e relatórios sanitários de alguns países, a exemplo da Inglaterra, apontam que o risco maior de transmissão estaria entre a população HSH (homens que fazem sexo com outros homens) — que representa 98% dos casos ao redor do mundo, segundo a OMS.

Mel Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), afirma que o principal apontamento é de que, na relação íntima, as bolhas que contêm as partículas do vírus seriam rompidas e contaminariam o parceiro.

IST. Até o momento,a doença não é classificada como IST (Infecção Sexualmente Transmissível). “Caracteriza-se como IST quando um microrganismo é encontrado em secreções sexuais [esperma ou secreção vaginal] e tem a capacidade de transmitir a doença”, afirmou Stucchi.

O estudo publicado no NEJM encontrou DNA viral do MPV em 29 das 32 amostras de sêmen de pacientes infectados. Não foi avaliado, no entanto, se o material genético encontrado tinha capacidade de se replicar de modo a causar a doença, segundo a especialista.

Assim como Stucchi, o infectologista José Davi Urbaez ressaltou que comportamentos da população HSH aumentam o risco da doença ser transmitida nesse grupo. Muitos fazem a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) de risco à infecção pelo HIV, vírus causador da Aids, e relaxam em medidas preventivas, por exemplo.

5. AS VACINAS CONTRA A COVID-19 CAUSARAM O ATUAL SURTO DA DOENÇA?

Não. Todos os especialistas consultados pelo Aos Fatos descartaram qualquer relação entre as vacinas contra a Covid-19 e o surto da varíola dos macacos. O infectologista José Davi Urbaez, por exemplo, afirmou que não há qualquer embasamento teórico ou observacional para estabelecer essa correlação.

Em maio, o Aos Fatos verificou ser falsa a alegação de que o adenovírus de chimpanzé usado na vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca seja o mesmo que transmite a varíola dos macacos. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que produz a vacina no Brasil, informou que o adenovírus é de uma família diferente do causador da doença, e inócuo ao ser humano, como explicou Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e pesquisadora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

“Há indicativos de que esse vírus [da varíola dos macacos] poderia estar circulando há algum tempo, de forma “silenciosa” na população (além de que sabemos que ele circula de forma endêmica em alguns países da África)”, concluiu Fontes-Dutra.

Também em checagem anterior, o Aos Fatos mostrou que as vacinas de vetor viral usam uma versão modificada de um vírus diferente (o vetor) para fornecer instruções importantes às células humanas, e produzir resposta imune. As vacinas com essa tecnologia não são capazes de nos infectar com o vírus da Covid-19, tampouco com aquele usado como vetor.

6. COMO TRATAR E PREVENIR A DOENÇA?

A varíola dos macacos tem um período limitado de infecção com sintomas que duram de duas a quatro semanas, e costumam desaparecer espontaneamente, sem necessidade de tratamento específico.

O tratamento costuma ser paliativo, ou seja, são remédios para tratar as dores e a febre. É preciso também manter as feridas limpas e cobertas para diminuir o risco de transmissão, além de garantir que o pacienten seja bem alimentado e se mantenha hidratado.

Casos mais graves e que necessitam de internação ocorrem com mais frequência entre crianças ou pessoas imunodeprimidas, segundo a OMS. Prevenção. Deve-se evitar compartilhar objetos usados pela pessoa infectada, como lençol, toalha, roupa de uso pessoal, talheres e copos, antes que sejam lavados de maneira adequada.

“Os mesmos hábitos adotados contra a Covid-19, como a higienização das mãos e uso de máscaras faciais, são pertinentes contra a varíola dos macacos, assim como evitar relações sexuais com múltiplos parceiros”, explica Urbaez.

Medicamentos. A EMA (Agência Europeia de Medicamentos) aprovou em janeiro de 2022 o uso do tecovirimat — medicamento antiviral utilizado contra a varíola humana (smallpox) para combater o atual surto. O uso da droga ainda não conta com a aprovação do FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora americana) contra a doença. Já no caso da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o medicamento sequer tem aprovação contra a varíola humana.

Vacinas. Os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia passaram a imunizar grupos da população com vacinas que foram inicialmente desenvolvidas contra a varíola humana. Entre eles estão o imunizante MVA-BN (comercializado também com os nomes de Imvanex, Imvamune e Jynneos) e o ACAM2000. Ambos não contém o vírus da varíola e não causam a doença. Eles são fabricados a partir do vírus vaccinia (VACV), da mesma família da varíola. A diferença é que a MVA-BN usa uma versão atenuada e outra usa o vírus “vivo”, que é contraindicada, por exemplo, a pacientes imunossuprimidos.

O uso de imunizantes contra varíola humana teria uma taxa de eficácia de aproximadamente 85% para a doença causada pelo vírus MPV, segundo a OMS. O percentual, no entanto, foi extraído a partir de estudos observacionais. A organização até o momento não recomenda a vacinação em massa contra a doença.

Ainda não há disponibilidade de vacina contra a varíola dos macacos no Brasil. O Ministério da Saúde informou que tem “articulado com a OPAS/OMS as tratativas para aquisição da vacina varíola dos macacos, de forma que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) possa definir a estratégia de imunização para o Brasil”.

26/07/2022 – Agora RS

Link: Simulação de desastre causará bloqueios no trânsito em Porto Alegre; Confira | Agora RS (agoranors.com)

Simulação de desastre causará bloqueios no trânsito em Porto Alegre

Um evento para simular situações de desastre em Porto Alegre causará bloqueios no trânsito nesta terça-feira (26)

A ação, que será realizada na região do Parque Marinha do Brasil, terá início por volta das 13h30, no sentido centro-bairro na avenida Ipiranga, entre a Edvaldo Pereira Paiva e Borges de Medeiros.

O evento, coordenado pela Defesa Civil Municipal, contará com a presença de órgãos como Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Samu, Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), Cruz Vermelha e Copae (Comissão Permanente de Emergências de Porto Alegre). As simulações serão encenadas por voluntários da ONG Liga do Trauma, vinculada à UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

Segundo a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), a necessidade de bloqueio total da via será avaliada ao  longo do evento. A previsão é que o trânsito seja normalizado a partir das 16h.

26/07/2022 – GZH

Link: Exercício simulado na Avenida Ipiranga treina atuação de entidades em caso de desastre em Porto Alegre | GZH (clicrbs.com.br)

Exercício simulado na Avenida Ipiranga treina atuação de entidades em caso de desastre em Porto Alegre

Atividade ocorreu no bairro Praia de Belas, na tarde desta terça-feira

Acidente de trânsito, vazamento de óleo, incêndio em veículo, pessoas machucadas. Quem passou pelo trecho da Avenida Ipiranga na quadra entre as avenidas Borges de Medeiros e Praia de Belas, na tarde desta terça-feira (26), viu de perto um quadro de desastre. Mas tudo não passou de uma simulação, parte de uma atividade integrada coordenada pela Defesa Civil de Porto Alegre.

O cenário de caos foi todo planejado pelo órgão e teve a participação de outros serviços, como Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Cruz Vermelha e Comissão Permanente de Emergências de Porto Alegre (Copae).

A intenção foi aplicar fundamentos teóricos de resgate e testar o entrosamento das entidades na organização do socorro. Além disso, serviu também para colocar em prática o novo Plano de Contingências de Proteção e Defesa Civil de Porto Alegre, aprovado no dia 22 de junho.

O coordenador da Defesa Civil da Capital, coronel Evaldo Rodrigues, foi quem liderou os trabalhos durante a tarde. Para ele, o mais importante foi colocar em prática a integração.

— O exercício serve, principalmente, para observarmos como as equipes se comportam quando precisam trabalhar em conjunto, cada um dentro do seu propósito — explica o coronel.

A atuação contou com o apoio de voluntários da ONG Liga do Trauma, vinculada à Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A estudante de Medicina Fernanda Parente, 26 anos, foi uma das “vítimas” do acidente:

— Foi uma experiência mais legal do que o esperado. Foi tudo muito real, abriram o carro, nos tiraram de lá e agiram bem, conseguiram identificar tudo.

Ao longo da atividade, uma equipe de avaliadores acompanhou o processo. Uma nova simulação deverá ocorrer em novembro.

26/07/2022 – GZH

Link: Evento que simulará situações de desastres em Porto Alegre causará bloqueios na Avenida Ipiranga | GZH (clicrbs.com.br)

Evento que simulará situações de desastres em Porto Alegre causará bloqueios na Avenida Ipiranga

Ação acontecerá no sentido centro-bairro, entre a Edvaldo Pereira Paiva e Borges de Medeiros

Um evento para simular situações de desastre em Porto Alegre causará bloqueios na região do Parque Marinha do Brasil na tarde desta terça-feira (26). A ação terá início por volta das 13h30min, no sentido centro-bairro na Avenida Ipiranga, entre a Edvaldo Pereira Paiva e Borges de Medeiros. A estimativa da EPTC é de o fluxo esteja normalizado a partir das 16h. O sentido contrário não será impactado.

Conforme a EPTC, a necessidade de boqueio total da via será avaliada ao longo do processo. Além disso, novas interdições poderão ser feitas se for preciso. Funcionários da empresa estarão no local orientando os motoristas.

O evento, coordenado pela Defesa Civil Municipal,  contará com a presença de órgãos como Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Samu, Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Cruz Vermelha e Comissão Permanente de Emergências de Porto Alegre (Copae).

Segundo o coordenador da Defesa Civil da Capital, coronel Evaldo Rodrigues, um cenário está sendo montado para que sejam simuladas diversas situações de perigo, que envolvam vítimas e exijam mobilização de diversas forças de segurança. Os detalhes dos eventos não estão sendo divulgados, para que os agentes sejam testados ao se depararem com as ocorrências. Os fatos serão encenados por voluntários da ONG Liga do Trauma, vinculada à Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— A ideia é testar todas as instituições envolvidas, para avaliar o preparo delas quanto ao atendimento e coordenação dos trabalhos — explica o coronel.

O evento ocorre também para colocar em prática o novo  Plano de Contingências de Proteção e Defesa Civil de Porto Alegre, aprovado no dia 22 de junho. Uma nova simulação deverá ocorrer em novembro.

— Essas ações servem para validar o plano, para averiguar como ele se encaixa em cada situação — complementa.

COMO SERÁ O BLOQUEIO DURANTE A SIMULAÇÃO DA DEFESA CIVIL

Evento causará interdição no sentido centro/bairro da Avenida Ipiranga

[ver mapa no link]

23/07/2022 – GZH

Link: OMS declara varíola dos macacos como emergência de saúde global | GZH (clicrbs.com.br)

OMS declara varíola dos macacos como emergência de saúde global

Anúncio foi realizado neste sábado pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, fez um pronunciamento neste sábado (23) onde declara a varíola dos macacos (monkeypox)  como emergência de saúde global. A doença está espalhada hoje em mais de 70 países e há registros de mais de 16 mil casos, segundo declaração de Tedros Adhanom. Tedros acredita que, desta forma, será possível controlar o surto e interromper a transmissão. 

"Decidi declarar uma emergência de saúde pública de alcance internacional", disse Tedros em entrevista coletiva. Em outro trecho da coletiva, o diretor da OMS disse que o mundo necessita de coordenação e solidariedade para combater a doença.

Varíola dos macacos

Antes, a doença estava mais restrita a áreas rurais da África central e continental. Ainda não há consenso sobre o motivo do contágio mais veloz - a transmissão sexual ainda é investigada pelos pesquisadores. A teoria mais difundida entre cientistas é de que isso ocorreu por causa de uma série de mutações no vírus, que depois encontrou na população HSH um primeiro nicho de disseminação.

Apesar do nome, a varíola dos macacos é mais comum em roedores e se restringia majoritariamente a caçadores africanos, onde é considerada endêmica.

— Ela foi descrita assim pela primeira vez porque teve um surto em macacos, que adoeceram assim como nós. Não foram eles que transmitiram a doença para nós — explica Ana Gorini da Veiga, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— Ainda não sabemos por que esse surto está mais abrangente. Pode ser por uma maior transmissibilidade do vírus, porque hoje temos maior facilidade de transporte e locomoção de pessoas... — aponta Ana. Os primeiros registros dessa nova variante vieram da Espanha e da Bélgica, mas rapidamente os sintomas pipocaram em países como Portugal, Reino Unido e nas Américas.

Um dos principais empecilhos para dimensionar o alcance da monkeypox no Brasil e no mundo tem sido a variedade de manifestações da doença e a subnotificação. Com o período de incubação do vírus podendo variar de 5 a 21 dias, os primeiros sintomas geralmente incluem febre, dor de garganta, de cabeça e no corpo (que em alguns casos leva a uma primeira suspeita de infecção por algum vírus respiratório), além de inchaço dos gânglios. Alguns dias depois, surgem as lesões na pele, com pequenas erupções que podem se espalhar pelos dedos, mãos, braços, pescoço, costas, peito e pernas.

O surgimento dessas feridas nas regiões genital e perineal (entre o ânus e o órgão genital) tem contribuído para que médicos confundam a varíola dos macacos com outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis e herpes. Pacientes ouvidos pela reportagem relatam que foram medicados com antibióticos e anti-inflamatórios, na primeira consulta após os primeiros sinais da doença. Com a persistência dos sintomas, a maioria deles só foi novamente testada após insistir em um novo diagnóstico ou se dirigir a outro hospital.

Transmissão sexual?

O fato de a varíola dos macacos causar erupções próximas ao genital e se disseminar tão rapidamente entre homens gays e bissexuais tem levantado a hipótese de que essa forma da doença possa ser sexualmente transmissível. Estudos preliminares na Itália e na Alemanha encontraram vestígios do vírus no sêmen de pacientes, mas os dados ainda são poucos para afirmar se a quantidade de carga viral seria suficiente para uma infecção.

— O fato é que temos uma doença transmitida de roedores para humanos e levada para a Europa, onde se disseminou de maneira muito intensa em encontros sexuais casuais, especialmente de homens. O vírus encontrou um nicho epidemiológico, que tem a possibilidade de transmissão adequada — explica Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, infectologista e pesquisador epidemiologista da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Por enquanto, médicos e cientistas dizem que é possível afirmar com mais segurança que a principal forma de transmissão da monkeypox é pelo contato direto com lesões ou saliva de pessoas infectadas, e não pela penetração sexual, por exemplo. Nesse sentido, o uso de máscara facial é importante, assim como a higiene constante das mãos e manter distância de quem esteja com sintomas, principalmente os visíveis.

— A transmissão não é pelo ato sexual, mas tem apresentado um comportamento que mimetiza essas características. Já temos casos, por exemplo, de alguém que teve a doença sexualmente e transmitiu para uma segunda pessoa do mesmo domicílio de outra forma — aponta Fortaleza. — Ao mesmo tempo, ignorar que ela tem se comportado como uma IST pode fazer com que a gente não dê as orientações necessárias para determinado grupo prioritário.

Sem erros do passado

Esse comportamento singular da monkeypox e sua associação ao ato sexual têm impulsionado queixas de parte da comunidade LGBT+, que encara os alertas específicos para "homens que se relacionam com homens" como uma forma de renovar o estigma criado há décadas sobre esse mesmo público desde o surgimento do HIV. Entre a comunidade médica e científica, essa mesma preocupação de reforçar estereótipos está "no cerne da questão", como aponta o epidemiologista Fábio Mesquita.

— Não queremos cometer os mesmos erros do HIV. Na época, nossa ignorância era muito grande. Olhamos só para o número de casos como se fosse necessariamente associado a uma comunidade — observa ele, que já foi diretor do então Departamento de Doenças de Transmissão Sexual, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e hoje está baseado em Myanmar como membro do corpo técnico da OMS.

E qual seria a forma correta de alertar a população de risco sem cair na estigmatização ou até culpar a comunidade pelo espalhamento do vírus?

— É dizer que, nesse momento, a comunidade precisa ficar atenta, porque está disseminando de forma importante — aponta Mesquita. — Mas também precisamos frisar que não há evidência científica de que a monkeypox ficará restrita a ela (comunidade LGBT+)."

Quem concorda com essa visão é David Uip, infectologista e secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do Estado de São Paulo. Ao Estadão, ele disse acreditar que "informação clara, correta e científica" é o melhor caminho para contornar o preconceito e criar a conscientização necessária tanto no grupo de risco como na população em geral, evitando o que categoriza como "a catástrofe do ponto de vista médico, epidemiológico e social" vista no enfrentamento do HIV.

— Você tem de se prevenir com o que temos de informações disponíveis, sem gerar pânico — aponta Uip, que esteve na linha de frente do combate ao HIV quando a doença explodiu no Brasil, em 1980, e foi inicialmente batizada de "peste gay". — (A monkeypox) não é uma doença letal, pelo menos no momento, mas as pessoas estão muito sintomáticas e sofrendo demais.

Vacinas

Outro paralelo que Uip estabelece entre a monkeypox e o HIV é a falta de vacinas específicas e duradouras para essas doenças. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde a imunização contra a varíola dos macacos já começou, são usadas doses inicialmente desenvolvidas para a varíola humana (smallpox), distribuídas especificamente para a população HSH e com estoque bem aquém do necessário.

— Eu aproveitaria esse momento e encontraria mais informações sobre a monkeypox. Passaram-se 40 anos e ainda não encontramos a vacina para o HIV. O paciente tratado tem outra vida. O que resta, por enquanto, são medicamento e informação — diz.

Por ora, a aquisição de vacinas contra a varíola dos macacos não é uma realidade para o Brasil e nem para a maioria dos países em que a doença já foi encontrada. Questionado ao longo das últimas semanas, o Ministério da Saúde limitou-se a dizer que segue desde maio em tratativas com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a quem atribui a responsabilidade da distribuição de doses.

Perguntas e respostas

Quais os sintomas da varíola dos macacos?

 Os sintomas são semelhantes, em menor escala, aos observados em pacientes antigos de varíola: febre, dor de cabeça, dores musculares e dorsais durante os primeiros cinco dias. Depois, aparecem erupções - no rosto, palmas das mãos e solas dos pés -, lesões, pústulas e finalmente crostas. 

Como é transmitida?

A infecção nos casos iniciais se deve ao contato direto com sangue, fluidos corporais, lesões na pele ou membranas mucosas de animais infectados. A transmissão secundária, de pessoa para pessoa, pode ser resultado do contato próximo com secreções infectadas das vias respiratórias, lesões na pele de uma pessoa infectada ou objetos recentemente contaminados com fluidos biológicos ou materiais das lesões de um paciente.

Como se proteger e evitar o contágio?

Segundo a Anvisa, o uso de máscaras, o distanciamento e a higienização das mãos são formas de evitar o contágio pela varíola dos macacos. A agência reforçou a adoção dessas medidas, frisando que elas também servem para proteger contra a covid-19.

"Tais medidas não farmacológicas, como o distanciamento físico sempre que possível, o uso de máscaras de proteção e a higienização frequente das mãos, têm o condão de proteger o indivíduo e a coletividade não apenas contra a covid-19, mas também contra outras doenças", disse a agência.

Há vacinas contra a doença?

Não. No entanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o imunizante Jynneos se mostrou 85% eficaz na prevenção da varíola dos macacos. Ele não está disponível no Brasil. Não é possível, portanto, fazer a imunização aqui. Há estudos científicos em andamento no mundo para avaliar a viabilidade e adequação da vacinação para a prevenção e controle da varíola dos macacos, segundo a OMS.

Quais são as vacinas disponíveis hoje contra a varíola comum?

Por conta da erradicação da varíola em todo o mundo na década de 1980, as vacinas contra a doença pararam de ser produzidas em grande escala. No entanto, alguns países, como os Estados Unidos, mantêm quantidades pequenas dos imunizantes. As vacinas disponíveis hoje são as seguintes: a ACAM2000, da Sanofi Pasteur, e a Jynneos, também conhecida como imvamune ou imvanex, produzida pela Bavarian Nordic, considerada a mais segura e moderna pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos EUA.

Tenho marca da vacina no braço, então estou protegido?

O imunizante aplicado nas décadas de 1960 e 1970 no Brasil, em uma campanha nacional que resultou na erradicação da varíola, poderia causar reação no braço e deixar uma cicatriz. Essa marca, no entanto, não é exclusiva desse imunizante: a vacina BCG, usada no controle da tuberculose, também pode deixar marca na pele. Assim, mesmo um profissional de saúde teria problemas para diferenciar as duas e ter certeza da vacinação do indivíduo. Desse modo, especialistas não consideram prudente relacionar a marca do braço à vacinação contra a varíola.

Tenho certeza de ter tomado a vacina da varíola comum. Estou protegido contra a varíola dos macacos?

Esse é um ponto de incerteza no assunto. Alguns especialistas acreditam que sim, mesmo quem foi imunizado antes de 1980 - quando a vacina ainda era aplicada no Brasil - pode ter anticorpos.

 — Não temos certeza se o nível de proteção ainda é o adequado do ponto de vista clínico. Alguma proteção pode ter ficado, mas, como (as pessoas vacinadas) não tiveram contato com o vírus, a tendência é de que essa proteção tenha reduzido ao longo do tempo  —  explica Fernando Spilki, virologista e professor da Universidade Feevale.

Quem deve ser vacinado hoje em países que enfrentam surtos?

Alguns países já sinalizaram investimentos em vacinas contra a varíola. Além dos Estados Unidos, o Reino Unido disponibiliza as duas vacinas para profissionais de saúde e pessoas que viajam para países da África, onde a doença é endêmica. A Alemanha anunciou, na semana passada, ter encomendado 40 mil doses da Jynneos e a França também recomendou a vacinação de trabalhadores da saúde que tiveram contato com infectados. No Brasil, não há posicionamento das autoridades.

O Brasil tem vacina contra a varíola comum para toda a população?

Nem o Brasil nem outros países têm imunizantes para controlar a varíola para toda a população neste momento. Uma campanha nacional, como a que ocorre contra a covid-19 e a gripe, seria feita em um cenário distante do esperado por especialistas, que acham improvável uma disseminação tão ampla que justifique tamanha mobilização. Esse é também o posicionamento da OMS sobre o assunto.

Posso comprar a vacina da varíola?

Não. A reportagem de GZH entrou em contato com duas clínicas particulares de vacinas de Porto Alegre na manhã desta quarta-feira e ambas relataram pedidos pelo imunizante, que não é vendido no Brasil. Outra dúvida relatada pelos estabelecimentos é quanto à confusão dos nomes das doenças: clientes têm pedido a vacina contra a varicela (catapora) como se fosse o imunizante contra a varíola.

Há algum medicamento contra a varíola?

Sim. Um agente antiviral conhecido como Tecovirimat foi autorizado em janeiro deste ano pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para tratar a varíola comum, a varíola dos macacos e a varíola bovina, três infecções causadas por vírus pertencentes à mesma família (ortopoxvírus). O Tecovirimat é utilizado em adultos e crianças com peso mínimo de 13 quilos. No entanto, esse medicamento ainda não está disponível ao público.

Qual a situação da vacina no Brasil?

Em nota à reportagem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não há medicamento nem vacina registrados e autorizados na agência com a indicação para tratamento ou prevenção da varíola dos macacos ou varíola comum no momento. Além disso, a Anvisa disse não ter recebido solicitação de laboratórios farmacêuticos para o registro de vacinas ou medicamentos para nenhum das doenças. "As vacinas contra a varíola não estão mais disponíveis no mercado para a população geral e como os casos da monkeypox são raros, a vacinação universal não é indicada", informou a Anvisa.

Quais os protocolos de prevenção do Brasil neste momento?

Não há orientação específica para protocolo de abordagem a viajantes que entram no Brasil, que, é bom destacar, não enfrenta surto da doença. De acordo com a Anvisa, esse procedimento deve ser definido a partir de orientação do Ministério da Saúde e OMS, o que não há no momento. O único movimento do MS sobre o assunto é a criação de uma Sala de Situação para monitorar casos da varíola dos macacos no Brasil. "A medida tem como objetivo elaborar um plano de ação para o rastreamento de casos suspeitos e na definição do diagnóstico clínico e laboratorial para a doença", informou a pasta.

21/07/2022 – Folha de São Paulo

Link Folha de SP: Vacinas da Pfizer e da Moderna protegem por mais tempo - 21/07/2022 - Equilíbrio e Saúde - Folha (uol.com.br)
Link Portal Olhar Digital: Pfizer e Moderna protegem da Covid-19 por mais tempo, diz estudo - Olhar Digital

Moderna protegem contra Covid por mais tempo, diz pesquisa

Estudo também aponta que duração de imunidade com doses supera a obtida com infecção natural

Vacinas contra Covid-19 desencadeiam diferentes períodos de imunidade e aquelas que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) são as que protegem por mais tempo, segundo estudo conduzido por cientistas das universidades Yale e da Carolina do Norte publicado na última sexta (15) na revista científica PNAS.

A pesquisa buscou estimar a probabilidade de infecções futuras por Sars-Cov-2 entre quem já contraiu o vírus e em pessoas imunizadas com as vacinas da Pfizer, Moderna, AstraZeneca ou Janssen. Para tanto, os pesquisadores compilaram os dados de dez estudos anteriores que avaliaram a resposta induzida pelos imunizantes e pela exposição ao vírus e compararam o nível de anticorpo IgG anti-S ao longo do tempo.

Tanto os anticorpos por infecção natural quanto os induzidos por vacinas diminuem gradativamente, aumentando a probabilidade de infecções, porém as taxas são diferentes em cada caso.

Segundo os autores, enquanto a mediana do tempo para infecção após a vacinação com doses da Moderna e da Pfizer é de 29,6 meses, a observada com as vacinas da AstraZeneca e da Janssen é de 22,4 e 20,5 meses, respectivamente. No caso das infecções naturais, a mediana é de 21,5 meses.

A partir desses números, os pesquisadores sugerem quando aplicar novas doses. Para permitir não mais do que 5% de probabilidade de infecção futura como consequência do declínio da imunidade, eles indicam que as pessoas totalmente vacinadas com Moderna e Pfizer recebam o primeiro reforço pós-vacinação dentro de um ano e que os totalmente imunizados com AstraZeneca e Janssen tomem a dose de reforço em cinco meses e 4,5 meses, respectivamente.

Para o médico infectologista Alexandre Naime Barbosa, professor na Unesp e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, o artigo contribui com informações importantes. A primeira é que o pico e a duração da imunidade com vacinas de mRNA são muito maiores do que aqueles por infecção natural, contrariando a ideia de que é melhor se expor ao vírus para adquirir anticorpos. O estudo também confirma que vacinas de mRNA oferecem maior proteção do que aquelas por vetor viral.

"Isso, porém, não inviabiliza os imunizantes de vetor viral porque eles conferem anticorpos e reduzem as chances de hospitalização e óbito", ressalta o professor. Ele destaca também que, com o avanço da variante ômicron, a resposta por infecção natural pode agora ser mais curta do que a indicada no artigo, ampliando a distância entre o nível de proteção por contrair a doença e o oferecido pelas vacinas.

Por outro lado, tanto Barbosa quanto a imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e integrante do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia, advertem que o estudo não considerou a ação das células T, imprescindíveis nas respostas antivirais.

"Os anticorpos impedem cargas virais mais altas, mas o que protege mesmo são as células T. É comum as pesquisas analisarem apenas anticorpos porque é mais fácil medi-los, mas essa não é toda a história, não podemos nos basear apenas neles", diz Cristina Bonorino.

Ela comenta que o ideal seria cruzar dados de anticorpos, células T, número de casos e variantes e que ainda não há um modelo matemático para essa análise. "O problema no Brasil é que não temos dados claros do Ministério da Saúde", critica a professora.

Foi por não conseguirem encontrar dados suficientes que os pesquisadores não incluíram a Coronavac em sua análise, conta Jeffrey Townsend, professor na Escola de Saúde Pública de Yale e autor principal do artigo. Ele menciona, contudo, que as durabilidades relativas encontradas na pesquisa parecem corresponder às eficácias relativas apontadas nos ensaios clínicos, então seria possível especular que o tempo de proteção da Coronavac estaria abaixo de AstraZeneca e Janssen.

"Estamos trabalhando agora nos benefícios de diferentes esquemas de reforço. Os resultados ainda não passaram pela revisão por pares, mas é lógico que reforços em intervalos substancialmente maiores do que aqueles que mostramos para o primeiro reforço pós-vacinação provavelmente sejam ineficazes na supressão da infecção", afirma Townsend.

Tanto o pesquisador quanto Bonorino acreditam que esquemas de imunização como o visto no Brasil, com vacinação com Coronavac e reforço com Pfizer, por exemplo, promovem a proteção. As dúvidas são qual combinação é melhor e quando tomar.

A professora observa ainda que, mais do que administrar reforços, o Brasil precisa neste momento priorizar a vacinação de suas crianças. "Elas ficaram sem escola, sem vacina e voltaram às aulas sem imunização, sujeitas a complicações e Covid longa. As crianças são o grupo mais negligenciado na pandemia".

21/07/2022 – GZH

Link GZH: Por que a varíola dos macacos se espalhou agora? | GZH (clicrbs.com.br)
Link Portal R7: Por que a varíola do macaco se espalhou agora? - Notícias - R7 Saúde

Por que a varíola dos macacos se espalhou agora?

No Brasil, já foram contabilizados 592 casos, sendo quatro no Rio Grande do Sul

Desde que extrapolou as fronteiras da África em maio, a varíola dos macacos (monkeypox) já se espalhou por 70 países e teve mais de 15,3 mil registros, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a agência de saúde pública dos Estados Unidos. No Brasil, já foram contabilizados 592 casos, a maioria em São Paulo - mas especialistas acreditam que o vírus esteja mais espalhado, em meio às dificuldades de teste e diagnóstico. No Rio Grande do Sul são 4 casos confirmados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reúne nesta quinta-feira (21) o comitê de especialistas em varíola do macaco para determinar se o atual aumento de casos é uma emergência de saúde pública de alcance internacional, seu nível mais alto de alerta. Este comitê de emergência vai avaliar os índices epidemiológicos.

A doença já foi identificada pela ciência desde 1958, mas agora médicos e pesquisadores tentam entender as causas da velocidade do novo surto e debatem a melhor forma para conter essa ameaça sem aumentar o estigma sobre os grupos mais vulneráveis ao vírus. Entre as estratégias, eles defendem campanhas de orientação focadas e vacinas.

A OMS estima que 98% dos casos de varíola dos macacos notificados em todo o mundo sejam entre "homens que se relacionam com homens" (HSH), o que engloba o grupo de gays e bissexuais, mas não se restringe a eles. No Brasil, médicos de São Paulo relatam percepção semelhante e o boletim mais recente do Ministério da Saúde aponta que essa população corresponde a 100% dos pacientes que declararam a orientação sexual na hora do diagnóstico. Ainda não se sabe o motivo de o contágio ser maior nesse grupo.

Origem

Antes, a doença estava mais restrita a áreas rurais da África central e continental. Ainda não há consenso sobre o motivo do contágio mais veloz - a transmissão sexual ainda é investigada pelos pesquisadores. A teoria mais difundida entre cientistas é de que isso ocorreu por causa de uma série de mutações no vírus, que depois encontrou na população HSH um primeiro nicho de disseminação.

Apesar do nome, a varíola dos macacos é mais comum em roedores e se restringia majoritariamente a caçadores africanos, onde é considerada endêmica.

— Ela foi descrita assim pela primeira vez porque teve um surto em macacos, que adoeceram assim como nós. Não foram eles que transmitiram a doença para nós — explica Ana Gorini da Veiga, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— Ainda não sabemos por que esse surto está mais abrangente. Pode ser por uma maior transmissibilidade do vírus, porque hoje temos maior facilidade de transporte e locomoção de pessoas... — aponta Ana. Os primeiros registros dessa nova variante vieram da Espanha e da Bélgica, mas rapidamente os sintomas pipocaram em países como Portugal, Reino Unido e nas Américas.

Um dos principais empecilhos para dimensionar o alcance da monkeypox no Brasil e no mundo tem sido a variedade de manifestações da doença e a subnotificação. Com o período de incubação do vírus podendo variar de 5 a 21 dias, os primeiros sintomas geralmente incluem febre, dor de garganta, de cabeça e no corpo (que em alguns casos leva a uma primeira suspeita de infecção por algum vírus respiratório), além de inchaço dos gânglios. Alguns dias depois, surgem as lesões na pele, com pequenas erupções que podem se espalhar pelos dedos, mãos, braços, pescoço, costas, peito e pernas.

O surgimento dessas feridas nas regiões genital e perineal (entre o ânus e o órgão genital) tem contribuído para que médicos confundam a varíola dos macacos com outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis e herpes. Pacientes ouvidos pela reportagem relatam que foram medicados com antibióticos e anti-inflamatórios, na primeira consulta após os primeiros sinais da doença. Com a persistência dos sintomas, a maioria deles só foi novamente testada após insistir em um novo diagnóstico ou se dirigir a outro hospital.

Transmissão sexual?

O fato de a varíola dos macacos causar erupções próximas ao genital e se disseminar tão rapidamente entre homens gays e bissexuais tem levantado a hipótese de que essa forma da doença possa ser sexualmente transmissível. Estudos preliminares na Itália e na Alemanha encontraram vestígios do vírus no sêmen de pacientes, mas os dados ainda são poucos para afirmar se a quantidade de carga viral seria suficiente para uma infecção.

— O fato é que temos uma doença transmitida de roedores para humanos e levada para a Europa, onde se disseminou de maneira muito intensa em encontros sexuais casuais, especialmente de homens. O vírus encontrou um nicho epidemiológico, que tem a possibilidade de transmissão adequada — explica Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, infectologista e pesquisador epidemiologista da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Por enquanto, médicos e cientistas dizem que é possível afirmar com mais segurança que a principal forma de transmissão da monkeypox é pelo contato direto com lesões ou saliva de pessoas infectadas, e não pela penetração sexual, por exemplo. Nesse sentido, o uso de máscara facial é importante, assim como a higiene constante das mãos e manter distância de quem esteja com sintomas, principalmente os visíveis.

— A transmissão não é pelo ato sexual, mas tem apresentado um comportamento que mimetiza essas características. Já temos casos, por exemplo, de alguém que teve a doença sexualmente e transmitiu para uma segunda pessoa do mesmo domicílio de outra forma — aponta Fortaleza. — Ao mesmo tempo, ignorar que ela tem se comportado como uma IST pode fazer com que a gente não dê as orientações necessárias para determinado grupo prioritário.

Sem erros do passado

Esse comportamento singular da monkeypox e sua associação ao ato sexual têm impulsionado queixas de parte da comunidade LGBT+, que encara os alertas específicos para "homens que se relacionam com homens" como uma forma de renovar o estigma criado há décadas sobre esse mesmo público desde o surgimento do HIV. Entre a comunidade médica e científica, essa mesma preocupação de reforçar estereótipos está "no cerne da questão", como aponta o epidemiologista Fábio Mesquita.

— Não queremos cometer os mesmos erros do HIV. Na época, nossa ignorância era muito grande. Olhamos só para o número de casos como se fosse necessariamente associado a uma comunidade — observa ele, que já foi diretor do então Departamento de Doenças de Transmissão Sexual, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e hoje está baseado em Myanmar como membro do corpo técnico da OMS.

E qual seria a forma correta de alertar a população de risco sem cair na estigmatização ou até culpar a comunidade pelo espalhamento do vírus?

— É dizer que, nesse momento, a comunidade precisa ficar atenta, porque está disseminando de forma importante — aponta Mesquita. — Mas também precisamos frisar que não há evidência científica de que a monkeypox ficará restrita a ela (comunidade LGBT+)."

Quem concorda com essa visão é David Uip, infectologista e secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do Estado de São Paulo. Ao Estadão, ele disse acreditar que "informação clara, correta e científica" é o melhor caminho para contornar o preconceito e criar a conscientização necessária tanto no grupo de risco como na população em geral, evitando o que categoriza como "a catástrofe do ponto de vista médico, epidemiológico e social" vista no enfrentamento do HIV.

— Você tem de se prevenir com o que temos de informações disponíveis, sem gerar pânico — aponta Uip, que esteve na linha de frente do combate ao HIV quando a doença explodiu no Brasil, em 1980, e foi inicialmente batizada de "peste gay". — (A monkeypox) não é uma doença letal, pelo menos no momento, mas as pessoas estão muito sintomáticas e sofrendo demais.

Vacinas

Outro paralelo que Uip estabelece entre a monkeypox e o HIV é a falta de vacinas específicas e duradouras para essas doenças. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde a imunização contra a varíola dos macacos já começou, são usadas doses inicialmente desenvolvidas para a varíola humana (smallpox), distribuídas especificamente para a população HSH e com estoque bem aquém do necessário.

— Eu aproveitaria esse momento e encontraria mais informações sobre a monkeypox. Passaram-se 40 anos e ainda não encontramos a vacina para o HIV. O paciente tratado tem outra vida. O que resta, por enquanto, são medicamento e informação — diz.

Por ora, a aquisição de vacinas contra a varíola dos macacos não é uma realidade para o Brasil e nem para a maioria dos países em que a doença já foi encontrada. Questionado ao longo das últimas semanas, o Ministério da Saúde limitou-se a dizer que segue desde maio em tratativas com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a quem atribui a responsabilidade da distribuição de doses.

21/07/2022 – BBC Brasil

Link: Covid: Animais de estimação podem pegar e transmitir o coronavírus? - BBC News Brasil

Covid: Animais de estimação podem pegar e transmitir o coronavírus?

No final de junho, um grupo de pesquisadores da Tailândia relatou o primeiro caso conhecido em que um ser humano pegou covid após ter contato com um gato que estava infectado com o coronavírus.

Essa é a quarta espécie animal em que foi documentada a infecção com o patógeno e a possibilidade de transmissão da doença para pessoas — as outras três são os visons, os hamsters e os veados de cauda branca. Mas, afinal, os bichos de estimação podem mesmo pegar covid? A resposta é sim, e há diversos estudos que confirmam essa possibilidade.

Porém, pelo que se sabe até agora, esses casos são raros e a infecção tende a ser bem mais leve neles.A BBC News Brasil ouviu especialistas para entender os potenciais riscos da covid entre os pets — e se existe algo que pode ser feito para protegê-los.

O caso da Tailândia

O episódio aconteceu em agosto de 2021 na cidade de Bangcoc, capital da Tailândia. O relatório completo sobre o caso foi publicado no final de junho deste ano no periódico científico especializado Emerging Infectious Diseases.

Um pai e um filho, cujas identidades foram preservadas, receberam diagnóstico positivo para covid e, seguindo a recomendação local, foram transferidos para uma unidade de isolamento na cidade de Songkhla, localizada no sul do país. Na mudança temporária, eles levaram um gato, que ficou no mesmo quarto deles por alguns dias.

Depois, o animal foi transferido para um hospital veterinário, onde passou por uma avaliação e alguns exames, que depois comprovaram que o bichano também estava com covid. Durante a consulta, na hora em que a veterinária passou o swab (haste flexível) no nariz do gato, ele espirrou.

A profissional usava máscara e luvas, mas estava com os olhos desprotegidos — e foi provavelmente nesse momento que a transmissão do coronavírus para ela aconteceu. Três dias após a consulta, a veterinária estava com febre, tosse e espirros. Um teste confirmou o diagnóstico de covid nela também.

Mas como os cientistas sabem que o patógeno veio mesmo do gato? Ao analisar o histórico da paciente, eles viram que nenhum contato próximo dela estava com covid naqueles dias (o que diminui a probabilidade de a infecção ter ocorrido a partir de outro indivíduo).

Para completar, os autores do trabalho realizaram análises genéticas de amostras colhidas do pai, do filho, da veterinária e do gato. Todos apresentavam a mesma variante do vírus, com sequências genéticas idênticas. Isso, por sua vez, reforçou a possibilidade de a transmissão ter acontecido por meio do gato.

Um 'retorno' à natureza?

A história do gato na Tailândia está longe de ser única. Ao longo dos últimos dois anos, cientistas de várias partes do mundo descreveram outros episódios de animais que também se infectaram com o coronavírus e até desenvolveram alguns sintomas.

Foi o caso de diversas espécies que vivem em zoológicos e santuários, como leões, tigres, leopardos, lontras, gorilas, hienas, quatis, hipopótamos e até peixes-boi. O Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela pandemia atual, também foi encontrado em bichos de estimação, como gatos, cachorros, hamsters e furões.

Muito provavelmente, todos esses animais tiveram contato com cuidadores e tutores que estavam com covid. Algumas espécies, porém, não apenas se infectaram, como também há evidências de que tenham transmitido o patógeno de volta para outros seres humanos.

Por ora, são quatro os episódios que se encaixam nessa categoria: os visons (ou minks, animais usados pela indústria de casacos de pele) na Europa, os hamsters em Hong Kong, os veados de cauda branca no Canadá e, mais recentemente, o gato na Tailândia. Esse fenômeno é descrito entre os especialistas com o termo spillback (algo como "retorno", em tradução livre para o português).

Ele é um processo contrário ao spillover (algo como "transbordamento"), que acontece quando um patógeno que circula numa espécie passa a afetar algumas outras. O spillover foi o que provavelmente aconteceu com o Sars-CoV-2: a tese mais aceita é a de que ele infectava apenas morcegos no Sudeste Asiático quando sofreu uma série de mutações genéticas que permitiram que ele "pulasse", ou "transbordasse", para seres humanos e começasse a ser transmitido de pessoa para pessoa.

"Cerca de 75% das doenças infecciosas que nos afetam surgiram a partir de outros animais. Os vírus, bactérias, fungos e protozoários estão lá, no hospedeiro natural, como um animal silvestre, sofrem mutações e adquirem uma afinidade por um novo hospedeiro", detalha a bióloga molecular Ana Gorini da Veiga, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A pesquisadora lembra que essa não foi a primeira vez que um coronavírus "pula" para os seres humanos nas últimas duas décadas. Em 2002, o Sars-CoV passou por morcegos e civetas até chegar a nós. Já em 2011, o Mers-CoV, antes restrito a morcegos, camelos e dromedários, ganhou a habilidade de circular entre as pessoas.

Em paralelo ao spillover, o spillback também aconteceu com o causador da covid, o Sars-CoV-2: várias espécies de animais, que antes não eram afetadas por esse patógeno, também começaram a ser infectadas de 2020 para cá.

Devo me preocupar?

Apesar dos casos documentados, os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que a infecção pelo Sars-CoV-2 é muito rara em outros animais. "Por mais que exista a possibilidade de infecção e ela não seja nenhuma surpresa para nós, a afinidade deste coronavírus com as demais espécies é muito pequena", esclarece o virologista Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

E nada indica que o patógeno esteja evoluindo para infectar com mais voracidade outros seres além dos próprios humanos. "O Sars-CoV-2 é um vírus muito seletivo em termos de hospedeiro. E a chegada das novas variantes mostra que ele está ficando cada vez mais especializado em nos infectar", analisa o cientista.

"Portanto, pelo que sabemos até agora, os animais não têm nenhuma importância na transmissão deste patógeno e raramente desenvolvem sintomas", completa.

Algumas precauções básicas

Uma pessoa que está com covid e precisa se isolar em casa deve tomar algum cuidado especial com os animais de estimação? Os especialistas orientam manter um certo distanciamento do bicho, caso seja possível.

"Muitas vezes, durante a quarentena, o animal é uma ótima companhia. Porém, se você for ficar no mesmo ambiente, vale manter um distanciamento, usar máscara e reforçar os cuidados de higiene", orienta Gorini.

Brandão reforça que, se não tiver jeito de restringir o contato, manter o convívio com o pet não vai representar uma grande ameaça. "Não podemos repetir o que aconteceu em 2020, quando vários animais foram abandonados por seus tutores", diz.

"Ou seja: se você puder se isolar e outra pessoa cuidar do animal, melhor. Mas se você mora sozinho ou não tem com quem deixar, pode manter a rotina dentro de casa", resume. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos orienta que não se deve colocar máscaras nos animais — isso pode até causar algum mal à saúde deles.

Também não há necessidade de passar álcool em gel, desinfetante ou outros produtos de limpeza nas patas, no pelo ou na pele dos bichinhos. Por fim, vale sempre conversar com o veterinário se o seu animal de estimação apresentar algum sinal atípico, abandonar a rotina, sentir-se prostrado e parar de comer, beber água ou fazer cocô e xixi. Esses sintomas podem significar que ele está com alguma doença — e o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento com rapidez.

15/07/2022 – Veja Saúde

Link: De varíola dos macacos a Covid-19: vivemos a era das pandemias? | Veja Saúde (abril.com.br)

De varíola dos macacos a Covid-19: vivemos a era das pandemias?

Não é impressão: as doenças infecciosas estão com tudo. Precisamos nos preparar melhor para enfrentá-las

É comum ler por aí que a pandemia de Covid-19 pegou o mundo de surpresa. A ideia é sedutora, uma vez que nos exime de certa responsabilidade, mas só em parte verdadeira.

Claro, pouca gente apostaria nos coronavírus como futuro grande problema da humanidade, apesar dos sustos provocados por seus parentes Sars e Mers em 2003 e 2012. Mas surtos assustadores de doenças, assim como o surgimento de novos patógenos, são um fenômeno natural na nossa história. E uma ameaça em ascensão há pelo menos duas décadas.

No hoje clássico Contágio (Companhia das Letras – clique para comprar*), de 2012, o escritor de ciências americano David Quammen já examinava uma série de epidemias recentes e lançava suposições sobreo que estava por vir.

Suas indagações foram proféticas! “A Próxima Grande Pandemia será causada por um vírus? Sairá de uma floresta pluvial ou de um mercado no sul da China? Matará 20 ou 30 milhões de pessoas?”, escreveu.

Menos de dez anos depois, não é preciso ser um virologista para responder às perguntas feitas por Quammen. Sim, chegou um vírus. Se não de um mercado, de algum lugar do centro da China. E vitimou, até agora, 6 milhões de pessoas — número subestimado, que continua subindo.

Foi a primeira vez que cientistas tiveram a oportunidade de testemunhar uma doença desconhecida se espalhar de forma tão rápida e avassaladora. Do ponto de vista tecnológico, respondemos à altura, com vacinas feitas em tempo recorde, novos medicamentos e o estudo profundo da genética viral.

 

Mas também ficou evidente que não basta pesquisa de ponta. Porque, além de causar estragos maiores que sintomas físicos, um vírus dessa magnitude só pode ser contido com o emprego de recursos mais antigos, que estão caindo em desuso, como empatia e respeito à natureza.

Eis uma lição a ser (re)aprendida sempre. Para os experts, a próxima pandemia é questão de tempo. E a Covid, mesmo sem ter acabado, seria uma amostra do que vem por aí.

(ver imagem pelo link)

Estima-se que, de cada dez doenças contagiosas, seis sejam zoonoses, isto é, transmitidas originalmente de animais para humanos. E pode ser que parte das outras quatro, como o sarampo, tenha em algum momento — centenas ou milhares de anos atrás — saltado de outro bicho e se adaptado para colonizar a humanidade.

Como Quammen diz em Contágio, as infecções são “uma espécie de cimento natural que liga uma criatura a outra”. O vírus influenza coabita em nós, nas aves migratórias e nos porcos. É graças a essa interação que ele sofre mutações periódicas que lhe conferem a habilidade de enganar o sistema imune do hospedeiro.

O HIV, causador da aids, foi uma zoonose um dia. O ebola também: salta periodicamente de um reservatório animal ainda misterioso para outro hospedeiro, mais próximo do homem. Causa surtos esporádicos e autolimitados, dada a alta letalidade da doença, e depois se esconde de novo na natureza.

O Sars-CoV-2 é o mais novo membro dessa categoria, já que havia vírus muito parecidos com ele habitando morcegos em cavernas no sul da Ásia.

Sim, vira e mexe surge um micróbio estranho em um animal de criação ou selvagem manipulado por um ser humano. Mas esses eventos são, em geral, contidos, porque o ente misterioso não estava pronto para atacar nossas células.

Acontece que os vírus, os principais agentes pandêmicos, mudam e aprendam rápido. Sua genética volátil permite que eles logo se acomodem no ambiente. "Um dos fatores que garantem seu sucesso é a capacidade de se adaptar para se transmitir de pessoa para pessoa", afirma a virologista Viviane Fongaro Botosso, diretora do Laboratório de Virologia do Instituto Butantan.

Ouvimos falar muito de mutações e variantes nos últimos anos, mas vale recapitular pontos importantes sobre elas. Primeiro, não acontecem de propósito. Toda vez que um ser vivo (ou um vírus, que não é bem “vivo”, já que depende de um hospedeiro) se reproduz, seu material genético é duplicado.

A cada cópia, existe a possibilidade de um erro: a mutação.

Os organismos complexos têm mais mecanismos para conter essas falhas e uma reprodução lenta. Nos vírus, a replicação ocorre em uma velocidade inimaginável. Eles não têm nada para fazer exceto isso, nenhuma outra instrução em seu genoma. A maioria desses erros nem chega a ser detectada. "Mas, dessa imensa diversidade genética, pode ser que surjam uma ou duas alterações que confiram benefícios a ele", conta o virologista Paula Eduardo Brandão, da Universidade de São Paulo (USP) e colunista da Veja Saúde.

Essa mutante aprimorada, apta a entrar mais facilmente nas células de um novo hospedeiro ou fazer suas cópias ainda mais rápido, pode ou não ser favorecida pelo ambiente. Caso isso aconteça, é mais provável que se replique, se espalhe e domine o pedaço. É a teoria da evolução sendo comprovada em tempo real e escala microscópica.

“Se compararmos a velocidade evolutiva de um coronavírus e um hospedeiro mamífero, como nós, teremos algo como um ônibus espacial e uma tartaruga apostando corrida”, diz Brandão. O caso da varíola dos macacos, que vem deixando o mundo em alerta, é ilustrativo.

O vírus monkeypox causa há décadas surtos eventuais e localizados da doença, hoje disseminada no mundo. Ele se esconde nesse meio-tempo em seu reservatório animal, que são os roedores (sim, o nome não faz jus à verdade). Agora, parece adaptado para se transmitir melhor entre o superpopuloso Homo sapiens, numa era em que as viagens são mais acessíveis e o tempo para ir de um continente a outro é medido em horas.

É como tentar a sorte numa loteria: quanto mais bilhetes você comprar, mais chances tem de ganhar. E o mundo criado por nós se tornou uma casa de apostas muito generosa para os vírus.

Em abril deste ano, pesquisadores da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos, e da ONG EcoHealth Alliance publicaram na revista científica Nature um artigo cuja conclusão evoca um iceberg: estamos diante de um problemão, mas só vemos sua ponta.

Eles calcularam as chances de trocas de vírus entre espécies diferentes nestes tempos de mudanças climáticas. Para isso, simularam, com a ajuda de dados reais e muita matemática, o comportamento passado, atual e futuro de mais de 3 mil espécies de mamíferos.

As conclusões falam por si: mesmo se o aquecimento global for contido, nas próximas décadas haverá mais de 300 mil primeiros encontros entre animais que não se esbarravam antes. Isso levará a pelo menos 15 mil spillovers, termo em inglês para o salto interespécies que os vírus são capazes de fazer.

Ao deparar com populações suscetíveis, com sistemas imunes “virgens”, patógenos têm um novo nicho ecológico a ser explorado. “As pesquisas mostram que, com o aumento das temperaturas, as espécies migram para habitar regiões de clima mais ameno, facilitando esses eventos, que acontecerão próximos a zonas de atividade humana”, explica a microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC).

Esses saltos nem sempre terão grandes repercussões. Mas é aquilo: água mole em pedra dura…

A EcoHealth Alliance, que há décadas monitora a saúde dos animais, começou a trabalhar nessa simulação em 2019, na tentativa de antecipar como seria o futuro. E descobriu, no fim das contas, que estava projetando o presente. “O mundo já esquentou o suficiente para favorecer esses encontros entre espécies”, crava Natalia.

Convém lembrar que o clima não mudou por capricho solar, mas pelo uso de combustíveis fósseis e a emissão de gases poluentes em fábricas e queimadas.

Essa nova era, mais quente e catastrófica — basta ver as enchentes recentes e suas mais de 450 vítimas brasileiras em 2022 —, é chamada por alguns especialistas de Antropoceno. Um período em que o homem tem tanta influência no meio ambiente a ponto de batizar uma era geológica. Faz sentido, mas, se tem algo que pode competir em pé de igualdade conosco, são os vírus. Quando recebem uma forcinha nossa, então…

Tanto que, depois da publicação do artigo na Nature, os autores passaram a propor um novo termo para estes tempos: Pandemiceno, um ciclo marcado pela proliferação de agentes infecciosos emergentes.

Frente ao consumo desenfreado e às mudanças climáticas, plantar, para nós ou para nossos rebanhos, está cada dia mais difícil. E ainda tem gente pensando que a saída é abrir mais lavouras em vez de buscar meios sustentáveis de cultivo.

Ao expandirmos a fronteira agrícola e mudarmos ecossistemas para plantar áreas enormes de um único vegetal, animais silvestres perdem seu habitat e se aproximam dos domesticados para cultivo, que podem se tornar novos reservatórios virais ou, mais provavelmente, hospedeiros amplificadores: criaturas em que o vírus pode se esconder e evoluir até chegar ao homem.

Tem outra coisa. Com a devastação da mata nativa, espécies ficam isoladas em territórios menores. “Isso leva a uma perda de diversidade genética que pode piorar a resposta imune dos animais aos vírus, um processo que pode ser intensificado pela presença de poluentes como fertilizantes, microplásticos e resíduos industriais”, observa o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (RS).

Algo parecido pode ter acontecido com a própria Covid-19. “Foram encontrados vírus geneticamente muito similares ao Sars-CoV-2 em morcegos do Sudeste Asiático. E esses animais apresentavam uma diversidade muito baixa nos genes responsáveis pela resposta imune, provavelmente porque ficam restritos a pequenas famílias que se reproduzem entre si”, explica Spilki.

Isolados, estressados e sem comida suficiente, os bichos são obrigados a migrar para sobreviver disputando território com predadores e… patógenos! E pode apostar que tem patógeno em tudo que é canto, até em terras e águas congeladas. Áreas da Sibéria que outrora se resumiam a gelo e hoje derretem a toque de caixa escondem vírus milenares desconhecidos, que podem ser reativados (um deles já foi).

É, de fato, a ponta de um iceberg.

Por fim, o estudo da Nature só estava falando de mamíferos. O vírus influenza, que encabeça a lista de preocupações de virologistas e infectologistas, se aloja em pássaros migratórios. “Se uma ave perde seu local de pouso porque ele foi destruído, tende a se aproximar de outros animais, como os porcos, nos quais o influenza pode sofrer rearranjos que formem novas cepas, transmissíveis entre humanos”, descreve Viviane.

Em suma: toda vez que cortamos uma árvore ou degradamos um terreno, mexemos com um reino invisível de micro-organismos. E esse é só mais um dos motivos pelos quais se fala tanto em conservar a biodiversidade.

A saída não é exterminar preventivamente hospedeiros e vetores virais. Longe disso! Tampouco dá para pensar na natureza sem os vírus. “Para muitos teóricos, eles podem ter dado origem à vida”, diz Brandão.

O professor da USP se refere a uma ideia de que a vida na Terra teria começado com uma sopa de RNA, a forma genética mais simples. Até que, por acaso, uma modificação conferiu a essas moléculas a capacidade de se grudar num lipídio, depois fazer novas proteínas, e por aí vai… Teriam nascido os vírus e, depois, os organismos celulares.

Já foram encontrados vírus fossilizados com mais de 100 milhões de anos. E eles têm papéis importantes. Alguns coordenam o ciclo de vida de fitoplânctons do oceano, responsáveis pela emissão da maior parte do oxigênio na atmosfera. “Outra função relevante é a de regular a expressão de alguns genes humanos, pois temos partes de genoma viral no nosso próprio DNA, incorporados em encontros ocorridos no passado”, exemplifica Brandão.

Se não deram o pontapé para a vida na Terra, sem dúvida os vírus são decisivos para sua manutenção. Não somos nós ou eles; somos nós e eles.

A convivência em harmonia depende da vigilância ativa — uma rede capaz de vislumbrar e conter os espécimes que se tornam patogênicos e problemáticos para nós e outros animais — e de dar espaço à natureza. “Quando o vírus Hendra assustou a Austrália, em 1990, tomaram-se medidas para que o morcego transmissor permanecesse intocado e longe dos cavalos, os principais afetados pela doença. Com o tempo, o equilíbrio se restabeleceu”, recorda Spilki.

Os “pontos quentes” para saltos interespécies, segundo as projeções e o histórico, são a África Central e o Sudeste Asiático, regiões de altíssima biodiversidade e habitat de centenas de espécies de morcegos, que são ótimos reservatórios naturais para vírus.

Mas a interferência nos ecossistemas brasileiros, tão ricos e, se bobear, mais ameaçados, traz o dilema para o nosso quintal. “Aqui existe um alto potencial para a introdução de novos patógenos”, afirma a veterinária Andrea Paulo Bruno von Zuben, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Campinas (SP).

Evidências recentes corroboram seu alerta. Um estudo publicado no periódico Science Advances aponta que dois terços dos estados brasileiros apresentam risco de médio a alto para surtos de zoonoses.

A pesquisa, liderada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), destaca que a degradação ambiental, somada à vulnerabilidade social da população das cidades (que já não dispõem de muita vegetação e planejamento urbano), contribui para a disseminação das zoonoses.

De novo, não estamos falando de futuro. Na verdade, é o presente em jogo — ou, se preferir, uma volta do passado. “A raiva, por exemplo, estava praticamente erradicada do nosso meio. Agora, os morcegos se tornaram mais importantes do que os cães e ratos na transmissão, e as pessoas não sabem disso”, revela Andrea. Leishmaniose e malária, outrora doenças rurais, estão se tornando mais urbanas.

De olho nisso, a Fiocruz está encabeçando um novo projeto, batizado com o sugestivo nome de Harmonize. Na iniciativa, cientistas do Brasil e de outros países irão monitorar o impacto das mudanças climáticas na propagação de doenças infecciosas.

O principal foco é a dengue, cujo comportamento mudou radicalmente nos últimos anos. “Depois de décadas vivendo em áreas litorâneas e grandes cidades dos arredores, ela se instalou de maneira permanente em Goiás, Minas Gerais e no sul do país”, nota Christovam Barcellos, da Fiocruz, um dos coordenadores da iniciativa.

Ao chegar a uma cidade nova, a dengue faz estragos porque ninguém está preparado para reconhecê-la e enfrentá-la. “No Rio Grande do Sul, eram menos de 4 mil casos por ano, e esse número foi ultrapassado em dez vezes. Em 2004, eram cerca de cinco municípios com o mosquito transmissor. Hoje são mais de 450”, calcula Spilki, que é gaúcho e vê a transformação de perto.

A dengue pode até não se encaixar na quase mítica categoria dos vírus respiratórios que tomam de assalto o planeta, mas deveria preocupar tanto quanto. O aumento de casos indica que a população do seu vetor, o Aedes aegypti, também cresceu, disputando e conquistando com sucesso terrenos novinhos em folha.“Ele era apenas mais um dos insetos das cidades, e hoje se tornou um dos principais, respondendo por 80% da população de mosquitos urbanos”, ressalta Barcellos.

Quanto mais Aedes livres e soltos, maiores as chances de vírus carregados por eles se multiplicarem e sofrerem mutações. E, assim, novos (ou não tão novos) patógenos provocarem consequências antes impensáveis.

O zika, outro vírus que pega carona no mosquito listrado, era conhecido desde os anos 1940, mas ninguém dava muita bola pra ele. Até que chegou ao Brasil em 2014 — supõe-se que por meio de turistas que vieram para a Copa do Mundo. Aqui, encontrou um vetor perfeitamente adaptado ao ambiente tropical. Deu no que deu.

Mais do que os sintomas típicos da dengue (febre e dores no corpo), o zika pode passar de uma mãe grávida para seu bebê, levando à microcefalia, quadro de malformação do crânio e do cérebro que afetou, só em 2015, mais de 2 mil crianças brasileiras. A ideia do projeto Harmonize é tentar entender melhor essas dinâmicas e antever surtos tão trágicos.

Espiar as doenças que circulam nos animais é um dos caminhos para se antecipar nessa luta pela sobrevivência. Outro é não ignorar os micro-organismos que já estão entre nós, como mostra a história do zika.

Em um mundo globalizado, o fato de uma superpopulação de mosquitos dominar um território latino ou uma zoonose letal emergir lá na África não quer dizer que só países dessas regiões devem ficar de vigia. E uma prova concreta disso é o que vivemos nos últimos dois anos.

Em 2017, a Nigéria encarou um surto atípico de varíola dos macacos, e a comunidade internacional praticamente ignorou o assunto até que o vírus batesse na porta das casas europeias e canadenses. “Como essas doenças ocorrem pouco fora do continente, se investe pouco em vacinas e remédios. Então, quando acontece um surto, há menos recursos para lidar com eles”, resume Iruka Okeke, microbiologista da Universidade de Ibadan, na Nigéria.

Seu objeto de pesquisa é outra ameaça microbiana que deveria ser mais alardeada pelo planeta: as infecções resistentes a antibióticos — sim, bactérias também semeiam o terror em nível epidêmico.

Para Iruka, e muitos outros especialistas, infecções endêmicas precisam ser mais bem controladas por meio de coordenação global e ação local. “Nações afetadas deveriam direcionar mais recursos e infraestrutura para isso, uma vez que não há interesse global. Mas deveria haver, porque estamos tão interconectados que a fraqueza de um país se torna a fraqueza de todos os países”, reflete a nigeriana.

Já existem meios de monitorar com frequência as zoonoses à espreita e detectar o que está por trás de sintomas atípicos num fazendeiro ou trabalhador de frigorífico. E eles evoluíram bastante nos últimos anos. Quando outro coronavírus “pulou” dos morcegos para as civetas, um pequeno mamífero asiático, e depois causou 774 mortes entre humanos em 2003, só se identificou adequadamente o agente infeccioso quando o surto se encaminhava para o fim.

Desta vez, a pandemia misteriosa de outro coronavírus surgiu em dezembro de 2019 e, em janeiro de 2020, o governo chinês já havia divulgado o nome e a assinatura genética do novo patógeno.

De fato, hoje é possível sequenciar — isto é, soletrar as letras que formam o código genético — um vírus rapidamente. Em geral, utiliza-se a técnica PCR, famosa com a Covid-19, para buscar agentes já conhecidos. E os supercomputadores entram interpretando esses dados para tentar prever o comportamento do patógeno.

Há ainda a metagenômica. “É uma tecnologia que detecta todos os nucleotídeos [moléculas que formam o DNA ou o RNA] de uma amostra, e depois recorre à bioinformática para comparar esses fragmentos com milhões de possibilidades de bancos de dados e fazer simulações. É como usar uma rede de pesca gigante e analisar tudo o que for pego por ela”, explica John Hackett, vice-presidente de pesquisa aplicada e tecnologia da Abbott, empresa que desenvolve testes para diagnóstico viral.

Tais avanços podem resolver buracos atuais no nosso entendimento sobre o tema. “Estimamos que até 30% das infecções respiratórias e até 15% das hepatites não sejam corretamente diagnosticadas”, relata Hackett.

Aliás, a menção às hepatites nos lembra de outro enigma recente, a infecção aguda no fígado de origem desconhecida que vitimou cerca de 20 crianças pelo mundo. Com tanta tecnologia, é de se perguntar: como a ciência não encontrou a causa dela? “O problema é que o fato de o vírus estar ali não significa que é ele que está causando a doença”, comenta Hackett.

É mais uma amostra da complexidade do Pandemiceno e suas implicações no longo prazo — até porque se ventila a possibilidade de ser o próprio Sars-CoV-2 um dos causadores da tal hepatite misteriosa. E mais uma prova de quão essencial é estudar profundamente os micróbios.

Nessa linha, a Abbott lançou a Global Pandemic Defense Coalition, uma iniciativa em cooperação com universidades e institutos internacionais, para desenvolver rapidamente protótipos de exames e detectar novos patógenos. É uma investida robusta na vigilância genômica, esse monitoramento molecular dos vírus tão decisivo nesta pandemia.

O fato de o projeto ser encabeçado por uma empresa particular é uma boa notícia, pois está cada vez mais claro que uma resposta à altura desses desafios depende de verbas e esforços públicos e privados.

A história das vacinas sustenta isso. Quando a emergência global do coronavírus foi decretada em 2020, dinheiro verteu como água para adiantar estudos que já estavam em andamento contra outras doenças.

Duas novas tecnologias se destacaram: as fórmulas de vetor viral, como a da Astra-Zeneca/Oxford; e as de RNA mensageiro, como a da Pfizer/BioNTech. “Elas mudaram o paradigma de desenvolvimento de imunizantes, pois podem ser feitas e testadas rapidamente”, diz o biólogo Paulo Lee Ho, do Instituto Butantan.

Essas inovações, contudo, não devem ficar restritas a quem pode pagar por elas ou serem vistas como algo a ser resolvido com importações.

Daí a importância de investir em tecnologias nacionais que, mesmo não tão arrojadas, cheguem mais rápido às nossas mãos. “Poderíamos ter tido vacinas antes no Brasil, mas ficamos dependentes de outros países numa competição por insumos para pesquisa e fabricação de imunizantes”, avalia Ho, que trabalha em uma vacina contra a Covid-19 em plataforma semelhante à da dose contra o influenza, o que facilitaria a produção rápida frente a uma emergência.

A falta de recursos num cenário de competição global (e desigual) e a ausência de investimento em ciência continuam sendo um gargalo por aqui.

O desenvolvimento das vacinas para Covid-19 mostrou o que acontece quando a indústria farmacêutica se mobiliza para uma causa de saúde pública urgente. E, na opinião de estudiosos da área, o mesmo gesto deveria ser estendido a pesquisas com imunizantes e remédios voltados a outras doenças infecciosas e negligenciadas.

“Tudo bem que o fabricante lucre, mas esse mercado deveria ser mais bem regulado, porque hoje não se investe no que precisaria ser vendido mais barato a países pobres que enfrentam doenças infecciosas, e eles têm a maior parte da população do planeta”, diz a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Já há quem proponha que, a cada dez produtos desenvolvidos por interesses estratégicos próprios, a indústria devesse entregar uma solução a uma necessidade de saúde pública não atendida. É um raciocínio que se aplica à criação de novos antibióticos para vencer a resistência microbiana (em especial, de bactérias) que ameaça a humanidade.

Vacinas, testes e antivirais vieram rápido, por meio das mãos dos até então escondidos cientistas, sempre ocupados pensando no que vem a seguir. Mas a vida fora dos muros do laboratório é mais complexa.

Vejamos o caso dos imunizantes, que salvaram 20 milhões de vidas em 2021, segundo cálculos do Imperial College London. Eles provaram (de novo!) ser uma das melhores táticas para deter micróbios à solta. Só que, ao mesmo tempo, sofreram um ataque sistemático e infundado, motivado por ideologias e interesses políticos e ausência de campanhas de conscientização.

Isso planta pulgas atrás da orelha da população, que agora demora para aderir às doses de reforço contra Covid.

O déficit na vacinação é mais amplo e não se restringe ao coronavírus. As coberturas registram quedas históricas, fenômeno atribuído a negligência dos cidadãos, calendário extenso, falta de estoque e dificuldades de acesso. Neste ano, a dose contra a gripe só alcançou metade do público-alvo.

Está empacada nos postos, mesmo com os médicos e estudos atestando que ela evita casos graves da doença, internações e mortes. E, pior, o influenza pode ser o ator da Próxima Grande Pandemia. “Uma mutação perigosa nesse vírus faria a Covid parecer um ensaio”, visualiza Brandão.

Influenza ou não, é muito provável que epidemias com alto potencial de expansão venham de vírus respiratórios, os mais insidiosos em matéria de transmissão. “Eles são críticos porque, toda vez que a pessoa infectada respira, lança muitas partículas virais no ar”, afirma o pneumologista Carlos Carvalho, coordenador da UTI Respiratória do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.

O que continuamos aprendendo com a Covid-19 não pode ser esquecido. Assim como as lições que vieram na esteira do HIV, que nos trouxe antivirais modernos e protocolos de prevenção de contágio.

A necessidade de coordenação, comunicação e fortalecimento da saúde pública é um dos deveres de casa para o Brasil. “Precisamos ter uma rede rapidamente acionável, pois não basta comprar respiradores e abrir mais leitos de UTI respiratória, é preciso ter profissionais prontos para trabalhar nesse contexto, uma capacitação que leva anos”, propõe Carvalho.

Ele sugere um esquema que lembra o de reservistas do serviço militar, com médicos, enfermeiros e companhia treinados para entrar em ação numa eventual guerra. Mas não é isso que o pneumologista enxerga hoje: “O que estamos vendo é um desmonte da resposta ao coronavírus”.

A vacinação em massa e ritmo inédito também traz insights preciosos. “Está mais claro para nós que, apesar da proteção oferecida, muitas vacinas não impedem infecções. Por isso os vírus continuam reemergindo quando têm condições favoráveis”, pontua a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Por outro lado, está mais do que provado que pessoas vacinadas não só estão bem menos sujeitas a complicações como transmitem o vírus por menos tempo. “Esses dados podem nos ajudar a aprimorar políticas de isolamento e reforço das campanhas de imunização”, diz a professora.

Acima de tudo, informar-se em tempos de incerteza é um aspecto crucial do enfrentamento às pandemias. E a fonte e a transparência fazem toda a diferença para não sermos enredados por mentiras. No primeiro pico da Covid-19, a Nova Zelândia resistiu ao vírus com políticas estritas de isolamento social, vigilância genômica e engajamento comunitário.

Quando a ciência foi ignorada e cada um falou o que quis em nome de interesses próprios, caso do Brasil e dos EUA, centenas de milhares de pessoas morreram.

Mudar o comportamento do hospedeiro (entre líderes e plebeus) é a variável mais complicada na equação das epidemias. “Em vez de culpabilizações individuais, devemos refletir sobre a falta de pensamento coletivo que nos trouxe até aqui”, diz o antropólogo Jean Segata, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Os vírus nos lembram que somos parte da natureza, e não clientes invencíveis com crédito ilimitado. Nos resta, como eles, evoluir para sobreviver.

Um mundo melhor para os vírus

Por que o momento é tão propício a novas epidemias?

  • Hoje em dia, é muito mais fácil viajar de avião. Em 1990, eram 1 bilhão de viagens ao ano. Em 2018, foram

4 bilhões de voos.

  • Os vírus ficam incubados por um tempo que pode ser superior a 14 dias, dando tempo para que viajem na surdina.
  • Muitas grandes cidades comportam aglomerações e são mal planejadas e desiguais, facilitando a propagação de patógenos.
  • Mudanças climáticas aumentarão em 4 mil vezes a transmissão de vírus entre espécies. E esse dado só considera os mamíferos.
  • Entre 60 e 70% das doenças infecciosas vêm dos animais, sejam de rebanho, silvestres ou domésticos. São as chamadas zoonoses.

Por que os vírus dominam o planeta

  • Os vírus têm a capacidade de evoluir e se adaptar ao ambiente muito rapidamente. Isso acontece por causa da sua alta velocidade de reprodução.
  • A cada replicação, podem ocorrer erros genéticos que conferem ou não vantagens a ele. Se houver benefício, a mutante tende a prosperar no meio.
  • Isso coloca os vírus numa invejável posição de abundância numérica. Numa tosse, o infectado por Covid pode liberar mais de 123 mil partículas virais.
  • Os vírus não são exatamente seres vivos: eles sequestram a engenharia dos organismos mais complexos para fazer suas cópias.

Como acompanhar os animais?

Se a qualquer momento um vírus pode emergir dos milhares de espécies que podem ter contato com o homem, procurar essa ameaça pode ser como encontrar uma agulha no palheiro.

Por isso, a vigilância das zoonoses foca em espécies específicas — como os animais de rebanho, que devem ser constantemente testados e vacinados.

É preciso ainda haver comunicação entre os sistemas de vigilância animal e humano. Se frangos de uma granja, por exemplo, começam a adoecer, os órgãos de saúde devem ser alertados. Nesse sentido, cresce o autoexplicativo conceito de “saúde única”.

Pandemia e agropecuária pioram resistência microbiana

Estudos mostram aumento na incidência de bactérias resistentes a tratamento em pacientes internados com Covid. É um risco que pode se expandir para fora do hospital com o uso indiscriminado de antibióticos em casos leves e moderados de quadros virais, sem infecção bacteriana secundária comprovada.

Outro setor que usa antibióticos exageradamente é a agropecuária, de modo preventivo. Um trabalho da ONG Proteção Animal Mundial encontrou genes de resistência bacteriana que podem colonizar humanos em amostras de água próximas a criações do interior paranaense.

Alguns números

Em 2019, a resistência bacteriana matou mais gente no mundo do que o vírus HIV ou a malária. Foram mais de 1 milhão de mortes.

Em 2050, poderão ser mais de 10 milhões ao ano. Para comparação, em dois anos a Covid matou 6 milhões.

Pelo menos 10 mil vírus são capazes de infectar humanos.

*A venda de produtos por meio destes links pode render algum tipo de remuneração à Editora Abril.

Fontes adicionais: Viviane Maria de Carvalho Hessel Dias, infectologista da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR); Thiago Moreno L. Souza, biólogo especialista em saúde pública da Fiocruz

13/07/2022 – Jornal Extra Classe

Link: Cotas: 10 anos de obstáculos, ajustes e avanços - Extra Classe

Cotas: 10 anos de obstáculos, ajustes e avanços

Com uma revisão da política prevista para este ano, entidades e educadores defendem que as cotas sejam prorrogadas

Sancionada pela presidente Dilma Rousseff em agosto de 2012 e regulamentada por decreto em outubro do mesmo ano, a Lei de Cotas previu a reserva de ao menos metade das vagas no ensino superior federal para alunos, pretos, pardos e indígenas egressos do ensino público. Apesar de ter triplicado a presença de negros nas universidades entre 2012 e 2019, a medida, no entanto, enfrentou obstáculos na implementação.

Fraudes na autodeclaração dificultaram o acesso à cota por parte de estudantes negros, e as universidades precisaram implementar comissões de heteroidentificação racial para coibi-las. Com uma revisão da política prevista para este ano, entidades e educadores defendem que as cotas sejam prorrogadas, pois faltam dados para uma análise dos impactos da lei ao longo destes 10 anos.

Joana Guimarães não teve nenhum colega negro nos quatro anos em que estudou na UFRGS até se formar em 1991. Na época, não havia assistência estudantil e era difícil conciliar aulas e trabalho. “Arrumar emprego em comércio ou escritório era a perspectiva que tínhamos na vida. A universidade passava longe do horizonte de pessoas como eu”, diz a geóloga, que seguiu na carreira acadêmica. Hoje, Joana é a primeira mulher negra eleita reitora de uma universidade federal. Desde 2019, dirige a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), sediada em Itabuna, cidade próxima à região costeira de Ilhéus.

A reitora viu de perto a revolução promovida pela Lei 12.711, a Lei de Cotas, promulgada em agosto de 2012, a qual previu a reserva de metade das vagas no ensino público federal para alunos egressos de escola pública, com subcotas destinadas a estudantes com baixa renda ou autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Desde 2016, as cotas também contemplam pessoas com deficiência. “Muitos jovens das periferias ingressaram. As pessoas da comunidade viam e percebiam que a universidade poderia ser para elas também. Antes, era distante da realidade delas”, explica ela, ressaltando que a maior parte da população mais pobre do país é negra.

De 2012 até 2019, a proporção de alunos pretos e pardos no total de estudantes no ensino superior quase triplicou. O número foi de 13% para 38%, conforme levantamento do site Quero Bolsa a partir de dados do Inep. O índice ainda está distante dos 57,3% da proporção de negros, pardos e indígenas na população brasileira (PNAD/IBGE 2019).

Completados 10 anos da Lei de Cotas, a legislação prevê uma reavaliação da política neste ano, que ainda não foi analisada pelo Congresso Nacional. Educadores e entidades, como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), defendem uma prorrogação da lei e apontam que faltam dados para a revisão.

“Não há critérios de avaliação da política de cotas com indicadores uniformes, ou uma métrica do ponto de vista de alcance de metas e objetivos em nível nacional”, afirma Edilson Nabarro, da Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas (CAF) da Ufrgs.

Joana concorda e afirma que as cotas ainda estão em fase de implantação. “Uma coisa é a teoria: criar a lei e estabelecer parâmetros. Mas, às vezes, se fazem ajustes e precisamos analisar o que foi ajustado nesses dez anos para poder se pensar em uma revisão”, diz a reitora. Hoje, um projeto que tramita em regime de urgência adia para 2062 a revisão da Lei de Cotas, mas aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados.

Branco sai, preto fica

Entre os ajustes recentes, ela cita que as universidades precisaram combater tentativas de fraude nas subcotas raciais, reservadas apenas para negros, pardos ou indígenas. Como a lei estipula a autodeclaração, isso abriu brecha para candidatos brancos ingressarem por meio dessas cotas. “A pessoa tinha um bisavô negro, então se autodeclarava negra também. Houve essa dificuldade de definir quantas pessoas negras ingressaram ao longo destes dez anos também por causa de fraudes na autodeclaração”, lamenta a reitora da UFSB.

Até 2020, as universidades federais acumularam quase 4 mil denúncias de fraudes em cotas raciais, a maioria nas regiões Nordeste e Sudeste do país. A maior parte das queixas, no entanto, passou a ser registrada somente a partir de 2017. Os dados são do Mapa das Comissões de Heteroidentificação Étnico-Racial das Universidades Federais Brasileiras, coletados pelo professor Sales Santos, da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Das 69 universidades federais consultadas pelo estudo, apenas seis afirmaram não ter recebido denúncias desse tipo.

“As subcotas raciais se destinam a sujeitos de direito bem definidos. Como no Brasil o racismo é de marca e não de origem, o critério de percepção são os traços fenotípicos, e não o genótipo”, explica Nabarro. No caso da UFRGS, em 2017, a universidade apurou uma denúncia de que cerca de 290 alunos brancos teriam ingressado na universidade por meio de cotas raciais. “Uns 95% foram indeferidos porque, indiscutivelmente, não eram negros fenotipicamente. Mas na fase de análise de recursos, houve uma intervenção do MPF (Ministério Público Federal) que apontou supostas fragilidades nos procedimentos da Comissão. Aí nossa investigação parou e não retornou”, diz o coordenador. “Teve descendentes de alemães de olhos azuis que ingressaram em Medicina pelo regime de cotas”, recorda o coordenador. Hoje, alguns desses estudantes já se formaram.

A partir dessas denúncias e para prevenir novos casos, comissões de heteroidentificação étnico-racial permanentes foram criadas pelas instituições. Ou seja, a autodeclaração feita no vestibular passou a ser verificada presencialmente por comissões para coibir fraudes – a chamada heteroidentificação, ou identificação por pares. Hoje, ao menos 50 universidades federais estão com o dispositivo instituído, a maior parte entre 2017 e 2019, época em que as denúncias ganharam tração.

Efeitos positivos das cotas

A médica Lúcia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirma que a validação da autodeclaração étnico-racial dos candidatos aprovados está ajudando a mudar o perfil da universidade, cuja comissão de heteroidentificação data de 2018. “Antes existia uma ‘dificuldade conceitual’. A pessoa se inscrevia se considerando parda, quando, na verdade, não era. Desde que isso ficou parametrizado com a comissão, que haveria essa avaliação, menos gente faz essa tentativa, e o próprio processo vai ficando mais tranquilo”, esclarece Pellanda.

Cotista na UFCSPA e membro da comissão de heteroidentificação étnico-racial da universidade, a estudante de Farmácia Julia Lourenço explica que em países como os Estados Unidos a raça é vista sob o prisma da “gota de sangue”, onde se ter antepassados de outras etnias já torna as pessoas não brancas, o que não se aplica ao Brasil. “Aqui, inclusive pela miscigenação extrema, ser negro é um fator mais fenotípico do que genotípico”, diz a estudante, que afirma que a comissão é formada com diversidade, por alunos, professores e servidores para garantir representatividade na validação da autodeclaração dos candidatos.

Além de fraudes, Julia também aponta que cotistas enfrentam discriminação e empecilhos para permanecer no ensino superior. Muitas pessoas acham que alunos negros ou de baixa renda estudam menos, mas os cotistas precisam se esforçar muito para garantir o acesso e a permanência no ensino superior. “O ensino nas escolas públicas não é exatamente o melhor possível, e a UFCSPA, por ser de excelência, tem um nível de cobrança grande. Então, é uma mudança brusca na forma de ensino e metodologia. É um baque nos primeiros semestres até a pessoa pegar o jeito”, relata.

A estudante conta que muitos de seus colegas brancos chegam à universidade após terem estudado em escolas privadas ou cursinhos pré-vestibular, enquanto alunos negros vêm de instituições onde, muitas vezes, faltam professores, sobretudo em matérias como Matemática e Física. “Meus colegas – de UFCSPA – já tiveram conteúdos que nunca vi, por exemplo”, declara Julia, que será a primeira da família a se formar em uma universidade pública. A estudante celebra o fato e que a Lei de Cotas beneficiou também sua mãe, hoje cotista do ProUni e estudante de Direito em uma faculdade privada.

Cortes no orçamento podem afetar cotistas

Em junho deste ano, o Ministério da Educação cortou 3,2% do orçamento da verba de custeio das universidades federais, o equivalente a R$ 220 milhões. A medida pode afetar a manutenção de políticas que beneficiam estudantes cotistas. “A verba de assistência estudantil, que é carimbada, não costuma ser suficiente para todos. Então, a maioria das universidades usa esse dinheiro do custeio, agora reduzido, para financiar bolsas, RU e outras coisas importantes”, lamenta a médica Lúcia Pellanda, reitora da UFCSPA. Fora o corte, outros 4% do orçamento seguem bloqueados.

Origem das cotas nos movimentos sociais

A Lei de Cotas nasceu da pressão do movimento negro, da sociedade civil organizada e do pioneirismo da Universidade de Brasília (UnB), primeira instituição de ensino superior federal a implementar cotas raciais, ainda em 2004. Nos anos seguintes, outras universidades criaram cotas com base na autonomia universitária até que o Democratas, atual União Brasil, ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a UnB, sob argumento de que a política seria discriminatória e inconstitucional, mas a corte decidiu pela constitucionalidade da medida ao julgar a ação em 2012, o que abriu caminho para a sanção da Lei. Relatada pelo ministro Ricardo Lewandowski, a decisão também definiu as bases para as comissões de heteroidentificação, ao estabelecer que o julgamento deveria ser feito com base no fenótipo e não na ascendência.

13/07/2022 – CNN

Link: Entenda por que vacinas da Covid-19 protegem mesmo diante das mutações do vírus | CNN Brasil

Entenda por que vacinas da Covid-19 protegem mesmo diante das mutações do vírus

Estudos indicam que dose de reforço aumenta significativamente o nível de proteção contra a infecção que tende a diminuir após seis meses

Vírus são microrganismos com estruturas relativamente simples, compostos basicamente de proteínas e de informações genéticas. Essa característica faz com que eles tenham uma alta capacidade de mutação.

Com o coronavírus não é diferente. A circulação extensiva do vírus causador da Covid-19 contribui para o surgimento de novas variantes. Desde a descoberta da Ômicron, em novembro de 2021, o coronavírus continuou a evoluir, dando origem a muitas linhagens descendentes e também recombinantes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que realiza o monitoramento contínuo das diferentes linhagens, a diversificação genética da Ômicron indica uma pressão do vírus pela adaptação aos hospedeiros humanos.

A maior parte das mutações virais está localizada na proteína Spike, utilizada pelo vírus para invadir as células humanas. Algumas dessas mutações podem tornar o vírus menos suscetível à resposta imunológica esperada pelas vacinas.

As vacinas contra a Covid-19 em uso no mundo foram desenvolvidas a partir das linhagens do vírus que circulavam no início da pandemia e que não apresentavam a mesma quantidade de mutações das cepas circulantes no momento.

No entanto, estudos em andamento indicam que, mesmo diante das mutações, os imunizantes permanecem eficazes na proteção contra quadros graves, hospitalizações e morte pela doença. As análises indicam, ainda, que a dose de reforço aumenta significativamente o nível de proteção contra a infecção que tende a diminuir após seis meses.

O que contribui para a manutenção da proteção

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica alguns dos fatores que contribuem para a manutenção da eficácia das vacinas em uso.

Segundo a especialista, a efetividade das vacinas está relacionada à produção de anticorpos neutralizantes específicos contra o coronavírus e à indução de outros mecanismos relacionados à defesa do organismo, como a ativação dos linfócitos, ou células T.

A chamada resposta celular gerada pelos imunizantes envolve células de memória do sistema imunológico que permanecem no organismo. Assim, quando o indivíduo entra em contato com o coronavírus por meio de uma infecção natural, elas ativam a produção de anticorpos que respondem contra a infecção, evitando principalmente o agravamento da doença.

“Existem dois tipos de proteção imunológica aos vírus que geram memória. Um desses são os anticorpos, o outro são os linfócitos T, que ficam nos tecidos, nos pulmões e demais órgãos, protegendo da doença. Essa imunidade não foi afetada pelas variantes em nada pelo que conseguimos medir”, afirma Cristina.

Como grande parte das mutações são encontradas na proteína Spike, os principais impactos refletem principalmente na capacidade do vírus de invadir as células humanas, e não no agravamento da doença.

“A maior parte das mutações está na parte da proteína Spike que chamamos de RBD, que é a parte que liga no receptor. As mutações da Ômicron são principalmente ali. Se você olha, por exemplo, os linfócitos T, as mutações não afetam as áreas que eles reconhecem. Por que eles reconhecem pedaços bem pequenos”, explica a imunologista.

Pesquisadores do Imperial College, de Londres, realizaram um amplo estudo que vai ao encontro da importância da vacinação. Embora o organismo humano seja capaz de produzir defesas contra o coronavírus durante a infecção natural, o nível de proteção pode não ser tão elevado dependendo da variante envolvida, segundo a pesquisa.

No estudo britânico, que contou com a participação de profissionais de saúde, os pesquisadores investigaram a imunidade das células T e B contra a Ômicron em vacinados com diferentes históricos de infecção pelo SARS-CoV-2.

Os resultados do estudo, publicado na revista Science, apontaram que a infecção pela Ômicron não foi capaz de reforçar os mecanismos de ação do sistema imunológico.

O que dizem os estudos de efetividade

Diferentemente dos testes de eficácia, que dizem respeito aos estudos conduzidos em ambientes controlados, como aqueles realizados durante o desenvolvimento das vacinas, os dados de efetividade refletem os resultados da vacinação na prática em grandes populações.

Pelo menos 33 estudos de 14 países (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Israel, Catar, África do Sul, Reino Unido, Estados Unidos e Zâmbia) avaliaram amplamente a proteção de seis vacinas contra a Covid-19 diante da infecção pela variante Ômicron.

Entre as pesquisas, 12 estudos contribuíram com estimativas de efetividade apenas do esquema primário de vacinação, quatro apresentaram dados apenas da primeira dose de reforço e 17 contribuíram para ambas.

Os resultados desses estudos mostram redução da efetividade das vacinas contra a variante Ômicron, com apenas a série primária, para todos os desfechos (doença grave, doença sintomática e infecção) em comparação ao que foi observado para as outras quatro variantes de preocupação do coronavírus: Alfa, Beta, Gama e Delta.

No entanto, as estimativas de efetividade contra a Ômicron permanecem mais altas para doenças graves do que os outros quadros clínicos na maioria dos estudos. As análises apontam ainda que a primeira dose de reforço melhora significativamente a efetividade das vacinas para todos os desfechos clínicos.

Os resultados dos estudos indicam que, após a primeira dose de reforço, a efetividade das vacinas diminui mais em relação a doença sintomática e infecção do que para doença grave ao longo do tempo. No entanto, ainda não estão disponíveis estudos que avaliem a efetividade da vacinação de reforço em um prazo maior do que seis meses.

Para doença grave, a efetividade do esquema de vacinação primário mostrou pouco declínio ao longo de seis meses.

O índice foi maior ou igual a 70% durante os três primeiros meses após a vacinação para 7 das 13 (54%) estimativas de efetividade para as vacinas de RNA mensageiro da Pfizer e da Moderna.

Dos dois estudos de vacinas de vetor viral disponíveis, ambas tiveram efetividade abaixo de 70%: um relatou efetividade abaixo de 70% para a AstraZeneca e o outro indicou efetividade abaixo de 50% para a Janssen. Em relação às vacinas de vírus inativado, estimativas apontam que a Coronavac apresentou efetividade maior ou igual a 50%.

Nova geração de vacinas

Para os especialistas consultados pela CNN, o desenvolvimento de uma nova geração de vacinas contra a Covid-19 é um movimento esperado da indústria farmacêutica em busca de aprimoramento – o que não significa, necessariamente, que os imunizantes em uso tenham perdido a capacidade de proteção.

Considerando a evolução viral ao longo do tempo, a atualização das vacinas permitirá o desenvolvimento de formulações com proteção mais abrangente, capazes de reduzir de maneira mais robusta até mesmo a infecção, e também mais prolongada, como acontece com outros tipos de imunizantes.

“A imunidade que as variantes afetaram foi a capacidade do anticorpo evitar que o vírus entre na célula. Então, mesmo que ele entre, você ainda vai estar protegido. Vacinas atualizadas vão diminuir a chance dele entrar”, afirma Cristina.

A Pfizer e a Moderna, farmacêuticas que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro contra a Covid-19, apresentaram resultados de candidatas a vacinas específicas para a variante Ômicron.

Em junho, a Pfizer divulgou dados promissores da versão adaptada de duas vacinas, uma monovalente e outra bivalente. Enquanto uma é uma combinação da vacina da Pfizer, a outra é direcionada à proteína Spike da linhagem BA.1 da Ômicron.

De acordo com a Pfizer, os dados do estudo de fases 2 e 3 apontaram que uma dose de reforço de ambas as vacinas candidatas adaptadas provocou uma resposta imune substancialmente maior contra a BA.1 da Ômicron BA.1 em comparação com a vacina atual. A resposta imune robusta foi observada em dois níveis de dosagem com 30 e 60 microgramas.

No dia 8 de julho, a Moderna apresentou novos dados clínicos da vacina de RNA mensageiro voltada para a variante Ômicron. Os resultados mostram respostas de anticorpos expressivas em comparação com a atual dose de reforço. A dose de reforço de 50 microgramas apresentou perfil de segurança no estudo que contou com a participação de 437 voluntários.

Dose de reforço

A primeira dose de reforço melhorou a proteção contra a doença grave em todos os estudos. A efetividade da vacina foi igual ou superior a 70% em 94% das estimativas que avaliaram a proteção entre 14 dias e três meses após o recebimento do reforço.

De três a seis meses após o reforço com as vacinas de RNA mensageiro, o índice foi igual ou superior a 70% para 21 de 26 estimativas.

Considerando apenas o esquema inicial de vacinação, a efetividade dos imunizantes contra infecção sintomática nos primeiros três meses foi menor em comparação com a doença grave. Além disso, a efetividade diminuiu mais significativamente ao longo do tempo.

“As vacinas diminuem a proteção com o passar do tempo e de acordo com a variante que está circulando, mas quando nós aplicamos os reforços, tanto o primeiro quanto o segundo reforço para quem já está indicado, ele recompõe essa proteção. Para a Ômicron, essa dose de reforço é fundamental”, afirma Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Os estudos apontam que a dose de reforço de vacinas de RNA mensageiro após a conclusão de uma série primária de uma vacina do mesmo tipo, da AstraZeneca ou da Coronavac, melhorou a proteção contra doença sintomática.

No entanto, a proteção da primeira dose de reforço diminuiu rapidamente ao longo do tempo: apenas três das 13 estimativas disponíveis em três a seis meses após o recebimento de uma dose de reforço de tiveram efetividade maior ou igual a 50% e nenhuma foi igual ou superior a 70%.

“Com a vacinação completa, que considera quando as pessoas fazem inclusive os reforços, a possibilidade de ter doença grave, de hospitalização e de morte é muito menor comparando com aqueles que fizeram só a vacinação básica de duas doses ou com aqueles que não se vacinaram”, afirma Cunha.

08/07/2022 – UFRGS Notícias

Link: Órgãos federais formalizam acordo de cooperação técnica para atenção à saúde do servidor — UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Órgãos federais formalizam acordo de cooperação técnica para atenção à saúde do servidor

Cerimônia de assinatura ocorreu no Salão Nobre da Reitoria da UFRGS

Foi assinado na manhã desta sexta-feira, 8 de julho, o Acordo de Cooperação Técnica do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Público Federal (SIASS) entre a UFRGS, a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Rio Grande do Sul, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), a Superintendência Federal de Agricultura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Superintendência Regional de Administração no Estado do Rio Grande do Sul do Ministério da Economia. O acordo renova e amplia o atendimento da Unidade SIASS na UFRGS, que foi a primeira a ser instalada no estado e a segunda no Brasil, em 2010. A partir de agora, os servidores ativos e pensionistas da Superintendência do Ministério da Economia no RS passam a ser atendidos pela Unidade SIASS/UFRGS.

A superintendente de Gestão de Pessoas da UFRGS, Marília Borges Hackmann, destacou que a Unidade SIASS/UFRGS atende cerca de 80 mil pessoas, abrangendo alunos, servidores ativos e aposentados e pensionistas da Universidade e dos órgãos que participam do convênio nas questões relativas à Política de Atenção à Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público Federal (PASS). O acordo possibilita a ação conjunta dos envolvidos e o uso racional dos recursos humanos, técnicos e orçamentários, potencializando os resultados das ações e serviços de saúde voltados aos servidores públicos federais. Conforme Marília Hackmann, a ampliação do acordo reforça o protagonismo da UFRGS na implantação da PASS.

O reitor Carlos André Bulhões Mendes agradeceu o trabalho dos integrantes da Comissão Interinstitucional e dos demais servidores envolvidos na formulação do acordo. Ele ressaltou a importância das parcerias entre instituições para a obtenção de bons resultados, citando exemplos de ações empreendidas pela UFRGS e parceiros no enfrentamento da pandemia de covid-19.

Participaram da mesa que celebrou a parceria: a pró-reitora de Planejamento de UFCSPA Alessandra Dahmer – representando a reitora Lucia Pellanda –, o reitor do IFRS Julio Heck, a superintendente federal de Agricultura Helena Pan Rugeri, o superintendente substituto estadual do IPHAN Airton Moraes e o superintendente regional de Administração do Ministério da Economia Richardi Fonseca, que também integrou a comissão interinstitucional responsável pelo acordo.

06/07/2022 – GZH

Link: Antibióticos e antialérgicos: os remédios que mais estão em falta nas farmácias do RS | GZH (clicrbs.com.br)

Antibióticos e antialérgicos: os remédios que mais estão em falta nas farmácias do RS

Hospitais registram escassez de soro fisiológico, usado para pacientes internados, mostra levantamento do Conselho Regional de Farmácia

Antibióticos, antialérgicos, analgésicos, anti-inflamatórios e xaropes para tosse – remédios para covid-19 e doenças de inverno – são as medicações mais em falta em drogarias, hospitais e farmácias do Sistema Único de Saúde (SUS) do Rio Grande do Sul, mostra levantamento do Conselho Regional de Farmácia gaúcho (CRF-RS).

A pesquisa, feita de forma online ao longo de três semanas com farmacêuticos que atuam na iniciativa privada e no setor público, questionou se faltavam remédios nas farmácias onde os profissionais atuam – se sim, quais as medicações.

O desabastecimento é maior em drogas usadas contra covid-19 e doenças respiratórias do inverno, mas profissionais ainda relataram falta de soro fisiológico, utilizado como “veículo” para aplicação de remédios em pacientes hospitalizados.

TRATAMENTO EM RISCO NO RS

Queda de máscaras e inverno, aliados a lockdown na China e guerra entre Rússia e Ucrânia, resultaram em baixa oferta e alta demanda de remédios para doenças respiratórias no RS

Os remédios que mais estão em falta nas farmácias do RS

Amoxicilina (antibiótico)

Cloridrato de ambroxol (xarope expectorante)

Azitromicina (antibiótico)

Cloridrato de bromexina (xarope expectorante)

Dexclorfeniramina (antialérgico)

Prednisolona (anti-inflamatório)

Acetilcisteína (xarope expectorante)

Carbocisteína (xarope expectorante)

Loratadina (anti-alérgico)

As classes de remédio mais em falta nas farmácias gaúchas

Antibióticos

Antialérgicos

Analgésicos

Anti-inflamatórios

Soro fisiológico

Anestésico

— Nas drogarias e na saúde pública, faltam antibióticos, anti-inflamatórios, anti-histamínicos (antialérgicos) e analgésicos. A nível hospitalar, farmacêuticos relataram falta de anestésicos e de soro fisiológico. Isso ocorre pela falta de matéria-prima ou da embalagem para o envase da substância — afirma a farmacêutica e presidente do CRF-RS, Letícia Raupp.

A entidade destaca a falta de antibióticos para crianças, situação presente há meses e vivenciada pela empresária Betina Maier, de 35 anos, moradora de Novo Hamburgo. Em maio, ela levou a filha Morena, de nove meses, ao hospital, onde a menina foi diagnosticada com bronquiolite, pneumonia e infecção urinária. O médico comunicou: a criança só teria alta se a mãe comprasse, na farmácia, um antibiótico para seguir o tratamento em casa – o remédio, entretanto, estava em falta.

— Ele me disse: “Não posso correr o risco de dar alta, ela ir pra casa e não ter a medicação”. Fui atrás de várias farmácias, mas nenhuma em Novo Hamburgo tinha. Conseguimos um frasco em Sapiranga — conta a empresária, que ainda relata dificuldades na busca por medicações:

— Ainda hoje faltam remédios para crianças. Duas semanas atrás, minha filha teve outro problema respiratório, a pediatra disse para entrar com nebulização e Aerolin em gotas (remédio para asma e bronquite), mas só achamos em Campo Bom — acrescenta.

A rede pública também sofre de escassez. Para além de um crescimento de 16% no número de pessoas em busca de remédios em farmácias do SUS no mês passado frente a junho de 2021, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Porto Alegre relata dificuldade para comprar os antibióticos amoxicilina e gentamicina, o remédio fenoterol (utilizado para bronquite, pneumonia e asma) e estrógenos. “Apesar dessas situações, todos os esforços estão sendo realizados para que não gerem o desabastecimento nos medicamentos disponíveis à população”, diz a prefeitura.

O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), que representa fabricantes de remédios, afirma que associados relataram “expressivo e atípico aumento de demanda por determinados antibióticos no primeiro trimestre e isso desorganizou a cadeia de fornecimento ao varejo”. Todavia, a entidade alega que a oferta é regular na maioria das fabricantes e que apenas algumas empresas relataram problemas “pontuais” de produção de antibióticos.

“Os dados disponíveis confirmam a oferta regular e até acima do normal do antibiótico amoxicilina e do analgésico dipirona por parte da indústria”, diz o Sindusfarma, ao contrário do que relataram farmacêuticos sobre a falta desses dois remédios, especificamente. Por fim, a entidade afirma que indústrias estão readequando a produção para atender o mercado.

Hospitais registram falta de soro fisiológico

O Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa), que representa instituições como os Hospitais Mãe de Deus e Moinhos de Vento, informou por meio de nota que há cerca de 30 itens “com abastecimento prejudicado, incluindo medicamentos e insumos para realização de procedimentos”.

A maior falta em hospitais é de soro fisiológico e contrastes para exames. “A indisponibilidade tem sido verificada de forma mais abrangente no varejo. Os hospitais vêm monitorando diariamente os estoques para bem atender aos pacientes”, informa a entidade que representa hospitais da capital gaúcha.

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre informou, também por por meio de nota, que tem "acompanhado com apreensão a escassez de medicamentos no mercado brasileiro, bem como aumentos significativos de preços”. Para minimizar o problema, “a instituição tem fortalecido as parcerias comerciais com fornecedores e, em alguns casos pontuais, elevando os estoques de segurança”.

Farmácias de manipulação têm sido acionadas em alguns casos. Em outros, busca-se o médico para substituir o remédio. “Porém, apesar da atual escassez, não temos sido impactados significativamente com rupturas de abastecimento que prejudiquem a assistência de nossos pacientes”, diz a Santa Casa.

O Hospital Moinhos de Vento afirmou que monitora o desabastecimento de medicamentos no varejo, especialmente de soro fisiológico, mas que a instituição segue sendo atendida pelos fornecedores e não registra falta de insumos. “O hospital acompanha diariamente a situação e busca alternativas para eventuais problemas de abastecimento”, diz o Moinhos de Vento.

O Hospital Mãe de Deus informou, também por nota, que está a par de que o mercado enfrenta dificuldades, mas que “tem todos os medicamentos garantidos em estoque, em razão de contrato estabelecido com os fabricantes”.

Motivo

As raízes do problema são multifatoriais: envolvem menor oferta de remédios e de embalagens como resultado de um xadrez geopolítico europeu-asiático e pela maior demanda impulsionada pelo inverno rigoroso e pela queda do uso de máscaras em ambientes fechados, o que favorece a transmissão de vírus respiratórios, dizem especialistas.

O Brasil depende de importação de matéria-prima para fabricar remédios - mais de 90% dos ingredientes vêm da China e da Índia. Como os lockdowns impostos pelo governo chinês na política de “covid zero” pararam cidades de grandes indústrias farmacêuticas, caiu a oferta de matéria-prima global e também de embalagens de vidro e plástico para envasar remédios e soro fisiológico.

— Em 2022, com colégios em funcionamento, retomada de vida quase normal de adultos e o querido inverno gaúcho, a demanda por esses remédios aumenta. Mas, agora, há a infeliz coincidência de o mercado chinês se fechar, o que faz o desabastecimento chegar ao ápice — diz Cabral Pavei, professor de Farmácia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ainda no cenário internacional, a guerra entre Rússia e Ucrânia afeta a cadeia logística mundial de portos e aeroportos, acrescenta Diego Gnatta, professor de Farmácia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— A guerra afeta o trânsito de navios e contêineres, o que impacta não só a indústria de automóveis, mas também a industria farmacêutica. Os insumos não necessariamente são produzidos na Ucrânia ou na Rússia, mas isso afeta a logística — diz o pesquisador. 

Uma saída para o problema é investir na produção nacional de medicamentos em laboratórios públicos e universidades, afirmam pesquisadores. Pavei, da UFCSPA, destaca que, em 2018, o governo gaúcho fechou o Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul.

 — Como o SUS é um dos que mais utiliza esses medicamentos, agora se inicia nova discussão com o Ministério da Saúde para criar plantas industriais e laboratórios públicos de produção de ingrediente farmacêutico ativo — diz o professor.

A presidente do Conselho de Farmácia do Rio Grande do Sul pontua que a atual dificuldade logística deixa o país vulnerável, o que exige políticas públicas para evitar nova escassez.

— Alguns medicamentos a indústria farmacêutica têm menos interesse produzir, em função do baixo custo de venda, como soro fisiológico. Isso seria solucionado se laboratórios oficiais voltassem a produzir medicamentos de baixos custo. Hoje, como temos dificuldade logística, ficamos sem matéria-prima para produzir medicação na indústria brasileira. Precisamos de uma política pública para desenvolver matérias-primas — diz a presidente do CRF-RS. 

Por que amoxicilina é a que mais falta?

Amoxicilina, o remédio mais em falta no Rio Grande do Sul, é uma das primeiras opções escolhidas por médicos para tratar de infecções bacterianas comuns, como faringite, sinusite, otite em crianças e pneumonia leve, explica Alexandre Zavascki, médico infectologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

— Uma prática bastante comum entre médicos é ter uma suspeita de quadro viral e já dar antibiótico, descnecessariamente. Isso pode estar agravando (a situação). Se ficou na dúvida de ter uma infecção bacteriana, o médico acaba dando — critica.

06/07/2022 – GZH

Link: "Mais Vozes": especialistas da área da saúde discutem a baixa procura pelas doses de reforço no RS | GZH (clicrbs.com.br)

"Mais Vozes": especialistas da área da saúde discutem a baixa procura pelas doses de reforço no RS

 Uma reportagem de GZH divulgou, na terça-feira, que 2,75 milhões de gaúchos estavam com a terceira dose atrasada, o que representa 24% da população do Estado

Com os menores índices de internação e de mortes por conta da covid-19, a imunização vem se mostrado eficiente na batalha contra o coronavírus. Apesar disso, ainda é grande o número de gaúchos com esquema vacinal incompleto. Uma reportagem de GZH divulgou, na terça-feira (5), que 2,75 milhões de gaúchos estavam com a terceira dose atrasada, o que representa 24% da população do Estado, de 11,4 milhões. Outros 2,38 milhões de indivíduos já poderiam ter recebido a quarta aplicação, mas não o fizeram.

O quadro Mais Vozes, no programa Gaúcha + desta quarta-feira (6), questionou especialistas da área da saúde o porquê da baixa procura pelas doses reforço no Estado. Participaram do quadro a reitora da  Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre  (UFCSPA) e professora de Epidemiologia, Lucia Pellanda, o médico infectologista do Hospital Conceição André Luiz Machado, o virologista e professor da Feevale, Fernando Spilki, o infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Alexandre Zavascki, e o epidemiologista Paulo Petry.

Para a reitora Lucia Pellanda, as vacinas são "vítimas do próprio sucesso". A professora argumenta que, conforme a imunização mostra sua eficácia, as doenças, em sua maior gravidade, desaparecem e, justamente por conta disso, entende-se que não é mais necessário vacinar-se. Ela relembra, porém, que manter o esquema vacinal completo é essencial para impedir novas variantes do vírus.

Pelo mesmo ponto de vista, o infectologista do Hospital Conceição André Luiz Machado entende que a população começou a relaxar na busca pelo reforço quando percebeu a redução nos casos graves e óbitos. Ele alerta que, com o passar do tempo, a proteção conferida pela vacina tende a se perder, e só com a vacinação completa os baixos índices se mantêm.

Fernando Spilki, virologista e professor da Feevale, também cita a falsa sensação de segurança com a menor preocupação das pessoas com a doença. Ele ainda indica como possíveis fatores pela queda de procura da vacinação a desinformação, pela falta de conhecimento da necessidade de fazer novas doses, e informações inadequadas sobre os imunizantes e os efeitos colaterais, que por vezes podem afastar as pessoas do retorno aos postos de saúde.

O infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da UFRGS, Alexandre Zavascki, acredita que os índices estejam relacionados com a ausência de campanhas de comunicação, por parte de agentes públicos, que orientem a vacinação. Ele também cita como fator para isso a desinformação sobre os imunizantes que, de acordo com ele, é promovida inclusive por médicos.

Nesse sentido, o epidemiologista Paulo Petry também destaca as notícias falsas a respeito das vacinas contra a covid-19. De acordo com ele, politizou-se uma questão que diz respeito à saúde, o que espalhou uma cultura em que muitas pessoas não se vacinaram e outras que não completaram o esquema vacinal.

04/07/2022 – UFRGS Notícias

Link: Pesquisadores gaúchos anunciam criação da Rede BioFood — UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Pesquisadores gaúchos anunciam criação da Rede BioFood

Iniciativa foi contemplada em edital da Fapergs e prevê a instalação de um centro regional de pesquisa permanente no ICTA

Com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), através do edital do Programa de Redes Inovadoras de Tecnologias Estratégicas do Rio Grande do Sul (RITEs-RS), foi criada a Rede BioFood.

O consórcio envolve universidades públicas e privadas e empresas, nomeadamente: UFRGS, UFFS, UFSM, Uergs, Unisinos, Univates, UFCSPA, UCS, IFRS, Furg, Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR) e Quatro G Biotecnologia. As equipes já iniciaram os trabalhos em seus laboratórios, em cumprimento ao cronograma sugerido na proposta apoiada pela Fapergs.

Sob coordenação do professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA) da UFRGS Marco Antônio Záchia Ayub, o projeto visa à criação de um centro regional de pesquisa permanente para o desenvolvimento da ciência e tecnologia de bioprocessos e biotecnologia aplicados à industrialização de alimentos de qualidade e inovadores, em um sistema de economia circular, com integração completa de ciclos produtivos.

Esse objetivo será buscado por meio do avanço permanente de tecnologias de bioprocessos para o aproveitamento de todos os resíduos e subprodutos da indústria agroalimentar gaúcha, visando à conversão desses materiais em produtos de alto valor agregado voltados à criação de novos alimentos, além da melhoria da qualidade nutricional dos alimentos já existentes.

De acordo com Ayub, o centro regional terá sede no Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos (ICTA) da UFRGS, ao qual está vinculada a maioria dos pesquisadores que colaboram com a iniciativa. Entretanto, as pesquisas serão conduzidas nos laboratórios de cada instituição que compõe a rede, podendo contar com a estrutura de todas as demais participantes, conforme suas necessidades.

04/07/2022 – Diário Gaúcho

Link: Novas ondas e cepas mais transmissíveis: especialistas refletem como será o próximo semestre da covid-19 - Notícias (clicrbs.com.br)

Novas ondas e cepas mais transmissíveis: especialistas refletem como será o próximo semestre da covid-19

Profissionais da saúde analisam possíveis cenários; estudo indica picos da doença até 2024

Os primeiros seis meses de 2022 consolidaram um cenário esperado há dois anos: a menor letalidade da covid-19. A vacinação avançou: em janeiro, 70% dos brasileiros tomaram duas doses e, a despeito de duas ondas de Ômicron, o número de hospitalizações e mortes foi menor do que em ondas anteriores.

Ainda assim, não foi um semestre leve: no Brasil, a covid-19 matou 52.360 pessoas – 3.583 delas, no Rio Grande do Sul. As piores fases foram em fevereiro e junho, meses das duas ondas de Ômicron – uma quando a variante avançou pela primeira vez, outra após a desobrigação do uso de máscaras e a chegada de novas subvariantes.

Grandes mudanças ocorreram neste ano. Houve liberação do uso de máscaras em ambientes abertos e fechados, fim do estado de emergência em saúde pública, encerramento oficial de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com coronavírus, indicação de quarta dose para adultos e vacinação em crianças.

Da versão “original” da Ômicron, a BA.1, chegamos à BA.4 e à BA.5, cepas que driblam ainda mais nosso sistema imunológico e se tornam mais transmissíveis – o que permite que pessoas infectadas há 40 dias já se reinfectem. As vacinas mantêm proteção e evitam casos graves.

Entre janeiro e março, na primeira onda, a Ômicron provocou um recorde de infecções – no Rio Grande do Sul, mais de 17 mil novos casos por dia e um pico de quase 60 mortes diárias, segundo dados do Ministério da Saúde.

Hoje, a segunda onda de Ômicron é mais branda, mas ainda traz impactos: entre 15 e 20 gaúchos morrem por dia de coronavírus, quatro vezes mais do que o registrado em maio. Cerca de 3,5 mil casos são registrados oficialmente por dia em solo gaúcho, mas o número é largamente subnotificado devido a autotestes e muitos casos leves.

O PRIMEIRO SEMESTRE DE 2022 DA COVID-19 NO RS

Estado enfrenta nova onda e atingiu, em junho, quatro vezes mais mortes diárias do que em maio

[Veja o gráfico no link acima]

— É exatamente o que previmos em 2020: quando 70% da população estivesse vacinada, a emergência acabaria e controlaríamos a covid. É obvio que o pior parece já ter passado, mas a pandemia não acabou. Há pessoas que se infectam várias vezes por acharem que estão vacinadas e não precisa fazer mais nada, mas quem faz isso tem mais risco de doença grave ou de ter sequela — comenta a imunologista Cristina Bonorino, consultora do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Espera-se que eventuais novas variantes não mudem completamente o cenário – seja porque grande parte das pessoas já está vacinada, seja porque a tendência é de que mutações moldem o vírus para ser mais transmissível, mas menos letal, como vem acontecendo.

Ajudaria no controle da epidemia se mais pessoas completassem o esquema vacinal. Até o momento, 81% dos gaúchos tomaram a segunda dose e 55,4% tomaram a terceira, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES). A nível nacional, são 79% brasileiros com duas doses e 50% com três. A meta do Ministério da Saúde é aplicar três doses em 90% das pessoas.

O perfil dos doentes é bastante diferente hoje: quem adoece gravemente apresenta a saúde fragilizada, como idosos, imunossuprimidos ou indivíduos com doenças graves, acrescenta Alexandre Zavascki, médico infectologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— Nós, que vimos muitas pessoas jovens e sem doença morrer, vemos que isso não tem acontecido mais. É um avanço. Mas todos convivemos com pessoas idosas e um dia também seremos frágeis, então podemos aprimorar o convívio com a covid, sem negar que a doença existe, mas tomando algumas precauções, o que inclui uso de máscaras e questões de engenharia, como melhorar a ventilação de locais fechados — diz Zavascki.

A ciência ainda não sabe precisar quanto tempo dura a proteção gerada pelas vacinas, mas cientistas estimam que comece a reduzir cinco meses após a injeção. Sabe-se que é possível se reinfectar 40 dias após pegar covid. E estudos mostram que a quarta dose parece trazer menos impacto do que a terceira.

O surgimento de vacinas atualizadas pode trazer avanço no controle do vírus - estima-se que será necessário vacinar-se uma ou duas vezes por ano, neste momento. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estuda uma vacina em spray nasal, o que teoricamente teria maior potencial de bloqueio da transmissão do vírus do que as vacinas atuais. Como resultado, menos pessoas pegariam o Sars-Cov-2 no futuro. 

Até 2024

Para os próximos anos, o médico Alexandre Vargas Schwarzbold, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professor na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), cita estudo de imunologistas e epidemiologistas da Universidade de Harvard, publicado na revista Science, segundo o qual ondas da covid-19 devem ocorrer até 2024.

Por essa perspectiva, o “novo normal” de hoje perduraria por mais dois anos, quando o coronavírus finalmente se assemelharia ao comportamento de outros vírus respiratórios e deixaria de causar tantas mortes quanto hoje.

— As primeiras ondas foram altas, de picos maiores. Até 2024, devemos viver com pequenas ondas, mais baixas, em função da maior imunização, mas perdurando porque há muitas regiões do mundo não completamente imunes. Para o ano que vem, provavelmente a questão sazonal do frio vai ser mais determinante para uma piora porque teremos mais pessoas vacinadas — reflete Schwarzbold.

01/07/2022 – GZH

Link: Estudantes relatam sequência de assaltos perto da UFCSPA, em Porto Alegre | GZH (clicrbs.com.br)

Estudantes relatam sequência de assaltos perto da UFCSPA, em Porto Alegre

Insegurança assusta alunos desde o retorno das atividades presenciais, em abril; Polícia Civil confirma aumento nas ocorrências na região

Entre a terça-feira (28) e a quinta-feira (30), ao menos um estudante foi assaltado por dia na região entre a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o campus central da Universidade Federal do RS (UFRGS) e o prédio do Instituto de Educação General Flores da Cunha, no bairro Farroupilha, em Porto Alegre. Seja em dupla ou caminhando sozinhas, as vítimas relatam ter sido abordadas por homens que anunciam assalto, fazem ameaças e exigem objetos pessoais.

A 17ª Delegacia de Polícia Civil, que cobre a região, confirma que o entorno do Parque Farroupilha (Redenção) tem recorrência de crimes do tipo, e informa que trabalha para identificar os autores das abordagens. Apesar de não indicar números, o delegado Thiago Bennemann confirma que houve aumento nas ocorrências de assalto a pedestres no local nas últimas semanas.

Bennemann diz que assumiu a titularidade da DP em maio e que, desde então, observa que essa é a ocorrência mais recorrente na área. Segundo ele, há um eixo de pequenos roubos — de celulares e quantias em dinheiro — e compra de drogas entre o bairro Farroupilha e a Rua Voluntários da Pátria, do outro lado do Túnel da Conceição, onde as forças de segurança miram seus esforços em mapear e coibir a atuação dos criminosos.

— Em junho, prendemos 40 traficantes na região do Centro, tentando acabar com essa comercialização de drogas, além de realizar operações conjuntas na região da Redenção.  Frequentemente encontramos suspeitos portando simulacro ou arma branca (faca), mas a identificação deles por parte das vítimas é dificultada. Se trata, muitas vezes, de pessoas que moram na rua e não ficam no mesmo lugar por mais de uma semana — detalha Bennemann.

Uma das vítimas recentes, que preferiu não se identificar, afirma que atravessava a Avenida Osvaldo Aranha com uma colega, por volta das 22h20min de terça-feira. A dupla foi abordada por dois homens, que levaram celulares e a mochila de uma delas.

— Um deles olhou para mim e disse: "Eu vou acabar com a tua vida, me passa o celular". Eu fui pegar o aparelho na mochila e nisso ele pegou ela também. Levou tudo, celular, caderno, livro, carteira, documentos, chave de casa, cartão de banco, vale-refeição. Preciso comprar ou fazer tudo de novo. As pessoas perguntam: "Ele não fez nada contigo?", mas, na verdade, fez. O psicológico afeta muito, apesar de estar bem fisicamente. Desde então, tento me manter ocupada mas fico pensando nisso sempre. Passa alguém do lado na rua e tenho calafrios. É uma sensação de invasão — conta a estudante de Psicologia, de 20 anos.

Segundo ela, os relatos de assaltos na região ficaram mais recorrentes entre os estudantes após o retorno das aulas presenciais na UFCSPA, no final de abril. A colega que foi assaltada com ela na terça também relata enfrentar dificuldades após o episódio.

— Depois que eles foram embora, eu fiquei chorando o tempo todo, até o ônibus chegar, e isso demorou. É muito frustrante ter medo de ir para a faculdade, de ir estudar, e é algo que todos ali estamos sentindo. Estou vendo outra alternativa para não precisar mais pegar ônibus. Além do assalto, ainda recebi uma mensagem de que eles conseguiram desbloquear meu celular, tendo acesso às minhas informações. Aí é mais um transtorno para resolver — complementa, também pedindo anonimato.

Outro estudante relata que foi assaltado na quinta-feira, perto da Redenção. Um homem de capuz o abordou fazendo ameaças e dizendo para que ficasse em silêncio ou seria baleado. Na ação, foram levados o aparelho celular e dinheiro da vítima.

Nas três ocorrências, ainda não houve captura de suspeitos pela 17ª DP, segundo o delegado Bennemann. A Polícia Civil recorre às imagens do Departamento de Comando e Controle Integrado (DCCI) para monitorar possíveis autores.

Brigada Militar reforça policiamento

De acordo com o tenente-coronel Ivens Giuliano, comandante do 9º BPM, que atende o local, as equipes intensificaram o policiamento na região, inclusive com operações integradas com a Polícia Civil. O patrulhamento é feito com viaturas, que circulam pela área e fazem paradas em ponto estratégicos. Conforme Giuliano, o policiamento no local é constante e as equipes também realizam abordagens preventivas.

Conforme o comandante, um homem foi preso no domingo (26) após levar o celular de uma vítima na região. Depois do assalto, a vítima acionou a polícia pelo telefone 190 e comunicou o fato. O homem estaria portando um faca.

Com as informações, a equipe que estava próxima ao local conseguiu localizar e prender o suspeito. O celular foi recuperado, segundo o comandante.

— A maioria dos relatos que recebemos é pelo WhatsApp, de estudantes que afirmam terem sofrido tentativa de assalto. Só que são mensagens com poucas informações. Não diz como foi, o ponto que ocorreu, se era homem ou mulher que fez a abordagem, se era mais de um suspeito, o que acaba dificultando o trabalho. Mas estamos atuando localizar os autores e fazer as prisões. Nosso interesse é sempre de baixar os índices — argumenta.

O oficial reforça a necessidade do registro de boletim de ocorrência sempre que houver furto, roubo ou qualquer tipo de crime:

— Se houver roubo, furto, a gente pede que as pessoas registrem ocorrências porque elas nos ajudam a monitorar a região e a tomar medidas de forma mais eficaz. Além disso, para situações de emergência, a população deve acionar as equipes pelo telefone 190.

Entre as recomendações de segurança, a polícia orienta que pedestres não manuseiem celular e quantias em dinheiro durante o deslocamento nas ruas, usem bolsas e mochilas na frente do corpo e prefiram se deslocar em vias com maior movimento.

01/07/2022 – G1 RS

Link BBC Brasil: Testes para covid: o que explica teste negativo em tantos infectados - BBC News Brasil
Link G1: Testes para covid: o que explica teste negativo em tantos infectados | Saúde | G1 (globo.com)
Viva Bem UOL: Testes para covid: o que explica teste negativo em tantos infectados - 01/07/2022 - UOL VivaBem
Terra: Testes para covid: o que explica teste negativo em tantos infectados (terra.com.br)

Testes para covid: o que explica teste negativo em tantos infectados

Nos últimos meses, uma cena tem se tornado cada vez mais comum no Brasil e no mundo: a pessoa começa a apresentar sintomas típicos de covid (tosse, coriza, febre…), faz o teste rápido de antígeno e o resultado dá negativo.

Ela continua a ter os incômodos e, um ou dois dias depois, repete o exame que, aí sim, confirma a infecção pelo coronavírus.

O grande perigo é que, nesse meio tempo sem o diagnóstico adequado, não são adotadas as medidas necessárias para reduzir o risco de passar o vírus adiante — como o isolamento e o uso de máscaras.

Isso, por sua vez, cria novas cadeias de transmissão e faz o número de casos da doença crescer.

Mas o que explica esse fenômeno da "positividade atrasada"? Embora não existam respostas claras, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil citam as hipóteses que ajudam a entender esse cenário. Eles também apontam o que fazer para proteger a si e todo mundo ao redor.

Em resumo, apesar de o assunto estar envolvido em muitos mistérios, a recomendação é simples: se você apresentar sintomas típicos de covid, fique em isolamento e evite o contato com algumas pessoas, mesmo se o teste rápido de antígeno feito no primeiro ou no segundo dia der um resultado negativo. E, se possível, tente repetir o exame entre o terceiro e o quinto dia para ter mais certeza sobre o diagnóstico.

O vírus ficou mais veloz?

O primeiro fator que permite explicar esse cenário é a chegada das novas variantes do coronavírus, especialmente aquelas que surgiram a partir da ômicron, como a BA.2 e a BA.5.

O espalhamento delas mundo afora veio seguida de uma mudança importante na incubação, que é o tempo entre o vírus começar a invadir as células do nosso corpo e o início dos sintomas.

"O vírus entra nas células e faz ali dentro entre cem e mil novas cópias de si mesmo, que vão sair para infectar outras células e continuar esse processo, até que o sistema imunológico reaja e cause os sintomas, como nariz escorrendo, espirros, febres…", explica o virologista José Eduardo Levi, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Dasa.

A título de comparação, de acordo com um relatório da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido, a incubação da variante alfa durava, em média, de cinco a seis dias.

Durante a onda da delta, essa janela caiu para quatro dias.

Já na ômicron, o período entre a invasão viral e o início dos sintomas sofreu uma nova redução e fica em apenas três dias.

Ou seja: se antes a pessoa tinha contato com alguém infectado e levava quase uma semana para manifestar os sinais típicos da covid, atualmente esse processo é bem mais rápido e pode acontecer quase de um dia para o outro.

"O que mais vemos em nossos consultórios são pacientes que dizem ter passeado no domingo e já apresentam os sintomas da doença na terça ou na quarta-feira", conta a infectologista e virologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Mas por que isso está acontecendo?

Vírus diferente, defesas atualizadas

Entre as possíveis teorias que ajudam a entender essa ação mais ligeira da ômicron, alguns especialistas apontam que as próprias mutações genéticas que essa variante carrega encurtaram o tempo de incubação.

Outros também chamam a atenção para o papel do sistema imunológico nesse processo.

Numa série de postagens no Twitter, o imunologista e epidemiologista Michael Mina, que trabalhava na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e atualmente é o diretor científico de uma empresa de testagem, defende que a vacinação "mudou de forma fundamental a relação entre os sintomas de covid e a carga viral".

Anteriormente, os sintomas da covid costumavam aparecer justamente no momento em que a quantidade de vírus no organismo atingia o pico.

"Por que as pessoas agora estão apresentando sintomas, mas o resultado do teste rápido dá negativo?", questionou.

"Os sintomas que sentimos são geralmente o resultado da resposta imune. As vacinas fazem o nosso sistema de defesa detectar o vírus mais rápido, antes que a quantidade de cópias dele atinja o pico. Esse é literalmente o propósito da vacinação", escreveu ele na rede social.

Seguindo na explicação, Mina aponta que a resposta imune rápida ajuda a suprimir o vírus por um tempo, até que o patógeno seja eliminado do organismo ou eventualmente consiga vencer essa batalha e comece a se replicar com mais força.

"Com isso, um teste criado para detectar uma certa quantidade de vírus será negativo nos primeiros dias, antes que a carga viral aumente", argumentou o cientista.

Em outras palavras, uma das teorias aventadas aponta que, com a ômicron, o tempo de incubação curto e o aparecimento de sintomas mais cedo faz com que a carga viral (a quantidade de coronavírus em ação) logo nos primeiros dias de infecção não seja alta o suficiente para ser detectada pelos testes rápidos de antígeno.

Mas vale ressaltar que essa é apenas uma das possíveis explicações para esse fenômeno e a ideia está longe de estar comprovada ou ser consenso entre os especialistas.

"O sistema imune também depende de uma certa quantidade de partículas virais para ser ativado e iniciar uma resposta. Então, me parece que a imunidade criada a partir da vacinação ou de quadros prévios de covid vai contribuir mais para terminar rapidamente a infecção do que para o início do quadro", avalia Levi, que também faz pesquisas no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP).

Em todo caso, existem evidências de que a quantidade de proteínas virais nesses primeiros dias de infecção realmente pode ser mais baixa nas ondas da ômicron.

"Com isso, há um risco de os testes de antígeno falharem na detecção desses casos, já que não existem partículas suficientes para obter um resultado positivo", resume o virologista Anderson F. Brito, pesquisador científico do Instituto Todos pela Saúde.

"Portanto, temos que tomar cuidado na interpretação desses resultados iniciais, até para não criarmos uma falsa sensação de segurança", adverte.

Falha humana e interpretação dos testes

Ainda dentro dessa discussão, não dá pra ignorar o fator humano por trás de erros nos resultados.

O teste de antígeno, que pode ser feito em casa pela próxima pessoa, tem uma série de procedimentos bem específicos — separar os materiais, lavar as mãos, passar a haste no fundo do nariz e da garganta por um tempo mínimo, misturar com soro, esperar alguns minutos, pingar a quantidade exata no dispositivo…

e uma dessas etapas não é feita da maneira adequada, o resultado pode ser um falso negativo.

"Não dá pra confiar na conclusão de um teste mal feito", diz Bellei, que também integra a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

A médica destaca a variação da qualidade dos exames disponíveis nas farmácias.

"Há muita diferença na sensibilidade e na especificidade dos testes rápidos. Alguns conseguem detectar 80% dos casos, enquanto em outros essa taxa cai para 70% ou 50%", compara.

Embora não exista uma maneira fácil e acessível de saber quais são os produtos mais confiáveis, Bellei orienta que as pessoas deem preferência, se possível, às marcas mais conhecidas, de empresas que trabalham com diagnósticos há décadas.

Uma segunda dica importante é ler atentamente as instruções que vêm com o kit e obedecer cada etapa à risca para diminuir a probabilidade de erros e resultados distorcidos.

Nesse sentido, também foram levantadas muitas dúvidas se os testes de antígeno seriam capazes de detectar as linhagens da ômicron, que trazem muitas mutações em comparação com as variantes anteriores.

Essa hipótese, porém, mostrou-se falsa. "O teste de antígeno detecta principalmente a proteína N do coronavírus", explica Levi.

"E sabemos que a ômicron apresenta mais mutações na proteína S, que não costuma ser o alvo principal desses exames", complementa.

Ou seja: os testes rápidos continuam a funcionar relativamente bem para flagrar as novas variantes.

Talvez o cerne da questão esteja em entender o momento certo de fazer esse exame — e, a partir daí, como interpretar os resultados e tomar as medidas necessárias.

O que muda no diagnóstico?

Diante de todas essas alterações observadas no comportamento do vírus e no nosso sistema imune, a principal mensagem é relativamente simples: se você estiver com sintomas típicos de covid, como dor de garganta, tosse, espirros e febre, evite o máximo possível o contato com outras pessoas para não transmitir o agente infeccioso para elas.

Você confere a lista completa dos sinais da doença nesta reportagem da BBC News Brasil:

Os principais sintomas de covid em quem tomou duas ou mais doses de vacina

Essa orientação vale mesmo para as pessoas que fizeram um teste logo nos primeiros dias e o resultado foi negativo — como explicado mais acima, ainda não é possível ter 100% de certeza e pode ser que a carga viral ainda não esteja suficientemente alta para ser detectada pelo exame.

O tempo de quarentena varia de acordo com uma série de condições, mas um período de cinco a sete dias costuma ser o suficiente para a maioria das pessoas.

Veja quantos dias de isolamento são necessários para cada situação no link a seguir:

Se você fez o teste no primeiro ou no segundo dia de sintomas e o resultado foi negativo, vale repetir o exame no terceiro, no quarto ou no quinto dia, se possível.

Uma pesquisa ainda não publicada da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido, mostrou que o pico de carga viral costuma acontecer justamente até três dias após o início dos sintomas.

Com isso, caso você esteja realmente com covid, será mais provável pegar esse pico da carga viral, quando a quantidade de vírus estará alta o suficiente para o teste dar positivo.

"E é importante notificar o resultado para a unidade de saúde mais próxima de sua casa, para eventualmente confirmar o diagnóstico por meio de outros métodos mais precisos, como o RT-PCR, e para que o caso seja contabilizado nas estatísticas oficiais", ressalta Brito.

Vale, claro, manter o isolamento e evitar o contato com outras pessoas, especialmente aquelas mais vulneráveis à covid, como idosos e imunossuprimidos, durante esse período de incerteza entre um teste e outro.

Outro ponto fundamental é manter a vacinação atualizada.

"As variantes até 'aparecem' mais cedo, mas quem está com todas as doses em dia transmite menos coronavírus em comparação com quem não possui o esquema vacinal completo", informa a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Um estudo feito na Universidade de Seul, na Coreia do Sul, mostra justamente isso. Indivíduos vacinados que pegam covid podem transmitir o coronavírus por quatro dias, em média. Já quem está parcialmente imunizado "repassa" o patógeno por até oito dias.

"Fora que a vacina é o que permite a infecção não evoluir para casos mais graves e preocupantes na maioria das vezes", completa a especialista, que também integra a SBI.

Por ora, o Ministério da Saúde recomenda uma quarta dose de vacina para toda a população com mais de 40 anos. Entre os 12 e os 39, são indicados três doses. Já para crianças de 5 a 11 anos, duas doses.

30/06/2022 – G1 RS

Link: Neto atende desejo da avó falecida e consegue na Justiça doar corpo para estudos em universidade do RS | Rio Grande do Sul | G1 (globo.com)

Neto atende desejo da avó falecida e consegue na Justiça doar corpo para estudos em universidade do RS

No Brasil, há 36 programas de doação em cursos de medicina. Tendência no mundo inteiro, uso de cadáveres proporciona aos alunos uma experiência mais próxima da real para treinar procedimentos cirúrgicos e outras pesquisas. Saiba como funciona o processo.

Leandro Severino, de 42 anos, conseguiu atender ao desejo de sua avó, Delma Ribeiro, falecida aos 75 anos em Porto Alegre: que seu corpo fosse doado a uma universidade para ser usado em pesquisas e na formação de futuros médicos.

Em 2015, um entrave burocrático impediu que fosse feita a doação para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), razão pela qual ele precisou apelar para a Justiça. A decisão favorável veio em segunda instância, após intervenção da Defensoria Pública do estado.

Uma lei federal de 2002 regulamenta a possibilidade de a pessoa doadora manifestar o desejo em vida, por meio de um termo de doação – qualquer pessoa maior de idade pode fazê-lo. Mas Severino só tinha uma cópia da manifestação da avó, que havia sido feita em 1992.

Com isso, um cartório se negou a emitir a certidão de óbito. Sem o documento, a UFRGS não pôde aceitar a doação.

"O sistema registral não aceita nem cópias autenticadas. Precisa ser a manifestação original. Leandro procurou, mas não achou. A decisão de primeiro grau foi formalista, então, houve a necessidade de recorrer a uma instância superior. Pessoas próximas testemunharam em favor do Leandro e o desembargador foi mais flexível", conta o defensor público Jonas Scain Farenzena.

De acordo com a professora do Programa de Doação de Corpos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Andrea Oxley, é possível que a recusa inicial tenha ocorrido porque Leandro não era o responsável direto pela avó.

"A lei não tem detalhes que descrevam ela melhor, que caracterizem ela melhor. Aqui, um parecer da procuradoria jurídica faz recomendações que tem a lei de doações de órgãos como referência. A ideia é facilitar o processo", diz Andrea.

Severino perdeu o pai quando ainda era criança. Morou com os avós maternos até os 13 anos, quando passou a viver com Delma, sua avó paterna.

Foram 22 anos de convivência, nos quais Severino disse ter aprendido com uma mulher que sempre demonstrou alegria e disposição de ajudar os outros. Por isso, o neto lutou até o fim para garantir a doação do corpo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Anatomia, as universidades brasileiras contam com 353 cursos de Medicina. Em 2022, há 36 programas de doação. Em 2008, havia só dois. Um deles era o da UFCSPA, que foi criado nesse mesmo ano.

Inicialmente, a maioria dos cadáveres usados no ensino, na pesquisa e na extensão eram "corpos não reclamados", ou seja, de pessoas que não tinham parentes identificados que eram encaminhados principalmente pelo Instituto Médico Legal (IML).

Atualmente, o cenário mudou. Ao contrário do que se supõe, quase não são usados esse tipo de corpos.

Os dados a respeito do assunto no Brasil não são centralizados, razão pela qual é difícil apontar números absolutos de doação no país. No entanto, utilizando a UFSCPA como exemplo, é possível ter ideia da evolução da doação em território brasileiro.

Os dados mais recentes, de 2008 até 2019, indicam que o número de pessoas que manifestaram interesse em doar aumentou 12 vezes. Nesse mesmo período, a universidade recebeu 112 doações.

Número de cadastrados como doadores de corpos na UFCSPA

2008    12

2009    51

2018    155

2019    148

Fonte: UFCSPA

*O recebimento de doações foi suspenso devido à pandemia de Covid-19 no final de 2019. Por isso, não há dados de 2020 e 2021. Com a melhora do cenário pandêmico no Brasil, elas puderam ser retomadas.

O Rio Grande do Sul é um dos estados que mais conta com universidades que têm programas de doação. Há instituições de ensino em diferentes regiões, como a UFRGS (Porto Alegre), a Pontifícia Universidade Católica (Porto Alegre), a Feevale (Novo Hamburgo), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo), a Universidade de Santa Cruz do Sul (Santa Cruz), a Universidade Federal de Pelotas (Pelotas) e a Universidade Federal de Santa Maria (Santa Maria). No entanto, essa não é a realidade brasileira.

"Tocantins, por exemplo, tem um programa. Minas Gerais tem três. Universidades podem enfrentar problemas e ter uma carência enorme. Há casos daquelas que ainda dependem de corpos não reclamados, o que cria um desafio para a demanda", conta Andrea.

A destinação de corpos desse tipo para as universidades ocorre por meio de três centrais. Elas recebem os corpos e encaminham para as universidades.

"Não funciona [esse sistema]. Não é o melhor mecanismo. Porque nós somos os fiéis depositários. A família quer saber para onde vai o corpo", afirma Andrea.

Como doar: qual é o melhor mecanismo?

Uma lei federal de 2002 regulamenta esse tipo de doação para atividades de ensino, pesquisa e extensão. No entanto, ela não detalha processos, razão pela qual pareceres de procuradorias jurídicas tentam orientar as universidades e a população da melhor forma.

Em geral, no Brasil, basta que a pessoa interessada na doação manifeste em vida o interesse em fazer isso, o que pode ser feito para a família ou para a própria universidade.

É importante que o assunto seja discutido com a família – no caso de divergência entre familiares quanto à doação, a universidade opta por não receber o corpo.

Como a lei não traz mais detalhes, as universidades geralmente pedem que a pessoa responsável pelo falecido vá até um cartório quando houver a morte e, no atestado de óbito, coloque o nome da universidade para qual o corpo pode ser destinado. Uma via do documento deve ficar com a própria pessoa e a outra fica com a instituição de ensino.

A importância dos corpos para a ciência

A Sociedade Brasileira de Anatomia é categórica: os benefícios são exponenciais. Um corpo que seja usado para o ensino de 50 alunos pode beneficiar 500 pessoas. Como um corpo pode ser utilizado por anos, o número de alunos treinados e, consequentemente, de pessoas beneficiadas é maior.

O entendimento da categoria médica é que o uso de corpos é o que proporciona a experiência mais próxima da real, sendo uma tendência no mundo inteiro. Assim, os alunos podem treinar procedimentos cirúrgicos, por exemplo, e conduzir pesquisas.

Usar corpos é melhor do que usar bonecos ou simuladores justamente por colocar o aluno em uma situação próxima da real. O estudante será levado a ter um cuidado maior, por exemplo, afinal, é uma pessoa de fato que está sobre a maca.

Estudos na área apontam, inclusive, que a falta de treinamento com corpos de verdade traz prejuízos para a formação médica e está associada a menor aprendizado. Erros também já foram relacionados a isso.

Respeito com os corpos

A UFCSPA faz, ao final de todos os anos, uma cerimônia em homenagem aos doadores. Os familiares são convidados e os alunos ficam responsáveis por explicar a importância da doação que foi feita e que uso o corpo está tendo.

"A pessoa escolheu estar ali deitada, dar aquele corpo para que ele fosse utilizado, acreditando que aquilo ia melhorar a formação profissional. Como é que tu não estás comprometido com isso? Quanto respeito tu tens que ter para utilizar esse corpo. Isso é uma coisa fantástica, porque a gente consegue trabalhar essa reflexão e essa empatia para se colocar no lugar da pessoa, que o médico e todos os que trabalham na área da saúde tem que ter", assevera Andrea.

29/06/2022 – Portal Medicina S/A

Link: Novas tecnologias facilitam monitoramento de cardíacos - Medicina S/A (medicinasa.com.br)

Novas tecnologias facilitam monitoramento de cardíacos

As doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de mortes no mundo. Entre os principais fatores, está a falta de engajamento nos exercícios de reabilitação prescritos pelos profissionais da saúde, que costumam melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Para aumentar a adesão desse público, um grupo de pesquisadores – oriundos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e Universidade Federal do Pará (UFPA) – criou o Projeto Maya para desenvolver novas tecnologias de baixo custo, visando aumentar a adesão aos exercícios prescritos e monitorar os pacientes.

“Hoje temos diversos avanços recentes que podem representar uma melhoria no monitoramento e prescrição de atividade física como sensores vestíveis, aplicações de realidade virtual e aumentada e a gamificação, utilização de elementos de jogos, que criam desafios e recompensas para aumentar a motivação dos participantes”, revela Jéferson Nobre, membro do Instituto dos Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE), maior organização técnico-profissional do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, e pesquisador da UFRGS.

Segundo Nobre, essas tecnologias podem ser integradas para promover “biofeedbacks” sobre as atividades físicas prescritas, podendo ser acessadas por aplicativos e smartphones ou sites. “Por serem produzidos dados sensíveis com essas tecnologias, são necessários mecanismos de segurança da informação que restrinjam o acesso a tais dados. Tais mecanismos devem ser amigáveis e não intrusivos ao usuário.”

Entre essas novas tecnologias para garantir a proteção das informações do usuário estão a biometria cardíaca, blockchain e a Inteligência Artificial. “O uso dessas tecnologias deve ser flexível para utilizarem tanto em ambientes hospitalares como em outros espaços de saúde (como, por exemplo, nas Unidades Básicas de Saúde – (UBSs)”.

25/06/2022 – Jornal do Comércio

Link: Corte de verba impede manutenção das Universidades Federais no RS (jornaldocomercio.com)

Corte de verba impede manutenção das Universidades Federais no RS

Ensino público, gratuito e de qualidade, esta é a bandeira levantada por educadores brasileiros e órgãos federais, como consta na Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. No entanto, em menos de um mês, quatro mudanças orçamentárias feitas pelo Ministério da Educação (MEC) nas universidades federais mostram um cenário distinto: a instabilidade para manter o ensino no Brasil. No Rio Grande do Sul, além de dificultar o planejamento financeiro, o bloqueio de verbas atinge diretamente o setor terceirizado e pode inclusive afetar o auxílio estudantil, as bolsas de pesquisa e os projetos acadêmicos.

“Tivemos que mexer em uma série de questões e agora teremos que fazer isso de novo, tiramos recursos das obras para devolver ao governo porque iríamos ficar com saldo negativo. Dois dias depois, o governo mandou novamente. Essa instabilidade é tão prejudicial quanto a falta do recurso”, relata o superintendente de Orçamento e Gestão de Recursos da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), Denis Franco.

Em 27 de maio, o MEC notificou às universidades federais um bloqueio de 14,5% no orçamento da pasta. Uma semana depois, em 3 de junho, o valor bloqueado foi reduzido pela metade, 7,2%, após ações da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em conjunto com as universidades.

Na semana seguinte, no dia 9 de junho, o MEC informou que metade dos 7,2% ainda bloqueados, o equivalente a 3,2%, será remanejado para outros órgãos públicos, ou seja, não será devolvido para as instituições de ensino. Já na última sexta-feira, 24 de junho, 3,6% dos orçamentos discricionários aprovados pela Lei Orçamentária Anual LOA/2022 que ainda estavam destinados para as universidades federais, foram redirecionados para o Programa de Garantia de Atividade Agropecuária (Proagro).

“A situação que já era bastante preocupante, agora se torna insustentável. A Andifes trabalha para a reversão total do bloqueio, e vai agora redobrar esforços para obter a recomposição do valor cortado e o desbloqueio do valor ainda bloqueado, sem os quais fica inviável para as universidades manterem seus compromissos e atividades neste ano”, manifestou, em nota, o presidente da associação, Marcus Vinicius David. De acordo com ele, o remanejamento de 3,2% das verbas representa uma perda de pelo menos R$ 220 milhões no orçamento.

Ufpel opera com déficit de R$ 5 milhões de 2021

Devido ao corte orçamentário do ano passado, a Ufpel já iniciou o ano de 2022 com déficit de R$ 5 milhões. O primeiro bloqueio (14,5%) intensificou o cenário em cerca de R$ 9 milhões. Ao todo, antes do desbloqueio de metade do percentual (7,2%), a perda orçamentária acumulada pela instituição era de aproximadamente R$ 16 milhões, levando em consideração os reajustes e a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE).

“No momento em que nos cortam, 14,5% do orçamento é uma parte do ano que vai ficar sem cobertura orçamentária. Esse valor corresponde a dois meses das despesas da instituição”, explica Franco. De acordo com ele, o orçamento da Ufpel para custeio, incluindo os gastos de manutenção dos serviços, é de R$ 74 milhões divididos em parcelas. “Dos R$ 74 milhões, nos tiraram 10 e agora devolveram 5”, complementa.

O direcionamento do recurso faz parte do processo de escolha da universidade, que embora limitado, leva em consideração as prioridades como, por exemplo, a rede elétrica e o Restaurante Universitário (RU). “Procuramos manter o auxílio aos estudantes em situação de vulnerabilidade social, com pagamentos em dia, e nunca cogitamos cortar. O mesmo acontece com as bolsas de pesquisa.”

Os projetos de pesquisa na Ufpel recebem recursos específicos através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), também do Ministério da Educação. No entanto, a relação da instituição com o orçamento das pesquisas ocorre por meio das bolsas, metade delas são custeadas com orçamento próprio - impactado pelo ir e vir dos cortes de verbas. Já o Centro de Pesquisas Epidemiológicas (Epidemio) é um caso à parte, já que recebe financiamento de frentes de governo, incluindo internacionais, embora a estrutura seja mantida com verbas da universidade.

A manutenção da infraestrutura é a maior despesa da instituição. Segundo Franco, aproximadamente 650 servidores terceirizados, em um total de 10 contratos, foram impactados com o corte de 14,5% das verbas.

Funcionários terceirizados da Furg são afetados desde 2015

Com R$ 37 milhões destinados pelo Congresso Nacional, por meio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), a Universidade Federal de Rio Grande (Furg) já atuava com o orçamento no limite. Antes das mudanças do início de junho, a Furg já estava prevendo para este ano um déficit de R$ 5 milhões.

Do valor total para custeio, R$ 8,4 milhões foram bloqueados no primeiro momento. “Com o desbloqueio da metade, temos pouco mais de R$ 4 milhões, o que nos deixa em uma situação difícil e estamos batalhando para a devolução total”, comenta o reitor Danilo Giroldo. Mais uma vez, o principal impacto do corte de verbas é no quadro de funcionários terceirizados, que está pressionado desde 2015.

Além disso, os projetos de pesquisa das universidades enfrentam outro problema: o corte de verbas no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Nos dados do segundo bimestre publicados no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, da Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento, o MCTI apresenta o maior bloqueio de verbas, com R$ 2,5 bilhões contingenciados.

Na Furg, as pesquisas de extensão possuem somente os recursos do MCTI e, consequentemente, foram afetadas. Já na assistência estudantil, a universidade recebe do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), R$ 8,5 milhões e complementa R$ 5 milhões com recursos próprios. Dos quase 10 mil estudantes da universidade, 2.800 são assistidos por algum programa de assistência estudantil. “Estamos estudando e não queremos promover nenhum impacto nesta área. No cenário socioeconômico que estamos vivendo, isso significa evasão”, alerta Giroldo.

Antes dos bloqueios de junho, 90 funcionários da UFSM foram demitidos

Neste ano, foram direcionados R$ 125 milhões para a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio da Ploa, valor inferior ao destinado em 2019: R$ 136 milhões. O bloqueio de 14,5% gerou um impacto de R$ 18,7 milhões na UFSM, que foi reduzido pela metade a partir do desbloqueio pelo Ministério da Educação em 3 de junho.

“Quando o governo bloqueia (os recursos) temos que reduzir serviço terceirizado, desde limpeza, transporte até a segurança. O governo informa o bloqueio e depois muda de ideia, como organizar a gestão?”, questiona o reitor, Luciano Schuch.

Há dois meses, antes do bloqueio atual, a universidade já sentia o impacto do reajuste de investimentos em comparação com 2019 - o que resultou na demissão de 90 pessoas. Ao todo, 15 portarias foram reduzidas. Porém, a redução de terceirizados não foi o suficiente e a instituição ainda enfrenta dificuldades para manter o funcionamento do restaurante universitário.

Para atendimento diário de entre 8 e 9 mil alunos, o RU recebe R$ 18 milhões. Aos alunos de baixa renda, a refeição é gratuita através de recursos destinados pelo Pnaes. O restante dos alunos paga R$ 2,50 por refeição, enquanto para a empresa alimentícia terceirizada, segundo Schuch, o custo é de R$ 12,00. A diferença, no entanto, é paga pela universidade com recursos próprios.

Dos R$ 30 milhões de custeio para assistência estudantil, a universidade recebe do Pnaes apenas R$ 21 milhões. Dessa forma, R$ 9 milhões são subsidiados pela UFSM.

A frequente instabilidade orçamentária, além de dificultar o processo de organização, também atinge projetos voltados para pesquisa e profissionalização. “Uma equipe de estudantes de Engenharia Mecânica iria participar de uma competição de carros de Fórmula 1. Nossos alunos ficaram entre os três melhores nacionais e ganharam o direito de competir nos Estados Unidos no mundial, mas não conseguimos mandar pela falta de recursos”, conta Schuch.

UFCSPA atua com 200 servidores técnicos e administrativos

Voltada especialmente para cuidados, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) recebe o valor de custeio com base em coeficientes. Cursos com complexidade maior em tecnologia como, por exemplo, Medicina e Fisioterapia necessitam que mais recursos sejam destinados. Porém, a maior carência observada a partir do corte de verbas está nos recursos humanos. Ao todo, a universidade conta com apenas 200 servidores técnicos e administrativos.

“Em técnicos, pelo número que temos, precisamos de praticamente o dobro. Todos esses cursos precisam de muito recurso, mas não temos na mesma proporção”, comenta a reitora Lucia Campos Pellanda. De acordo com ela, o recurso destinado para custeio neste ano é de R$ 26 milhões. No primeiro momento, com o corte de 14,5%, foram bloqueados R$ 4,6 milhões, que agora estão em aproximadamente R$ 2,3 milhões.

No começo de 2022, a UFCSPA conseguiu empenhar os contratos principais de segurança, limpeza, luz e água. Mas, ao menos duas reformas previstas foram impactadas: um prédio para projetos de extensão, que inclui áreas administrativas, e a Clínica da Família UFCSPA, localizada na Rua da Conceição. Esta última, devido ao primeiro bloqueio de verbas foi descartada. Agora, com a liberação de 7,2% dos 14,5%, será possível realizar a obra.

“A educação, não só do ponto de vista intangível de mudar histórias de vida e de ser a principal forma de mudança social, é muito importante para a economia. É o que os economistas chamam de capital humano. Quanto mais educado for um povo, mais investimentos vai se atrair”, diz Lucia.

Docentes e estudantes da Ufrgs denunciam cortes de verbas

Com a volta às aulas presenciais no dia 13 de junho, os docentes e estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) aproveitaram para denunciar as consequências dos cortes de verbas. Restrições no acesso ao RU, demissões de trabalhadores terceirizados e a falta de recursos para os programas de Pós-Graduação foram os principais pontos abordados durante coletiva no Campus Centro, em Porto Alegre.

De acordo com o coordenador-geral do Sindicato dos Técnico-administrativos da Ufrgs (Assufrgs), Gabriel de Freitas Focking, recentemente a universidade anunciou um corte de 14% nas verbas. Para a Ufrgs, o corte do governo federal em R$ 1,5 bilhão em verbas para Instituições Federais de Ensino representa R$ 13 milhões a menos até o final do ano.

“Quando cortes são realizados, eles afetam primeiramente nos lugares que são mais invisíveis, nas questões estruturais que percebemos a longo prazo, como na redução das manutenções. Começa reduzindo manutenções simples e depois elas se tornam emergenciais. Redução de funcionários terceirizados também, mas dizer exatamente qual será o local do corte é muito difícil, porque o reitor não revela os dados e faz tudo a portas fechadas em seu gabinete", afirmou Focking, em nota.

Procurada pelo Jornal do Comércio, em ao menos duas oportunidades, a reitoria da Ufrgs alegou não ter disponibilidade de agenda para entrevista.

24/06/2022 – Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia

Link: Conheça os 29 azeites que receberam o Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS - Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia

Conheça os 29 azeites que receberam o Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS

Cerimônia de divulgação ocorreu nesta quinta-feira, com a presença da equipe da SICT

Produtores de azeite do Rio Grande do Sul receberam o Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS na tarde desta quinta-feira, em evento realizado no Centro Administrativo do Estado, em Porto Alegre. Obtiveram a distinção 29 marcas, que apresentarão os selos em 300 mil garrafas do produto vendidas dentro e fora do Estado.

O reconhecimento foi entregue pelo Ibraoliva, instituto que representa os olivicultores locais, em parceria com o programa Produtos Premium, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SICT). A distinção foi proposta pelos próprios empreendedores do setor no RS, que registaram crescimento recorde no último ano e enxergaram a oportunidade de expandir mercado e assegurar a qualidade dos produtos. Das 81 amostras recebidas, mais de 90% alcançaram os critérios de alta qualidade do regulamento.

As marcas contempladas foram Alto dos Olivos, Amoliva, Batalha, Bem Te Vi, Biome Pampa, Capela de Santana, Capolivo, Casa Albornoz, Casa Alfaro, Casa Gabriel Rodrigues, Casa Marchio, Costa Doce, Don José, Estancia das Oliveiras, Estância do Forte, Estanzuela, Gaita, Milonga, Nina, Olivae, Olivas da Lua, Olivas do Sul, Recanto Maestro, Sabiá, Sol das Olivas, Pecora Nera, Território 63, Torrinhas e Verde Louro.

“Este é um projeto que leva a todo país o modelo de excelência de produção de azeite, estimulando sensações e engajamento por parte dos consumidores ao produto nacional”, afirmou o presidente do Ibraoliva, Renato Fernandes.

De acordo com o secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, Alsones Balestrin, a entrega do selo e a alta qualidade verificada nos azeites reforça o perfil inovador da agricultura do Estado: “A alta qualidade no produto representa a reinvenção e a capacidade de empreendedorismo do produtor gaúcho, que apurou suas técnicas e hoje produz alguns dos melhores azeites do mundo”, disse Balestrin.

Como foi realizada a seleção

Para estabelecer os critérios do regulamento, atestar a origem e avaliar a qualidade do azeite produzido, foi formado um grupo de trabalho e um comitê avaliador formado por profissionais indicados pelo Ibraoliva e membros da SICT; Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural; Secretaria de Desenvolvimento Econômico; Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura; Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Laboratório Federal do Desenvolvimento Agrário.

Cada amostra passou por uma análise laboratorial, que requisitou acidez livre menor ou igual a 0,3% entre outros parâmetros de seleção. Além disso, os produtos enfrentaram uma minuciosa prova sensorial realizada por azeitólogos de diferentes partes do país, em uma mesa coordenada pelos renomados Marcelo Scofano (RJ) e Sandro Marques (SP), que adotou padrões de qualidade estabelecidos pelo Conselho Oleícola Internacional, entidade situada na Espanha.

22/06/2022 – FM Nova Aliança

Link: https://www.fmnovaalianca.com.br/site/noticias/veja-possiveis-efeitos-colaterais-com-quarta-dose-de-vacina-contra-covid

Veja possíveis efeitos colaterais com quarta dose de vacina contra covid

Com a recomendação da quarta dose de vacina contra Covid-19 para os maiores de 40 anos, podem surgir dúvidas acerca de efeitos colaterais dos imunizantes.

Afinal, quais são as reações esperadas para esses produtos? A quarta dose -ou segundo reforço- pode trazer alguma reação específica? Por que os efeitos colaterais ocorrem?

A Folha de S.Paulo conversou com especialistas para responder a essas e a outras perguntas comuns.

Quais reações são esperadas quando alguém se vacina contra a Covid?

Os principais efeitos das quatro vacinas utilizadas no Brasil-Coronavac, Janssen, Pfizer e Astrazeneca- são dor no local da aplicação, sensação febril, mal-estar, dor no corpo e quadro gripal. Normalmente, esses sintomas desaparecem em até 24 horas, no máximo podendo durar dois dias.

Reações como essas já são conhecidas para outros imunizantes e remédios. "Sugiro ler a bula de alguns antitérmicos para ver as reações que alguns deles podem causar", afirma Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

Além disso, não são todas as pessoas que apresentam esses sintomas. De acordo com a bula dos imunizantes, a maior parte desses sintomas mais leves pode ser sentida em torno de 10% daqueles que utilizam os medicamentos.

"A maioria das pessoas não têm nada, e são reações absolutamente normais e significam simplesmente que o sistema imune está reagindo com a vacina", diz Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

Algumas reações mais incomuns podem ocorrer. Consta da bula da vacina da Pfizer, por exemplo, que de 0,1% a 1% de pessoas que utilizaram o imunizante apresentaram insônia, cansaço físico intenso, suor noturno ou urticária (alergia da pele com forte coceira).

Assim como a Pfizer, as outras três vacinas podem ter reações adversas muito incomuns. "Nenhuma delas causa problemas importantes", afirma Marcos Boulos, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

A quarta dose de uma vacina pode trazer algum efeito colateral diferente de outras aplicações?

Não existem evidências de que uma quarta dose resulte em efeitos diferentes dos que já foram vistos anteriormente. Dessa forma, mantém-se o que já se sabe e é documentado nas bulas dos produtos.

"Normalmente, a cada dose de vacina, não só da Covid, a chance de evento adverso é menor. A primeira dose normalmente é a mais reatogênica", diz Ballallai.

Casos em que esses efeitos podem acontecer em doses adicionais, como na quarta aplicação, são normalmente quando se utiliza uma vacina diferente das outras já aplicadas -esquema chamado de heterólogo.

"O esquema heterólogo pode ter mais eventos adversos, mas são reações leves", acrescenta Ballallai.

Por que as vacinas podem causar efeitos colaterais?

Muitas vezes, entende-se que sentir alguma reação após a vacinação significa que o imunizante está funcionando. A realidade, no entanto, não é tão simples assim.

"O fato de ter um efeito adverso em geral é um indicativo de que a vacina está funcionando, mas, se não sentir isso, não significa que a vacina não funciona", afirma Bonorino.

Ela explica que cada pessoa tem a chamada resposta inata, "que é uma inflamação inicial que precede toda a resposta que vai gerar memória imunológica". Acontece que algumas pessoas podem ter maior sensibilidade a sentir os sintomas e outras nem tanto.

Outro fator que influencia o surgimento de reações é a tecnologia utilizada em cada vacina. Boulos afirma que aquelas com a plataforma de adenovírus -em que se utiliza um vírus que transporta o código genético do Sars-CoV-2, patógeno que causa a Covid-19- são as que podem causar maiores efeitos adversos.

"As pessoas que mais reclamam provavelmente tomaram as vacinas de adenovírus. Elas são aquelas que se injeta um vírus específico, que apesar de ele não causar quase nada, pode ter alguns efeitos colaterais pequenos", afirma o infectologista, reiterando que os efeitos, quando sentidos, ainda são bem leves.

No Brasil, as vacinas da Janssen e da Astrazeneca são produzidas com essa tecnologia. Além da plataforma de adenovírus, existe a tecnologia de RNA mensageiro (Pfizer) e de vírus inativado (Coronavac). Elas também podem apresentar efeitos adversos, mas mesmo assim ainda são muito leves e em grande parte dos casos desaparecem logo.

Existem efeitos colaterais mais graves?

De uma maneira geral, as vacinas utilizadas em doses de reforço têm perfil parecido em causar efeitos adversos comuns e que não duram mais de dois dias. A vacina da Janssen tem um histórico de causar uma rara síndrome relacionada a coágulos sanguíneos potencialmente mortais. Situação parecida já foi documentada para a Astrazeneca.

As ocorrências fizeram com que o FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) limitasse o uso da vacina da Janssen no país, mas ela ainda continua disponível para aplicação. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) avaliou que os benefícios do imunizante superam os riscos, que são muito raros.

Na bula da vacina, a Janssen diz que os casos são raramente documentados, mas é importante procurar atendimento médico e informar ao profissional de saúde que tomou a vacina ao sentir sintomas como dores de cabeça fortes ou persistentes, convulsões, alterações do estado mental, visão turva, hematomas inexplicáveis fora do local da vacinação que aparecem em alguns dias, pequenas manchas arredondadas na pele fora do local da vacinação, falta de ar, dor no peito, dor ou inchaço nas pernas ou dor abdominal persistente.

Na bula também é dito que é possível reportar a presença de efeitos colaterais por meio do sistema nacional de notificação.

Para Ballallai, a síndrome é muito rara e a vacina, assim como as outras aprovadas, tem um alto perfil de segurança documentado por meio dos estudos clínicos e também pelas muitas doses que já foram aplicadas.

"Até agora, para todas essas vacinas, o perfil de segurança é excelente com raríssimos casos de eventos adversos que consideramos graves. Não há motivo nenhum para considerar que as vacinas contra a Covid são perigosas", afirma.

Ela também diz que nem todos os efeitos adversos, principalmente os mais graves, têm relação causal com as vacinas. Nestes casos, é importante a realização de investigações a fim de averiguar se tem alguma associação do imunizante com a reação.Os efeitos colaterais indicam que as vacinas não são seguras?

Como explicado acima, existem algumas razões para o aparecimento de eventos adversos. Uma delas é a tecnologia utilizada pela vacina e outra é a indicação de que o sistema imunológico está reagindo ao imunizante.

Nenhum evento adverso, no entanto, indica que as vacinas não são seguras. Um indício disso são os estudos clínicos feitos que medem a segurança dos imunizantes.

Outro grande indicativo da segurança desses produtos utilizados atualmente contra a Covid-19 é que eles já tiveram uma alta dose de aplicação, mas com pouquíssimos relatos de reações graves.

21/06/2022 – Revista Globo Rural

Link: https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Empresas-e-Negocios/noticia/2022/06/azeite-tem-selo-de-qualidade-no-rio-grande-do-su.html

Azeite tem selo de qualidade no Rio Grande do Sul

Certificação foi concedida a 29 produtores do Estado

Vinte e nove produtores de azeite do Rio Grande do Sul recebem nesta quinta (23/6) um selo que atesta a qualidade de seus produtos. O Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS foi criado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (SICT) do Estado em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Cerca de 300 mil garrafas produzidas neste ano devem receber a distinção.

“Buscamos identificar azeitonas produzidas e colhidas no Rio Grande do Sul, processadas em lagares licenciados no Estado, com o objetivo de combater marcas colhidas e processadas indevidamente. Além disso, estabelecemos critérios mais rígidos de definição para o azeite de oliva extravirgem do que os propostos pelas normas vigentes”, explica em nota Sílvia Regina Schumacher, coordenadora do Setor Oliva do Programa Produtos Premium da SICT.

Para o presidente do Ibraoliva, Renato Fernandes, este é um passo muito importante na consolidação do azeite produzido no Estado, garantindo a segurança dos consumidores. “Vamos trabalhar para criar selos semelhantes também em outros Estados, reconhecendo os olivicultores brasileiros que se preocupam com a consolidação na qualidade do azeite extravirgem brasileiro.”

O cultivo das oliveiras no país, especialmente no Rio Grande do Sul e na região da Serra da Mantiqueira (MG), cresce de 10% a 15% por ano, segundo Fernandes, que também é produtor. A área plantada no Brasil fica próxima de 10 mil hectares, sendo quase 7.000 hectares no RS e o restante na região da Serra da Mantiqueira, mas deve dobrar até 2025, nas projeções do instituto.

Na safra colhida neste ano, apesar da escassez hídrica que atingiu o RS, a produção alcançou o recorde de 448.580 litros, segundo o Pró-Oliva, programa ligado à Secretaria de Agricultura do Estado, um aumento de 122% em relação aos 202 mil litros de 2021. O coordenador do Programa Pró-Oliva, Paulo Lipp, diz que o Estado tem 321 produtores distribuídos por 108 municípios, 17 lagares (indústrias) e 70 marcas de azeite.

Critérios de seleção

Para estabelecer os critérios do regulamento, atestar a origem e avaliar a qualidade do azeite produzido, um grupo de trabalho e um comitê avaliador  foram formados com profissionais indicados pelo  Ibraoliva e pela secretaria. Estão no comitê membros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, do Laboratório Federal do Desenvolvimento Agrário e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, entre outros.

Os produtores que se candidataram a receber o selo enviaram ao comitê documentos e amostras da sua produção. Cada amostra passou por uma análise laboratorial, que requisitou acidez livre menor ou igual a 0,3%, entre outros parâmetros de seleção. Além disso, os azeites passaram por prova sensorial realizada por azeitólogos de diferentes partes do país, em uma mesa coordenada pelos especialistas Marcelo Scofano, do Rio de Janeiro, e Sandro Marques, de São Paulo, que adotou padrões de qualidade estabelecidos pelo Conselho Oleícola Internacional, da Espanha.

Das 81 amostras recebidas, mais de 90% alcançaram os critérios de alta qualidade do regulamento, mas todas estavam dentro dos padrões exigidos para o produto extravirgem. “De todos os processos nas várias partes do mundo que tenho participado, o percentual de aprovados fica em torno de 70%. Este resultado comprova a excelência do azeite produzido no Rio Grande do Sul”, destaca Scofano.

As análises laboratoriais e as autorizações para o uso do Selo Produto Premium Origem e Qualidade RS deverão ser renovadas a cada safra.

21/06/2022 – Folha de São Paulo

Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/06/veja-possiveis-efeitos-colaterais-com-quarta-dose-de-vacina-contra-covid.shtml

Veja possíveis efeitos colaterais com quarta dose de vacina contra Covid

Bulas indicam que reações leves podem ocorrer em cerca de 10% dos imunizados

Com a recomendação da quarta dose de vacina contra Covid-19 para os maiores de 40 anos, podem surgir dúvidas acerca de efeitos colaterais dos imunizantes.

Afinal, quais são as reações esperadas para esses produtos? A quarta dose —ou segundo reforço— pode trazer alguma reação específica? Por que os efeitos colaterais ocorrem?

A Folha conversou com especialistas para responder a essas e a outras perguntas comuns.

Os principais efeitos das quatro vacinas utilizadas no Brasil –Coronavac, Janssen, Pfizer e Astrazeneca– são dor no local da aplicação, sensação febril, mal-estar, dor no corpo e quadro gripal. Normalmente, esses sintomas desaparecem em até 24 horas, no máximo podendo durar dois dias.

Além disso, não são todas as pessoas que apresentam esses sintomas. De acordo com a bula dos imunizantes, a maior parte desses sintomas mais leves pode ser sentida em torno de 10% daqueles que utilizam os medicamentos.

"A maioria das pessoas não têm nada, e são reações absolutamente normais e significam simplesmente que o sistema imune está reagindo com a vacina", diz Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

Algumas reações mais incomuns podem ocorrer. Consta da bula da vacina da Pfizer, por exemplo, que de 0,1% a 1% de pessoas que utilizaram o imunizante apresentaram insônia, cansaço físico intenso, suor noturno ou urticária (alergia da pele com forte coceira).

Assim como a Pfizer, as outras três vacinas podem ter reações adversas muito incomuns. "Nenhuma delas causa problemas importantes", afirma Marcos Boulos, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Também já foi visto que efeitos colaterais mais raros e graves são conhecidos em outros imunizantes e remédios. "Sugiro ler a bula de alguns antitérmicos para ver as reações que alguns deles podem causar", afirma Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

A quarta dose de uma vacina pode trazer algum efeito colateral diferente de outras aplicações?

Não existem evidências de que uma quarta dose resulte em efeitos diferentes dos que já foram vistos anteriormente. Dessa forma, mantém-se o que já se sabe e é documentado nas bulas dos produtos.

"Normalmente, a cada dose de vacina, não só da Covid, a chance de evento adverso é menor. A primeira dose normalmente é a mais reatogênica", diz Ballallai.

Casos em que esses efeitos podem acontecer em doses adicionais, como na quarta aplicação, são normalmente quando se utiliza uma vacina diferente das outras já aplicadas —esquema chamado de heterólogo.

"O esquema heterólogo pode ter mais eventos adversos, mas são reações leves", acrescenta Ballallai.

Por que as vacinas podem causar efeitos colaterais?

Muitas vezes, entende-se que sentir alguma reação após a vacinação significa que o imunizante está funcionando. A realidade, no entanto, não é tão simples assim.

"O fato de ter um efeito adverso em geral é um indicativo de que a vacina está funcionando, mas, se não sentir isso, não significa que a vacina não funciona", afirma Bonorino.

Ela explica que cada pessoa tem a chamada resposta inata, "que é uma inflamação inicial que precede toda a resposta que vai gerar memória imunológica". Acontece que algumas pessoas podem ter maior sensibilidade a sentir os sintomas e outras nem tanto.

Outro fator que influencia o surgimento de reações é a tecnologia utilizada em cada vacina. Boulos afirma que aquelas com a plataforma de adenovírus –em que se utiliza um vírus que transporta o código genético do Sars-CoV-2, patógeno que causa a Covid-19– são as que podem causar maiores efeitos adversos.

"As pessoas que mais reclamam provavelmente tomaram as vacinas de adenovírus. Elas são aquelas que se injeta um vírus específico, que apesar de ele não causar quase nada, pode ter alguns efeitos colaterais pequenos", afirma o infectologista, reiterando que os efeitos, quando sentidos, ainda são bem leves.

No Brasil, as vacinas da Janssen e da Astrazeneca são produzidas com essa tecnologia. Além da plataforma de adenovírus, existe a tecnologia de RNA mensageiro (Pfizer) e de vírus inativado (Coronavac). Elas também podem apresentar efeitos adversos, mas mesmo assim ainda são muito leves e em grande parte dos casos desaparecem logo.

Existem efeitos colaterais mais graves?

De uma maneira geral, as vacinas utilizadas em doses de reforço têm perfil parecido em causar efeitos adversos comuns e que não duram mais de dois dias. A vacina da Janssen tem um histórico de causar uma rara síndrome relacionada a coágulos sanguíneos potencialmente mortais. Situação parecida já foi documentada para a Astrazeneca.

As ocorrências fizeram com que o FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) limitasse o uso da vacina da Janssen no país, mas ela ainda continua disponível para aplicação. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) avaliou que os benefícios do imunizante superam os riscos, que são muito raros.

Na bula da vacina, a Janssen diz que os casos são raramente documentados, mas é importante procurar atendimento médico e informar ao profissional de saúde que tomou a vacina ao sentir sintomas como dores de cabeça fortes ou persistentes, convulsões, alterações do estado mental, visão turva, hematomas inexplicáveis fora do local da vacinação que aparecem em alguns dias, pequenas manchas arredondadas na pele fora do local da vacinação, falta de ar, dor no peito, dor ou inchaço nas pernas ou dor abdominal persistente.

Na bula também é dito que é possível reportar a presença de efeitos colaterais por meio do sistema nacional de notificação.

Para Ballallai, a síndrome é muito rara e a vacina, assim como as outras aprovadas, tem um alto perfil de segurança documentado por meio dos estudos clínicos e também pelas muitas doses que já foram aplicadas.

"Até agora, para todas essas vacinas, o perfil de segurança é excelente com raríssimos casos de eventos adversos que consideramos graves. Não há motivo nenhum para considerar que as vacinas contra a Covid são perigosas", afirma.

Ela também diz que nem todos os efeitos adversos, principalmente os mais graves, têm relação causal com as vacinas. Nestes casos, é importante a realização de investigações a fim de averiguar se tem alguma associação do imunizante com a reação.

Os efeitos colaterais indicam que as vacinas não são seguras?

Como explicado acima, existem algumas razões para o aparecimento de eventos adversos. Uma delas é a tecnologia utilizada pela vacina e outra é a indicação de que o sistema imunológico está reagindo ao imunizante.

Nenhum evento adverso, no entanto, indica que as vacinas não são seguras. Um indício disso são os estudos clínicos feitos que medem a segurança dos imunizantes.

Outro grande indicativo da segurança desses produtos utilizados atualmente contra a Covid-19 é que eles já tiveram uma alta dose de aplicação, mas com pouquíssimos relatos de reações graves.

20/06/2022 – SBPC Portal

Link: http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/participe-do-dia-nacional-de-nao-aos-cortes-em-educacao-e-ciencia-nesta-terca-feira/

Participe do Dia Nacional de “Não aos cortes em Educação e Ciência” nesta terça-feira

Mobilização contará com atividades contra cortes previamente anunciados nas áreas decisivas para o futuro do Brasil, como ciência, educação, cultura, saúde, meio ambiente e inclusão social. Confira a programação e manifeste-se conosco!

Cerca de 20 universidades e entidades científicas e acadêmicas realizam nesta terça-feira (21) o Dia Nacional de “Não aos cortes em Educação e Ciência”. Com um dia de manifestações virtuais, o foco central das atividades são os cortes anunciados pelo governo para ciência, educação, cultura, saúde, meio ambiente e inclusão social, áreas decisivas para o futuro do Brasil.

Os atos contra os cortes orçamentários começam logo pela manhã. Entre elas está a live promovida pela Rede Lepel e Gepec “Não aos Cortes em Educação e Ciência”, das 8h às 10h. Coordenado por Joelma Albuquerque, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o evento contará com a participação de Cassia Hack, da Universidade Federal do Amapá (Unifap), e Celi Taffarel, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Às 8h30, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) promove a palestra “Contexto do financiamento da educação e da ciência no Brasil”, que será proferida por Gregório Grisa, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). O mediador será Guillermo Vega Sanabria, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Às 10h serão três atividades, dentre elas, o painel “Não aos cortes em Educação e Ciência”. Com mediação de Dinara Moura, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a atividade contará com a participação de Odir Dellagostin, diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), Soraya Smaili, professora titular do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Tiago Oliveira, da UFCSPA.

Entre 14h e 16h, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza o ato central “A responsabilidade da Economia nos cortes em Ciência e Educação: A meta é desenvolver ou subdesenvolver?”. Coordenado pelo presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, o evento contará com a participação de Clélio Campolina Diniz, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (2014), e Nelson Henrique Barbosa Filho, ex-ministro do Planejamento (2015) e da Fazenda (2016). A atividade contará também com depoimentos em vídeos de Fernanda Haddad, ex-ministro da Educação (2005-2012), Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda (1987), Administração Federal e Reforma do Estado (1995-98) e da Ciência e Tecnologia (1999), e Sergio Machado Rezende, ex-ministro da Ciência e Tecnologia (2005-2010).

Logo em seguida, às 16h, o Dia Nacional de “Não aos cortes em Educação e Ciência” contará com outras três atividades, dentre elas, a mesa-redonda “Ciência e Universidade na Atual Conjuntura Sociopolítica Nacional: Desafios e Estratégias Em Tempos de Bloqueios Orçamentários e Sucateamento das Instituições Federais”. O evento contará com a participação de Inácio Arruda, diretor regional do Nordeste do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), Fabio Guedes Gomes, secretário-executivo da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br), Antonio Gomes Souza Filho, da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fernando Peregrino, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), Clovis Ricardo Montenegro de Lima, pesquisador titular do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Entre os debatedores estão Enio Pontes, da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de

Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (PROIFES Federação), e Barbara Coelho, professora adjunto da Universidade Federal da Bahia (UFBA)  e do GT de C&T da APUB.

O dia será finalizado às 19h com a atividade “NÃO aos cortes em Educação e Ciência em Minas Gerais” (APUBH/CNDE/MG/FEPEMG/FOMEJA/IFMG).

A programação completa está disponibilizada no site da SBPC e será divulgada ao longo do dia nas redes sociais da entidade (@SBPCnet).

Confira e faça parte desta mobilização!

Confira a programação:

SBF na mobilização pela Ciência e pela Educação. Assista aqui. Card de divulgação

MutaGen-Brasil na mobilização pela Ciência e pela Educação. Assista aqui.

08h às 10h – Live da Rede Lepel e Gepec “Não aos Cortes em Educação e Ciência”. Coordenação: Joelma Albuquerque (UFAL), Cassia Hack (UNIFAP) e Celi Taffarel (UFAL/UFBA). Assista aqui.

08h30 – “Contexto do financiamento da educação e da ciência no Brasil” (ABA). Palestrante: Gregório Grisa (IFRS). Mediador: Guillermo Vega Sanabria (UFBA). Assista aqui.

10h –  “ANPOLL na mobilização pela Ciência e pela Educação”. Coordenação: Ana Crélia Dias (UFRJ/ANPOLL). Participantes: Alice Casimiro Lopes (UERJ/FAPERJ), Dani Balbi (SEE-RJ/ALERJ). Assista aqui.

10h – Painel “Não aos cortes em Educação e Ciência” (UFCSPA). Mediação: Dinara Moura (UFCSPA). Participantes: Odir Dellagostin (Fapergs), Soraya Smaili (UNIFESP) e Tiago Oliveira (UFCSPA). Assista aqui. Card de divulgação.

10h – Comunicação, inclusão e políticas públicas (ABRAPCORP). Moderação: Mônica Fort (UTP). Participantes: Palestrantes: Anderson Lopes (USP) e Aline Ferreira Lira (UFAM). Assista aqui.

11h30 – Manifestação presencial contra os cortes na Educação e Ciência em Minas Gerais (APUBH/SINDIFES/APG/OAP) – Local: Gramado da Reitoria da UFMG

14h às 16h – Ato central “A responsabilidade da Economia nos cortes em Ciência e Educação: A meta é desenvolver ou subdesenvolver?”. Assista aqui.

16h – Debates REMIR-ABET “Não aos cortes em Educação e Ciência” – Mediação: Paula Freitas (UNICAMP). Participantes: João Carlos Salles (UFBA), Graça Druck (UFBA) e Marcos Ferraz (UFPR). Assista aqui.

16h – Mesa-redonda “Ciência e Universidade na Atual Conjuntura Sociopolítica Nacional: Desafios e Estratégias Em Tempos de Bloqueios Orçamentários e Sucateamento das Instituições Federais”. Participantes: Inácio Arruda (Consecti), Fabio Guedes Gomes (ICTP.br), Antonio Gomes Souza Filho (UFC), Fernando Peregrino (Confies), Clovis Ricardo Montenegro de Lima (Ibict). Debatedores: Enio Pontes (PROIFES Federação) e Barbara Coelho (UFBA/GT de C&T da APUB). Assista aqui.

16h – Painel “Sem presente, sem Futuro: Educação e Ciência em Risco” (UFMG). Abertura: Apresentação de vídeo do Cedecom com pronunciamento da Reitora. Mediador: Fernando Reis (pró-reitor de Pesquisa da UFMG). Participantes: Natacha Rena (Escola de Arquitetura da UFMG), Lívia Pancrácio de Errico (Escola de Enfermagem da UFMG), Maria Fernanda Salcedo Repolês (Faculdade de Direito da UFMG), Francisco de Paula Antunes Lima (Escola de Engenharia da UFMG) e Marina de Lima Tavares (Faculdade de Educação da UFMG). Assista aqui. Card de divulgação

17h30 – Mesa-redonda “Não aos cortes em Educação e Ciência” (UFRN). Mediação: Maralice Freitas (jornalista). Participantes: José Daniel Diniz Melo (UFRN), representantes do Diretório Central do Estudantes (DCE), Sindicato dos Docentes da UFRN (Adurn), Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação de Ensino Superior (Sintest) e Associação dos Técnicos de Nível Superior (Atens). Assista aqui.

18h – “Não aos Cortes na Educação e Ciência: Mobilização da Marcha pela Ciência em São Paulo 2022″ (SBPC-SPI, Cientistas Engajados, APqC, Via Saber)

18h – “Não aos cortes em Educação e Ciência e Cultura” (ABEM/ABET/ANPPOM). Assista aqui.

18h – “Impactos dos cortes no financiamento em pesquisa para a produção científica na Bahia” (LAC-FMB-UFBA). Assista aqui.

18h – Ato conjunto: UFABC CONTRA CORTES. Presencial: Campus Santo André, piso vermelho. Card de divulgação

18h – Painel “Educação e Ciência em Risco:  Essencialidade da Ciência para a Educação Básica” (UFMG). Abertura: Apresentação de vídeo do Cedecom com pronunciamento da Reitora. Mediadora: Viviane S. Alves (PROEX – UFMG). Participantes: Ana Cristina Ribeiro Vaz (Programa UFMG Jovem Conhecimento para todos), Cleida Aparecida de Oliveira (PROFBIO), Nilma Soares da Silva (COMFIC), Rúbia Santos Fonseca (Rede de Museus e Espaços de Ciências e Cultura da UFMG) e Santer Alvares de Matos (Febrat). Assista aqui. Card de divulgação

19h – “NÃO aos cortes em Educação e Ciência em Minas Gerais” (APUBH/CNDE/MG/FEPEMG/FOMEJA/IFMG). Assista aqui.

Via Jornal da Ciência

18/06/2022 – CBN

Link: https://m.cbn.globoradio.globo.com/media/audio/378709/brasileiros-vacinados-no-exterior-com-reforco-cont.htm

Brasileiros vacinados no exterior com reforço contra Covid enfrentam dificuldades para validar aplicação

São pessoas que tomaram doses de farmacêuticas que não tem aval da Anvisa, como a Moderna. O Ministério da Saúde alega que ainda vai divulgar uma data para que esses imunizantes possam entrar na carteirinha do SUS. Enquanto o prazo não sai, a CBN ouviu especialistas para entender se o ideal é tomar o reforço lá fora e se há risco em receber a dose novamente por aqui.

A publicitária Luana Cristina, de 24 anos, tomou a dose de reforço da vacina contra a Covid durante um intercâmbio de trabalho nos Estados Unidos. Lá, ela foi vacinada com o imunizante da farmacêutica Moderna, que não é aplicado no Brasil. Quando voltou para cá, foi num posto de saúde de São Paulo para tentar validar a dose, mas não teve sucesso. E até agora a Luana não sabe o que fazer...

A publicitária representa uma parcela de brasileiros que tomaram o reforço da vacina lá fora, mas estão com dificuldades pra validar a dose por aqui. Quem também tem tido dúvidas é a tradutora Sara Amorim, que fez o esquema vacinal completo no exterior com a dose da Moderna e volta ao Brasil em setembro.

Uma nota técnica do Ministério da Saúde diz que, por enquanto, o SUS está integrando na carteira de vacinação apenas os imunizantes aplicados fora do país que foram autorizados pela Anvisa. Segundo a pasta, basta se dirigir à unidade de saúde mais próxima para registrar a dose. Mas, em relação às vacinas que ainda não foram autorizadas por aqui, como a da Moderna, o Ministério alega que elas serão validadas num momento posterior, desde que tenham o aval da Organização Mundial da Saúde.

Sem a data definida, o que brasileiros que estão nessa situação, como a Luana, devem fazer? A imunologista Viviane Boaventura, professora da Universidade federal da Bahia, recomenda que, em caso de viagens longas, o reforço seja feito, sim, no país de destino, desde que o imunizante seja reconhecido pela OMS. Para ela, é importante respeitar o número de doses e o intervalo de vacinação indicados pela autoridade sanitária.

a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, lembra que, até pouco tempo atrás, quando os pais não lembravam se os filhos tinham sido imunizados contra a poliomielite, a criança era vacinada de novo. E, para ela, não há contraindicação pra tomar o reforço da Covid mais uma vez.

Mas Cristina reforça que ainda não é possível afirmar se quem vai tomar mais doses da vacina vai ter uma imunidade maior ao vírus. A geógrafa Camilla Bandeira decidiu evitar a bola dividida. Ela também fez um intercâmbio de trabalho fora do país e optou por tomar a dose de reforço só quando estivesse em solo brasileiro.

Atualmente, o Brasil tem quatro vacinas contra a Covid-19 autorizadas pela Anvisa. Outras dez tiveram os estudos aprovados e nove estão em fase de análise. Algumas farmacêuticas, como a Moderna, nunca chegaram a pedir registro no Brasil, por não terem uma capacidade de produção que suporte a demanda do país.

13/06/2022 – Correio do Povo

Link: Longas filas marcam 1º dia da volta às aulas 100% presencial na Ufrgs (correiodopovo.com.br)

Longas filas marcam 1º dia da volta às aulas 100% presencial na Ufrgs

Por conta da alta demanda, estudantes tiveram dificuldade para acessar restaurantes universitários nesta segunda-feira

A segunda-feira foi marcada pelo retorno presencial de milhares de estudantes nos campi da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Porto Alegre e Tramandaí. Com 100% de aulas, setor administrativo e serviços de volta à presencialidade, esse primeiro dia ainda foi de ajustes. Nos seis Restaurantes Universitários (RUs), os alunos enfrentaram longas filas; e houve grande demora para fazer o cartão universitário.

Na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) ocorreram atividades de recepção aos calouros. Já os veteranos voltaram às salas ainda sob alguns impactos da pandemia, como a falta de profissional técnico para o estúdio de fotografia. Mesmo com solicitação dos professores, a direção da unidade ainda não deu retorno sobre o atendimento de um profissional, e não há previsão de aulas no estúdio, até a contratação.

No Campus Centro, onde fica a Faculdade de Educação, os alunos enfrentaram longas filas e demoraram cerca de uma hora e meia para fazer o cartão de estudante. A direção da Ufrgs informou que todos que estavam na fila até as 16h foram atendidos, mas que a demanda foi alta, como o esperado, para o início de semestre. Nos RUs, além da dificuldade para conseguir almoçar, muitos alunos tiveram problemas com agendamento das refeições, longas filas e lista de espera, fazendo com que muitos desistissem da refeição.

A Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) da Ufrgs afirmou que foram mais de 4 mil estudantes almoçando hoje nos seis RUs da Capital, sendo que 10% deles tiveram acesso liberado, em razão do não agendamento ou da fila de espera. Segundo a Prae, são disponibilizados 12.600 almoços por dia. “Quantidade esta que não era atingida nem antes da pandemia, portanto não deve haver problemas no agendamento dos estudantes.”

O 1º semestre letivo de 2022 na Ufrgs ocorre entre 13 de junho e 20 de outubro. Assim como as demais universidades federais gaúchas, encontra-se com o calendário atrasado, em função da paralisação que houve nas instituições federais no início da pandemia de Covid-19. No Extremo-Sul, na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), por exemplo, as atividades presenciais já retornaram, como na Ufrgs, com funcionamento escalonado e gradativo, desde o ano passado.

Já a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é a única instituição federal gaúcha que ainda não iniciou o 1º semestre letivo deste ano. Mesmo após a pressão da comunidade acadêmica, o retorno presencial foi mantido apenas para 1 de agosto. Em abril, a universidade emitiu nota confirmando o retorno de todos os cursos para a data, com exceção do curso de Direito, que tem calendário acadêmico diferenciado e retornou ao presencial em maio.

Calendários

Os calendários letivos das universidades federais gaúchas, prejudicados no início da pandemia, atualmente encontram-se ainda bastante desencontrados, com o 1osemestre acadêmico de 2022 ocorrendo em:

  • Ufrgs: 13/6 a 20/10
  • UFCSPA: 25/4 a 20/8
  • UFSM: 11/4 a 20/8
  • UFPel: 1/8 a 2/12
  • Furg: 25/4 a 20/8
  • Unipampa: 25/4 a 20/8

10/06/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/06/aulas-da-graduacao-da-ufrgs-serao-100-presenciais-a-partir-da-proxima-segunda-feira-confira-a-situacao-das-demais-federais-cl48qga890060016759413fdn.html

Aulas da graduação da UFRGS serão 100% presenciais a partir da próxima segunda-feira; confira a situação das demais federais

Instituição também dará início ao primeiro semestre letivo de 2022, que se encerra em 20 de outubro

As aulas dos cursos de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) vão retornar à presencialidade de forma total na próxima segunda-feira (13). É um marco na instituição, que paralisou as atividades em março de 2020, no início da pandemia, e deu início ao ensino remoto em agosto daquele ano.

De lá para cá, algumas aulas voltaram aos poucos de forma presencial, começando pelas disciplinas práticas dos cursos da área da saúde. De acordo com a universidade, o que ainda seguirá de forma remota são as disciplinas ofertadas na modalidade a distância (EAD). As atividades do setor administrativo também já atuam de forma 100% presencial.

Na próxima segunda, a UFRGS também dá início ao primeiro semestre letivo de 2022, que se encerra em 20 de outubro. Já o segundo semestre letivo começa em 17 de novembro e finaliza em 19 de abril de 2023. O recesso escolar acontece entre 26 de dezembro e 15 de janeiro do ano que vem.

Veja, abaixo, como acontecem as aulas das outras seis universidades federais do Estado:

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

As aulas práticas da graduação já são 100% presenciais. As disciplinas teóricas começaram a ser retomadas de forma presencial em abril deste ano - a previsão é de que até julho haja 100% do retorno. Todos os setores administrativos já atuam de forma presencial. A UFCSPA está no meio do primeiro semestre letivo de 2022. O segundo semestre letivo inicia em 19 de setembro.

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

As aulas da graduação retornaram ao presencial em abril deste ano. O setor administrativo começou a retornar ainda em outubro de 2021. Já funcionários acima dos 60 anos ou com comorbidades voltaram no dia 6 de junho. A UFSM está no primeiro semestre letivo de 2022, e o segundo semestre letivo deve iniciar em setembro.

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

As aulas práticas da graduação ocorrem de forma presencial e as teóricas são online. A previsão é de que as aulas voltem à presencialidade de forma integral na UFPEL no início do próximo semestre, em 1° de agosto. As atividades do setor administrativo já estão atuando de forma 100% presencial. A UFPel está no segundo semestre letivo de 2021. Em agosto, inicia o primeiro semestre letivo de 2022.

Universidade Federal do Rio Grande  (Furg)

As aulas da graduação foram retomadas de forma presencial em abril. As atividades do setor administrativo também ocorrem presencialmente de forma integral desde abril. Atualmente, a Furg está no primeiro semestre letivo de 2022. O segundo semestre letivo tem início em setembro.

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

As aulas da graduação retornaram de forma presencial em abril. No entanto, há algumas disciplinas que podem ser ofertadas a distância até o fim do primeiro semestre letivo de 2022, em 20 de agosto de 2022, se assim os estudantes matriculados desejarem. As atividades do setor administrativo estão 100% presenciais desde novembro do ano passado. O segundo semestre letivo da Unipampa inicia em 21 setembro.

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

As aulas da graduação dos campi de Erechim, no Norte, e em Cerro Largo, nas Missões, retornaram de forma presencial na sua integralidade ainda em fevereiro, assim como as atividades administrativas. No campus Passo Fundo, também no Norte, que oferece somente o curso de medicina, as aulas presenciais retornaram ainda em 2020. Os campi de Cerro Largo e Erechim iniciam o segundo semestre no dia 19 de setembro. Já o de Passo Fundo, no dia 8 de agosto.

10/06/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/06/corte-de-verbas-de-universidades-e-institutos-poe-em-risco-assistencia-estudantil-postos-de-trabalho-e-ate-a-continuidade-das-aulas-cl491l0jj004v01673kbei6mi.html

Corte de verbas de universidades e institutos põe em risco assistência estudantil, postos de trabalho e até a continuidade das aulas

Inicialmente, o Ministério da Educação havia anunciado bloqueios no orçamento, que agora viraram cortes

Depois de anúncios do Ministério da Educação (MEC) sobre bloqueios no orçamento deste ano de universidades e institutos federais, a pasta informou, na quinta-feira (9), que parte dessa verba será efetivamente cortada e remanejada para outros órgãos. Reitores das instituições gaúchas alertam que a redução nos valores, que representa perda de mais de R$ 220 milhões em todo o país, põe em risco bolsas de estudos, outras formas de assistência estudantil e postos de trabalho de profissionais terceirizados, além de gerar possibilidade real de paralisação das aulas.

Em nota enviada aos reitores, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) comunicou que apesar de o bloqueio de 14,5% ter sido reduzido para 7,2% na última sexta-feira (3), o MEC apontou que 3,6% já serão remanejados para o pagamento de despesas obrigatórias de outros órgãos. Na prática, significa que esse percentual será de fato cortado e retirado da conta – diferentemente dos recursos bloqueados, que ainda aparecem na conta das universidades, embora não possam ser utilizados naquele momento.

Nas instituições federais, o clima é de incerteza, diante da frequência das mudanças no orçamento. Muitos dos reitores resolveram aguardar até refazer seus planejamentos, uma vez que não sabem ao certo com quanto dinheiro poderão contar até o final do ano. Procurado, o MEC não retornou à reportagem até a publicação desta matéria.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Procurada, a UFRGS não retornou aos pedidos de entrevista e informações da reportagem até o final da tarde desta sexta-feira (10).

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Na UFPel, com o corte orçamentário realizado em 2021, o ano de 2022 já foi iniciado com um déficit de cerca de R$ 5 milhões, a serem pagos para empresas contratadas. Somados os valores cortados e bloqueados, hoje a instituição enfrenta um déficit de cerca de R$ 10 milhões. Neste cenário, não será possível honrar parte dos pagamentos previstos para os meses de outubro, novembro e dezembro.

— Há empresas que têm prevista em contrato uma flexibilidade que permite que a UFPel atrase o pagamento por alguns meses, mas outras não têm. Uma das maiores despesas é com energia elétrica, por exemplo, que, se não é paga, pode ser cortada imediatamente. Por isso, existe um risco real de não chegarmos até o fim do ano — destaca o superintendente de Orçamento e Gestão de Recursos da instituição, Denis Franco.

A prioridade é pagar as despesas com a assistência estudantil, como auxílios para moradia, alimentação e transporte. No entanto, o superintendente afirma que não é possível prever o que seria paralisado primeiro, uma vez que a falta de recursos gera efeito dominó – sem luz, por exemplo, não se tem aula, e, sem aula, não tem por que manter o funcionamento do restaurante universitário (RU), e assim por diante.

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

Por enquanto, a Unipampa não refez seu planejamento orçamentário, pois trabalha pela recomposição dos valores. Segundo o reitor Roberlaine Jorge, a situação financeira já era crítica e, com esses cortes, se agravou.

— A universidade teve um crescimento orgânico, o que gera aumento nos gastos, e as despesas também aumentaram. O custo com o RU, por exemplo, teve aumento de 130% na comparação com o período pré-pandemia. Por isso, estamos nos mobilizando com todas as entidades pela recomposição do orçamento — explica o reitor.

O gestor relata que a Unipampa já está no limite de cortes em setores como a prestação de serviços por terceirizados, que fazem a limpeza e a segurança dos campi, por exemplo. Por isso, um corte a esta altura do ano deixa a instituição “quase inadministrável”.

— A gente está trabalhando, mas a dificuldade é enorme. O risco que corremos é de pararmos as atividades. Como ficam as aulas práticas sem insumos, por exemplo? — questiona Jorge.

Com o bloqueio, a universidade fica impedida de usar R$ 3,6 milhões do orçamento anual. Entre as medidas transitórias/paliativas possíveis, está a anulação parcial de contratos terceirizados com profissionais da limpeza, motoristas, vigilantes e da manutenção.

Universidade Federal do Rio Grande (Furg)

Na Furg, o bloqueio de 7,2% no orçamento discricionário – ou seja, nas despesas obrigatórias – representa R$ 4,2 milhões. Antes mesmo do início do ano, as instituições de ensino já tinham sofrido corte de 5,6% nesses recursos.

Com a redução no orçamento, o impacto na Furg será tanto em ações de ensino, pesquisa, extensão, cultura e assistência estudantil quanto no pagamento de despesas fixas essenciais ao funcionamento da universidade, como água, energia elétrica e serviços terceirizados.

— Há um risco de descontinuidade de fluxo financeiro para os contratos firmados pela universidade, tendo em vista a ação orçamentária na qual o bloqueio incidiu. Estamos lutando para que esse bloqueio seja revertido. Entretanto, caso necessário, poderá haver renegociação de contratos em algumas áreas específicas — destaca Diego Rosa, pró-reitor de Planejamento e Administração da Furg.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

O principal impacto para a UFCSPA será na construção de dois novos prédios – um na Rua da Conceição, onde está prevista a instalação da Clínica da Família UFCSPA, e outro na Rua Sete de Setembro, onde um antigo prédio do Ministério Público do Trabalho (MPT) deverá comportar parte das atividades da instituição. No entanto, para além do investimento em infraestrutura, o corte deve prejudicar o dia a dia.

— Já tínhamos feito uma super revisão nos contratos. Estamos no limite. A partir de agora, o que resta é diminuir postos de terceirizados e investimentos em áreas que sempre tentamos priorizar, que é a assistência estudantil, como bolsas-permanência e de iniciação científica — pontua a reitora da universidade, Lucia Pellanda.

Como o orçamento para a pesquisa também já sofreu reduções, a UFCSPA havia destinado parte de seu orçamento para o pagamento de bolsas de mestrado e doutorado. Com os novos cortes, no entanto, essas áreas podem sofrer impacto. Entre bloqueio e corte, o orçamento será de R$ 2,3 milhões a menos.

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

A UFSM realizou audiência pública sobre a redução orçamentária na última quinta-feira (9), a fim de explicar à comunidade universitária quais serão os impactos da mudança. Foram citadas a possibilidade de demissão de funcionários terceirizados e alterações diretas em atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O cenário financeiro da universidade foi apresentado pelo reitor Luciano Schuch como um dos mais preocupantes da história da instituição. O bloqueio representa redução de R$ 9,3 milhões no orçamento previsto para o ano, o que, conforme o gestor, aprofunda a crise orçamentária vivida pelas universidades, que, mesmo sem os cortes, já têm um orçamento defasado.

Os recursos em assistência estudantil estão entre os que mais causam preocupação. De 2015 a 2022, o orçamento destinado via Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) cresceu 5,3%, enquanto, no mesmo período, o valor da cesta básica cresceu 124%, segundo o reitor.

— Enquanto isso, a nossa população está empobrecendo cada vez mais, com renda mais baixa e, em consequência, cada vez mais demandas na assistência estudantil para a permanência e formatura dos nossos estudantes — afirmou Schuch.

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

A UFFSressaltou que o bloqueio orçamentário não impacta os recursos destinados a auxílios, bolsas e funcionamento básico. Alguns contratos estão sendo reavaliados e alguns investimentos postergados, mas o planejamento, por enquanto, se mantém o mesmo."Foram tomadas ações no âmbito administrativo através da redução de despesas com diárias, passagens e transportes. Ainda, alguns contratos estão sendo reavaliados e alguns investimentos foram postergados. Todo o planejamento se mantém como o original, aguardando eventuais cortes ou desbloqueios para sua efetiva execução”, diz trecho da nota da instituição.

08/06/2022 – Diário do Comércio

Link: https://diariodocomercio.com.br/agronegocio/epamig-abre-inscricoes-para-azeitech-on-line/

Epamig abre inscrições para Azeitech on-line

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) divulgou a programação da edição virtual que dá sequência às atividades do segundo Azeitech. O evento, iniciado em 25/3 com a realização do 17º Dia de Campo de Olivicultura e da 7ª Mostra Tecnológica em formato presencial, no Campo Experimental de Maria da Fé, contará com painéis científicos on-line, entre os dias 21 a 23/6. As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas pelo site.

“Nessa segunda parte, a programação será repleta de diversos assuntos relacionados à olivicultura. No primeiro dia, o foco será a produção de azeitona em conserva. O segundo será dedicado às mulheres na olivicultura. Já o último, 23/6, será dedicado ao azeite de oliva e, entre outras atrações, haverá troca de experiências com o azeitólogo português Nuno Rodrigues, que além do trabalho em seu país falará sobre sua vivência nos olivais brasileiros”, adianta o coordenador-geral do evento, Luiz Fernando de Oliveira.

A programação de 21/6 está dividida em dois painéis. O primeiro, com o tema “Experiências na produção de azeitonas de mesa na Espanha”, tem como convidada Nuria Yánes Gonzáles, diretora técnica da Cooperativa Agrícola Espanhola Almazarras de la Subbética e a participação do consultor gastronômico Marcelo Scofano. O segundo painel “Experiências na produção artesanal de azeites e azeitonas de mesa na Serra da Mantiqueira”, terá a presença dos olivicultores Vanessa Bianco (Olivais Gamarra) e Ana Morita e João Ricardo (Olivas Vikas), de Baependi/ MG. A mediação será de Pedro Moura, integrante da Comissão Organizadora do Azeitech.

Assim como na primeira edição, em 2021, a programação da quarta-feira (22/6) será dedicada à participação das mulheres na cadeia produtiva da Olivicultura. A moderação será da doutora em Botânica Aplicada, Carolina Ruiz Zambon. Na oportunidade, a azeitóloga Ana Beloto vai lançar o livro “Azeite-se” e participar de um bate-papo com a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Isabel Casper Machado, e com a diretora da revista Azeites e Olivais, Luciane Gomes.

Além da programação ao vivo e da possibilidade de interação via chat com palestrantes e convidados, os visitantes virtuais do Azeitech 2022 terão acesso a vídeos de dicas técnicas no espaço Oliva Play e à Mostra Tecnológica com a presença das marcas patrocinadoras.

07/06/2022 – O Sul

Link: https://www.osul.com.br/unidade-movel-de-testagem-hiv-ist-pelo-sus-estara-em-viamao-nesta-quinta/

Unidade Móvel de testagem HIV/IST pelo SUS estará em Viamão nesta quinta

Nesta quinta-feira (9) a Unidade Móvel de Testagem do projeto “Vinculação e Retenção de pessoas com HIV em serviços públicos de saúde: demonstrativo na Região Metropolitana de Porto Alegre, RS, Brasil” inicia as atividades em Viamão, na região Metropolitana, das 14 h às 20 h, no Bairro Vila Santa Izabel.

Viamão foi a primeira cidade a realizar o agendamento. Para participar do projeto, gestores locais devem identificar a necessidade de testagem nos seus municípios. O objetivo é ampliar a acessibilidade, principalmente de populações-chave e prioritárias, visando, em especial, o diagnóstico do HIV e início o mais breve possível da terapia antirretroviral (TARV).

Quando a Unidade Móvel estacionar no local definido na agenda, uma equipe de saúde formada por dois agentes de testagem comunitária, um enfermeiro e mais uma pessoa que é o ponto focal do projeto fará acolhimento, testagem de HIV, sífilis e hepatites virais e encaminhamento dos casos positivos para tratamento.

A proposta é trabalhar no vínculo dos usuários os serviços locais do Sistema Único de Saúde (SUS). A equipe também presta aconselhamento e orientações sobre saúde sexual.

O projeto é desenvolvido por meio de uma parceria da Secretaria da Saúde (SES/RS) com a AIDS Healthcare Foundation (AHF Brasil) e Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos).

A médica da SES/RS, Leticia Ikeda, coordenadora geral do projeto, afirma que “se busca demonstrar que a ampliação e facilitação do acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), com testagem seguida da vinculação em cuidados de forma oportuna, deve impactar na redução da mortalidade por HIV no RS”.

Fabiana Ferreira dos Santos, responsável pela gestão da Unidade Móvel, relata que a organização das capacitações e dos processos de trabalho envolveram toda a equipe, durante seis meses, contribuindo para o entrosamento da mesma. “Todos estão preparados e aptos a realizar atividades educativas de prevenção do HIV, aconselhamento pré e pós teste e execução de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais”, destaca. Além da equipe da Unidade, acadêmicos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), integrantes da Liga de Infectologia e Medicina Tropical (LIMT) foram, igualmente, capacitados e serão colaboradores nas ações.

Contato para agendamento da Unidade Móvel:

Coordenadora da Unidade Móvel, Fabiana Ferreira dos Santos: whatsapp (51) 996321817, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

07/06/2022 – Estado de Minas

https://www.em.com.br/app/noticia/ciencia/2022/06/07/interna_ciencia,1371652/lula-com-covid-por-que-e-possivel-ter-a-doenca-mesmo-apos-quatro-doses-de.shtml

Lula com covid: por que é possível ter a doença mesmo após quatro doses de vacina e infecção prévia

O ex-presidente anunciou que ele e sua esposa Janja testaram positivo para o coronavírus. Entenda porque a imunidade contra esse patógeno não é infalível e não dura para sempre %u2014 e como ficar mais protegido.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi às redes sociais na noite de domingo (5/6) para anunciar que está de novo com covid-19. Sua esposa, Rosângela da Silva, a Janja, também testou positivo.

"Os dois estão bem, o ex-presidente [está] assintomático e Janja [tem] sintomas leves. [Eles] ficarão em isolamento e acompanhamento médico nos próximos dias", informa a postagem feita no Twitter.

No caso de Lula, chama a atenção o fato de ele ter recebido a quarta dose da vacina no início de abril. O pré-candidato à Presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT) também já foi diagnosticado com covid ainda no primeiro ano de pandemia, em dezembro de 2020.

Mas, afinal, como é possível ter a doença pela segunda vez, mesmo com o esquema de imunização em dia e um episódio prévio de infecção pelo coronavírus?

As evidências científicas apontam pelo menos três fatores que ajudam a responder a esta pergunta: queda da imunidade com o passar do tempo, aparecimento de novas variantes e alta circulação do vírus.

O ex-presidente @LulaOficial e sua esposa @JanjaLula foram diagnosticados hoje com Covid19. Os dois estão bem, o ex-presidente assintomático e Janja com sintomas leves. Ficarão em isolamento e acompanhamento médico nos próximos dias. #equipeLula pic.twitter.com/chuuig7gCn

Para que servem as vacinas

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, questiona o que significa "pegar covid" nos dias de hoje.

"O que é pegar covid? É ficar doente e ir para o hospital? Ter sintomas leves? Ou simplesmente testar positivo? Precisamos entender que testar positivo não significa estar com covid", diferencia.

"E as vacinas não impedem a infecção. Enquanto o vírus circular, as pessoas se infectarão", complementa a especialista.

Independentemente do tipo de tecnologia usada, as vacinas têm um objetivo principal: fazer com que nosso sistema imune seja exposto com segurança a um vírus ou a uma bactéria (ou pedacinhos específicos deles).

A partir desse primeiro contato, que não vai prejudicar a saúde, nossas células de defesa geram uma resposta, capaz de deixar o organismo preparado caso o agente infeccioso de verdade resolva aparecer.

Acontece que esse processo imunológico é extremamente complicado e envolve um enorme batalhão de células e anticorpos. A resposta imune, portanto, pode variar consideravelmente segundo o tipo de vírus, a capacidade de mutações que ele tem, a forma como é desenvolvida a vacina, as condições de saúde da pessoa…

No meio de todos esses processos, portanto, é muito difícil desenvolver um imunizante que seja capaz de evitar a infecção em si, ou seja, bloquear a entrada do causador da doença nas nossas células.

Mas aí vem um ponto muito importante: mesmo nos casos em que a vacina não consegue prevenir a infecção, muitas vezes a resposta imune criada a partir dali pode tornar os sintomas menos graves nas pessoas que foram imunizadas, prevenindo assim doenças mais severas e óbitos.

Isso ocorre, por exemplo, com as vacinas contra o rotavírus e a gripe: quem as toma pode até se infectar, mas o risco de desenvolver formas mais graves dessas doenças é reduzido consideravelmente.

E é exatamente esse mesmo fenômeno que observamos agora com a covid-19: ainda que os imunizantes disponíveis não sejam capazes de barrar novas ondas de casos, eles estão funcionando muito bem para impedir o agravamento da maioria das infecções.

Prova disso são as ondas mais recentes que ocorreram entre o final de 2021 e o início de 2022, relacionadas com o espalhamento da variante ômicron: embora muitos países tenham batido recordes absolutos de casos, a taxa de internações e mortes nesses lugares foi significativamente menor em relação a momentos anteriores da pandemia.

Um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicado em março calculou o tamanho dessa proteção. Os dados revelam que adultos que tomaram três doses de vacina contra a covid tem um risco 94% menor de precisar de internação, ventilação mecânica ou morrer, quando comparados àqueles que não se imunizaram.

Resumindo: as vacinas contra a covid aprimoram e modificam alguns aspectos do sistema imune que não chegam a bloquear a entrada do vírus no organismo, mas ao menos impedem que ele se replique numa velocidade muito alta e cause estragos que afetam a saúde de forma preocupante.

E isso é bom para o indivíduo, que não desenvolve esses problemas, e para o sistema de saúde como um todo, que não fica abarrotado de pacientes e pode entrar em colapso.

Defesas que se esvaem

Agora que você já entendeu qual o principal objetivo das vacinas atuais contra a covid-19, vamos explorar uma segunda questão: nesse contexto, por que são necessárias doses de reforço para alguns grupos?

No Brasil, o Ministério da Saúde já recomenda a aplicação de uma quarta dose do imunizante para quem tem mais de 50 anos e para indivíduos com problemas que afetam o sistema imunológico.

Ao longo dos últimos meses, a atualização das campanhas de vacinação, com a adoção das doses extras, se provou necessária por uma série de fatores. O mais importante deles está relacionado à queda da imunidade com o passar dos meses.

De forma simplificada, as nossas células imunes que estão na linha de frente "se esquecem" de como combater o coronavírus se elas não forem expostas ao patógeno depois de algum tempo.

"Essa queda dos anticorpos é normal. A gente não pode ficar com nível alto de anticorpos o tempo inteiro", esclarece Bonorino, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia.

A aplicação das doses de reforço, portanto, serviria como uma espécie de "lembrete" para atualizar o nosso sistema antivírus. Essa estratégia é ainda mais importante, do ponto de vista de saúde pública, quando consideramos pessoas de idades específicas (como os mais velhos), ou portadores de determinadas enfermidades, em que a imunidade costuma não funcionar tão bem assim.

Nesse sentido, um estudo feito pelo Instituto Weizmann de Ciências de Israel acompanhou 1,2 milhão de idosos com mais de 60 anos e observou que a frequência de casos graves de covid era 3,5 vezes menor no grupo de participantes que havia recebido a quarta dose, em comparação com aqueles que só tomaram até a terceira dose da vacina.

Esse e outros dados só reforçam a noção de que manter o esquema vacinal em dia, de acordo com o que é preconizado pelas autoridades de saúde, pode até não evitar a infecção pelo coronavírus, mas diminui bastante o risco de desenvolver as complicações da doença — como parece ser o caso de Lula, que não apresenta muitos sintomas, pelas poucas informações disponíveis no momento.

Metamorfose ambulante

Não dá pra se esquecer também do fato de que o coronavírus está em constante mudança. E as mutações que ocorrem no código genético dele a cada nova replicação abrem alas para o surgimento das variantes.

Algumas dessas novas linhagens, aliás, causaram um estrago considerável desde o final de 2020: alfa, beta, gama, delta e ômicron carregam alterações importantes, especialmente numa parte do vírus chamada espícula, que se conecta aos receptores na superfície de nossas células para dar início à infecção.

Em termos práticos, mudanças significativas no material genético do vírus dificultam ainda mais o trabalho do sistema imunológico, que não consegue identificar muito bem o agente invasor e lançar uma resposta adequada para contê-lo.

Ou seja: mesmo que as células de defesa tenham conseguido montar um bom contra-ataque contra o coronavírus original (ou uma das variantes mais "antigas", como a alfa ou a gama), isso pode não ser o suficiente para barrar a entrada da ômicron no nosso corpo, já que falamos de uma versão modificada do patógeno.

Esse é mais um dos fatores que ajuda a explicar porque mesmo pessoas que foram diagnosticadas com covid-19 no passado — como o próprio ex-presidente Lula — correm o risco de pegar a doença de novo alguns meses depois.

"E o surgimento de novas variantes vai continuar a acontecer enquanto tivermos uma parte da população que não foi adequadamente vacinada", alerta Bonorino.

E aqui você pode estar se perguntando: e as vacinas? Será que não é hora de atualizar os imunizantes para que eles funcionem ainda melhor contra as variantes que surgiram nesses últimos tempos?

Diversos grupos de cientistas e farmacêuticas estão pesquisando isso neste exato momento. Mas os resultados obtidos até agora não justificam o lançamento de novos produtos.

Apesar de perderem em parte sua eficácia, as vacinas disponíveis desde o início do ano passado continuam a funcionar suficientemente bem para aquilo que foram criadas: diminuir o risco de desenvolver as formas mais graves da covid-19.

Alta circulação

Para completar, os fatores comportamentais também têm um papel a cumprir nesse cenário em que as reinfecções se tornam mais comuns.

Vivemos um momento em que as políticas públicas que tentavam conter os casos de covid — como o uso de máscaras em lugares fechados e a prevenção de aglomerações — foram praticamente abandonadas mundo afora. Sem essas barreiras, o vírus consegue circular com mais facilidade.

A temporada de outono e inverno no Hemisfério Sul, em que as pessoas tendem a ficar mais próximas umas das outras e em locais com pouca circulação de ar, também contribui para o aumento de casos no país.

Na situação específica do ex-presidente Lula, a participação frequente em eventos presenciais, como comícios, debates e reuniões da campanha, também explica a reinfecção: num cenário de alta circulação viral, é praticamente improvável que uma pessoa que se expõe tanto no dia a dia não tenha contato próximo com alguém infectado com o coronavírus.

Essa alta circulação viral, aliás, pode ser observada na realidade brasileira. De acordo com as informações do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), o país está atualmente com uma média móvel de 29 mil novos casos de covid por dia. Há pouco mais de um mês, no final de abril, essa taxa estava em 12 mil.

Podemos, então, resumir toda a situação com uma fórmula relativamente simples. Queda relativa de anticorpos + surgimento de novas variantes + alta circulação do vírus = aumento do risco de infecção, mesmo entre vacinados ou quem já teve covid no passado.

Felizmente, esses indivíduos estão mais protegidos, pois ainda guardam uma memória imunológica suficientemente boa para impedir, na maioria das vezes, as complicações da covid, relacionadas à internação, intubação e morte.

Para lidar com essa nova onda e diminuir o risco de problemas tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, os especialistas fazem cinco recomendações principais: estar com o esquema vacinal em dia, usar máscaras em ambientes fechados se possível, ficar atento aos sintomas da covid, fazer o teste caso apresente algum sinal da infecção e, se realmente estiver com a doença, ficar em isolamento.

06/06/2022 – BBC

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-61709732

Lula com covid: por que é possível ter a doença mesmo após quatro doses de vacina e infecção prévia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi às redes sociais na noite de domingo (5/6) para anunciar que está de novo com covid-19. Sua esposa, Rosângela da Silva, a Janja, também testou positivo.

"Os dois estão bem, o ex-presidente [está] assintomático e Janja [tem] sintomas leves. [Eles] ficarão em isolamento e acompanhamento médico nos próximos dias", informa a postagem feita no Twitter.

No caso de Lula, chama a atenção o fato de ele ter recebido a quarta dose da vacina no início de abril. O pré-candidato à Presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT) também já foi diagnosticado com covid ainda no primeiro ano de pandemia, em dezembro de 2020.

Mas, afinal, como é possível ter a doença pela segunda vez, mesmo com o esquema de imunização em dia e um episódio prévio de infecção pelo coronavírus?

As evidências científicas apontam pelo menos três fatores que ajudam a responder a esta pergunta: queda da imunidade com o passar do tempo, aparecimento de novas variantes e alta circulação do vírus.

Para que servem as vacinas

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, questiona o que significa "pegar covid" nos dias de hoje.

"O que é pegar covid? É ficar doente e ir para o hospital? Ter sintomas leves? Ou simplesmente testar positivo? Precisamos entender que testar positivo não significa estar com covid", diferencia.

"E as vacinas não impedem a infecção. Enquanto o vírus circular, as pessoas se infectarão", complementa a especialista.

Independentemente do tipo de tecnologia usada, as vacinas têm um objetivo principal: fazer com que nosso sistema imune seja exposto com segurança a um vírus ou a uma bactéria (ou pedacinhos específicos deles).

A partir desse primeiro contato, que não vai prejudicar a saúde, nossas células de defesa geram uma resposta, capaz de deixar o organismo preparado caso o agente infeccioso de verdade resolva aparecer.

Acontece que esse processo imunológico é extremamente complicado e envolve um enorme batalhão de células e anticorpos. A resposta imune, portanto, pode variar consideravelmente segundo o tipo de vírus, a capacidade de mutações que ele tem, a forma como é desenvolvida a vacina, as condições de saúde da pessoa…

No meio de todos esses processos, portanto, é muito difícil desenvolver um imunizante que seja capaz de evitar a infecção em si, ou seja, bloquear a entrada do causador da doença nas nossas células.

Mas aí vem um ponto muito importante: mesmo nos casos em que a vacina não consegue prevenir a infecção, muitas vezes a resposta imune criada a partir dali pode tornar os sintomas menos graves nas pessoas que foram imunizadas, prevenindo assim doenças mais severas e óbitos.

Isso ocorre, por exemplo, com as vacinas contra o rotavírus e a gripe: quem as toma pode até se infectar, mas o risco de desenvolver formas mais graves dessas doenças é reduzido consideravelmente.

E é exatamente esse mesmo fenômeno que observamos agora com a covid-19: ainda que os imunizantes disponíveis não sejam capazes de barrar novas ondas de casos, eles estão funcionando muito bem para impedir o agravamento da maioria das infecções.

Prova disso são as ondas mais recentes que ocorreram entre o final de 2021 e o início de 2022, relacionadas com o espalhamento da variante ômicron: embora muitos países tenham batido recordes absolutos de casos, a taxa de internações e mortes nesses lugares foi significativamente menor em relação a momentos anteriores da pandemia.

Um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicado em março calculou o tamanho dessa proteção. Os dados revelam que adultos que tomaram três doses de vacina contra a covid tem um risco 94% menor de precisar de internação, ventilação mecânica ou morrer, quando comparados àqueles que não se imunizaram.

Resumindo: as vacinas contra a covid aprimoram e modificam alguns aspectos do sistema imune que não chegam a bloquear a entrada do vírus no organismo, mas ao menos impedem que ele se replique numa velocidade muito alta e cause estragos que afetam a saúde de forma preocupante.

E isso é bom para o indivíduo, que não desenvolve esses problemas, e para o sistema de saúde como um todo, que não fica abarrotado de pacientes e pode entrar em colapso.

Defesas que se esvaem

Agora que você já entendeu qual o principal objetivo das vacinas atuais contra a covid-19, vamos explorar uma segunda questão: nesse contexto, por que são necessárias doses de reforço para alguns grupos?

No Brasil, o Ministério da Saúde já recomenda a aplicação de uma quarta dose do imunizante para quem tem mais de 50 anos e para indivíduos com problemas que afetam o sistema imunológico.

Ao longo dos últimos meses, a atualização das campanhas de vacinação, com a adoção das doses extras, se provou necessária por uma série de fatores. O mais importante deles está relacionado à queda da imunidade com o passar dos meses.

De forma simplificada, as nossas células imunes que estão na linha de frente "se esquecem" de como combater o coronavírus se elas não forem expostas ao patógeno depois de algum tempo.

"Essa queda dos anticorpos é normal. A gente não pode ficar com nível alto de anticorpos o tempo inteiro", esclarece Bonorino, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia.

A aplicação das doses de reforço, portanto, serviria como uma espécie de "lembrete" para atualizar o nosso sistema antivírus. Essa estratégia é ainda mais importante, do ponto de vista de saúde pública, quando consideramos pessoas de idades específicas (como os mais velhos), ou portadores de determinadas enfermidades, em que a imunidade costuma não funcionar tão bem assim.

Nesse sentido, um estudo feito pelo Instituto Weizmann de Ciências de Israel acompanhou 1,2 milhão de idosos com mais de 60 anos e observou que a frequência de casos graves de covid era 3,5 vezes menor no grupo de participantes que havia recebido a quarta dose, em comparação com aqueles que só tomaram até a terceira dose da vacina.

Esse e outros dados só reforçam a noção de que manter o esquema vacinal em dia, de acordo com o que é preconizado pelas autoridades de saúde, pode até não evitar a infecção pelo coronavírus, mas diminui bastante o risco de desenvolver as complicações da doença — como parece ser o caso de Lula, que não apresenta muitos sintomas, pelas poucas informações disponíveis no momento.

Metamorfose ambulante

Não dá pra se esquecer também do fato de que o coronavírus está em constante mudança. E as mutações que ocorrem no código genético dele a cada nova replicação abrem alas para o surgimento das variantes.

Algumas dessas novas linhagens, aliás, causaram um estrago considerável desde o final de 2020: alfa, beta, gama, delta e ômicron carregam alterações importantes, especialmente numa parte do vírus chamada espícula, que se conecta aos receptores na superfície de nossas células para dar início à infecção.

Em termos práticos, mudanças significativas no material genético do vírus dificultam ainda mais o trabalho do sistema imunológico, que não consegue identificar muito bem o agente invasor e lançar uma resposta adequada para contê-lo.

Ou seja: mesmo que as células de defesa tenham conseguido montar um bom contra-ataque contra o coronavírus original (ou uma das variantes mais "antigas", como a alfa ou a gama), isso pode não ser o suficiente para barrar a entrada da ômicron no nosso corpo, já que falamos de uma versão modificada do patógeno.

Esse é mais um dos fatores que ajuda a explicar porque mesmo pessoas que foram diagnosticadas com covid-19 no passado — como o próprio ex-presidente Lula — correm o risco de pegar a doença de novo alguns meses depois.

"E o surgimento de novas variantes vai continuar a acontecer enquanto tivermos uma parte da população que não foi adequadamente vacinada", alerta Bonorino.

E aqui você pode estar se perguntando: e as vacinas? Será que não é hora de atualizar os imunizantes para que eles funcionem ainda melhor contra as variantes que surgiram nesses últimos tempos?

Diversos grupos de cientistas e farmacêuticas estão pesquisando isso neste exato momento. Mas os resultados obtidos até agora não justificam o lançamento de novos produtos.

Apesar de perderem em parte sua eficácia, as vacinas disponíveis desde o início do ano passado continuam a funcionar suficientemente bem para aquilo que foram criadas: diminuir o risco de desenvolver as formas mais graves da covid-19.

Alta circulação

Para completar, os fatores comportamentais também têm um papel a cumprir nesse cenário em que as reinfecções se tornam mais comuns.

Vivemos um momento em que as políticas públicas que tentavam conter os casos de covid — como o uso de máscaras em lugares fechados e a prevenção de aglomerações — foram praticamente abandonadas mundo afora. Sem essas barreiras, o vírus consegue circular com mais facilidade.

A temporada de outono e inverno no Hemisfério Sul, em que as pessoas tendem a ficar mais próximas umas das outras e em locais com pouca circulação de ar, também contribui para o aumento de casos no país.

Na situação específica do ex-presidente Lula, a participação frequente em eventos presenciais, como comícios, debates e reuniões da campanha, também explica a reinfecção: num cenário de alta circulação viral, é praticamente improvável que uma pessoa que se expõe tanto no dia a dia não tenha contato próximo com alguém infectado com o coronavírus.

Essa alta circulação viral, aliás, pode ser observada na realidade brasileira. De acordo com as informações do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), o país está atualmente com uma média móvel de 29 mil novos casos de covid por dia. Há pouco mais de um mês, no final de abril, essa taxa estava em 12 mil.

Podemos, então, resumir toda a situação com uma fórmula relativamente simples. Queda relativa de anticorpos + surgimento de novas variantes + alta circulação do vírus = aumento do risco de infecção, mesmo entre vacinados ou quem já teve covid no passado.

Felizmente, esses indivíduos estão mais protegidos, pois ainda guardam uma memória imunológica suficientemente boa para impedir, na maioria das vezes, as complicações da covid, relacionadas à internação, intubação e morte.

Para lidar com essa nova onda e diminuir o risco de problemas tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, os especialistas fazem cinco recomendações principais: estar com o esquema vacinal em dia, usar máscaras em ambientes fechados se possível, ficar atento aos sintomas da covid, fazer o teste caso apresente algum sinal da infecção e, se realmente estiver com a doença, ficar em isolamento.

05/06/2022 – Folha de São Paulo

Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/06/tire-suas-duvidas-sobre-a-variola-dos-macacos.shtml

Tire suas dúvidas sobre a varíola dos macacos

Testagem, rastreamento de contatos e vacinação são medidas para barrar a doença

Com sintomas como febre, dores no corpo e feridas pelo corpo, a varíola dos macacos preocupa médicos e cientistas pela rápida disseminação. Desde o início deste surto, no mês passado, já são mais de mil casos confirmados, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em países onde a doença não é endêmica.

No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em 8 de junho. O paciente é um homem de 41 anos que esteve na Espanha recentemente. Ele é mantido em isolamento no hospital Emílio Ribas, na zona oeste de São Paulo. Outros sete casos foram confirmados até esta segunda (20), em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.

Um dos pontos ainda em aberto é como o vírus se propagou tão rápido em diferentes países –fora da África, esse é o maior surto já visto. A pouca capacidade de produção da vacina para barrar a transmissão do vírus é outro aspecto que preocupa especialistas.

O que causa a varíola dos macacos?

A doença é causada pelo monkeypox, um vírus do gênero orthopoxvirus. Outro patógeno que também é desse gênero é o que acarreta a varíola, doença erradicada em 1980.

Embora tenham suas semelhanças, existem diferenças entre as duas doenças. Uma delas é a letalidade: a varíola matava cerca de 30% dos infectados. Já a varíola dos macacos conta com uma taxa de mortalidade entre 3% a 6%, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Então a varíola dos macacos não significa um risco por ter menor letalidade?

Os riscos menores não indicam que a doença não é grave. Crianças, grávidas e imunossuprimidos são pessoas que podem desenvolver quadros mais graves, por exemplo.

"Não deixa de ser preocupante porque toda doença infectocontagiosa não é para correr solta. É preciso conter esses surtos", afirma Clarissa Damaso, virologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e assessora do comitê da OMS para pesquisa com vírus da varíola.

Ela é uma das pesquisadoras que compõem o grupo de trabalho para enfrentamento da varíola de macacos organizado na UFRJ. A iniciativa realiza testes em pessoas suspeitas da doença e também deve acompanhar os pacientes para observar a evolução do quadro clínico e evitar a disseminação do patógeno.

Além do grupo da UFRJ, outros dois centros realizam testes para diagnosticar a doença no Brasil: o Instituto Adolf Lutz, em São Paulo, e a Funed (Fundação Ezequiel Dias), em Minas Gerais.

Outro caminho para diagnosticar a doença é um teste da empresa Roche. Carlos Martins, presidente da Roche Diagnóstica no Brasil, afirma que o produto é um exame PCR parecido com testes para Covid.

Segundo ele, os resultados dos exames ficam prontos entre 4 e 8 horas e o produto deve chegar ao Brasil em algumas semanas.

Como conter a disseminação do vírus?

Diminuir a transmissão envolve principalmente isolamento dos casos suspeitos e confirmados, além de imunizar pessoas que tiveram contato próximo com alguém infectado. Grupos de maiores riscos, como profissionais de saúde da linha de frente, também podem ser imunizados.

Segundo a OMS, a vacina contra a varíola tem uma taxa de eficácia de aproximadamente 85% para a doença causada pelo monkeypox. No entanto, ela não se encontra disponível para o público em geral. Em 2019, outro imunizante foi desenvolvido e tem eficácia na prevenção da varíola dos macacos, mas tem produção em pequena escala.

Atualmente, o Brasil não conta com as vacinas. Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, afirmou que a pasta está em contato com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) para avaliar compras de doses, mas ainda em avaliação.

O que explica a nova onda de casos?

A varíola dos macacos já era conhecida, mas era registrada principalmente em países africanos. O que deixou a comunidade científica em alerta foi a disseminação rápida do vírus para outros países fora da África.

Apesar da referência aos macacos, os hospedeiros naturais do monkeypox provavelmente são roedores, como ratos. A partir deles, o vírus pode ser transmitido aos humanos por meio do contato com fluidos ou lesões dos animais infectados.

De pessoa para pessoa, a transmissão acontece por meio de contato próximo. A infecção pode ser por vias respiratórias, mas é preciso contato face a face perto por tempo prolongado. Em comparação, o Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, também se transmite por vias respiratórias, mas não precisa de um contato tão próximo e nem prolongado.

Outra forma de infecção é por meio das feridas, parecidas com bolhas, que a varíola dos macacos causa na pele. Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), explica que o líquido dentro dessas bolhas contém o vírus. Sendo assim, o contato direto com essas secreções também causa a propagação do patógeno.

Por justamente ter uma transmissão que precisa de contato muito próximo, os novos casos ainda carecem de explicações. "Nós não estamos entendendo exatamente como está acontecendo essa transmissão", afirma Damaso.

A hipótese mais relatada é que uma pessoa pode ter sido infectada na África e transmitido para outros indivíduos fora do continente africano em aglomerações.

Isso pode ter acontecido principalmente porque o início da doença tem sintomas comuns e pode gerar confusões. "Pode acontecer da pessoa estar no início da sintomatologia, se sentindo um pouco mal, mas confundir com uma gripe, por exemplo, e passar adiante", diz Damaso.

Outra hipótese que pode ser investigada são casos assintomáticos, diz Bonorino. "Uma pergunta é: será que existe uma forma que não causa bolhas e por isso se espalhou mais rapidamente? Não sabemos."

Uma terceira suposição é de mutações no patógeno. Vírus de DNA como o monkeypox têm uma chance muito menor de sofrer alterações. Mesmo assim, essa possibilidade não deve ser descartada, diz Raquel Stucchi, infectologista e professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

"Realmente o vírus não costuma ter mudanças, mas alguma coisa aconteceu nele para explicarmos essa explosão tão grande de casos."

E como é o tratamento?

O tecovirimat é um medicamento que pode ser usado no tratamento. Recentemente, um estudo publicado na The Lancet investigou o remédio em casos de monkeypox e viu um efeito positivo.

Outro medicamento é o brincidofovir, antiviral que já tem aprovação do FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) para tratamento da varíola.

No entanto, nenhum dos remédios está disponível no Brasil. "Até o momento, a Anvisa não recebeu solicitação de autorização para vacina ou medicamentos contra a varíola ou varíola do macaco", informa a agência em nota.

A Anvisa também afirma que é responsabilidade das farmacêuticas fazerem o pedido e ainda indica que é "possível autorizar a importação [...] em situações de emergência de saúde pública".

O que fazer a partir de agora?

Embora a situação seja atípica, as chances da varíola dos macacos se tornar uma pandemia são pequenas pela baixa capacidade de transmissão do vírus.

Mesmo assim, medidas precisam ser tomadas. Elas envolvem principalmente testar casos suspeitos da doença, isolamento nos positivados ou até o resultado do exame e aplicação de vacinas naqueles que tiveram contatos.

"É importante a população não ter pânico. Não é uma doença nova. Sabemos que existe há muito tempo e temos armas para combater", afirma Damaso. Ela também explica que os antivirais podem ser úteis para tratar casos mais graves da doença no país.

Além disso, as especialistas afirmam que o novo surto só chamou atenção quando a doença se espalhou para regiões mais ricas do mundo, como Estados Unidos e Europa, mas quando era endêmica somente na África não tinha tanto apelo.

O fato abre alerta para as chamadas doenças negligenciadas, aquelas sem tanto investimento para pesquisas científicas. "Nós nunca damos importância ao que acontece na África até que chegue ao mundo todo", conclui Stucchi.

04/06/2022 – Correio do Povo

Link: https://www.correiodopovo.com.br/blogs/di%C3%A1logos/cuidado-com-quem-cuida-1.832724

Cuidado com quem cuida

O médico geriatra Leandro Minozzo, 38 anos, professor da Universidade Feevale, que tem mais de duas décadas de dedicação ao estudo de doenças que acometem a terceira idade, lança seu oitavo livro, “Como cuidar de um familiar com Alzheimer e não adoecer”, o quarto sobre o tema. Na obra, o foco central do autor não são especificamente os pacientes mas, sim, as pessoas que os acompanham e as suas jornadas, que também passam por sofrimento e pela necessidade de resiliência para enfrentar a situação. O especialista dá dicas como é possível diminuir o estresse do cuidador, seja familiar ou profissional, durante todo o processo, desde o diagnóstico até o cotidiano do tratamento.

O que o motivou a trabalhar e, posteriormente, se especializar nas pessoas com Alzheimer?

Sempre gostei dos “médicos de antigamente”, daqueles que faziam atendimentos demorados. Acabei me encantando pela Psiquiatria, mas foi na Geriatria que me identifiquei com aquelas consultas que prolongam o vínculo com os pacientes.

Depois de escrever livros sobre a doença, como surgiu a ideia de se centrar nos cuidadores?

As estatísticas são horríveis, dois terços dessas pessoas têm o chamado “estresse do cuidador”, mais de 60%, o que é muito prejudicial. A qualidade de vida fica ruim e os sintomas psicológicos e físicos que aparecem já são o da fase do esgotamento do estresse. Sendo assim, os indicadores de cuidado pioram: o paciente fica mais agitado, vai para o hospital, precisa de mais remédios. E esse estresse de cuidador é a porta de entrada para doenças sérias como depressão, insônia, ganho de peso, hipertensão arterial. No livro, mostro caminhos para prevenir este estresse, que conta com um luto mal resolvido.

O que é preciso fazer para tentar fugir do estresse do cuidador?

Um caminho que protege o familiar cuidador é a resiliência. Ele vai ficar chateado e, eventualmente, passar por crises, até porque a situação é difícil. Mas é possível obter uma capacidade de colocar um sentido na vida. O Alzheimer vem para as famílias como algo imprevisto e como um promotor de mudanças. Não tem como escapar, a mudança vai acontecer. O quanto antes o familiar conseguir ressignificar esse desafio, adaptar planos, sonhos e rotina, melhor. Buscar terapias, hobbies, se permitir ter diversão. E outro ponto importante é reduzir a sobrecarga. Muitas pessoas não estão aposentadas ou somente cuidando do familiar paciente, muitos têm que trabalhar, cuidar do relacionamento conjugal e dos filhos e, ainda, olhar pelo pai ou a mãe.

E aquelas famílias com uma rede menor de apoio, às vezes o idoso tem apenas um filho ou filha para cuidar dele.

Quando a família é pequena e/ou tem poucos recursos, o conhecimento sobre o Alzheimer e uma qualificação se tornam primordiais, além de ter um médico ou profissional de saúde que tenha uma resposta rápida. Assim como ocorre com outras doenças, já sabemos o que vai acontecer: as fases pré-clínica, inicial, moderada e, assim por diante. Se o familiar estiver preparado, pode evitar crises e responder com mais agilidade. Há modelos de assistência ao Alzheimer testados no mundo todo. Um deles, por exemplo, é o reativo, muito centrado na figura de ir ao médico somente após acontecer um surto, um esquecimento do nome de alguém importante na família ou uma queda. Porém, o cuidado de alta qualidade, reconhecido internacionalmente, é o proativo. É saber que pode acontecer, preparar o familiar, que tipo de resposta ele tem que dar. É a dica para uma família ter estratégias para que evitem, ao máximo, o sofrimento.

Como o Brasil se situa no contexto do Alzheimer?

Temos muita dificuldade com diagnósticos. Segundo os mais recentes estudos, temos 700 mil idosos com quadro demencial, mas que ainda não foram diagnosticados. A América Latina é o lugar do mundo onde ocorre o maior número de casos de demência, geograficamente não estamos em uma região favorável. Este dado tende a aumentar. Da população desta faixa etária, 8% tem quadro demencial e 14% tem o quadro de transtorno neurocognitivo leve. Temos uma cultura no país de que o idoso ficar “esquecido” é normal. Até alguns profissionais de saúde têm essa visão. O ponto interessante é quebrar esse mito. Geralmente, em média, a família brasileira demora dois anos para buscar ajuda. Na pandemia, este tempo reduziu pelo maior convívio com os pais dentro de casa.

E como estão os profissionais de saúde? Preparados para lidar com a doença no dia de hoje? Temos estrutura suficiente para a demanda?

Agora está tramitando no Senado a Lei Nacional do Alzheimer, a partir de uma mobilização que fizemos após o lançamento do meu livro “Como enfrentar o Alzheimer e outras demências”, em 2019. Lei estadual foi aprovada em março, justamente com este enfoque. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a demência e o Alzheimer como problemas de saúde pública urgente. Temos metas para cumprir, uma delas é capacitar médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros, para tratar destes pacientes. No RS, somos privilegiados em ter o Instituto do Cérebro da PUC (InsCer), um dos poucos lugares no país que faz o mais novo exame para avaliar as placas. Temos bons especialistas no Hospital de Clínicas, Santa Casa, Conceição ou São Lucas da PUC, são lugares de referência, em comparação com outros lugares. Mas, em geral, no Brasil, temos dificuldades, não só em relação à demência, mas também com outras doenças comuns a idosos. Por exemplo, para tratar a depressão deles, os dois medicamentos disponíveis no SUS, nós da Geriatria não recomendamos que sejam utilizados, a fluoxetina e amitriptilina, porque podem dar problemas em idosos e há remédios melhores. Somos pouquíssimos geriatras no Brasil, menos de 1,5 mil, faltariam outros 2 ou 3 mil para dar conta. No RS são menos de 150. E, nas faculdades, foi de um tempo para cá que a Geriatria é disciplina obrigatória. Me formei na UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) em 2007 e não tive nenhuma aula de Geriatria.

Como a pandemia influenciou na assistência a pessoas com Alzheimer?

É um período de sofrimento para todo mundo. Os idosos perderam massa muscular, começaram a ter mais dores ortopédicas. Há exceções, daqueles que decidiram fazer exercícios em casa, mas grande parte deles teve prejuízo global, influenciando no humor, no propósito na vida. Muitos sobreviveram e tiveram que aprender de novo. Eles sofreram por eles e pelos outros. As perdas por quem se foi e as sequelas de quem ficou. As pessoas com Alzheimer que contraíram Covid-19 tiveram um impacto cerebral e ficaram com ansiedade, mais esquecimento e a brain fog (nuvem cerebral). Vamos ver o quanto será reversível ou não. Quem ficou muito em casa teve mais alterações de comportamento e insônia. Os cuidadores foram heróis, preocupados em cuidar dos pacientes e não transmitir Covid-19 a eles.

O que fazer quando surgem estes primeiros sinais de que uma pessoa possa estar com Alzheimer?

É quando erros graves começam a acontecer. Outras pessoas percebem e avisam a família. De uns anos para cá, o conhecimento sobre esta e outras demências. Há filhos e netos que chegam a ficar “neuróticos” e já levam os idosos para as consultas, o que é bom. Entre os sinais mais conhecidos está se perder na rua, guardar objetos e não lembrar onde, fazer perguntas de maneira repetitiva, esquecer de uma situação que ocorreu no dia anterior. Isso faz o familiar se assustar. Muita gente acha que a memória antiga não estar preservada é um traço de demência. É o contrário, é a memória recente, mesmo a lembrança mais remota estando intacta. Se houver casos anteriores na família, aumenta o risco de acontecer novamente, mas levamos mais em consideração quando são mais de dois e se são casos precoces, antes dos 65 anos. Aí é o perfil de Alzheimer mais familiar. Mas entre 90% e 95% das situações, não está no fator hereditário a explicação.

Idosos nesta condição podem dirigir? Tomam banho sozinhos? Qual o grau de independência que ainda podem ter?

Estas situações citadas, assim como cozinhar, tomar remédios ou morar sozinho, são questões que envolvem muitos desgastes ao cuidador e à família, que precisa buscar ajuda e aprender sobre a doença para aceitá-la. É preciso superar a negação sobre o Alzheimer, é um desafio que aparece muito no consultório. Poucos exames são confirmatórios, mas que já excluem outras doenças. Ao vencer a negação, o cuidador já descobre que precisa tomar conta do familiar doente. E, a partir daí, ter o equilíbrio para entender o que o paciente pode ou não fazer. Quando os riscos forem maiores à capacidade que o idoso apresentar, a família deve protegê-lo. Se um paciente tem Alzheimer e é diabético, por exemplo, não pode tomar insulina por conta própria. O seu cérebro não desliga de uma hora para outra. Ele preserva algumas memórias e traços da sua personalidade, mas não percebe.

Está correto dizer, então, que existe o termo ‘princípio de Alzheimer’, como muitas pessoas costumam falar?

Sim, é a doença em sua fase inicial. Inclusive, existe o Alzheimer em uma fase pré-doença. Em um exame, é possível que há uma quantidade maior das placas beta-amilóides (proteína que provocam a doença). Pessoas que têm um quadro de transtorno neurocognitivo leve, que é o quadro pré-demencial, até conseguem exercer muitas das suas atividades comuns. Muitas pessoas acima dos 60 anos, que ficam mais confusos e precisam utilizar agenda para não perderem compromissos, até ‘funcionam sozinhos’. Até podem morar sozinhos e dirigir. Mas, quando não perdem muito a atenção, memória, dificuldade de se localizar e faz com que tenha que parar de trabalhar, aí entra no quadro demencial. A partir da fase moderada, já demanda um cuidador.

02/06/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/06/impactos-do-bloqueio-de-145-no-orcamento-de-universidades-federais-vao-de-reformas-canceladas-a-nao-pagamento-de-luz-e-agua-cl3xjtn18003j0167t8jwyt30.html

Impactos do bloqueio de 14,5% no orçamento de universidades federais vão de reformas canceladas a não pagamento de luz e água

Reitores estimam consequências da decisão do governo federal, que pode, segundo eles, afetar o funcionamento diário das instituições de Ensino Superior do Estado

Um bloqueio de R$ 3,2 bilhões no orçamento do Ministério da Educação (MEC), anunciado na sexta-feira pelo governo federal, vai atingir em cheio o caixa das universidades e institutos federais do país. O corte, de 14,5%, será aplicado linearmente, ou seja, de maneira uniforme, a cada universidade, instituto ou entidade ligada ao MEC.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Marcus David, o valor bloqueado já deixou de aparecer na conta das instituições federais.

— O governo federal pode, a qualquer momento, pegar o orçamento bloqueado e transferir para outra despesa orçamentária. Estamos sensibilizando os deputados para, através de uma ação política no Congresso, reverter essa ação — diz David.

Se o valor de fato for retirado, ficará difícil cumprir com despesas básicas, alertam reitores de universidades do Rio Grande do Sul ouvidos pela reportagem. São contratos como serviços de limpeza, vigilância e motorista, além de contas de água e luz e até insumos para aulas em laboratórios, por exemplo.

— Geralmente, esses bloqueios e cortes acontecem no começo do ano, quando o governo vai prever o orçamento. Só que agora, na metade do ano, já havíamos contratado tudo. Teremos de rever os contratos — lamenta o reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Luciano Schuch.

O governo diz que o contingenciamento é necessário para cumprir o teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas públicas.

Veja a seguir como o bloqueio deve impactar cada uma das federais gaúchas, de acordo com seus reitores.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

A assessoria de imprensa da UFRGS informou que, em função de um compromisso, o reitor Carlos André Bulhões não poderia conceder entrevista falando sobre o bloqueio no orçamento da universidade. Também não informou o valor que deixará de constar para a instituição neste ano. Questionada se poderia indicar outra pessoa para falar no lugar do reitor, a assessoria não respondeu à solicitação.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

De acordo com a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, o bloqueio no orçamento da universidade será de R$ 4,69 milhões e vai impossibilitar reformas em dois prédios, que estavam previstas para este ano.

Um deles é onde funciona a Clínica da Família, localizada na Rua da Conceição, com foco no atendimento à população do Centro. O outro é na Rua Sete de Setembro, que seria destinado à realização de cursos de extensão.

Gastos com manutenção devem ser cumpridos, estima a reitora, ressaltando, contudo, que um bloqueio anunciado na metade do ano desorganiza qualquer planejamento.

Por enquanto, estamos conseguindo segurar as despesas com manutenções. O mais complicado é que a gente não consegue se planejar. Fazemos um orçamento certinho no ano anterior, o Congresso aprova, a gente faz as contratações, mas chega no meio do ano e nos dizem que não poderemos pagar os contratos. É muito complicado — lamenta Lucia.

(Confira sobre as demais universidades no link acima)

02/06/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/politica/2022/06/bolsonaro-bloqueia-r-5-bi-para-saude-ciencia-e-educacao-estamos-abrindo-mao-do-nosso-futuro/

Bolsonaro bloqueia R$ 5 bi para Saúde, Ciência e Educação: ‘Estamos abrindo mão do nosso futuro’

Dos R$ 8,2 bilhões que serão bloqueados do orçamento, 65,8% correspondem a essas três áreas

No fim de maio, um bloqueio de R$ 8,2 bilhões do orçamento federal de 2022 foi anunciado pelo Ministério da Economia. Segundo a Instituição Fiscal Independente, órgão do Senado, esse corte afeta, principalmente, os ministérios de Ciência e Tecnologia, Educação e Saúde, que respondem por R$ 5,4 bilhões do bloqueio, cerca de 65,8% do total.

Confira o corte para cada uma das pastas:

Educação: R$ 2 bilhões

Ciência: R$ 1,8 bilhão

Saúde: R$ 1,6 bilhão

O levantamento foi feito com base em um decreto publicado na terça-feira (31) no Diário Oficial da União. A justificativa é de que os cortes orçamentários seriam necessários para garantir que não se alcance o teto de gastos.

No dia 27, o governo já havia anunciado ao Ministério da Educação (MEC) que bloquearia R$ 3,2 bilhões da verba, ou 14,5% do orçamento previsto para a pasta em 2022, afetando universidades e institutos federais. Esse corte, ainda maior do que o anunciado no decreto, seria necessário para o reajuste nos salários dos servidores, que pode ser de 5%, mas não está confirmado pelo governo. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impõe o prazo de até o final deste mês para a definição do reajuste, por isso a equipe econômica pediu que ministérios bloqueassem um valor maior.

O bloqueio acontece no ano letivo em que a maioria das instituições de ensino federais retoma as atividades presenciais na sua plenitude. “A pandemia deixou sequelas importantes no processo de aprendizagem dos nossos estudantes, estamos cientes disso e estamos fazendo o nosso melhor para recuperar tudo que deixou de ser feito na pandemia, mas para isso precisamos do nosso orçamento na sua totalidade”, diz o reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Júlio Xandro Heck.

Heck relata, ainda, que as instituições já haviam passado por restrições e limitações há algum tempo. Os custos fixos aumentaram, mas o orçamento não foi proporcional, todos ajustes internos possíveis para otimização de processos já foram feitos, como a contratação mínima de terceirizados para limpeza e segurança.

Na prática, os Institutos Federais terão recursos para apenas dez meses de funcionamento. As bolsas que garantem a qualidade do tripé ensino, pesquisa e extensão ficarão comprometidas, e podem deixar de ser pagas em algum momento do ano. As políticas contra a evasão escolar também serão afetadas, uma vez que o pagamento da assistência estudantil é o que garante a permanência dos estudantes mais vulneráveis.

“O que pode ser feito é um desbloqueio do orçamento, nada diferente disso vai resolver. Não acho nada inteligente o país fazer economia com recursos da educação, ao fazê-lo, estamos abrindo mão do nosso futuro. Esperamos muito que isso possa ser revertido em breve”.

Lucia Campos Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que a maioria das universidades federais terá o funcionamento afetado, inclusive em questões básicas, como a manutenção, contas de água e luz. As atividades que envolvem atendimento à comunidade também serão comprometidas. “Vamos ter que reduzir bastante o andamento desses projetos, gerando um prejuízo muito grande, não só para os nossos estudantes, que têm esses locais de prática, como para a população de Porto Alegre”, explica.

Crise nos municípios

Pouco mais de dois anos depois do início da pandemia de covid-19 e de seus impactos no sistema de saúde, o setor também está entre os mais atingidos pelo bloqueio de verbas do governo federal. Uma reunião realizada na quarta-feira com 14 secretários de Saúde da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) expôs parte dos problemas que vêm sendo enfrentados pelos municípios no Estado. De forma unânime, eles relataram emergências lotadas, falta de insumos e de profissionais para contratação e orçamentos estourados.

Para Rodrigo Battistella, prefeito de Nova Santa Rita e presidente da Granpal, retirar verbas federais da saúde coloca em risco a vida e delega somente aos gestores municipais a responsabilidade de cuidar de suas populações com recursos próprios.

“Todos já estão operando com um orçamento de saúde muito maior do que aquilo que a Constituição cobra”, relata. A destinação de recursos em saúde nas contas municipais é de 15% do orçamento, segundo a Constituição Federal; muitos municípios já ultrapassaram esse índice, chegando a comprometer 42% do orçamento. Os motivos seriam justamente o congelamento do repasse federal e os cortes em razão da covid-19.

Atos pelo Brasil

Na próxima quinta-feira (9), estudantes e trabalhadores de todo o país realizam atos de protesto contra os cortes na educação pública. Em Porto Alegre, o ponto de encontro será a Faculdade de Educação da UFRGS, às 17h. O ato é liderado pela ASSUFRGS Sindicato, que convoca toda a comunidade da UFRGS, IFRS e UFCSPA para participar da mobilização.

02/06/2022 – Brasil de Fato

Link: https://www.brasildefato.com.br/2022/06/02/butantan-entrega-documentos-para-a-aprovacao-da-coronavac-em-criancas-de-3-a-6-anos

Butantan entrega documentos para a aprovação da Coronavac em crianças de 3 a 6 anos

Faixa etária ainda não foi vacinada; pedido é o terceiro feito à Anvisa

O Instituto Butantan de São Paulo entregou nesta quarta (1º) à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) os documentos solicitados em abril para a autorização da vacina Coronavac em crianças de 3 a 6 anos. À época, a Anvisa pediu ao Butantan esclarecimento de seis pontos sobre a proteção, efetividade, imunogenicidade, segurança e dados atualizados sobre a fase três de estudos clínicos em países que já aplicam o imunizante nessa população. A Anvisa vai realizar reunião com representantes de Sociedades Médicas na próxima quarta-feira (8) para discutir os documentos.

De acordo com o Instituto Butantan, não há mais pendências relativas aos estudos da Coronavac com a Anvisa. O primeiro pedido de aprovação da Coronavac para crianças e adolescentes foi realizado em julho de 2021, mas rejeitado em agosto. Na época, a Anvisa cobrou estudos de fase 3, que demonstram a eficácia da vacina. 

Em dezembro de 2021, o Instituto Butantan pediu novamente a aprovação da Coronavac para a população entre 3 e 11 anos, aprovado em janeiro de 2022, mas apenas para crianças de 6 a 11 anos. A agência considerou que não havia dados suficientes para a aprovação do imunizante em crianças menores.

Inação do Ministério da Saúde

A demora de quase um ano para a aprovação da Coronavac para crianças de 3 a 6 anos é um exemplo da inação do Ministério da Saúde, de acordo com Claudio Maierovitch, ex-presidente da Anvisa e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Ele explica que a agência precisa ter segurança para aprovar novas vacinas e medicamentos.

“A aprovação depende de dados confiáveis de segurança, eficácia, qualidade e monitoramento do fármaco”, explica Maierovitch. O grande ausente desse processo todo, desde o início, foi o Ministério da Saúde”, diz.

Maierovitch afirma que, historicamente, o Ministério da Saúde sempre atuou para facilitar a aprovação de fármacos importantes para a população. “Não se trata do interesse de uma empresa em vender vacina ou do interesse de uma agência em estabelecer seus quesitos regulatórios, mas de interesse público. Estamos em uma emergência de saúde pública de importância internacional”, afirma. “Poderia haver comitês regulatórios conjuntos, câmaras técnicas e até financiamento dos estudos necessários para a aprovação da vacina, mas o órgão se absteve”, completa.

Eficácia contra hospitalização

Um estudo publicado em maio pela revista Nature, realizado pelo Ministério da Saúde do Chile em parceria com 12 instituições do país, demonstrou que a eficácia da Coronavac para evitar hospitalizações de crianças de 3 a 5 anos é de 64,6%. Já a proteção contra a doença sintomática é de 38,2%.

"O objetivo principal de uma vacina é tirar as pessoas dos hospitais, e a Coronavac demonstrou ter esse efeito", diz Cristina Bonorino, bióloga, imunologista, professora titular da Universidade Federal de Ciencias da Saude de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). "O dado sobre proteção contra a infecção sintomática é mais difícil de ser avaliado, já que nessa faixa etária a covid costuma ter sintomas leves e as crianças nem sempre sabem relatar os sintomas", explica.